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domingo, 6 de agosto de 2017

ANVIL - ANVIL IS ANVIL (2016)




               E o ANVIL está de volta! Desde 2013, quando o grupo lançou "Hope is Hell", os fãs esperavam ansiosos por um novo trabalho do, agora, trio canadense. Uma das mais verdadeiras e reais instituições do heavy metal, o grupo, no ano passado, soltou no mercado ANVIL IS ANVIL, seu 16º álbum de estúdio, mostrando que aquela banda surgida no longínquo 1978 está ainda mandando ver, seja pela sua incomparável presença de palco, seja pelas composições recheadas de bons riffs e com aquela interpretação bem pessoal e peculiar de seu líder e mentor Steve "Lips" Kudlow. Se não traz nada de inovador, o trio aposta suas fichas naquele Hard n' Heavy que se tornou a marca registrada de um grupo que teve sua história devidamente registrada no documentário "Anvil: The Story of Anvil"  ( e que de certa forma, acabou mostrando a banda pra galera dos dias de hoje). E que chega ao nosso mercado numa grande iniciativa da Shinigami Records, em uma parceria com a SPV/Steamhammer.

                    Ao adentrar sua 4ª década, o trio hoje composto por Steve "Lips" Kudlow (vocal e guitarras), Christopher "Christ" Robertson (Baixo e backing vocal) e pelo mestre Robb Reinner (bateria), o ANVIL mostra-se ainda, extremamente relevante. Com músicas fortes e as características que fizeram do grupo uma verdadeira referência quando o assunto é heavy metal, o grupo contou com a produção de Martin "Mattes" Pfeiffer, que também ficou encarregado da mixagem. Já a masterização ficou sob a responsabilidade de Jacob Hansen. E esse conjunto, foi responsável de dar ao trabalho a sonoridade característica que acompanha a banda desde seus primórdios. Se o documentário acabou por "revelar" o grupo á uma nova geração, os novos fãs não têm do que reclamar, afinal, a essência que sempre se fez presente, permanece intacta.

                          Mesmo que o grupo siga a fórmula que vem desde seu início, algumas faixas acabam se destacando num trabalho bem regular como o que temos aqui. ANVIL IS ANVIL traz doze faixas que mostram que a banda mantêm-se fiel à sua proposta. Sem inovações, modernidades ou invencionices, o hard n' heavy segue sendo a linha adotada pelo grupo. Algumas faixas acabam se destacando como por exemplo a faixa de abertura. "Daggers and Run" traz linhas que se aproximam de uma temática pirata, mas com aquel toque já bem pessoal do grupo. E mostra a habilidade e técnica de Robb Reinner, um dos melhores bateristas do heavy metal. se existir alguma dúvida, procure ouvir  a discografia do grupo. "Up, Down, Sideways" é puro hard n' heavy, com riffs tradicionais. "Gun Control", apesar da boa melodia, torna-se um pouco repetitiva e cansa o ouvinte após um certo tempo de sua execução. Já "Die For a Lie" é Anvil puro! Tudo que sempre caracterizou a banda encontra-se presente. Bons riffs, cozinha alinhada e ajustada e uma dose generosa de Hard ao lado do metal mais tradicional fazem da faixa um dos destaques do álbum. Assim como "Runaway Train", que traz consigo uma "aura" Judas Priest. "Zombie Apocalypse", segue uma linha mais cadenciada, e em determinados momentos, se torna semelhante a "Gun Control", mais pela repetição.

                          "It's Your Move" resgata a veia mais old school do grupo, com riffs de guitarra típicos e um bom trabalho da cozinha composta por Christopher e Robb. "Ambushed" vai pelo mesmo caminho, mas fazendo uso de um andamento mais cadenciado, algo que o grupo também se tornou especialista em fazer ao longo de sua extensa carreira. "Fire in the Highway" é uma das faixas mais pesada e trabalhadas do álbum, exigindo de Robb Reinner um maior nível de performance. Lips acaba se destacando também, pois além dos riffs caprichados, manda ver em solos cheios de inspiração, que caíram como uma luva na composição. Um pouco de "mais do mesmo" é o que temos em "Run Like Hell". Não que isso soe depreciativo, pelo contrário. O que temos é o Anvil sendo aquele bom e velho Anvil de sempre. "Forgive Don't Forget" possui backing vocal que dão uma atmosfera mais densa ao refrão, enquanto a guitarra de Lips despeja riffs mais ríspidos do que de costume. "Never Going To Stop" encerra o álbum num clima bem Hard, algo que dá ao trabalho um clima mais pra "cima".

                              Nessa altura do campeonato, o ANVIL não precisa provar nada pra ninguém. E se precisasse provar, ANVIL IS ANVIL, seria a prova de que dedicação e paixão pelo que se faz é  amostra de que acreditar sempre é a formula a ser usada. Que o grupo siga em frente, passando por cima de todas as dificuldades e nos apresente trabalhos tão bons quanto esse. Se o documentário serviu para apresentar a história do grupo para a nova geração, que os fãs sigam acompanhando o grupo da mesma forma. Afinal, se falarmos de hard n' heavy, estamos falando ANVIL!


   

                         Sergiomar Menezes

terça-feira, 1 de agosto de 2017

AXES CONNECTION - A GLIMPSE OF ILLUMINATION (2017)



                        "O AXES CONNECTION toca Heavy Metal! Pesado e cortante como um machado!" Assim inicia o release trazendo as informações da banda. E de uma maneira direta, ele acerta em cheio! Com um som calcado no heavy metal, mas incorporando influências que vão desde o hard, thrash e também aquele som mais voltado aos anos 70, a banda gaúcha lança seu trabalho de estréia, A GLIMPSE OF ILLUMINATION apresentando dez faixas onde transbordam a inspiração e a honestidade dos músicos envolvidos. E não é pra menos, afinal estamos falando de experiência quando o assunto é música pesada. 

                  Márcio Machado (vocal), Marcos Machado (guitarra, ex- Distraught), Magoo Wise (baixo, ex- The Wise, ex- Distraught e ex- Apocalypse) e Cristiano Hulk (bateria, ex-Vômitos e Náuseas, ex- Grosseria) - o álbum foi gravado pelo baterista Lourenço Gil se encarregou das baquetas na gravação do trabalho -, formam a banda, cuja a história remonta à década de 90, quando os irmãos Vítor e Marcos Machado compuseram algumas músicas juntos para um novo projeto. Mas uma pausa se fez necessária quando Marcos veio a ser convidado para tocar com a Distraught. Tendo permanecido no grupo por 15 anos, durante este período, o projeto continuou ativo, embora de forma informal. Algumas vezes, Márcio Machado, irmão do guitarrista e do baterista, participava fazendo os vocais. Após deixar a Distraught, Marcos foi encorajado por Vitor, em janeiro de 2013, a retomar o projeto. Infelizmente, no mês seguinte, Vitor veio a falecer. Como forma de homenagem e para honrar a memória do irmão, Marcos resolveu dar continuidade ao projeto. E dessa forma surgiu A GLIMPSE OF ILLUMINATION. Gravado e mixado por Felipe Haider e masterizado por Benhur Lima (ex-Hibria), o álbum é muito mais do que uma homenagem e sim, um disco onde o heavy metal surge de forma imponente.

                           The Meaning of Evil abre o álbum de forma direta. Com guitarras inspiradas e uma pegada que por vezes nos remete aos anos 70 ( não apenas pelas guitarras, mas também pelo timbre do vocalista Márcio), a faixa mostra que o grupo não se prende á limites ou a algum tipo de rótulo. Com um refrão de gruda na cabeça, a faixa já deixa clara a potencialidade criativa da banda.  Rearrage Yourself vem na sequência e é uma porrada nos ouvidos. Rápida e com um belo trabalho de  baixo e bateria, temos aqui um pouco da veia thrash do grupo. Wisdom is The Key tem uma pegada na linha do metal tradicional, lembrando a fase áurea dos anos 80. Momentos que resgatam também um pouco de hard aparecem. E cabe aqui uma constatação: as linhas de guitarra ficaram muito boas! Não apenas nessa faixa, mas em todo o álbum. E isso acaba sendo reflexo da experiência dos músicos. O peso vem com força em Use The Reason, onde mais uma vez a cozinha composta por Magoo e Lourenço se encarrega de sentar a mão. Prepare Your Soul faz um resgate dos anos 70, mostrando toda a versatilidade e desenvoltura do grupo. Márcio canta de forma mais direta aqui, criando uma linha que se encaixou bem na levada da composição.

                            The Gates carrega um pouco de influências mais agressivas, mas tem toques mais "modernos" em algumas passagens. Vocais mais rasgados e guitarras "na cara" guiam o andamento da faixa. Já na faixa título, o baixo comanda a pancadaria, que tem um mix entre o lado mais pesado do grupo e o lado mais voltado aos 70's. Journey To Forever dá uma amenizada, com um andamento mais "suave". Mas a guitarra lembra que estamos falando de heavy metal, então... A melodia ganha intensidade, criando um belo contraste com as partes mais pesadas. Skyline mantém esse clima, comprovando que nem só de peso se faz um bom disco de metal. O encerramento vem com The True Connection, onde a guitarra de Marcos se destaca. Com variações e vocais cheios de feeling, temos "escondida" após seu término, um cover para "She Sells Sanctuary" do The Cult que ficou bem bacana, ainda mais pela performance de Márcio, que deu uma interpretação própria ara o clássico do grupo inglês.

                          Com um nome inspirado na conexão entre os irmãos Machado (Axe, em inglês), segundo Marcos, o grupo tem por objetivo honrar a memória do irmão Vitor e também levar música de qualidade para um mundo cada vez menos preocupado com isso. E podem ter certeza. O objetivo foi atingido com louvor! Grande estréia!




                      Sergiomar Menezes

domingo, 30 de julho de 2017

WARBRINGER - WOE TO THE VANQUISHED (2017)



                   Se tem um estilo que, por mais que  novas tendências apareçam, se mantém sempre em alta perante os fãs, esse estilo é o THRASH METAL. E prova irrefutável disso é o número de bandas novas que surgem e que tentam resgatar aquela sonoridade mais "old school". Nem tão nova assim, mas também não tão antiga, a banda norte americana WARBRINGER, formada em 2004, chega agora ao seu 5º álbum de estúdio. Buscando fugir um pouco dos "experimentalismos" que se fizeram presente eu seu último disco (IV: Empires Collpase - 2013), o grupo mostra em WOE TO THE VANQUISHED, que chega por aqui através da Shinigami Records, um Thrash violento, brutal e pesado. 

                   Formado por John Kevill (vocal e único remanescente da formação original do grupo), Chase Becker (guitarra), Adam Carrol (guitarra), Jessie Sanchez (baixo) e Carlos Cruz (bateria), o grupo apresenta 8 violentas faixas, onde as guitarras despejam riffs mortais e ríspidos, e de forma sutil, incorpora ao seu thrash, momentos mais extremos. Produzido e mixado por Mike Plotnikoff, o trabalho foi masterizado por Howie Weinberg. E podemos afirmar que o cd ficou com um peso absurdo, o que acabou realçando ainda mais a fúria contidas nas composições do grupo. A capa é mais uma obra de arte do mestre Andreas Marschall. Um álbum que valoriza e mostra que o Thrash Metal continua sendo um estilo relevante. O que sempre foi, que fique claro.


                    Silhouettes abre o CD mostrando guitarras afiadas! Com uma sonoridade bastante pesada e ate mesmo suja, a dupla Chase Becker e Adam Carrol garante riffs brutais, com um entrosamento digno das grandes duplas da Bay Area. Assim como na faixa título, que tem na velocidade sua força motriz. John Kivell tem uma voz forte, que varia entre momentos de pura garra, beirando o gutural, e outros mais técnicos, sem com que isso faça que a música perca intensidade. Já Remain Violent é o grande destaque do álbum. Com aquele andamento mais cadenciado, perfeito para o headbanging, a faixa tem aquela pegada perfeita, além de um solo que busca inspiração nos grandes nomes do estilo (Slayer e Exodus). Shellfire, que vem na sequência é brutal e veloz, uma porrada sem piedade nos tímpanos menos favorecidos....

                      Descending Blade, que tem as características mais evidentes da Bay Area e mostra que as guitarras do grupo vivem um grande momento. Os solos alternados entre Chase e Adam mostra a afinidade dos músicos. Spectral Asylum é uma faixa que ainda mantém um pouco da fase mais "experimental" do trabalho anterior, mas possui muito mais envolvimento com o thrash característico da banda. Mesmo com seu potencial, acaba saindo um pouco do rumo que o trabalho apresenta. As guitarras voltam a ser o destaque em Divinity of Flesh, que traz toques sutis ( se é que existem toques sutis) de detah metal em alguns momentos. Isso gera uma maior dose de peso e  agressividade à faixa, mesmo que os solos estejam completamente ligados ao thrash. O encerramento vem para comprovar a versatilidade e competência dos músicos. When The Guns Fell Silent é uma faixa de 11 minutos. Praticamente um "épico", mostrando a criatividade do grupo na hora de compôr. Um belo encerramento para um grande trabalho.

                        WOE TO THE VANQUISHED vem pra resgatar a sonoridade mais brutal e agressiva do WARBRINGER. Sem experimentos ou inovações, o grupo mostra sua força e segue sendo um dos bons nomes do estilo. Que mantenha essa pegada para os próximos trabalhos!







                   Sergiomar Menezes
                       

segunda-feira, 24 de julho de 2017

THE DOOMSDAY KINGDOM - THE DOOMSDAY KINGDOM



                Existem ditados populares que muitas vezes se encaixam com perfeição em inúmeras situações. Um dos mais comuns, mas que sempre resume bem determinados fatos é aquele bom e velho "quem foi rei, não perde a majestade". E esse, se encaixa de forma perfeita quando falamos do álbum de estréia do THE DOOMSDAY KINGDOM. Isso que, por trás dessa empreitada está ninguém mais, ninguém menos do que Leif Edling, baixista e compositor de uma das mais fundamentais e importantes bandas do Doom Metal, o grande Candlemass. E aqui, nesta sua nova banda, Leif segue sendo um mestre, compondo de forma magistral, como sempre fez. E isso pode ser comprovado, graças ao lançamento nacional feito pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast.

                    Composto por Niklas Stälvind (vocal), Marcus Jidell (guitarra), pelo próprio Leif (baixo) e Andreas (Habo) Johansson (bateria), o grupo só vem a confirmar o talento e genialidade do baixista que ainda é baixista no Avatarium (que recentemente lançou seu terceiro full lenght, e que logo mais terá sua resenha publicada aqui neste blog), e mantém o Candlemass na ativa. Ou seja, trabalho é o o que não falta ao músico. E todos mantém um nível de qualidade muito, mas muito acima da média. Aqui, temos oito excelentes composições que mantém certa proximidade ás outras bandas do baixista, mas com uma personalidade própria. algo que só quem tem "conhecimento de causa" pode fazer sem medo de errar. Cercado por ótimos músicos, a estréia do THE DOOMSDAY KINGDOM agradará aos fãs do estilo, sem que precisa fazer nenhum esforço.

                   Silent Kingdom abre o álbum de forma grandiosa. Com riffs inspirados no mais puro e sombrio doom metal, a faixa ganha peso e uma maior dinâmica ao incorporar elementos do metal tradicional. Destaque para o vocalista Niklas que possui um timbre bem peculiar e usa de variações bem interessantes em sua voz. Assim como guitarrista Marcus, que esbanja classe e bom gosto nas linhas de guitarra. The Never Machine traz aquela aura "Black Sabbath" que sempre acompanha as bandas de doom metal. Leif mostra toda sua técnica com um trabalho primoroso que recebe o complemento do batera Andreas. Uma cozinha que pesa a mão sem piedade. Já Spoonful of Darkness possui linhas muito bem estruturadas, onde mais uma vez, o guitarrista Marcus se mostra um músico de grande técnica. A bela instrumental See You Tomorrow é uma canção intimista e introspectiva, que mostra um lado mais simples e ao mesmo tempo trabalhado na forma de compôr do músico.

                      The Spectre tem uma atmosfera mais obscura e pesada, carregando um clima sombrio em sua execução, mesmo que em alguns momentos a mudança de andamento quebre um pouco esse andamento. Hand of Hell tem uma pegada mais "metal", principalmente no que diz respeito ao riff, que mantém um peso bem característico durante toda sua execução. A faixa ainda possui um belo solo, dentro da proposta da própria composição. The Silence traz consigo toda a bagagem de Leif, pois é daqueles obras primas que só os mestres sabem como criar. Preste atenção nas linhas de guitarra que traduzem de forma contumaz todo o estilo de composição de Leif. O encerramento vem com The God Particle, outra obra grandiosa. Uma aula de doom metal. Como todo o álbum.

                       Leif  Edling poderia estar tranquilo, desfrutando de uma "aposentadoria", depois dos inúmeros serviços prestados ao heavy metal. Mas, felizmente, mostra que tem ainda, muito o que oferecer ao estilo. e o trabalho de estréia do THE DOOMSDAY KINGDOM deixa isso bem nítido. Que a fonte, que parece inesgotável, siga nos brindando com trabalhos grandiosos e excelentes como esse!




                    Sergiomar Menezes

domingo, 23 de julho de 2017

FATAL SCREAM - FROM SILENCE TO CHAOS (2016)



            Algumas bandas quando resolvem lançar seu álbum de estréia pensam estarem preparadas. Muitas vezes isso acaba não acontecendo. Só que o contrário também acontece. Muitas bandas não estão apenas preparadas para o álbum de  estréia. Algumas estão preparadas para uma bela e longa carreira. E esse, felizmente, é o caso do quinteto FATAL SCREAM. Uma banda madura, segura de si e  que sabe muito bem aonde quer e pode chegar. Com um mix que fica entre o thrash metal e o metal tradicional, com doses sutis de groove,  o grupo mostra que o Brasil continua gerando inúmeras bandas de qualidade, basta apenas que o público abra seus olhos e ouvidos. E se fizer isso, descobrirá em FROM SILENCE TO CHAOS um excelente trabalho!

               Formada por Carolina L. Miranda (vocal), Diego Alexander Aricó (guitarra), José Roberto Cardoso (guitarra), Rodrigo Hurtiga Trujillo (baixo) e Carlos Lourenço (bateria), a banda foi idealizada em 2012 mas apenas em 2014 acabou oficializando sua formação. E em apenas dois anos, o grupo lança um álbum forte e carregado de ótimas composições. Gravado, mixado e masterizado no Under Studio por Romulo Ramazini Felicio, o trabalho ficou com uma sonoridade muito boa, pois consegue manter o peso em evidencia sem que com isso, perca sua essência, mantendo todos os instrumentos perfeitamente audíveis (com destaque para o peso e timbragem das guitarras), o que casou perfeitamente com a proposta musical do grupo. 

               From Silence To Chaos é uma pequena introdução que antecede o primeiro petardo. Killer Wolf começa com riffs agressivos e diretos que recebem a adição de uma cozinha pesada e bem trabalhada. Caroline imprime sua personalidade ao cantar pois não tenta soar gutural ao extremo, mostrando que não é necessário berrar pra ser agressiva. Bem estruturada, a faixa ganha o ouvinte logo de cara pois traz consigo as influências do grupo que vão de Megadeth á Helloween, de Faith no More á Kiss, de Pantera á Symphony X. E isso se confirma também na segunda faixa. Trapped é mais rápida e possui riffs mais ríspidos. A dupla José roberto e Diego Alexander se mostra muito bem entrosada, alternando bases e solos inspirados. O refrão tem uma cara um pouco mais moderna, mas não se preocupa. O bom e velho metal dita o ritmo sem concessões. Um início mais introspectivo é o que apresenta Before The Judgement. Uma linha um pouco mais melódica durante sua execução acaba por mostrar uma outra faceta do grupo, mas o peso continua imperando, como em todo o álbum, diga-se de passagem. Betrayer (Shake) tem uma "cara" bem Pantera, principalmente pelo groove que a cozinha imprime de foma consistente. 

                 Mental Prison começa de forma sutil, mas ganha peso e velocidade logo em seguida, e tem novamente na cozinha composta por Rodrigo e Carlos (baixo e bateria, respectivamente) seu ponto forte. Em conjunto, os riffs inspirados no metal tradicional mostram a capacidade criativa do grupo. Caroline dosa de forma correta sua voz, cantando de forma mais "suave" em alguns momentos, colocando mais brutalidade na hora do refrão. Utopia tem um andamento mais cadenciado, o que possibilita que as guitarras despejem riffs mais pesados. Nessa faixa, Caroline acaba sendo mais exigida, pois na maior parte do tempo tem de cantar de forma mais limpa. E a vocalista mostra que isso não é problema. Em Last Breath temos uma momentos mais variados, alternando entre passagens mais rápidas e outras mais recheadas de groove. O encerramento vem com Machine Head, uma faixa que, de certa forma, me lembrou em alguns momentos o... Machine Head! Uma grande composição para fechar com chave ouro este ótimo trabalho de estréia.

                 Com apenas dois anos de estrada, o FATAL SCREAM lança seu debut e mostra personalidade e muito potencial. FROM SILENCE TO CHAOS possui todos os ingredientes para agradar os fãs de um heavy metal pesado e bem trabalhado. Que o grupo mantenha essa pegada e siga apresentando trabalhos tão bons ou até mesmo melhores que esse. Grande banda!




                   Sergiomar Menezes

POP JAVALI - RESILIENT (2017)




                               Resiliência é a capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças. E o trio POP JAVALI resolveu chamar assim seu terceiro trabalho de estúdio. RESILIENT vem logo após a ótima repercussão de LIVE IN AMSTERDAM,  que, como o próprio nome entrega, foi gravado na Holanda e foi lançado no ano passado. E se antes a classe, bom gosto e uma bela mistura de hard/heavy eram a tônica do trabalho do grupo, aqui temos uma pegada mais pesada, deixando a faceta HEAVY mais exposta. Mas isso de maneira alguma transforma a sonoridade da banda, muito pleo contrário. Apenas acrescenta peso e também acaba por revelar um lado mais prog metal (sem exageros, que fique claro), o que evidencia ainda mais o lado técnico dos músicos.

                      Marcelo Frizzo (baixo/vocal), Jaeder Menossi (guitarra/backing vocal) e Loks Rasmussen (bateria/backing vocal) gravaram Resilient no Estúdio dos irmãos Busic, em São Paulo (Busic Produções Studio) e teve  a produção sob responsabilidade de Andria Busic, Ivan Busic e da própria banda. Já a Mixagem e masterização foram feitos por Andria. E pode-se dizer sem a menor sombra de dúvidas que esse é o álbum mais pesado e bem produzido do grupo. Aliás, os trabalhos anteriores já eram muito bem produzidos, mas aqui, podemos afirmar que o nível atingido foi extremamente alto! E neste mais recente trabalho, um dos maiores destaques é o guitarrista Jaeder Menossi. Músico de muita técnica, aqui Jaeder se mostra também dono um um felling clássico, injetando nas composições suas influências e personalidade.

                        Após A New Beginning, uma breve introdução instrumental, temos Hollow Man, uma composição que deixa bem claro essa linha mais pesada adotada pelo grupo. Além dos riffs, cortesia de Jaéder, Marcelo Frizzo por vezes canta de forma mais agressiva enquanto que Loks senta a mão sem piedade. Sem dúvidas, essa é uma das faixas mais pesadas já compostas pelo trio! Uma levada mais cadenciada, guiada pelo baixo de Marcelo é o que temos na introdução de outra faixa carregada de peso. Drying The Memories, chega a ter passagens que nos remetem à algumas bandas de thrash metal! Obviamente, o grupo não esqueceu e nem pretende deixar pra trás suas raízes, pois em alguns momentos a melodia se faz presente, contrastando com as passagens mais agressivas. Reasonable possui linhas mais variadas, usando um pouco mais da melodia e que nos traz um pouco do "velho" Pop Javali. Marcelo consegue dosar de forma interessante sua voz mais limpa aqui, enquanto que Jaéder mostra habilidade em momentos distintos: riffs pesados e solos mais calcados na melodia!  Melodia essa que segue ditando o ritmo em We Had It Coming. Mas ao mesmo tempo, o grupo mostra desenvoltura na hora de navegar entre peso e harmonia. Já Shooting Star é daquelas faixas cheias de energia, onde a guitarra guia  a composição, deixando Marcelo e Loks livres para carregar no peso.

                      Turn Around é uma faixa mais calma. Um andamento suave, com linhas mais melódicas e uma grande interpretação de Marcelo, que explora bem, durante todo o trabalho, momentos mais melódicos e limpos com outros pesados e agressivos. Broken Leg Horse, é outra daquelas faixas que grudam na mente, pois possui um andamento rápido mas que não abre mão do peso. Grande trabalho da cozinha, que mostra grande entrosamento e coesão. Já a guitarra traz linhas que variam de um lado mais hard/heavy até um pouco mais próximas do prog metal. Mais riffs cheios de peso é o que temos em Undone. Com um andamento mais cadenciado, fica evidente a classe e categoria do trio na hora de compôr e executar suas criações. E a veia hard rock da banda se faz presente em Show You The Money, que traz consigo momentos mais melódicos. Já a faixa título, Resilient é uma das melhores do álbum, pois mostra a versatilidade dos músicos de forma latente. Criatividade nos arranjos, bom gosto na melodia e muito peso nos riffs. Essa é daquelas faixas que quando terminam, a gente aperta o repeat várias vezes! O álbum encerra com Renew Our Hopes, uma composição mais "calma", com belas linhas vocais e belos solos.

                    RESILIENT mostra que o POP JAVALI não tem medo de arriscar e evoluir em sua sonoridade. Sem abandonar sua raízes, o grupo se reinventa, trazendo boa dose de peso, mas mantendo a mesma classe e categoria de seus trabalhos anteriores. Sem dúvida, um dos melhores álbuns lançados no Brasil neste sofrido 2017!




                      Sergiomar Menezes

sábado, 8 de julho de 2017

CHICKENFOOT - BEST + LIVE (2017)



                 Formado em 2008, o CHICKENFOOT é, literalmente, aquilo que convencionou-se chamar de "supergrupo". Artistas mais que renomados, com sucesso em suas respectivas carreiras, mas que, de certa forma, precisavam se reinventar. Seja por que seu trabalho atual esteja ficando cada vez mais graça, seja porque estavam "desempregados". Assim, essa junção de forças criada a partir de jams que aconteciam regularmente no Cabo Wabo, no México (de propriedade do vocalista Sammy Hagar), já lançou dois bons álbuns de estúdio e dois ao vivo, além de um DVD. Aqui, como o próprio nome entrega, BEST + LIVE, traz dois cds, sendo que o primeiro apresenta uma coletânea com o "best", além de uma faixa inédita  e mais três covers ao vivo (como bônus), e o segundo, traz  11 faixas ao vivo, sendo que algumas aparecem pela primeira vez nesse formato. E cabe ressaltar que o trabalho está sendo lançado por aqui pela Shinigami Records.

                      Sammy Hagar (vocal), Joe Satriani (guitarra), Michael Anthony (baixo) e Chad Smith (bateria) fazem um som extremamente cativante. Trazendo um pouco do que cada músico fez (ou ainda faz) em suas carreiras, o grupo dosa de forma eficiente o hard, o groove e, em alguns momentos, o peso. E tudo funciona muito bem. Afinal, estamos falando de "putas velhas", que sabem exatamente o que querem e como chegar lá. Se Satriani aqui acaba "jogando" mais para o time, Michael Anthony e Chad Smith mostram que formam uma das cozinhas mais consistentes da atualidade. E fica cada vez mais comprovado que a atual fase modorrenta e sem graça do Chili Peppers não tem absolutamente nada  a ver com o baterista. No Cd dedicado ao BEST, temos 14 faixas, extraídas dos dois álbuns da banda (Chickenfoot - 2009 e III - 2011), sendo que as três faixas ao vivo, foram retiradas do DVD/Blu Ray Get You Buzz On (2010). Já o CD dedicado ao LIVE foi gravado no Dodge Theater, em Phoenix, Arizona (EUA). 

                       O CD "BEST" abre com a faixa inédita Divine Termination. Com a cara da banda, a faixa apresenta uma boa dose de groove, cortesia de Chad Smith. Hagar continua um vocalista excepcional, que consegue dosar técnica e emoção de forma sublime. Satriani, um pouco mais cometido, mostra que ser guitarrista não significa fritar suas cordas de qualquer jeito, emprestando toda sua habilidade em favor da musicalidade do grupo. Dentre as demais faixas que merecem destaque temos Soap On a Rope, Sexy little Thing, Oh Yeah, Get it Up e Future in the Past (todas do primeiro álbum) e Big Foot, Different Devil, Lighten Up, Dubai Blues e Something Going Wrong ( do segundo trabalho). Como bônus temos Highway Star (Deep Purple), Bad Motor Scooter (Montrose) e My Generation (The Who), todas ao vivo.

                         Já o CD "LIVE" traz a performance do grupo extraída do DVD lançado em 2010. Faixas excelentes como Avenida Revolution, My Kinda Girl, Down The Drain, Bitten By The Wolf e Turning Left se juntam as demais faixas lançadas no primeiro álbum e mostram toda a técnica e entrosamento do grupo em cima do palco. Mesmo que o grupo tenha apenas dois álbuns de estúdio e dois trabalhos ao vivo, esse BEST + LIVE se mostra essencial para quem ainda não conhece o trabalho técnico e cheio de "malícia" da banda.

                           Prestes a completar uma década de atividades, o CHICKENFOOT vem provando ao longo desse tempo que não se trata apenas de um projeto paralelo de excelentes músicos. O grupo é sim, uma realidade e mostra mais consistência do que alguns deles vem fazendo em seus grupos ou trabalhos principais. BEST + LIVE vale, até mesmo, como porta de entrada para quem ainda não conhece a banda. Mas o trabalho é muito mais do que isso. É o registro de um grupo que , acima de tudo, se diverte  e respeita os fãs como poucos. Recomendado aos amantes da boa música!




                         Sergiomar Menezes

sábado, 1 de julho de 2017

DEEP PURPLE - CALIFORNIA JAM 1974 (DVD) (2016)



                 Sejamos sinceros: todo headbanger que se preze já assistiu a esse show. Seja naquele antigo e surrado VHS, seja numa versão importada do DVD, ou até mesmo, naquela cópia da cópia que conseguiu com um amigo. A verdade é que DEEP PURPLE - CALIFORNIA JAM 1974 é um dos shows mais emblemáticos e históricos já realizados pela banda. E, conta muito em favor disso que a formação do grupo á época (chamado MK III) é daquelas cultuadas e veneradas por muitos fãs, como uma das melhores formações com as quais o grupo já contou. Aliás, para esse que vos escreve, essa, é sim, a melhor formação. E esse grande show, que foi lançado por aqui através da Shinigami Records, recebeu um tratamento especial de som e imagem, o que o torna ainda mais especial.

                    David Coverdale (vocal), Ritchie Blackmore (guitarra), Glenn Hughes (baixo e vocal), o inesquecível Jon Lord (teclados) e Ian Paice (bateria), divulgavam, quando do show, o espetacular BURN (1974). E pode-se dizer com a mais absoluta certeza que de todas as apresentações do dia, a do quinteto foi a melhor. E veja que o cast trazia nomes como Black Sabbath, Eagles, Black Oak Arkansas, Emerson, Lake & Palmer, Earth, Wind & Fire, entre outros. Com um entrosamento fantástico, trazendo um Coverdale cheio de gás e cantando de forma soberba, recebendo por vezes o auxílio do não menos incrível Glenn Hughes (dono de uma performance bem particular), os três remanescentes da formação anterior, mostravam terem feito as escolhas certas. 

                   Praticamente apresentando a nova formação ao público o set contou com faixas como as "novas" Burn (que música espetacular!), Might Just Take Your Life e Lay Down, Saty Down, que abrirão a presentação e deixaram claro que a banda estava em um momento especial. Apesar de já ser um grande vocalista, Coverdale ainda não era o "Coverdale" que todos conheceríamos, mas fez uma grande apresentação. Assim como Hughes, que roubou a cena inúmeras vezes. E falar o que de Blackmore? Um dos maiores guitarristas de todos os tempos, parecia aqui, se sentir mais solto, sem a presença do Mr. Silver Voice. Jon Lord simplesmente comandava a apresentação enquanto Ian Paice surrava a bateria como tinha que ser. A sensacional Mistread também fez parte do set, assim como a clássica Smoke on the Water (que ganhou uma interpretação renovada), You Fool No One/ The Mule e o encerramento vem de forma apoteótica com Space Truckin'. Assista e você entenderá o que quero dizer. Palavras não conseguirão expressar corretamente o que se vê ali, ainda mais se analisarmos a performance de Blackmore!

                   Mesmo que você já possua alguma versão deste fantástico show, vale, e muito, a aquisição desta nova versão. além do show, temos filmagens em Super 8 (nos extras) feitas pela equipe (backstage, entrevistas, etc).Além disso, esse relançamento traz um livreto recheado de fotos da época e um texto escrito por Geoff Barton. Um show histórico e grandioso, digno desta formação. DEEP PURPLE. Coverdale/Blackmore/Hughes/Lord/Paice. CALIFORNIA JAM 1974. Não precisa dizer mais nada. OBRIGATÓRIO!
                    



                    Sergiomar Menezes

quinta-feira, 15 de junho de 2017

BASTTARDOS - O ÚLTIMO EXPRESSO (2015)



               O Brasil é um país muito estranho. E isso fica ainda mais comprovado quando a gente se depara com um trabalho como O ÚLTIMO EXPRESSO, EP lançado em 2015 pelo grupo carioca BASTTARDOS. Fosse um país sério ou que valorizasse realmente a música feita por aqui, a banda certamente, mesmo tendo lançado apenas dois EPs, seria muito mais conhecida. Praticando uma mistura muito interessante ente o hard rock, o southern e um pouco de heavy metal, o trio apresenta uma música enérgica, inteligente e visceral. Rock n' Roll no "melhor" sentido da palavra! guitarras bem timbradas, baixo e bateria que mandam ver no peso na medida certa e um vocal que se encaixa perfeitamente na proposta apresentada, fazem deste, um trabalho que peca apenas pela quantidade de músicas.

               Formado por Alex Campos (vocal e guitarra), Terceiro Elemento (baixo) e Bernardo Martins (bateria), o grupo surgiu em 2010 e em 2013 lançou seu primeiro trabalho, o EP "Dois Contra o Mundo", onde já apresentava as características que se tornariam sua marca registrada: guitarras pesadas, base forte e pegada e vocais rasgados e limpos, criando uma atmosfera que unia o hard e o southern. Aqui, em O Último Expresso, podemos dizer que isso se manteve, mas que o peso acabou ganhando um pouco mais de força, incorporando o lado mais "heavy" no som do trio. Produzido pelo guitarrista e vocalista Alex Campos e mixado e masterizado por Fil Buc, o EP tem uma sonoridade perfeita, onde os instrumentos estão nítidos, sem que com isso, o grupo abra mão do peso. A bela capa é obra de Alexandre Ferreira.

                       Composto por 5 faixas, o EP abre com a faixa Basttardos, que começa com um dedilhado que nos leva a uma atmosfera de filmes Western", ganhando peso e mostrando logo na primeira música que o grupo conseguiu melhorar ainda mais o que já tinha apresentado no trabalho anterior. Com um refrão que agrega melodia a sonoridade "suja" do grupo, a faixa já havia sido lançado no formato "single especial" em 2014, dando uma prévia do teríamos aqui. Licor de Cereja é daquelas faixas pra curtir bebendo uma cerveja gelada! com uma levada mais cadenciada, a guitarra se mostra mais próxima do hard, deixando esse lado das influências do grupo mais explícito. Já Despertar do Parto é uma espécie de "power ballad", onde percebe-se uma forte emoção na interpretação de Alex Campos. A letra fala sobre as nuances que envolvem a paternidade, de ambos os lados, seja pelo lado pai, seja pelo lado filho. Um belo solo completa uma das melhores faixas já compostas pelo grupo! Exilados traz uma pegada mais moderna, com elementos amis atuais, mas sem abrir mão das características do grupo. Bem variada, a faixa alterna momentos mais rápidos com outros mais amenos, inclusive usando em sua execução passagens melódicas, criando um contraste bem interessante entre a "sujeira" e o lado mais "limpo" do trio. E encerramento vem com Terceiro Elemento, uma faixa pesada e até mesmo, um pouco mais sombria (no que tange à musicalidade da banda). E isso mostra que o grupo não s eprende a estereótipos na hora de compor. Algo mais que positivo, tendo em vista a enxurrada de bandas que usam e abusam de vários clichês em sua música.

                          Como dito lá no começo, O ÚLTIMO EXPRESSO tem apenas um pequeno defeito: ser muito curto. A música do BASTTARDOS é daquelas que nunca cansam, pois além de energia, transborda originalidade e personalidade. Que o grupo lance logo um full lenght. É o que os fãs esperam com ansiedade!





             Sergiomar Menezes


sábado, 10 de junho de 2017

PRONG - X - NO ABSOLUTES (2016)



             Formado em 1986 por Tommy Victor (guitarra e vocal) e Mike Kirkland (baixo), o PRONG teve um início bastante promissor, lançando álbuns que agradaram aos fãs de metal por incorporarem peso, agressividade e elementos pouco utilizados pelas bandas do estilo naquele momento. Beg To Differ (1990), o excelente Prove You Wrong (1991) e Cleasing (1994) deram ao grupo boa credibilidade e fixaram o seu nome entre as principais bandas da cena naquele momento. Mas a década de 90, a partir de sua metade não foi muito boa para a banda, que após Rude Awakening (1996), encerrou as atividades. Em 2002, Tommy Victor resolveu colocar a máquina novamente na estrada e de lá pra cá, o grupo vem numa crescente de bons lançamentos, tendo em 2016 lançado X - NO ABSOLUTES, que sai por aqui via Shinigami Records/SPV Steamhammer. E o sexto álbum, desde a "volta" do grupo, mantém a qualidade apresentada nos trabalhos anteriores.

            A banda hoje é formada pelo já citado líder e principal compositor do grupo Tommy Victor (guitarra e vocal), Jason Christopher (baixo) e pelo baterista Art Cruz. E o trio caprichou em 12 faixas (13 na versão nacional, que inclui uma bônus track), onde a versatilidade do grupo, que sempre o caracterizou se mostra mais uma vez de forma explícita. Riffs excelentes, peso na medida certa e aquela velha mistura entre o thrash metal, o crossover e algumas pitadas (muito de leve) de industrial aliadas à uma excelente produção (à cargo do próprio Tommy Victor e de Chris Collier, que foi responsável também pela mixagem e masterização) fazem deste, um dos melhores trabalhos do grupo desde seu "retorno".

             X - NO ABSOLUTES equilibra bem a fase passada e o momento atual do grupo. E isso já pode ser noatdo logo na faixa de abertura, Ultimate Authority. Carregada de peso (baixo e bateria mostram ótimo entrosamento e coesão, criando uma base sólida e densa), a faixa traz consigo todas as características que marcaram a carreira da banda. Além disso, o vocal de Tommy Victor continua o mesmo, pois o vocalista canta de forma limpa e agressiva sem perder a entonação. Da mesma maneira, Sense of Ease, resgata o lado mais crossover do grupo, abusando da velocidade e trazendo a urgência do hardcore à música do Prong. A guitarra, por sua vez, comanda de forma nervosa o andamento de Without Words, que contrasta com um refrão melódico, criando um diferencial. Cut and Dry tem um pouco de Prove You Wrong (91) e Cleasing (94) em suas linhas, mas recebe uma sonoridade mais atual. No Absolutes também tem essas características, muito mais pelo nadamento e pelo peso que a base empresta à composição do que pelas linhas de guitarra e é uma das melhores faixas do trabalho. Do Nothing tem um começo mais introspectivo, ganhando peso e energia durante sua execução, mas que ao meu ver, acaba pecando pela melodia "excessiva", que acaba por não funcionar com a música do grupo.

               O peso retorno junto com uma dose generosa de groove me Belief System. A guitarra de Tommy encontra seu complemento no baixo de Jason, criando uma perfeita sintonia entre ambos. Soul Sickness apesar do peso, tem um certo apelo para o lado mais comercial (não que isso seja algo ruim ou pejorativo, que fique claro), principalmente no que tange à melodia. Já In Spite Of Hindrances a velocidade volta à tona, auxiliada por riffs tipicamente hardcore, enquanto o baterista Art Cruz cria linhas que mesmo rápidas, carregam no peso em vários momentos. O baixo comanda Ice Ruins Through My Veins, uma composição bem interessante, pois é bem variada e tem momentos pesados e outros mais melódicos, mostrando a categoria de Tommy como compositor, deixando a música com uma forte personalidade. E tome riffs em Worth Pursuing, uma faixa bem "metal" , daquelas pra bater cabeça e tocar a famosa "air guitar". Essa música deve ficar excelente ao vivo! O encerramento do tracklist regular vem com With Dignity e é o momento mais fraco do álbum. Sem muita inspiração, a faixa foge totalmente daquilo que o Prong está acostumado a fazer. O que não se pode dizer de Universal Law, a bonus track que acompanha a versão nacional do álbum. Pesada, com ótimos riffs e andamento moderado, a faixa resgata o clima mais pesado e metal do álbum.

                   X - NO ABSOLUTES mostra um PRONG atual e pesado, que busca soar moderno sem que com isso renegue o que fazia no passado. Muito pelo contrário. O grupo consegue resgatar sua sonoridade, adaptando-a ao momento de hoje. Peso, energia e qualidade fazem deste trabalho, um dos melhores álbuns da banda após a retomada das atividades. Que continuem nesse ritmo!




                    Sergiomar Menezes
            

COLETÂNEA - O SUBSOLO VOLUME 2



           E eis que chega por aqui o segundo volume da coletânea organizada pelo site O SUBSOLO (www.osubsolo.com), que tem por objetivo, divulgar as bandas do nosso underground. Mais uma vez, o REBEL ROCK recebe com muita satisfação a missão de resenhar mais essa iniciativa  de levar ao grande público as bandas que lutam dia a dia na nossa cena para que o rock, em todas as vertentes, continue firme e forte. Dessa forma, a Coletânea O SUBSOLO VOLUME 2 atinge seu objetivo com louvor, trazendo 20 bandas dos mais variados estilos.

            De uma forma geral, este segundo volume, apresenta um resultado um pouco melhor que o primeiro, uma vez que as bandas aqui presentes capricharam nas faixas que disponibilizaram à coletânea. Obviamente que, como todo projeto dessa espécie, alguns grupos acabam se destacando, mas, como dito anteriormente o resultado final é muito acima da média. 

              O CD inicia com o Basttardos, que faz uma mistura interessante entre o rock mais agressivo e o southern dosando ainda algo de hard em sua sonoridade com a faixa que dá nome ao grupo. Em seguida temos o Melanie Klain (que lançou um dos melhores cds do ano de 2016) com a faixa "Abençoados por Deus", com uma letra que, infelizmente, está a cada dia mais atual. A máquina thrash Monstractor vem na sequência com a ótima "Corrosive Envy", mostrando que o estilo segue gerando ótimas bandas. Já o grupo Cherry Ramona, apresenta um rock daqueles feitos pra tocar no rádio (e não há nenhum demérito nisso, que fique claro), e conta com a participação de Mano Changes, vocalista da banda Comunidade Nin-Jitsu, na faixa "Mulher Gato". Luciano Granja nos apresenta um correto pop rock, simples mas eficiente e muito bem gravado em "Vontade de Voar", assim como Kike Oliveira, que na faixa "Estou Tão Cansado" mostra uma composição muito bem estruturada para a linha adotada. Mais pesado, o grupo Defina traz a faixa "Cobaia Viva", mas a produção acabou por deixar o som um pouco confuso. A produção também acabou atrapalhando a performance dos gaúchos punk rockers do Pinhead, que mostram aquela pegada típica e certeira em "Eu sou Bebum e a Carne é Fraca". Já o Boca Braba HC mete o pé na porta com um hardcore a lá NY em "Farda Verde Oliva", um convite ao quebra-quebra generalizado. Sem dúvida, um dos grandes destaques do trabalho! O Peltstrock pratica um rock pesado e bem trabalhado na faixa " O Que o Mundo precisa Ouvir", cantado em português e navega pela temática cristã, o que , se por um lado mostra personalidade, por outro pode vir a limitar o público (o que é uma grande bobagem, mas infelizmente á assim que a coisa funciona...).

              "Ardor", faixa do grupo Redutto, tem boas guitarras e uma veia que nos remete à cena alternativa, lembrando um pouco do que se fazia lá pela metade dos anos 90. A banda Decolle participou também do primeiro volume da coletânea e faz uma música bacana em "Utopia Reversa", mas que peca pela produção. Parece faltar alguma coisa na execução da música, um pouco mais de peso ou um melhor acabamento no vocal poderiam ajudar. A banda Vate Cabral pratica um rock básico, mas pesado, como pode ser conferido na faixa "Bravo Mundo Novo". O Hardcore volta  à tona com o grupo Turn Off com a faixa " Opressor de Idéias", uma boa composição, mas que, como já dito em casos anteriores, acabe sendo prejudicado pela produção. Já o Liferika apresenta um rock visceral e direto na faixa "Rua Augusta". Sabe aquelas bandas que te fazem querer abrir uma cerveja e sair chutando tudo? Essa é uma delas! Rock como o rock deve ser! A banda Stone Head é mais uma que canta em português e apresenta um som por vezes psicodélico, mostrando versatilidade na sua execução de "Luxúria". Mais um pouco de punk/Hc é o que temos em "Sangue na Marreta" do grupo Hellio Costa, que tem uma boa estrutura, mas precisa melhorar a produção. Já o Maverick dispensa apresentações. O grupo paulista mostra excelente qualidade com seu thrash  pesado, rápido e mortal na faixa "Upsidown". A produção volta a ser um ponto negativo e, dessa vez, é com a faixa "Beaten By Demons" do grupo Ember of Renewal, que apresenta uma pegada intensa e pesada, mas perde potencial pelo já citado problema com a produção. O encerramento do trabalho vem com "Massacrados" do grupo Tumulto, que pratica um punk/metal (?!) muito bem estruturado, mas que poderia ter um produção um pouco mais caprichada.

                 Fica aqui o registro e os parabéns a mais essa bela iniciativa do site O SUBSOLO em lançar o segundo volume da coletânea. Atitudes como essa só vêm a reforçar o underground unindo bandas dos mais variados estilos em prol de um único objetivo: fortalecer a cena! Que venham mais e mais volumes!



                  Sergiomar Menezes


domingo, 4 de junho de 2017

OVERKILL - THE GRINDING WHEEL (2017)



                Vamos ser honestos. Se tem uma banda que NUNCA decepciona, essa banda é o OVERKILL! Prestes a completar 40 anos de carreira ( a banda foi formada em 1980), o grupo capitaneado pelos incansáveis Bobby "Blitz" Ellsworth (vocal) e D.D. Verni (baixo), chega agora ao seu 18º álbum de estúdio mantendo cada vez mais viva a chama do THRASH METAL. E sendo sincero, não tem banda no mundo que encarne de forma tão verdadeira o espírito do estilo. Talvez o Exodus chegue próximo disso, mas o Overkill durante todo esse período lançou álbuns de forma regular, e sempre com um nível de qualidade acima da média. E THE GRINDING WHEEL, que chega ao Brasil na parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, só vem a comprovar isso.

                          Formada atualmente pelos já citados Bobby "Blitz" Ellsworth (vocal, e um dos maiores frontman do estilo - quem já teve o privilégio de assistir a um show do quinteto sabe do que estou falando), e o "monstro" D. D. Verni (baixo, dono de uma performnace tão insana quanto Blitz), a banda tem nas guitarras Dave Link e Derek "The Skull" Tailer. Quanto á bateria, o álbum foi gravado por Ron Lipnicki, mas agora, quem segura as baquetas é Jason Bittner. O álbum foi produzido pelo próprio grupo enquanto que a mixagem e masterização ficaram sob o comando do mestre Andy Sneap, o que já é garantia de uma sonoridade perfeita. Como dito anteriormente, o trabalho é uma aula de como o thrash metal deve ser: direto, pesado, com riffs mortais e com a adrenalina á mil. E estamos falando de Overkill. E isso, meus amigos, é algo presente em todos seus trabalhos!

                         O petardo abre com a porrada Mean, Green, Killing Machine, uma verdadeira pedrada, onde s riffs da dupla Dave e Derek despejam doses generosas de peso, enquanto a base rítmica não fica atrás caprichando na mesma intensidade. Blitz segue sendo um dos melhores vocalistas do estilo, mostrando uma entrega e paixão pelo que faz que é impossível não nos questionarmos como o Overkill não goza do mesmo prestígio de bandas como Anthrax e Megadeth, por exemlo. A segunda faixa, Goddamn Trouble, é daquelas arrasa quarteirão. Bateria veloz, riffs fortes, e uma atmosfera totalmente thrash, fazem dessa uma das melhores faixas do trabalho! Se for ouvir num volume mais alto, por favor, arraste os móveis para o lado, pois a probabilidade de acontecer algum "acidente" é grande... Que música foda! Our Finest Hour é outra cacetada! Incrível como o tempo passa e o grupo não "suaviza" na pegada, criando verdadeiros hinos do estilo. Essa é daquelas faixas que não podem faltar nos shows, e que devem causar uma verdadeira "batalha" entre o público. Shine On tem uma veia mais atual (não que as anteriores soem datadas, muito pelo contrário), pois traz consigo um pouco daquela pegada de álbuns como Necroshine (1999), enquanto que o refrão acaba "grudando" na cabeça. The Long Road, intensa e bastante enérgica, possui um pouco da influência da NWOBHM que o grupo sempre apresentou em sua hsitória. E cabe lembrar que poucas bandas conseguiram dosar de forma correta o lado metal e punk no thrash metal como o grupo fez (e faz até hoje!).

                            Let's All Go To Hades tem um começo mais arrastado, com uma atmosfera meio Sabbath, mas logo ganha a cara do grupo, com riffs certeiros, enquanto Blitz dá mais uma aula de interpretação. D.D. Verni (responsável pelas composições ao lado de Blitz), cria ótimas bases de baixo, o que sempre foi uma das marcas da carreira da banda. Assim como Come Heavy, que possui características semelhantes, mas tem uma linha mais próxima do metal tradicional. O pau volta a comer em Red, White And Blue. Veloz, intensa, pesada e cheia de boas variações, a faixa sintetiza bem o que o grupo vem praticando ao longo desses 37 anos de atividades: um thrash metal direto, sem concessões e com aquela veia oitentista (sem que com isso soe datado). Isso acaba se "repetindo" em The Wheel, uma composição onde a base é o thrash, mas que deixa à mostra o metal tradicional e o punk rock unidos com uma urgência ímpar, algo que é uma das principais características dessa verdadeira instituição do metal mundial. A faixa título, The Grinding Wheel, encerra o tracklist regular do álbum, e é uma composição mais trabalhada, cadenciada, com mudanças de andamento. A versão nacional, disponbilizada pela Shinigami Records tem ainda uma ótima bônus track: Emerald, do não menos essencial Thin Lizzy, que ganhou uma versão digna  bem pessoal por parte do grupo.

                             Depois de ouvir por completo THE GRINDING WHEEL, aquela certeza que eu tinha antes, acabou ficando mais forte ainda. O OVERKILL é uma das bandas que mais tem ainda a oferecer ao metal neste tempos difíceis. Enquanto muitas bandas ficam de choradeira pelas redes sociais e lançam álbuns a cada dez anos, o grupo mostra que foi, é e sempre será referência quando o assunto é THRASH METAL! E afirmo aqui, sem nenhum tipo de receio: THE GRINDING WHEEL estará em todas as listas de melhores álbuns de 2017!






           Sergiomar Menezes


domingo, 14 de maio de 2017

IMMOLATION - ATONEMENT (2017)



                        Alguns grupos, depois de algum tempo, acabam deixando se ser considerados como tal e passam a ser uma verdadeira instituição. E se falarmos em death metal, uma dessas mais clássicas e importantes instituições atende pelo nome de IMMOLATION. Dono de uma carreira bastante regular, com álbuns sempre acima da média, o grupo norte americano chega agora ao seu décimo álbum de estúdio. E a regularidade segue intacta, pois ATONEMENT, lançado por aqui pela Shinigami Records/Nuclear Blast, é um álbum forte, intenso e que alia peso e brutalidade à doses generosas de técnica e muita qualidade. 

                           Ross Dolan (vocal/baixo), Robert Vigna (guitarra), Alex Bouks (guitarra) e Steve Shalaty (bateria) apresentam neste trabalho, faixas bem características, o que transforma o death metal praticado pelo grupo em algo único. Juntos desde o início da banda, Ross dolan e Robert Vigna sabem exatamente o direcionamento que a banda deve tomar e contam com a presença de Alex Bouks (substituto de Bill Taylor) , que entrou na banda no ano passado, para despejar ainda mais fúria e ódio nas outras seis cordas do grupo. A produção mais uma vez ficou à cargo de Paul Orofino enquanto  a mixagem e masterização ficaram sob a responsabilidade de Zack Ohren. E mais uma vez, o nível ficou excelente, primando pela agressividade e peso, sem abrir mão de uma sonoridade bastante "limpa". Já a bela capa é obra de Pär Olofsson.

                             Já na abertura com The Distorting Light, percebemos que a banda segue sua saga em favor do death metal brutal e agressivo. Riffs ríspidos e uma certa aura mais obscura em certos momentos, mostram que nem sempre velocidade significa brutalidade. Obviamente que temos isso na música, mas o grupo sabe explorar seus limites de forma correta. When The Jackals Come é mais uma aula do estilo! Bem trabalhada e alternando momentos rápidos e insanos com passagens mais trabalhadas, a faixa é um dos grandes destaques do álbum. Fostering The Divide traz um ótimo trabalho do baterista Steve Shalaty (na banda desde 2003), garantindo o peso necessário para que o baixista/vocalista Ross destile seu ódio em um vocal denso e sombrio. Rise The Heretics é death metal em sua essência mais brutal. Preste atenção nos riffs da dupla Robert e Alex, e ouça uma das melhores duplas do estilo em ação! Outra aula é Thrown To The Fire, onde a velocidade dá lugar á um peso descomunal, em um andamento mais cadenciado, mas onde os riffs emprestam agressividade e técnica à faixa. Em determinado momento, a velocidade volta a imperar, transformando a faixa em um pequeno exemplo do que é o inferno.

                                Destructive Currents segue mostrando muita brutalidade em cada segundo de sua execução, resgatando um pouco do Immolation de outros tempos (quando o grupo fazia um uso bem maior da velocidade). Lower tem um inicio bem introspectivo que logo descamba para um momento de pura insanidade e peso. O vocal de Ross merece destaque pois durante toda a execução do álbum se mantém bastante regular (sim, em estúdio isso é fácil, mas quem conhece  abanda sabe do que estou falando). Atonement tem uma pegada mais atual, mesclando o passado e o presente da banda, assim como Above All (que traz algo de thrash em seus riffs). The Power of Gods traz peso e brutalidade em um andamento mais cadenciado. O encerramento vem com Epiphany, onde os riffs merecem destaque assim como a bateria, criando um entrosamento perfeito entre todos os músicos. Uma das melhores faixas, com toda a certeza!

                              No seu décimo álbum de estúdio, o IMMOLATION prova que segue sendo uma das maiores e melhores bandas de death metal da atualidade. Sem invencionices ou qualquer tipo de modernidades em seu som, o grupo mostra em ATONEMENT que pra fazer death metal, não basta apenas querer. Ele tem que estar no sangue. E isso é fato mais que comprovado quando se fala na banda!





                 Sergiomar Menezes

BLACK STAR RIDERS - HEAVY FIRE (2017)



              Sabe aqueles discos que você já sabe o que vai ouvir, mas mesmo assim, acaba se surpreendendo com o que ouve? Com os cds do BLACK STAR RIDERS é assim que  a coisa funciona. Todos sabemos que a banda é uma espécie de continuação do legado do Thin Lizzy. Obviamente que não podemos compará-los ao saudoso grupo irlandês, uma vez que a alma e carisma de Phil Lynott não estão presentes. Mas ficarmos apenas nesta constatação seria uma imensa injustiça. O BSR é sim uma banda com identidade própria, mesmo que sempre acabemos por lembrar do já referido Thin Lizzy. Seus dois primeiros trabalhos ( All Hells Break Loose -2013- e The Killer Instinct -2015), foram muito bem recebidos pela crítica e pelos fãs. E não será diferente, pois HEAVY FIRE, lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, é ainda melhor, pois traz uma banda mais encorpada e com uma maior personalidade. E ao escutarmos as dez faixas presentes aqui (onze na versão nacional), temos a mais absoluta certeza disso.

                     Formado por Ricky Warwick (vocal/guitarra), Damon Johnson (guitarra), Scott Gorham (guitarra), Robert Crane (baixo) e Jimmy DeGrasso (bateria), o grupo, cuja história remonta ao retorno e encerramento das atividades do Thin Lizzy (o guitarrista Scott Gorham integrou o grupo de 1974 até o encerramento das atividades, sendo também o responsável pelo "retorno" do grupo em 2004) chega agora ao seu terceiro trabalho, cada vez mais com cara de banda "própria". Tendo as composições, em sua maioria sendo compostas pela dupla Warwick/Johnson (no restante, os músicos participam também como co-autores) um forte acento hard rock, com toda a atmosfera resgatando a sonoridade dos anos 70, mas sem em nenhum momento soarem datadas, as linhas de guitarra são o grande destaque do álbum. Mas também, não podemos esquecer o excelente trabalho vocal de Warwick (The Almighty), dono de um timbre perfeito para o estilo. Jimmy DeGrasso deixou a banda ano passado e hoje foi substituído por Chad Szeliga. 

                 A produção do álbum é excelente tendo ficado sob a responsabilidade de Nick Raskulinecz, tendo como engenheiros de som Nathan Yarborough e Jordan Longue. A mixagem foi feita por John Douglass enquanto que  a masterização ficou com Paul Logus. Um trabalho em equipe que resultou em algo de nível excepcional. 

                         Heavy Fire, a faixa título, abre o trabalho com aquela pegada hard tipicamente na linha do Lizzy, mas com uma cara mais pesada e moderna. As guitarras de Gorham e Damon Johnson (Alice Cooper) estão bem entrosadas e sincronizadas, mostrando que a dupla tem muito a oferecer. E tome guitarras em When The Night Comes In. Aqui, o trabalho da dupla Robert Crane e DeGrasso também se destaca, pois aliam peso e técnica em uma faixa que navega pela saguás do hard. Em Dancing With The Wrong Girl, o espírito de Lynott apareceu e transformou a faixa em uma celebração á música do saudoso grupo. A acelerada Who Rides The Tiger vem na sequência e recebe boas doses de peso, cortesia da dupla Gorham/Johnson. A melódica e "suave" Cold War Love mostra  a faceta mais próxima do pop que o grupo pode chegar, mas sem se tornar chato ou descartável. Faixa que tocaria fácil em qualquer rádio que tocasse música de qualidade no Brasil. Mas infelizmente...

                          O hard volta com intensidade em Testify or Say Goodbye. e mais uma vez, Warwick se sobressai, pois o vocalista consegue variar sua voz de acordo com o desenvolvimento de cada composição com extrema facilidade. Robert Crane comanda o peso inicial de Thinking About You Could Get Me Killed. Assim como DeGrasso que usa e abusa de sua técnica em favor da estrutura da faixa. As guitarras aqui, capricham em riffs mais pesados do que o habitual, remetendo á uma sonoridade mais atual. Em True Blue Kid, temos uma estrutura bem variada, mas com uma dose maior de groove, contrastando com momentos mais amenos. Temos mais peso em Ticket to Rise, que possui um "jeitao" Thin Lizzy e melodias de fácil assimilação. O tracklist regular se encerra com a ótima Letting Go Of Me, com riffs hard/heacy e um refrão daqueles que grudam e não saem mais da cabeça. A melodia também é um dos pontos fortes da faixa. Como bônus na versão nacional, temos a faixa Fade, uma bela balada, carregada de sentimento em sua interpretação e execução.

                        Com HEAVY FIRE o BLACK STAR RIDERS busca se estabelecer, não apenas como "aquela banda que era pra ser o Thin Lizzy sem Phil Lynott". E pode-se dizer sem medo que a banda conseguiu seu intento. Um álbum forte, intenso, tocado com alma e sentimento. Claro que existem similaridades com o grupo citado. E não teria como ser diferente. Mas a banda parece ter encontrado seu caminho. E estamos falando de seu terceiro trabalho. Prova irrefutável da qualidade e capacidade criativa do quinteto. Um dos grandes álbuns lançados em 2017.




                         
                Sergiomar Menezes
                          

segunda-feira, 1 de maio de 2017

CONCEPT OF HATE - BLACK STRIPE POISON (2015)



                    Formado em 2009 o quarteto CONCEPT OF HATE lançou seu primeiro trabalho, o EP BLACK STRIPE POISON em 2015, contendo 4 faixas onde o grupo mostrava muita garra e peso em sua música. Tendo por base o thrash metal, mas com uma maior ênfase no momento dos anos 90 (onde podemos perceber influências de Sepultura - fase Chaos AD - e Pantera), o grupo mostra muito mais do que isso, pois também é perceptível uma certa dose ( bem pequena, diga-se de passagem) de hardcore em sua sonoridade.

                  Flávio Giraldelli (vocal), Daniel Pereira (guitarra), Rafael Biebrach (baixo) e Takashi Maruyama (bateria) apresentam um trabalho curto, porém direto e bastante consistente neste EP. produzido por Sebastian Ortornol no estúdio Chile, em São Paulo ( o grupo é de Santo André/SP), o trabalho apresenta uma boa sonoridade, condizente à proposta musical apresentada pela banda. Pesado, com uma certa dose de groove (nada exagerado) e focado nas guitarras, o EP ve para anteceder o trabalho de estréia do do grupo (full lenght) que encontra-se em processo de gravação.

                        Black Stripe Poison abre o EP e nos remete àquela fase do Sepultura que a maioria dos fãs considera a melhor e mais produtiva da carreira do grupo: a dos irmãos Cavalera. Só que o Concept of Hate insere doses generosas de Pantera por aqui, principalmente naquelas "paradinhas", o que deixa a faixa um tanto mais pesada. A segunda música, In Human Nature, começa da mesma forma. Temos aquela introdução que se fazia presente em álbuns como Arise e Chaos AD, só que aqui o grupo incorpora alguns momentos mais próximos do hardcore. O vocal de Flávio se aproxima muito de nomes como Phil Anselmo e Robb Flynn (Machine Head). Chaospiracy (título bem sacado, hein?), tem um ritmo mais cadenciado, onde a guitarra manda ver com riffs pesados e ríspidos. Além disso, vale ressaltar o bom trabalho do batera Takashi Maruyama. Sanity Is Not An Option encerra o EP de forma veloz e pesada.

                           BLACK STRIPE POISON apresenta uma banda que, mesmo procurando sua identidade já apresenta características bem pessoais. O CONCEPT OF HATE tem tudo para apresentar um bom trabalho em seu álbum de estréia. Este EP lançado em 2015, nos deixa com essa sensação. Que não demore a chegar!




                   Sergiomar Menezes
                       

QUINTESSENTE - THE BELIEF OF THE MIND SLAVES (SINGLE) (2016)



               O grupo QUINTESSENTE pratica uma bela mistura entre o  Gothic, o Death e o Doom. E isso fica bem nítido ao ouvirmos este single, THE BELIEF OF THE MIND SLAVES (2016), que antecede o o lançamento do álbum SONGS FROM CELESTIAL SPHERES, que sai agora em maio de 2017. Formada em 1994, a banda lançou o EP "Lonely Seas of a Dreamer" no ano 2000 e após um relativo sucesso, acabou dando uma pausa nas atividades. Em 2015, o grupo resolveu retomar as atividades e uma prévia do resultado dessa volta, vem no formato desse single.

             O grupo é formado por André Carvalho (vocal), Cristiano Dias (guitarra), Cristina Müller (teclados e vocal), Henrique Bessa (baixo) e Mark Souza (bateria). Produzido pela banda e por Celo Oliveira, o single (assim como o vindouro álbum) foi mixado e masterizado também por Celo Oliveira no Kolera Studio. E não há o que discutir, pois o que temos aqui é uma trabalho pesado, intenso e ao mesmo tempo cristalino, onde todos os instrumentos são audíveis e muito bem timbrados.

                 O single é composto por duas faixas. A primeira , The Belief of the Mind Slaves, fará parte do álbum que será lançado ainda neste semestre. Já a segunda, Matronae Gaia, fez parte do último EP lançado pelo grupo, o já citado "Lonely Seas of a Dreamer". Com uma pegada mais próxima do death metal melódico, a primeira faixa aponta o caminho que o grupo pretende seguir, com guitarras pesadas, baixo e bateria brutais, e teclados que acabam dando um certo ar "sinfônico" á composição. Arranjo bem elaborado e um contraste muito interessante entre as vozes de  de André e Cristina surgem como destaque na composição. Já a segunda faixa, mostra uma banda mais crua, mas que já buscava uma sonoridade mais próxima da atual. 

               Este single, mostra que o QUINTESSENTE vem com tudo no full lenght que se aproxima. Ao julgarmos pela faixa presente aqui, estaremos de mais um grande álbum de destaque dentro do cenário nacional. Estamos no aguardo!




                Sergiomar Menezes