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domingo, 14 de maio de 2017

BLACK STAR RIDERS - HEAVY FIRE (2017)



              Sabe aqueles discos que você já sabe o que vai ouvir, mas mesmo assim, acaba se surpreendendo com o que ouve? Com os cds do BLACK STAR RIDERS é assim que  a coisa funciona. Todos sabemos que a banda é uma espécie de continuação do legado do Thin Lizzy. Obviamente que não podemos compará-los ao saudoso grupo irlandês, uma vez que a alma e carisma de Phil Lynott não estão presentes. Mas ficarmos apenas nesta constatação seria uma imensa injustiça. O BSR é sim uma banda com identidade própria, mesmo que sempre acabemos por lembrar do já referido Thin Lizzy. Seus dois primeiros trabalhos ( All Hells Break Loose -2013- e The Killer Instinct -2015), foram muito bem recebidos pela crítica e pelos fãs. E não será diferente, pois HEAVY FIRE, lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, é ainda melhor, pois traz uma banda mais encorpada e com uma maior personalidade. E ao escutarmos as dez faixas presentes aqui (onze na versão nacional), temos a mais absoluta certeza disso.

                     Formado por Ricky Warwick (vocal/guitarra), Damon Johnson (guitarra), Scott Gorham (guitarra), Robert Crane (baixo) e Jimmy DeGrasso (bateria), o grupo, cuja história remonta ao retorno e encerramento das atividades do Thin Lizzy (o guitarrista Scott Gorham integrou o grupo de 1974 até o encerramento das atividades, sendo também o responsável pelo "retorno" do grupo em 2004) chega agora ao seu terceiro trabalho, cada vez mais com cara de banda "própria". Tendo as composições, em sua maioria sendo compostas pela dupla Warwick/Johnson (no restante, os músicos participam também como co-autores) um forte acento hard rock, com toda a atmosfera resgatando a sonoridade dos anos 70, mas sem em nenhum momento soarem datadas, as linhas de guitarra são o grande destaque do álbum. Mas também, não podemos esquecer o excelente trabalho vocal de Warwick (The Almighty), dono de um timbre perfeito para o estilo. Jimmy DeGrasso deixou a banda ano passado e hoje foi substituído por Chad Szeliga. 

                 A produção do álbum é excelente tendo ficado sob a responsabilidade de Nick Raskulinecz, tendo como engenheiros de som Nathan Yarborough e Jordan Longue. A mixagem foi feita por John Douglass enquanto que  a masterização ficou com Paul Logus. Um trabalho em equipe que resultou em algo de nível excepcional. 

                         Heavy Fire, a faixa título, abre o trabalho com aquela pegada hard tipicamente na linha do Lizzy, mas com uma cara mais pesada e moderna. As guitarras de Gorham e Damon Johnson (Alice Cooper) estão bem entrosadas e sincronizadas, mostrando que a dupla tem muito a oferecer. E tome guitarras em When The Night Comes In. Aqui, o trabalho da dupla Robert Crane e DeGrasso também se destaca, pois aliam peso e técnica em uma faixa que navega pela saguás do hard. Em Dancing With The Wrong Girl, o espírito de Lynott apareceu e transformou a faixa em uma celebração á música do saudoso grupo. A acelerada Who Rides The Tiger vem na sequência e recebe boas doses de peso, cortesia da dupla Gorham/Johnson. A melódica e "suave" Cold War Love mostra  a faceta mais próxima do pop que o grupo pode chegar, mas sem se tornar chato ou descartável. Faixa que tocaria fácil em qualquer rádio que tocasse música de qualidade no Brasil. Mas infelizmente...

                          O hard volta com intensidade em Testify or Say Goodbye. e mais uma vez, Warwick se sobressai, pois o vocalista consegue variar sua voz de acordo com o desenvolvimento de cada composição com extrema facilidade. Robert Crane comanda o peso inicial de Thinking About You Could Get Me Killed. Assim como DeGrasso que usa e abusa de sua técnica em favor da estrutura da faixa. As guitarras aqui, capricham em riffs mais pesados do que o habitual, remetendo á uma sonoridade mais atual. Em True Blue Kid, temos uma estrutura bem variada, mas com uma dose maior de groove, contrastando com momentos mais amenos. Temos mais peso em Ticket to Rise, que possui um "jeitao" Thin Lizzy e melodias de fácil assimilação. O tracklist regular se encerra com a ótima Letting Go Of Me, com riffs hard/heacy e um refrão daqueles que grudam e não saem mais da cabeça. A melodia também é um dos pontos fortes da faixa. Como bônus na versão nacional, temos a faixa Fade, uma bela balada, carregada de sentimento em sua interpretação e execução.

                        Com HEAVY FIRE o BLACK STAR RIDERS busca se estabelecer, não apenas como "aquela banda que era pra ser o Thin Lizzy sem Phil Lynott". E pode-se dizer sem medo que a banda conseguiu seu intento. Um álbum forte, intenso, tocado com alma e sentimento. Claro que existem similaridades com o grupo citado. E não teria como ser diferente. Mas a banda parece ter encontrado seu caminho. E estamos falando de seu terceiro trabalho. Prova irrefutável da qualidade e capacidade criativa do quinteto. Um dos grandes álbuns lançados em 2017.




                         
                Sergiomar Menezes
                          

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