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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

TORTURIZER - FACELESS (EP) (2016)



              A banda TORTURIZER foi formada em São Luís, Maranhão em 2011 com o intuito de fazer um thrash metal visceral e agressivo. Tendo como influência nomes como Sepultura, Torture Squad, Slayer, Sadus, Carcass, entre outros, o grupo lançou em 2016 seu primeiro registro, o EP FACELESS. E podemos dizer que o objetivo inicial foi atingido! Sem nenhum tipo de concessão, o trio coloca o popular "sangue nozóio" em cada faixa presente neste trabalho. Buscando inspiração no lado mais brutal do Thrash Metal, a banda traz sete faixas (contando com uma introdução), onde coloca toda sua fúria e garra de forma bastante consistente.

                 Formada por William Vieira (baixo/vocal), Luís Baldez (guitarra) e Wilton Vieira (bateria), a banda apresenta músicas fortes, com guitarras que fazem uma aproximação entre o Thrash e o Death Metal, mas com uma ênfase maior ao estilo que consagrou nomes como Sepultura e  Slayer, Já a cozinha, carrega no peso, onde o baixo e a bateria mostram grande entrosamento e coesão. Aliás, alguns blast beats aparecem por aqui, o que corrobora esse lado mais agressivo do trio maranhense. Lançado de forma independente, o EP teve a produção, mixagem e masterização sob o comando do guitarrista Luís Baldez. E pode-se dizer que ficou boa, mas poderia ser um "pouquinho" mais polida. Claro que o som do grupo pede uma sonoridade mais suja e direta. Mas acredito essa "polidez" á que me refiro, não traria nenhum demérito ao trabalho. Acho até que ele poderia ficar mais pesado. Mas de forma alguma isso atrapalha  audição, pois a música do grupo nos atinge de forma certeira.

              A intro Bloodthirsty nos prepara para a primeira pedrada. Faceless, a faixa título, começa com um peso avassalador, abrindo caminho para as guitarras nervosas de Luís Baldez. Já a dupla William e Wilton (baixo e bateria, respectivamente, e que são irmãos), se encarrega de criar uma base sólida e pesada. Com passagens mais cadenciadas, a faixa mostra que o grupo não brinca em serviço. Human Collector segue essa linha, com mais um bom trabalho de baixo e bateria. Já Torture Machine começa de forma mais cadenciada e marcada, o que nos leva a crer que manterá essa batida, mas logo me seguida ganha velocidade. Carnivore já começa rápida e direta, com os vocais de William mostrando uma mistura entre a agressividade do thrash e a brutalidade do death metal. Death Emperor talvez seja a faixa que mais se aproxima do death, mas durante sua execução, ganha contornos mais trabalhados e passagens até mesmo introspectivas. O encerramento vem com a porrada Death Lights, onde as guitarras comandam o massacre sonoro.

               Com o pouco tempo de estrada, o TORTURIZER mostra que tem um grande potencial. FACELESS apresenta uma banda que mesmo trazendo uma gama de influências significativas, mostra personalidade. Uma melhor produção em um próximo trabalho deixará isso ainda mais evidente. Indicado para os fãs de um thrash old school, brutal e agressivo!






                 Sergiomar Menezes

FREEDOM CALL - MASTER OF LIGHT (2016)



               Formada em 1998 pelo vocalista Chris Bay e pelo baterista Dan Zimmermann (ex-Gamma Ray), a banda FREEDOM CALL chega agora ao seu 9° trabalho de estúdio. Buscando resgatar um pouco daquela pegada de seus trabalhos iniciais, MASTER OF LIGHT, lançado em 2016 e que chega por aqui através da Shinigami Records, traz 12 faixas onde aquele power metal melódico característico do grupo mostra, com guitarras mais pesadas, o estilo ainda vive. Obviamente que o excesso de bandas acabou meio que saturando o metal melódico, mas cabe aos fãs separarem as bandas de qualidade daquelas que apareceram pra aproveitar o momento. E os alemães do FREEDOM CALL se encaixam, com toda a certeza, na primeira turma.

                O grupo hoje é formado pelo vocalista/guitarrista Chris Bay, pelo também guitarrista Lars Rettkowitz, pelo baixista Ilker Ersin e pelo baterista Ramy Ali. Após várias mudanças de formação, apenas Chris Bay permanece da formação original (o baixista Ilker Ersin, integrou o grupo nos primeiros anos, saiu e agora está de volta). Mesmo assim, a essência do som do grupo continua intacta, ou seja, aquele power metal, por vezes mais melódico, influenciado por nomes como Helloween, Gamma Ray, Iron Savior, entre outros, está presente. Produzido por Chris Bay e por Stephan Ernst, o álbum apresenta uma sonoridade limpa, mas que não esquece de manter uma certa dse de peso, afinal, estamos falando de um cd de heavy metal, não é mesmo? Já a mixagem e masterização ficaram sob a responsabilidade de Stephan Ernst. A capa, dessa vez traz um desenho simples e que foge um pouco do estilo que a banda sempre adotou nesse quesito. 

                 Nas doze faixas apresentadas aqui, o grupo navega com facilidade e bom gosto pelas águas do já citado metal melódico, mas sem esquecer daquele lado mais pesado do power metal germânico. Sem muito o que inventar, a banda busca resgatar, como dito anteriormente, uma linha mais voltada aos seus primeiros trabalhos, onde o melódico era "auxiliado" pelo peso (quando digo isso, me refiro ao peso das bandas do estilo, que fique claro), e ganhava mais intensidade. Podemos destacar algumas faixas, como a abertura com Metal Is For Everyone, uma daquelas cujo refrão foi feito para se cantar junto nos shows. Melódica, mas com passagens mais cadenciadas e pesadas, a faixa vai agradar em cheio os fãs. Assim como Hammer of the Gods, que tem uma atmosfera que nos remete aos bons momentos do Stratovarius. World Beyond poderia estar em um trabalho do Gamma Ray que passaria como uma composição do grupo de Kai Hansen. E tome metal alemão com Emerald Skies, Hail The Legend, Riders in The Sky e High Up.

                Resumindo, MASTER OF LIGHT consegue, sim, resgatar o que o FREEDOM CALL fazia em seus primeiros trabalhos mas sem que isso se torne, digamos assim, datado. Com melodias bem estruturadas e com guitarras que dão uma dose de peso, fazendo com que essa junção fique no lugar certo, o grupo alemão acerta de forma eficiente. Que mantenha esa pegada nos próximos trabalhos. Os fãs do power metal/melódico agradecem.






             Sergiomar Menezes

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

ARKONA - VOZROZHDENIE (2017)



             Regravações sempre são arriscadas. Não são raros os casos onde uma banda regrava um trabalho clássico (ou um conjunto de músicas clássicas e históricas) e que, acaba por dividir e muito, a opinião dos fãs. Muitos casos acabaram dessa forma: o Exodus que em 2008 relançou seu fantástico álbum de estréia, "Bonded By Blood" (originalmente lançado em 1985), renomeado "Let There Be Blood", que apesar do bom resultado não agradou a uma boa parcela dos fãs. Destruction, Whitesnake (no caso em questão, regravando músicas do Deep Purple) também acbaram tendo esse mesmo problema. Talvez, uma das exceções seja o Anthrax, que conseguiu em "The Greater of Two Evils", lançado em 2004, e que trazia grandes clássicos gravados por Joey Belladona, na voz marcante de John Bush. Dessa forma, os russos do ARKONA, decidiram colocar no mercado  a regravação do seu primeiro trabalho. VOZROZHDENIE, primeiramente lançado em 2004, chega, 13 anos depois, com uma melhor produção e com uma sonoridade mais atual e moderna. Com pequenas mudanças em alguns arranjos, o cd chega por aqui num belo digipack, em mais uma grande iniciativa da Shinigami Records.

                O grupo atualmente é composto por Masha "Scream" Arkhipova (vocal, teclados), Sergei "Lazar" Atrashkevich (guitarras), Ruslan "Kniaz" (baixo), Vladimir "Wolf" Reshetnikov (flauta e gaitas) e Andrey Ischenko (bateria). Essa regravação trouxe pequenas modificações nas versões apresentadas aqui, mas nada que altere demasiadamente cada composição. Com uma melhor produção, os arranjos ganharam mais riqueza, fazendo com que  a audição se torne mais atenciosa. E muito disso se deve a produção, que ficou sob a responsabilidade do guitarrista Sergei e da vocalista/tecladista Masha. Já a mixagem e masterização foram feitas apenas pelo guitarrista. Esse conjunto de fatores tornou o álbum mais atrativo, tendo em vista que já se passaram 13 anos desde o lançamento original. E a arte gráfica, conforme citado anteriormente, também ficou muito boa, num formato digipack, com um livreto muito bonito.

                 Juntando elementos do folk, black, pagan e do symphonic metal, o grupo apresentou (ou apresenta) 12 faixas que já mostravam seu potencial e que fariam da banda uma das referências no estilo em questão. Faixas como Pod-Mechami (uma das melhores composições da carreira da banda), Rus (presente na primeira demo do grupo, auto-intitulada, lançada em 2003), Kolyada (cheia de variações que mostra a versatilidade dos músicos e que possui arranjos muito bem estruturados) e Sointsevorot (com um belo trabalho de baixo e bateria, e também com linhas bem variadas) são os destaques.

                   O ARKONA proporciona, com essa regravação, que aqueles que ainda não conhecem ou não conheciam esse álbum, tenham acesso ao trabalho com uma melhor produção e pequenas modificações nos arranjos. VOZROZHDENIE já mostrava que a banda não pensava pequeno. E após todos esses anos, continua mostrando e o que é mais interessante, provando isso!







                  Sergiomar Menezes

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

AFFRONT - ANGRY VOICES (2016)



                   Um Thrash/Death brutal, agressivo e veloz! Assim, de forma rápida, podemos definir o que o AFFRONT, grupo carioca formado em abril de 2016, apresenta aos apreciadores da estilo mais extremo do heavy metal. Mas não podemos nos restringir apenas a isso, pois o que temos em ANGRY VOICES, traz influências de outras sonoridades, mostrando que o grupo, mesmo praticando esse lado mais "metal da morte", não se restringe, expandindo seus limites e cria com isso, uma identidade própria. Podemos ouvir ecos de nomes como Sodom, Dorsal Atlântica, Ratos de Porão, Motorhead, Iron Maiden e Sepultura (mesmo que no release da banda, haja informação sobre a influência da fase antiga do maior nome do metal nacional, pode-se ouvir também um pouco do que a banda faz nos dias atuais).

                     Formado por M. Mictian (baixo e vocal, fundador da banda de black metal Unearthly), o grupo conta ainda com o guitarrista R. Rassan (também Unearthly) e com o baterista Jedy Najay. Com guitarras que sintetizam de forma eficiente essa mistura entre o thrash e o death, podemos perceber também a pegada do baterista Jedy, que traz consigo alguns moemntos que remetem ao black metal (mas de forma contida). Nada de se estranhar, afinal as faixas que integram o álbum foram  compostas pela dupla M. Mictian e R. Rassan, que possuem bagagem de sobre quando o assunto é o lado mais negro do estilo. Já as letras ficaram por conta do baixista/vocalista e explorou temas a sujeira na política, a violência que nos cerca diariamente, além de versar sobre religião e seus males, bem como sobre a inconformidade do povo perante as falcatruas regidas pelos governos que se sucedem. Produzido por M. Mictian e R. rassan, o álbum tem uma sonoridade bem peculiar, pois carrega no peso, deixando o timbre da guitarra bem mais próximo do thrash metal. Já a mixagem e masterização ficaram sob a responsabilidade de Daniel Escobar, enquanto que a capa é mais uma bela obra do brasileiro Marcelo Vasco (Slayer, Distraught, entre outras). Em doze faixas, o grupo passa seu recado de ódio e fúria de forma brutal!

                   Scum of the World abre o cd como um soco seco e violento na boca do estômago! Guitarras ríspidas e nervosas encontram no baixo e na bateria, uma base pesada que sustenta toda agressividade da faixa, que trata em sua letra sobre o lado sujo da política e da igreja e como esse lado aparece na hora de "ganhar" dinheiro. As guitarras com uma pegada mais death metal aparecem na faixa título, que traz um vocal beirando a insanidade em alguns momentos. Cantando de forma mais rasgada, M. Mictian deixa sua marca de forma bem característica. Forte e bastante agressiva, a música fala sobre o ódio e a raiva com que políticos e religiosos  assolam o mundo usando de suas crenças. Affront segue a aula de ódio e violência, com mais velocidade e bateria que alterna momentos mais trabalhados e rápidos. E mais uma vez, as linhas de guitarra, mais próximas do death, se destacam. Conflicts é mais cadenciada, com algumas alternância em sua velocidade, fazendo com apareça bem a versatilidade do grupo, o que comprova que as amarras do estilo não são respeitadas pelo grupo. E isso faz a diferença! Já Terra Sem Males (Guerra Guaranítica) é uma faixa instrumental que teve o baixo e todos os instrumentos indígenas gravados por M. Mictian e que homenageia os povos guaranis que lutaram contra os espanhóis de forma desigual para manter sua liberdade sem se tornar escravos. Na sequência, Mestre do Barro, única faixa cantada em português, é um tapa na cara do radicalismo, pois traz elementos do folclore brasileiro, mais precisamente do baião. Esse Thrash/hardcore faz uma homenagem ao Mestre Vitalino, que viveu em Pernambuco no século passado e tem suas obras espalhados por importantes museus ao redor do mundo. 

                       Riffs diretos e agressivos são o norte de Religious Cancer, que me trouxe à memória, um pouco do que o Kreator fazia no início de sua carreira, mas trazendo um clima mais atual, principalmente no que diz respeito aos arranjos. Under Siege é o que podemos definir como a melhor expressão thrah/death. Os estilos se encontram e s e fundem perfeitamente aqui mesmo que pequenos inserts hardcore apareçam em alguns momentos. Já Carved In Stone é a faixa mais lenta e arrastada do álbum. Mas em alguns momentos a velocidade mostra a cara, deixando um clima mais agressivo. O vocal de M. Mictian encontra nas linhas e guitarra de R. Rassan, o complemento perfeito para descarregar sua fúria. Wartime Conspiracy é rápida e direta e traz consigo, um pouco da influência de metal tradicional na sonoridade do grupo, principalmente pelas guitarras. Em Echoes of the Insanity é outra faixa instrumental onde apenas baixo e violão se fazem presentes e mostram, mais uma vez, que o grupo não tem medo de arriscar. O encerramento vem com um reprise de Under Siege, que dessa vez conta com a participação de Marcelo Pompeu, vocalista do Korzus, o que deu uma nova atmosfera á música.

                  ANGRY VOICES é apenas o primeiro trabalho do AFFRONT, mas já coloca o grupo como um dos destaques do cenário nacional. Músicos com um background respeitável, com disposição de "começar" tudo de novo, além de mostrar versatilidade em um estilo que não é muito adepto á isso, fazem deste álbum, algo de estrema relevância para o metal nacional! 




          

               Sergiomar Menezes

ATTRACTHA - NO FEAR TO FACE WHAT'S BURIED INSIDE YOU (2016)



               Impossível começar a falar sobre NO FEAR TO FACE WHAT'S BURIED INSIDE YOU, primeiro full lenght do grupo paulista ATTRACTHA, que não seja citando a incrível arte gráfica apresentada pela banda. Poucas bandas, até mesmo internacionais, tiveram o capricho e principalmente, a consideração que o quarteto teve neste seu lançamento. Sim, consideração. Afinal, quem consome o trabalho da banda é o público. E com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo (plataforma digitais, downloads ilegais, etc), é de se louvar quando um grupo aposta suas fichas em oferecer algo do nível apresentado aqui. Mas de nada adiantaria se esta primeira impressão que temos ao pegar em mãos o cd, não correspondesse ao ouvirmos as nove faixas presentes no álbum, que foi lançado numa parceria Dunna Records/Shinigami Records. E, com a mais absoluta certeza, o que podemos ouvir é música da mais alta qualidade!

                     Formada em 2007 pelo guitarrista Ricardo Oliveira e pelo baterista Humberto Zambrin, a banda passou por várias mudanças de formação durante seus primeiros anos, até entrar em um hiato em meados de 2011, devido a falta de produtividade e dificuldades em estabilizar uma formação. Em 2012, o grupo resolveu retomar as atividades com seus dois membros fundadores e contando  com o vocalista Marcos de Canha e com o baixista Guilherme Momesso  e com esse line up, lançou em 2013 o EP Engraved, com 04 faixas. Após, mais uma mudança de formação, agora com a saída de Marcos e a entrada de Cleber Krichinak nos vocais, em 2016 a banda colocou no mercado este álbum, onde podemos encontrar uma boa mistura entre o hard rock e o heavy metal, mas com uma dose maior deste último. E o vocal de Cleber acrescentou peso pois sua voz possui um timbre diferente do vocalista anterior, ampliando assim, os horizontes musicais do grupo. Produzido por Edu Falaschi (Almah, ex-Angra), o álbum contou com a co-produção da própria banda, enquanto que a mixagem e a masterização foram feitas por Damien Rainaud, em Los Angeles, na Califórnia (EUA). Já a sensacional arte gráfica foi obra de João Duarte que vem fazendo trabalhos cada vez mais caprichados e com qualidade muito acima da média.

                   Aliando peso, guitarras muito bem trabalhadas, bases sólidas e carregadas de densidade e vocais variados, a banda mostra em faixas como a pesada e técnica Bleeding in Silence, versatilidade e riffs intensos. Praticando um metal moderno, mas longe daquilo chamado dessa forma nos dias atuais, Unmasked Files (Revisited), que já havia sido lançada como single em 2015, traz guitarras que encontram um meio termo entre o peso e a melodia, enquanto que a cozinha carrega a mão, criando uma atmosfera cheia de punch. Se eu citei que as duas músicas anteriores eram pesadas, espere até ouvir 231. Riffs nervosos guiam a faixa que é um dos grandes destaques do álbum. Move On é mais cadenciada, mostrando variação em sua composição pois a faixa ganha velocidade, além de um belo solo. E tome heavy metal em Mistakes and Scars! Com um pé no thrash metal (mais pelo peso e riffs de guitarra) a faixa ganha o ouvinte por investir em uma estrutura que foge um pouco do padrão das composições executadas até sua audição. 

                   No More Lies é uma faixa mais introspectiva, "quebrando" um pouco o clima agressivo do trabalho. Nesta faixa, Cleber se destaca por mostrar sua versatilidade, sabendo explorar com correção seus limites. Em Holy Journey temos o peso dos riffs de volta, numa levada mais cadenciada, onde a bateria se destaca durante  a execução do refrão. Victorius tem um pé no prog metal, mas não aquele cheio de quebradeiras e extensos. Trata-se uma composição variada, buscando um equilíbrio entre o lado mais pesado e o lado mais técnico do estilo. O fechamento vem com Payback Time, é rápida e insana, novamente trazendo as influências mais agressivas e pesadas que a banda possui (como o Adrenaline Mob, por exemplo). 

                    O ATTRACTHA apresenta em NO FEAR WHAT'S BURIED INSIDE YOU, um trabalho consistente, técnico e de grande qualidade. Composições pesadas, com guitarras excelentes, cozinha trabalhada e um excelente vocalista. Tudo isso aliado ao excelente trabalho gráfico apresentado, fazem deste, um dos dos grandes álbuns lançados por aqui no ano que se passou. Parabéns ao grupo pela respeito e consideração ao público!









               Sergiomar Menezes

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

THE DEAD DAISIES - MAKE SOME NOISE (2016)



                  Nem sempre uma banda que possui em sua formação grandes músicos consegue criar grandes trabalhos. Exemplos existem aos motes por aí. Mas como THE DEAD DAISIES a história é outra! Influenciada pelo que de melhor o hard rock produziu nos anos 70 e 80 (Aerosmith á frente), a banda chega agora ao seu terceiro álbum em 4 anos! E isso também nos remete às bandas das décadas citadas, afinal, naqueles tempos, era comum os grupos lançarem seus trabalho num espaço de um ano (quando não faziam em menos tempo). Dessa forma, o quinteto chega com MAKE SOME NOISE, que chega por aqui através da Shinigami Records. Se você gosta de um hard com uma pegada "bluesy", melodias certeiras e rock n' roll com aquela pitada 70's, se prepare para mais uma aula!

                     Composta por um verdadeiro time de estrelas, a banda conta com os vocais de John Corabi (Mötley Crüe/The Scream), com as guitarras de Doug Aldrich (Dio, Whitesnake, Revolution Saints) e David Lowy (Red Phoenix/Mink), com o baixista Marco Mendoza (Whitesnake/Thin Lizzy) e com o baterista Brian Tichy (Ozzy Osbourne/Billy Idol, Foreigner). É ou não um time de músicos excepcionais? Apesar de já terem passado pelo grupo mais de uma dezena de músicos nesse pouco tempo de estrada, o Dead Daisies não sentiu essas mudanças, e pode-se dizer que seus trabalhos mantém uma regularidade bem acima da média. Nas doze faixas que compõem o trabalho, a banda apresenta composições inspiradas, além de dois covers que receberam uma dose bem pessoal por parte do grupo. Produzido por Marti Frederiksen e mixado por Anthony Focx, o álbum apresenta uma excelente sonoridade, principalmente no que diz respeito aos timbres de guitarra, que ficaram naquele meio termo entre o "old school" e o moderno. 

                       Com um hard pegado, mas ao memso tempo mas direto e sem muitas invencionices, o grupo manda ver em músicas pesadas, intensas, mas sem exageros. Um dos grandes destaques, como não poderia deixar de ser é o vocalista John Corabi. Dono de uma voz potente, o músico mostra mais do que apenas técnica em vocais ora rasgados, ora mais trabalhados. Responsável pelos vocais de um dos melhores discos do Mötley Crüe ( o pesado e sensacional MÖTLEY CRÜE, de 1994), sua voz marcante se  destaca em faixas como I Long Way To Go, que abre o disco de forma bem direta, com riffs na escola anos 80. Já em We All Fall Down, cheia de linhas suingadas, e uma bateria extremamente precisa, bem como em Song and a Prayer, que possui um peso nos riffs que são correspondidos pela eficiência e técnica do baixista Marco Mendoza. Além disso, a faixa traz um refrão simples e de fácil assimilação. A acelerada Mainline injeta uma dose de adrenalina, ao passo que Make Some Noise foi feita para cantar junto nos shows da banda! Bateria marcada, "riffão" de guitarra e um vocal de puro feeling dão um clima de arena à composição.

                    Fortunate Son, cover do Creedence Clearwater Revival ganha uma interpretação bem pessoal do grupo (mesmo que não tenha sofrido grandes alterações em sua execução). A atmosfera 70's volta com tudo em uma das melhores faixas do trabalho. Last Time I Saw The Sun, tem tudo o que um hard de respeito precisa: riffs fortes, baixo e bateria pesados e marcados e um vocal inspirado. Em Mine All Mine temos um "groove" onde os solos ganham espaço, se destacando. Assim como a pegada cheia de suingue de How Does It Feel. Freedom é uma faixa mais rápida mas também com uma pegada na linha 70's/80's. All The Same é mais cadenciada, com boa melodia. O encerramento vem com o cover do The Who, Join Togheter, que assim como Fortunate Son, mesmo sem grandes alterações, ficou com a cara do grupo.

                    MAKE SOME NOISE vem para dar sequência ao que o grupo fez no excelente Revolución (2015). Não é tão bom quanto, mas tem uma qualidade muito acima da média. Fazendo hard á sua maneira, o grupo, que busca inspiração no passado mas aponta para o futuro, vem com força para renovar um cenário que por vezes se mostra carente. O THE DEAD DAISIES mostra que, quando o talento se alia á técnica e ao feeling, o resultado sempre será positivo. E o grupo faz isso com maestria!





            
                          Sergiomar Menezes


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

BLACKDOME - THE CHAOS SUITE (2016)



               O nível que as bandas brasileiras apresentam ultimamente é incrível. Seja pelo profissionalismo, seja pela qualidade técnica, seja pela arte gráfica. E quando você recebe um cd como THE CHAOS SUITE, da banda BLACKDOME, você tem a certeza que não devemos nada ás bandas lá e fora. Formada em 2011, a banda lançou em 2013 o EP Higher e agora em 2016, chegou ao seu primeiro full lenght, praticando um heavy metal muito próximo do prog metal. Ou se você achar melhor, um prog metal muito próximo do heavy metal mais tradicional. Tanto faz. O que o grupo de Sorocaba (SP) apresenta aqui é música de extrema classe e bom gosto. 

                           A banda é formada por Cleiton Rodrigues (vocal), Felipe Colenci (guitarras, teclado e backing vocals), Fabio De Borthole (baixo) e Zico Teixeira (bateria), sendo que o baterista José Gil gravou 7 das 10 faixas presentes aqui. Apostando em uma linha mais pesada, ms sem abrir mão das variações e melodias, o grupo mostra grande qualidade em composições bem estruturadas, onde a capacidade técnica dos músicos fica evidente. Mas isso não se sobressai ao que é mais importante, que sempre foi e sempre será,que é a música. Nada de excessos, apenas a entrega ao heavy metal, que fica ainda melhor ao atentarmos para o capricho da produção, que ficou sob a responsabilidade do guitarrista Felipe Colenci, também responsável pela mixagem e masterização do trabalho. Ou seja, ninguém melhor do que alguém do próprio grupo para saber como a banda deve soar não é mesmo? A bonita capa é obra de Carlos Fides, enquanto que a arte do encarte, que não fica atrás, foi trabalho de Rodrigo Bueno.

                      Blinded Nation abre o álbum e já percebemos o cuidado do grupo na composição dos arranjos, que mostram em sua estrutura uma preocupação em que tudo esteja no lugar certo. Enquanto as guitarras mostram um dos diferenciais da banda, ou seja, um peso que muitas bandas que se enveredam pelos caminhos do prog metal acabam esquecendo, a cozinha capricha mostrando equilíbrio e coesão em linha bem trabalhadas. O peso continua ditando o ritmo em The Chaos Suite, uma faixa mais cadenciada e variada, onde os teclados aparecem de forma discreta, mas eficiente. Já o vocalista Cleiton mostra boa técnica e desenvoltura. A "quebradeira" apresentada mais para o final da faixa mostra que o grupo não tem medo de arriscar. Haters inicia como uma balada, mas ganha peso e linhas mais agressivas no desenrolar de sua execução. Em Surrogates temos  aveia do heavy metal tradicional exposta de maneira mais "visível", o que fica nítido nos riffs de Felipe, que com toda certeza, ouviu e deve ouvir muito metal dos anos 80. In My Mind também tem essa atmosfera, mas com uma pegada próxima do hard rock, mas nada muito exagerado, mas que mostra que a gama de influências da banda não fica restrita apenas a alguns estilos.

                        Sandstorm tem um início mais introspectivo, sombrio até. Só que o peso e a melodia se encontram numa crescente, fazendo da faixa um dos destaques do álbum. Com linhas variadas, a banda criou um arranjo bem interessante para a faixa. E o solo merece destaque pois alia  atécnica ao bom gosto, sem cometer nenhuma auto indulgência. Do You Believe mostra a força do grupo na hora de criar melodias instigantes. Com a estrutura de uma balada, a faixa encontra nas harmonias do teclado uma bela base. As guitarras tornam a apresentar o peso característico em Madman's Lie, onde o prog metal tem seu ápice. E mais uma vez cabe destacar o grande trabalho da dupla Fábio e Zico (baixo e bateria, respectivamente), que mostram um perfeito entrosamento. Born With Me continua com as linhas mais próximas do prog metal, mas nunca esquecendo do peso. Reality encerra o álbum com variações tanto na estrutura como nos vocais, que se mostram bastante versáteis.

                         Bandas como a BLACKDOME só comprovam aquilo que todo aquele que acompanha de perto o cenário nacional já sabe. Nossas bandas são excelentes. Cabe a nós, público, aprendermos que o que se faz por aqui tem tanto, ou mais, valor que muita coisa que vem de fora. E THE CHAOS SUITE é prova contumaz disso. 


                         
                     
                    Sergiomar Menezes

DEE SNIDER - WE ARE THE ONES (2016)



                    Alguns artistas, quando resolvem lançar um trabalho solo, muitas vezes acabam fazendo o mesmo que fazem ou faziam em suas bandas. E se isso acontece, eu me pergunto: qual a necessidade de lançar algo igual ou semelhante ao que vem fazendo, se para isso o músico já tem seu grupo principal. DEE SNIDER, após o encerramento das atividades do grande Twisted Sister, resolveu mostrar um outro lado seu, principalmente na forma e compôr. E o resultado disso é WE ARE THE ONES, lançado em 2016 e que chega por aqui através da Shinigami Records. Em dez faixas, o polêmico vocalista deixa claro que não se importa com o que podem pensar ou falar a respeito disso. E dessa forma, fico á vontade para dizer que o trabalho é bastante irregular.

                   O álbum foi gravado com muitas participações, tendo como compositores principais o próprio Dee e o guitarrista e produtor Damon Ranger, responsável também pela produção deste cd. Nas dez faixas, o vocalista não tem medo de errar e arrisca outras formas de composição, e dentre elas duas acabaram me chamando mais a a atenção. Uma versão acústica ao piano da clássica We're Not Gonna Take It, que para minha surpresa ficou sensacional, mudando "sem mudar" esse clássico absoluto do rock n' roll, imprimindo uma dose extra de sentimento e emoção na sua interpretação. A outra, é uma versão para uma música do Nini Inch Nails. Head Like a Hole manteve o mesmo clima da versão original, mas parece ter recebido uma dose extra de peso e que ficou ainda mais densa com os vocais característicos de Dee. 

                  Ainda podemos destacar a faixa título que tem uma pegada próxima ao que Andrew WK faz, ao misturar o hard rock á uma levada mais moderna e atual, Over Again, que parece aqueles "rockinhos" que algumas bandas americanas faziam sob encomenda para passar na MTV e Crazy For Nothing, que tem boas guitarras. De resto, as outras faixas acabam apresentando aqueles "barulhinhos" estranhos que a maioria dos fãs de metal abomina. Além disso, falta aquela pegada mais rock, a qual Dee é expecialista.

                  No geral, WE ARE THE ONES é um trabalho que pode agradar aos fãs não muito exigentes, que não esperam por algo mais na linha tradicional do vocalista. DEE SNIDER não precisa provar nada a ninguém. Sua história fala por si. Mas confesso que esperava um pouco mais de um ícone do rock...





     
                    Sergiomar Menezes

CORAZONES MUERTOS - ALIVE FROM THE GRAVEYARD (2014)



                 Pense em uma música cheia de energia, festiva, pesada, suja, totalmente livre de rótulos e que encarna perfeitamente a atitude e espírito do Rock n' Roll. Pensou? Com certeza, você pensou no que o CORAZONES MUERTOS faz! Mesmo que você ainda não conheça a banda, tenho que certeza que na hora que você ouvir ALIVE IN THE GRAVEYARD, lançado em 2014, você concordará comigo. Impossível ficar indiferente á música contagiante do quarteto! É aquele rock "sujo", inspirado em nomes como Ramones, New York Dolls, Hellacopters, Social Distortion, The Clash, Sex Pistols, Misfits e outros que só poderia resultar em algo extremamente viciante. Pode parecer exagerado. Mas não é. 

                 A história da banda é bastante peculiar. Afinal, que outra banda você conhece que surgiu na Argentina mas que, tempos depois acabou "ressurgindo" no Brasil? Sim, o grupo surgiu no início dos anos 2000 na terra do Messi e depois de dez anos e cinco discos lançados por lá, Joe Klenner (proprietário do Inferno Club e integrante da banda Daniel Belleza e os Corações em Fúria), guitarrista, vocalista e idealizador da idéia, resolveu "reviver" a banda com outra formação. Radicado no Brasil, Joe recrutou Guilherme Rosa (guitarra e backing vocal), Arthur Cocev (baixo e backing vocal) e Flavio Cavichioli (bateria, ex- Forgotten Boys) e em 2014 lançaram este disco ao vivo no Estúdio Lamparina e no Inferno Club. Hoje a banda conta com Cadu Pelegrini (guitarra) e Jeff Molina (bateria), que aliás, produziu este trabalho em conjunto com a banda. Além disso, o trabalho foi mixado e masterizado por Michel Kuaker no Wah Wah Studio. São dez faixas de pura adrenalina, onde a diversão e aquela pegada despojada mostram a cara, sem nenhum tipo de concessão. Rock n' Roll como ele deve ser!

                 Don't Kill Rock n' Roll abre o cd chutando a porta com tudo! Guitarras nervosas, riffs certeiros e uma levada com uma urgência punk, aliadas a um refrão fácil, que logo após ouvir, já dá pra sair cantando junto, fazem da faixa um cartão de visitas perfeito. Heart and Soul segue a festa em grande estilo, onde as guitarras se destacam, mantendo o peso e sujeira que a música do grupo pede. E aquela veia Hard Rock aparece de forma veemente, algo que bandas como o Backyard Babies faz com maestria. Teenage Roots mostra de forma ainda mais clara essa mistura entre a urgência do pun e a malícia do hard, como na escola clássica do Hanoi Rocks ( e que o mestre Michael Monroe ainda faz com a velha classe). Crown of Thorns é um pouco mais pesada, até mesmo, mais sombria (dentro do estilo da banda, que fique claro). O clima festivo e rock n' roll volta com tudo em No More Good Feelings. Daquelas músicas pra se ouvir ao vivo tomado uma cerveja!

                      Vagabunda, cantada em espanhol, ganha uma atmosfera diferente, provando que aquela história de que cantar em inglês faz diferença. Seja em português, espanhol, alemão... O rock não tem nacionalidade, seja a língua que for, se a música é boa, é o que importa. Fly Away tem guitarras bem entrosadas e aquele clima hard rock de volta, mesmo co a sujeira típicas do punk nas bases de guitarra. All The Things encerra as faixas que foram gravadas ao vivo e deixa aquele sentimento de foram poucas músicas no cd. mas que ao mesmo tempo despertam aquela vontade de poder assistir a um show do grupo. No encerramento, temos duas bônus tracks. Uma versão em estúdio de Fly Away (gravada em 2005) e Viejo Dolor, cantada em espanhol e que mantém o mesmo padrão das faixas ao vivo. Ou seja, enérgica, festeira e rock n'roll pra ouvir no volume 11.

                      ALIVE IN THE GARVEYARD é um álbum indicado pra quem tem o Rock n' Roll na veia, que aprecia aquele clima descompromissado, despojado e festivo. Se essa é sua praia, pode ter a certeza absoluta que o CORAZONES MUERTOS é a banda a ser ouvida!



                   

                   Sergiomar Menezes

MICKEY JUNKIES - SINCE YOU'VE BEEN GONE (2016)



               Quando recebi o álbum SINCE YOU'VE BEEN GONE da banda MICKEY JUNKIES, de Osasco (SP), que tem distribuição exclusiva da Shinigami Records, me lembrei em um primeiro momento da coletânea "No Major Babes Volume II", lançada em 1994 e que, assim como o primeiro volume, trazia um verdadeiro "quem é quem" da cena alternativa brasileira. Nomes como Yo Ho Delic, Garage Fuzz, Beach Lizzards, Pin Ups e até mesmo o De Falla (que mudava de estilo a cada disco), figuraram ao lado do grupo paulista. Era um momento onde o estilo estava em alta, tendo muitas dessas bandas garantindo uma boa exposição na "falecida" MTV Brasil. E por meio da faixa Waiting For My Girl, garantiu ao Mickey Junkies, o lançamento pelo selo Paradoxx, de seu primeiro álbum, intitulado "Stoned" (1995). Mas, pouco depois de colocar o álbum no mercado, o grupo acabou encerrando as atividades.

                Formada por Rodrigo Carneiro (vocal, ou como o encarte do trabalho coloca, crooner), Érico Birds (guitarra), André Satoshi (baixo e violão) e Ricardo Mix (bateria e percussão), a banda decidiu retomar as atividades em 2007, dez anos após sua separação. Os ensaios e apresentações ao vivo se tornaram mais constantes e dessa forma, em 2016, 25 anos após o início de suas atividades, o grupo lançou seu segundo trabalho, mantendo de certa forma as características que sempre se mostraram em sua sonoridade. A diferença está na evolução apresentada pela banda, que demonstra mais consistência em composições que navegam não apenas pelo alternativo, mas buscam no stoner, na psicodelia e até mesmo no heavy metal (as guitarras de Érico trazem forte influência do mestre Tony Iommi).  Produzido e mixado por Michael Kuaker, o cd traz dez faixas, sendo uma delas, um cover do De Falla. E o bonito digipack mostra o capricho e profissionalismo do grupo.

                    Um dos destaques do álbum é o som da guitarra. Pesado e forte, o instrumento faz com que algumas "viagens" musicais apresentadas aqui, ganhem contornos mais intensos. Isso se mostra já na faixa de abertura, a stoner Nothing To Say. Assim como em Something About Destruction, que mostra uma interessante mistura entre o alternativo e uma linha mais atual, mostrando versatilidade. O vocal de Rodrigo pode parecer estranho em alguns momentos, mas me trouxe a mente as insanidades perpetradas por Mike Patton, principalmente quando ele gravava com Mr. Bungle. O baixo ganha destaque na faixa título, uma música mais cadenciada e bem interessante, pois ganha peso no refrão. Use Me (To Move On) tem uma pegada mais rock n' roll, sendo uma das melhores faixas, mais direta e com bons riffs. Stoned é bem arrastada e tem linhas de bateria bem pesadas. E o vocal, na hora do refrão, ganha um clima mais psicodélico da mesma forma que a guitarra, que aqui, mostra uma influência de Jimi Hendrix.

                     Tryin' To Resist  segue uma linha semelhante enquanto que Sweet Flower é puro Sabbath! A guitarra aqui tem aquela densidade e atmosfera sombria própria dos criadores do heavy metal. Preste atenção e você entenderá o que quero dizer. Big Bad também tem essa "aura", mas de uma forma mais dinâmica, pois a bateria traz uma pegada forte, enquanto o baixo acompanha tudo de forma coesa. Alguma Coisa é um cover do De Falla e ganhou uma interpretação bem pessoal da banda, dando sua cara á composição. O álbum se encerra com A Tired Vampire, uma faixa acústica , com uma pegada meio country, ou seja, alternativa como o espírito da banda.

                           Esse retorno do MICKEY JUNKIES ao estúdio mostrou que a banda, apesar do tempo inativa, não perdeu sua capacidade criativa, Composições fortes, variadas e bem trabalhadas fazem de SINCE YOU'VE BEEN GONE um álbum que não deve ser apreciado apenas pelos fãs da banda ou da música dita alternativa. O trabalho merece ser ouvido por todo fã de música de qualidade.




                  Sergiomar Menezes