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sábado, 18 de novembro de 2017

AVATARIUM - HURRICANES AND HALOS (2017)



                       Resumindo de forma bem direta: Leif Edling é um dos grandes gênios do Heavy Metal. A esta altura do campeonato, não seria necessário, mas vamos lá: o talentoso músico é a mente criativa do Candlemass, grupo que se tornou referência no Doom Metal. Além disso, Leif também tem em seu currículo o AVATARIUM, que chega agora ao seu terceiro trabalho, HURRICANES AND HALOS, lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast. Só que agora, Leif, pelo menos fisicamente, não participa mais da formação da banda, ficando meio que na condição de mentor do grupo (das 08 faixas que compõem o CD, 06 foram compostas pelo baixista). Mas isso só vem a engrandecer a qualidade apresentada aqui, pois o quinteto mostra adquirir sua personalidade  a cada novo trabalho.

                    Formado hoje por Jennie-Ann Smith (vocal), Marcus Jidell (guitarra), Mats Rydström (baixo), Rickard Nilsson (teclado) e Lars Sköld (bateria), o grupo mostra rande entrosamento, em composições e navegam com facilidade pelo stoner, doom, pelo classic rock e até mesmo pelo hard. Obviamente que a criatividade de Leif acaba se sobressaindo, mas de nada adiantaria se quem executasse suas músicas fosse uma banda sem talento. E o AVATARIUM mostra muito mais do que isso, pois seus músicos trazem consigo experiência e classe. cabei esquecendo de citar anteriormente, mas Edling ainda toca em outra grande banda que recentemente lanço seu trabalho de estréia, o The Doomsday Kingdom, onde o guitarrista Marcus Jidell também toca. Ou seja, praticamente, tudo em "família". O guitarrista também foi o responsável pela produção do álbum, enquanto que a mixagem ficou sob a responsabilidade de David Castillo e  a masterização, por conta de Jens Brogen.

                        O álbum abre com Into The Fire/Into The Storm, uma faixa excelente, com uma pegada bem anos 70, voltada de forma bem direta aos teclados. Além disso, cabe ressaltar o ótimo trabalho d a vocalista Jennie-Ann, que possui um belo timbre, sabendo dosar sua bonita voz de acordo com cada situação. The Starless Sleep é outra faixa bem peculiar, mais acelerada, mas mantendo as características setentistas que permeiam a sonoridade do grupo. A guitarra comanda o refrão, mostrando a categoria de Marcus. Já Road To Jerusalem tem uma aura oriental, com passagens que nos trazem arranjos muito bem pensados e executados. Novamente, Jennie-Ann mostra toda sua versatilidade, explorando de forma correta sua técnica vocal. Medusa Child tem o peso da guitarra como destaque. Detentora de passagens diversas (chegando ao ponto de contrastar o peso com melodias bem suaves), a faixa é um dos grandes destaques do álbum!

                     E tome anos 70 em The Sky at the Bottom of The Sea, comandada pelo tecladista Rickard Nilsson, que tem no mestre Jon Lord (R.I.P.) sua mais forte influência. O baterista Lars Sköld (Tiamat) também mostra sua categoria, pois imprime sua personalidade ao carregar no peso. O clima fica mais suave com When Breath Turns To Air, que deixa tudo com uma atmosfera bastante introspectiva. A guitarra comanda Kiss (From The End of the World) que mostra que na hora o peso, o grupo sabe como poucos transportar essa atmosfera para a música. O encerramento vem com a instrumental faixa-título, que possui momentos bem interessantes e ao mesmo tempo, envoltos num andamento quase que sombrio.

                          HURRICANES AND HALOS vem para comprovar que o AVATARIUM é um ótima banda. Se ela continuará "apadrinhada" pelo gênio Leif Edling, só o futuro dirá. O fato é que no momento, a criatividade de Leif vem criando bandas/projetos dignos de reconhecimento. E aqui, temos mais uma prova irrefutável disso!





                      Sergiomar Menezes

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

BATTLE BEAST - BRINGER OF PAIN (2017)



                   Os finlandeses do BATTLE BEAST chegam ao seu quarto álbum de estúdio. Numa regularidade, que hoje em dia é bastante louvável, já que a  banda lança seus trabalhos acada dois anos, BRINGER OF PAIN chega por aqui através da parceria Shinigami Records/Nuclear Blast. E, não tenho nenhum receio em dizer que o grupo apresenta aqui seu melhor trabalho! Com ótima produção e deixando ainda mais explícita sua gama de influências, o grupo mostra em 13 faixas (10 na versão regular, mas a versão nacional traz 03 bônus tracks), que evolui a cada novo álbum.

                      Formada em 2008, a banda é composta por Noora Louhimo (vocal), Joona Björkroth (guitarra), Juuso Soinio (guitarra), Eero  Sipilä (baixo), Jane Björkroth (teclados) e Pyry Vikki (bateria)  a banda acba fugindo daquele certo estereótipo quando se fala em bandas finlandesas. nada de metal melódico, sinfônico, ou até mesmo death melódico. O que temos aqui é um grupo que mescla de forma bem consistente várias influências, com uma ênfase maior ao hard rock e ao heavy metal. Produzido pleo tecladista Janne, o trabalho ficou com uma ótima sonoridade. também, esperar o quê quando ficamos sabendo que o álbum foi mixado por Mikko Karmilla e masterizado por Mika Jussila? Algo com qualidade acima de qualquer suspeita!

                        O álbum abre com a instigante  Straight To The Heart, um hard/heavy, com guitarras bem timbradas e que abusam de riffs certeiros. A voz de Noora Louhimo é bem versátil, pois vai do melódico ao mais rasgado com facilidade e desenvoltura. Já a faixa título é uma daquelas arrasa quarteirão, rápida, direta e com um bom trabalho da cozinha, composta por Eero Sipila e Pyry Vikki (baixo  e bateria respectivamente). King for a Day tem nas linhas de teclado seu destaque, o que deixa tudo com um pouco mais de melodia. Beyond The Burning Skies tem seu início no piano, o que acaba por remeter em alguns momentos ao Nightwish, mas obviamente, guardadas as devidas proporções, sem exageros ou orquestrações como seus conterrâneos fazem com primazia. Familliar Hell, apesar do título, apresenta um certo apelo pop, principalmente pelos vocais de Noora, que soam bem cristalinos e límpidos aqui.
                          
                         Lost in Wars traz a participação de Tomi Joutsen, do Amorphis no vocal. E a faixa acaba trazendo um pouco das características da banda do vocalista. O contraste entre as vozes se mostra muito bem construído e pensado, o que dá à composição uma linha mais diversa do restante do trabalho. Bastard Son of Odin traz de volta  apegada hard/heavy do início do álbum, com destaque para  base rítmica, que capricha numa pegada bem próxima do heavy tradicional. Um andamento mais cadenciado é o que temos em We Will Fight, que possui uma boa dose de peso nas guitarras, cortesia da dupla Joona e Juuso, que mostram ótimo entrosamento. Dancing With The Beast acaba sendo o ponto mais fraco do álbum, pois não acrescenta nada de relevante. Com um forte acento pop, mas sem agregar nada de peso ou passagens mais trabalhadas, a faixa deixa um pouco a desejar. Far From Heaven é uma bela balada que encerra a parte regular do CD. Temos ainda três faixas bônus: God of War, que poderia estar na versão regular, pois traz ótimas guitarras e um grande trabalho de baixo/bateria; The Eclipse, pesada e com mudanças de andamento e Rock Trash, um hard/heavy pesado.

                            Neste quarto trabalho, o BATTLE BEAST comprova sua evolução através de seus álbuns. Buscando identidade, o grupo parece ter encontrado sua posição nesse disputado cenário, com composições fortes e muito bem trabalhadas. BRINGER OF PAIN é um álbum para ser apreciado pelos fãs de hard/heavy e rock em geral. Curta sem moderação!





                      Sergiomar Menezes

terça-feira, 14 de novembro de 2017

TALES FROM THE PORN - H.M.M.V. (2017)




                  HARD ROCK! Com todas as letras maiúsculas! Sim, meus amigos! Eis que um dos melhores álbuns lançados no Brasil neste 2017 chega por aqui. E não há nenhum exagero no que escrevo. O que temos aqui é aquele mais puro Hard Rock indicado para fãs de Ratt, Mötley Crüe, Guns N' Roses, Tuff, Dokken e afins. O TALES FROM THE PORN é uma banda brasileira que conta com os vocais de Stevie Rachelle (Tuff). E essa união ficou excelente, pois o timbre de Rachelle combinou perfeitamente com a sonoridade do grupo, que aposta naquele Hard sujo, com a típica malícia dos anos 80. H.M.M.V. (Heavy Metal Minha Vida) mostra que o estilo está muito bem representado no país!

                        Formada pelo já citado Rachelle no vocal, Andy Sun (guitarra), Bruno Marx (guitarra, backing vocal), Bento Mello (baixo, backing vocal, Sioux 66), Igor Goddoi (teclados e backing vocal, Sioux 66)  e Edgar Avian (bateria, Supla), a banda mostra um feeling que impressiona, tamanha a qualidade e pegada, remetendo aos grandes nomes do Hard Rock. Obviamente que a presença de Stevie Rachelle ajuda, afinal, estamos falando de um músico que esteve presente naquela época mágica do estilo (lia-se anos 80). Mas o grupo não se resume apenas ao americano. Andy Sun e Bruno Marx formam uma dupla certeira, com riffs e solos na medida! Os backing vocals ficaram muito bem encaixados também. O álbum foi produzido, mixado e masterizado por Henrique Baboom, no Toque Final Mix & Master, em São Paulo. Já os vocais, foram gravados na Califórnia. E a tecnologia favoreceu, pois temos uma sonoridade bem uniforme e intensa! 

                         Back to the 80's abre o álbum e de cara temos aquele hard malicioso, vocal despojado e muita adrenalina! "Let's Rock, Let's Roll, All around the world lose control! Hey you, let's go, We're going back... Back to the 80's!" Quer coisa mais hard rock que isso? E as guitarras que respiram aquela atmosfera "Sunset Strip"? Clássico instantâneo! Runaway Lover tem riffs inspirados em uns tais de Warren DeMartini e Robin Crosby... Sério mesmo... Se ninguém te avisar que se trata de uma banda brasileira (exceção à Rachelle) e que gravou esse disco em 2017, você diria é uma das bandas clássicas dos anos 80.  E tome mais hard "safado" em Hot Girls, Fast Cars! Sabe aquele refrão grudento? Então... Além disso, os riffs transbordam aquele clima "party all night" sem cerimônia. Já  a faixa que dá nome à banda (ou vice-versa), tem uma pegada mais hard n' heavy, sem perder sua veia anos 80. E a cozinha composta por Bento Mello (que é guitarrista da banda Sioux 66) e Edgar Avian, injeta uma dose generosa de peso, dando um tempero especial à composição.

                        E o que dizer de Perfect Love? Posso até parecer e soar repetitivo, mas qual fã de Ratt, Mötley Crüe (mais do início da carreira) não vai ficar com aquele sorrisão de satisfação ao ouvir esses riffs? Os backing vocals também merecem destaque, pois ficaram no lugar certo. Outro destaque do trabalho é Girls Wanna Party (In Augusta Street). Com um refrão cheio de malícia (o que esperar de uma faixa com um título desses, não é mesmo?) e com solos afiados, a composição mostra toda a pegada do grupo. Let It Shake, a faixa mais pesada do álbum, e por consequência, a mais heavy metal, tem baixo/bateria marcados, enquanto Rachelle mostra um lado seu mais versátil, explorando linhas mais próximas do heavy (dentro de suas possibilidades, que fique bem claro). Danger Zone é um cover de Kenny Loggins, que fez parte da trilha sonora do filem Top Gun - Ases Indomáveis, que que também fez parte da trilha sonora da vida de muita gente que agora está lendo esse texto. E o grupo soube colocar sua identidade, dando uma cara nova à composição, sem que precisasse modificar de forma substancial as linhas originais. O fechamento vem com Scary Movie, uma faixa totalmente anos 80. Seja no seu andamento, seja na letra, a faixa encerra o álbum, dano a certeza de que acabamos de ouvir um dos melhores (senão o melhor) álbum lançado neste país em 2017.

                       Neste blog, eu não tenho o costume d e resenhar trabalhos que não sejam enviados pelas gravadoras, assessorias ou pleas próprias bandas. Mas dessa vez, tive que abrir uma exceção: H.M.M.V. é um dos discos mais legais que ouvi nos últimos anos e que não poderia ficar de fora. Ainda mais tendo em vista que o Hard Rock é um dos estilos preferidos deste que vos escreve. A estréia do TALES FROM THE PORN é muito mais do que um simples debut. É um CD que mostra que o Brasil não deve nada a cena atual lá de fora. Se o Hard é sua praia, pode mergulhar sem medo! STAY HARD!



                           
                        Sergiomar Menezes

domingo, 12 de novembro de 2017

THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA - AMBER GALACTIC (2017)



                     Pense em uma banda composta por músicos experientes e até mesmo consagrados dentro da música pesada, mas que pratica uma sonoridade que dosa de forma perfeita o pop dos anos 70/80, agregando as influências pessoais de cada um dos envolvidos. É exatamente isso que encontramos no terceiro e espetacular álbum do grupo THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA. AMBER GALACTIC, que chega por aqui através da parceria Shinnigami Records/ Nuclear Blast, é, sem nenhuma sombra de dúvida, um dos melhores trabalhos lançados em 2017! Se em "Infernal Affairs" (2012) e "Skyline Whispers" (2015), o grupo já mostrava que não tinha limites em suas composições, aqui, o nível de excelência alcançado pelo sexteto beira  a perfeição!

                           Formado por Björ Strid (vocal, Soilwork), David Andersson (guitarra, Soilwork),  Sebastian Forslund (guitarra), Sharlee D'angelo (baixo, Arch Enemy, Spiritual Beggars, entre outros), Richard Larsson (teclados) e Jonas Källsbäck (bateria), o grupo apresenta seu primeiro trabalho após assinas com a Nuclear Blast. São 10 faixas que navegam entre o pop, o rock, o hard, o heavy, a até mesmo, com a disco music dos anos 70. Tudo isso misturado poderia soar estranho, mas o que temos aqui, são composições que mostram toda a classe e categoria da banda, que como dito anteriormente, não se prende á rótulos e não vê limites na hora de compôr. Produzido pela própria banda, mixado pelo guitarrista Sebastian Forslund e masterizado por Thomas "Plec" Johansson, o álbum regatou uma sonoridade bem próximo daquela dos anos 70, mas que consegue ao mesmo tempo soar bastante atual e moderna.

                             O álbum abre com a sensacional Midnight Flyer ( que em sua introdução conta com uma narrativa feminina em português!), que possui uma ótima linha de teclados, que alinhada com o trabalho das guitarras, cria uma melodia bem próxima do hard/heavy doas anos 70. Star of Rio traz essa mesma perspectiva das guitarras e mostra toda a versatilidade de Björn Strid, pois o vocalista, acostumada a vocais bem mais agressivos no Soilwork, canta aqui de forma limpa e melódica com grande desenvoltura. Um certo "apelo" pop é o que temos em Gemini, uma faixa simples, mas de muito bom gosto. Sad State of Affairs é uma das melhores do homogêneo trabalho. Strid mais uma vez, se destaca com uma bela interpretação, enquanto  a melodia e levada, chegam em determinados momentos a lembrar o The Police (principalmente no momento da "paradinha" no meio da faixa). Jennie é uma bonita balada, com belos arranjos.

                            Domino é uma composição que poderia facilmente estar em algum trabalho lançado pela Motown Records em seus anos dourados. Impressionante a versatilidade dos músicos, ainda mais se pensarmos em seus grupos principais. E isso só mostra que o radicalismo (apesar de necessário algumas vezes), acaba por privar muitos de conhecer obras como essa. Josephine é outra faixa pop/rock com características setentistas e possui um refrão de fácil assimilação. Já Space Whisperer é uma das faixas que mais possui "peso" nas guitarras e que contrasta com os teclados cheios de climas melódicos criados pleo tecladista Richard Larsson. Something Mysterious possui linhas próximas da disco music. O encerramento vem com Saturn in Velvet, uma composição com levada hard rock e belas melodias.

                          O THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA não deve ser encarado apenas como um projeto paralelo dos músicos envolvidos. Tanto é que a banda já está em seu terceiro trabalho. E não é "qualquer" trabalho. AMBER GALACTIC, com a mais absoluta certeza, estará na lista de melhores do ano deste que vos escreve, independente do veículo que for. Uma música livre de preconceitos e com muita qualidade. Como diria o estre Glenn Hughes: FELL THE MUSIC! Com certeza, você não irá se arrepender!




                    Sergiomar Menezes             
           

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

HEAVEN SHALL BURN - WANDERER (2016)



                       O grupo alemão HEAVEN SHALL BURN chega ao seu oitavo trabalho de estúdio. WANDERER, lançado em 2016 e que chega por aqui pela parceria Shinigami Records e Century Media, mostra que o grupo continua investindo em uma sonoridade bem próxima do Death Metal Melódico, mas agregando influências mais atuais. Confesso que nunca prestei muita atenção na banda, mas a "polêmica" que a envolveu quando o grupo foi escolhido como uma das atrações que abririam o show que o mestre King Diamond faria no Brasil, fui procurar saber mais sobre ele. E acabei "descobrindo" uma grande banda!

                 Formado por Marcus Bischoff (vocal), Maik Weichert (guitarra), Alexander Dietz (guitarra), Eric Bischoff (baixo) e Christian Bass (bateria), o grupo apresenta em 12 faixas (incluindo o "tradicional" cover), muita técnica, peso e riffs que trazem um meio termo entre o death melódico e a atual cena americana (leia-se metalcore). Mas isso não atrapalha em nada  a música da banda, uma vez que essa"influência" atual, acaba criando uma identidade bem característica. O álbum foi produzido pelo guitarrista Alexander e contou com a co-produção do também guitarrista Maik. Não á toa, as guitarras acabam sendo os maiores destaques do trabalho. Já a mixagem e masterização ficaram sob a responsabilidade do renomado Tue Madsen (Kataklysm, At The Gates, entre outros). A arte gráfica ficou muito bacana também, pois contrasta com imagens "suaves", o peso que a banda apresenta durante a execução do álbum.

                           O álbum abre com The Loss Of Fury que logo dá lugar a uma das melhores faixas do trabalho: Bring The War Home. Essa é daquelas faixas que nos remetem diretamente ao death melódico (In Flames e Dark Tranquility à frente), mas  que traz consigo a personalidade do Heaven Shall Burn. Além disso, o bom trabalho da dupla Eric e Christian (baixo e bateria, respectivamente) merece ser citado. Passage of the Crane tem um começo introspectivo, mas ganha muita intensidade durante sua execução. As guitarras mostram ótimo entrosamento, dando à composição o peso necessário. Assim como em They Shall Not Pass. Brutal, a faixa tem um andamento agressivo, com algumas mudanças bem interessantes, chegando a flertar com o Thrash Metal. Downshifter tem momentos distintos, mas rápidos e agressivos (mas que buscam a melodia) e outros mais cadenciados e bem pesados. O lado mais "death" do grupo aparece em Prey To God, principalmente nas linhas vocais de Marcus, bem mais próximas do estilo, nesta composição.

                           My Heart is My Compass é instrumental, enquanto que Save Me é uma faixa que foge um pouco do que o restante do álbum apresenta. Cadenciada, com uma melodia sombria e em alguns momentos angustiante, a composição ganha intensidade do meio pro fim. Corium é outra que nos remete ao "Gothemburg Sound", pois alia peso, melodia e agressividade como só os grupos suecos conseguem fazer. Extermination Order também é outro destaque do álbum! Bateria técnica, pesada e muito bem trabalhada durante toda a execução da faixa que possui guitarras diretas e pesadas. Da mesma forma A River of Crimsom traz essa atmosfera. O encerramento vem com o cover de The Cry of Mankind, do grupo My Dying Bride, que ficou bem interessante.

                              O quinteto alemão mostra em WANDERER que, mesmo envolto em "polêmicas", mas isso só aqui no Brasil, uma vez que a banda goza de bom prestígio lá fora, principalmente na Europa), soube manter o bom momento musical que já vem o acompanhando há algum tempo. Se você é daqueles que tem a mente aberta e procura música e qualidade, agressiva, pesada e ao mesmo tempo, com uma base melódica, o HEAVEN SHALL BURN pode ser uma banda que o agrade de forma muito consistente. Escute e entenda o que quero dizer.






                     Sergiomar Menezes

domingo, 5 de novembro de 2017

ELIZABETHAN WALPURGA - WALPURGISNACHT (2016)



                 
                        A banda em sua página oficial no Facebook, diz praticar Blackned Heavy Metal. Você, antes de ouvir o CD, descobre que as influências do grupo vão de Accept, Iron Maiden e Mercyful Fate até In Flames, Dimmu Borgir, Satyricon, Amorphis, At The Gates, entre outros. E quando você coloca pra rodar o álbum... é exatamente isso que você encontra! O grupo ELIZABETHAN WALPURGA, formado em Recife/PE, nos brinda com um metal fortemente influenciado pelo heavy metal tradicional, mas tendo por base o Black e o Deah Metal. Seu álbum de estréia. WALPURGISNACHT, lançado pela Shinigami records, mostra um grupo maduro e dono de uma personalidade própria. 

                  Leonardo "Mal'lack" Alcântara (vocal), Breno Lira (guitarra), Erick Lira (guitarra), Renato Matos (baixo e backing vocals) e Arthur Felipe Lira (bateria) integram o grupo, que foi formado nos anos 90, mas que encerrou suas atividades pouco depois depois. Em 2015, a banda retoma sua carreira e no ano seguinte, solta seu primeiro full lenght, garantindo aos apreciadores do lado mais obscuro do heavy metal, momentos dignos de reconhecimento. O Black/death praticado pelo quinteto tem influência forte do metal tradicional, e muito disso se dá pelo que apresenta a dupla de guitarristas Breno e erick. Seus riffs, apesar de todas a s características black, acrescentam muito do que as duplas Smith/Murray, Hoffmann/Frank, Denner/Shermann fizeram em seus melhores dias. O vocal de Leonardo também merece destaque, por criar linhas totalmente black, por vezes lembrando nomes diferentes como Shagrath e Dani Filth. A produção e os arranjos foram feitos pela própria banda, enquanto a mixagem e masterização ficaram sob a responsabilidade de Nenel Lucena.  Já a capa, encaixada perfeitamente na proposta sonora do grupo, foi obra da Deafbird Design Lab.

                        Exordium é uma introdução macabra que nos deixa preparados para Vampyre, uma faixa que aflora de forma elucidativa que as guitarras serão o principal diferencial do grupo. Não que os demais integrantes fiquem atrás. Pelo contrário. Como dito antes, Leonardo tem uma voz perfeita para o estilo, enquanto que a cozinha composta por Renato e Arthur, cria bases trabalhadas e intensas. Mas o que os guitarristas mostram é que não é necessário s prender aos limites "impostos" pelo estilo para que a música se mantenha na proposta. Os solos ficaram perfeitos, sendo que em alguns momentos, esquecemos que estamos diante de um disco de Black Metal. Clamitat Vox Sanguinis também possui essa característica, deixando um espaço maior para a performance cheia de intensidade de Leonardo. Novamente, os solos apresentados são de excelente qualidade! Infernorium é uma composição que me remeteu rapidamente ao Mercyful Fate. Preste atenção nos riffs e linhas de baixo aqui (obviamente que antes da faixa adentrar o sombrio mundo do black metal) e me diga se estou errado...

                         E tome mais metal tradicional em The Serpent's Eyes and The Horns of Crown. Talvez a faixa mais nesse estilo do trabalho, a composição é um belo exemplo de como a música do grupo é rica e cheia de personalidade. The Elizabethan Dark Moon é uma faixa típicamente Black Metal.Os riffs são cortantes, mas ganham a adição de momentos mais tradicionais. O título longo de The Canine Enchantment By The Phlebotomy (In The Jugular's Stream) traduz a angústia presente durante a execução da faixa. Sombria e com momentos variados, a composição é um dos destaques do trabalho. Transylvanian Cry também possui estas características, mas de uma forma menos intensa. O fechamento do álbum vem com Walpurgisnacht, é uma faixa bem estruturada, repleta de mudanças de andamento, dando ao álbum, em encerramento em grande estilo.

                             WALPURGISNACHT é mais do que um simples trabalho de estréia. É a firmação do ELIZABETHAN WALPURGA como um nome a ser lembrado no Brasil quando o assunto for metal extremo. Mesmo com apenas um trabalho, o grupo ostra mais personalidade e qualidade que alguns grupos que estão na cena há algum tempo. 





                    Sergiomar Menezes


THE UNITY - THE UNITY (2017)




                     Quando integrantes de bandas que ainda estão em atividade resolvem criar ou participar de projetos paralelos, logo pensamos: "Ah... a sonoridade vai ser bem diferente. Afinal, porque outra banda ou projeto se é pra fazer o mesmo que se faz na banda principal?". Mas nem sempre a coisa é tão simples assim. No caso do THE UNITY, que lança seu auto intitulado álbum de estréia, que chega por aqui pela parceria entre a Shinigami Records e a SPV/Steamhammer, temos a presença de músicos que integram um dos grandes nomes do power metal mundial: o Gamma Ray. Mas além disso, temos também a participação de ex-membros da banda Love.Might.Kill, sendo que o baterista dessa, hoje é dono das baquetas do já citado Gamma Ray. Se lendo pode soar um pouco confuso, ao ouvirmos o disco, percebemos que a música do THE UNITY agrega s sonoridades de ambas as bandas, criando um Power Metal com forte ligação com o Hard/Melodic Rock.

                      Gianbattista Manenti (vocal), Henjo Richter (guitarra, Gamma Ray), Stef E. (guitarra), Jogi Sweers (baixo), Sascha Onnen (teclados) e Michael Ehré (bateria, Gamma Ray) integra a banda. Exceção feita a Henjo Richter, os demais integrantes tocavam no Love.Might.Kill. juntamente com Michael Ehré. E ainda, o guitarrista Christian Stöver (que também tocava no LMK), gravou algumas guitarras adicionais. Ou seja, entrosamento total entre os músicos, que se encarregaram também da produção do álbum, que soa limpa, com tudo no lugar, como aliás, o estilo praticado pelo grupo necessita. Já a mixagem e masterização ficaram por conta de Miquel A. Riutort, enquanto que a capa, que ficou bem legal, foi obra de Alexander Mertsch. Em 12 faixas, o sexteto nos apresenta composições cheias de melodia, navegando entre o power e o melodic metal, incorporando influências do hard europeu. 

                        Algumas faixas acabam se destacando dentro do álbum, que é bastante homogêneo, mantendo um nível elevado de qualidade. Dentre ela podemos citar  abertura com Rise and Fall, mais próxima do power metal, principalmente no tange às guitarras, que trazem riffs bem construídos. Já o vocal de Gianbattista soa diferenciado, pois o músico passeia com desenvoltura tanto pelo metal quanto hard sem soar forçado. No More Lies é outra boa faixa, pesada e detentora de um refrão que é puro hard/heavy anos 80. O peso também se destaca em God of Redemption. Cadenciada e com linhas mais próximas do metal tradicional. Firesign também se destaca, mostrando a versatilidade do vocalista, que vai do mais rasgado ao melódico com facilidade. Close to Crazy é uma faixa que lembra um pouco o Gamma Ray, pois as melodias parecem ter saído da mente genial do mestre Kai Hansen. Ainda podemos destacar Edens Fall (hard/heavy old school) e Killer Instinct, que possui riffs bacanas e uma levada mais cadenciada.

                        A estréia do THE UNITY aponta um grupo (ou projeto paralelo) disposto a encarar novos desafios. Basta saber se quando o Gamma Ray retornar, da pausa "forçada", a banda se manterá ou se transformará apenas em um passatempo dos músicos aqui envolvidos. E se este for o ocorrido, será um grande desperdício, uma vez que o que o grupo apresenta aqui é uma música bem interessante e de qualidade.




                      Sergiomar Menezes

SOUL INSIDE - NO MORE SILENCE (2015)



                  O grupo mineiro SOUL INSIDE, formado em 2012, chega ao seu primeiro álbum. Intitulado NO MORE SILENCE, o grupo aposta em uma sonoridade pesada, que flerta com o Thrash, o Death e também com o Heavy Metal mais tradicional, imprimindo sua personalidade. E isso conta muito á favor do grupo, tendo em vista que hoje em dia, nosso cenário acaba recebendo muitos "clones", que caem no esquecimento rapidamente. Dessa forma, o quarteto nos apresenta composições agressivas e técnicas, mostrando muito potencial.

                       Bruno de Carvalho (vocal e baixo), Beto Siqueira (guitarra), Eduardo Petrini (guitarra) e Renan Seabra (bateria) formaram a banda em Lavras/MG, com o intuito de criar músicas "técnicas e pesadas". E ao ouvirmos com atenção seu trabalho de estréia, podemos afirmar que  abanda atingiu seu objetivo. As guitarras da dupla  Beto e Eduardo mostram bom entrosamento, alternando riffs e solos de forma bastante coesa. A pegada da cozinha também investe forte no peso, enquanto o vocalista Bruno mostra desenvoltura, pois seu vocal não se limita à uma linha reta, mesmo que em algumas vezes, nem sempre essa alternância funcione a contento. Gravado no Braia Studios/MG, o álbum foi mixado e masterizado por Luciano Marciani em São Paulo/SP. A capa é trabalho criado pela ArtSpell Artwork de Caxias do Sul/RS. Ou seja, houve uma "interação" nacional para que se chegasse ao produto final.  o resultado se mostra acima da média!

                     O álbum abre com Child of War, que em seu início tem um clima mais introspectivo, mas que logo ganha peso em riffs fortes, carregados de energia. Navegando entre o Thrash e o Death (com maior destaque para o primeiro), a música do grupo se mostra bastante eficiente. assim como na pesada e bastante direta Fight The Despair, que alterna momentos mais rápidos com outros mais cadenciados, onde o peso da cozinha composta por Bruno e Renan (baixo e bateria respectivamente) apresenta boa técnica e entrosamento. Again the Nightmare inicia com riffs bem interessantes, com momentos onde o groove acaba mostrando uma faceta diferente da banda, assim como o solo, cheio de melodia.A faixa acaba sendo um dos destaques do trabalho. A pancadaria come solta em Life of Lies, sem muito espaço para respirar. 

                          A faixa título começa com o baixo de Bruno em destaque e aqui o groove retorna em passagens mais intensas, enquanto os solos inspirados no thrash Bay Area mostram que a banda tem versatilidade na hora de alternar suas composições. E tome porradaria em The Killer Inside. Com passagens que trazem o lado "melódico" (sim, entre aspas, pois a melodia aqui se encaixa na proposta de música pesada do quarteto) mais destacado. E vejam que essa veia "melódica" da banda, não interfere em nenhum momento no peso das composições. Unholy Temple aproxima mais o grupo de sua face death metal, enquanto que o encerramento, que vem em Sands of Truth, mostra que o Sepultura da fase Arise (1991), tem forte influência na sonoridade do grupo, principalmente no que diz respeito as guitarras.

                   A estréia do SOUL INSIDE mostra que o grupo mineiro tem um grande potencial. Músicas agressivas, com alguns momentos cheios de groove e técnicas, fazem de NO MORE SILENCE um cartão de visitas de quem quer e tem muito serviço para mostrar. Que os próximos trabalhos mantenham essa pegada!






                    Sergiomar Menezes

sábado, 4 de novembro de 2017

WAEL DAOU - SAND CRUSADER (CD DUPLO + DVD) (2017)



                       E o mestre das oito cordas, WAEL DAOU, lança seu primeiro full lenght! E desde já, é preciso que fique claro: SAND CRUSADER estará em todas as listas de melhores do ano. Seja nos portais, sejam nos sites, blogs e revistas especializadas. E sabem porque? Porque é um trabalho fantástico! Um álbum maduro, coeso, de qualidade muito, mas muito acima da média. Se em seu EP de estréia (Ancient Conquerors, 2013, cuja resenha feita por este que vos escreve pode ser lida aqui:http://www.agenciayaih.com.br/resenha-wael-daou-ancient-conquerors/), Wael já se mostrava um guitarrista do mais alto nível, aqui percebemos que, hoje, o músico encontra-se em um outro patamar, pois a técnica apresentada por ele neste trabalho, beira a perfeição. Só que apenas a técnica não dá sustentação à nada. E o guitarrista sabendo disso, deixa a MÚSICA sempre falar mais alto,  deixando com que o feeling e  a entrega às composições sejam a força motriz do seu trabalho.

                  Na gravação do trabalho, Wael se encarregou da guitarra e do baixo enquanto que a bateria ficou sob a responsabilidade de Emmanuel Pena. Nos vocais houve a participação de vários vocalistas, cujas vozes abrilhantaram ainda mais esse ótimo trabalho. O álbum foi produzido pelo próprio Wael e co-produzido por Marcos Saraiva, tendo na produção executiva o guitarrista em companhia de Sandro Santarem. Todas as faixas foram compostas por Wael, assim como todos os arranjos e orquestrações. Gravado em belém/PA, no Legacy Studio, o CD foi mixado e masterizado por Brendan Duffay. A capa e a arte gráfica são mais uma do mestre Gustavo Sazes, que já havia trabalhado com o guitarrista no EP. Dito isso, é preciso dizer que não satisfeito em nos entregar 07 faixas excepcionai, o lançamento traz também o EP de estréia do músico, numa versão 2016, além de um DVD com todas as faixas, em vídeos animados. resumindo, um lançamento que vale cada centavo investido!

                       O CD I abre com a faixa Scourge of Humanity, divulgada antes do lançamento. Pesada, muito bem trabalhada, com  a presença de vocais guturais (o vocalista convidado aqui é Bruno Dourado e o baixista aqui foi o músico Marcos Saraiva), a composição mostra a faceta mais agressiva do guitarrista. Dona de um solo que mostra  a categoria de Wael, ao incorporar elementos que vão do clássico ao fusion, passando pelo jazz, a faixa sintetiza o bom gosto dos arranjos. Thorns of Joy também se mostra agressiva e pesada, bem próxima da sonoridade do metal atual, mas que foge do lugar comum. Os vocais adentram ainda mais o mundo da brutalidade (vocal á cargo de Leon Penna), o que projeta ainda mais o lado ríspido da composição. A faixa título é um primor de classe e bom gosto. Rica em detalhes,  a composição mostra toda a versatilidade do guitarrista. Cheia de variações, a começar pelos vocais (Eduardo Lobo, Mira Said e Luiz Klaud alternam as vozes - em determinados momentos, jurei que o mestre David DeFeis havia participado da interpretação), a faixa passeia com desenvoltura pelos mais variados estilos, indo até momentos da música árabe. Complexa, mas ao mesmo tempo fácil de ouvir, Sand Crusader cria no ouvinte  a sensação de viajar com a música, algo raro hoje em dia. 

                      The Awakening I é uma faixa instrumental. Mas se você pensa que é mais uma daquelas faixas auto indulgentes, tão comuns á certos tipos de guitarristas, está completamente enganado. Preste atenção nas linhas de baixo (executadas por Gleyson Souza) que você verá a música novamente fala mais alto. Bem pesada, além do trabalho preciso, a bateria também mostra toda técnica de Emmanuel Penna, que não economiza em viradas certeira durante a  execução da composição. The Awakening II já possui um clima mais introspectivo, até mesmo mais suave, onde a melodia ganha mais espaço, deixando o peso, mesmo que momentaneamente de lado. O que logo em seguida, fica pra trás, pois os riffs ganham intensidade ao longo da faixa. Power To Believe é outra faixa grandiosa. Particularmente, a composição tem uma gama enorme de variações, e conta com a participação de Marcelo Shiozaki, Victória Petra, Ana Rosa, Arlen Monteiro, André Gaby e Rabih El Banna. O encerramento vem com Mira, instrumental, carregada de sentimento e tem como destaue o solo criado por Wael, onde suas influências afloram de forma contumaz, expondo toda sua categoria.

                       O CD II, já citado anteriormente, é a versão 2016 do do EP lançado pelo guitarrista em 2013, com uma pegada mais atual (o que apenas deixou as composições ainda mais especiais), enquanto o DVD traz vídeos animados de todas as faixas presentes neste estupendo trabalho. Ainda temos 03 Guitar Play Through Videos para as faixas Gengis Khan, Salah El Dine e Power To Believe.

                    Hoje, a banda que acompanha Wael é formada pelo vocalista Eduardo Lobo, pleo baixista Gleyson Souza e pelo baterista Tiago Belém e leva o nome do álbum. Prova, mais uma vez que, além da técnica apurada e qualidade acima da média, o guitarrista dá mostra de humildade. Algo que muitos guitarristas (bem, não apenas guitarristas...) do metal nacional deveriam ter... SAND CRUSADER é um trabalho que se mostra atemporal. Daqui há 10, 20, 30 anos ouviremos e ainda nos surpreenderemos com a riqueza de detalhes presentes nele. Candidatíssimo á melhor álbum de 2017.





                Sergiomar Menezes

HATEFULMURDER - RED EYES (2017)



            O grupo carioca HATEFULMURDER chega ao seu segundo trabalho após a boa repercussão de seu álbum de estréia, No Peace (2014). Após a saída do vocalista Felipe Lameira, a banda recrutou a bela Angélica Burns para o posto. E o grupo parece ter recebido uma dose extra de adrenalina, posi o que nos é apresentado em RED EYES é um petardo! Cheio de riffs intensos e de uma performance sensacional de Angélica, o álbum prova que se existia alguma dúvida em relação ao futuro do grupo, ela se dissipou como se nunca houvesse existido! Que baita disco! composições fortes, navegando numa linha bem tênue entre o thrash e o death metal melódico, o grupo criou um dos grandes álbuns de 2017!

                    Composta pela já citada Angélica Burns (vocal), pelo guitarrista Renan Campos (também responsável por algumas partes vocais), pelo baixista Felipe Modesto (que também se arrisca nos vocais) e pelo baterista Thomás Martin, a banda apresenta um álbum de excelente qualidade. Com uma produção muito bem executada (que deixou os instrumentos audíveis na medida, bem timbrados), que soube valorizar o peso, sem abrir mão de um pagada mais limpa, que ficou sob a responsabilidade de Luiz Millet, o trabalho mostra que o grupo não deixou a peteca cair em nenhum momento após a saída do vocalista anterior, criando um álbum bem superior ao seu trabalho de estréia. A capa  é uma obra bem interessante criada pelo artista Orge Kalodimas enquanto a arte gráfica e layout ficaram à cargo de Felipe Eregion.

                    Em pouco mais de 30 minutos, o grupo manda ver em 09 faixas que mostram toda a fúria e intensidade da banda. Já na faixa de abertura, a violenta Silence Will Fall, fica claro a pegada agressiva do trabalho. Angélica mostra grande desenvoltura, ficando num meio termo entre Angela Gossow e Alissa White-Gluz (ex e atual Arch Enemy, respectivamente), mas a brasileira tem personalidade, imprimindo sua identidade nas linhas vocais. A faixa título é um dos grandes destaques. As guitarras trazem forte influência do metal atual, mas tem suas raízes no thrash metal. Aqui, os vocais de Renan e Felipe aparecem de forma limpa, contrastando com a agressividade da vocalista. Tear Down possui características semelhantes, com uma pegada que nos remetem ao que o Arch Enemy faz atualmente. Riot é outra grande faixa. Agressiva, ríspida e pesada, a composição tem um refrão bem "simples" de fácil assimilação, enquanto que a guitarra traz linhas mais diretas. The Meaning of Evil também possui características mais atuais, principalmente na levada de baixo/bateria.

                 Time Enough Last contou com a participação de Mayara Puertas (vocal, Torture Squad) e deu um clima mais agressivo á faixa. Cabe lembrar que as duas bandas estiveram em turnê conjunta por 20 estados brasileiros acompanhadas do Warcursed. My Battle possui ótima variação, alternando momentos rápidos e outros cadenciados, mas sempre primando pelo peso. Novamente, temos a alternância entre os vocais de Angélica e do guitarrista Renan, num clima que, em alguns momentos acaba ficando "distante" do que a faixa pede. Mas não compromete em nada o andamento da composição. You're Being Watched antecede o encerramento que vem com Creature of Sorrow. A faixa começa com um clima introspectivo, sombrio até. mas em seguida ganha velocidade e intensidade. encerra o álbum em grande estilo!

             RED EYES mostra que a mudança na formação não alterou em nada a qualidade do HATEFULMURDER. Pelo contrário. A entrada da vocalista Angélica injetou, como dito anteriormente, um dose extra de adrenalina na banda. Mas nada disso adiantaria se as composições não tivessem o nível de excelência que possuem. E isso faz deste trabalho, um dos melhores lançamentos nacionais de 2017!





                     Sergiomar Menezes

            

FALLEN IDOL - SEASONS OF GRIEF (2016)



                  Não é de hoje ( e quem lê esse blog sabe disso), que as bandas brasileiras vem apresentando um ótimo nível. E na maioria das vezes, muitas dessas bandas não deixam nada a dever pra muita banda gringa. Seja nas composições, seja na produção, ou até mesmo, na apresentação gráfica. E a banda paulista FALLEN IDOL encontra-se neste time. Tendo lançado seu segundo álbum em 2016, SEASONS OF GRIEF (cerca de um ano após lançar seu autointitulado debut, algo raro hoje em dia), o grupo mostra que evoluiu rapidamente, mantendo suas raízes no doom metal, com influência de nomes como o grande Cathedral, por exemplo. E a cada audição, o trabalho se mostra mais e mais técnico e carregado de  feeling.

                          Formada por Rodrigo Sitta (vocal e guitarra), Márcio Silva (baixo) e Ulisses Campos (bateria), a banda surgiu em 2012 com o intuito de praticar um doom metal mais tradicional, com a marca registrada dos anos 80, buscando agregar à sua sonoridade as influências de nomes como Black Sabbath (eterna referência do estilo), Candlemass, Celtic Frost, Paradise Lost, entre outros. E mesmo assim, o trio conseguiu imprimir sua personalidade em composições recheadas de classe e bom gosto. E, como dito lá em cima, isso não se restringiu apenas à música do grupo. A CD vem em um belo digipack, mostrando a preocupação da banda em entregar ao público um trabalho de nível. Assim como a produção, limpa, cristalina e que mesmo assim soube valorizar o peso que o doom necessita em sua execução. Méritos do produtor André Marques. E cabe ressaltar que o trabalho é dedicado ao vocalista Alex Rangel, do Attomica, que faleceu no ano passado.

                          A faixa título abre o play, com guitarras melódicas, que não abrem mão do peso, com ótimos riffs. Esse contraste é uma constante durante a execução do trabalho, o que deixa claro o bom gosto do grupo na hora de compôr, uma vez que sua sonoridade não se restringe aos limites impostos. O vocal de Rodrigo também é um diferencial, pois foge daquela linha gutural. Nobody's Life tem muito de Black Sabbath em seus riffs, algo inevitável, uma vez que Mr. Tony Iommi pode ser considerado o pai do estilo (de todo o heavy metal, diga-se de passagem), a cozinha composta por Márcio e Ulisses (baixo e bateria, respectivamente) deixa tudo pesado, sem exageros. Mais peso é o que temos em Unceasing Guilt, uma das melhores faixas do trabalho. As linhas vocais se encaixaram muito bem na estrutura composta, dando um clima bem sombrio e intenso à composição. Heading For Extinction tem uma maior dose de energia, mais acelerada, fugindo um pouco do que vinha sendo apresentado nas faixas anteriores. Mas isso é muito bem vindo, uma vez que deixa claro ue o grupo fica à vontade para criar linhas variadas. The Boy and the Sea é outra bela faixa, que ganhou um vídeo que está presente na coletânea ROADIE METAL DVD Vol. I.. Worsheep Me (título bem sacado!) tem linhas arrastadas e os vocais apresentam uma dose mais intensa de feeling. O encerramento vem com a "sabbathica" Satan's Crucifixion.

                         SEASONS OF GRIEF, um trabalho que veio rapidamente na sequência do álbum de estréia do FALLEN IDOL, mostra o ótimo momento criativo que o trio paulista vive atualmente. Composições fortes, técnicas e bem trabalhadas fazem deste trabalho uma evolução natural do já vinha sendo feito com qualidade pelo grupo. Ficamos no aguardo do que o grupo nos apresentará no próximo CD!




                  Sergiomar Menezes

MEMORIAM - FOR THE FALLEN (2017)



                      Pense num disco de death metal que carrega consigo toda a carga emocional do doom. Junte à isso, músicos experientes e que são referência dentro do estilo. Pode ter a mais absoluta certeza que você "materializou" FOR THE FALLEN, álbum de estréia do MEMORIAM, que chega por aqui através da parceria Shinigami Records/Nuclear Blast. Segundo uma entrevista concedida em 2016 pelo vocalista Karl Willets (Bolt Thrower), o grupo surgiu como um tributo ao baterista Martin "Kiddie" Kearns, que era baterista do citado grupo. E a homenagem rendeu um dos melhores álbuns do estilo em 2017. 

                     Formado pelo já citado Karl Willets (vocal), pelo guitarrista Scott Fairfax (ex-Cerebral Fix e que toca ao vivo com o Benediction), pelo baixista Frank Healy (Benediction, Sacrilege, ex- Cerebral Fix) e pelo baterista Andy Whale (ex-Bolt Thrower), o grupo mostra toda a categoria e experiência dos seus integrantes. Afinal, estamos falando de músicos com história na cena. E não poderíamos esperar nada diferente do death metal apresentado aqui. Mortal, pesado, sujo e bastante técnico, o estilo apresentado pelo MEMORIAM remete aos trabalhos de seus integrantes, mas ganha personalidade própria. O trabalho foi gravado e masterizado por Ajeet Gill, enquanto a mixagem ficou por conta do próprio com o auxílio do guitarrista Scott. E ficou na medida certa, pois soa forte, intensa, suja e pesada, como o estilo merece ser ouvido. Já a capa é uma verdadeira obra de arte, rica em detalhes, criada por Dan Seagrave.

                   Como dito anteriormente, o death metal praticado pelo grupo é de excelente nível. A abertura com a pesada e cadenciada, Memoriam, é um soco na boca do estômago, tamanha a intensidade e peso da guitarra. Já a segunda faixa, War Rages On é um primor de brutalidade, com um ótimo trabalho do baterista Andy. Com momentos mais cadenciados, a faixa traz riffs ríspidos e insanos. Reduced To Zero é mais uma faixa que possui momentos mais arrastados, repletos de peso e agressividade, falar do vocal de Karl seria desnecessário, uma vez que o vocalista é uma das referências do estilo. Mas o músico continua relevante, mostrando uma garra e entrega quase que juvenis em sua interpretação. Corrupted System é death metal old school, direto, rápido e violento! daquelas faixas perfeitas que só compõe quem tem a manha do estilo.  Preste atenção na guitarra de Scott e você entenderá o que quero dizer. Já Flatline possui uma atmosfera densa, quase sombra em sua execução. Mas ganha velocidade, sem perder o clima mórbido que a permeia. Surrounded (By Death) é uma das melhores, pois alterna momentos mais cadenciados com outros mais brutais e velozes. E o peso absurdo da guitarra deixa tudo extremamente brutal! Resistance é pesada e cadenciada, enquanto o encerramento com Last Words possui um clima de muita intensidade e momentos carregados, com passagens mais sombrias.

                       Nesta estréia, o MEMORIAM nos presenteia com um excelente álbum, carregado de peso e brutalidade. FOR THE FALLEN é muito mais do que um tributo em homenagem à um amigo que se foi. É também, a afirmação de uma nova banda que chega para seguir o legado do death metal que poucos sabem fazer. Experiência, técnica e qualidade. Tudo isso aliado é um feeling dinâmico em favor do estilo, fazem deste trabalho, um dos melhores do estilo neste ano!




                Sergiomar Menezes

HELLISH WAR - DEFENDER OF METAL (2001) (RELANÇAMENTO)



               Sabe aqueles álbuns que, quando você olha para a capa, já sabe exatamente o que vai encontrar? Esse é o caso de DEFENDER OF METAL, disco de estréia do HELLISH WAR, um dos principais nomes do metal tradicional brasileiro. Lançado em 2001, o trabalho ganha relançamento. E isso é extremamente relevante, uma vez que os mais novos terão acesso á um álbum que com o passar dos anos, ganhou o status de clássico. E não é pra menos, afinal, o que dizer de um álbum com guitarras e melodias viciantes, refrãos "grudentos", baixo/bateria velozes e pesados e um vocal que se não é o mais técnico, transpira verdade e sentimento em sua interpretação? HEAVY METAL com letras maiúsculas!

                    Formado à época por Roger Hammer (vocal), Vulcano (guitarra), Daniel Job (guitarra), Gabriel Gostautas (baixo) e Jayr Costa (bateria), o grupo apresentou neste álbum de estréia 11 faixas, contando com a  introdução, com uma pegada que mesmo remetendo aos anos 80, não soou datada. Riffs perfeitos, com aquela linha que aproximava a NWOBHM ao metal europeu, o HELLISH WAR soube incorporar sua personalidade, mostrando ao mundo que o Brasil não se restringia apenas aos grupos famosos. Aliás, é bem provável que a abanda goze de muito mais prestígio lá fora do que aqui (tanto é verdade que o quinteto lançou seu trabalho ao vivo, gravado na Alemanha - Live in Germany, 2010). A produção ficou na medida, pois se não soa limpa e cristalina, deixa tudo bem pesado e sujo na medida, como o heavy metal deve ser. E este relançamento é dedicado à memória de Jayr Costa, que gravou a bateria, e que veio a falecer. Bonito gesto do grupo.

                   O álbum abre com a introdução Into The Battle, que nos prepara para a faixa Hellish War, um primor de metal tradicional! Desde os riffs, que traduzem toda a fúria e energia do estilo à velocidade imposta pela bateria, a faixa ganha o fã de metal tradicional, mostrando que o heavy metal corre forte na veia dos músicos. Com um refrão daqueles pra cantar junto de punho cerrado nos shows, a composição já nos preparava para a aula de heavy metal que teríamos dali pra frente. We Are Living For The Metal, como o nome entrega é uma ode ao estilo. Com uma letra auto-explicativa, a melodia nos remete ao que de melhor os grupos europeus (mais precisamente os alemães) fizeram nos anos 80. A dupla Vulcano (um mestre na arte de criar riffs no estilo) e Daniel mostravam perfeita sintonia, como os grandes nomes do cenário. A faixa título possui uma levada que nos lembra o Iron Maiden, principalmente pelos riffs, enquanto vocal de Roger caminha por uma linha mais agressiva, o que deixa tudo com uma cara própria. Assim como The Sign, uma das melhores faixas do cd. Pesada, agressiva e com uma levada "cavalgada", a composição mostra a versatilidade do grupo na hora de compôr, sem se prender à nenhum tipo de amarras, o que por si só, merece destaque. 

                  Gladiator é outra faixa que tem forte influência da NWOBHM. As guitarras novamente guiam a música, que vâ na dupla Gabriel e Jayr (baixo e bateria, respectivamente), uma cozinha técnica e entrosada, deixando tudo pesado na medida certa. Into The Valhalla já começa com cara de clássica. Instrumental, a composição possui momentos variados, cadenciados e pesados. Já Sacred Sword é heavy metal puro, sem invencionices ou concessões. A mais longa faixa do trabalho possui elementos de todas as vertentes, criando uma atmosfera densa e bastante pesada. Com um refrão forte, a faixa tem aquele jeito épico que toda banda "true" sabe como compôr. Memories of a Metal possui momentos que alternam o peso e a melodia (mesmo que isso não seja algo impossível). Mais cadenciada a faixa tem um andamento perfeito praquele "bate-cabeça" e air guitar típicos. Em Feeling of Warriors, temos mais uma composição instrumental, bem variada e com ótimos solos. O encerramento vem com The Law of the Blade, mais um ótimo momento de um álbum linear e homogêneo.

                     Mesmo usando dos clichês do estilo (e qual o problema?), a banda em sua estréia, forjou um dos melhores trabalhos do estilo no Brasil. Obviamente que nenhuma banda entra em estúdio para gravar um clássico. Esse título é conquistado como passar do tempo e relevância. E DEFENDER OF METAL, sem nenhuma dúvida, preenche todos os requisitos. Sim, o HELLISH WAR gravou um dos clássicos do Heavy Metal Brasileiro!





                  Sergiomar Menezes