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sexta-feira, 4 de maio de 2018

TAKKEN - SEEDS OF ANGER (EP) (2017)



                Impossível ficar indiferente quando se ouve um trabalho como esse! Sabe aquela vontade de sair quebrando tudo ao seu redor? É exatamente isso que sentimos ou colocar pra rodar SEEDS OF ANGER, EP de estréia do grupo TAKKEN! Thrash metal visceral, agressivo, brutal, violento... defina como quiser. Mas o que a banda apresenta em apenas três faixas, coloca muita, mas muita "grande" no bolso. Guitarras primorosas, que trazem consigo riffs perfeitos, são a base de toda a classe e categoria que o quinteto mostra aqui. Aliás, formada em 2015, por nomes conhecidos e reconhecidos dentro do cenário (músicos de bandas como Scars, ChaosFear), a banda se prepara para lançar seu full lenght agora em 2018. E a julgar pelo que ouvimos neste EP, podemos esperar algo de altíssimo nível!

                  Régis F. (vocal), Fernando Boccomino (guitarra), Eduardo Boccomino (guitarra), André Sterzza (baixo) e Billy Houster (bateria) trazem a proposta de fazer um thrash metal que resgata as raízes do estilo, tendo por base a década de 80, mas agrega uma sonoridade bastante atual, criando uma música vibrante e dinâmica. Na época da gravação do EP (realizada no Loud Factory Studios, sob o comando dos produtores Wagner Meirinho e Tiago Assollini), o grupo era um quarteto, pois não contava ainda com as seis cordas de Edu Boccomino. E se com apenas uma guitarra, o poder de destruição do grupo já era devastador, imaginem agora? E também cabe ressaltar que  a produção não ficou menos que sensacional, pois soube valorizar o peso e a agressivdade do grupo de forma bem consistente.

                      "Die By Your Faith" já começa a devastação com os dois pés na porta! Que riff, meu amigo. Que riff! Sabe aquele thrash à moda antiga, mas que não soa datado e nem deslocado do contexto atual? É isso que temos nessa baita música. A cozinha do grupo, composta por André e Billy (baixo e bateria, respectivamente) mostra coesão e entrosamento, caprichando numa base bem sólida e pesada. Já Régis F. possui um vocal bem característico. Quem conheceu o seu grupo anterior, o espetacular Scars, sabe bem o que estou dizendo... "Political Genocide", mostra que não é apenas na esfera musical que o grupo apresenta qualidade. Sua preocupação com as letras também merece destaque, pois a abordagem vai desde o contexto atual da política, religião até as guerras e as grandes transformações que acontecem em nossa sociedade. Mais cadenciada, a faixa mostra a versatilidade da banda em explorar os limites do estilo. "Taken By Hate" também vai por essa linha mais cadenciada, mas nem por isso perde peso e brutalidade. Mais uma vez, as guitarras mostram como devem soar em álbum de thrash metal! 

                      O TAKKEN precisa urgente lançar um álbum completo. Um grupo com a qualidade e sangue no olho como ele não pode ficar restrito à apenas três faixas. Os fãs de um dos estilos mais fodas do planeta aguardam ansiosos pelo full lenght. Que venha o quanto antes. Nossos pescoços agradecem!






                  Sergiomar Menezes

quarta-feira, 2 de maio de 2018

CORRAM PARA AS COLINAS - CORRAM PARA AS COLINAS (EP) (2016)



                  Formada em 2012 em Curitiba/PR, a banda CORRAM PARA AS COLINAS conta em sua formação com músicos importantes da cena underground daquela cidade. Praticando um stoner com uma pegada bem metal (principalmente no que diz respeito as guitarras), o trio lançou seu EP de estréia em 2016 e mostrou, logo de cara, que a classe e o bom gosto nas composições fazem a diferença dentro do estilo proposto pelo grupo.

                     Márcio D'ávila (vocal e guitarra), Gustavo Slomp (vocal e baixo) e André Wlodarczyk (bateria) lançaram em 2014 duas faixas (que surgem como bônus neste EP), deixando claro aquilo que pretendem: fazer um som pesado, sujo e sem concessões. Com uma veia próxima do heavy metal, o trio aposta em um stoner cheio de personalidade, que ganha ainda mais identidade ao ser cantado em português. A produção ficou boa, uma vez que priorizou o peso e "sujo" do grupo, mas que não transformou isso em uma massa sonora e disforme, o que acontece em algumas produções que confundem "sujeira" co  barulho.

                     Sem se preocupar com rótulos, o EP abre com a faixa "Dilúvio", com guitarras pesadas e bem timbradas. Sem muita invencionice, o trio investe forte no peso, com uma levada mais arrastada e uma certa dose de psicodelia na parte do refrão, o que cria um clima bem interessante. Na sequência, Temos "Pedras", com destaque para  a cozinha composta por Gustavo e André, que sentam  a mão, numa base sólida e pesada. Com momentos variados em sua execução, a faixa é um dos bons momentos do trabalho. A distorção comanda "Desalmado", outro belo exemplo de como o gruo consegue impôr sua personalidade dentro de suas composições. Com um andamento mais cadenciado mas que ganha alternância com outros bem acelerados, o trio mostra desenvoltura em sua execução. "Vida Torta" possui boas idéias, mas durante sua execução parece se perder, fugindo um pouco da linha que a composição seguia em seu início. Acaba sendo o ponto mais "fraco" do trabalho. Já " A Marcha" é um "rockão", estilo anos 70, com uma veia hard, cheia de distorção.  Temos ainda as duas faixas bônus, que forma lançadas pelo trio em 2014. "Rival" e "Porco Vesgo", que ficaram um pouco aquém das demais, principalmente pel aprodução, que destoa das presentes no EP.

                     O grupo CORRAM PARA AS COLINAS se mostra uma boa opção para quem curte um rock/metal/stoner pesado e direto, sem influências "modernas". Com personalidade, o trio dá mostras que tem um belo futuro pela frente. Ficamos no aguardo dos próximos trabalhos para que essa expectativa se confirme!





                     Sergiomar Menezes

terça-feira, 1 de maio de 2018

KADAVAR - ROUGH TIMES (2017)



               A banda alemã KADAVAR chega ao seu quarto álbum de estúdio praticando uma música bastante intensa. Calcado naquele hard dos anos setenta e com muita personalidade (e é preciso que fique claro: ter influência e identidade, não é pra qualquer um), ROUGH TIMES, lançado por aqui pela Shinigami Records, mostra um grupo que sabe, como poucos, somar suas influências, criando uma sonoridade bastante significativa. Formada em 2010 e dona de uma performance ao vivo cheia de energia, a banda vem numa constante evolução e apresente neste álbum, seu trabalho mais maduro e consistente.

                Lupus Lindemann (vocal e guitarra), Simon "Dragon" Bouteloup (baixo) e Tiger Bartelt (bateria) gravaram o álbum sob o comando do baterista Tiger e de Richard Behrens no Blue Wall Studio, em Berlin, capital do país natal do trio. A mixagem também ficou por conta do baterista que além de tudo isso, ainda dividiu o trabalho de masterização com Nene Baratto. Ou seja, se tem alguém que sabe como o grupo deve soar é Tiger Bartelt. E podem acreditar que ele sabe! Com uma sonoridade suja e bem pesada, o álbum tem aquela aura setentista, onde a mistura entre o hard e o heavy se completam de forma bem homogênea. Já a capa... Bom... Nem tudo é perfeito, não é mesmo? Apesar de se encaixar na proposta, bem que a arte poderia ser um pouquinho mais trabalhada... Mas isso não atrapalha em nada o resultado final do trabalho.

                   Iniciando com a faixa título, o grupo já dá mostras de sua constante evolução. Pesada, com toques psicodélicos e vocais cheios daquele feeling setentista. Alternando momentos mais acelerados ou outros mais "quebrados", a composição tem uma forte pegada. "Into The Wormhole" começa com aquele baixo "gordo", cheio de distorção e ganha um diferencial pelos vocais de Lupus, que mostram que o vocalista poderia tranquilamente integrar alguma banda da década de ouro da música. Pesada e viajante, "Skeleton Blues" é uma das melhores faixas. Dona de linhas bem interessantes, a música condensa de forma simples e direta toda a sonoridade do trio alemão. Se a faixa anterior possuía mais peso, "Die Baby Die" possui uma levada bem mais próxima do hard, dando destaque para o ótimo trabalho de guitarras de Lupus, que mostra que o rock psicodélico corre livremente em suas veias. "Vampires" também segue essa linha, mas com uma pegada mais "stoner".

                "Tribulation Nation" mantém  apegada anos 70, e aqui, merece destaque a cozinha composta por Simon e Tiger. Simples, mas bem eficiente, a dupla não deixa dúvidas que a cozinha do bom e velho Sabbath é mais do que uma influência  e sim uma referência. E tome riffs na escola Tony Iommi em "Words of Evil". Impossível não fazer essa ligação. "The Lost Child" dá uma quebrada no clima mais pesado, mas nem por isso dispensa a atmosfera setentista que envolve o trabalho. Outro grande momento do álbum é "You Found the Best in Me", com belas passagens melódicas e acústicas, mostrando a versatilidade do grupo na hora de compôr."A L'ombre du Temps" é o ponto mais fraco do trabalho, pois não traz nada que possa ser um diferencial, como todas as outras faixas presentes no CD. A versão nacional se encerra com "Helter Skelter" dos Beatles, o primeiro heavy metal da história. Com personalidade, o grupo soube imprimir sua identidade na releitura, com calsse e bom gosto.

                       O KADAVAR mostrou ROUGH TIMES que mesmo buscando resgatar uma sonoridade setentista, o grupo imprime sua identidade de forma consistente. Sem deixar nenhum tipo de dúvidas quanto á sua qualidade, a banda se destaca com todo o merecimento dentro do cenário da música pesada. Fãs de stoner, psicodelia e porque não dizer, de doom, tem mais uma excelente opção para abrir seus horizontes.




               Sergiomar Menezes


                

terça-feira, 24 de abril de 2018

BLACK PANTERA - AGRESSÃO (2018)



                Seguindo firme em sua proposta de fazer m som pesado e agressivo, praticando uma mistura mais do que interessante de Punk/HC com Metal (princialmente com o Thrash), o grupo mineiro BLACK PANTERA chega a seu segundo trabalho mostrando uma evolução. Mas se você pensa que isso pode ter acarretado em uma "amenizada" na sonoridade do grupo... Ah, meu amigo... De forma alguma! AGRESSÃO soa tão ríspido, violento e insano quanto o trabalho de estréia do trio. Estão presentes aqui toda a fúria e intensidade do grupo, bem como suas letras ácidas e críticas, que se tornaram uma das principais características da banda. Após participar de shows ao lado bandas nacionais de renome no cenário, o grupo este em turnê pela Europa, o que lhe possibilitou uma maior experiência, que acabou se refletindo em um álbum mais maduro, mas ao mesmo tempo dono de uma aura extremamente agressiva.

                       Charles Gama (vocal/guitarra), Chaene Gama (baixo) e Rodrigo Augusto (Pancho) (bateria), formaram o grupo em 2014 e em apenas 4 anos já lançam seu segundo álbum. Pode parecer pouco, mas a banda mostra que tem consciência de seu potencial, trabalhando tudo a seu tempo. E trabalho é o que não tem faltado para o trio, aja visto a quantidade de shows que o trio fez após o lançamento do álbum de estréia. Tendo seu trabalho divulgado de forma profissional fora do país (Europa e América do Norte), o trio apresenta em AGRESSÃO, 11 faixas onde a adrenalina e a fúria do Hardcore recebem a adição do peso e agressividade do Thrash, criando uma música intensa e cativante. Com uma produção suja e pesada, o trabalho mostra que uma banda pode, sim, evoluir sem perder sua identidade.

                   "Prefácio" abre o álbum e já deixa claro que a atitude do grupo segue a mesma: arrebentar as estruturas com aquela pegada típica do HC. Com um começo mais trabalhado e pesado, a faixa ganha velocidade em vários momentos, alternando em passagens mais aceleradas. "Alvo na Mira" já possui na velocidade e agressividade seu destaque. A letra da composição possui uma crítica ao momento atual de nossa sociedade, onde estamos diariamente sendo o "alvo na mira". Interessante perceber que o grupo procura sempre expressar em suas letras sua opinião sem se importar com o que vão pensar a respeito. "Extra" traz riffs ríspidos, com uma pegada quase death metal (sem exageros, apenas fazendo uma comparação com a própria banda), principalmente no início. E se no primeiro álbum tínhamos o chute na cara "Bota pra Fuder", agora temos "Foda-se". Outra porrada que não faz nenhum tipo de concessão, deixando ainda mais claro o posicionamento do trio em relação à hipocrisia da sociedade atual. "O Poder para o Povo" traz mais um momento cheio de raiva e brutalidade, que alterna passagens mais cadenciadas. E aqui cabe um destaque para a cozinha do grupo, pois Chaene E Ricardo mostram um entrosamento muito bom, e além disso, deixam as faixas ainda mais pesadas, mesmo fazendo uso da velocidade.

                  "O Sexto Dia" nada tem haver com a Bíblia ou literatura e sim, àquele fatídico dia do mês em que o salário já era... Bem sacada, a letra mostra a realidade da maioria da população brasileira. Agregado à isso, uma levada pesada e cadenciada deixa tudo na medida. "Onde os Fracos Não Têm Vez" é outro belo momento HC do trabalho. "Seasons", apesar do nome, é cantada em português também, o que mostra a preocupação do grupo em passar sua mensagem, mesmo tendo seu trabalho divulgado lá fora. "Baculejo" é a faixa mais agressiva do CD. Ricardo incorpora várias influências aqui. Punk/HC, Metal, Thrash, Death... E essa "salada" deu muito certo dentro da execução da faixa. A rifferama comanda "Último Homem em Pé", uma faixa digna de entrar no setlist da banda e nunca mais sair. Não tem como ouvir essa faixa e não sentir vontade de quebrar tudo à sua volta. Que porrada! "Granada" encerra o trabalho e é uma faixa instrumental que condensa as influências do grupo em um único local. Thrash, HC e até mesmo aquele "groove" que se mostrou mais tímido durante a execução do play, aparece aqui de forma mais expressiva. Destaque para Chaene que mostra desenvoltura e criatividade no baixo. 

                  Se existe aquele famoso "teste do segundo álbum", podemos dizer que o BLACK PANTERA passou com louvor. AGRESSÃO mostra uma banda que não perdeu sua identidade e que, ainda por cima, amadureceu mostrando evolução em suas composições. Um trabalho que merece  e deve ser apreciado pelos fãs de música pesada, direta e agressiva!




               Sergiomar Menezes

domingo, 22 de abril de 2018

ATTOMICA - THE TRICK (2018)



             Estamos apenas nos primeiros meses de 2018. Mas uma certeza já podemos ter: THE TRICK, álbum lançado pelo ATTOMICA vai figurar em TODAS as listas de Melhores do Ano da mídia especializada. E não tem como ser diferente! Pense num álbum de Thrash Metal que possui tudo aquilo que o estilo pede: riffs violentos, agressivos e pesados, baixo/bateria totalmente entrosados e muito pesados e um vocal que se encaixa perfeitamente na proposta. além disso, as composições presentes em THE TRICK mostram que o grupo, apesar de todos os problemas que enfrentou ao longo desses anos, continua sendo um dos melhores do nosso cenário. Duvida? Escute no volume máximo e deixe seu pescoço responder por você!

                  André Rod (vocal e baixo), Marcelo Souza (guitarra e backing vocal) e Argos Danckas (bateria e teclados) nos apresentam em 08 faixas, um trabalho repleto de garra e energia, como só as verdadeiras bandas de thrash podem fazer. THE TRICK é um álbum homogêneo, mas logo de cara podemos citar dois pontos que s e destacam. O excelente trabalho de guitarra, muito bem timbrada e com uma veia thrash, que resgata uma pagada mais old school, mas que em nenhum momento soa datada (Marcelo Souza possui personalidade) e os vocais de André Rod que lembram bastante os de Dave Mustaine (Megadeth). E isso parece ter dado um novo gás ao grupo, pois se encaixou de forma perfeita nas composições presentes aqui. Vagner Alba foi o responsável pela gravação, produção, mixagem e masterzação. E só há uma plavra pra descrever o resultado obtido aqui: perfeição! Tudo ficou nos eu lugar. Pesado, intenso, sujo e ao mesmo tempo, cristalino, THE TRICK é um trabalho que merce se tornar referência em temos de gravações via internet totalmente pasteurizadas. Já a capa é obra de Fábio Moreira em cima de uma idéia de André Rod. 

                  "Give Me The Gun" abre o álbum e já nos mostra que o poderio destruidor da banda continua intacto. Sabe aquela faixa que você ouve uma vez e quer ouvir de novo logo em seguida? O que dizer dos riffs presentes aqui? Agressivos, diretos e com uma pegada intensa, eles deixam tudo "mais fácil" para a cozinha sentar a mão na velocidade brutal da dupla André e Argos. Sério... Após ouvir a faixa, os riffs te farão apertar o play novamente... Ms não é só isso, pois a composição é bem trabalhado e com mudanças de andamento muito interessantes. Na sequência, "Feeling Bad" mostra a versatilidade do grupo ao alternar riffs mais agressivos com passagens mais trabalhadas. Apostando naquela levada tipicamente thrash, a faixa possui aquele clima característico e pesado, lembrando um pouco o já citado Megadeth (talvez pelos vocais de André), mas com a personalidade e intensidade própria do ATTOMICA. "Kill The Hero" é outro belo exemplo de como uma banda de Thrash pode soar atual e  moderna sem ter que incorporar "barulhinhos" e outras coisas "diferentes" em sua sonoridade para parecer "cool". A guitarra de Marcelo guia a faixa com maestria, algo que só grandes guitarristas podem proporcionar. Já "The Last Samurai"... Bom, o que dizer de uma composição que traz peso, agressividade, quebradeira, porradaria, técnica e muita criatividade, todas na medida certa? Essa com certeza será incorporada ao setlist para nunca mais sair... Que puta faixa sensacional!

                     "The Trick", a faixa título, também traz consigo um belo apanhado das características da  banda. Peso e muita técnica, aliados à linhas de guitarras muito bem exploradas, mostram a qualidade dos músicos sem que se precise cometer nenhum tipo de exagero. Até mesmo um um violão com influências do flamenco surge de forma bem interessante durante a execução da faixa. "Endless Cycle" vem em seguida, e "quebra" o clima mais brutal que vinha acompanhando o CD até aqui. Mas essa "quebra" é no bom sentido, pois estamos falando de uma composição elaborada, com um começo mais leve, que ganha peso e intensidade durante sua execução, mostrando mais uma vez (como se fosse preciso) toda a capacidade criativa e técnica do trio. "Land of Giants" é uma faixa instrumental. Mais cadenciada, a composição tem uma linha um pouco mais melódica. O encerramento vem com "Mistery", faixa gravada em 2014 e que conta com os vocais de Alex Rangel, vocalista da banda, que faleceu de forma trágica. mais do que uma homenagem, a composição fecha o trabalho de forma sublime, pois resgata o trabalho de Alex, mostrando respeito e gratidão. 

                      Sem muito mais a dizer, o ATTOMICA, não satisfeito em ter gravado um dos maiores clássicos do Thrash Metal nacional (DISTURBING THE NOISE, 1991), nos presenteia agora com essa pérola chamada THE TRICK. Um álbum perfeito, digno de reconhecimento não apenas pelos fãs do grupo, mas por todo apreciador de heavy metal. Se você ainda não conhece o trabalho do grupo (algo que, sinceramente, não acredito), corra trás agora e descubra uma das melhores bandas do Thrash Metal brasileiro. Se você já conhece.. bem, não tem nenhuma novidade naquilo que escrevi aqui não é mesmo???




                Sergiomar Menezes


quinta-feira, 12 de abril de 2018

BELPHEGOR - TOTENRITUAL (2017)




                     Para todos aqueles que sempre duvidaram que não haveria um sucessor de peso que compensasse o desempenho pouco satisfatório de "Conjuring The Dead (2014)", a horda austríaca BELPHEGOR de maneira como sempre fez, reorganizou as idéias e delimitou novas premissas e lançou um dos discos mais impressionantes de 2017. TOTENRITUAL, lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, é um apanhado de idéias tão intenso e tão coeso que nos arremete à fase "Bonfage Goat Zombie (2008)" em todas as suas particularidades (peso, técnica, brutalidade e cadência). Mas o que esse disco pôde trazer de novidade que os outros não o fizeram?! Vamos à eles:

                   O que todos precisam entender sobre o BELPHEGOR, primeiramente, é que eles NUNCA se repetem! Parece difícil de acreditar, mas é verdade! Os caras são tão focados em uma evolução musical, tanto pela qualidade sonora quanto pelas temáticas abjetas mas presentes (e constantes) do mundo do Underground. Dito isto, em segundo lugar, lhes digo que a horda utiliza de uma constante crescente nas suas faixas onde focam cada vez mais na brutalidade atroz e delimitada por riffs marcantes e blast beats cada vez mais velozes.
                          
                            Sem nenhum segredo, o que mais me impressionou nesse disco é a tamanha técnica utilizada em quase todas as faixas. Eles sabem que se fosse utilizada em todas do disco, ele ficaria enjoativo e com pouca repercussão, visto que é por isso que eles sempre colocam um instrumental bem básico em cada disco para dar essa "quebra". Contando com nove faixas, TOTENRITUAL representa o primor e a versatilidade de uma horda que sempre ousou evoluir sem estagnar. Pode ser difícil de acreditar (e muitos realmente não acreditam), mas quem se propõe a fazer Death/Black Metal como eles, não pode nunca repetir a premissa em todos os discos, ou então, serão apenas "só mais uma horda". O diferencial do BELPHEGOR, particularmente falando, é a força de vontade e honrar o Metal Extremo em todas as suas esferas.

                      Em suma, penso eu que se esse disco já foi uma "porrada" sem fim, imaginem o próximo como poderia ser. Aguardemos ansiosos por esse momento.




                   Aldemar Ferreira

sábado, 31 de março de 2018

H.E.A.T. - INTO THE GREAT UNKNOWN (2017)



           É louvável quando uma banda procura não ficar estagnada, procurando não se tornar apenas um pastiche de si mesma. Afinal, toda banda tem o direito de ser livre e expandir sua criatividade. Mas nem sempre essas tentativas surtem o efeito necessário. Muitas vezes, a banda fica satisfeita com o resultado obtido. Já com relação aos fãs... E é esse o caso que temos um INTO THE GREAT UNKNOWN, novo álbum do grupo H.E.A.T., lançado no ano passado e que teve sua distribuição no brasil feita através da Shinigami Records. O Hard/AOR do grupo recebeu uma dose generosa de "modernidade", algo que acaba soando estranho. Obviamente que a essência da banda continua lá... Mas não parece mais a mesma coisa...

             Erik Grönwall (vocal), Dave "Sky Davids" Dalone (guitarra), Jimmy Jay (baixo), Jona Tee (teclados) e Crash (bateria e percussão) contaram com a produção e mixagem de Tobias Lindell e a masterização Henrik Jonsson. E quanto á isso não há o que se criticar. Tudo muito bem timbrado, nivelado e cristalino. Dentro do estilo ao qual o grupo veio a se "consagrar". O problema do álbum está memso nas composições. Não é, de forma alguma, um álbum ruim. Mas acaba ficando muito aquém daquilo a que nos acostumamos a ouvir vindo dos suecos. A capa acaba sendo um dos destaques, pois além de muito bonita, acaba refletindo um pouco do que acontece durante a audição. Nos sentimos dentro do "grande desconhecido"...

               "Bastard of Society" abre play e traz um pouco do H.E.A.T. de sempre. Guitarras bem timbradas, melodias na medida e um andamento característico. Uma faixa que deixa aquela expectativa de que teremos um bom álbum pela frente. Mas "Redefined" joga um balde de água fria nessa expectativa... Uma faixa comum, até mesmo carente de pegada. Totalmente descartável, a composição mostra o que esse "direcionamento" pode vir a causar na musicalidade da banda. "Shit City" tem um pouco mais de punch, mas mesmo assim, não resgata aquele clima inicial do trabalho. "Time on Your Side" tem uma levada "moderna", mas pelo lado ruim do termo. Ao abrir mão de uma melodia que lhe é característica, o grupo acaba enterrando sua personalidade, mesmo que esteja fazendo isso com coragem. Afinal, é inegável que eles resolveram sair da zona d conforto. Já "Best of Broken" traz de novo o bom trabalho de guitarras. E a faixa acaba soando como um oásis num deserto. Não que seja um faixa sensacional ou espetacular. Mas perto do que ouvimos até aqui, acaba sendo um suspiro de criatividade.

                 "Eye of the Storm" nos devolve a triste realidade do álbum. Faixa "morna", muito fora daquilo que o grupo pode oferecer. Nem merece maior consideração. Mas "Blind Leads the Blind" volta a nos fazer acreditar no potencial d abanda. Guiada pelas guitarras, muito bem timbradas e com aquela pegada tipicamente sueca, no que diz repeito ao hard, essa faixa é, na opinião deste que vos escreve, o grande destaque do álbum! Bem... estava indo bem... "We rule" é mais uma tentativa frustrada da banda em soar épica e moderna ao mesmo tempo. Dispensável. "Do You Want It" é "passável", nada de espetacular, mas dentro do que nos é apresentado, pode ser citada como uma faixa de destaque. O encerramento vem com a faixa título. Alternando momentos mais pesados com outros mais suaves, a faixa também tem bons momentos.

              INTO THE GREAT UNKNOWN é uma aposta do H.E.A.T.. Se essa aposta trará os frutos esperados pelo grupo, só o tempo dirá. caberá aos fãs entenderem isso dentro dessa visão. Claro que estamos falando de arte, e dessa forma, fica aqui minha opinião: independente do que eu ou qualquer outra pessoa pensa a respeito do disco, a banda é dona de seus atos e livre para fazer aquilo que bem entender. Mas também, que temos o direito de entender se isso é bom ou ruim, também é verdade. A minha opinião é esta.




              Sergiomar Menezes

sexta-feira, 30 de março de 2018

PLEASURE MAKER - DANCIN' WITH DANGER (2018)



               E o Hard Rock brasileiro mostra mais uma vez que não deve nada, mas absolutamente nada ao que vem sendo feito lá fora. Quer mais uma prova? Escute este sensacional DANCIN' WITH DANGER do grupo carioca PLEASURE MAKER! Inspirado em nomes como Def Leppard, Dokken, Winger e Ratt, o grupo fundado em 2001 pelo guitarrista e produtor Alex Meister, lançou dois álbuns - Love On The Rocks, em 2004 e que teve seu relançamento no Japão em 2006, e Twisted Desire, em 2008 - que obtiveram uma boa repercussão tanto na mídia especializada quanto juto aos fãs. Após encerrar suas atividades em 2010 devido aos projetos de seus integrantes, em 2017  o grupo retomou o caminho do hard cheio de malíscia e qualidade e nos brinda com esse grande lançamento!

                Formada por C. Marshall (vocal), pelo já citado Alex Meister (guitarra e backing vocal), Mark Sant'anna (baixo) e Adriano Morais (bateria e backing vocal), a PLEASURE MAKER resgata aquela pegada Hard anos 80, mas sem soar datada, ou seja, agrega suas influências sem que perca sua personalidade. Muito disso se dá pelas composições e pela mente criativa de Alex, que sabe bem aquilo que quer. O trabalho, pode até surpreender em um primeiro momento os fãs mais antigos da banda, pois as guitarras receberam uma atenção especial, chegando a ficar mais "à frente" em alguns momentos. Mas isso só deixou o álbum ainda melhor, pois a melodia, uma das características do grupo, ganhou mais peso e intensidade. Produzido pelo guitarrista Alex e mixado e masterizado por Henrique Canale "Baboom", o trabalho foi lançado pela Animal Records.

                 Abrindo com "Dancin' With Danger", a faixa título, o grupo já mostra que a pegada continua a mesma, apenas com uma certa adição maior de peso na guitarra. Percebe-se que os vocais de C. Marshall possuem um timbre bem peculiar o que possibilita uma maior possibilidade de variações nas composições. Riffs inspirados são muito bem amparados por uma base sólida, à cargo de Mark e Adriano (baixo e bateria, respectivamente). "Chains of Love" possui uma pegada bem 80's, e ganha mais destaque pelos backing vocals muito bem encaixados no refrão, que além disso, possui uma melodia marcante. Já "It Ain't 'Bout Love" tem uma linha mais próxima da fase mais clássica do Dokken, tendo seu diferencial no vocal de C. Marshall. E mais uma vez, a faixa, como as demais do álbum, traz um refrão de fácil assimilação. "On The Other Side of Midnight" é mais cadenciada e apesar desse direcionamento, se mostra uma composição bem executada, deixando à mostra a versatilidade do grupo. Acelerada, "Rock the Night Away" é daquelas faixas perfeitas pra se ouvir bebendo uma cerveja bem gelada! "Flesh and Blood" traz consigo toda a influência que Alex possui de nomes como Warren deMartini e Robin Crosby. 

                    O Hard segue em alta com "Lonely is the Night", faixa tipicamente 80's, e mais uma vez, com uma pegada "Dokken" nas linhas de guitarra. Ou seja, George Linch também está entre as ótimas influências de Alex Meister. "Out There" tem cara de balada, mas possui guitarras mais "pesadas", transformando a faixa numa "power ballad", se é que podemos dizer dessa forma. Apesar da boa composição, a faixa é um dos Pontos (poucos, que fique claro) fracos do álbum. "Never Look Back" traz de volta a aura Hard Rock festivo, tendo como destaque a cozinha, que mantem a levada bem marcada e cadenciada de forma bem trabalhada. "A Matter of Feelings" sim, merece destaque como uma grande balada! Bem estruturada e com uma bonita melodia, a faixa é um dos grandes (entre tantos outros) momentos do CD. O álbum encerra com um "rockão" daqueles: "Runnin' Out of Time", uma faixa totalmente hard! Como bônus da versão japonesa do CD temos a faixa "She's Gone Too Far", que poderia estar na versão regular, o que daria um brilho extra ao trabalho.

                   Não tenho dúvidas que, mesmo estando apenas no mês de março, DANCIN' WITH DANGER estará na minha lista de melhores do ano. Composições melódicas e ao memso tempo fovadas nas guitarras, vocais característicos e aquela pegada Hard que só quem tem a manha sabem como fazer, fazem deste novo álbum do PLEASURE MAKER um dos melhores do ano! Stay Hard!




                Sergiomar Menezes

quinta-feira, 29 de março de 2018

MARENNA - LIVIN' NO REGRETS (2018)



           É impressionante a capacidade que o Brasil tem de não valorizar seus grandes talentos. E a culpa disso também é um pouco nossa. Enquanto bobagens inomináveis ganham espaço na grande mídia, e por consequência, vemos uma parte até considerável de pessoal "cool" defendendo esse tipo de artista, músicos de qualidade muito, mas muito acima da média ainda são "desconhecidos" pelo grande público. Esse é o caso do MARENNA, e que, felizmente parece estar mudando esse quadro. Após seus trabalhos, o EP "My Unconditional Faith" (2015) e o excelente álbum "No Regrets" (2016), o grupo capitaneado por Rodrigo Marenna lança LIVIN' NO REGRETS (2018), um ótimo registro ao vivo de uma banda de qualidade e técnica ímpar!

           Após 18 meses de divulgação da "No Regrets Tour" que incluiu apresentações na Argentina, o grupo formado por Rod Marenna (vocal), Aaron Alves (guitarra e vocal), Arthur Appel (baixo e vocal) e Gionatan Sandi (bateria), registrou uma apresentação realizada em Caxias do Sul (RS) e que contou com as participações especiais de Sasha Z (guitarra solo), Mauricio Pezzi (teclados) e Jonas Godoy (guitarra e vocal). A captação do show foi feita por Juliano Boz (Digital Master Studio), enquanto que a produção, mixagem e masterização ficaram sob a responsabilidade do baixista Arthur Appel no estúdio Broken Glass de Caxias do Sul. E ao final da audição, temos um belo registro de como uma banda Hard/AOR/Melodic Rock deve soar ao vivo: técnica, "pesada" e livre de amarras, totalmente solta e á vontade no palco.

           Contendo 14 faixas (contando com uma pequena introdução) o trabalho traz todas as faixas registradas pelo grupo nos dois trabalhos anteriores. Mesmo sendo um álbum bastante homogêneo, podemos destacar faixas fantásticas como "You Need To Believe" (sem nenhuma dúvida, uma das melhores faixas compostas pelo grupo e que não fica devendo nada para o que grandes medalhões do estilo vem compondo ultimamente), "Can't Let You Go", dona de um alinha de guitarra fantástica e com um refrão que depois da primeira audição, não sai mais da cabeça, "Never Surrender", que traz uma linha um pouco mais pesada (dentro do estilo do grupo), "Reason To Live" , outra faixa com um daqueles refrãos grudentos e dona de uma melodia contagiante, a bela "fall in Love Again", que em estúdio foi produzida pelos irmãos Busic (Dr. Sin) e aqui contou com a participação de Sasha Z no solo, "Keep on Dreaming", que escancara de vez o talento do grupo para criar melodias fantásticas, a bonita levada de "Forever", assim como a de "About Love". Cabe ainda destacar a "balada" "Like An Angel", presente no EP de estréia e o encerramento com "No Regrets".

              LIVIN' NO REGRETS teve seu lançamento digital através da Sony Music, enquanto que a distribuição física no Brasil etá sendo feita pela Voice Music. No restante do mundo, a distribuição será feita pela Rock Company. Este álbum, mais do que um registro ao vivo, é a celebração do talento de uma banda que como poucas sabe como fazer Hard/AOR de qualidade. O MARENNA é um grupo indicado não apenas para os fãs do estilo, mas sim, para todo fã de música bem feita e de qualidade!





               Sergiomar Menezes

segunda-feira, 26 de março de 2018

GAMMA RAY - ALIVE '95 (ANNIVERSARY EDITION) (2017)



                  E chega por aqui mais uma edição comemorativa de aniversário dos trabalhos do GAMMA RAY. Dessa vez, temos o sensacional ALIVE '95, o primeiro trabalho ao vivo do grupo, gravado durante a turnê de Land of the Free (1996) - e que logo mais ganhará sua análise por aqui - e que tem seu lançamento nacional através da parceria Shinigami Records/earMusic. Após 5 trabalhos de estúdio, era chegada a hora de uma das maiores badas de power metal mundial registrar suas performances ao vivo. E assim o fez, gravando um dos melhores ao vivo do estilo! E para deixar esse relançamento ainda mais especial, essa edição é dupla, trazendo um CD bônus ao vivo que pela primeira vez está sendo disponibilizado mundialmente.

                        Durante a turnê onde ocorreu a gravação do álbum, a banda era formada por Kai Hansen (vocal e guitarra), Dirk Schlachter (guitarra/teclado), Jan Rubach (baixo) e Thomas Nack (bateria). E se, quando de seu lançamento original, em 1996, a produção ficou sob os cuidados da dupla Hansen e Schlachter, aqui, como em todos os outros relançamentos do grupo, a remasterização foi feita "requintadamente" por Eike Freese. Com uma nova capa, bem diferente da original que era bastante simples, mas funcional, o trabalho é mais do que um presente aos fãs, pois além de trazer ALIVE '95, temos o CD bônus que traz 06 faixas ao vivo, contando com os vocais de Ralph Scheepeers e que anteriormente havia sido lançado apenas na versão norte americana do álbum.

                  Com um setlist baseado em Land of the Free (afinal, o grupo estava na turnê de divulgação do álbum), no CD 01 temos uma performance bem entrosado por parte do então quarteto. Land of the Free, Man on a Mission, Rebellion in a Dreamland, Space Eater, Tribute to the Past, Heal Me e Lust for Life (só pra citar alguns clássicos), recebem ao seu lao os cover de Ride The Sky e Future World do Helloween, bem como de Heavy Metal Mania do Holocaust, deixando uma apresentação fantástica ainda mais especial. No CD 02, temos 06 faixas com os vocais de Ralph Scheepeers. Changes, Insanity and Genius, Last Before the Storm e Heading For Tomorrow, gravadas em 1993, também foram remasterizadas no ano passado por Eike Freese, e ganharam ainda mais qualidade.

                         ALIVE '95 é um registro histórico de uma banda que estava em um grande momento. Músicos bem entrosados, com um repertório cheio de clássicos e agora, remasterizados, ganham ainda mais força. O GAMMA RAY sabe como presentear seus fãs. Se o aniversário é do álbum, quem faz a festa são os fãs. E nada mais justo, não é mesmo?




                    Sergiomar Menezes

domingo, 25 de março de 2018

BLACKNING - EYES IN THE MIRROR (EP) - (2017)



             É com grande satisfação que tenho a honra de resenhar o terceiro trabalho do BLACKNING. Aqui no REBEL ROCK, tive a oportunidade de resenhar os dois primeiros álbuns - á saber, Order of Chaos (2014) e AlieNation (2016), e agora, este belo EP contendo três grandes faixas. EYES IN THE MIRROR teve tiragem limitada e serviu para fortalecer o nome do grupo antes de embarcar para sua primeira turnê européia. Tendo sido apontada como uma das grandes promessas do Thrash Metal nacional pela mídia especializada, podemos afirmar com toda a certeza que o grupo é muito mais que uma promessa. É sim, uma das grandes bandas do Thrash Metal brasileiro!

          A banda hoje é formada por Cléber Orsioli (vocal e guitarra), Zozi Fernando (guitarra), Ricardo Brigas (baixo/ backing vocal) e Elvis Santos (bateria/ backing vocal). Se existia alguma dúvida se a mudança de formação poderia alterar o poder de fogo do grupo, ela não existe mais. A banda soa bastante coesa e entrosada. Com uma produção na medida pro Thrash visceral e agressivo do grupo, as três faixas provam que a banda continua firme e forte em sua batalha em prol do metal nacional. A capa, segue a mesma linha adotada nos dois trabalhos anteriores, mantendo o logo e com uma boa e interessante mistura de cores.

                Crowd Control abre o EP e já vem com aquele soco na boca do estômago característico do agora quarteto: brutal, agressivo, pesado e empolgante! Agregando influências variadas na faixa, percebemos o cuidado da banda em não abandonar sua identidade, agregando elementos do death e até mesmo do hardcore, criando uma verdadeira aula de porradaria! A segunda faixa, Eyes in The Mirror, que dá nome ao EP é outro belo exemplo de como uma banda de Thrash metal deve soar. Pesada, a composição tem nos vocais de Cléber seu destaque. mais curta, a faixa tem riffs inspirados, além de solos no melhor estilo Bay Area (Exodus à frente). Já a terceira faixa, Mean Machine, é um cover dos mestres do Motörhead e ficou tão boa quanto a original! Com toda a certeza, Deus deve ter ficado feliz, degustando mais uma bela dose de Jack Daniels enquanto comprova que seu trabalho por aqui atingiu o objetivo.

                 Com esse EP, a BLACKNING comprova que não é apenas mais uma promessa no cenário brasileiro. A banda já pode, e deve, ser considerada como um dos grandes nomes da cena metal nacional. EYES IN THE MIRROR mostra que o próximo trabalho virá tão destruidor quanto os anteriores. Nosso pescoço agradece!




               Sergiomar Menezes

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

TUMULTO - CONFLITO SOCIAIS (2017)



                   Sabe aquele disco (ou cd, como você preferir) que você ouve e quando vê, já está ouvindo de novo de tão bom que é? CONFLITOS SOCIAIS, da banda TUMULTO é um desses casos. Mesmo sendo um EP acrescido de três covers, o trabalho (originalmente lançado em 1992), ganhou uma roupagem mais moderna (quanto à produção) e pesada, uma vez que aquele punk/hardcore que caracterizou a sonoridade do grupo paranaense ao longo de sua carreira (o grupo foi formado em 91), ganhou influências do thrash metal, o que deixou ainda mais interessante e empolgante a música da banda.  Comemorando os 25 anos de seu lançamento, o álbum é indispensável pra quem curte o estilo em questão.

              Germano Duarte (vocal e guitarra), Rafael Feldman (baixo) e Márcio Duarte (bateria) regravaram seu primeiro registro sob a produção de Emerson Pereira (em 1992, o lendário e saudoso Rédson do Cólera foi o responsável por este quesito), enquanto a mixagem e masterização ficaram sob a responsabilidade de Anderson Vieira. E podemos afirmar que tudo ficou muito bem feito, pois as guitarras soam pesadas e ao mesmo tempo, possuem uma timbragem bastante clara, sem que deixem de lado a "sujeira" que é recorrente ao estilo. Além das seis faixa originais regravadas, temos ainda três covers: Meu Filho (Câmbio Negro HC), Desconstrução (Ação Direta) e Medo (do Cólera). As três faixas só vieram a engrandecer ainda mais essa regravação do EP.

                  A energia do punk/hardcore do trio já começa pela faixa de abertura. Realidade é daquelas faixas que possuem velocidade moderada, mas que possuem riffs básicos, tipicamente punks, mas que ganharam peso nessa nova versão. Além disso, Germano agregou mais agressividade ao seu vocal, deixando a composição com uma cara quase crossover. Massacrados também possui ótimos riffs, evidenciando a pegada pink/HC do grupo. E uma coisa que é bastante interessante de se notar é que mesmo após 25 anos, as letras do grupo continuam bastante atuais. É... Nosso país proporciona esse tipo de realidade... Corruptos, apesar do vocal agressivo de Germano, possui um andamento mais ameno, mostrando o grande entrosamento entre Rafael e Márcio (baixo e bateria, respectivamente). E tome punk rock na faixa título, que traz consigo solos mais próximos do heavy metal, mas que não descaracteriza em nenhum momento a pegada do grupo. Humanidade Desumana é outra faixa que começa mais cadenciada mas ganha velocidade e intensidade em sua execução. A última faixa (regular do EP), Sociedade é uma Prisão tem uma levada punk, mas com riffs que mantém uma certa conexão com o thrash. 

                 Com relação às três covers, Meu Filho, da banda Câmbio Negro HC ficou muito boa, ganhando um pouco mais de peso, assim como Desconstrução, da não menos icônica Ação Direta. Já Medo, do Cólera é daquelas faixas que a gente não se cansa de ouvir, tamanha a classe e categoria que o já citado Rédson tinha na hora de criar verdadeiros hinos para o Punk/HC nacional e. porque não dizer, mundial.

                    CONFLITOS SOCIAIS é muito mais do que uma regravação do primeiro trabalho do TUMULTO. É um presente aos fãs do estilo que ganham uma nova oportunidade de ouvir esse importante trabalho, com uma nova produção, mais atual. E também, não deixa de ser, uma chance a mais de quem ainda não conhece, ter acesso ao trabalho desta grande banda do punk/hc brasileiro.




                    Sergiomar Menezes

TUPI NAMBHA - INVASÃO ALIENÍGENA (EP - 2016)



                        E o metal nacional não pára de me surpreender. E na maioria das vezes, positivamente. E esse é o caso da ótima e interessante banda TUPI NAMBHA, oriunda de Brasília, DF. Se a capital federal, não pode servir de orgulho para nós brasileiros no que diz respeito à política, quanto ao metal, a coisa muda de figura. Praticando um heavy metal bem peculiar, intitulado pela própria banda como Tribal Metal, ms que mantém uma grande proximidade com o Thrash, o grupo lançou em 2016 este excelente EP. INVASÃO ALIENÍGENA mostra uma banda que, apesar de formada em 2016 (mesmo ano do lançamento do EP), apresenta personalidade, uma vez que faz uso do Tupi antigo em suas letras. Se iso pode soar estranho em um primeiro momento (e sendo honesto, soa sim), conforme passam as audições, isso se mostra um diferencial que, agregado à sonoridade criativa do grupo, transforma o trabalho em algo muito, mas muito interessante.

                  A banda é formada por Marcos Loiola (vocalista) e Rogério Delevedove (guitarra). Infelizmente, o único ponto negativo do trabalho é a falta de informações sobre quem participou gravando o restante dos instrumentos. Mas esse detalhe acaba ficando muito pequeno, tamanha a qualidade das composições apresentadas aqui. Produzido por Caio Cortonesi, tendo a gravação, mixagem e masterização realizadas no estúdio Broadband, com a direção artística de João Rafael, responsável pela arte gráfica do EP.  Composições fortes, com belos arranjos e obviamente, as letras cantadas em Tupi acabam sendo os destaques deste homogêneo trabalho.

                       Com o nome inspirado na tribo Tupinambá, a dupla canta em suas letras a história dessa tribo fazendo uma analogia, ao que aconteceu com esse povo e uma "real" invasão alienígena. Uma temática bastante interessante, mas que de nada adiantaria se a música não fosse no mesmo nível. E o que a banda apresenta é uma perfeita junção entre temática e sonoridade. Logo na faixa de abertura Invasão Alienígena isso fica bem nítido. Guitarras muito bem timbradas e uma pegada pesada, com pequenas mudanças de andamento deixam a composição com um "molho" especial. A faixa também apresenta todas as características da banda, que acabam se repetindo durante a execução do EP. Antropofagia mantém o peso em alta, com uma levada mais próxima do metal atual, incorporando momentos tribais, que reforçam ainda mais o timbre pesado da guitarra de Rogério Delevedove. Tribo em Guerra é mais "thrash", pois começa com uma bateria bate-estaca, mas em seguida muda de direcionamento, ficando mais cadenciada e lembra em alguns momentos, o saudoso Sepultura dos tempos de Chaos A.D.. Tupi Nambha traz os elementos tribais à sonoridade da banda, mas ao mesmo tempo, mostra uma cara mais moderna, dosando de forma bem eficiente essas duas vias de composição. Galdino Pataxó é uma faixa que nos remete à brasilidade do grupo, que me trouxe à mente o que fazia Chico Science e Nação Zumbi nos seus primórdios. Feiticeiro traz o peso de volta á carga. Arrastada em seu início, a composição ganha intensidade conforme vai sendo executada, tendo seu destaque na bateria (programada ou não, ficou muito bem executada). O encerramento vem com Ayahuasca, que segue os passos da faixa anterior.

                         INVASÃO ALIENÍGENA é um EP que mostra uma banda mais do que pronta pra firmar seu nome no cenário do metal nacional. Se o fato de usar uma língua "esquecida" pode afastar alguns, aqueles que realmente sabem apreciar um trabalho honesto e de qualidade irão apreciar este trabalho de uma banda que não parece ser iniciante. TUPI NAMBHA. Guarde esse nome.






                   Sergiomar Menezes

NECROMANCER - FORBIDDEN ART (2014)



                         "Um acerto de contas com o passado". Assim, dessa forma, a própria banda acaba por denominar seu primeiro álbum, após 30 anos. E esse acerto faz mais do que jus à história do grupo carioca NECROMANCER. Lançado em 2014 pela Heavy Metal Rock, FORBIDDEN ART vem para mostrar aos mais novos toda a importância da banda dentro do cenário nacional. Formada em 1986, durante esses mais de 30 anos, houveram pausas nas atividades, mas a vontade de seguir adiante foi mais forte, e felizmente, ara nós, fãs de metal feito com qualidade, o primeiro trabalho do grupo finalmente chega ao mercado.

                          Na gravação do álbum, a banda contava com a seguinte formação: Marcelo Coutinho (vocal), Luiz Fernando (guitarra e backing voca) e Alex Kafer (baixo, bateria, guitarra solo e backing vocal), sendo que hoje o grupo é composto por Marcelo (vocal), Luiz Fernando e Alex (guitarras), Gustavo Fernandez (baixo) e Vinicius Cavalcanti (bateria). Gravado e mixado por Fernando Perazo no Hanoi Studio, No Rio de Janeiro, entre julho e outubro de 2013, Forbidden Art é um resgate histórico da carreira do hoje quinteto. Com músicas que integraram suas demos, o álbum é um a verdadeira aula de thrash metal, que mesmo tendo características mas "old school", possui muita personalidade e não soa datado em nenhum momento. A capa é mais um belo trabalho de Marcelo Vasco (Slayer, Borknagar, Soulfly, entre outros). 

                     A intro Necromantia nos prepara para a primeira faixa, a poderosa Necromancer. Pesada, direta e bastante agressiva, a composição carrega consigo todas as influências do grupo, pois podemos perceber que a escola alemã se mostra mais latente , principalmente nas guitarras de Luiz Fernando e e Alex. O vocal de Marcelo vai também por essa linha, mas sem exageros. Os riffs se destacam ao lado do solo bem encaixado na estrutura da faixa. Deadly Symbiosis, mais cadenciada, possui momentos mais densos e pesados, mas tem aquela levada tipicamente thrash. Com mais uma bela dose  de riffs pesados, a faixa é um dos destaques do trabalho. Dark Church traz em destaque o baixo (que ficou sob a responsabilidade de Alex Kafer nas gravações). Além disso, a estrutura da composição se difere das demais, tendo na levada da bateria (também à cargo de Alex) sua principal referência. Havocs and Destruction começa com aquele "clássico" momento introspectivo, que nos deixo em estado de alerta para o peso que virá na sequência. Nessa faixa, Marcelo adiciona uma dose extra e agressividade ao vocal, enquanto Luiz Fernando e Alex pesam a mão em bases e solos que se encaixam com perfeição na composição.

                         Middle Ages tem muito peso e possui uma levada mais cadenciada, aproximando-se, de certa forma, com o doom metal (mas, por favor, escutem e entendam o que quero dizer). As mudanças de andamento aqui, comprovam a capacidade de criação do grupo, pois não existem amarras ao estilo, mesmo que sua base seja o thrash metal old school. Plundered Society volta a nos mostrar toda a agressividade e brutalidade da banda, com riffs intensos e baixo/bateria marcados. Bem "suja e pesada", aqui Marcelo faz uso de vocais mais rasgados. O solo de Alex também merece destaque, sendo um dos melhores do álbum! E tome riffs e bate estaca pra bangear com The Rival! Direta e sem enrolação, a faixa é uma das mais rápidas e curtas do play. O encerramento vem com Desert Moonlight, que foi gravada em 2011 e segue a mesma linha de composição da faixa anterior, mas com mais peso e momentos mais variados.

                    Muito mais do que um acerto de contas com o passado, FORBIDDEN ART é um resgate histórico de uma banda com história dentro do metal nacional. Que esse álbum seja apenas o primeiro e que o NECROMANCER possa seguir nos brindando com músicas brutais e agressivas como as que se fazem presentes aqui. mais do que indicado aos fãs de Thrash metal como ele tem que ser: agressivo, direto e brutal!




                   Sergiomar Menezes

domingo, 11 de fevereiro de 2018

CERBERUS ATTACK - FROM EAST WITH HATE (2017)



                            Formada em 2009, a banda CERBERUS ATTACK lançou em 2017 seu primeiro full lenght. FROM EAST FROM HATE é um trabalho que resgata o Thrash Metal dos anos 80 mas em nenhum momento soa datado ou sem identidade. Pelo contrário! Agregando suas influências de forma eficiente, o grupo mostra personalidade ao praticar um thrash vigoroso, que mescla de forma correta o estilo que consagrou bandas como Exodus, Death Angel, Forbidden, entre outros, com apegada da escola européia, mais precisamente a da germânica, tendo o Destruction como principal referência. Mas tudo isso vem embalado em composições cheias de intensidade e, o principal, com excelentes riffs de guitarra. Afinal estamos falando de um álbum de thrash, não é mesmo?

                    Jhon França (vocal/guitarra), Marcelo Araújo (guitarra/backing vocal), Marcelo Maskote (baixo/backing vocal) e Bruno Morais (bateria) nos entregam um belo álbum de Thrash Metal. Se por um lado a Bay Area se faz presente, principalmente no que diz respeito aos riffs de guitarra, por outo, a pegada na linha alemã vem nos vocais de Jhon, que algumas vezes lembram o mestre Schmier do Destruction. A produção do trabalho ficou sob a responsabilidade do vocalista/guitarrista Jhon e da própria banda, enquanto a mixagem e masterização ficaram sob os cuidados do vocalista. E tudo ficou no lugar pois, se não temos algo límpido e cristalino, também não temos algo sujo em demasia. O peso e a sujeira necessários estão bem adequados ao estilo proposto pela banda.  A capa é arte de Cleyton amorim  e ficou bacana, bem inserida na proposta apresentada.

                       A instrumental From Lust to Dust (título muito bem sacado) nos prepara para a primeira porrada: Face Reality, uma verdadeira cacetada, com riffs agressivos, bateria veloz e uma ríspida interpretação vocal por parte de Jhon França. temos aqui, as características da banda bem equilibradas, uma vez que o thrash cheio de energia do grupo se mostra bastante intenso logo de cara. Além disso, a faixa traz interessantes mudanças de andamento, o que mostra também,  a versatilidade do grupo na hora de compôr. Human Extinction traz novamente um ótimo trabalho de guitarras. Os solos bem encaixados demonstra o cuidado da banda na hora de estruturar as suas composições, pois não são raros os momentos em que um solo fora de contexto dentro de uma faixa põe tudo à perder. Cabe também destacar o ótimo trabalho do baixista Marcelo Maskote, dono de grande técnica! Worms Incorporated é um dos grandes destaques, trazendo uma pegada mais próxima da Bay Area, lembrando em certos momentos o bom e velho Testament (de antigamnete).

                           Get Thrashing Or Die Trying (outro título muito bem sacado pelo grupo) é uma faixa instrumental, mas diferente da primeira, que era bem trabalhada e mais "suave", é uma pedrada na orelha e, mais uma vez, Marcelo Maskote merece ser citado. Ao seu lado, o baterista Bruno Morais não fica atrás, com uma pegada precisa e ao mesmo tempo bastante agressiva. E os riffs cavalgados são a força motriz de Together We Destroy, outra grande faixa do álbum! E aqui a banda mostra uma face um pouco diferente pois dá perceber um pouco de metal tradicional, principalmente nas guitarras, o que só engrandece o já pegado thrash do grupo. October 12th mantém essas características, apesar de um pouco mais agressiva em certas passagens. Bons riffs e aquele bate estaca perfeito pro headbanging é o que temos em Dirty City, faixa que antecede a última, a ótima East Side Thrashers, cantada em português e que mostra em sua letra, as agruras pelas quais passa a população da zona leste de São Paulo, cidade da banda.

                      Após alguns EPs lançados de forma independente, o CERBERUS ATTACK nos brinda com um álbum de ótimo nível. FROM EAST WITH HATE mostra uma banda mais do que pronta pra buscar seu lugar ao sol dentro do cenário nacional. Thrash Metal direto, sem frescuras. Se essa é sua praia, pode alugar a casa e passar as férias por aí. Mais um bom nome dentro da música pesada do nosso sofrido país.




              Sergiomar Menezes

THE ADICTS - AND IT WAS SO! (2017)



                Punk Rock como ele deve ser. Direto, sem invencionices, modernidades, ou qualquer outro tipo de influência externa. Também, não podíamos esperar nada e diferente, afinal estamos falando de uma das bandas mais influentes do cenário. Com mais de 40 anos de carreira, os britânicos do THE ADICTS lançaram em 2017 AND IT WAS SO!, que saiu por aqui através da parceria Shinigami Records/Nuclear Blast. E o grupo mostra que não é à toa que serve de referência para muitos grupos que hoje "brilham" dentro estilo. Nomes como Rancid, The Offspring, entre outros, beberam e ainda bebem nesta fonte. E se você curte aquele punk rock básico e necessário particado por bandas como UK Subs, Vibrators, Cock Sparrer, etc..., o THE ADICTS é mais do que indicado!

                O grupo hoje é formado por Keith "Monkey" Warren (vocal), Pete "Pete Dee" Davison (guitarra) e Mike "Kid Dee" Davison (bateria) e apresenta neste mais recente trabalho, a mesma energia e identidade que sempre se fizeram presentes na longa carreira da banda. Produzido e mixado pelo guitarrista Pete Dee, o álbum traz 12 faixas vigorosas que carregam consigo aquela aura juvenil e incendiária que só o punk rock pode oferecer. A capa nos remete ao visual "droogs", inspirado no clássico filme "Laranja Mecânica" e que se tornou uma espécie de marca registrada do grupo. Com aquela mistura mais que certeira entre o punk e o Oi!, o cd merece e, mais do que isso, deve ser ouvido por quem aprecia o estilo.

                   Picture of the Scene abre o álbum trazendo as características do grupo: guitarras punk/oi, vocais equilibrados e uma melodia que agrega uma certa aura pop à composição, sem com que isso traga nenhum tipo de demérito à faixa. Fucked Up World é um legítimo punk rock, daqueles que nos fazem sair quebrando tudo que vemos pela frente. Guitarras à frente, e uma pegada mais próxima do hardcore dão à faixa um destaque dentre as demais composições. Já Talking Shit mostra toda a influência que a banda exerce na cena atual. Melodia simples, mas com um refrão daqueles que grudam na cabeça logo na primeira audição, criam um clima daqueles que a gente sai cantando junto e nem percebe. If You Want It tem em sua estrutura uma linha que consagrou o The Clash. Uma ouvida mais atenta mostra que as guitarras de Pete Dee trazem consigo aquelas linhas típicas que Joe Strummer e Mick Jones também adotavam em muitas das estruturas do respectivo grupo (não é demais lembrar que ambos surgiram praticamente à mesma época). Gospel According Me tem uma veia mais "suave", quase poppy punk, com linhas mais melódicas e bem simples. O punk rock  volta com tudo em Gimme Something To Do.

                  Love Sick Baby tem uma levada mais cadenciada que vem a contrastar com a pegada mais próxima do New Wave de And It Was So!. Aliás a faixa título também é um do destaques do álbum, que é bem homogêneo. Se não há grandes destaques, também não existem faixas descartáveis. Isso fica evidente na faixa seguinte, Deja Vu, que começa marcada pelo baixo, mas ganha o acréscimo de guitarras bem timbradas, mostrando que a experiência faz a  diferença na hora de compôr. I Owe You resgata a veia mais pop da banda, mas ainda assim, tem sua estrutura baseada na eficiente guitarra de Pete Dee. Wanan Be mantém esse clima em seu início, mas logo "descamba" para um punk/HC arrasa quarteirão! O encerramento vem com You'll Be The Death of Me, com uma levada mais "sombria" (pro estilo da banda, que fique bem claro).

                  Pra quem, como este que vos escreve, cresceu ouvindo bandas como Ramones, Sex Pistols, The Clash, Dead Kennedys, Toy Dolls, Adolescents, Descendents, Bad Religion, o próprio T
THE ADICTS, entre tantos outros, poder ouvir e compartilhar um trabalho de nível tão bom quanto AND IT WAS SO! é um grande prazer. Que esse mesmo sentimento seja o que você terá ao escutar mais este belo álbum. Punk Rock pra gosta e sabe o que é Punk Rock!




                   

                  Sergiomar Menezes