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domingo, 23 de julho de 2017

FATAL SCREAM - FROM SILENCE TO CHAOS (2016)



            Algumas bandas quando resolvem lançar seu álbum de estréia pensam estarem preparadas. Muitas vezes isso acaba não acontecendo. Só que o contrário também acontece. Muitas bandas não estão apenas preparadas para o álbum de  estréia. Algumas estão preparadas para uma bela e longa carreira. E esse, felizmente, é o caso do quinteto FATAL SCREAM. Uma banda madura, segura de si e  que sabe muito bem aonde quer e pode chegar. Com um mix que fica entre o thrash metal e o metal tradicional, com doses sutis de groove,  o grupo mostra que o Brasil continua gerando inúmeras bandas de qualidade, basta apenas que o público abra seus olhos e ouvidos. E se fizer isso, descobrirá em FROM SILENCE TO CHAOS um excelente trabalho!

               Formada por Carolina L. Miranda (vocal), Diego Alexander Aricó (guitarra), José Roberto Cardoso (guitarra), Rodrigo Hurtiga Trujillo (baixo) e Carlos Lourenço (bateria), a banda foi idealizada em 2012 mas apenas em 2014 acabou oficializando sua formação. E em apenas dois anos, o grupo lança um álbum forte e carregado de ótimas composições. Gravado, mixado e masterizado no Under Studio por Romulo Ramazini Felicio, o trabalho ficou com uma sonoridade muito boa, pois consegue manter o peso em evidencia sem que com isso, perca sua essência, mantendo todos os instrumentos perfeitamente audíveis (com destaque para o peso e timbragem das guitarras), o que casou perfeitamente com a proposta musical do grupo. 

               From Silence To Chaos é uma pequena introdução que antecede o primeiro petardo. Killer Wolf começa com riffs agressivos e diretos que recebem a adição de uma cozinha pesada e bem trabalhada. Caroline imprime sua personalidade ao cantar pois não tenta soar gutural ao extremo, mostrando que não é necessário berrar pra ser agressiva. Bem estruturada, a faixa ganha o ouvinte logo de cara pois traz consigo as influências do grupo que vão de Megadeth á Helloween, de Faith no More á Kiss, de Pantera á Symphony X. E isso se confirma também na segunda faixa. Trapped é mais rápida e possui riffs mais ríspidos. A dupla José roberto e Diego Alexander se mostra muito bem entrosada, alternando bases e solos inspirados. O refrão tem uma cara um pouco mais moderna, mas não se preocupa. O bom e velho metal dita o ritmo sem concessões. Um início mais introspectivo é o que apresenta Before The Judgement. Uma linha um pouco mais melódica durante sua execução acaba por mostrar uma outra faceta do grupo, mas o peso continua imperando, como em todo o álbum, diga-se de passagem. Betrayer (Shake) tem uma "cara" bem Pantera, principalmente pelo groove que a cozinha imprime de foma consistente. 

                 Mental Prison começa de forma sutil, mas ganha peso e velocidade logo em seguida, e tem novamente na cozinha composta por Rodrigo e Carlos (baixo e bateria, respectivamente) seu ponto forte. Em conjunto, os riffs inspirados no metal tradicional mostram a capacidade criativa do grupo. Caroline dosa de forma correta sua voz, cantando de forma mais "suave" em alguns momentos, colocando mais brutalidade na hora do refrão. Utopia tem um andamento mais cadenciado, o que possibilita que as guitarras despejem riffs mais pesados. Nessa faixa, Caroline acaba sendo mais exigida, pois na maior parte do tempo tem de cantar de forma mais limpa. E a vocalista mostra que isso não é problema. Em Last Breath temos uma momentos mais variados, alternando entre passagens mais rápidas e outras mais recheadas de groove. O encerramento vem com Machine Head, uma faixa que, de certa forma, me lembrou em alguns momentos o... Machine Head! Uma grande composição para fechar com chave ouro este ótimo trabalho de estréia.

                 Com apenas dois anos de estrada, o FATAL SCREAM lança seu debut e mostra personalidade e muito potencial. FROM SILENCE TO CHAOS possui todos os ingredientes para agradar os fãs de um heavy metal pesado e bem trabalhado. Que o grupo mantenha essa pegada e siga apresentando trabalhos tão bons ou até mesmo melhores que esse. Grande banda!




                   Sergiomar Menezes

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