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domingo, 10 de dezembro de 2017

SKINLEPSY - DISSOLVED (2017)



                Se algum dia, alguém lhe perguntar o significado da palavra PETARDO, pode dizer sem a menor sombra de dúvidas: DISSOLVED, novo álbum do trio SKINLEPSY. Que porrada, meus amigos! Formada em 2003, a banda conta com ex-integrantes de nomes importantes da cena pesada nacional. Se nomes como Siegrid Ingrid, Nervochaos, Anthares, Skullkrussher, Pentacrostic e Opera lhe são familiares, você sabe o que encontrará aqui. Um thrash metal brutal, beirandoa s fronteiras do death metal, acrescidos de muita garra, energia e intensidade. Dito isso, posso afirmar com toda certeza: estamos diante de um dos grandes álbuns de 2017!

                  André Gubber (guitarra e vocal - o músico foi responsável também pela gravação do baixo no álbum), Leonardo Melgaço (guitarra) e Evandro Júnior (bateria) estão de volta, 4 anos após seu último álbum ( Condemning the Empty Souls) e estão mais brutais e afiados do que nunca! Sem muita enrolação, o trio despeja riffs cortantes, pesados e ríspidos, enquanto a cozinha capricha na agressividade e velocidade, sem economizar na pegada e sem fazer nenhum tipo de concessão. O álbum foi gravado, produzido, mixado e masterizado por Roberto Toledo no Estúdio 44, em São Paulo. E podemos dizer que Roberto acertou em cheio, pois deixou explícita toda a brutalidade da banda. A capa é obra de Jean Michel da DNS Art, e retratou bem toda agressividade presente no trabalho.

                Perfect Plan abre o trabalho e já põe tudo abaixo! Guitarras violentas, bateria insanamente veloz, mas que apresenta mudanças de andamento bem trabalhadas e um vocal que fica mais próximo do rasgado do que daquele gutural, mostram que a banda possui uma personalidade forte e intensa. As passagens mais "melódicas" em alguns momentos dão um "molho" extra à composição. The Mentor mantém a brutalidade, mas apresenta momentos mais cadenciados, perfeitos para aquele headbanging tipicamente thrasher. Além disso, o ótimo trabalho de Evandro Júnior merece ser destacado, pois o baterista não se limita a apenas imprimir velocidade às faixas, criando linhas bem técnicas e interessantes. Ask To Diablo, faixa mais cadenciada, mas nem por isso menos pesada (pelo contrário), é outra mostra da versatilidade do trio na hora de compôr, pois agrega linhas mais próximas do death metal em vários momentos durante a execução da faixa. The Hate Remains The Same (título genial, diga-se de passagem) é outra porrada, totalmente thrash,com muito peso nas guitarras. Em Caustic Honor, temos uma boa amostra de quando a mistura entre o thrash e death atinge o ponto certo.

                 Uma bateria tribal dá início à faixa título, que traz riffs agressivos, mas em certos momentos o vocal acaba superando essa agressividade, tamanha a raiva que André transmite durante sua performance. A porradaria volta a comer solta em Blood and Oil, deixando tudo muito mais brutal ao aproximar-se de forma bem direta do death metal. André e Leonardo apresentam um ótimo entrosamento, se complementando entre riffs e  solos inspirados. Insomnia possui um ótimo trabalho de baixo e bateria e mesmo sendo uma faixa instrumental e mais curta (tem pouco mais de 1 minuto e meio) também é um dos destaques do álbum. A New Chance To Life vem com os dois pés na porta, com as guitarras trazendo o lado death metal do grupo de volta á tona. O encerramento vem com a thrash Murder, que mostra a influência da escola germânica no som do grupo. 

                         DISSOLVED é o segundo álbum do SKINLEPSY. Mas a experiência dos músicos se mostra relevante, pois agregando toda a estrada de ambos, acabaram por criar um dos grandes álbuns de metal extremo do cenário nacional em 2017. Sem muito mais a dizer. Apenas que se você é fã do lado mais pesado e agressivo do metal, tem a obrigação de pelo menos, ouvir esse álbum!





                   Sergiomar Menezes

APPLE SIN - APPLE SIN (2017)



                 E o Heavy Metal brasieliro não pára de surpreender e apresentar bandas de alto nível. Dessa vez, chega aqui no Rebel Rock, o primeiro full lenght do grupo mineiro APPLE SIN, que surgiu em 2012 e lançou em 2015 o EP Fire Star. Dessa vez, a banda nos brinda com APPLE SIN, trabalho auto intitulado, que traz 10 faixas (contando com uma introdução) onde o heavy metal impera de forma sublime. E quando se fala em heavy metal, que fique claro que estamos falando de nomes como Iron Maiden e de maneira mais forte, o trabalho solo do mestre Bruce Dickinson. Tentano imprimir sua personalidade, a banda deixa claro que tem tudo para atingir seus objetivos e adentrar o disputado cenário do metal nacional.

                 Patric Belchior (vocal), Beto Carlos (guitarra), Tainan Vilela (guitarra), Raul Ganso (baixo) e Eduardo Rodrigues (bateria) formam a banda. O grupo contou com a participação especial de Philipe Belchior nos teclados na gravação do álbum. E podemos dizr que o quinteto (ou sexteto, se preferirem assim) nos entregou um ótimo disco, onde o heavy metal é a força motriz. Produzido e mixado por Eduardo Rodrigues, o álbum apresenta uma sonoridade crua e pesada, que poderia ter ficado um pouco mais polida, mas que de forma alguma causa algum demérito ao trabalho. Aliás, isso só ressalta o peso e agressividade do metal praticado pelos mineiros.

                       Uma pequena Intro antecede Sea of Sorrow, uma faixa pesada e intensa que de cara nos remete à carreira solo de Bruce Dickinson. E a semelhança do vocal de Patric acaba por deixar essa impressão ainda mais forte. Não que isso atrapalhe, pelo contrário. É perceptível que o grupo procura impôr sua identidade de forma bem consistente. Em seguida, Darkness of World traz guitarras muito bem timbradas, naquela linha Murray/Smith, mas com uma roupagem bem mais atual. Pesada e com uma pegada bem pulsante, a faixa é um dos grandes destaques do álbum. Apple Sin, faixa que dá nome à banda e ao álbum, segue essa linha, com um ótimo trabalho da dupla Raul e Eduardo (baixo e bateria, respectivamente). Além deles, Beto e Tainan mostram grande entrosamento, trazendo um pouco da escola hard/heavy em suas linhas. Então, temos Another Day, onde o grupo mostra uma maior personalidade, com uma dose extra de peso. Temos até mesmo um pouco de thrash metal por aqui, o que deixa bem nítida a versatilidade dos músicos, além de provar que não se prendem à limites pré-estabelecidos. Sem dúvidas, a melhor faixa do álbum!

                    Em seguida, Respect vem para dar uma "esfriada" nos ânimos. mas não no mau sentido. Trata-se de uma bela balada, onde as guitarras vão da melodia ao peso sem problemas, enquanto Patric tem uma de suas melhores performances em todo o trabalho. Mesmo tendo grande similaridade coma  voz de Bruce Dickinson, percebe-se o cuidado que o vocalista tem de não ser apenas "mais um" que procura imitar a voz do Maiden. E isso é ponto mais que positivo para ele. E a veia NWOBHM (leia-se maideniana) volta com tudo em Fire Star. Totalmente heavy metal, a faixa apresenta aquelas guitarras gêmeas, tão comuns ao estilo. Black Hole é uma faixa pesada, mas sombria, um pouco diferente das demais faixas do álbum. Esta é outra composição que mostra mais da personalidade do grupo, pois incorpora uma sonoridade mais atual, lembrando os trabalhos do Judas Priest com Ripper Owens. Roaches Blood é uma composição repleta de bons riffs e com um bom trabalho de bateria. O encerramento vem com Roadie Metal, uma bela faixa que serve como homenagem á Roadie Metal, assessoria do grupo e de tantos outros, e uma das mais séria e batalhadoras de todo o país. Homenagem justa e merecida. E a faixa ficou muito boa, pois traz aquele heavy bem tradicional que agrada a maioria dos fãs do estilo.

                    O APPLE SIN apresenta em seu primeiro full lenght, um ótimo trabalho indicado para os fãs de um heavy metal pesado, moderno (não modernoso, se é que me fiz entender) e que não se prende á nenhum tipo de limite. Uma ou otra aparadinha em alguns detalhes (que o grupo já vem trabalhando) fará com que sua contagiante música fique ainda melhor. A página da banda dá conta de que o grupo está trabalhando em um novo trabalho. Estamos aguardando ansiosamente!




                 Sergiomar Menezes

sábado, 9 de dezembro de 2017

TORTURE SQUAD - FAR BEYOND EXISTENCE (2017)



                    E eis que o TORTURE SQUAD vota à carga com FAR BEYOND EXISTENCE. E o grupo deu sequência à sonoridade apresentada em Return of Evil (EP lançado em 2016 e que trazia a estréia dos novos integrantes). De forma sucinta, o grupo manteve a mesma pegada, fugindo daquele jeito "thrash" de ser, presente em Esquadrão de Tortura (2013). Isso mostra que a banda realmente queria mudar seu som, pois temos muito mais daquela característica death/thrash que caracterizou seu início de carreira. O trabalho chega ao mercado através da Secret Service Records, em uma bela embalagem. Sem muita enrolação, vamos ao que interessa: se a intenção era resgatar a sonoridade que permeou os primórdios do grupo, isso foi atingido em parte. 


              Segundo trabalho contando com Mayara "Undead" Puertas (vocal), Renê Simionato (guitarra), Castor (baixo e backing vocal) e Amilcar Christófaro (bateria), FAR BEYOND EXISTENCE  traz 12 faixas (sendo que três delas constam como bônus tracks). O álbum traz também algumas participações especiais, como de Dave Ingram (Benediction/Bolt Thrower) nos vocais da faixa Hate, de Edu Lane (Nervochaos), na narrativa da faixa Cursed by Disease, de Luiz Carlos Louzada (Vulcano/Chemical Desaster) nos vocais da faixa You Must Proclaim, de Alex Camargo (Krisiun) nos vocais da faixa Just Got Paid  de Marcello Schevano (Golpe de Estado/Carro Bomba/Casa das Máquinas) no Hammond da faixa Torture in Progress. Ou seja, uma constelação de nomes do metal brasileiro e internacional. A produção, que ficou muito boa, e a mixagem estiveram sob a responsabilidade da própria banda ao lado de Wagner Meirinho e Tiago Assolini. Já a masterização fiou por conta apenas de Wagner Meirinho. A capa é obra de Rafael tavares e repassa um clima de angústia e também de uma atmosfera sombria. Ah, e vale ressaltar que o grupo resolveu trazer dois encartes, sendo um deles com as letras em português. ponto extra para a banda! Dito isto vamos ao álbum.

                    Don't Cross My Path abre o álbum em grande estilo, pois de cara percebemos que o grupo pretende seguir esse "novo" caminho, mais voltado para o death/thrash. Se a ênfase é maior no primeiro, as guitarras de Rene mostram uma pegada mais próxima do thrash, o que cria uma atmosfera bastante intensa durante a execução da faixa. Mayara, que já havia mostrado isso no EP, canta de forma bem interessante pois seu gutural é bem variado, sendo que em muitos momentos, ela atinge notas mais agressivas. No Fate traz um excelente trabalho de Amílcar, que se mostra um músico em constante evolução. Já a guitarra incorpora bem o espírito death metal, enquanto Mayara despejo seus vocais por aqui mais insanos. Bloody Sacrifice possui uma introdução com corais, até certo ponto orientais, mas descamba para uma porradaria de alto nível. Os vocais de Mayara vão do gutural ao mais rasgado, o que em alguns momentos remetem ao já citado Esquadrão de Tortura (2013). Steady Hands é mais cadenciada e possui um peso extra na guitarra. A faixa ganha intensidade durante sua execução e apresenta um solo bastante técnico. Hate traz a participação de Dave Ingram (Benediction) e é um dos grandes destaques do álbum. Rápida e agressiva, temos uma sonoridade brutal e pesada, resgatando o "velho" Torture Squad. Hero for the Ages é uma composição bem variada, com mudanças de andamento e que mostra o excelente entrosamento da dupla Castor/Amílcar (algo que não precisa ser dito, tamanha a experiência e história que ambos possuem).

                         E tome riffs thrash metal em Far Beyond Existence. A faixa título traz uma levada mais cadenciada em alguns momentos, deixando tudo mais pesado. O vocal de Mayara aqui soa um pouco confuso, pois se fizesse uso daquele mais rasgado, acredito que resultaria em uma melhor performance. Já Cursed By Disease tem guitarras bem death metal, apesar do andamento mais cadenciado em alguns momentos. Essa música traz a participação de Edu Lane (Nervochaos) na narrativa da faixa. You Must Proclaim é outro destaque e traz a participação de Luiz Carlos Louzada (Vulcano/Chemical Desaster) nos vocais. Mais uma vez, Amílcar comanda a faixa, com batidas certeiras e precisas, agregando ainda muito peso á base rítmica ao lado de Castor. Just Got Paid (a primeira das três bônus) é um cover do ZZ Top e conta com os vocais de Alex Camargo do Krisiun). E por mais incrível que pareça, a faixa ficou muito legal, pois mesmo tendo o TS inserido sua pegada, ela não perdeu suas características originais. E a voz de Alex se encaixou muito bem na proposta da faixa. A instrumental Torture in Progress começa com o baixo de Castor comandando, e traz a participação de Marcello Schevano (Carro Bomba/ Casa das Máquinas/Golpe de Estado) no Hammond. è uma faixa completamente diferente das outras, mostrando a versatilidade dos músicos. O álbum se encerra com Unknow Abyss, uma "outro" com um clima bastante sombrio.

                          FAR BEYOND EXISTENCE mostra que o TORTURE SQUAD quer seguir uma nova direção sem esquecer de seu passado. Buscando novamente aquela sua sonoridade típica, ou seja, o death/thrash, o grupo apresenta neste trabalho o rumo que pretende seguir. Numa sequência natural do EP lançado ano passado, este CD vai agradar aos fãs da banda que não curtiram muito (assim como a própria, creio eu) o último full lenght. Que a Tortura não pare e tenhamos mais trabalhos de bom nível como esse pela frente!




                          Sergiomar Menezes


MINDS THAT ROCK - BRAZILIAN HEAVY MUSIC COMPILATION (2017)



                E chega por aqui a coletânea MINDS THAT ROCK - BRAZILIAN HEAVY MUSIC COMPILATION, que como o próprio nome entrega, trata-se de uma compilação com as bandas da METAL MEDIA (uma das mais sérias e bacanas assessorias de imprensa que temos neste país). E a distribuição vem através da parceria com a Shinigami Records, ou seja, prova incontestável de respeito e credibilidade. O que temos aqui são 17 bandas, dos mais variados estilos, que representam de maneira bem singular, o que o Brasil apresenta em seu underground. Thrash, Black, Hardcore, Tradicional... Temos uma variada gama de estilos muito bem representados neste trabalho.

                    O álbum abre com a faixa Enlighten, da banda As Dramatic Homage, que apresenta uma sonoridade pesada, com uma linha mais voltada ao prog metal. Com belas melodias que contrastam com a agressividade que as guitarras apresentam, a faixa abre de forma bem eficiente o trabalho. Na sequência, temos a banda Bloody, com a faixa Cancro. Apostando em um thrash metal agressivo e bem cru, a faixa é u verdadeiro soco na boca do estômago! Assim como o Cerberus Attack, que tem seu destaque nas guitarras, fortemente influenciadas pela Bay Area, como pode ser comprovado na faixa Face Reality. Uma fusão entre o hardcore e o heavy metal é o que temos na faixa Discurso, da banda Chafun di Formio. Hora pendendo pro lado mais HC, outras mais para o peso, a banda sabe dosar tudo de maneira correta. A coisa muda completamente de figura com a a banda gaúcha Darkship, que apresenta uma sonoridade bem oposta à anterior, com a faixa Eternal Pain. Com boas melodias, o grupo mostra uma sonoridade mais atual, trazendo uma interessante mistura entre o sinfônico, o metal e até mesmo, o pop em alguns momentos. E a brutalidade volta à tona com a banda Dysnomia com a faixa Spiralling Into Oblivion. Um thrash/death forte e intenso, cheio de ótimas variações em sua execução.

               Em seguida, temos uma das bandas que mais se destacaram em 2017: Elizabethan Walpurga! Com uma sonoridade bem próxima do black metal, mas que não se prende a nenhum limite pré-estabelecido, o grupo traz a faixa Infernorium, um dos grandes destaques de seu álbum de estréia, lançado em 2016. O thrash vigoroso e agressivo do Encéfalo vem na quência, pra manter a adrenalina do trabalho em alta. As guitarras sujas e pesadas de Blessed By The Wrong Choice mostram todo o poderio do grupo. O Hardcore pesado, com uma cara de thrash, do Endrah segue a sequência destruidora do álbum, com a faixa Priced Out of Paradise. O deaht metal dá as caras com o grupo Gestos Grosseiros com The Ambition, uma faixa que representa bem a sonoridade da banda. Preste atenção no ótimo trabalho de guitarra e também na bateria avassaladora da música. Outro grande destaque do trabalho é o grupo gaúcho Losna que comparece com a pedrada Mesmerized by Rotten Meat. O trio, principalmente ao vivo, mostra grande entrosamento e seus shows sempre são garantia de qualidade. 

                       A banda Maverick traz a faixa Upsidown, apostando num thrash moderno, com linhas próximas do que o saudoso Pantera fazia. Mas o grupo tem personalidade, o que fica explícito durante a execução da composição, principalmente pela variação apresentada. Então temos a banda mais "diferente" da coletânea. O grupo Pato Junkie apresenta uma sonoridade bem difícil de rotular, pois temos guitarras pesadas, ritmos brasileiros, passagens mais alternativas e momentos mais próximos do heavy metal. Tudo isso junto é o que ouvimos em Atos Terroristas. E pode-se dizer que a faixa agrada. O Heavy Metal tradicional aparece com o grupo Sacrificed, com a faixa Shame. Assim como The Wasted, que apesar de seguir essa linha, mostra uma pegada mais pesada e próxima do thrash com a faixa Heritage. Um dos melhores momentos (entre tantos outros da coletânea) fica por conta do grupo Vetor com a ótima faixa In The Sound of the Wind. Uma pegada moderna, mas igualmente pesada e brutal confere ao grupo uma identidade única. O CD encerra com o grupo Yekun que apresenta a faixa The Last Sound of the Silence. Pesada e bem variada, a composição fecha o trabalho em grande estilo.

                         Apesar de tratar-se de uma coletânea, onde geralmente, a produção acaba desnivelada, aqui isso não acontece. Todas a s produções encontram-se em excelente nível. Fica aqui meus parabéns ao brother Rodrigo Balan e à METAL MEDIA pela iniciativa e também um agradecimento pela confiança depositada no Rebel Rock desde seu início. São de pessoa assim que o Metal brasileiro precisa. Sorte nossa podermos contar com profissionais desse nível!



                          Sergiomar Menezes


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

DARK AVENGER - THE BELOVED BONES: HELL (2017)



               Simplesmente IMPRESSIONANTE! Não existem muitas palavras que possam definir o que ouvimos neste mais recente trabalho do DARK AVENGER. Espetacular, imperdível, sensacional... Estas são algumas que podem tentar defini-lo. Tudo aqui beira (se é que não atinge) a perfeição. Arte gráfica, conceito, elaboração, mas principalmente a MÚSICA! Cada detalhe que envolve THE BELOVED BONES:HELL merece mais que uma simples audição. Embora ao ouvirmos pela primeira vez já possamos dizer tratar-se de um trabalho excepcional, a cada novo contato, percebemos novas passagens cheias de variações. Classe, categoria, bom gosto e uma riqueza de detalhes dignos de figurar em todas as listas de melhores do ano da mídia especializada. E não falo apenas das listas nacionais, mas das internacionais também! 

               Quatro anos após "Tales of Avalon: The Lament", Mário Linhares (vocal), Glauber Oliveira (guitarra), Hugo Santiago (guitarra), Gustavo Magalhães (baixo) e Anderson Soares (bateria - que gravou o álbum - hoje as baquetas da banda são comandadas por Brendon Hoffmann) nos apresentam um dos trabalhos mais primorosos já apresentados por uma banda de heavy metal brasileira. Fica até mesmo um pouco complicado em uma resenha de poucas linhas abordar de forma completa o que o grupo fez aqui. Um conceito criativo e muito bem elaborado (além de muito bem executado), envolvendo as nuances que acabam ciando uma prisão, ou melhor dizendo, um INFERNO ao redor de nós mesmos. Isso tudo levado de forma sublime em arranjos técnicos, composições complexas e muito inteligentes, e interpretados de uma forma inspirada pela banda, fazem com que o ouvinte fique "preso" ao trabalho do início ao fim. Com um produção de altíssimo nível  (à cargo do guitarrista Glauber Oliveira, responsável também pela mixagem), que soube deixar tudo pesado e ao mesmo tempo cristalino, THE BELOVED BONES:HELL teve sua masterização sob a responsabilidade Tony Lindgren (Sepultura, Soilwork, Enslaved), o que garantiu uma dose "extra" de peso ao trabalho, o que deixou o que já era sensacional, ainda melhor! Como disse antes, são muitos detalhes, que envolvem desde o conceito, passando pela arte gráfica (que acompanhou o conceito de maneira eficiente), e pelo cuidado da banda que além das letras em inglês, trouxe também em português, mostrando preocupação com seu público, querendo que todo o conceito seja compreendido juntamente com  a música.

               O álbum abre com The Beloved Bones, uma faixa que começa ao som de violinos e que ganha peso  e intensidade durante sua execução. De cara, já podemos perceber a complexidade e criatividade do grupo com relação ao arranjos. As guitarras também merecem destaque, pois carregam consigo peso e agressividade. E fica impossível não citar o excepcional trabalho de Mário Linhares, um dos melhores vocalistas do Brasil. Conduzindo sua voz com variações de acordo com o andamento da canção, o vocalista mostra o porquê de ser considerado um dos grandes mestres do metal nacional. Smile Back to Me traz um ótimo trabalho da dupla Gustavo Magalhães e Anderson Soares (baixo e bateria, respectivamente). Com um trabalho variado e pesado, a dupla deixa tudo no ponto certo para que as belas orquestrações criadas pela dupla Glauber e Mário. Os corais (que tiveram seus arranjos e performances protagonizados também pela dupla) se encaixaram de forma perfeita na composição.  King For a Moment traz um peso que se mostra bem harmonizado com  a proposta da faixa, que traz também um Linhares mais agressivos em alguns momentos, mostrando toda sua capacidade técnica ( o que a esta altura do campeonato, já é do conhecimento de todo aquele que curte heavy metal). Apesar do peso, as guitarras navegam com facilidade pelas melodias, principalmente no excelente solo apresentado aqui. Já um certo clima oriental mostra-se bem interessante no começo de This Loathsome Carcass. A faixa é de um grandiosidade nos arranjos, pois as linhas de guitarras trazem riffs intensos, enquanto que em outros momentos, a melodia ganha destaque. Na sequência, Parasite, uma das melhores e mais intensas faixas do trabalho. Dona de variações, que vão de momentos mais técnicos e trabalhados à outros mais rápidos e agressivos, a composição mostra de forma muito clara toda a versatilidade da banda em compôr várias linhas dentro da mesma melodia. A sutileza e beleza dão início á Breaking Up Again, na qual, Linhares, mais uma vez dá um verdadeiro show de interpretação. Durante sua execução, o peso novamente dá as caras, trazendo um ótimo trabalho de bateria, muito bem executado por Anderson. Além disso, os riffs vêm carregados de energia e brutalidade (dentro da proposta da banda, obviamente).  O grupo já podia parar por aqui que já estaria de bom tamanho. Mas, felizmente, ainda tem mais.

                  O que temos em Empowerment é mais uma aula de classe, bom gosto e peso em doses bem colocadas, que mostram teclados encaixados com mestria dentro da composição, trabalho do guitarrista Glauber Oliveira, que criou linhas muito bem elaboradas. Linhares mostra variação nos vocais, algo que se mantém durante todo o álbum. Nihil Mind é guiada pelas guitarras, mostrando o ótimo entrosamento e nível técnico de Glauber e Hugo Santiago, que formam uma das melhores duplas de seis cordas do país. Ótimas melodias guiam mais um dos grandes momentos do álbum, onde o teclado aparece de forma sutil e ao mesmo de forma grandiosa. A faixa ainda conta com um solo inspirado. Purple Letter é guiada pela agressividade das guitarras, enquanto os corais contrastam de forma bem interessante. E aqui fica uma constatação: nenhuma banda no Brasil consegue criar este tipo de composição com a mesma maestria que o DARK AVENGER! Impressiona como grupo consegue fazer parecer fácil criar linhas tão complexas. Solar Mors Liberat encerra o tracklist regular do álbum e é uma faixa bem introspectiva, que deixa aflorar todo o sentimento envolvido na execução do álbum. Com uma bela melodia e interpretação, a faixa precede When Shadow Falls, uma bônus track bela e acústica.

                      THE BELOVED BONES:HELL é um trabalho grandioso. Complexo e de muito bom gosto, o álbum mostra uma banda que sabe valorizar o seu trabalho, e ao mesmo tempo, mostra respeito pelos fãs. Aqui, neste blog, diferentemente da forma na qual escrevo para outros veículos (METAL NA LATA e ROADIE CREW), não tenho por costume avaliar os álbuns enviados á mim atribuindo nota. Até porque de certa forma, música é arte, e cada um a interpreta e avalia de sua forma. Deixo isso a critério de quem lê e ouve o álbum resenhado. Mas dessa vez, o DARK AVENGER me força a quebrar o protocolo e, ao dizer que seu trabalho é fantástico, indispensável e primoroso, não me deixa outra alternativa a não ser escrever: NOTA DEZ!!!!!!!





               Sergiomar Menezes

sábado, 25 de novembro de 2017

MUNICIPAL WASTE - SLIME AND PUNISHMENT (2017)



                     Sabe aquele disco que quando acaba você coloca de novo, de novo e de novo? Pois esse é o caso de SLIME AND PUNISHMENT, sexto full lenght do MUNICIPAL WASTE que chega ao Brasil através da parceria Shinigami Records/Nuclear Blast. Músicas curtas, diretas, sem nenhum rodeio, invencionice ou modernidade. Só aquele Thrash/Crossover com influências nítidas e explícitas da Bay Area. Formado em 2001, o hoje quinteto não nos deixa respirar com 14 faixas recheadas de riffs agressivos, bateria veloz e insana e uma energia que parece inesgotável. Ao ouvir esse álbum, peço que você afaste os móveis de onde você estiver. O risco de acidentes é grande!

                Tony Foresta (vocal), Ryan Waste (guitarra, vocais), Nick Poulos (guitarra), Landphil (baixo) e Dave Witte (bateria) formam o grupo e se mostram insanos em 14 faixas sensacionais! Produzido pela própria banda, tendo na mixagem e masterização o experiente Bill Metoyer, o álbum ficou com uma sonoridade crua, suja mas ao mesmo tempo cristalina. E isso só deixou tudo mais direto e pesado, de acordo com as características da banda. Pra deixar tudo ainda melhor, temos a participação do mestre Vinnie Stigma (Agnostic Front) em uma  das faixas! Aperte o play e quebre tudo ao seu redor!

                     Breathe Grease já chega com os dois pés na porta! Aquela mistura certeira entre o thrash e o hardcore, sem concessões, com riffs certeiros e muita adrenalina já nos adiantam que o que vem por aí é muita, mas muita pegada crossover. Enjoy the Night é outra tijolada que vem conduzida pelo baixista Landphil. Impossível ouvir essa música e permanecer inerte. Só e você estiver morto! Dingy Situations tem muito peso nas guitarras e bem mais próxima do thrash metal, principalmente aquele praticado por nomes Nuclear Assault, Anthrax (do início), entre outros. E toem hardcore na veia com Shrednecks. Sabe aquele refrão que gruda na sua cabeça? Esse é um daqueles...  Poison The Preacher é mais um exemplo de como o thrash e o hardcore, quando bem equilibrados formam uma mistura explosiva! Bourbon Discipline é uma das mais "lentas", ms nem por isso fica para trás no uesito "chute no estômago". Parole Violators traz os vocais de Vinnie Stigma, da lenda Agnostic Front, que divide a função com o guitarrista Ryan Waste em um dos melhores (entre tantos) do trabalho.

                    E tome headbanging na faixa título, que me lembrou o Exodus dos velhos tempos. E a porradaria volta a comer solta em Amateur Sketch, que tem na velocidade e agressividade sua força motriz. Mais uma faixa em que os riffs de Ryan Waste mostram toda a influência da Bay Area que o músico traz consigo. Excessive Celebration e mostra mais uma grande performance do baixista Landphil. Low Tolerance começa cadenciada mas ganha intensidade e velocidade, num ritmo alucinante, levando o ouvinte a  se perguntar se o grupo vai manter essa pegada até o fim do álbum. A resposta vem logo em seguida com Under The Waste Command, outra faixa que se mantém bem próxima do thrash metal, com guitarras até mesmo mais tradicionais. Única instrumental, a composição é a que mais se diferencia das demais, mas sem perder o pique. Death Proof e Think Fast encerram o álbum em grande estilo, cheias de guitarras ácidas e mortais.

                      SLIME AND PUNISHMENT, me arrisco a dizer, é um dos melhores (se não o melhor) trabalhos do MUNICIPAL WASTE. Adrenalina contagiante, músicas diretas e viciantes e toda aquela atmosfera do underground. Não precisa de mais nada pra dizer que este é candidato à lista de melhores doa no de muitas publicações!



                        

                     Sergiomar Menezes

SONATA ARCTICA - THE NINTH HOUR (2016)



                 E os finlandeses do SONATA ARCTICA chegam ao seu nono trabalho de estúdio. Não á toa, o álbum se chama THE NINTH HOUR e está chegando por aqui através da parceria Shinigami Records/Nuclear Blast. Ultrapassando duas décadas de existência e já tendo enfrentado algumas mudanças de formação, o grupo, que em seu início de carreira foi comparado aos seus conterrâneos do Stratovarius, amadureceu ao longo do tempo, criando uma personalidade própria, incorporando doses generosa de prog metal à sua sonoridade.  E agora, dois anos após Pariah's Child, seu último trabalho, a banda mostra que gostou do resultado ali apresentando, trazendo neste mais recente álbum, 12 faixas (contando com um cover de Bryan Adams), o que fez anteriormente. Mesclando sua fase inicial com a atual, o resultado pode não agradar aos fãs mais antigo, mas com certeza, agradará aqueles que conheceram a banda nos últimos anos.

                   O Sonata Arctica hoje é formado por Tony Kakko (vocal), Elias Viljanen (guitarra), Pasi Kaupinnen (baixo), Henrik Klingenberg (teclado) e Tommy Portimo (bateria). E essa formação vem se mantendo há quatro anos, resultando em um bom entrosamento durante a execução do álbum. A produção do trabalho é excelente, tendo sua mixagem feita pelo baixista Pasi Kaupinnen enquanto a masterização ficou por conta de Svante Forsbäck. E quando falamos das bandas de metal melódico da Finlândia, não tem o que discutir. 99% dos trabalhos ficam com ótima sonoridade. A capa é bem bacana também, muito bem elaborada, trazendo os elementos que acompanham a carreira da banda ao longo dos tempos. Com relação às composições, podemos dizer que de certa forma, o grupo dá sequência ao que apresentou no trabalho anterior, resgatando em alguns omentos, aquela sonoridade mais próxima do início de sua carreira (e que agrada mais à este que vos escreve).

                       Closer To an Animal abre o álbum e de cara entrega a veia mais Prog que o grupo vem adotando nos últimos trabalhos. Funciona, mas sente-se falta de uma pegada mais "power", se é que me faço entender. Kakko está cantando muito bem, parece ter encontrado o ponto certo de sua voz. A próxima faixa, Life, possui um andamento cadenciado, mas apresenta variações, com melodias exploradas no limite, fazendo com que  a faixa acabe se tornando um tanto quanto repetitiva, criando momentos até certo ponto maçantes. Mesmo com boas idéias, a composição peca pelo exagero. Fairytale (nome sintomático, não?) resgata o metal melódico que consagrou o grupo em seu início de carreira. Linhas melódicas bem estruturadas, bateria naquela levada típica, com a guitarra contrastando com teclado em vários momentos, mostram que a veia metal melódica do grupo ainda respira. We Are What We Are é uma faixa bastante sentimental, uma balada com linhas de guitarra bastante interessantes. Till Death's Done Us Apart traz a atmosfera presente em Fairytale. Tranquilamente poderia estar em Silence (2001) ou em Winterheart's Guild (2003). Among The Shooting Stars é mais uma balada, que traz um ótimo trabalho do tecladista Henrik, pois o músico coloca emoção em sua participação de forma be eficiente.

                       Rise a Night, na opinião deste que vos escreve é a melhor faixa do álbum! Esqueça o que disse antes sobre Fairytale e Till Death's Done Us Apart. Essa aqui, com toda a certeza consegue resgatar toda a pegada power/metal melódica do grupo. Bumbo duplo, tecladeira, guitarra melódica e o vocal bem postado. Pode ser clichê ou o que for, mas é assim que o metal melódico tem que ser! Fly, Navigate, Communicate tem boas passagens, com um ótimo trabalho executado pelo baterista Tommy, que mostra versatilidade em sua viradas. Das baladas presentes no álbum, Candle Lawns é a melhor e mais bonita e conta com uma interpretação muito boa de Kakko. como disse anteriormente, o vocalista soube trabalhar ao longo dos anos sua voz, de forma que não comete nenhum tipo de  exagero quando interpreta linhas complicadas. White Pearl, Black Oceans, Pt II (By The Grace of the Ocean) é uma sequência da faixa homônima presente em Reckoning Hour (2004). On the Faultline (Closure To an Animal) é uma versão "diferente" da faixa de abertura. O encerramento vem com Run To You, cover de Bryan Adams, que ficou interessante, com o grupo imprimindo sua personalidade na composição.

                          THE NINTH HOUR é um trabalho interessante. Se em alguns momentos ele resgata a veia power/metal melódica do grupo, em outros ele deixa claro que  o prog melódico é o que a banda tem a oferecer de forma mais consistente. O SONATA ARCTICA soube amadurecer e moldar sua sonoridade de acordo com suas convicções. cabe aos fãs decidirem se aceitam isso ou não. Apesar de preferir mais a fase inicial do grupo, posso dizer que o que o grupo faz hoje em dia também me agrada. Personalidade não se compra, se constrói. E a banda soube fazer isso com competência.





                       Sergiomar Menezes


DANZIG - BLACK LADEN CROWN (2017)



                       Glenn Danzig é um nome lendário dentro do rock/metal. Se com o Misfits e o Samhain (especialmente com o primeiro) ele influenciou desde o punk rock/hardcore até os grandes nomes do heavy/thrash, com o DANZIG ele conseguiu transformar toda aquela atitude visceral e crua em algo mais sombrio e  soturno. E seu décimo primeiro trabalho de estúdio (contando com o álbum de covers, Skeletons, lançado em 2015) vem para confirmar o retorno (ou pelo menos, a tentativa de retornar) aos bons momentos de seus primeiros trabalhos sob este nome. BLACK LADEN CROWN, que chega por aqui na parceria entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast, mostra que, ao lado do guitarrista Tommy Victor, Glenn está disposto a retomar seu lugar dentro do cenário.

                   Formado hoje por Glenn Danzig nos vocais, o já citado guitarrista Tommy Victor (Prong), o grupo contou com o auxílio de alguns bateristas na gravação do álbum, dentre eles Johnny Kelly, Joey Castillo, Karl Rockfist, Dirk Veuberen (Megadeth) e do próprio Glenn Danzig, que também foi responsável pelo baixo. O baixinho invocado, se responsabilizou pela produção do trabalho que ficou bastante crua, o que de certa forma, acabou por combinar muito bem com a sonoridade apresentado no trabalho. Nunca é demais ressaltar que a banda sempre trouxe em sua música várias vertentes, indo do doom ao southern, passando pelo blues e pelo metal, sem nenhum tipo de problema. Assim, podemos afirmar que Black Laden Crown é um dos melhores trabalhos do grupo e anos!

                   Abrindo com a sombria e  densa faixa título, podemos perceber o bom trabalho de Tommy Victor, que agrega peso e técnica aos clima soturno que a música de Danzig pede. Já a voz inconfundível de Glenn, que serve de referencia para muitos, mesmo que não seja reconhecido, continua rendendo ótimas linhas, pois o tempo deu ao experiente músico a sapiência para usá-la de forma eficiente. Na sequência, Eyes Ripping Fire se destaca pela pegada mais "rock", mostrando novamente que a escolha de Victor foi muito bem feita. Preste atenção nos riffs e no solo caprichado que o guitarrista apresenta aqui, deixando a faixa ainda mais especial. Assim como em Devil on Hwy 9, talvez a faixa mais pesada do trabalho. Glenn mostra versatilidade, criando linhas mais variadas durante a execução da composição. Last Ride vem em contraponto, pois é uma faixa mais cadenciada, mas também é um dos destaques pois carrega consigo uma atmosfera bastante sombria e e introspectiva, além de contar com um excelente trabalho vocal.

                          The Witching Hour, em alguns momentos me trouxe à mente a voz de Jim Morrison (The Doors), que com toda a certeza, é uma das grandes influências de Glenn Danzig. O peso da guitarra de Tommy Victor volta com tudo em But a Nightmare. Cadenciada e carregada de passagens bem sombrias, a faixa se destaca ao mostrar toda a potencialidade que o vocalista ainda pode oferecer em suas interpretações. Uma das melhores faixas do álbum, com toda a certeza! Skulls and Daisies possui uma certa melancolia bem explícita em sua execução, da mesma forma que Blackness Falls. O encerramento vem com Pull The Sun, outro bom momento de Tommy Victor, que é, sem dúvida, o grande destaque do trabalho.


                        BLACK LADEN CROWN vem para provar, mesmo que a esta altura do campeonato isso não seja precisa, que o DANZIG ainda é relevante e serve de referência para muitas bandas da atualidade. Não é apenas com suas primeiras bandas ou com os primeiros trabalhos do grupo atual que Glenn Danzig se mostra importante. Este trabalho deixa claro que o músico ainda tem muito à acrescentar ao rock/metal.




                      Sergiomar Menezes

sábado, 18 de novembro de 2017

AVATARIUM - HURRICANES AND HALOS (2017)



                       Resumindo de forma bem direta: Leif Edling é um dos grandes gênios do Heavy Metal. A esta altura do campeonato, não seria necessário, mas vamos lá: o talentoso músico é a mente criativa do Candlemass, grupo que se tornou referência no Doom Metal. Além disso, Leif também tem em seu currículo o AVATARIUM, que chega agora ao seu terceiro trabalho, HURRICANES AND HALOS, lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast. Só que agora, Leif, pelo menos fisicamente, não participa mais da formação da banda, ficando meio que na condição de mentor do grupo (das 08 faixas que compõem o CD, 06 foram compostas pelo baixista). Mas isso só vem a engrandecer a qualidade apresentada aqui, pois o quinteto mostra adquirir sua personalidade  a cada novo trabalho.

                    Formado hoje por Jennie-Ann Smith (vocal), Marcus Jidell (guitarra), Mats Rydström (baixo), Rickard Nilsson (teclado) e Lars Sköld (bateria), o grupo mostra rande entrosamento, em composições e navegam com facilidade pelo stoner, doom, pelo classic rock e até mesmo pelo hard. Obviamente que a criatividade de Leif acaba se sobressaindo, mas de nada adiantaria se quem executasse suas músicas fosse uma banda sem talento. E o AVATARIUM mostra muito mais do que isso, pois seus músicos trazem consigo experiência e classe. cabei esquecendo de citar anteriormente, mas Edling ainda toca em outra grande banda que recentemente lanço seu trabalho de estréia, o The Doomsday Kingdom, onde o guitarrista Marcus Jidell também toca. Ou seja, praticamente, tudo em "família". O guitarrista também foi o responsável pela produção do álbum, enquanto que a mixagem ficou sob a responsabilidade de David Castillo e  a masterização, por conta de Jens Brogen.

                        O álbum abre com Into The Fire/Into The Storm, uma faixa excelente, com uma pegada bem anos 70, voltada de forma bem direta aos teclados. Além disso, cabe ressaltar o ótimo trabalho d a vocalista Jennie-Ann, que possui um belo timbre, sabendo dosar sua bonita voz de acordo com cada situação. The Starless Sleep é outra faixa bem peculiar, mais acelerada, mas mantendo as características setentistas que permeiam a sonoridade do grupo. A guitarra comanda o refrão, mostrando a categoria de Marcus. Já Road To Jerusalem tem uma aura oriental, com passagens que nos trazem arranjos muito bem pensados e executados. Novamente, Jennie-Ann mostra toda sua versatilidade, explorando de forma correta sua técnica vocal. Medusa Child tem o peso da guitarra como destaque. Detentora de passagens diversas (chegando ao ponto de contrastar o peso com melodias bem suaves), a faixa é um dos grandes destaques do álbum!

                     E tome anos 70 em The Sky at the Bottom of The Sea, comandada pelo tecladista Rickard Nilsson, que tem no mestre Jon Lord (R.I.P.) sua mais forte influência. O baterista Lars Sköld (Tiamat) também mostra sua categoria, pois imprime sua personalidade ao carregar no peso. O clima fica mais suave com When Breath Turns To Air, que deixa tudo com uma atmosfera bastante introspectiva. A guitarra comanda Kiss (From The End of the World) que mostra que na hora o peso, o grupo sabe como poucos transportar essa atmosfera para a música. O encerramento vem com a instrumental faixa-título, que possui momentos bem interessantes e ao mesmo tempo, envoltos num andamento quase que sombrio.

                          HURRICANES AND HALOS vem para comprovar que o AVATARIUM é um ótima banda. Se ela continuará "apadrinhada" pelo gênio Leif Edling, só o futuro dirá. O fato é que no momento, a criatividade de Leif vem criando bandas/projetos dignos de reconhecimento. E aqui, temos mais uma prova irrefutável disso!





                      Sergiomar Menezes

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

BATTLE BEAST - BRINGER OF PAIN (2017)



                   Os finlandeses do BATTLE BEAST chegam ao seu quarto álbum de estúdio. Numa regularidade, que hoje em dia é bastante louvável, já que a  banda lança seus trabalhos acada dois anos, BRINGER OF PAIN chega por aqui através da parceria Shinigami Records/Nuclear Blast. E, não tenho nenhum receio em dizer que o grupo apresenta aqui seu melhor trabalho! Com ótima produção e deixando ainda mais explícita sua gama de influências, o grupo mostra em 13 faixas (10 na versão regular, mas a versão nacional traz 03 bônus tracks), que evolui a cada novo álbum.

                      Formada em 2008, a banda é composta por Noora Louhimo (vocal), Joona Björkroth (guitarra), Juuso Soinio (guitarra), Eero  Sipilä (baixo), Jane Björkroth (teclados) e Pyry Vikki (bateria)  a banda acba fugindo daquele certo estereótipo quando se fala em bandas finlandesas. nada de metal melódico, sinfônico, ou até mesmo death melódico. O que temos aqui é um grupo que mescla de forma bem consistente várias influências, com uma ênfase maior ao hard rock e ao heavy metal. Produzido pleo tecladista Janne, o trabalho ficou com uma ótima sonoridade. também, esperar o quê quando ficamos sabendo que o álbum foi mixado por Mikko Karmilla e masterizado por Mika Jussila? Algo com qualidade acima de qualquer suspeita!

                        O álbum abre com a instigante  Straight To The Heart, um hard/heavy, com guitarras bem timbradas e que abusam de riffs certeiros. A voz de Noora Louhimo é bem versátil, pois vai do melódico ao mais rasgado com facilidade e desenvoltura. Já a faixa título é uma daquelas arrasa quarteirão, rápida, direta e com um bom trabalho da cozinha, composta por Eero Sipila e Pyry Vikki (baixo  e bateria respectivamente). King for a Day tem nas linhas de teclado seu destaque, o que deixa tudo com um pouco mais de melodia. Beyond The Burning Skies tem seu início no piano, o que acaba por remeter em alguns momentos ao Nightwish, mas obviamente, guardadas as devidas proporções, sem exageros ou orquestrações como seus conterrâneos fazem com primazia. Familliar Hell, apesar do título, apresenta um certo apelo pop, principalmente pelos vocais de Noora, que soam bem cristalinos e límpidos aqui.
                          
                         Lost in Wars traz a participação de Tomi Joutsen, do Amorphis no vocal. E a faixa acaba trazendo um pouco das características da banda do vocalista. O contraste entre as vozes se mostra muito bem construído e pensado, o que dá à composição uma linha mais diversa do restante do trabalho. Bastard Son of Odin traz de volta  apegada hard/heavy do início do álbum, com destaque para  base rítmica, que capricha numa pegada bem próxima do heavy tradicional. Um andamento mais cadenciado é o que temos em We Will Fight, que possui uma boa dose de peso nas guitarras, cortesia da dupla Joona e Juuso, que mostram ótimo entrosamento. Dancing With The Beast acaba sendo o ponto mais fraco do álbum, pois não acrescenta nada de relevante. Com um forte acento pop, mas sem agregar nada de peso ou passagens mais trabalhadas, a faixa deixa um pouco a desejar. Far From Heaven é uma bela balada que encerra a parte regular do CD. Temos ainda três faixas bônus: God of War, que poderia estar na versão regular, pois traz ótimas guitarras e um grande trabalho de baixo/bateria; The Eclipse, pesada e com mudanças de andamento e Rock Trash, um hard/heavy pesado.

                            Neste quarto trabalho, o BATTLE BEAST comprova sua evolução através de seus álbuns. Buscando identidade, o grupo parece ter encontrado sua posição nesse disputado cenário, com composições fortes e muito bem trabalhadas. BRINGER OF PAIN é um álbum para ser apreciado pelos fãs de hard/heavy e rock em geral. Curta sem moderação!





                      Sergiomar Menezes

terça-feira, 14 de novembro de 2017

TALES FROM THE PORN - H.M.M.V. (2017)




                  HARD ROCK! Com todas as letras maiúsculas! Sim, meus amigos! Eis que um dos melhores álbuns lançados no Brasil neste 2017 chega por aqui. E não há nenhum exagero no que escrevo. O que temos aqui é aquele mais puro Hard Rock indicado para fãs de Ratt, Mötley Crüe, Guns N' Roses, Tuff, Dokken e afins. O TALES FROM THE PORN é uma banda brasileira que conta com os vocais de Stevie Rachelle (Tuff). E essa união ficou excelente, pois o timbre de Rachelle combinou perfeitamente com a sonoridade do grupo, que aposta naquele Hard sujo, com a típica malícia dos anos 80. H.M.M.V. (Heavy Metal Minha Vida) mostra que o estilo está muito bem representado no país!

                        Formada pelo já citado Rachelle no vocal, Andy Sun (guitarra), Bruno Marx (guitarra, backing vocal), Bento Mello (baixo, backing vocal, Sioux 66), Igor Goddoi (teclados e backing vocal, Sioux 66)  e Edgar Avian (bateria, Supla), a banda mostra um feeling que impressiona, tamanha a qualidade e pegada, remetendo aos grandes nomes do Hard Rock. Obviamente que a presença de Stevie Rachelle ajuda, afinal, estamos falando de um músico que esteve presente naquela época mágica do estilo (lia-se anos 80). Mas o grupo não se resume apenas ao americano. Andy Sun e Bruno Marx formam uma dupla certeira, com riffs e solos na medida! Os backing vocals ficaram muito bem encaixados também. O álbum foi produzido, mixado e masterizado por Henrique Baboom, no Toque Final Mix & Master, em São Paulo. Já os vocais, foram gravados na Califórnia. E a tecnologia favoreceu, pois temos uma sonoridade bem uniforme e intensa! 

                         Back to the 80's abre o álbum e de cara temos aquele hard malicioso, vocal despojado e muita adrenalina! "Let's Rock, Let's Roll, All around the world lose control! Hey you, let's go, We're going back... Back to the 80's!" Quer coisa mais hard rock que isso? E as guitarras que respiram aquela atmosfera "Sunset Strip"? Clássico instantâneo! Runaway Lover tem riffs inspirados em uns tais de Warren DeMartini e Robin Crosby... Sério mesmo... Se ninguém te avisar que se trata de uma banda brasileira (exceção à Rachelle) e que gravou esse disco em 2017, você diria é uma das bandas clássicas dos anos 80.  E tome mais hard "safado" em Hot Girls, Fast Cars! Sabe aquele refrão grudento? Então... Além disso, os riffs transbordam aquele clima "party all night" sem cerimônia. Já  a faixa que dá nome à banda (ou vice-versa), tem uma pegada mais hard n' heavy, sem perder sua veia anos 80. E a cozinha composta por Bento Mello (que é guitarrista da banda Sioux 66) e Edgar Avian, injeta uma dose generosa de peso, dando um tempero especial à composição.

                        E o que dizer de Perfect Love? Posso até parecer e soar repetitivo, mas qual fã de Ratt, Mötley Crüe (mais do início da carreira) não vai ficar com aquele sorrisão de satisfação ao ouvir esses riffs? Os backing vocals também merecem destaque, pois ficaram no lugar certo. Outro destaque do trabalho é Girls Wanna Party (In Augusta Street). Com um refrão cheio de malícia (o que esperar de uma faixa com um título desses, não é mesmo?) e com solos afiados, a composição mostra toda a pegada do grupo. Let It Shake, a faixa mais pesada do álbum, e por consequência, a mais heavy metal, tem baixo/bateria marcados, enquanto Rachelle mostra um lado seu mais versátil, explorando linhas mais próximas do heavy (dentro de suas possibilidades, que fique bem claro). Danger Zone é um cover de Kenny Loggins, que fez parte da trilha sonora do filem Top Gun - Ases Indomáveis, que que também fez parte da trilha sonora da vida de muita gente que agora está lendo esse texto. E o grupo soube colocar sua identidade, dando uma cara nova à composição, sem que precisasse modificar de forma substancial as linhas originais. O fechamento vem com Scary Movie, uma faixa totalmente anos 80. Seja no seu andamento, seja na letra, a faixa encerra o álbum, dano a certeza de que acabamos de ouvir um dos melhores (senão o melhor) álbum lançado neste país em 2017.

                       Neste blog, eu não tenho o costume d e resenhar trabalhos que não sejam enviados pelas gravadoras, assessorias ou pleas próprias bandas. Mas dessa vez, tive que abrir uma exceção: H.M.M.V. é um dos discos mais legais que ouvi nos últimos anos e que não poderia ficar de fora. Ainda mais tendo em vista que o Hard Rock é um dos estilos preferidos deste que vos escreve. A estréia do TALES FROM THE PORN é muito mais do que um simples debut. É um CD que mostra que o Brasil não deve nada a cena atual lá de fora. Se o Hard é sua praia, pode mergulhar sem medo! STAY HARD!



                           
                        Sergiomar Menezes

domingo, 12 de novembro de 2017

THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA - AMBER GALACTIC (2017)



                     Pense em uma banda composta por músicos experientes e até mesmo consagrados dentro da música pesada, mas que pratica uma sonoridade que dosa de forma perfeita o pop dos anos 70/80, agregando as influências pessoais de cada um dos envolvidos. É exatamente isso que encontramos no terceiro e espetacular álbum do grupo THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA. AMBER GALACTIC, que chega por aqui através da parceria Shinnigami Records/ Nuclear Blast, é, sem nenhuma sombra de dúvida, um dos melhores trabalhos lançados em 2017! Se em "Infernal Affairs" (2012) e "Skyline Whispers" (2015), o grupo já mostrava que não tinha limites em suas composições, aqui, o nível de excelência alcançado pelo sexteto beira  a perfeição!

                           Formado por Björ Strid (vocal, Soilwork), David Andersson (guitarra, Soilwork),  Sebastian Forslund (guitarra), Sharlee D'angelo (baixo, Arch Enemy, Spiritual Beggars, entre outros), Richard Larsson (teclados) e Jonas Källsbäck (bateria), o grupo apresenta seu primeiro trabalho após assinas com a Nuclear Blast. São 10 faixas que navegam entre o pop, o rock, o hard, o heavy, a até mesmo, com a disco music dos anos 70. Tudo isso misturado poderia soar estranho, mas o que temos aqui, são composições que mostram toda a classe e categoria da banda, que como dito anteriormente, não se prende á rótulos e não vê limites na hora de compôr. Produzido pela própria banda, mixado pelo guitarrista Sebastian Forslund e masterizado por Thomas "Plec" Johansson, o álbum regatou uma sonoridade bem próximo daquela dos anos 70, mas que consegue ao mesmo tempo soar bastante atual e moderna.

                             O álbum abre com a sensacional Midnight Flyer ( que em sua introdução conta com uma narrativa feminina em português!), que possui uma ótima linha de teclados, que alinhada com o trabalho das guitarras, cria uma melodia bem próxima do hard/heavy doas anos 70. Star of Rio traz essa mesma perspectiva das guitarras e mostra toda a versatilidade de Björn Strid, pois o vocalista, acostumada a vocais bem mais agressivos no Soilwork, canta aqui de forma limpa e melódica com grande desenvoltura. Um certo "apelo" pop é o que temos em Gemini, uma faixa simples, mas de muito bom gosto. Sad State of Affairs é uma das melhores do homogêneo trabalho. Strid mais uma vez, se destaca com uma bela interpretação, enquanto  a melodia e levada, chegam em determinados momentos a lembrar o The Police (principalmente no momento da "paradinha" no meio da faixa). Jennie é uma bonita balada, com belos arranjos.

                            Domino é uma composição que poderia facilmente estar em algum trabalho lançado pela Motown Records em seus anos dourados. Impressionante a versatilidade dos músicos, ainda mais se pensarmos em seus grupos principais. E isso só mostra que o radicalismo (apesar de necessário algumas vezes), acaba por privar muitos de conhecer obras como essa. Josephine é outra faixa pop/rock com características setentistas e possui um refrão de fácil assimilação. Já Space Whisperer é uma das faixas que mais possui "peso" nas guitarras e que contrasta com os teclados cheios de climas melódicos criados pleo tecladista Richard Larsson. Something Mysterious possui linhas próximas da disco music. O encerramento vem com Saturn in Velvet, uma composição com levada hard rock e belas melodias.

                          O THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA não deve ser encarado apenas como um projeto paralelo dos músicos envolvidos. Tanto é que a banda já está em seu terceiro trabalho. E não é "qualquer" trabalho. AMBER GALACTIC, com a mais absoluta certeza, estará na lista de melhores do ano deste que vos escreve, independente do veículo que for. Uma música livre de preconceitos e com muita qualidade. Como diria o estre Glenn Hughes: FELL THE MUSIC! Com certeza, você não irá se arrepender!




                    Sergiomar Menezes             
           

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

HEAVEN SHALL BURN - WANDERER (2016)



                       O grupo alemão HEAVEN SHALL BURN chega ao seu oitavo trabalho de estúdio. WANDERER, lançado em 2016 e que chega por aqui pela parceria Shinigami Records e Century Media, mostra que o grupo continua investindo em uma sonoridade bem próxima do Death Metal Melódico, mas agregando influências mais atuais. Confesso que nunca prestei muita atenção na banda, mas a "polêmica" que a envolveu quando o grupo foi escolhido como uma das atrações que abririam o show que o mestre King Diamond faria no Brasil, fui procurar saber mais sobre ele. E acabei "descobrindo" uma grande banda!

                 Formado por Marcus Bischoff (vocal), Maik Weichert (guitarra), Alexander Dietz (guitarra), Eric Bischoff (baixo) e Christian Bass (bateria), o grupo apresenta em 12 faixas (incluindo o "tradicional" cover), muita técnica, peso e riffs que trazem um meio termo entre o death melódico e a atual cena americana (leia-se metalcore). Mas isso não atrapalha em nada  a música da banda, uma vez que essa"influência" atual, acaba criando uma identidade bem característica. O álbum foi produzido pelo guitarrista Alexander e contou com a co-produção do também guitarrista Maik. Não á toa, as guitarras acabam sendo os maiores destaques do trabalho. Já a mixagem e masterização ficaram sob a responsabilidade do renomado Tue Madsen (Kataklysm, At The Gates, entre outros). A arte gráfica ficou muito bacana também, pois contrasta com imagens "suaves", o peso que a banda apresenta durante a execução do álbum.

                           O álbum abre com The Loss Of Fury que logo dá lugar a uma das melhores faixas do trabalho: Bring The War Home. Essa é daquelas faixas que nos remetem diretamente ao death melódico (In Flames e Dark Tranquility à frente), mas  que traz consigo a personalidade do Heaven Shall Burn. Além disso, o bom trabalho da dupla Eric e Christian (baixo e bateria, respectivamente) merece ser citado. Passage of the Crane tem um começo introspectivo, mas ganha muita intensidade durante sua execução. As guitarras mostram ótimo entrosamento, dando à composição o peso necessário. Assim como em They Shall Not Pass. Brutal, a faixa tem um andamento agressivo, com algumas mudanças bem interessantes, chegando a flertar com o Thrash Metal. Downshifter tem momentos distintos, mas rápidos e agressivos (mas que buscam a melodia) e outros mais cadenciados e bem pesados. O lado mais "death" do grupo aparece em Prey To God, principalmente nas linhas vocais de Marcus, bem mais próximas do estilo, nesta composição.

                           My Heart is My Compass é instrumental, enquanto que Save Me é uma faixa que foge um pouco do que o restante do álbum apresenta. Cadenciada, com uma melodia sombria e em alguns momentos angustiante, a composição ganha intensidade do meio pro fim. Corium é outra que nos remete ao "Gothemburg Sound", pois alia peso, melodia e agressividade como só os grupos suecos conseguem fazer. Extermination Order também é outro destaque do álbum! Bateria técnica, pesada e muito bem trabalhada durante toda a execução da faixa que possui guitarras diretas e pesadas. Da mesma forma A River of Crimsom traz essa atmosfera. O encerramento vem com o cover de The Cry of Mankind, do grupo My Dying Bride, que ficou bem interessante.

                              O quinteto alemão mostra em WANDERER que, mesmo envolto em "polêmicas", mas isso só aqui no Brasil, uma vez que a banda goza de bom prestígio lá fora, principalmente na Europa), soube manter o bom momento musical que já vem o acompanhando há algum tempo. Se você é daqueles que tem a mente aberta e procura música e qualidade, agressiva, pesada e ao mesmo tempo, com uma base melódica, o HEAVEN SHALL BURN pode ser uma banda que o agrade de forma muito consistente. Escute e entenda o que quero dizer.






                     Sergiomar Menezes

domingo, 5 de novembro de 2017

ELIZABETHAN WALPURGA - WALPURGISNACHT (2016)



                 
                        A banda em sua página oficial no Facebook, diz praticar Blackned Heavy Metal. Você, antes de ouvir o CD, descobre que as influências do grupo vão de Accept, Iron Maiden e Mercyful Fate até In Flames, Dimmu Borgir, Satyricon, Amorphis, At The Gates, entre outros. E quando você coloca pra rodar o álbum... é exatamente isso que você encontra! O grupo ELIZABETHAN WALPURGA, formado em Recife/PE, nos brinda com um metal fortemente influenciado pelo heavy metal tradicional, mas tendo por base o Black e o Deah Metal. Seu álbum de estréia. WALPURGISNACHT, lançado pela Shinigami records, mostra um grupo maduro e dono de uma personalidade própria. 

                  Leonardo "Mal'lack" Alcântara (vocal), Breno Lira (guitarra), Erick Lira (guitarra), Renato Matos (baixo e backing vocals) e Arthur Felipe Lira (bateria) integram o grupo, que foi formado nos anos 90, mas que encerrou suas atividades pouco depois depois. Em 2015, a banda retoma sua carreira e no ano seguinte, solta seu primeiro full lenght, garantindo aos apreciadores do lado mais obscuro do heavy metal, momentos dignos de reconhecimento. O Black/death praticado pelo quinteto tem influência forte do metal tradicional, e muito disso se dá pelo que apresenta a dupla de guitarristas Breno e erick. Seus riffs, apesar de todas a s características black, acrescentam muito do que as duplas Smith/Murray, Hoffmann/Frank, Denner/Shermann fizeram em seus melhores dias. O vocal de Leonardo também merece destaque, por criar linhas totalmente black, por vezes lembrando nomes diferentes como Shagrath e Dani Filth. A produção e os arranjos foram feitos pela própria banda, enquanto a mixagem e masterização ficaram sob a responsabilidade de Nenel Lucena.  Já a capa, encaixada perfeitamente na proposta sonora do grupo, foi obra da Deafbird Design Lab.

                        Exordium é uma introdução macabra que nos deixa preparados para Vampyre, uma faixa que aflora de forma elucidativa que as guitarras serão o principal diferencial do grupo. Não que os demais integrantes fiquem atrás. Pelo contrário. Como dito antes, Leonardo tem uma voz perfeita para o estilo, enquanto que a cozinha composta por Renato e Arthur, cria bases trabalhadas e intensas. Mas o que os guitarristas mostram é que não é necessário s prender aos limites "impostos" pelo estilo para que a música se mantenha na proposta. Os solos ficaram perfeitos, sendo que em alguns momentos, esquecemos que estamos diante de um disco de Black Metal. Clamitat Vox Sanguinis também possui essa característica, deixando um espaço maior para a performance cheia de intensidade de Leonardo. Novamente, os solos apresentados são de excelente qualidade! Infernorium é uma composição que me remeteu rapidamente ao Mercyful Fate. Preste atenção nos riffs e linhas de baixo aqui (obviamente que antes da faixa adentrar o sombrio mundo do black metal) e me diga se estou errado...

                         E tome mais metal tradicional em The Serpent's Eyes and The Horns of Crown. Talvez a faixa mais nesse estilo do trabalho, a composição é um belo exemplo de como a música do grupo é rica e cheia de personalidade. The Elizabethan Dark Moon é uma faixa típicamente Black Metal.Os riffs são cortantes, mas ganham a adição de momentos mais tradicionais. O título longo de The Canine Enchantment By The Phlebotomy (In The Jugular's Stream) traduz a angústia presente durante a execução da faixa. Sombria e com momentos variados, a composição é um dos destaques do trabalho. Transylvanian Cry também possui estas características, mas de uma forma menos intensa. O fechamento do álbum vem com Walpurgisnacht, é uma faixa bem estruturada, repleta de mudanças de andamento, dando ao álbum, em encerramento em grande estilo.

                             WALPURGISNACHT é mais do que um simples trabalho de estréia. É a firmação do ELIZABETHAN WALPURGA como um nome a ser lembrado no Brasil quando o assunto for metal extremo. Mesmo com apenas um trabalho, o grupo ostra mais personalidade e qualidade que alguns grupos que estão na cena há algum tempo. 





                    Sergiomar Menezes


THE UNITY - THE UNITY (2017)




                     Quando integrantes de bandas que ainda estão em atividade resolvem criar ou participar de projetos paralelos, logo pensamos: "Ah... a sonoridade vai ser bem diferente. Afinal, porque outra banda ou projeto se é pra fazer o mesmo que se faz na banda principal?". Mas nem sempre a coisa é tão simples assim. No caso do THE UNITY, que lança seu auto intitulado álbum de estréia, que chega por aqui pela parceria entre a Shinigami Records e a SPV/Steamhammer, temos a presença de músicos que integram um dos grandes nomes do power metal mundial: o Gamma Ray. Mas além disso, temos também a participação de ex-membros da banda Love.Might.Kill, sendo que o baterista dessa, hoje é dono das baquetas do já citado Gamma Ray. Se lendo pode soar um pouco confuso, ao ouvirmos o disco, percebemos que a música do THE UNITY agrega s sonoridades de ambas as bandas, criando um Power Metal com forte ligação com o Hard/Melodic Rock.

                      Gianbattista Manenti (vocal), Henjo Richter (guitarra, Gamma Ray), Stef E. (guitarra), Jogi Sweers (baixo), Sascha Onnen (teclados) e Michael Ehré (bateria, Gamma Ray) integra a banda. Exceção feita a Henjo Richter, os demais integrantes tocavam no Love.Might.Kill. juntamente com Michael Ehré. E ainda, o guitarrista Christian Stöver (que também tocava no LMK), gravou algumas guitarras adicionais. Ou seja, entrosamento total entre os músicos, que se encarregaram também da produção do álbum, que soa limpa, com tudo no lugar, como aliás, o estilo praticado pelo grupo necessita. Já a mixagem e masterização ficaram por conta de Miquel A. Riutort, enquanto que a capa, que ficou bem legal, foi obra de Alexander Mertsch. Em 12 faixas, o sexteto nos apresenta composições cheias de melodia, navegando entre o power e o melodic metal, incorporando influências do hard europeu. 

                        Algumas faixas acabam se destacando dentro do álbum, que é bastante homogêneo, mantendo um nível elevado de qualidade. Dentre ela podemos citar  abertura com Rise and Fall, mais próxima do power metal, principalmente no tange às guitarras, que trazem riffs bem construídos. Já o vocal de Gianbattista soa diferenciado, pois o músico passeia com desenvoltura tanto pelo metal quanto hard sem soar forçado. No More Lies é outra boa faixa, pesada e detentora de um refrão que é puro hard/heavy anos 80. O peso também se destaca em God of Redemption. Cadenciada e com linhas mais próximas do metal tradicional. Firesign também se destaca, mostrando a versatilidade do vocalista, que vai do mais rasgado ao melódico com facilidade. Close to Crazy é uma faixa que lembra um pouco o Gamma Ray, pois as melodias parecem ter saído da mente genial do mestre Kai Hansen. Ainda podemos destacar Edens Fall (hard/heavy old school) e Killer Instinct, que possui riffs bacanas e uma levada mais cadenciada.

                        A estréia do THE UNITY aponta um grupo (ou projeto paralelo) disposto a encarar novos desafios. Basta saber se quando o Gamma Ray retornar, da pausa "forçada", a banda se manterá ou se transformará apenas em um passatempo dos músicos aqui envolvidos. E se este for o ocorrido, será um grande desperdício, uma vez que o que o grupo apresenta aqui é uma música bem interessante e de qualidade.




                      Sergiomar Menezes