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quinta-feira, 15 de junho de 2017

BASTTARDOS - O ÚLTIMO EXPRESSO (2015)



               O Brasil é um país muito estranho. E isso fica ainda mais comprovado quando a gente se depara com um trabalho como O ÚLTIMO EXPRESSO, EP lançado em 2015 pelo grupo carioca BASTTARDOS. Fosse um país sério ou que valorizasse realmente a música feita por aqui, a banda certamente, mesmo tendo lançado apenas dois EPs, seria muito mais conhecida. Praticando uma mistura muito interessante ente o hard rock, o southern e um pouco de heavy metal, o trio apresenta uma música enérgica, inteligente e visceral. Rock n' Roll no "melhor" sentido da palavra! guitarras bem timbradas, baixo e bateria que mandam ver no peso na medida certa e um vocal que se encaixa perfeitamente na proposta apresentada, fazem deste, um trabalho que peca apenas pela quantidade de músicas.

               Formado por Alex Campos (vocal e guitarra), Terceiro Elemento (baixo) e Bernardo Martins (bateria), o grupo surgiu em 2010 e em 2013 lançou seu primeiro trabalho, o EP "Dois Contra o Mundo", onde já apresentava as características que se tornariam sua marca registrada: guitarras pesadas, base forte e pegada e vocais rasgados e limpos, criando uma atmosfera que unia o hard e o southern. Aqui, em O Último Expresso, podemos dizer que isso se manteve, mas que o peso acabou ganhando um pouco mais de força, incorporando o lado mais "heavy" no som do trio. Produzido pelo guitarrista e vocalista Alex Campos e mixado e masterizado por Fil Buc, o EP tem uma sonoridade perfeita, onde os instrumentos estão nítidos, sem que com isso, o grupo abra mão do peso. A bela capa é obra de Alexandre Ferreira.

                       Composto por 5 faixas, o EP abre com a faixa Basttardos, que começa com um dedilhado que nos leva a uma atmosfera de filmes Western", ganhando peso e mostrando logo na primeira música que o grupo conseguiu melhorar ainda mais o que já tinha apresentado no trabalho anterior. Com um refrão que agrega melodia a sonoridade "suja" do grupo, a faixa já havia sido lançado no formato "single especial" em 2014, dando uma prévia do teríamos aqui. Licor de Cereja é daquelas faixas pra curtir bebendo uma cerveja gelada! com uma levada mais cadenciada, a guitarra se mostra mais próxima do hard, deixando esse lado das influências do grupo mais explícito. Já Despertar do Parto é uma espécie de "power ballad", onde percebe-se uma forte emoção na interpretação de Alex Campos. A letra fala sobre as nuances que envolvem a paternidade, de ambos os lados, seja pelo lado pai, seja pelo lado filho. Um belo solo completa uma das melhores faixas já compostas pelo grupo! Exilados traz uma pegada mais moderna, com elementos amis atuais, mas sem abrir mão das características do grupo. Bem variada, a faixa alterna momentos mais rápidos com outros mais amenos, inclusive usando em sua execução passagens melódicas, criando um contraste bem interessante entre a "sujeira" e o lado mais "limpo" do trio. E encerramento vem com Terceiro Elemento, uma faixa pesada e até mesmo, um pouco mais sombria (no que tange à musicalidade da banda). E isso mostra que o grupo não s eprende a estereótipos na hora de compor. Algo mais que positivo, tendo em vista a enxurrada de bandas que usam e abusam de vários clichês em sua música.

                          Como dito lá no começo, O ÚLTIMO EXPRESSO tem apenas um pequeno defeito: ser muito curto. A música do BASTTARDOS é daquelas que nunca cansam, pois além de energia, transborda originalidade e personalidade. Que o grupo lance logo um full lenght. É o que os fãs esperam com ansiedade!





             Sergiomar Menezes


sábado, 10 de junho de 2017

PRONG - X - NO ABSOLUTES (2016)



             Formado em 1986 por Tommy Victor (guitarra e vocal) e Mike Kirkland (baixo), o PRONG teve um início bastante promissor, lançando álbuns que agradaram aos fãs de metal por incorporarem peso, agressividade e elementos pouco utilizados pelas bandas do estilo naquele momento. Beg To Differ (1990), o excelente Prove You Wrong (1991) e Cleasing (1994) deram ao grupo boa credibilidade e fixaram o seu nome entre as principais bandas da cena naquele momento. Mas a década de 90, a partir de sua metade não foi muito boa para a banda, que após Rude Awakening (1996), encerrou as atividades. Em 2002, Tommy Victor resolveu colocar a máquina novamente na estrada e de lá pra cá, o grupo vem numa crescente de bons lançamentos, tendo em 2016 lançado X - NO ABSOLUTES, que sai por aqui via Shinigami Records/SPV Steamhammer. E o sexto álbum, desde a "volta" do grupo, mantém a qualidade apresentada nos trabalhos anteriores.

            A banda hoje é formada pelo já citado líder e principal compositor do grupo Tommy Victor (guitarra e vocal), Jason Christopher (baixo) e pelo baterista Art Cruz. E o trio caprichou em 12 faixas (13 na versão nacional, que inclui uma bônus track), onde a versatilidade do grupo, que sempre o caracterizou se mostra mais uma vez de forma explícita. Riffs excelentes, peso na medida certa e aquela velha mistura entre o thrash metal, o crossover e algumas pitadas (muito de leve) de industrial aliadas à uma excelente produção (à cargo do próprio Tommy Victor e de Chris Collier, que foi responsável também pela mixagem e masterização) fazem deste, um dos melhores trabalhos do grupo desde seu "retorno".

             X - NO ABSOLUTES equilibra bem a fase passada e o momento atual do grupo. E isso já pode ser noatdo logo na faixa de abertura, Ultimate Authority. Carregada de peso (baixo e bateria mostram ótimo entrosamento e coesão, criando uma base sólida e densa), a faixa traz consigo todas as características que marcaram a carreira da banda. Além disso, o vocal de Tommy Victor continua o mesmo, pois o vocalista canta de forma limpa e agressiva sem perder a entonação. Da mesma maneira, Sense of Ease, resgata o lado mais crossover do grupo, abusando da velocidade e trazendo a urgência do hardcore à música do Prong. A guitarra, por sua vez, comanda de forma nervosa o andamento de Without Words, que contrasta com um refrão melódico, criando um diferencial. Cut and Dry tem um pouco de Prove You Wrong (91) e Cleasing (94) em suas linhas, mas recebe uma sonoridade mais atual. No Absolutes também tem essas características, muito mais pelo nadamento e pelo peso que a base empresta à composição do que pelas linhas de guitarra e é uma das melhores faixas do trabalho. Do Nothing tem um começo mais introspectivo, ganhando peso e energia durante sua execução, mas que ao meu ver, acaba pecando pela melodia "excessiva", que acaba por não funcionar com a música do grupo.

               O peso retorno junto com uma dose generosa de groove me Belief System. A guitarra de Tommy encontra seu complemento no baixo de Jason, criando uma perfeita sintonia entre ambos. Soul Sickness apesar do peso, tem um certo apelo para o lado mais comercial (não que isso seja algo ruim ou pejorativo, que fique claro), principalmente no que tange à melodia. Já In Spite Of Hindrances a velocidade volta à tona, auxiliada por riffs tipicamente hardcore, enquanto o baterista Art Cruz cria linhas que mesmo rápidas, carregam no peso em vários momentos. O baixo comanda Ice Ruins Through My Veins, uma composição bem interessante, pois é bem variada e tem momentos pesados e outros mais melódicos, mostrando a categoria de Tommy como compositor, deixando a música com uma forte personalidade. E tome riffs em Worth Pursuing, uma faixa bem "metal" , daquelas pra bater cabeça e tocar a famosa "air guitar". Essa música deve ficar excelente ao vivo! O encerramento do tracklist regular vem com With Dignity e é o momento mais fraco do álbum. Sem muita inspiração, a faixa foge totalmente daquilo que o Prong está acostumado a fazer. O que não se pode dizer de Universal Law, a bonus track que acompanha a versão nacional do álbum. Pesada, com ótimos riffs e andamento moderado, a faixa resgata o clima mais pesado e metal do álbum.

                   X - NO ABSOLUTES mostra um PRONG atual e pesado, que busca soar moderno sem que com isso renegue o que fazia no passado. Muito pelo contrário. O grupo consegue resgatar sua sonoridade, adaptando-a ao momento de hoje. Peso, energia e qualidade fazem deste trabalho, um dos melhores álbuns da banda após a retomada das atividades. Que continuem nesse ritmo!




                    Sergiomar Menezes
            

COLETÂNEA - O SUBSOLO VOLUME 2



           E eis que chega por aqui o segundo volume da coletânea organizada pelo site O SUBSOLO (www.osubsolo.com), que tem por objetivo, divulgar as bandas do nosso underground. Mais uma vez, o REBEL ROCK recebe com muita satisfação a missão de resenhar mais essa iniciativa  de levar ao grande público as bandas que lutam dia a dia na nossa cena para que o rock, em todas as vertentes, continue firme e forte. Dessa forma, a Coletânea O SUBSOLO VOLUME 2 atinge seu objetivo com louvor, trazendo 20 bandas dos mais variados estilos.

            De uma forma geral, este segundo volume, apresenta um resultado um pouco melhor que o primeiro, uma vez que as bandas aqui presentes capricharam nas faixas que disponibilizaram à coletânea. Obviamente que, como todo projeto dessa espécie, alguns grupos acabam se destacando, mas, como dito anteriormente o resultado final é muito acima da média. 

              O CD inicia com o Basttardos, que faz uma mistura interessante entre o rock mais agressivo e o southern dosando ainda algo de hard em sua sonoridade com a faixa que dá nome ao grupo. Em seguida temos o Melanie Klain (que lançou um dos melhores cds do ano de 2016) com a faixa "Abençoados por Deus", com uma letra que, infelizmente, está a cada dia mais atual. A máquina thrash Monstractor vem na sequência com a ótima "Corrosive Envy", mostrando que o estilo segue gerando ótimas bandas. Já o grupo Cherry Ramona, apresenta um rock daqueles feitos pra tocar no rádio (e não há nenhum demérito nisso, que fique claro), e conta com a participação de Mano Changes, vocalista da banda Comunidade Nin-Jitsu, na faixa "Mulher Gato". Luciano Granja nos apresenta um correto pop rock, simples mas eficiente e muito bem gravado em "Vontade de Voar", assim como Kike Oliveira, que na faixa "Estou Tão Cansado" mostra uma composição muito bem estruturada para a linha adotada. Mais pesado, o grupo Defina traz a faixa "Cobaia Viva", mas a produção acabou por deixar o som um pouco confuso. A produção também acabou atrapalhando a performance dos gaúchos punk rockers do Pinhead, que mostram aquela pegada típica e certeira em "Eu sou Bebum e a Carne é Fraca". Já o Boca Braba HC mete o pé na porta com um hardcore a lá NY em "Farda Verde Oliva", um convite ao quebra-quebra generalizado. Sem dúvida, um dos grandes destaques do trabalho! O Peltstrock pratica um rock pesado e bem trabalhado na faixa " O Que o Mundo precisa Ouvir", cantado em português e navega pela temática cristã, o que , se por um lado mostra personalidade, por outro pode vir a limitar o público (o que é uma grande bobagem, mas infelizmente á assim que a coisa funciona...).

              "Ardor", faixa do grupo Redutto, tem boas guitarras e uma veia que nos remete à cena alternativa, lembrando um pouco do que se fazia lá pela metade dos anos 90. A banda Decolle participou também do primeiro volume da coletânea e faz uma música bacana em "Utopia Reversa", mas que peca pela produção. Parece faltar alguma coisa na execução da música, um pouco mais de peso ou um melhor acabamento no vocal poderiam ajudar. A banda Vate Cabral pratica um rock básico, mas pesado, como pode ser conferido na faixa "Bravo Mundo Novo". O Hardcore volta  à tona com o grupo Turn Off com a faixa " Opressor de Idéias", uma boa composição, mas que, como já dito em casos anteriores, acabe sendo prejudicado pela produção. Já o Liferika apresenta um rock visceral e direto na faixa "Rua Augusta". Sabe aquelas bandas que te fazem querer abrir uma cerveja e sair chutando tudo? Essa é uma delas! Rock como o rock deve ser! A banda Stone Head é mais uma que canta em português e apresenta um som por vezes psicodélico, mostrando versatilidade na sua execução de "Luxúria". Mais um pouco de punk/Hc é o que temos em "Sangue na Marreta" do grupo Hellio Costa, que tem uma boa estrutura, mas precisa melhorar a produção. Já o Maverick dispensa apresentações. O grupo paulista mostra excelente qualidade com seu thrash  pesado, rápido e mortal na faixa "Upsidown". A produção volta a ser um ponto negativo e, dessa vez, é com a faixa "Beaten By Demons" do grupo Ember of Renewal, que apresenta uma pegada intensa e pesada, mas perde potencial pelo já citado problema com a produção. O encerramento do trabalho vem com "Massacrados" do grupo Tumulto, que pratica um punk/metal (?!) muito bem estruturado, mas que poderia ter um produção um pouco mais caprichada.

                 Fica aqui o registro e os parabéns a mais essa bela iniciativa do site O SUBSOLO em lançar o segundo volume da coletânea. Atitudes como essa só vêm a reforçar o underground unindo bandas dos mais variados estilos em prol de um único objetivo: fortalecer a cena! Que venham mais e mais volumes!



                  Sergiomar Menezes


domingo, 4 de junho de 2017

OVERKILL - THE GRINDING WHEEL (2017)



                Vamos ser honestos. Se tem uma banda que NUNCA decepciona, essa banda é o OVERKILL! Prestes a completar 40 anos de carreira ( a banda foi formada em 1980), o grupo capitaneado pelos incansáveis Bobby "Blitz" Ellsworth (vocal) e D.D. Verni (baixo), chega agora ao seu 18º álbum de estúdio mantendo cada vez mais viva a chama do THRASH METAL. E sendo sincero, não tem banda no mundo que encarne de forma tão verdadeira o espírito do estilo. Talvez o Exodus chegue próximo disso, mas o Overkill durante todo esse período lançou álbuns de forma regular, e sempre com um nível de qualidade acima da média. E THE GRINDING WHEEL, que chega ao Brasil na parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, só vem a comprovar isso.

                          Formada atualmente pelos já citados Bobby "Blitz" Ellsworth (vocal, e um dos maiores frontman do estilo - quem já teve o privilégio de assistir a um show do quinteto sabe do que estou falando), e o "monstro" D. D. Verni (baixo, dono de uma performnace tão insana quanto Blitz), a banda tem nas guitarras Dave Link e Derek "The Skull" Tailer. Quanto á bateria, o álbum foi gravado por Ron Lipnicki, mas agora, quem segura as baquetas é Jason Bittner. O álbum foi produzido pelo próprio grupo enquanto que a mixagem e masterização ficaram sob o comando do mestre Andy Sneap, o que já é garantia de uma sonoridade perfeita. Como dito anteriormente, o trabalho é uma aula de como o thrash metal deve ser: direto, pesado, com riffs mortais e com a adrenalina á mil. E estamos falando de Overkill. E isso, meus amigos, é algo presente em todos seus trabalhos!

                         O petardo abre com a porrada Mean, Green, Killing Machine, uma verdadeira pedrada, onde s riffs da dupla Dave e Derek despejam doses generosas de peso, enquanto a base rítmica não fica atrás caprichando na mesma intensidade. Blitz segue sendo um dos melhores vocalistas do estilo, mostrando uma entrega e paixão pelo que faz que é impossível não nos questionarmos como o Overkill não goza do mesmo prestígio de bandas como Anthrax e Megadeth, por exemlo. A segunda faixa, Goddamn Trouble, é daquelas arrasa quarteirão. Bateria veloz, riffs fortes, e uma atmosfera totalmente thrash, fazem dessa uma das melhores faixas do trabalho! Se for ouvir num volume mais alto, por favor, arraste os móveis para o lado, pois a probabilidade de acontecer algum "acidente" é grande... Que música foda! Our Finest Hour é outra cacetada! Incrível como o tempo passa e o grupo não "suaviza" na pegada, criando verdadeiros hinos do estilo. Essa é daquelas faixas que não podem faltar nos shows, e que devem causar uma verdadeira "batalha" entre o público. Shine On tem uma veia mais atual (não que as anteriores soem datadas, muito pelo contrário), pois traz consigo um pouco daquela pegada de álbuns como Necroshine (1999), enquanto que o refrão acaba "grudando" na cabeça. The Long Road, intensa e bastante enérgica, possui um pouco da influência da NWOBHM que o grupo sempre apresentou em sua hsitória. E cabe lembrar que poucas bandas conseguiram dosar de forma correta o lado metal e punk no thrash metal como o grupo fez (e faz até hoje!).

                            Let's All Go To Hades tem um começo mais arrastado, com uma atmosfera meio Sabbath, mas logo ganha a cara do grupo, com riffs certeiros, enquanto Blitz dá mais uma aula de interpretação. D.D. Verni (responsável pelas composições ao lado de Blitz), cria ótimas bases de baixo, o que sempre foi uma das marcas da carreira da banda. Assim como Come Heavy, que possui características semelhantes, mas tem uma linha mais próxima do metal tradicional. O pau volta a comer em Red, White And Blue. Veloz, intensa, pesada e cheia de boas variações, a faixa sintetiza bem o que o grupo vem praticando ao longo desses 37 anos de atividades: um thrash metal direto, sem concessões e com aquela veia oitentista (sem que com isso soe datado). Isso acaba se "repetindo" em The Wheel, uma composição onde a base é o thrash, mas que deixa à mostra o metal tradicional e o punk rock unidos com uma urgência ímpar, algo que é uma das principais características dessa verdadeira instituição do metal mundial. A faixa título, The Grinding Wheel, encerra o tracklist regular do álbum, e é uma composição mais trabalhada, cadenciada, com mudanças de andamento. A versão nacional, disponbilizada pela Shinigami Records tem ainda uma ótima bônus track: Emerald, do não menos essencial Thin Lizzy, que ganhou uma versão digna  bem pessoal por parte do grupo.

                             Depois de ouvir por completo THE GRINDING WHEEL, aquela certeza que eu tinha antes, acabou ficando mais forte ainda. O OVERKILL é uma das bandas que mais tem ainda a oferecer ao metal neste tempos difíceis. Enquanto muitas bandas ficam de choradeira pelas redes sociais e lançam álbuns a cada dez anos, o grupo mostra que foi, é e sempre será referência quando o assunto é THRASH METAL! E afirmo aqui, sem nenhum tipo de receio: THE GRINDING WHEEL estará em todas as listas de melhores álbuns de 2017!






           Sergiomar Menezes


domingo, 14 de maio de 2017

IMMOLATION - ATONEMENT (2017)



                        Alguns grupos, depois de algum tempo, acabam deixando se ser considerados como tal e passam a ser uma verdadeira instituição. E se falarmos em death metal, uma dessas mais clássicas e importantes instituições atende pelo nome de IMMOLATION. Dono de uma carreira bastante regular, com álbuns sempre acima da média, o grupo norte americano chega agora ao seu décimo álbum de estúdio. E a regularidade segue intacta, pois ATONEMENT, lançado por aqui pela Shinigami Records/Nuclear Blast, é um álbum forte, intenso e que alia peso e brutalidade à doses generosas de técnica e muita qualidade. 

                           Ross Dolan (vocal/baixo), Robert Vigna (guitarra), Alex Bouks (guitarra) e Steve Shalaty (bateria) apresentam neste trabalho, faixas bem características, o que transforma o death metal praticado pelo grupo em algo único. Juntos desde o início da banda, Ross dolan e Robert Vigna sabem exatamente o direcionamento que a banda deve tomar e contam com a presença de Alex Bouks (substituto de Bill Taylor) , que entrou na banda no ano passado, para despejar ainda mais fúria e ódio nas outras seis cordas do grupo. A produção mais uma vez ficou à cargo de Paul Orofino enquanto  a mixagem e masterização ficaram sob a responsabilidade de Zack Ohren. E mais uma vez, o nível ficou excelente, primando pela agressividade e peso, sem abrir mão de uma sonoridade bastante "limpa". Já a bela capa é obra de Pär Olofsson.

                             Já na abertura com The Distorting Light, percebemos que a banda segue sua saga em favor do death metal brutal e agressivo. Riffs ríspidos e uma certa aura mais obscura em certos momentos, mostram que nem sempre velocidade significa brutalidade. Obviamente que temos isso na música, mas o grupo sabe explorar seus limites de forma correta. When The Jackals Come é mais uma aula do estilo! Bem trabalhada e alternando momentos rápidos e insanos com passagens mais trabalhadas, a faixa é um dos grandes destaques do álbum. Fostering The Divide traz um ótimo trabalho do baterista Steve Shalaty (na banda desde 2003), garantindo o peso necessário para que o baixista/vocalista Ross destile seu ódio em um vocal denso e sombrio. Rise The Heretics é death metal em sua essência mais brutal. Preste atenção nos riffs da dupla Robert e Alex, e ouça uma das melhores duplas do estilo em ação! Outra aula é Thrown To The Fire, onde a velocidade dá lugar á um peso descomunal, em um andamento mais cadenciado, mas onde os riffs emprestam agressividade e técnica à faixa. Em determinado momento, a velocidade volta a imperar, transformando a faixa em um pequeno exemplo do que é o inferno.

                                Destructive Currents segue mostrando muita brutalidade em cada segundo de sua execução, resgatando um pouco do Immolation de outros tempos (quando o grupo fazia um uso bem maior da velocidade). Lower tem um inicio bem introspectivo que logo descamba para um momento de pura insanidade e peso. O vocal de Ross merece destaque pois durante toda a execução do álbum se mantém bastante regular (sim, em estúdio isso é fácil, mas quem conhece  abanda sabe do que estou falando). Atonement tem uma pegada mais atual, mesclando o passado e o presente da banda, assim como Above All (que traz algo de thrash em seus riffs). The Power of Gods traz peso e brutalidade em um andamento mais cadenciado. O encerramento vem com Epiphany, onde os riffs merecem destaque assim como a bateria, criando um entrosamento perfeito entre todos os músicos. Uma das melhores faixas, com toda a certeza!

                              No seu décimo álbum de estúdio, o IMMOLATION prova que segue sendo uma das maiores e melhores bandas de death metal da atualidade. Sem invencionices ou qualquer tipo de modernidades em seu som, o grupo mostra em ATONEMENT que pra fazer death metal, não basta apenas querer. Ele tem que estar no sangue. E isso é fato mais que comprovado quando se fala na banda!





                 Sergiomar Menezes

BLACK STAR RIDERS - HEAVY FIRE (2017)



              Sabe aqueles discos que você já sabe o que vai ouvir, mas mesmo assim, acaba se surpreendendo com o que ouve? Com os cds do BLACK STAR RIDERS é assim que  a coisa funciona. Todos sabemos que a banda é uma espécie de continuação do legado do Thin Lizzy. Obviamente que não podemos compará-los ao saudoso grupo irlandês, uma vez que a alma e carisma de Phil Lynott não estão presentes. Mas ficarmos apenas nesta constatação seria uma imensa injustiça. O BSR é sim uma banda com identidade própria, mesmo que sempre acabemos por lembrar do já referido Thin Lizzy. Seus dois primeiros trabalhos ( All Hells Break Loose -2013- e The Killer Instinct -2015), foram muito bem recebidos pela crítica e pelos fãs. E não será diferente, pois HEAVY FIRE, lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, é ainda melhor, pois traz uma banda mais encorpada e com uma maior personalidade. E ao escutarmos as dez faixas presentes aqui (onze na versão nacional), temos a mais absoluta certeza disso.

                     Formado por Ricky Warwick (vocal/guitarra), Damon Johnson (guitarra), Scott Gorham (guitarra), Robert Crane (baixo) e Jimmy DeGrasso (bateria), o grupo, cuja história remonta ao retorno e encerramento das atividades do Thin Lizzy (o guitarrista Scott Gorham integrou o grupo de 1974 até o encerramento das atividades, sendo também o responsável pelo "retorno" do grupo em 2004) chega agora ao seu terceiro trabalho, cada vez mais com cara de banda "própria". Tendo as composições, em sua maioria sendo compostas pela dupla Warwick/Johnson (no restante, os músicos participam também como co-autores) um forte acento hard rock, com toda a atmosfera resgatando a sonoridade dos anos 70, mas sem em nenhum momento soarem datadas, as linhas de guitarra são o grande destaque do álbum. Mas também, não podemos esquecer o excelente trabalho vocal de Warwick (The Almighty), dono de um timbre perfeito para o estilo. Jimmy DeGrasso deixou a banda ano passado e hoje foi substituído por Chad Szeliga. 

                 A produção do álbum é excelente tendo ficado sob a responsabilidade de Nick Raskulinecz, tendo como engenheiros de som Nathan Yarborough e Jordan Longue. A mixagem foi feita por John Douglass enquanto que  a masterização ficou com Paul Logus. Um trabalho em equipe que resultou em algo de nível excepcional. 

                         Heavy Fire, a faixa título, abre o trabalho com aquela pegada hard tipicamente na linha do Lizzy, mas com uma cara mais pesada e moderna. As guitarras de Gorham e Damon Johnson (Alice Cooper) estão bem entrosadas e sincronizadas, mostrando que a dupla tem muito a oferecer. E tome guitarras em When The Night Comes In. Aqui, o trabalho da dupla Robert Crane e DeGrasso também se destaca, pois aliam peso e técnica em uma faixa que navega pela saguás do hard. Em Dancing With The Wrong Girl, o espírito de Lynott apareceu e transformou a faixa em uma celebração á música do saudoso grupo. A acelerada Who Rides The Tiger vem na sequência e recebe boas doses de peso, cortesia da dupla Gorham/Johnson. A melódica e "suave" Cold War Love mostra  a faceta mais próxima do pop que o grupo pode chegar, mas sem se tornar chato ou descartável. Faixa que tocaria fácil em qualquer rádio que tocasse música de qualidade no Brasil. Mas infelizmente...

                          O hard volta com intensidade em Testify or Say Goodbye. e mais uma vez, Warwick se sobressai, pois o vocalista consegue variar sua voz de acordo com o desenvolvimento de cada composição com extrema facilidade. Robert Crane comanda o peso inicial de Thinking About You Could Get Me Killed. Assim como DeGrasso que usa e abusa de sua técnica em favor da estrutura da faixa. As guitarras aqui, capricham em riffs mais pesados do que o habitual, remetendo á uma sonoridade mais atual. Em True Blue Kid, temos uma estrutura bem variada, mas com uma dose maior de groove, contrastando com momentos mais amenos. Temos mais peso em Ticket to Rise, que possui um "jeitao" Thin Lizzy e melodias de fácil assimilação. O tracklist regular se encerra com a ótima Letting Go Of Me, com riffs hard/heacy e um refrão daqueles que grudam e não saem mais da cabeça. A melodia também é um dos pontos fortes da faixa. Como bônus na versão nacional, temos a faixa Fade, uma bela balada, carregada de sentimento em sua interpretação e execução.

                        Com HEAVY FIRE o BLACK STAR RIDERS busca se estabelecer, não apenas como "aquela banda que era pra ser o Thin Lizzy sem Phil Lynott". E pode-se dizer sem medo que a banda conseguiu seu intento. Um álbum forte, intenso, tocado com alma e sentimento. Claro que existem similaridades com o grupo citado. E não teria como ser diferente. Mas a banda parece ter encontrado seu caminho. E estamos falando de seu terceiro trabalho. Prova irrefutável da qualidade e capacidade criativa do quinteto. Um dos grandes álbuns lançados em 2017.




                         
                Sergiomar Menezes
                          

segunda-feira, 1 de maio de 2017

CONCEPT OF HATE - BLACK STRIPE POISON (2015)



                    Formado em 2009 o quarteto CONCEPT OF HATE lançou seu primeiro trabalho, o EP BLACK STRIPE POISON em 2015, contendo 4 faixas onde o grupo mostrava muita garra e peso em sua música. Tendo por base o thrash metal, mas com uma maior ênfase no momento dos anos 90 (onde podemos perceber influências de Sepultura - fase Chaos AD - e Pantera), o grupo mostra muito mais do que isso, pois também é perceptível uma certa dose ( bem pequena, diga-se de passagem) de hardcore em sua sonoridade.

                  Flávio Giraldelli (vocal), Daniel Pereira (guitarra), Rafael Biebrach (baixo) e Takashi Maruyama (bateria) apresentam um trabalho curto, porém direto e bastante consistente neste EP. produzido por Sebastian Ortornol no estúdio Chile, em São Paulo ( o grupo é de Santo André/SP), o trabalho apresenta uma boa sonoridade, condizente à proposta musical apresentada pela banda. Pesado, com uma certa dose de groove (nada exagerado) e focado nas guitarras, o EP ve para anteceder o trabalho de estréia do do grupo (full lenght) que encontra-se em processo de gravação.

                        Black Stripe Poison abre o EP e nos remete àquela fase do Sepultura que a maioria dos fãs considera a melhor e mais produtiva da carreira do grupo: a dos irmãos Cavalera. Só que o Concept of Hate insere doses generosas de Pantera por aqui, principalmente naquelas "paradinhas", o que deixa a faixa um tanto mais pesada. A segunda música, In Human Nature, começa da mesma forma. Temos aquela introdução que se fazia presente em álbuns como Arise e Chaos AD, só que aqui o grupo incorpora alguns momentos mais próximos do hardcore. O vocal de Flávio se aproxima muito de nomes como Phil Anselmo e Robb Flynn (Machine Head). Chaospiracy (título bem sacado, hein?), tem um ritmo mais cadenciado, onde a guitarra manda ver com riffs pesados e ríspidos. Além disso, vale ressaltar o bom trabalho do batera Takashi Maruyama. Sanity Is Not An Option encerra o EP de forma veloz e pesada.

                           BLACK STRIPE POISON apresenta uma banda que, mesmo procurando sua identidade já apresenta características bem pessoais. O CONCEPT OF HATE tem tudo para apresentar um bom trabalho em seu álbum de estréia. Este EP lançado em 2015, nos deixa com essa sensação. Que não demore a chegar!




                   Sergiomar Menezes
                       

QUINTESSENTE - THE BELIEF OF THE MIND SLAVES (SINGLE) (2016)



               O grupo QUINTESSENTE pratica uma bela mistura entre o  Gothic, o Death e o Doom. E isso fica bem nítido ao ouvirmos este single, THE BELIEF OF THE MIND SLAVES (2016), que antecede o o lançamento do álbum SONGS FROM CELESTIAL SPHERES, que sai agora em maio de 2017. Formada em 1994, a banda lançou o EP "Lonely Seas of a Dreamer" no ano 2000 e após um relativo sucesso, acabou dando uma pausa nas atividades. Em 2015, o grupo resolveu retomar as atividades e uma prévia do resultado dessa volta, vem no formato desse single.

             O grupo é formado por André Carvalho (vocal), Cristiano Dias (guitarra), Cristina Müller (teclados e vocal), Henrique Bessa (baixo) e Mark Souza (bateria). Produzido pela banda e por Celo Oliveira, o single (assim como o vindouro álbum) foi mixado e masterizado também por Celo Oliveira no Kolera Studio. E não há o que discutir, pois o que temos aqui é uma trabalho pesado, intenso e ao mesmo tempo cristalino, onde todos os instrumentos são audíveis e muito bem timbrados.

                 O single é composto por duas faixas. A primeira , The Belief of the Mind Slaves, fará parte do álbum que será lançado ainda neste semestre. Já a segunda, Matronae Gaia, fez parte do último EP lançado pelo grupo, o já citado "Lonely Seas of a Dreamer". Com uma pegada mais próxima do death metal melódico, a primeira faixa aponta o caminho que o grupo pretende seguir, com guitarras pesadas, baixo e bateria brutais, e teclados que acabam dando um certo ar "sinfônico" á composição. Arranjo bem elaborado e um contraste muito interessante entre as vozes de  de André e Cristina surgem como destaque na composição. Já a segunda faixa, mostra uma banda mais crua, mas que já buscava uma sonoridade mais próxima da atual. 

               Este single, mostra que o QUINTESSENTE vem com tudo no full lenght que se aproxima. Ao julgarmos pela faixa presente aqui, estaremos de mais um grande álbum de destaque dentro do cenário nacional. Estamos no aguardo!




                Sergiomar Menezes

DREARYLANDS - NO POETRY LASTS (2017)



                   A banda baiana DREARYLANDS conseguiu obter nos anos 2000, uma boa repercussão de seu trabalho, ao lançar dois álbuns e um EP. Depois disso, o grupo ficou cerca de 10 anos iativo, tendo agora em 2017 lançado este mais recente trabalho. Curiosamente, trata-se de um EP (possui pouco mais de 36 minutos de duração), mas tem em seu conteúdo, 7 faixas que mostram que o tempo em que a banda esteve parada, em nada afetou sua criatividade e qualidade nas composições. NO POETRY LASTS, lançado pelo MS Metal Records, traz aquele Heavy Metal com forte aceto prog que caracteriza a sonoridade do quinteto.

                   Formada por Leonardo Leão (vocal), Rafael Syade (guitarra), Páris Menescal (guitarra), Marcos Cazé (baixo) e Louis (bateria), a banda apresenta composições de muito bom gosto e categoria, onde as guitarras são o guia para a música bem trabalhada do grupo. A dupla Rafael e Páris mostra um ótimo entrosamento, enquanto a cozinha composta por marcos e louis, mescla levadas mais quebradas com outras onde o peso se sobressai. Enquanto isso, Leandro Leão foge um pouco das características que marcam a maioria dos vocalistas de heavy metal, com um timbre bastante peculiar. NO POETRY LASTS foi produzido, mixado por Marcos Franco, Dan Loureiro e pela própria banda, enquanto que a masterização ficou sob a responsabilidade da dupla Marcos e Dan. E ficou tudo no lugar, pois podemos ouvir com clareza todos os instrumentos sem com que isso cause aquela sensação de "pasteurização" no som.

                    No Poetry é uma pequena introdução que nos prepara para Collateral Damage, uma faixa pesada e com guitarras bem timbradas, onde os riffs tem uma certa atmosfera mais próxima do prog, mesmo que a estrutura da composição nos remeta ao metal mais tradicional em alguns momentos. E como já salientado antes, o vocal de Leandro ganha destaque por ser "diferente" do que estamos acostumados a ouvir quando se trata do estilo em questão. E as guitarras sendo guiando a musica do grupo em Addiction To War. Bons riffs que ganham a companhia do ótimo trabalho riado pela dupla Marcos e Louis (baixo e bateria respectivamente). Uma estrutura repleta de boas variações, mostrando a versatilidade musical do grupo. Cantada em português, Incerto Adeus é uma das melhores faixas. Pesada, com um arranjo muito bem executado e com passagens mais lentas, a composição tem uma bela melodia. Demophobia é a faixa que mais se aproxima do heavy metal mais "puro", com riffs bem tradicionais, sendo que em alguns momentos percebemos uma pequena levada mais próxima do speed/thrash metal. Peso e melodia se confundem (no bom sentido) em Learn To Fly. Mais uma vez, Rafael e Páris se mostram mais do que competentes nas seis cordas, criando bases e  solos muito bem estruturados. A rápida Lady Light encerra o trabalho, deixando aquela sensação de que o próximo trabalho promete.

                   Mesmo tendo ficado inativa por longos anos, a DREARYLANDS mostra que não parou no tempo. Prometendo um novo full lenght agora para 2017, o grupo faz desse bom NO POETRY LASTS um "aperitivo" de luxo para o que deve vir por aí. Ótimo retorno!




                      Sergiomar Menezes

domingo, 30 de abril de 2017

KREATOR - GODS OF VIOLENCE (CD/DVD) (2017)



               Após "Endorama", lançado em 1999 e que chegou ao ápice com o nível de experimentalismo perpetrado pelo grupo, o KREATOR "retornou" com tudo em "Violent Revolution", um álbum que deixava de lado aquele clima mais sombrio e gótico praticado pelo grupo no álbum anterior. De lá pra cá, o grupo vem mantendo uma boa regularidade, mantendo-se sempre no topo do thrash metal, estilo que ajudou a criar e consolidar. Assim, o que temos em GODS OF VIOLENCE (2017), lançado no Brasil, na parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, pode ser apontado como um dos melhores trabalhos lançados pelos alemães, ao lado do já citado Violent Revolution. Pesado, brutal, mas ao mesmo tempo, cada vez mais acentuando sua veia melódica e externando sua influência de metal tradicional, o 14º álbum do grupo já pode, e deve, ser considerado um dos melhores lançamentos de 2017. E para deixar tudo ainda melhor, não bastasse a qualidade apresentada nas 11 faixas do CD, temos de bônus uma apresentação matadora do grupo no Wacken 2014, que consta no DVD aqui presente.

                            Miland "Mille" Petroza (vocal/guitarra), Sami Yli-Sirniö (guitarra), Christian "Speesy" Giesler (baixo) e Jürgen "Ventor" Reil (bateria) estão juntos desde 2001, provando que o entrosamento entre eles está cada vez mais afiado. Já tendo lançado cinco álbuns com   este line-up, o KREATOR está, não apenas estabilizado, mas com uma das formações mais sólidas e potentes do thrash metal mundial. GODS OF VIOLENCE foi gravado, produzido e mixado por Jens Bogren, enquanto que a masterização ficou sob a responsabilidade de Tony Lindgren, tudo feito na Suécia. E não nada a se reclamar aqui. Tudo soa perfeito. Peso, timbragem, arranjos... E não poderia ser diferente, afinal estamos falando de uma das maiores bandas do mundo! 

                             Como dito anteriormente, mesmo mantendo toda a brutalidade e agressividade que sempre (ou quase sempre) se fizeram presentes na carreira do grupo, temos aqui boas doses de melodia, o que vem sendo, também, uma constante nos mais recentes álbuns do grupo. Outro ponto bem interessante é que as influências de metal tradicional estão cada vez mais latentes. Isso tudo faz com que este álbum ganhe uma maior consistência, pois alia de forma correta todos esses elementos. Após Apocalypticon, uma breve introdução, Word War Now nos traz aquele Kreator brutal e pesado que estamos acostumados a ouvir, mas que traz consigo melodias que se encaixam perfeitamente na composição. Já Satan Is Real, apesar de possuir um andamento mais cadenciado, deixa isso ainda mais latente, mesmo que tenhamos presentes a violência dos riffs de Mille e Sami. Este último, aliás, se mostra mais uma vez, um excelente parceiro nas seis cordas para o bom e velho Petrozza. Em Totalitarian Terror temos aquele Kreator mais old school, como nos velhos tempos. Assim como na faixa título, que mesmo possuindo momentos mais introspectivos (em seu início), mostra um grupo bastante agressivo, ainda que as melodias se faça presentes. Riffs mais na "cara" é o que temos em Army of Storms, onde ventor mostra que ainda é um dos bateristas mais técnicos e brutais do estilo. E que continua sendo referência para muita gente por aí.

                              Hail To The Hordes possui características que nos remetem à época de Endorama. Mas calma, não por ter em sua estrutura elementos mais sombrios ou góticos, mas pelo andamento e pelas melodias que trazem esses traços em sua estrutura. Lion With Eagle Wings é, talvez, a faixa que melhor representa a aproximação do grupo como metal tradicional. Seja pelos riffs, solos, seja pela condução da cozinha (e aqui cabe uma menção à Christian "Speesy" Giesler, que se não é muito lembrado quando se fala do grupo, não compromete, muito pelo contrário. O baixista completa de forma eficiente a parceria com ventor, dando uma base sólida e pesada ao grupo). Fallen Brother também possui certa ligação com o lado mais tradicional, mas possui riffs tipicamente thrash. Além disso, a faixa possui um clip que faz homenagens á grandes nomes da música que já se foram. Emocionante, pra dizer o mínimo. Um raivoso Mille dá início à Side by Side, faixa rápida e bastante agressiva. O tracklist regular se encerra com Death Becomes My Light, outra faixa onde o metal tradicional aflora de forma mais incisiva. Não bastasse toda a grandiosidade das onze faixas regulares, temos ainda uma faixa não creditada no encarte. trata-se de Earth Under The Sword, uma composição que mantem as características presentes em todo o álbum.

                           Ainda, mesmo que o CD faça jus a cada centavo investido nele, temos um DVD com o show que o grupo fez no Wacken em 2014. Quem já teve a oportunidade de assistir à uma apresentação do quarteto sabe que a coisa aqui é mais do que profissional. Som, luz e uma pegada perfeitos, com destaque para a performance de palco do baixista Christian, que compensa toda a estaticidade do guitarrista Sami. Um único senão que fica para o DVD é essa mania que algumas banda têm, e se não me falha a memória, não é a primeira vez que o Kreator faz isso, é a de usar as imagens com um tom "granulado", que por vezes parece que a tela está suja. Não compromete mas, não precisava desse "efeito".

                        GODS OF VIOLENCE vem para reafirmar (mas sinceramente, não sei se isso é necessário) a posição do KREATOR como uma das maiores bandas de THRASH METAL mundial. Um álbum que vai entrar como destaque na discografia do grupo e que com toda a certeza, estará em várias listas de melhores do ano nos sites e revistas especializadas. podem anotar aí.




                        Sergiomar Menezes
                          

sábado, 29 de abril de 2017

MALKUTH - EXTREME BIZARRE SEDUCTION (2016) (RELANÇAMENTO)



                       O Black Metal, sem dúvidas, é um estilo muito forte no Brasil. E podemos afirmar com toda a certeza que o MALKUTH é uma das grandes forças nesse sentido. O grupo pernambucano, fundado em 1993, se tornou, ao longo desses quase 25 anos de estrada, uma das lendas do metal extremo nacional. Tendo neste período lançado seis álbuns oficiais, uma parceria entre os selos Obskure Chaos Distro (SP) e Ihells Productions (BA) se formou para que fosse recolocado no mercado EXTREME BIZARRE SEDUCTION, lançado originalmente em 2001, dessa vez, contendo três bônus track, no caso, faixas ao vivo gravadas em 2002.

              Na época do lançamento, o grupo era formado por Sir Ashtaroth (vocal/guitarra), Holocausto (baixo), Daniela Nightfall (vocais femininos/teclado), Cyber Necro Daemon (teclado) e Nightfall (bateria). O trabalho foi produzido pela própria banda em parceria com Proclo e foi remasterizado por Hugo Veikon. E ao ouvir atentamente o álbum, fica nítido e claro o porquê do grupo ser considerado um dos principais nomes brasileiros. Muita fúria e peso nas guitarras, que em seus riffs acabam trazendo ás faixas, todo o ódio presente nas letras do grupo. Profano, blasfemo, sombrio... Black Metal como o Black Metal tem que ser. Além disso, o uso dos teclados de forma correta e os vocais femininos (não na proporção mais comumente utilizada), acabaram também fazendo a diferença em favor da banda.

                      Com a agressividade e brutalidade aliados à passagens bem colocadas dos teclados, The Cry of Adelain (Embrace The Lesbian Goddes) abre o álbum de forma certeira. Os vocais de Sir Ashtaroth são gélidos e ao mesmo tempo, extremamente viscerais, criando uma atmosfera ainda mais densa e soturna. Deep Melancholy State: A Poetic Suicide in the Name of Loucyfer, novamente, possui momentos em que os teclados ganham destaque, sem que com isso, o grupo perca sua forma ácida e raivosa de execução. Em My Crucial Story About Jesus-Sinner, temos uma maior voracidade e violência, seja na velocidade a qual Nightfall conduz sua bateria, seja pelos riffs ríspidos e mortais de Sir Ashtaroth. Devil Bride, Our Erotic Dark Desires tem como ápice os vocais femininos, onde Daniela Nightfall impõe sua voz limpa criando um clima bastante "carregado" ao constratar com a voz rasgada e gutural do vocalista. Já a faixa título é uma composição mais "direta", tipicamente back metal, mesmo que em determinados momentos, passagens mais atmosféricas se façam presentes (cortesia dos teclados).

                     Gilles de Rais, Lord of Rais tem riffs agressivos, e particularmente falando, considero essa uma das melhores faixas do álbum. A guitarra aqui se sobressai em relação aos teclados, mostrando que, mesmo se tratando de um estilo mais "reto", que não aceita muitas variações, o black metal do grupo não se restringe à nenhum tipo de limitação. Já Lapidis Funebris é uma faixa bem trabalhada, com momentos mais porrada, por vezes direta e sem concessões, enquanto que em outros momentos, se mostra mais introspectiva. ...And The Ancient Witches Consume Psychotropic Tears, começa de forma bem sutil, com os vocais de Daniela mais simples e diretos, mas logo após ganha peso e intensidade. A última faixa da versão original é a porrada The Demon's Marks in my Skin. Uma música que tem um certo acento thrash em seu andamento.  Como dito anteriormente, neste relançamento temos a adição de três faixas ao vivo, sendo duas que constam no álbum ( Deep Melancholy... e Devil Bride...) além de Feast of the Grand Whore, cover do Rotting Christ.

                      Após 16 anos, EXTREME BIZARRE SEDUCTION se mostra um álbum ainda forte e bem consistente. Uma prova irrefutável da importância e relevância do MALKUTH para o black metal nacional. Se você é fã do estilo, mas ainda não conhece (ia) o grupo ou este álbum, esta é sua chance de se redimir!

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                  Sergiomar Menezes

quarta-feira, 26 de abril de 2017

ROADIE METAL - VOLUME 9 (2017)



                      Lutar pelo underground não é tarefa das mais simples. Muito menos das mais fáceis. Ainda mais se pensarmos que estamos no Brasil. Um país que tem por hábito, enaltecer a música sem qualidade e que serve apenas para "distrair" a população. Mas graças aos deuses do rock, nós, apreciadores da música honesta e de qualidade podemos contar guerreiros e batalhadores da cena por aqui. E um deles é o brother Gleison Júnior que vem levando a cabo uma das mais importantes coletâneas do estilo neste pobre e mal administrado país. A ROADIE METAL chega ao seu VOLUME 9, trazendo nada mais nada menos do que 34 bandas dos mais variados estilos provando que o rock, seja em qual vertente for segue firme  forte por aqui.

              Como sempre, mas nunca é demais relembrar, a ROADIE METAL é distribuída gratuitamente. Ou seja, você conhece muitas bandas de forma gratuita, sem precisar fazer nenhum tipo de download pela internet. Com a mais bela capa de todas as edições (na minha opinião), fia difícil fazer um comparativo entre as edições, mas que esta edição concorre seriamente ao posto de uma das melhores, isso não há como negar. Sem contar com um "medalhão" (algo que ocorreu em algumas edições passadas, a coletânea segue firme e forte na luta e divulgando bandas que estão na batalha para conseguir um lugar ao sol neste disputado cenário que é o underground brasileiro.

                          Nos dois cds temos a divisão em 17 faixas cada um. No primeiro podemos destacar, apesar da homogeneidade, algumas bandas que acabam por mostrar maiores atributos, como é o caso da Ruins of Elysium, que pratica um epic symphonic metal com vocais masculinos, sendo no caso um tenor (!?), a pegada rocker/thrasher da Older Jack, o metal alternativo e pesado da Pato Junkie, o rock psicodélico e pesado da Stoneria, o rock pesado com nuances puxadas para o lado alternativo do Cálida, o metal tradicionalmente old school do Stonex, o metal com influências de Chico Science e a turma do Mangue Beat do Ozome, o rock bem trabalhado e bem produzido do Marco Zero e o bom heavy metal da Indominus (que peca apenas pela produção, que deixou a música do grupo um pouco aquém do que ficaria com uma melhor apresentação).

                       No segundo CD, temos o início com a banda Heavenless, que pratica um metal pesado, intenso e cheio de ódio,  e seguimos com o Core Divider com seu thrah/groove a lá Pantera, o heavy metal cheio de peso do Concept of Hate, o Vultures com sua pegada blackened thrash, a virtuose  e classe do guitarrista Patrick Pedroso, o Elizabethan Walpurga com seu metal por vezes tradicional, por vezes black, o metal blasfemo e profano do Sagrav e o som inspirado em Misfits e cheio de horror do Rinits Horror Show.

                          Como dito também nas edições anteriores, muito mais do que uma simples coletânea, A ROADIE METAL presta um enorme serviço À nação headbanger e fã de rock do Brasil. Aqui pouco importa a qualidade da gravação. O que vale  e muito aqui é o amor e dedicação ao underground, que faz com que qualquer pequeno deslize (e sim, nesse tipo de trabalho isso sempre acaba acontecendo) passe despercebido tamanha a relevância do material. mais uma vez, parabéns ao Gleison Júnior por acreditar e seguir na batalha pelo underground. Que venham mais e mais coletâneas desse nível!

     
                      Sergiomar Menezes

     

                    

domingo, 23 de abril de 2017

MORTUO - OLD MEMORIES OF THE PAST (2015)



             Fazer Black Metal não é fácil. Sejamos sinceros. Muitas vezes, algumas bandas lançam álbuns sem nenhum tipo de preocupação com as estruturas das músicas, com produções porcas, vocais inintelingíveis e pensam que isso é soar "true". Só que acabam sim, soando patéticas. Black Metal não é nem nunca foi sinônimo de música tosca ou mal tocada. E pra comprovar isso, temos aqui esse petardo da "one-man-band" MORTUO. OLD MEMORIES OF THE PAST é um senhor disco de black metal. Tudo aqui nos remete aos bons tempos do estilo. Orquestrações sem muitas "firulas" (apesar de muito bem estruturadas), guitarras ríspidas e arranjos muito bem pensados. 

                Formada por Vox Morbidus (vocal, guitarra, baixo, bateria e teclados), a banda tem sua data de formação o ano de 2004, com o nome de Evilusions, onde apenas algumas demos foram gravadas. Retomando as atividades sob o nome atual em 2013, e aproveitando alguns riffs do passado, o grupo lançou em 2015 este seu primeiro trabalho. Também produzido por Vox Morbidus (ou seja, o cara "bate escanteio e cabeceia"), o cd é uma bela amostra de que trabalho e perseverança, quando feitos com dedicação, rendem bons frutos. Em 10 faixas, o black metal surge imponente, mesmo que trazendo influências do metal tradicional (não tinha como ser diferente), o que temos aqui são músicas repletas de vocais rasgados, bateria veloz, passagens sinfônicas ( mas sem exageros) e guitarras agressivas, como o estilo deve ser.

              In All The Places inicia o álbum e soa como uma introdução para Obscure Ancient War, uma faixa tipicamente black metal. Desde às guitarras, com seus riffs insanos, passando pela bateria alucinante e os vocais inspirados, a faixa condensa em sua atmosfera, todo o clima que o estilo deve possuir. Assim como For Profanation, cuja velocidade contrasta perfeitamente com as passagens climáticas dos teclados. E a produção proporciona que isso seja percebido em detalhes. Mais um ponto positivo para o trabalho. Já Hunting in the Darkness é um dos grandes destaques do álbum. pois traz a voracidade do estilo amparada por momentos que soam melódicos, sem que isso traga nenhum demérito ou torne  a música confusa. E mais uma vez, os vocais mostram a aspereza e brutalidade sem que precisem soarem desconexos. Outra grande faixa é Road Of Evil. Com um andamento mais cadenciado, mas nem por isso menos brutal, a faixa ganha velocidade e intensidade de forma correta, mostrando a capacidade de composição de Vox Morbidus.

           Past I: The End of Hope também possui um andamento mais "ameno", com passagens até mesmo atmosféricas dos teclados. O que não faz com que as guitarras mostrem toda crueza e agressividade que se fazem presentes em toda a  execução do cd. Old Memories Of The Past, a faixa título, começa atmosférica, mas ganha peso, cm uma pegada quase thrash, muito mais pelos riffs iniciais, pois logo, avalanche black toma conta de toda e estrutura. Past II: The Consequence  é uma espécie de interlúdio, composta e  excecutada ao teclado, criando um clima soturno para a próxima faixa. Devil Eyes (Evilusions Tribute) como o subtítulo entrega é uma música dos tempos passados da banda e tem no metal tradicional sua base. O encerramento vem com Raise the Dead, cover do Bathory, um tributo á uma das grandes influências do grupo e um dos maiores nomes do estilo. 

               OLD MEMORIES OF THE PAST, mesmo sendo apenas o álbum de estréia da MORTUO, mostra uma banda que tem o black metal correndo em suas veias. Músicas intensas, agressivas e bem arranjadas, trazem aquilo que todo fã do estilo esperam: brutalidade e rispidez amparados por uma produção que valoriza cada detalhe das faixas. Um dos grandes álbuns do estilo lançados no Brasil!




               Sergiomar Menezes

sábado, 15 de abril de 2017

STONEX - SEEDS OF EVIL (2015)



           Formada em 2012 em Aracaju, Sergipe, a banda STONEX mostra, mais uma vez, que o Nordeste brasileiro é rico e prolífico quando o assunto é Heavy Metal. Exemplos não faltam. Jackdevil, Fúria Louca, Headhunter DC, entre outras, são  aprova viva que, independente do estilo adotado, o Metal vive e pulsa firme e forte naquela região. E os sergipanos não fogem à regra. Sem um estilo definido, mas flutuando entre o metal dos anos 80 (com uma maior influência da NWOBHM), mas investindo em várias vertentes, o hoje quinteto, lançou em 2015, de forma independente, o EP SEEDS OF EVIL, contando com 4 faixas que carregam consigo, aquela atmosfera típicamente oitentista, mas sem se prender ao passado.

                Na época do lançamento, o grupo era formado por Ramon Guerreiro (vocal), Marcelo Hazz (guitarra), Atilio Bass (baixo) e Adriano Cardoso (bateria). Hoje, após  a saída de Atilio, o grupo conta com Alessandro Mongini nas quatro cordas, enquanto que houve a adição de mais uma guitarra, à cargo de Dálvaro Soares. O trabalho foi gravado no Rikeza Sonorização entre agosto e setembro de 2014 e foi produzido pela própria banda e Riqueza, e dentro de suas imitações, ficou de bom nível. Com uma sonoridade calcada entre o que Iron Maiden e Judas fizeram em seus áureos tempos (se bem que ambas as bandas estão nesses áureos tempos há muito tempo...), o grupo traz riffs inspirados, cozinha bem trabalhada e um vocal que foge um pouco das características "normais" do estilo. Cantando de forma mais rasgada, Ramon mostra personalidade, mas em alguns momentos, acaba ficando um pouco aquém do que a música pede. Nada que o tempo de estrada e alguns ajustes na hora da produção não resolvam. E, não esqueçamos, este é o primeiro trabalho do grupo. E o que ouvimos nas quatro faixas aqui presentes, vemos que o grupo tem futuro.

                 Dressed in Black tem guitarras bem timbradas e uma veia na linha anos 80. O solo ficou muito bom, enquanto a cozinha, mostra entrosamento, com linhas bem variadas e pesadas. O que acaba "pecando" aqui, é uma maior definição quanto ao que o grupo pretende daqui pra frente, pois apesar de bem composta e executada, a faixa nos traz aquela sensação de déjà-vu, pois parece que já escutamos isso alguma vez. Electric Sky já tem guitarras mais voltadas aos anos 70, com um quê de Sabbath/Led/Purple. A guitarra, mais uma vez, ganha destaque, com passagens bem estruturadas. Se na faixa anterior, tínhamos uma veia anos 70 bem perceptível, em Maggots On My Brain, o bom e velho Sabbath surge ainda mais imponente. Marcelo Hazz se mostra um grande guitarrista pois seus riffs não se mostram repetitivos nem sem criatividade. O encerramento vem com Master of the Pit, uma faixa que resume bem as influências do grupo. Mesmo tendo uma levada tipicamente heavy metal old school, podemos ouvir ecos de hard rock em sua estrutura, o que mostra que o gruo não se limita aos estereótipos muitas vezes criados pelo "estilo".

                   O STONEX em seu trabalho de estréia mostra que tem potencial para buscar seu lugar ao sol no disputado cenário nacional. SEEDS OF EVIL possui boas composições, mesmo que o grupo ainda esteja começando, é necessário pensar melhor algumas passagens e também, algumas linhas de composição, para que não sejam apenas mais uma banda no estilo. Talento e criatividade eles demonstram ter. Basta uma pequena lapidada para o próximo trabalho.





              Sergiomar Menezes
                 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

LANCER - MASTERY (2017)



                        Um power metal moderno, mas com uma dose, modesta é verdade, de metal melódico. Mas que busca mesclar peso e melódia de forma consistente. Dessa forma podemos classificar a sonoridade do grupo sueco LANCER, em seu terceiro trabalho, o bem trabalhado e executado MASTERY, lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast. Fugindo daquele zona de conforto onde muitas bandas do estilo estacionaram e parecem ter preguiça de sair, o quinteto aposta em uma música intensa e vigorosa, onde as guitarras guiam o álbum, mostrando que a Suécia é um país aberto às mais variadas sonoridades.

                     Formada em 2009, a banda é composta por Isak Stenvall (vocal) Fredrik Kelemen (guitarra), Ewo Solvelius (guitarra), Emil Öberg (baixo) e Sebastian Pedernera (bateria). Neste trabalho,  a produção ficou sob a responsabilidadede Gustav Ydenius e da própria banda, e pode-se dizer que ficou excelente, uma vez que os instrumentos soam nítidos e cristalinos, mas ao mesmo tempo, tem o peso necessário, o que faz com que o cd soe como o power metal deve soar. O trabalho em conjunto tambem se deu em parceria, enquanto que a mixagem ficou à cargo do renomado Miro (Kamelot, Avantasia, Rhapsody). Mesmo pendendo em certos momentos para o lado melódico do estilo, o LANCER deixa explícito no encarte do álbum que não houve, em nenhum momento das gravações a adição de teclados. Soa "true" ou não? Mas a verdade é que o grupo não se apega a esse tipo de coisa. Nas dez faixas que compõem o trabalho, isso fica bem nítido. Temos ainda uma bônus track, incluída na versão nacional. E não podemos esquecer de citar a bela capa, algo recorrente quando se fala em power metal, principalmente no europeu.

                          Como dito antes as guitarras guiam o trabalho, que tem nos riffs e solos os pontos altos do cd. Mas não dá pra não falar no que o vocalista Isak faz aqui. Dono de um timbre peculiar, ele não busca apenas exercitar sua voz e fazer demonstrações de auto-indulgência. Buscar dar a música o que ela pede, o música também é um dos destaques aqui. Faixas como Dead Raising Tower, um power bem bem típico, principalmente na seção rítmica, que guarda certa similaridade com os momentos mais pesados do Hammerfall, Mastery, faixa título, muito bem arranjada e com aquela pegada característica, onde os bons riffs da dupla Fredrik e Ewo comandam a execução de forma eficiente, Victims of The Nile, que, se num primeiro momento soa como uma balada, ganha peso e agressividade durante seu andamento, e tem na interpretação do vocalista um belo exemplo de como soar destacado sem com que isso atrapalhe a performance do restante do grupo, Iscariot, que tem no Helloween antigo uma grande inspiração, Freedom Eater pesada e bem acelerada (aqui o baixo de Emil Öberg ganha maior "visibilidade") e Widowmaker, que tem um pézinho no Hard (assim como a faixa bônus, The Wolf and The Kraken), mostram um grupo que já faz por merecer um maior destaque dentro do cenário.

                          Neste terceiro trabalho, o LANCER dá provas que o estilo que para muitos se mostra estagnado, está mais vivo do que nunca, com bandas que não param no tempo e não se acomodam. MASTERY é um álbum que deve ser ouvido por fãs de heavy metal em geral, que não se prendem á rótulos. Se assim o fizerem, descobrirão uma banda que logo,logo, pode figurar entre os grandes nomes do estilo na atualidade.



                


                   Sergiomar Menezes

domingo, 2 de abril de 2017

FLAGELADÖR / AXECUTER - HEADBANGERS AFTERLIFE (2016)



             E os anos 80 vivem! Se há alguma dúvida, basta ouvir o split/cd lançado pelas bandas FLAGELADÖR e AXECUTER para que isso fique claro. Desde a capa até a produção, passando pelas letras, sonoridade, visual e atitudes dos grupos, o que temos aqui é uma volta á década de ouro do Heavy Metal. Enquanto a primeira canta em português, a segunda escolheu o inglês como língua mãe. mas ambas jogam suas fichas naquele estilo mais tradicional do metal, mas que incorpora elementos do thrash e até mesmo do hard em suas composições. HEADBANGERS AFTERLIFE traz cinco faixas de cada grupo. Coincidência ou não, ambas as bandas são formadas por trios. A boa e velha formação guitarra, baixo e bateria!

                   O Flageladör é composto por Armandö Macedö (vocal e guitarra), Turkö Basüra (baixo) e Hugö Golön (bateria) e tem uma sonoridade mais suja, resgatando um pouco daquele speed metal oriundo da década de 80. Com uma produção um pouco inferior, o grupo passa seu recado de forma simples e direta, Já o Axecuter é formado por Danmented (vocal e guitarra), Rascal (baixo) e Vigo (bateria) e tem no metal tradicional sua base, mas o grupo também resgata momentos próximos do thrash em sua forma de compôr. E a produção das faixas apresentadas pelo grupo é melhor do que a do Flageladör. Mas nada que faça com que uma banda se sobreponha à outra, afinal estamos de falando de bandas muito similares e que tem no metal dos anos 80 sua grande inspiração. E a capa... basta uma rápida olhada e tudo fica claro!

                   As cinco primeiras faixas competem ao Flageladör. E tome speed/metal tradicional na veia! Desde a faixa instrumental As Intermitências da Morte, passando por Terceira Guerra Mundial, A Canção do Aço, Sangue Negro, Alimento das Bestas e chegando ao encerramento como cover de Filhos da Bomba ( uma mais que justa homenagem ao grande e infelizmente falecido Celso Blues Boy), o trio de Niterói (RJ) deixa nítida toda sua influência do thrash, death/black e da NWOBHM. Uma pena a produção ter ficado um pouco aquém em termos de maior clareza, mas o que vale aqui é a intenção, e o grupo acerta em cheio! Já o Axecuter, apresenta também cinco faixas, inspiradas também no metal dos anos 80, mas com uma maior vidência para o metal tradicional. Nada de modernismos, sonoridade atual, "barulhinhos" ou qualquer coisa que lembre as produções mais atuais. O que temos aqui é o bom e velho metal, como ele se apresentava em seus primórdios. Attack, Creatures In Disguise, In For The Kill, Medieval Tyranny e o encerramento com o cover de Gimme More, do Kiss, provam que o aquele lado amis "true" do heavy metal ainda vive. 

                   Apesar da certa disparidade nas produções, o split mostra duas bandas que exaltam os anos 80, cada uma à sua maneira. Seja buscando o lado mais  veloz e agressivo, seja optando pelo lado mais tradicional e trabalhado, os grupos dividem não apenas esse split, mas também a paixão pelo heavy metal. E isso hoje em dia, parece ser raro de encontrar...



                   


                Sergiomar Menezes

TERRORSPHERE - BLOOD PATH (2016)



               A banda paranaense TERRORSPHERE surgiu em 2014 oriunda das cinzas da banda Invisible Enemy. E neste pouco espaço de tempo, o grupo amadureceu sua sonoridade e estréia lançando um EP intitulado BLOOD PATH. Trazendo em sua sonoridade uma atmosfera que aproxima o death metal old school do thrash metal, o grupo apresenta 05 faixas brutais e diretas, como suas influências deixam bastante claro (Deicide, Cannibal Corpse, Death e Morbid Angel - pelo lado Death Metal- e Destruction, Korzus, Slayer, Sepultura e Exodus - pelos lados do Thrash Metal). 

                   Formada por Werner Lauer (vocal e baixo), Francisco Neves (guitarra), Udo Ricardo (guitarra) e Victor Oliveira (bateria), a banda aposta numa sonoridade bastante suja e agressiva, deixando bem nítida que a veia death metal predomina de forma mais direta em suas composições. O EP foi produzido por Júnior Ribeiro, Lucas Camporezzi e pela própria banda , tendo sido mixado e masterizado no Áudio 13 (onde também foi gravado). E aqui fica um pequeno porém: apesar da sonoridade bem brutal, o vocal ficou um pouco abafado. Não sei se essa era a intenção, mas acaba destoando um pouco do restante, pois em alguns momentos, além de abafado, a voz do baixista Werner fica mais baixa e quase que some, ficando "distante". Não compromete, mas é algo para se atentar no próximo trabalho. Mesmo sendo a estréia do grupo, o mercado nacional anda muito disputado, e ás vezes, pequenos detalhes acabam fazendo a diferença. Mas o grupo mostra personalidade  e muita criatividade nas cinco faixas presentes aqui.

                     Cantada em português, Assassinos abre o EP de forma bastante agressiva. Riffs bem característicos e uma levada de bateria insana, transformam a faixa num dos destaques do trabalho. Ainda, um refrão forte e cheia de ódio merece ser citado. Com uma letra que retrata um pouco daquilo que vemos no nosso dia, a faixa tem guitarras ríspidas durante toda sua execução. Na sequência, War Curse, aproxima o grupo do Thrash, mas mantendo a pegada voltado para o death metal. E isso ficou muito bem dosado pelo grupo, mostrando um entrosamento coeso na cozinha, onde o baixista/vocalista Werner "divide" o peso com o baterista Victor. E mais uma vez, as guitarras explodem riffs violentos e raivosos. Por falar em guitarras, o detah metal que salta aos ouvidos em Terror Squad, mesmo sendo uma faixa mais cadenciada em alguns momentos, é de total responsabilidade da dupla Francisco e Udo, que assim como a cozinha, mostram grande sintonia. Mais doses generosas de Thrash metal é o que temos em Blood Path. A faixa título mostra que o grupo não se prende aos rótulos que por vezes acabam cerceando muitas bandas. Uma pena que o vocal aqui ficou abaixo do que a faixa pediu. mas acredito que ao vivo isso deve ser sanado. O encerramento vem com Mind Control, mais uma faixa com todas as características do death metal, tendo sua vertente mais próxima daquele death old school. 

                      Neste EP de estréia o TERRORSPHERE mostra que tem disposição e muita vontade de adentrar no disputado cenário do metal extremo nacional. BLOOD PATH é um bom trabalho que peca apenas em pequenos detalhes que, sem dúvidas, servirão de aprendizado para o grupo, afinal, estamos falando de sua estréia. Nas cinco faixas apresentadas aqui, os paranaenses mostram grande potencial, o que na minha opinião, irá se confirmar ainda mais no seu próximo trabalho.





                 Sergiomar Menezes