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domingo, 14 de maio de 2017

IMMOLATION - ATONEMENT (2017)



                        Alguns grupos, depois de algum tempo, acabam deixando se ser considerados como tal e passam a ser uma verdadeira instituição. E se falarmos em death metal, uma dessas mais clássicas e importantes instituições atende pelo nome de IMMOLATION. Dono de uma carreira bastante regular, com álbuns sempre acima da média, o grupo norte americano chega agora ao seu décimo álbum de estúdio. E a regularidade segue intacta, pois ATONEMENT, lançado por aqui pela Shinigami Records/Nuclear Blast, é um álbum forte, intenso e que alia peso e brutalidade à doses generosas de técnica e muita qualidade. 

                           Ross Dolan (vocal/baixo), Robert Vigna (guitarra), Alex Bouks (guitarra) e Steve Shalaty (bateria) apresentam neste trabalho, faixas bem características, o que transforma o death metal praticado pelo grupo em algo único. Juntos desde o início da banda, Ross dolan e Robert Vigna sabem exatamente o direcionamento que a banda deve tomar e contam com a presença de Alex Bouks (substituto de Bill Taylor) , que entrou na banda no ano passado, para despejar ainda mais fúria e ódio nas outras seis cordas do grupo. A produção mais uma vez ficou à cargo de Paul Orofino enquanto  a mixagem e masterização ficaram sob a responsabilidade de Zack Ohren. E mais uma vez, o nível ficou excelente, primando pela agressividade e peso, sem abrir mão de uma sonoridade bastante "limpa". Já a bela capa é obra de Pär Olofsson.

                             Já na abertura com The Distorting Light, percebemos que a banda segue sua saga em favor do death metal brutal e agressivo. Riffs ríspidos e uma certa aura mais obscura em certos momentos, mostram que nem sempre velocidade significa brutalidade. Obviamente que temos isso na música, mas o grupo sabe explorar seus limites de forma correta. When The Jackals Come é mais uma aula do estilo! Bem trabalhada e alternando momentos rápidos e insanos com passagens mais trabalhadas, a faixa é um dos grandes destaques do álbum. Fostering The Divide traz um ótimo trabalho do baterista Steve Shalaty (na banda desde 2003), garantindo o peso necessário para que o baixista/vocalista Ross destile seu ódio em um vocal denso e sombrio. Rise The Heretics é death metal em sua essência mais brutal. Preste atenção nos riffs da dupla Robert e Alex, e ouça uma das melhores duplas do estilo em ação! Outra aula é Thrown To The Fire, onde a velocidade dá lugar á um peso descomunal, em um andamento mais cadenciado, mas onde os riffs emprestam agressividade e técnica à faixa. Em determinado momento, a velocidade volta a imperar, transformando a faixa em um pequeno exemplo do que é o inferno.

                                Destructive Currents segue mostrando muita brutalidade em cada segundo de sua execução, resgatando um pouco do Immolation de outros tempos (quando o grupo fazia um uso bem maior da velocidade). Lower tem um inicio bem introspectivo que logo descamba para um momento de pura insanidade e peso. O vocal de Ross merece destaque pois durante toda a execução do álbum se mantém bastante regular (sim, em estúdio isso é fácil, mas quem conhece  abanda sabe do que estou falando). Atonement tem uma pegada mais atual, mesclando o passado e o presente da banda, assim como Above All (que traz algo de thrash em seus riffs). The Power of Gods traz peso e brutalidade em um andamento mais cadenciado. O encerramento vem com Epiphany, onde os riffs merecem destaque assim como a bateria, criando um entrosamento perfeito entre todos os músicos. Uma das melhores faixas, com toda a certeza!

                              No seu décimo álbum de estúdio, o IMMOLATION prova que segue sendo uma das maiores e melhores bandas de death metal da atualidade. Sem invencionices ou qualquer tipo de modernidades em seu som, o grupo mostra em ATONEMENT que pra fazer death metal, não basta apenas querer. Ele tem que estar no sangue. E isso é fato mais que comprovado quando se fala na banda!





                 Sergiomar Menezes

BLACK STAR RIDERS - HEAVY FIRE (2017)



              Sabe aqueles discos que você já sabe o que vai ouvir, mas mesmo assim, acaba se surpreendendo com o que ouve? Com os cds do BLACK STAR RIDERS é assim que  a coisa funciona. Todos sabemos que a banda é uma espécie de continuação do legado do Thin Lizzy. Obviamente que não podemos compará-los ao saudoso grupo irlandês, uma vez que a alma e carisma de Phil Lynott não estão presentes. Mas ficarmos apenas nesta constatação seria uma imensa injustiça. O BSR é sim uma banda com identidade própria, mesmo que sempre acabemos por lembrar do já referido Thin Lizzy. Seus dois primeiros trabalhos ( All Hells Break Loose -2013- e The Killer Instinct -2015), foram muito bem recebidos pela crítica e pelos fãs. E não será diferente, pois HEAVY FIRE, lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, é ainda melhor, pois traz uma banda mais encorpada e com uma maior personalidade. E ao escutarmos as dez faixas presentes aqui (onze na versão nacional), temos a mais absoluta certeza disso.

                     Formado por Ricky Warwick (vocal/guitarra), Damon Johnson (guitarra), Scott Gorham (guitarra), Robert Crane (baixo) e Jimmy DeGrasso (bateria), o grupo, cuja história remonta ao retorno e encerramento das atividades do Thin Lizzy (o guitarrista Scott Gorham integrou o grupo de 1974 até o encerramento das atividades, sendo também o responsável pelo "retorno" do grupo em 2004) chega agora ao seu terceiro trabalho, cada vez mais com cara de banda "própria". Tendo as composições, em sua maioria sendo compostas pela dupla Warwick/Johnson (no restante, os músicos participam também como co-autores) um forte acento hard rock, com toda a atmosfera resgatando a sonoridade dos anos 70, mas sem em nenhum momento soarem datadas, as linhas de guitarra são o grande destaque do álbum. Mas também, não podemos esquecer o excelente trabalho vocal de Warwick (The Almighty), dono de um timbre perfeito para o estilo. Jimmy DeGrasso deixou a banda ano passado e hoje foi substituído por Chad Szeliga. 

                 A produção do álbum é excelente tendo ficado sob a responsabilidade de Nick Raskulinecz, tendo como engenheiros de som Nathan Yarborough e Jordan Longue. A mixagem foi feita por John Douglass enquanto que  a masterização ficou com Paul Logus. Um trabalho em equipe que resultou em algo de nível excepcional. 

                         Heavy Fire, a faixa título, abre o trabalho com aquela pegada hard tipicamente na linha do Lizzy, mas com uma cara mais pesada e moderna. As guitarras de Gorham e Damon Johnson (Alice Cooper) estão bem entrosadas e sincronizadas, mostrando que a dupla tem muito a oferecer. E tome guitarras em When The Night Comes In. Aqui, o trabalho da dupla Robert Crane e DeGrasso também se destaca, pois aliam peso e técnica em uma faixa que navega pela saguás do hard. Em Dancing With The Wrong Girl, o espírito de Lynott apareceu e transformou a faixa em uma celebração á música do saudoso grupo. A acelerada Who Rides The Tiger vem na sequência e recebe boas doses de peso, cortesia da dupla Gorham/Johnson. A melódica e "suave" Cold War Love mostra  a faceta mais próxima do pop que o grupo pode chegar, mas sem se tornar chato ou descartável. Faixa que tocaria fácil em qualquer rádio que tocasse música de qualidade no Brasil. Mas infelizmente...

                          O hard volta com intensidade em Testify or Say Goodbye. e mais uma vez, Warwick se sobressai, pois o vocalista consegue variar sua voz de acordo com o desenvolvimento de cada composição com extrema facilidade. Robert Crane comanda o peso inicial de Thinking About You Could Get Me Killed. Assim como DeGrasso que usa e abusa de sua técnica em favor da estrutura da faixa. As guitarras aqui, capricham em riffs mais pesados do que o habitual, remetendo á uma sonoridade mais atual. Em True Blue Kid, temos uma estrutura bem variada, mas com uma dose maior de groove, contrastando com momentos mais amenos. Temos mais peso em Ticket to Rise, que possui um "jeitao" Thin Lizzy e melodias de fácil assimilação. O tracklist regular se encerra com a ótima Letting Go Of Me, com riffs hard/heacy e um refrão daqueles que grudam e não saem mais da cabeça. A melodia também é um dos pontos fortes da faixa. Como bônus na versão nacional, temos a faixa Fade, uma bela balada, carregada de sentimento em sua interpretação e execução.

                        Com HEAVY FIRE o BLACK STAR RIDERS busca se estabelecer, não apenas como "aquela banda que era pra ser o Thin Lizzy sem Phil Lynott". E pode-se dizer sem medo que a banda conseguiu seu intento. Um álbum forte, intenso, tocado com alma e sentimento. Claro que existem similaridades com o grupo citado. E não teria como ser diferente. Mas a banda parece ter encontrado seu caminho. E estamos falando de seu terceiro trabalho. Prova irrefutável da qualidade e capacidade criativa do quinteto. Um dos grandes álbuns lançados em 2017.




                         
                Sergiomar Menezes
                          

segunda-feira, 1 de maio de 2017

CONCEPT OF HATE - BLACK STRIPE POISON (2015)



                    Formado em 2009 o quarteto CONCEPT OF HATE lançou seu primeiro trabalho, o EP BLACK STRIPE POISON em 2015, contendo 4 faixas onde o grupo mostrava muita garra e peso em sua música. Tendo por base o thrash metal, mas com uma maior ênfase no momento dos anos 90 (onde podemos perceber influências de Sepultura - fase Chaos AD - e Pantera), o grupo mostra muito mais do que isso, pois também é perceptível uma certa dose ( bem pequena, diga-se de passagem) de hardcore em sua sonoridade.

                  Flávio Giraldelli (vocal), Daniel Pereira (guitarra), Rafael Biebrach (baixo) e Takashi Maruyama (bateria) apresentam um trabalho curto, porém direto e bastante consistente neste EP. produzido por Sebastian Ortornol no estúdio Chile, em São Paulo ( o grupo é de Santo André/SP), o trabalho apresenta uma boa sonoridade, condizente à proposta musical apresentada pela banda. Pesado, com uma certa dose de groove (nada exagerado) e focado nas guitarras, o EP ve para anteceder o trabalho de estréia do do grupo (full lenght) que encontra-se em processo de gravação.

                        Black Stripe Poison abre o EP e nos remete àquela fase do Sepultura que a maioria dos fãs considera a melhor e mais produtiva da carreira do grupo: a dos irmãos Cavalera. Só que o Concept of Hate insere doses generosas de Pantera por aqui, principalmente naquelas "paradinhas", o que deixa a faixa um tanto mais pesada. A segunda música, In Human Nature, começa da mesma forma. Temos aquela introdução que se fazia presente em álbuns como Arise e Chaos AD, só que aqui o grupo incorpora alguns momentos mais próximos do hardcore. O vocal de Flávio se aproxima muito de nomes como Phil Anselmo e Robb Flynn (Machine Head). Chaospiracy (título bem sacado, hein?), tem um ritmo mais cadenciado, onde a guitarra manda ver com riffs pesados e ríspidos. Além disso, vale ressaltar o bom trabalho do batera Takashi Maruyama. Sanity Is Not An Option encerra o EP de forma veloz e pesada.

                           BLACK STRIPE POISON apresenta uma banda que, mesmo procurando sua identidade já apresenta características bem pessoais. O CONCEPT OF HATE tem tudo para apresentar um bom trabalho em seu álbum de estréia. Este EP lançado em 2015, nos deixa com essa sensação. Que não demore a chegar!




                   Sergiomar Menezes
                       

QUINTESSENTE - THE BELIEF OF THE MIND SLAVES (SINGLE) (2016)



               O grupo QUINTESSENTE pratica uma bela mistura entre o  Gothic, o Death e o Doom. E isso fica bem nítido ao ouvirmos este single, THE BELIEF OF THE MIND SLAVES (2016), que antecede o o lançamento do álbum SONGS FROM CELESTIAL SPHERES, que sai agora em maio de 2017. Formada em 1994, a banda lançou o EP "Lonely Seas of a Dreamer" no ano 2000 e após um relativo sucesso, acabou dando uma pausa nas atividades. Em 2015, o grupo resolveu retomar as atividades e uma prévia do resultado dessa volta, vem no formato desse single.

             O grupo é formado por André Carvalho (vocal), Cristiano Dias (guitarra), Cristina Müller (teclados e vocal), Henrique Bessa (baixo) e Mark Souza (bateria). Produzido pela banda e por Celo Oliveira, o single (assim como o vindouro álbum) foi mixado e masterizado também por Celo Oliveira no Kolera Studio. E não há o que discutir, pois o que temos aqui é uma trabalho pesado, intenso e ao mesmo tempo cristalino, onde todos os instrumentos são audíveis e muito bem timbrados.

                 O single é composto por duas faixas. A primeira , The Belief of the Mind Slaves, fará parte do álbum que será lançado ainda neste semestre. Já a segunda, Matronae Gaia, fez parte do último EP lançado pelo grupo, o já citado "Lonely Seas of a Dreamer". Com uma pegada mais próxima do death metal melódico, a primeira faixa aponta o caminho que o grupo pretende seguir, com guitarras pesadas, baixo e bateria brutais, e teclados que acabam dando um certo ar "sinfônico" á composição. Arranjo bem elaborado e um contraste muito interessante entre as vozes de  de André e Cristina surgem como destaque na composição. Já a segunda faixa, mostra uma banda mais crua, mas que já buscava uma sonoridade mais próxima da atual. 

               Este single, mostra que o QUINTESSENTE vem com tudo no full lenght que se aproxima. Ao julgarmos pela faixa presente aqui, estaremos de mais um grande álbum de destaque dentro do cenário nacional. Estamos no aguardo!




                Sergiomar Menezes

DREARYLANDS - NO POETRY LASTS (2017)



                   A banda baiana DREARYLANDS conseguiu obter nos anos 2000, uma boa repercussão de seu trabalho, ao lançar dois álbuns e um EP. Depois disso, o grupo ficou cerca de 10 anos iativo, tendo agora em 2017 lançado este mais recente trabalho. Curiosamente, trata-se de um EP (possui pouco mais de 36 minutos de duração), mas tem em seu conteúdo, 7 faixas que mostram que o tempo em que a banda esteve parada, em nada afetou sua criatividade e qualidade nas composições. NO POETRY LASTS, lançado pelo MS Metal Records, traz aquele Heavy Metal com forte aceto prog que caracteriza a sonoridade do quinteto.

                   Formada por Leonardo Leão (vocal), Rafael Syade (guitarra), Páris Menescal (guitarra), Marcos Cazé (baixo) e Louis (bateria), a banda apresenta composições de muito bom gosto e categoria, onde as guitarras são o guia para a música bem trabalhada do grupo. A dupla Rafael e Páris mostra um ótimo entrosamento, enquanto a cozinha composta por marcos e louis, mescla levadas mais quebradas com outras onde o peso se sobressai. Enquanto isso, Leandro Leão foge um pouco das características que marcam a maioria dos vocalistas de heavy metal, com um timbre bastante peculiar. NO POETRY LASTS foi produzido, mixado por Marcos Franco, Dan Loureiro e pela própria banda, enquanto que a masterização ficou sob a responsabilidade da dupla Marcos e Dan. E ficou tudo no lugar, pois podemos ouvir com clareza todos os instrumentos sem com que isso cause aquela sensação de "pasteurização" no som.

                    No Poetry é uma pequena introdução que nos prepara para Collateral Damage, uma faixa pesada e com guitarras bem timbradas, onde os riffs tem uma certa atmosfera mais próxima do prog, mesmo que a estrutura da composição nos remeta ao metal mais tradicional em alguns momentos. E como já salientado antes, o vocal de Leandro ganha destaque por ser "diferente" do que estamos acostumados a ouvir quando se trata do estilo em questão. E as guitarras sendo guiando a musica do grupo em Addiction To War. Bons riffs que ganham a companhia do ótimo trabalho riado pela dupla Marcos e Louis (baixo e bateria respectivamente). Uma estrutura repleta de boas variações, mostrando a versatilidade musical do grupo. Cantada em português, Incerto Adeus é uma das melhores faixas. Pesada, com um arranjo muito bem executado e com passagens mais lentas, a composição tem uma bela melodia. Demophobia é a faixa que mais se aproxima do heavy metal mais "puro", com riffs bem tradicionais, sendo que em alguns momentos percebemos uma pequena levada mais próxima do speed/thrash metal. Peso e melodia se confundem (no bom sentido) em Learn To Fly. Mais uma vez, Rafael e Páris se mostram mais do que competentes nas seis cordas, criando bases e  solos muito bem estruturados. A rápida Lady Light encerra o trabalho, deixando aquela sensação de que o próximo trabalho promete.

                   Mesmo tendo ficado inativa por longos anos, a DREARYLANDS mostra que não parou no tempo. Prometendo um novo full lenght agora para 2017, o grupo faz desse bom NO POETRY LASTS um "aperitivo" de luxo para o que deve vir por aí. Ótimo retorno!




                      Sergiomar Menezes