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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

DARK TOWER - EIGHT SPEARS (2016)



              A agressividade que emana de EIGHT SPEARS, segundo álbum da banda DARK TOWER chega a ser absurda! O grupo formado em 2008 no Rio de Janeiro, lançou em 2016, seu segundo trabalho onde conseguiu dosar de forma perfeita a brutalidade, o peso, a técnica, e ainda, a melodia. Sim, há melodia na música extremamente agressiva do grupo. Mas uma melodia que se encaixa perfeitamente na proposta apresentada pela banda. Buscando passar em suas músicas uma mescla entre o black e o death metal, o grupo ainda traz em suas composições, uma forte influência do metal tradicional, o que se percebe ao ouvirmos com atenção as guitarras. 

                     A banda é formada por Flávio Gonçalves (vocal), Raphael Casotto (guitarra), Rafael Morais (guitarra), Rodolfo Pereira (baixo, backing vocal e vocais limpos) e Jean Secca (bateria) e traz neste trabalho, 09 faixas repletas de climas sombrios, pesados, mas ao mesmo tempo, brutais, usando e abusando da técnica dos músicos na hora de compôr. Basta alguns minutos de audição para percebermos a qualidade apresentada pela banda. A produção do álbum ficou por conta da própria banda em conjunto com Fernando Campos e ficou excelente, tendo em vista a complexidade dos arranjos e orquestrações apresentas pelo grupo. A Mixagem ficou sob o comendo de Fernando Campos enquanto a masterização foi feita por George Bokos, na Grécia. Já a arte, tanto de capa quanto do booklet, foi criada pelo baixista Rodolfo Ferreira e se encaixou muito bem na proposta, pois além de bonita ficou densa e soturna. Cabe aqui também um elogio ao formato do cd, pois o digipack deixou tudo com uma cara ainda mais especial.

                     Eight Paths - Initiation é muito mais do que apenas uma introdução. A faixa instrumental traz arranjos complexos e uma linha de baixo e bateria que se destacam, o que deixa evidente logo de cara, a capacidade técnica dos músicos envolvidos. Já em Destroy The House of Ha'shem, que conta com a participação de Felipe Eregion (Unearthly), as guitarras saltam á frente enquanto o vocal de Flávio apresenta uma variação muito interessante pois alterna momentos mais guturais de forma mais brutal e outros mais rasgados. Além disso, o arranjo da faixa tem um clima bastante sombrio. Burn The Pyre apresenta uma variação em sua estrutura, indo de momentos mais agressivos até outros que mostram certa melodia, pondo em prática a versatilidade da banda. The Legion Marches On traz a participação de Guilherme Sevens (Painside), e é uma bela aula de como uma banda pode soar pesada, brutal e ao mesmo tempo técnica e melódica (entendam que quando me refiro á melodia, falo a linha adotada pela banda). Aqui, os vocais limpos criam um contraste bem interessante. 

                        Nameless Servants of Damnation por vezes ganha um andamento mais arrastado, e tem guitarras que em alguns momentos nos remetem ao metal tradicional e ao death mais cru. Enquanto que em On Darkest Wings, ecos de guitarras oriundos do thrash metal se fazem presentes. E um dos destaques aqui, como durante toda a execução do trabalho, é a dupla Rodolfo e Jean (baixo e bateria, respectivamente), que possuem um entrosamento e coesão dignos de nota. Sem contar que são responsáveis por conduzirem os riffs por caminhos pesados e agressivos. A "melódica" Haeretic possui bastante intensidade, haja vista que aqui, os vocais de Flávio ganham contornos mais ríspidos, e nos remetem aos grandes vocalistas do estilo. Eight Spears  conta com a participação de Pedrito Hildebrando (Vociferatus) e é uma faixa muito brutal, com uma dose extra de peso. O fechamento vem com Blood Harvest, que traz Rodrigo Garm (Pagan Throne) como convidado especial. E fecha o álbum num clima totalmente black metal.

                         Sem dúvidas, o DARK TOWER deu um grande passo com o lançamento deste segundo trabalho. EIGHT SPEARS mostra uma banda com uma qualidade técnica acima da média e com grandes composições, arranjos muito bem estruturados e acima disso, uma personalidade forte na hora de executar sua obra. Chego a dizer que este álbum não fica a dever nada á muitos trabalhos lançados por bandas lá de fora. Mais um nome que, com certeza, será (se já não é) destaque entre os nomes do cenário brasileiro.

                       




                 Sergiomar Menezes

NO TRAUMA - VIVA FORTE ATÉ SEU LEITO DE MORTE (2016)



                     Confesso que o metalcore não é um dos estilos que me chama a atenção. Nada contra, mas nunca tive bandas do estilo entre as minhas preferidas. Mas isso não significa que faço vistas grossas às inúmeras bandas com talento que surgem no nosso país (e fora dele). E isso até se torna mais interessante, pois muitas vezes a gente acaba sendo surpreendido positivamente. E foi exatamente isso que aconteceu ao ouvir o cd da banda carioca NO TRAUMA, que lançou em 2016 o bem trabalhado e pesado VIVA FORTE ATÉ O SEU LEITO DE MORTE. Músicas fortes, cheias de energia e com uma pegada intensa, mostram que apesar do pouco tempo de estrada, a banda sabe onde quer chegar e que tem uma visão bem própria do som que procura fazer.

                       Formada em 2012, a banda é composta por Hosmany Bandeira (vocal), Tunninho Silva (guitarra), Jhonny Boy (baixo) e Marvin Tabosa (bateria). Um quarteto que manda ver em 12 faixas que, apesar de se enquadrarem na proposta do metalcore, não se prendem apenas ás amarras do estilo, buscando linhas variadas, algumas vezes, se aproximando bem mais do thrash metal. Cortesia das guitarras de Tunninho, que busca inspiração para seus riffs no que de melhor bandas como Korzus, Killswitch Engage, Sepultura já fizeram e também, em bandas mais atuais como o Project 46. Bem produzido, o trabalho foi feito em conjunto entre a própria banda e o Aeon Audio. Já a arte da capa e do encarte ficou por conta do guitarrista Tunninho. E apesar de simples, passou de forma direta a mensagem do grupo.

                     O álbum começa com a agressividade em alta! Fuga traz uma linha de baixo bem intensa, enquanto a bateria alterna momentos mais rápidos com outros mais "quebrados" e variados. O vocal também mostra desenvoltura, pois cantar em português um estilo mais "americano" não é fácil. Assim como na faixa seguinte, Quimera, que segue uma linha mais próxima do que o Hatebreed fazia há algum tempo atrás. A guitarra aposta numa veia mais pesada e rápida, enquanto a cozinha capricha na quebradeira. M.M.A. (Meu Mundo Artificial), terceira faixa, aposta em uma levada mais melódica em alguns momentos, mas não esquece de acelerar logo em seguida, imprimindo uma boa dose de peso em seus riffs. Já Massa de Manobra, traz além de riffs insanos, um coro de vozes no refrão que criou um clima daqueles de "cantar" junto, e também aposta em um contraste entre o gutural e vozes limpas, mostrando versatilidade na hora de compor. A porradaria volta com tudo em O Chamado, faixa que carrega consigo uma dose generosa de peso. Por outro lado, Forca, traz novamente uma alternância no vocal, só que dessa vez, além do gutural, temos uma linha mais próxima do hip hop, deixando claro que não há regras a serem seguidas pelo grupo.

                         Sedativo é uma curta faixa instrumental e acústica, que prepara terreno para a invasão metalcore de Demonocracia. Uma das faixas mais trabalhadas e ao mesmo tempo mais pesadas do trabalho, a composição tem linhas variadas em sua execução, mas de uma forma bem definida, sem apelar para o "caos gratuito", como alguns grupo fazem para parecer mais pesados. Igualdade possui bons riffs, com momentos mais próximos da cena atual. A velocidade e adrenalina voltam a subir com a rápida Algemas do Medo, uma faixa que apresenta uma aproximação com o hardcore nova iorquino. A faixa Viva Forte, uma das mais pesadas do cd, sintetiza bem as influências do grupo, pois encontramos desde thrash, hardcore, punk e até mesmo, linhas que buscam inspiração no groove. O encerramento vem com  Sawabona Shikoba. Pesada, melódica e bem intensa, a faixa fecha o trabalho da mesma forma que começou. Usando e abusando da agressividade.

                        O NO TRAUMA surge como mais um bom nome na cena nacional. Buscando seu lugar ao sol e mostrando personalidade, o grupo faz de VIVA FORTE ATÉ SEU LEITO DE MORTE, um cartão de visitas que já o coloca entre os grandes representantes do estilo metalcore no Brasil. Que mantenham essa pegada nos próximos trabalhos!







             Sergiomar Menezes

                      

                         

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

VORGOK - ASSORTED EVILS (2016)



                      Uma tijolada. Um soco na boca do estômago. Não interessa a descrição que se possa dar. O que importa é que ASSORTED EVILS, álbum de estréia da banda VORGOK, do Rio de Janeiro, é uma aula de violência e pancadaria sonora! Impressionante a capacidade do grupo em criar riffs insanos e pesados, além de extremamente agressivos! Calcado no thrash metal dos anos 80, fortemente influenciado pelo Slayer, o grupo estréia em grande estilo, trazendo aqui, dez faixas onde fica explícita a garra e conhecimento de causa do grupo. Prepare o "Gelol", pois seu pescoço será testado de forma brutal durante a audição deste cd...

                        O grupo foi formado em 2014 por Edu Lopez (vocal e guitarra, ex- Explicit AHte, ex- Necromancer) e João Wilson (baixo), que foram os responsáveis pela gravação do cd. Hoje, integram também o grupo Bruno Tavares (guitarra, Demolishment) e Jean Falcão (session drummer, Dark Tower). A bateria, no álbum, foi programada por Celo Oliveira, que também produziu, mixou e masterizou o trabalho, no Kolera Home Studio, no Rio de Janeiro. Segundo o próprio grupo, a intenção da banda é fazer um thrash metal bruto, porém bem trabalhado e variado. E com toda a certeza, o objetivo foi alcançado. É difícil aqui destacar uma ou outra faixa, pois todas mantém um padrão de alto nível, principalmente no que diz respeito às guitarras. Riffs sujos, porém bem trabalhados e executados, formam uma parede sonora que deixa tudo denso e brutal.

                       Desde a abertura com Deception in Disguise, que após uma pequena introdução, apresenta velocidade, peso e agressividade em doses "generosas", que ficam ainda mais brutais com o vocal de Edu, que tem no mestre Tom Araya forte inspiração, passando por Hunger, outra faixa rápida e mortal, pela variada e bem trabalhada Kill Them Dead que abusa do peso e que ao vivo deve ficar sensacional, pelos vocais insanos de Last Nail In Our Coffin, que também tem na velocidade e na rispidez dos riffs grande destaque, pelo peso e velocidade moderada de Antagonistic Hostility, ainda pelo andamento cadenciado, mas carregado de peso e com um vocal mais na linha gutural de Hell's Portrait, que ainda ganha velocidade no decorrer de sua execução, pela direta e "old school" Headless Children, pela versatilidade apresentada em Man Wolf To Man, pela instrumental acústica (!?) Drowning e até o encerramento com Mass Funeral At the Sea, temos uma banda que deve ser conhecida por todo headbanger que se preze. É música pesada e brutal de extrema qualidade e feita com aquela garra e paixão que só quem tem o metal no sangue sabe e pode fazer.

                          ASSORTED EVILS é uma estréia em grande estilo protagonizada pelo VORGOK. Thrash Metal feito pra quem aprecia o lado mais  brutal e pesado do estilo. Buscando inspiração no passado, mas sem se prender a ele, o grupo lançou um trabalho digno de figurar entre os melhores do ano. E infelizmente, não entrou na minha lista pois chegou depois que ela estava pronta e publicada. Se bem que... Escolhi 15. Mas considere que depois de ouvir o cd, a lista consta com 16...






                   Sergiomar Menezes
              

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

IN FLAMES - BATTLES (2016)



                 Formado em 1990, o grupo sueco IN FLAMES surgiu fazendo um som brutal e ao mesmo tempo melódico. Essa junção de estilos acabou por se tornar conhecida como "Gothenburg Sound". Ao seu lado, bandas como Dark Tranquility, At the Gates, Soilwork, entre outras também ajudaram a moldar esse estilo, que ficou mais conhecido por alguns como "death metal melódico". Os primeiros álbuns do grupo traziam muito peso e  agressividade e dosavam na medida certa essa mistura com a melodia. E, mostrando que era uma banda diferente que não se prendia a nenhum tipo de rótulo pré-estabelecido, os suecos ao longo da carreira foram incorporando sonoridades adversas e com isso acabaram por afastar muitos fãs. O certo é que, mesmo sem manter a pegada dos primeiros álbuns, a banda seguiu em frente, mostrando personalidade. E isso, pode ser comprovado mais uma vez. BATTLES, seu décimo segundo álbum de estúdio, que chega por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, traz faixas que em alguns momentos até resgatam aquela velha sonoridade, mas explicita uma pegada que vem sendo praticada pelo grupo há um bom tempo.

             Atualmente o grupo é formado pelo vocalista Anders Fridén, Björn Gellote (guitarra), Nicklas Engelin (guitarra), Peter Iwers (baixo) e Joe Rickard (bateria). Neste trabalho, o quinteto apresenta 12 faixas (sendo que a versão nacional traz duas bônus tracks), onde as características que vem sendo conduzidas pela banda desde Reroute To Remain (2002) se mostram mais latentes. Acusado muitas vezes de ter "americanizado" seu som, o grupo segue em frente tendo como grande destaque a versatilidade de Anders Fridén. Dono de uma interpretação que dispensa comentários, o vocalista mostra desenvoltura e participa como co-autor de todas as faixas do trabalho. Aliás, a produção, como sempre, ficou excelente, tudo no seu lugar, limpo e cristalino. Mas, de certa forma, um pouquinho e "sujeira" por aqui não seria nada mal... 

                   De uma forma geral, BATTLES apresenta melodias bem trabalhadas e em certos momentos mais acentuadas. Isso não impede que Björn Gellote e Nicklas Engelin sentem a mão, pois as guitarras soam pesadas e nervosas na maioria das vezes. Isso já fica nítido na "americanizada" Drained, faixa que abre o álbum e que conta um refrão de fácil assimilação. The End é uma faixa "fácil", daquelas que com certeza tocariam em rádios rock (se houvessem rádios rock por aqui). Já The Truth... Bom, essa composição mostra um lado mais pop do grupo. Não que ser pop seja ruim. O problema é a estrutura da faixa. E o refrão não condiz com a história da banda. Escute e você irá entender. Em In My Room, a banda mescla as características de álbuns como o já citado Reroute To Remain com Sounds of Playground Fading (2011) e Sirens (2014). Em Through My Eyes temos um pouco do "velho" In Flames, pois temos velocidade, peso e uma certa dose de brutalidade e uma melodia bem intensa. A faixa título é pesada e possui um andamento mais cadenciado, com um acento pop em certas passagens. Underneath My Skin novamente coloca tudo em seu devido lugar pois traz o peso e riffs mais agressivos. E Fridén mostra seu talento mais uma vez. Das bônus tracks, Greatest Greed é pesada e se aproxima um pouco do metal norte americano mais atual, enquanto Us Against The World poderia estar no tracklist regular, pois traz os elementos que caracterizavam álbuns como Colony (1999) e Clayman (2000).

                       Em resumo, BATTLES pode não estar á altura dos grandes álbuns da banda, nem mesmo daqueles considerados de transição. Mas garante aos fãs bons momentos, deixando de lado um pouco dos elementos que vinham acompanhando a banda em seus mais recentes lançamentos. O IN FLAMES não precisa provar nada pra ninguém. Uma carreira construída através de inovação e visão sem limites moldou sua sonoridade através dos anos. Fica a critério de cada um escolher se isso foi bom ou ruim. 




                      
                       Sergiomar Menezes

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

VADER - THE EMPIRE (2016)



                 E uma das maiores instituições do death metal lança mais um grande trabalho. Os poloneses do VADER soltam seu 11° álbum de inéditas e seguem mostrando ao mundo a fúria e agressividade de sua música mortal. THE EMPIRE vem para coroar os 33 anos de carreira do grupo e tem seu lançamento feito por aqui em mais uma parceria da Shinigami Records e Nuclear Blast, que vem fazendo aos bangers brasileiros um grande trabalho. Sem nenhum tipo de concessão ou "modernidade", a banda apresenta 10 faixas com guitarras ríspidas, bateria rápida e mortal e muita sede de death metal. Cabe lembrar que o álbum, neste versão nacional, traz consigo o EP "Iron Times", que conta com mais quatro faixas. 

                        Atualmente o grupo é formado por Piotr "Peter" Wiwczarek (vocal e guitarra), Marek "Spider" Pajak (guitarra), Tomasz "Hal" Halicki (baixo) e James Stewart (bateria). Mesmo com uma constante troca de integrantes, a banda consegue manter sua identidade. Muito disso se deve ao fundador e mente criativa do grupo. "Peter" sabe exatamente o que quer e como a banda deve soar e isso se mostra desde o início das atividades do grupo. Se no início o grupo apostava em uma pegada mais próxima do thrash, com o passar dos anos o death metal brutal e agressivo foi se moldando e transformou o VADER em referência mundial do estilo. E mais uma vez a produção ficou com excelente nível e aqui, sob a responsabilidade dos Wieslawski Brothers, soube deixar tudo num grau de agressividade e peso muito bons. A capa é uma obra do renomado Joe Pentagno, que já trabalhou com Motorhead, Manowar, entre outros...

                        Composto de dez faixas, o álbum mantém uma regularidade em suas composições, mas algumas faixas acabam se destacando. Logo na abertura com a brutal Agents of Steel, podemos perceber que o vocal de Peter segue insano, o que se tornou praticamente uma marca registrada do grupo, pois o guitarrista/vocalista conseguiu imprimir um forte traço de agressividade que poucos vocalistas do estilo conseguem. Assim como em Tempest, onde as guitarras despejam riffs totalmente death metal enquanto baixo e bateria dão aula de como uma cozinha do estilo deve soar. Um "quê" de thrash metal se faz presente em outra boa faixa, Prayer To The God Of War. Por outro lado uma levada mais cadenciada em Iron Reign garante doses cavalares de peso. Genocidus é outra faixa mais típica, mas bastante ríspida e direta. The Army-Geddon possui uma aura sombria, apesar da brutalidade que a bateria de James Stewart imprime aqui. Parabellum é rápida e tem um solo bem agressivo. 

                       O álbum conta ainda com o EP Iron Times, que traz duas faixas que estão no trabalho (Prayer to the God of War e Parabellum) e duas versões. Uma para Piesc I Stal da banda Panzer X e outra para a imortal Overkill, do Motorhead que, com toda a certeza, deixou Deus orgulhoso!

                         THE EMPIRE vem para mostrar que a máquina polonosa de fazer death metal continua insana. O VADER além de servir como referência para muitas bandas do estilo, se mostra ainda relevante com mais de 30 anos de carreira. E isso, meus amigos, é para poucos!






                 Sergiomar Menezes

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

HERYN DAE - HERYN DAE (2016)



                      Praticando um Heavy Metal tradicional mas com um apegada mais pesada e voltada aos anos 80, o grupo catarinense HERYN DAE chega ao seu trabalho de estréia. Auto intitulado, o álbum mostra um grupo que bebe na fonte de estilos que navegam também pelo hard rock e também pelo thrash metal. Com apenas três anos de existência, o quarteto gravou em 2015  este trabalho e em 2016 lançou no mercado o cd que contém oito composições fortes inspiradas fortemente no que bandas como Iron Maiden Judas Priest e Saxon fizeram (e ainda fazem!) com maestria.

                    O nome do grupo formado por Victor Moura (vocal), Juliano Bianchi (guitarra), Cristiano Pereira (baixo) e Ricardo Bach (bateria), significa Dama das Sombras em uma linguagem Élfica Tolkniana. Logo, fica clara a intenção da capa do trabalho. O álbum foi gravado e produzido por Kelwin Grochowicz no 2K Studio em Santa Catarina. E aqui temos um dos "problemas" do cd. Mesmo que a intenção seja resgatar aquela sonoridade mais típica e old school, o trabalho no final soa um pouco "datado", com timbragens não muito "claras" aos ouvidos. Falta um pouco de peso, o que deixaria as composições mais fortes dentro da própria proposta do grupo. Algumas músicas também poderiam ter um acabamento melhor pois em certos momentos, parece que a faixa pede algo mais que acaba por não surgir. Então o trabalho é ruim? Não, de forma alguma. 

                     A banda possui excelentes idéias e isso fica claro em faixas como Final Fantasy, que possui riffs bem característicos e uma levada bem interessante. A composição se mostra variada em sua execução o que deixa bem nítida a versatilidade do grupo na hora de compôr. A faixa título é outro bom exemplo. Mais cadenciada e guiada pela guitarra de Juliano Bianchi, a faixa tem o peso necessário para fazer sucesso nos shows do grupo. Death é mais acelerada e traz o vocalista Victor Moura usando vocais mais rasgados, trazendo um pouco da tradição alemã de bandas como Rage e Grave Digger á sonoridade do quarteto.  E a NWOBHM aparece mais diretamente em Lucy, outra boa faixa que peca apenas pela produção. Já Kings of Anarchy traz um belo trabalho da dupla Cristiano e Ricardo (baixo e bateria, respectivamente) além de bons riffs. 

                        O grupo mostra no seu trabalho de estréia que tem potencial e apresenta composições com boas idéias. HERYN DAE pode servir, muito mais do que um cartão de visitas, como um aprendizado para a banda que, com certeza, vai crescer e mostrar toda a sua capacidade e garra dentro do cenário do metal brasileiro.




                        

               Sergiomar Menezes

PATRICK PEDROSO - LABYRINTH (2015)



                    Confesso que não sou muito fã de música instrumental. E também não sei explicar muito precisamente o porquê. Afinal, a música, que é o que realmente importa, está ali. Mas parece que sem a presença de um vocalista tudo fica meio vazio. E quando é um álbum de guitarrista, a coisa se torna ainda mais complicada. Na maioria das vezes, alguns colocam sua técnica e habilidade muito á frente de tudo deixando a música chata, monótona, fazendo uso de milhares de notas, abusando da velocidade e esquecendo que o mais importante, o feeling, é o que dá "liga" á tudo. Mas felizmente, existem exceções. E uma delas é o álbum LABYRINTH, lançado em 2015 pelo guitarrista catarinense PATRICK PEDROSO. Dono de técnica apurada, o músico mostra versatilidade e bom gosto neste trabalho.

                  A banda que acompanha Patrick é composta pelo baixista Marcos Janowitz e pelo baterista Jarlisson Jaty. E o que percebemos é que, apesar de se tratar de um álbum do guitarrista, os três integrantes ganham destaque de forma homogênea no trabalho. Trata-se de um cd de uma banda, que se mostra entrosada e ensaiada. Outra coisa que se mostra ao longo da execução do play é que Patrick tem entre suas influências o mestre Joe Satriani (outro que sabe dar a MÚSICA o seu devido valor), com melodias muito bem elaboradas. A produção ficou por conta do próprio Patrick em parceria com o baixista Marcos Janowitz. Já a mixagem e masterização foi feita por Karim Serri no Silent Music, em Curitiba (PR). A arte gráfica foi mais belo trabalho de João Duarte.

                     O álbum tem grandes composições, mostrando toda a técnica e virtuosismo de Patrick, mas nunca relegando o restante da banda a segundo plano. Isso é perceptível ao longo do trabalho, quando as bases criados pelo baixista Marcos se mostram bem trabalhadas e a levada do baterista Jarlisson, mostra que além de técnica, o músico tem um apegada com forte influência do hard/heavy. É difícil rotular o estilo adotado aqui, mas podemos defini-lo como um classic hard/heavy, mas com uma sonoridade bem moderna atual. Outra coisa bem interessante é que o cd tem pouco mais de 35 minutos de duração, distribuídos em 11 faixas. Em nenhum momento se torna cansativo. E não teria como ser, afinal músicas como a pesada Rage Of The Storm, onde Patrick esbanja categoria não apenas em solos caprichados mas também em riffs carregados de peso, a também pesada e bem intensa Only Ashes, a"hard rock" Revolution, com solos melódicos e variados, a versátil Some Creations, que consegue dosar o peso e melodia de forma eficiente, se tornando um dos destaques do trabalho, a quebradeira de The New World Was Born, onde a dupla baixo/bateria se destaca e a "clássica" Sounds of Mind (escute e você entenderá o que quero dizer), mostram um músico que tem classe e bom gosto em suas composições.

                    PATRICK PEDROSO mostra em seu álbum de estréia que a música pode e deve sempre estar á frente da técnica e virtuosismo. Não que elas não possam andar juntas, aliás, é isso o que acontece de forma correta no CD. LABYRINTH tem excelentes composições que fazem o trabalho um álbum indicado não apenas aos que gostam de músicas instrumentais ou cds de guitarristas. Ele é indicado a todo apreciador de boa música, seja ela do estilo que for.





                Sergiomar Menezes

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

MESHUGGAH - THE VIOLENT SLEEP OF REASON (2016)



                       Se tem uma banda que, ao menos para mim, fica quase impossível de rotular, essa banda é o MESHUGGAH. O quinteto sueco sempre primou por fazer um som brutal, trabalhado, mas cheio de variações e influências diversas que buscam no Thrash, Death, Jazz, Prog entre outros, se reinventar a cada trabalho... O grupo soube moldar seu estilo e chega agora a THE VIOLENT SLEEP OF REASON (2016), lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast. Neste seu oitavo álbum de estúdio, a banda reafirma essa convicção, mas agora voltando a investir numa sonoridade mais crua (mais direta, pode-se dizer assim). 

                  Formado por Jens Kidman (vocal), Fredrik Thordendal (guitarra), Marten Hagström (guitarra), Dick Lövgren (baixo) e Tomas Haake (bateria), o grupo apresenta dez faixas bem variadas, mas com uma dose extra de peso. Se por um lado essa enorme gama de influências e "incorporações" à sua sonoridade pode causar um certo desconforto em mentes mais radicias, poe outro mostra uma banda inovadora. Pode-se dizer que o grupo é um dos pioneiros nesse estilo. Basta ouvir com atenção Contradictions Collpase (1991), que apesar de ter uma atmosfera mais metal (thrash à frente), já apresentava essa forte tendência da banda em oferecer aos fãs algo único. Gravado e mixado por Tue Madsen, o trabalho teve sua masterização realizada por Thomas Eberger. E a dupla trabalhou bem, pois sendo o estilo da banda uma "salada musical", tudo ficou no seu lugar, soando bastante natural. 

                     Clockworks abre o álbum trazendo muito peso. Um grande trabalho do baterista Thomas que esbanja técnica e brutalidade em levadas precisas que encontra no baixista Dick, um "auxiliar" de peso. Além disso, os riffs da dupla Fredrik e Marten soam insanos e variados. Tudo isso temperado por uma performance bem visceral do vocalista Jens. Born in Dissonance tem uma pegada que nos remete ao metal mais atual, com linhas de guitarra muito bem estruturadas. Já Monstrocity, possui uma brutalidade mais latente, com passagens mais cadenciadas, buscando, como sempre, fugir do lugar comum. O peso que sai das guitarras é absurdo, provando que uma produção correta tem seu valor. By The Ton é arrastada, misturando um pouco de doom/stoner e toda a loucura que a música do MESHUGGAH comporta. Essa é daquelas faixas que chegam a "incomodar" tamanho e peso e insanidade de seus riffs. Violent Sleep Of Reason é uma síntese do que é a música do grupo. difícil descrevê-la em palavras. Tem de tudo aqui. Vocais insanos, guitarras extremamente pesadas, quebradeira de bateria, passagens mais amenas... Escute e entenda o que quero dizer.

                        Ivory Tower é outra preciosidade. Lenta, quase parando (para os padrões da banda), a guitarra aqui ganha contornos por vezes lisérgicos, o que deixa o nível de "maluquice" do grupo mais elevado. Stifled traz a quebradeira de volta. A dupla Dick e Tomas esbanja categoria, pois imprime sua técnica de uma forma agressiva, até mesmo violenta, sem deixar que isso atrapalhe o andamento da composição. Nostrum segue essa linha de composição com um arranjo complicado haja vista as viradas presentes em sua execução. Our Rage Won't Die tem guitarras que tem uma veia mais thrash (relembrando um pouco o início de carreira do grupo). Seu andamento mais cadenciado quebra um pouco o ritmo, mas até mesmo por causa disso, acaba ganhando uma brutalidade bem lasciva. O encerramento vem com Into Decay, que tem uma pegada mais agressiva, mas também tem um andamento mais arrastado.

                         Como dito no início, é complicado rotular o trabalho do MESHUGGAH. E por causa disso, por vezes a banda acaba ficando relegada sem que seus álbuns tenham o reconhecimento merecido. THE VIOLENT SLEEP OF REASON acaba por resgatar um pouco da sonoridade mais crua da banda. E isso, pode fazer com mais pessoas voltem suas atenções para ela. O que não seria nada mais do que justiça!



                 

            Sergiomar Menezes
                      

RIGOR MORTIS BR - THE ONE WHO... (2016)




                        Formada nos anos 90 com a intenção de fazer um death metal ríspido e brutal, mas ao mesmo tempo técnico, a banda gaúcha RIGOR MORTIS BR lançou em 2016 seu trabalho de estréia. THE ONE WHO... traz todas as principais características do estilo, primando por guitarras sujas e violentas, enquanto a base rítmica é agressiva e veloz. Nas dez faixas presentes aqui, o grupo mostra que a experiência e tempo de estrada fazem a diferença na hora de gravar. Se você é fã de um estilo mais direto e extremo, a banda irá lhe agradar em cheio.

                        Leafar Sagrav (vocal), Rigor Mortis (guitarra), Christian Peixoto (baixo) e Rubens Potrich (bateria - que deixou a banda após as gravações, sendo substituído por Ricardo Chiarello "Chakal"), apresentam muita brutalidade neste primeiro trabalho. Com uma sonoridade bastante pesada e suja, mas que não prejudica em nada a audição, uma vez que os instrumentos podem ser ouvidos com distinção perfeitamente, a produção ficou por conta do guitarrista Rigor Mortis, que também assinou a mixagem e masterização. E logicamente, ele melhor do que ninguém sabe como a banda deve soar, não é mesmo.

                      Uma breve Intro nos prepara à faixa de abertura. Dialeto de Morto traz guitarras pesadas e muita agressividade em riffs insanos. O vocal de Leafar também transmite toda essa brutalidade. Já o trabalho da dupla baixo/bateria soa bem coeso, aliando a velocidade de forma brutal á uma pegada mais trabalhada. Psychotropic Illness apresenta uma pegada totalmente death metal, mas que não busca ser "old school". Não que o grupo não apresente essas influências ou características, mas busca uma pegada atual. Human Flesh Juice resgata um pouco daquilo que se fazia nos anos 90, mas com a cara própria da banda. Ou seja, o grupo consegue incorporar suas influências de uma forma particular, criando uma identidade própria. Não tão veloz, a faixa mostra um trabalho elaborado em sua composição. Medieval Impalement segue essa mesma linha e tem guitarras viscerais, uma das características do grupo, além do vocal que mais uma vez, agrega á faixa uma agressividade típica do estilo.

                            O baixo "martelado" guia Find Bodys Parts Toy, onde a guitarra surge como uma serra elétrica para rachar os tímpanos mais sensíveis, enquanto que blast beats surgem de forma correta, criando a atmosfera "metal da morte" tão urgente á sonoridade da banda. Febrônio Índio do Brazil (O Filho da Luz), cantada em português tem uma letra que relata as barbaridades cometidas por um serial killer brasileiro no início do século XX. Uma das melhores músicas do play sem sombra de dúvidas. Seja pela letra, seja pela música em si que ficou brutal e s e encaixo perfeitamente no contexto. Após um breve Interlúdio, temos Raw Meat Sugar, uma típica faixa death metal, com destaque para os riffs pesados criados pelo guitarrista Rigor Mortis. O encerramento se dá com a faixa The One Who..., outra faixa bem característica, com uma certa variação em seu andamento. 

                             O álbum de estréia do RIGOR MORTIS BR é indicado aos apreciadores de um death metal cru, brutal e agressivo mas que de certa forma, não abre mão da técnica em composições bem elaboradas. THE ONE WHO... veio para mostrar que a passagem do tempo fez bem ao grupo.


                


       
                Sergiomar Menezes

PANZER - RESISTANCE (2016)



                 Em 2016, o grupo paulista PANZER completou  25 anos de estrada. E colocou no mercado um grande álbum de thrash metal! RESISTANCE traz composições fortes pesadas com guitarras agressivas e toda a fúria de uma banda que tem experiência e sabe usar isso de forma correta e eficiente. O trabalho, o quarto de estúdio da carreira da banda, traz  passagens mais rápidas e brutais mas também possui outros momentos mais cadenciados com um certo "groove" (se é que podemos colocar dessa forma). Vale ressaltar que o álbum foi lançado pela Shinigami Records.

                       Sergio Ogrês (vocal - que faz sua estréia na banada), André Pars (guitarra), Fabiano Menon (baixo) e Edson Graseffi (bateria) apresentam aqui, 12 composições que mostram um grupo que tem direção e possui aquele "sangue no olho" pra fazer heavy metal. O trabalho soa bastante homogêneo, mas cabe destacar o excelente som da guitarra, que tem uma pegada mais agressiva. Vale lembrar que o baixo do álbum foi gravado pelo guitarrista André Pars, que também assinou a produção ao lado de Henrique Baboom, sendo que este último, foi o responsável pela mixagem do trabalho. A capa é obra do batera Edson Graseffi. Tudo em casa e com um excelente resultado no final.

                         96 é uma pequena introdução dedilhada que antecede The Price, que sem dúvidas, é a melhor faixa do álbum. Rápida, intensa, com uma levada de bateria que nos remete ao hardcore (mas sem exageros), a composição alterna momentos mais arrastados em alguns momentos, com vocais limpos, provando a versatilidade do grupo na hora de compôr. Impunity tem aqueles riffs mais típicos de thrash. Mais arrastada, a faixa carrega no peso e tem um refrão com uma cara mais atual, que traz um pouco de metalcore em sua estrutura. No Fear é puro thrash metal. Pendendo ora pro lado Bay Area, ora para o lado mais cru do thrash alemão, a faixa sintetiza bem o estilo que o grupo adota em sua linha de composição. A bateria de To Scream In Vain é o destaque, alternando passagens mais trabalhadas com outras mais diretas e pesada. O vocal aqui também ganha mais intensidade, passando um sentimento mais raivoso na hora de cantar. Alone é outra grande faixa, pois tem uma variação de andamentos e novamente, os vocais alternados entre o mais rasgado e o limpo se destacam. 

                       Attitude traz a guitarra caprichando em riffs pesados. A letra traz uma citação ao eterno Motorhead e tem uma levada mais moderna. Podemos dizer que encontramos aqui desde o Hardcore NY, até mesmo lembranças do Metalcore. Mas tudo isso, com a cara do thrash metal que o grupo pratica. O nome disso é personalidade. Algo que o grupo tem de sobra. Do It! é o que podemos chamar de "thrashcore", tamanha a capacidade do grupo em misturar esses dois estilos aqui. O solo bem influenciado pelo HC, demonstra isso de forma mais direta. Aquela faixa cadenciada pra bater cabeça e tirar a "air guitar" do armário chama-se The Old And The Drugs For Soul. Com um refrão forte, a música tem aquela andamento mais "ameno" e nos mostra uma outra faceta do grupo. Já The Resistance é uma porrada seca e direta, sem concessões. Violenta e brutal, a faixa traz, dessa vez, citação ao Black Sabbath em sua letra. You May Not Have Tomorrow é uma balada curta mas muito bonita. Já Actitud é uma versão em espanhol para Attitude e ganhou (talvez por ser cantada dessa forma), uma dose de peso extra e vem a encerrar o álbum.

                     RESISTANCE é um trabalho que faz jus à carreira da banda. Um álbum que possui intensidade, garra e muita fúria. Se lá fora, alguém ainda tem dúvidas de quem é o real PANZER, podem esquecer. Só existe um PANZER. E ele é do BRASIL! 



                         
                                          

                      Sergiomar Menezes

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

REVANGER - GLADIATOR (EP) (2015)



                 Impossível não imaginar o estilo praticado pela banda REVANGER de Mossoró, Rio Grande do Norte, quando pegamos em mãos seu em mão seu EP de estréia. Mesmo que aquela velha máxima "Nunca julgue um livro (ou disco) pela capa" seja quase sempre verdadeira, aqui ela não se aplica. A bela capa que ilustra GLADIATOR (2015) não deixa dúvidas que estamos diante de um trabalho que respira o mais puro heavy metal, daqueles sem nenhum tipo de concessão ou modernidade. Inspirada por nomes como Iron Maiden e Judas Priest, a banda fundada em 2014, traz nesse EP seis faixas onde demostra sua paixão pelo estilo me questão.

                     Patrick Raniery (vocal), Diego Miranda(guitarra), Diego Sampaio (guitarra), Guibyson Rodrigues (baixo) e Vicente Mad Butcher (bateria) trazem nas seis composições presentes aqui, uma boa dose de heavy metal, mas com alguns momentos com influência do hard, tudo com aquele toque típico dos anos 80. Músicas simples mas eficientes. Como dito anteriormente, a capa ficou muito boa, bem dentro da proposta do grupo. Mas a produção... Está certo que se a idéia é soar bem old school, algumas timbragens ficaram acertadas. Mas outras não. E convenhamos que, soar old school não significa mal acabamento no trabalho. Não que esteja totalmente ruim, mas com uma produção mais esmerada, a sonoridade da banda seria melhor apreciada, além de que na divulgação, ajudaria bastante. Nada que num próximo trabalho não posso ser resolvido.

                     Enter Hades é uma pequena faixa instrumental, não chamaria de introdução, pois possui uma boa estrutura e é bem trabalha e antecede Crazy Words uma faixa com uma pegada bem anos 80, com boas guitarras além do vocal de Patrick que se encaixa muito bem no estilo praticado pela banda. Hells Angels vem na sequência e tem uma levada meio hard, num meio termo com o heavy mais "true", também com boas guitarras. A bateria poderia ser melhor trabalhada aqui, pois em alguns momentos percebe-se que ela fica muito reta, sem variações. Aliás, esse também é um ponto a ser melhorado. The Evil Song tem um início mais introspectivo, mas ganha peso e guitarras, novamente, que guiam a faixa por um caminho entre o hard/heavy. A faixa título, Gladiator, é o grande destaque, pois possui uma linha mais intensa, bem trabalhada e possui um refrão daqueles que depois da primeira audição, fica na sua cabeça (mesmo que você não queira). Mais cadenciada e com uma forte influência de Judas e Manowar, a composição mostra que o grupo tem muito talento! O encerramento se dá com Chuva de Balas. Cantada em português, a faixa nos remete aos saudosos anos 80, quando muitas bandas nacionais usavam nossa língua mãe para cantar e cria, com isso, um certo clima de nostalgia.

                   De forma geral, GLADIATOR é um bom trabalho. Alguns detalhes podem e devem ser corrigidos, ainda mais por que aqui, temos apenas o primeiro trabalho do REVANGER. Uma banda com boas idéias e composições que poderá trilhar um caminho vitorioso dentro da cena nacional. Um bom trabalho de estréia.





                     Sergiomar Menezes