Seguidores

domingo, 30 de abril de 2017

KREATOR - GODS OF VIOLENCE (CD/DVD) (2017)



               Após "Endorama", lançado em 1999 e que chegou ao ápice com o nível de experimentalismo perpetrado pelo grupo, o KREATOR "retornou" com tudo em "Violent Revolution", um álbum que deixava de lado aquele clima mais sombrio e gótico praticado pelo grupo no álbum anterior. De lá pra cá, o grupo vem mantendo uma boa regularidade, mantendo-se sempre no topo do thrash metal, estilo que ajudou a criar e consolidar. Assim, o que temos em GODS OF VIOLENCE (2017), lançado no Brasil, na parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, pode ser apontado como um dos melhores trabalhos lançados pelos alemães, ao lado do já citado Violent Revolution. Pesado, brutal, mas ao mesmo tempo, cada vez mais acentuando sua veia melódica e externando sua influência de metal tradicional, o 14º álbum do grupo já pode, e deve, ser considerado um dos melhores lançamentos de 2017. E para deixar tudo ainda melhor, não bastasse a qualidade apresentada nas 11 faixas do CD, temos de bônus uma apresentação matadora do grupo no Wacken 2014, que consta no DVD aqui presente.

                            Miland "Mille" Petroza (vocal/guitarra), Sami Yli-Sirniö (guitarra), Christian "Speesy" Giesler (baixo) e Jürgen "Ventor" Reil (bateria) estão juntos desde 2001, provando que o entrosamento entre eles está cada vez mais afiado. Já tendo lançado cinco álbuns com   este line-up, o KREATOR está, não apenas estabilizado, mas com uma das formações mais sólidas e potentes do thrash metal mundial. GODS OF VIOLENCE foi gravado, produzido e mixado por Jens Bogren, enquanto que a masterização ficou sob a responsabilidade de Tony Lindgren, tudo feito na Suécia. E não nada a se reclamar aqui. Tudo soa perfeito. Peso, timbragem, arranjos... E não poderia ser diferente, afinal estamos falando de uma das maiores bandas do mundo! 

                             Como dito anteriormente, mesmo mantendo toda a brutalidade e agressividade que sempre (ou quase sempre) se fizeram presentes na carreira do grupo, temos aqui boas doses de melodia, o que vem sendo, também, uma constante nos mais recentes álbuns do grupo. Outro ponto bem interessante é que as influências de metal tradicional estão cada vez mais latentes. Isso tudo faz com que este álbum ganhe uma maior consistência, pois alia de forma correta todos esses elementos. Após Apocalypticon, uma breve introdução, Word War Now nos traz aquele Kreator brutal e pesado que estamos acostumados a ouvir, mas que traz consigo melodias que se encaixam perfeitamente na composição. Já Satan Is Real, apesar de possuir um andamento mais cadenciado, deixa isso ainda mais latente, mesmo que tenhamos presentes a violência dos riffs de Mille e Sami. Este último, aliás, se mostra mais uma vez, um excelente parceiro nas seis cordas para o bom e velho Petrozza. Em Totalitarian Terror temos aquele Kreator mais old school, como nos velhos tempos. Assim como na faixa título, que mesmo possuindo momentos mais introspectivos (em seu início), mostra um grupo bastante agressivo, ainda que as melodias se faça presentes. Riffs mais na "cara" é o que temos em Army of Storms, onde ventor mostra que ainda é um dos bateristas mais técnicos e brutais do estilo. E que continua sendo referência para muita gente por aí.

                              Hail To The Hordes possui características que nos remetem à época de Endorama. Mas calma, não por ter em sua estrutura elementos mais sombrios ou góticos, mas pelo andamento e pelas melodias que trazem esses traços em sua estrutura. Lion With Eagle Wings é, talvez, a faixa que melhor representa a aproximação do grupo como metal tradicional. Seja pelos riffs, solos, seja pela condução da cozinha (e aqui cabe uma menção à Christian "Speesy" Giesler, que se não é muito lembrado quando se fala do grupo, não compromete, muito pelo contrário. O baixista completa de forma eficiente a parceria com ventor, dando uma base sólida e pesada ao grupo). Fallen Brother também possui certa ligação com o lado mais tradicional, mas possui riffs tipicamente thrash. Além disso, a faixa possui um clip que faz homenagens á grandes nomes da música que já se foram. Emocionante, pra dizer o mínimo. Um raivoso Mille dá início à Side by Side, faixa rápida e bastante agressiva. O tracklist regular se encerra com Death Becomes My Light, outra faixa onde o metal tradicional aflora de forma mais incisiva. Não bastasse toda a grandiosidade das onze faixas regulares, temos ainda uma faixa não creditada no encarte. trata-se de Earth Under The Sword, uma composição que mantem as características presentes em todo o álbum.

                           Ainda, mesmo que o CD faça jus a cada centavo investido nele, temos um DVD com o show que o grupo fez no Wacken em 2014. Quem já teve a oportunidade de assistir à uma apresentação do quarteto sabe que a coisa aqui é mais do que profissional. Som, luz e uma pegada perfeitos, com destaque para a performance de palco do baixista Christian, que compensa toda a estaticidade do guitarrista Sami. Um único senão que fica para o DVD é essa mania que algumas banda têm, e se não me falha a memória, não é a primeira vez que o Kreator faz isso, é a de usar as imagens com um tom "granulado", que por vezes parece que a tela está suja. Não compromete mas, não precisava desse "efeito".

                        GODS OF VIOLENCE vem para reafirmar (mas sinceramente, não sei se isso é necessário) a posição do KREATOR como uma das maiores bandas de THRASH METAL mundial. Um álbum que vai entrar como destaque na discografia do grupo e que com toda a certeza, estará em várias listas de melhores do ano nos sites e revistas especializadas. podem anotar aí.




                        Sergiomar Menezes
                          

sábado, 29 de abril de 2017

MALKUTH - EXTREME BIZARRE SEDUCTION (2016) (RELANÇAMENTO)



                       O Black Metal, sem dúvidas, é um estilo muito forte no Brasil. E podemos afirmar com toda a certeza que o MALKUTH é uma das grandes forças nesse sentido. O grupo pernambucano, fundado em 1993, se tornou, ao longo desses quase 25 anos de estrada, uma das lendas do metal extremo nacional. Tendo neste período lançado seis álbuns oficiais, uma parceria entre os selos Obskure Chaos Distro (SP) e Ihells Productions (BA) se formou para que fosse recolocado no mercado EXTREME BIZARRE SEDUCTION, lançado originalmente em 2001, dessa vez, contendo três bônus track, no caso, faixas ao vivo gravadas em 2002.

              Na época do lançamento, o grupo era formado por Sir Ashtaroth (vocal/guitarra), Holocausto (baixo), Daniela Nightfall (vocais femininos/teclado), Cyber Necro Daemon (teclado) e Nightfall (bateria). O trabalho foi produzido pela própria banda em parceria com Proclo e foi remasterizado por Hugo Veikon. E ao ouvir atentamente o álbum, fica nítido e claro o porquê do grupo ser considerado um dos principais nomes brasileiros. Muita fúria e peso nas guitarras, que em seus riffs acabam trazendo ás faixas, todo o ódio presente nas letras do grupo. Profano, blasfemo, sombrio... Black Metal como o Black Metal tem que ser. Além disso, o uso dos teclados de forma correta e os vocais femininos (não na proporção mais comumente utilizada), acabaram também fazendo a diferença em favor da banda.

                      Com a agressividade e brutalidade aliados à passagens bem colocadas dos teclados, The Cry of Adelain (Embrace The Lesbian Goddes) abre o álbum de forma certeira. Os vocais de Sir Ashtaroth são gélidos e ao mesmo tempo, extremamente viscerais, criando uma atmosfera ainda mais densa e soturna. Deep Melancholy State: A Poetic Suicide in the Name of Loucyfer, novamente, possui momentos em que os teclados ganham destaque, sem que com isso, o grupo perca sua forma ácida e raivosa de execução. Em My Crucial Story About Jesus-Sinner, temos uma maior voracidade e violência, seja na velocidade a qual Nightfall conduz sua bateria, seja pelos riffs ríspidos e mortais de Sir Ashtaroth. Devil Bride, Our Erotic Dark Desires tem como ápice os vocais femininos, onde Daniela Nightfall impõe sua voz limpa criando um clima bastante "carregado" ao constratar com a voz rasgada e gutural do vocalista. Já a faixa título é uma composição mais "direta", tipicamente back metal, mesmo que em determinados momentos, passagens mais atmosféricas se façam presentes (cortesia dos teclados).

                     Gilles de Rais, Lord of Rais tem riffs agressivos, e particularmente falando, considero essa uma das melhores faixas do álbum. A guitarra aqui se sobressai em relação aos teclados, mostrando que, mesmo se tratando de um estilo mais "reto", que não aceita muitas variações, o black metal do grupo não se restringe à nenhum tipo de limitação. Já Lapidis Funebris é uma faixa bem trabalhada, com momentos mais porrada, por vezes direta e sem concessões, enquanto que em outros momentos, se mostra mais introspectiva. ...And The Ancient Witches Consume Psychotropic Tears, começa de forma bem sutil, com os vocais de Daniela mais simples e diretos, mas logo após ganha peso e intensidade. A última faixa da versão original é a porrada The Demon's Marks in my Skin. Uma música que tem um certo acento thrash em seu andamento.  Como dito anteriormente, neste relançamento temos a adição de três faixas ao vivo, sendo duas que constam no álbum ( Deep Melancholy... e Devil Bride...) além de Feast of the Grand Whore, cover do Rotting Christ.

                      Após 16 anos, EXTREME BIZARRE SEDUCTION se mostra um álbum ainda forte e bem consistente. Uma prova irrefutável da importância e relevância do MALKUTH para o black metal nacional. Se você é fã do estilo, mas ainda não conhece (ia) o grupo ou este álbum, esta é sua chance de se redimir!

 . 

                         
                  Sergiomar Menezes

quarta-feira, 26 de abril de 2017

ROADIE METAL - VOLUME 9 (2017)



                      Lutar pelo underground não é tarefa das mais simples. Muito menos das mais fáceis. Ainda mais se pensarmos que estamos no Brasil. Um país que tem por hábito, enaltecer a música sem qualidade e que serve apenas para "distrair" a população. Mas graças aos deuses do rock, nós, apreciadores da música honesta e de qualidade podemos contar guerreiros e batalhadores da cena por aqui. E um deles é o brother Gleison Júnior que vem levando a cabo uma das mais importantes coletâneas do estilo neste pobre e mal administrado país. A ROADIE METAL chega ao seu VOLUME 9, trazendo nada mais nada menos do que 34 bandas dos mais variados estilos provando que o rock, seja em qual vertente for segue firme  forte por aqui.

              Como sempre, mas nunca é demais relembrar, a ROADIE METAL é distribuída gratuitamente. Ou seja, você conhece muitas bandas de forma gratuita, sem precisar fazer nenhum tipo de download pela internet. Com a mais bela capa de todas as edições (na minha opinião), fia difícil fazer um comparativo entre as edições, mas que esta edição concorre seriamente ao posto de uma das melhores, isso não há como negar. Sem contar com um "medalhão" (algo que ocorreu em algumas edições passadas, a coletânea segue firme e forte na luta e divulgando bandas que estão na batalha para conseguir um lugar ao sol neste disputado cenário que é o underground brasileiro.

                          Nos dois cds temos a divisão em 17 faixas cada um. No primeiro podemos destacar, apesar da homogeneidade, algumas bandas que acabam por mostrar maiores atributos, como é o caso da Ruins of Elysium, que pratica um epic symphonic metal com vocais masculinos, sendo no caso um tenor (!?), a pegada rocker/thrasher da Older Jack, o metal alternativo e pesado da Pato Junkie, o rock psicodélico e pesado da Stoneria, o rock pesado com nuances puxadas para o lado alternativo do Cálida, o metal tradicionalmente old school do Stonex, o metal com influências de Chico Science e a turma do Mangue Beat do Ozome, o rock bem trabalhado e bem produzido do Marco Zero e o bom heavy metal da Indominus (que peca apenas pela produção, que deixou a música do grupo um pouco aquém do que ficaria com uma melhor apresentação).

                       No segundo CD, temos o início com a banda Heavenless, que pratica um metal pesado, intenso e cheio de ódio,  e seguimos com o Core Divider com seu thrah/groove a lá Pantera, o heavy metal cheio de peso do Concept of Hate, o Vultures com sua pegada blackened thrash, a virtuose  e classe do guitarrista Patrick Pedroso, o Elizabethan Walpurga com seu metal por vezes tradicional, por vezes black, o metal blasfemo e profano do Sagrav e o som inspirado em Misfits e cheio de horror do Rinits Horror Show.

                          Como dito também nas edições anteriores, muito mais do que uma simples coletânea, A ROADIE METAL presta um enorme serviço À nação headbanger e fã de rock do Brasil. Aqui pouco importa a qualidade da gravação. O que vale  e muito aqui é o amor e dedicação ao underground, que faz com que qualquer pequeno deslize (e sim, nesse tipo de trabalho isso sempre acaba acontecendo) passe despercebido tamanha a relevância do material. mais uma vez, parabéns ao Gleison Júnior por acreditar e seguir na batalha pelo underground. Que venham mais e mais coletâneas desse nível!

     
                      Sergiomar Menezes

     

                    

domingo, 23 de abril de 2017

MORTUO - OLD MEMORIES OF THE PAST (2015)



             Fazer Black Metal não é fácil. Sejamos sinceros. Muitas vezes, algumas bandas lançam álbuns sem nenhum tipo de preocupação com as estruturas das músicas, com produções porcas, vocais inintelingíveis e pensam que isso é soar "true". Só que acabam sim, soando patéticas. Black Metal não é nem nunca foi sinônimo de música tosca ou mal tocada. E pra comprovar isso, temos aqui esse petardo da "one-man-band" MORTUO. OLD MEMORIES OF THE PAST é um senhor disco de black metal. Tudo aqui nos remete aos bons tempos do estilo. Orquestrações sem muitas "firulas" (apesar de muito bem estruturadas), guitarras ríspidas e arranjos muito bem pensados. 

                Formada por Vox Morbidus (vocal, guitarra, baixo, bateria e teclados), a banda tem sua data de formação o ano de 2004, com o nome de Evilusions, onde apenas algumas demos foram gravadas. Retomando as atividades sob o nome atual em 2013, e aproveitando alguns riffs do passado, o grupo lançou em 2015 este seu primeiro trabalho. Também produzido por Vox Morbidus (ou seja, o cara "bate escanteio e cabeceia"), o cd é uma bela amostra de que trabalho e perseverança, quando feitos com dedicação, rendem bons frutos. Em 10 faixas, o black metal surge imponente, mesmo que trazendo influências do metal tradicional (não tinha como ser diferente), o que temos aqui são músicas repletas de vocais rasgados, bateria veloz, passagens sinfônicas ( mas sem exageros) e guitarras agressivas, como o estilo deve ser.

              In All The Places inicia o álbum e soa como uma introdução para Obscure Ancient War, uma faixa tipicamente black metal. Desde às guitarras, com seus riffs insanos, passando pela bateria alucinante e os vocais inspirados, a faixa condensa em sua atmosfera, todo o clima que o estilo deve possuir. Assim como For Profanation, cuja velocidade contrasta perfeitamente com as passagens climáticas dos teclados. E a produção proporciona que isso seja percebido em detalhes. Mais um ponto positivo para o trabalho. Já Hunting in the Darkness é um dos grandes destaques do álbum. pois traz a voracidade do estilo amparada por momentos que soam melódicos, sem que isso traga nenhum demérito ou torne  a música confusa. E mais uma vez, os vocais mostram a aspereza e brutalidade sem que precisem soarem desconexos. Outra grande faixa é Road Of Evil. Com um andamento mais cadenciado, mas nem por isso menos brutal, a faixa ganha velocidade e intensidade de forma correta, mostrando a capacidade de composição de Vox Morbidus.

           Past I: The End of Hope também possui um andamento mais "ameno", com passagens até mesmo atmosféricas dos teclados. O que não faz com que as guitarras mostrem toda crueza e agressividade que se fazem presentes em toda a  execução do cd. Old Memories Of The Past, a faixa título, começa atmosférica, mas ganha peso, cm uma pegada quase thrash, muito mais pelos riffs iniciais, pois logo, avalanche black toma conta de toda e estrutura. Past II: The Consequence  é uma espécie de interlúdio, composta e  excecutada ao teclado, criando um clima soturno para a próxima faixa. Devil Eyes (Evilusions Tribute) como o subtítulo entrega é uma música dos tempos passados da banda e tem no metal tradicional sua base. O encerramento vem com Raise the Dead, cover do Bathory, um tributo á uma das grandes influências do grupo e um dos maiores nomes do estilo. 

               OLD MEMORIES OF THE PAST, mesmo sendo apenas o álbum de estréia da MORTUO, mostra uma banda que tem o black metal correndo em suas veias. Músicas intensas, agressivas e bem arranjadas, trazem aquilo que todo fã do estilo esperam: brutalidade e rispidez amparados por uma produção que valoriza cada detalhe das faixas. Um dos grandes álbuns do estilo lançados no Brasil!




               Sergiomar Menezes

sábado, 15 de abril de 2017

STONEX - SEEDS OF EVIL (2015)



           Formada em 2012 em Aracaju, Sergipe, a banda STONEX mostra, mais uma vez, que o Nordeste brasileiro é rico e prolífico quando o assunto é Heavy Metal. Exemplos não faltam. Jackdevil, Fúria Louca, Headhunter DC, entre outras, são  aprova viva que, independente do estilo adotado, o Metal vive e pulsa firme e forte naquela região. E os sergipanos não fogem à regra. Sem um estilo definido, mas flutuando entre o metal dos anos 80 (com uma maior influência da NWOBHM), mas investindo em várias vertentes, o hoje quinteto, lançou em 2015, de forma independente, o EP SEEDS OF EVIL, contando com 4 faixas que carregam consigo, aquela atmosfera típicamente oitentista, mas sem se prender ao passado.

                Na época do lançamento, o grupo era formado por Ramon Guerreiro (vocal), Marcelo Hazz (guitarra), Atilio Bass (baixo) e Adriano Cardoso (bateria). Hoje, após  a saída de Atilio, o grupo conta com Alessandro Mongini nas quatro cordas, enquanto que houve a adição de mais uma guitarra, à cargo de Dálvaro Soares. O trabalho foi gravado no Rikeza Sonorização entre agosto e setembro de 2014 e foi produzido pela própria banda e Riqueza, e dentro de suas imitações, ficou de bom nível. Com uma sonoridade calcada entre o que Iron Maiden e Judas fizeram em seus áureos tempos (se bem que ambas as bandas estão nesses áureos tempos há muito tempo...), o grupo traz riffs inspirados, cozinha bem trabalhada e um vocal que foge um pouco das características "normais" do estilo. Cantando de forma mais rasgada, Ramon mostra personalidade, mas em alguns momentos, acaba ficando um pouco aquém do que a música pede. Nada que o tempo de estrada e alguns ajustes na hora da produção não resolvam. E, não esqueçamos, este é o primeiro trabalho do grupo. E o que ouvimos nas quatro faixas aqui presentes, vemos que o grupo tem futuro.

                 Dressed in Black tem guitarras bem timbradas e uma veia na linha anos 80. O solo ficou muito bom, enquanto a cozinha, mostra entrosamento, com linhas bem variadas e pesadas. O que acaba "pecando" aqui, é uma maior definição quanto ao que o grupo pretende daqui pra frente, pois apesar de bem composta e executada, a faixa nos traz aquela sensação de déjà-vu, pois parece que já escutamos isso alguma vez. Electric Sky já tem guitarras mais voltadas aos anos 70, com um quê de Sabbath/Led/Purple. A guitarra, mais uma vez, ganha destaque, com passagens bem estruturadas. Se na faixa anterior, tínhamos uma veia anos 70 bem perceptível, em Maggots On My Brain, o bom e velho Sabbath surge ainda mais imponente. Marcelo Hazz se mostra um grande guitarrista pois seus riffs não se mostram repetitivos nem sem criatividade. O encerramento vem com Master of the Pit, uma faixa que resume bem as influências do grupo. Mesmo tendo uma levada tipicamente heavy metal old school, podemos ouvir ecos de hard rock em sua estrutura, o que mostra que o gruo não se limita aos estereótipos muitas vezes criados pelo "estilo".

                   O STONEX em seu trabalho de estréia mostra que tem potencial para buscar seu lugar ao sol no disputado cenário nacional. SEEDS OF EVIL possui boas composições, mesmo que o grupo ainda esteja começando, é necessário pensar melhor algumas passagens e também, algumas linhas de composição, para que não sejam apenas mais uma banda no estilo. Talento e criatividade eles demonstram ter. Basta uma pequena lapidada para o próximo trabalho.





              Sergiomar Menezes
                 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

LANCER - MASTERY (2017)



                        Um power metal moderno, mas com uma dose, modesta é verdade, de metal melódico. Mas que busca mesclar peso e melódia de forma consistente. Dessa forma podemos classificar a sonoridade do grupo sueco LANCER, em seu terceiro trabalho, o bem trabalhado e executado MASTERY, lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast. Fugindo daquele zona de conforto onde muitas bandas do estilo estacionaram e parecem ter preguiça de sair, o quinteto aposta em uma música intensa e vigorosa, onde as guitarras guiam o álbum, mostrando que a Suécia é um país aberto às mais variadas sonoridades.

                     Formada em 2009, a banda é composta por Isak Stenvall (vocal) Fredrik Kelemen (guitarra), Ewo Solvelius (guitarra), Emil Öberg (baixo) e Sebastian Pedernera (bateria). Neste trabalho,  a produção ficou sob a responsabilidadede Gustav Ydenius e da própria banda, e pode-se dizer que ficou excelente, uma vez que os instrumentos soam nítidos e cristalinos, mas ao mesmo tempo, tem o peso necessário, o que faz com que o cd soe como o power metal deve soar. O trabalho em conjunto tambem se deu em parceria, enquanto que a mixagem ficou à cargo do renomado Miro (Kamelot, Avantasia, Rhapsody). Mesmo pendendo em certos momentos para o lado melódico do estilo, o LANCER deixa explícito no encarte do álbum que não houve, em nenhum momento das gravações a adição de teclados. Soa "true" ou não? Mas a verdade é que o grupo não se apega a esse tipo de coisa. Nas dez faixas que compõem o trabalho, isso fica bem nítido. Temos ainda uma bônus track, incluída na versão nacional. E não podemos esquecer de citar a bela capa, algo recorrente quando se fala em power metal, principalmente no europeu.

                          Como dito antes as guitarras guiam o trabalho, que tem nos riffs e solos os pontos altos do cd. Mas não dá pra não falar no que o vocalista Isak faz aqui. Dono de um timbre peculiar, ele não busca apenas exercitar sua voz e fazer demonstrações de auto-indulgência. Buscar dar a música o que ela pede, o música também é um dos destaques aqui. Faixas como Dead Raising Tower, um power bem bem típico, principalmente na seção rítmica, que guarda certa similaridade com os momentos mais pesados do Hammerfall, Mastery, faixa título, muito bem arranjada e com aquela pegada característica, onde os bons riffs da dupla Fredrik e Ewo comandam a execução de forma eficiente, Victims of The Nile, que, se num primeiro momento soa como uma balada, ganha peso e agressividade durante seu andamento, e tem na interpretação do vocalista um belo exemplo de como soar destacado sem com que isso atrapalhe a performance do restante do grupo, Iscariot, que tem no Helloween antigo uma grande inspiração, Freedom Eater pesada e bem acelerada (aqui o baixo de Emil Öberg ganha maior "visibilidade") e Widowmaker, que tem um pézinho no Hard (assim como a faixa bônus, The Wolf and The Kraken), mostram um grupo que já faz por merecer um maior destaque dentro do cenário.

                          Neste terceiro trabalho, o LANCER dá provas que o estilo que para muitos se mostra estagnado, está mais vivo do que nunca, com bandas que não param no tempo e não se acomodam. MASTERY é um álbum que deve ser ouvido por fãs de heavy metal em geral, que não se prendem á rótulos. Se assim o fizerem, descobrirão uma banda que logo,logo, pode figurar entre os grandes nomes do estilo na atualidade.



                


                   Sergiomar Menezes

domingo, 2 de abril de 2017

FLAGELADÖR / AXECUTER - HEADBANGERS AFTERLIFE (2016)



             E os anos 80 vivem! Se há alguma dúvida, basta ouvir o split/cd lançado pelas bandas FLAGELADÖR e AXECUTER para que isso fique claro. Desde a capa até a produção, passando pelas letras, sonoridade, visual e atitudes dos grupos, o que temos aqui é uma volta á década de ouro do Heavy Metal. Enquanto a primeira canta em português, a segunda escolheu o inglês como língua mãe. mas ambas jogam suas fichas naquele estilo mais tradicional do metal, mas que incorpora elementos do thrash e até mesmo do hard em suas composições. HEADBANGERS AFTERLIFE traz cinco faixas de cada grupo. Coincidência ou não, ambas as bandas são formadas por trios. A boa e velha formação guitarra, baixo e bateria!

                   O Flageladör é composto por Armandö Macedö (vocal e guitarra), Turkö Basüra (baixo) e Hugö Golön (bateria) e tem uma sonoridade mais suja, resgatando um pouco daquele speed metal oriundo da década de 80. Com uma produção um pouco inferior, o grupo passa seu recado de forma simples e direta, Já o Axecuter é formado por Danmented (vocal e guitarra), Rascal (baixo) e Vigo (bateria) e tem no metal tradicional sua base, mas o grupo também resgata momentos próximos do thrash em sua forma de compôr. E a produção das faixas apresentadas pelo grupo é melhor do que a do Flageladör. Mas nada que faça com que uma banda se sobreponha à outra, afinal estamos de falando de bandas muito similares e que tem no metal dos anos 80 sua grande inspiração. E a capa... basta uma rápida olhada e tudo fica claro!

                   As cinco primeiras faixas competem ao Flageladör. E tome speed/metal tradicional na veia! Desde a faixa instrumental As Intermitências da Morte, passando por Terceira Guerra Mundial, A Canção do Aço, Sangue Negro, Alimento das Bestas e chegando ao encerramento como cover de Filhos da Bomba ( uma mais que justa homenagem ao grande e infelizmente falecido Celso Blues Boy), o trio de Niterói (RJ) deixa nítida toda sua influência do thrash, death/black e da NWOBHM. Uma pena a produção ter ficado um pouco aquém em termos de maior clareza, mas o que vale aqui é a intenção, e o grupo acerta em cheio! Já o Axecuter, apresenta também cinco faixas, inspiradas também no metal dos anos 80, mas com uma maior vidência para o metal tradicional. Nada de modernismos, sonoridade atual, "barulhinhos" ou qualquer coisa que lembre as produções mais atuais. O que temos aqui é o bom e velho metal, como ele se apresentava em seus primórdios. Attack, Creatures In Disguise, In For The Kill, Medieval Tyranny e o encerramento com o cover de Gimme More, do Kiss, provam que o aquele lado amis "true" do heavy metal ainda vive. 

                   Apesar da certa disparidade nas produções, o split mostra duas bandas que exaltam os anos 80, cada uma à sua maneira. Seja buscando o lado mais  veloz e agressivo, seja optando pelo lado mais tradicional e trabalhado, os grupos dividem não apenas esse split, mas também a paixão pelo heavy metal. E isso hoje em dia, parece ser raro de encontrar...



                   


                Sergiomar Menezes

TERRORSPHERE - BLOOD PATH (2016)



               A banda paranaense TERRORSPHERE surgiu em 2014 oriunda das cinzas da banda Invisible Enemy. E neste pouco espaço de tempo, o grupo amadureceu sua sonoridade e estréia lançando um EP intitulado BLOOD PATH. Trazendo em sua sonoridade uma atmosfera que aproxima o death metal old school do thrash metal, o grupo apresenta 05 faixas brutais e diretas, como suas influências deixam bastante claro (Deicide, Cannibal Corpse, Death e Morbid Angel - pelo lado Death Metal- e Destruction, Korzus, Slayer, Sepultura e Exodus - pelos lados do Thrash Metal). 

                   Formada por Werner Lauer (vocal e baixo), Francisco Neves (guitarra), Udo Ricardo (guitarra) e Victor Oliveira (bateria), a banda aposta numa sonoridade bastante suja e agressiva, deixando bem nítida que a veia death metal predomina de forma mais direta em suas composições. O EP foi produzido por Júnior Ribeiro, Lucas Camporezzi e pela própria banda , tendo sido mixado e masterizado no Áudio 13 (onde também foi gravado). E aqui fica um pequeno porém: apesar da sonoridade bem brutal, o vocal ficou um pouco abafado. Não sei se essa era a intenção, mas acaba destoando um pouco do restante, pois em alguns momentos, além de abafado, a voz do baixista Werner fica mais baixa e quase que some, ficando "distante". Não compromete, mas é algo para se atentar no próximo trabalho. Mesmo sendo a estréia do grupo, o mercado nacional anda muito disputado, e ás vezes, pequenos detalhes acabam fazendo a diferença. Mas o grupo mostra personalidade  e muita criatividade nas cinco faixas presentes aqui.

                     Cantada em português, Assassinos abre o EP de forma bastante agressiva. Riffs bem característicos e uma levada de bateria insana, transformam a faixa num dos destaques do trabalho. Ainda, um refrão forte e cheia de ódio merece ser citado. Com uma letra que retrata um pouco daquilo que vemos no nosso dia, a faixa tem guitarras ríspidas durante toda sua execução. Na sequência, War Curse, aproxima o grupo do Thrash, mas mantendo a pegada voltado para o death metal. E isso ficou muito bem dosado pelo grupo, mostrando um entrosamento coeso na cozinha, onde o baixista/vocalista Werner "divide" o peso com o baterista Victor. E mais uma vez, as guitarras explodem riffs violentos e raivosos. Por falar em guitarras, o detah metal que salta aos ouvidos em Terror Squad, mesmo sendo uma faixa mais cadenciada em alguns momentos, é de total responsabilidade da dupla Francisco e Udo, que assim como a cozinha, mostram grande sintonia. Mais doses generosas de Thrash metal é o que temos em Blood Path. A faixa título mostra que o grupo não se prende aos rótulos que por vezes acabam cerceando muitas bandas. Uma pena que o vocal aqui ficou abaixo do que a faixa pediu. mas acredito que ao vivo isso deve ser sanado. O encerramento vem com Mind Control, mais uma faixa com todas as características do death metal, tendo sua vertente mais próxima daquele death old school. 

                      Neste EP de estréia o TERRORSPHERE mostra que tem disposição e muita vontade de adentrar no disputado cenário do metal extremo nacional. BLOOD PATH é um bom trabalho que peca apenas em pequenos detalhes que, sem dúvidas, servirão de aprendizado para o grupo, afinal, estamos falando de sua estréia. Nas cinco faixas apresentadas aqui, os paranaenses mostram grande potencial, o que na minha opinião, irá se confirmar ainda mais no seu próximo trabalho.





                 Sergiomar Menezes

VESCERA - BEYOND THE FIGHT (2017)



              O norte americano Michael Vescera possui uma longa carreira, bem como uma extensa discografia. Seja participando como membro convidado, seja como integrante fixo, o talentoso vocalista sempre empresta seu carisma e voz deixando sua marca. E agora, cerca de 35 anos após sua estréia em estúdio com o grupo Obsession, é chagada a hora de dar seu nome à sua nova banda. VESCERA chega ao mercado, após o vocalista assinar um contrato mundial com a Pure Steel Records, lançando BEYOND THE FIGHT, um álbum que resume de forma completa tudo que o músico fez ao longo dos anos, mas visa um futuro promissor, sendo acompanhado por músicos igualmente talentosos.

                   Além do próprio Vescera, o grupo é formado por ex-integrantes do grupo Nitehawks. Contando com Mike Petrone (guitarra), Frank Leone (baixo) e Fabio Alessandrini (bateria), o line-up une estados Unidos e Itália, formando uma bela mistura entre o heavy metal norte-americano e o metal melódico europeu. Pode até soar meio estranho, mas temos aqui um trabalho de classe e extremo bom gosto, o que já era de se esperar, tendo em vista a qualidade dos músicos envolvidos. Falar sobre Michael Vescera é até desnecessário, pois a longa carreira do vocalista fala por si. Mas nunca é demais lembrar que suas passagens pelo já citado Obsession, pelo Loudness, pela banda de Yngwie Malmsteen, pelo nosso Dr. Sin e pelo MVP (Michael Vescera Project), não deixam dúvidas sobre seu talento. E aqui, temos músicos experientes e que carregam consigo técnica e criatividade, com destaque para o guitarrista Mike Petrone, que traz riffs e solos inspirados, enquanto a cozinha composta por Frank e Fabio, capricha em bases sólidas e bem estruturadas. Com uma bela produção, o trabalho irá agradar não apenas aos fãs de Vescera, mas a todos que apreciam um hard/heavy cheio de classe.

                      Apresentando 09 faixas, o álbum apresenta composições cheias de muita técnica e uma veia hard/heavy, mas com um peso maior para o lado heavy da coisa. Isso já fica claro na primeira faixa, a intensa Blackout in Paradise, onde, apesar da velocidade que nos remete ao metal melódico, os riffs "old school" de Mike Petrone guiam a faixa por um caminho mais pesado. E o refrão que quebra o ritmo veloz, também acaba se destacando. In The Night tem um atmosfera mais hard, mas mantém o estilo proposto pelo grupo sem alterações significativas, enquanto que Stand and Fight é heavy metal puro e clássico, com linhas bem marcadas, tanto na melodia quanto no ritmo, mostrando mais uma vez toda a categoria do guitarrista italiano. E isso é importante salientar, apesar de levar o sobre nome do vocalista, o que ouvimos aqui é o trabalho de uma banda, sem que apenas Michael ganhe destaque. O peso no andamento de Dynamite se contrata com o refrão melódico e de fácil assimilação. Looking For Trouble é uma das melhores faixas, bem trabalhada e calcada em riffs fortes, o faixa mescla de maneira eficiente a veia hard/heavy que o vocalista sempre demonstrou ao ongo de sua carreira. Vendetta se aproxima mais do metal melódico, mas durante sua execução ganha peso e volta a flertar de forma bem direta com o metal tradicional. Troubled Man traz, talvez, a melhor interpretação do vocalista no álbum. Cantando de forma mais intensa e usando a voz de forma que só quem tem experiência pode fazer, Vescera usa os "atalhos" que aprendeu durante esses anos e nos entrega uma performance cheia de feeling e técnica. Assim como em Never Letting Go, onde o norte americano, mais uma vez, esbanja categoria. O encerramento vem com Suite 95, uma faixa voltada mais para o power/metal tradicional.

                    BEYOND THE FIGHT é um trabalho digno da história do Michael Vescera. Com certeza, pode figurar entre os melhores álbuns da extensa carreira do vocalista. Acompanhado por músicos talentosos, VESCERA é um CD que vai agradar a todo fã de heavy metal, bem como aqueles que curtem um Hard/Heavy mais voltado para o lado clássico.  Um trabalho que faz justiça ao experiente vocalista!





                 Sergiomar Menezes