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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

NERVOCHAOS - NYCTOPHILIA (2017)



                            Algumas bandas brasileiras conseguem algo que pode ser considerado um marco em sua carreira. Agregar ao seu nome o subtítulo de instituição do Metal Nacional. E esse é o caso do NERVOCHAOS. Tendo completado 21 anos de atividades em setembro deste ano, o grupo chega agora ao seu sétimo trabalho de estúdio. E o que ouvimos em NYCTOPHILIA lançado pela Voice Music/Cogumelo Records é o mais puro Death Metal brutal e agressivo que a banda consagrou ao longo de sua vitoriosa carreira. Com elementos do hardcore, thrash, black, grindcore e punk, o álbum vem para consolidar o status do grupo como uma das uma das melhores bandas brasileiras do estilo.

                 Lauro Nightrealm (vocal e guitarra), Cherry (guitarra e backing vocal), Thiago "Anduscias" (baixo) e Edu Lane (bateria) formam a banda que ao lado de Alex Azzali produziu o trabalho na Itália. Alex, também foi o responsável pela mixagem e masterização. E ambos capricharam pois o "metal da morte" que o grupo nos entrega aqui, é algo matador! Mesmo tendo passado por mudanças de formação, a essência do grupo permaneceu intacta, provando que por mais percalços que tenham acontecido, a persistência de Edu Lane manteve firme o ideal de destruição sonora da banda. Nas treze faixas apresentadas em NYCTOPHILIA, vemos um grupo disposto  a manter seu death metal brutal e agressivo, como sempre foi.

                            A abertura com Moloch Rise comprova a qualidade  e brutalidade da atual formação da banda. Os riffs pesados e ríspidos proporcionados pela dupla Lauro e Cherry (ex- Okotô, Hellsakura) mostram o entrosamento e coesão, enquanto que  a dupla Thiago e Edu (baixo e bateria, respectivamente), sentam a mão, deixando a base rítmica do grupo num nível de peso e agressividade absurdos. Ritualistc, com um andamento mais "ameno", mostra que nem só de velocidade se faz death metal, pois a estrutura mortal das composições permanece intacta. Ad MajoremStanae Gloriam apresenta riffs mais "rockers" (dentro da proposta da banda, obviamente), com uma levada um pouco mais cadenciada. A faixa mostra a versatilidade do grupo. Season of the Witch é uma faixa que mantém um andamento mais cadenciado mas que descamba pra porradaria tradicional do death metal, assim como Waters of Chaos, que possui riffs sombrios e intensos. The Midnight Hunter também apresenta elementos de death tradicional, mas com as características que sempre nortearam a carreira do grupo agressividade em estado bruto!

                           Rites of the 13 Cemeteries mantém essas características, com algumas mudanças de andamento que ficaram interessantes, não deixando que a faixa se torne repetitiva. Vampiric Cannibal Goddes é outra aula de death metal à moda antiga. Sem invencionices, é uma porrada direta e mortal. Já Stained in Blood possui momentos mais cadenciados que alternam com outros mais tradicionais, enquanto que as guitarras deixam tudo pesado e sujo. Aliás, mesmo sendo um trabalho bastante homogêneo, podemos dizer que as guitarras acabam sendo o grande destaque do álbum pois mantém uma unidade consistente. Lord Death é outra faixa bem direta, mesmo que as guitarras aqui apresentem linhas mais próximas do hardcore. Dead End tem no trabalho da cozinha seu destaque. O baixista Thiago cria linhas bem interessantes, fugindo um pouco daquela pegada mais tradicional do estilo. World Aborted é uma faixa típica da banda enquanto que o encerramento com Live Like Suicide é um massacre proporcionado por Edu, que destrói seu kit sem piedade, dando ao álbum um fechamento grandioso!

                           O NERVOCHAOS mostra que continua sendo um dos nomes fundamentais da cena extrema brasileira. NYCTOPHILIA traz a banda em um estado de brutalidade e agressividade que parece não esmoecer com o passar dos anos. Sorte dos apreciadores do metal da morte que tem nessa instituição do metal brasileiro, uma de suas referências!




                 Sergiomar Menezes

domingo, 15 de outubro de 2017

PROFECIA DO CAOS - PREGAÇÃO DA MALDIÇÃO (2016)



                      Com uma sonoridade pesada, fortemente influenciada pelo Thrash e pelo Death Metal, a banda  mineira PROFECIA DO CAOS chega ao seu primeiro trabalho. PREGAÇÃO DA MALDIÇÃO vem após dois anos da criação do grupo, o que mostra que, apesar de pouco tempo, a banda teve boas idéias e criatividade para gravar seu debut. Mesclando momentos mais próximos do death metal, mas com passagens que remetem ao Thrash e até mesmo o Hardcore, o grupo é mais um bom nome que surge no numeroso e disputado cenário da música pesada brasileira.

                 Edu Kammer (vocal), Natanael Leda (guitarra), Fábio Hannibal (guitarra), Fernando Mohammed (baixo) e Brenner Valverde (bateria), foram os responsáveis pela gravação, produção, mixagem e masterização. Ou seja, o trabalho ficou da maneira que a banda queria. E entenda-se por isso como um trabalho pesado, intenso e bem executado. Se o que o grupo mostra aqui não é nada inovador, por outro lado, as músicas se apresentam eficientes dentro da proposta a qual o quinteto pretende apresentar. Cantando em português, o grupo mostra personalidade, uma vez que o estilo adotado por ele não tem muitos adeptos dessa prática. Em oito faixas, relativamente curtas, a banda passa seu recado de forma consistente.

                  Intro/Profecia abre o álbum e já deixa claro que o peso das guitarras é o destaque. Os vocais de Edu também mostram toda a agressividade do som do grupo, pois vão do mais rasgado ao gutural. Já a dupla Fernando e Brenner (baixo e bateria, respectivamente) criam uma base bastante sólida e pesada. Olhos Vendados tem sua estrutura bem próxima do death metal, mas busca incorporar elementos do hardcore, principalmente pelos riffs. Punição é um dos dos destaques, pois tem uma levada mais atual, que se encaixa bem no que a composição pede. Já Nostradamus é daquelas faixas que fazem valer o álbum. Curta, mas com forte influência do Thrash (preste atenção no trabalho da dupla Natanael e Fábio), a faixa mostra uma banda que sabe onde quer chegar.

                  Pilhagem tem um "pé" no death metal melódico, mas com uma levada hardcore, o que acaba confirmando essa como uma das principais influências da banda. Apocalipse do Ódio traz guitarras pesadas e agressivas, enquanto a cozinha manda ver no peso, com bases bem variadas. O vocal se apresenta mais gutural aqui, criando um clima mais brutal. Visões tem um andamento mais cadenciado, e agrega passagens mais "atuais", deixando tudo ainda mais pesado. O CD encerra com a faixa título. Uma composição bastante agressiva.

                   PREGAÇÃO DO ÓDIO é um álbum que serve para apresentar o bom trabalho realizado pelo PROFECIA DO CAOS. Aqui, o grupo mostra potencial e além disso, que tem disposição para batalhar pelo seu lugar ao sol. A experiência e a estrada farão bem ao grupo, que com isso, agregará  ainda mais qualidade ao bom trabalho que vem fazendo.




                 Sergiomar Menezes
                       


HERETIC - LEITOURGIA (2015)



                     Alguns trabalhos que chegam pra gente são extremamente fáceis de resenhar. Seja pelo estilo adotado pela banda seja pelo conhecimento acerca da própria pelo redator. Outros, são completamente o oposto, pois trazem o desafio, não apenas de assimilar e entender o que a banda propõe em sua sonoridade, mas também pelo fato de que, talvez por falha de quem vai realizar o trabalho, há pouca informação à respeito do grupo em questão. E este é o caso da banda goiana HERETIC que em 2015 lançou seu segundo trabalho. LEITOURGIA (nome traduzido) traz um trabalho recheado de referências mas que consegue mostrar que o grupo tem muita personalidade. 

                   Guilherme Aguiar (guitarra), Laysson Mesquita (baixo) e Diogo Sertão (bateria) fazem um som instrumental com influências que vão desde a música oriental (árabe e indiana) passando pelo thrash e pelo prog. Se em um primeiro momento isso pode soar estranho, ao ouvir com atenção, percebe-se que o grupo busca agregar essas influências em uma música instigante. Tentando mostrar um ponto de referência, eu citaria o Orphaned Land, mas o trio brasileiro possui identidade própria. E gosta de  se arriscar, afinal, o que a banda apresenta não é simples. Produzido pelo próprio grupo, o álbum foi mixado e masterizado por Lucão, em Goiânia. E aqui fica uma pequena ressalva: mesmo que não tenha atrapalhado, a sonoridade da banda demanda algo mais cristalino, visto a riqueza dos arranjos presentes.

                   Rajasthan Ritual abre o álbum com um clima bem oriental, com guitarras pesadas e cheias de técnica. O andamento cadenciado cria uma atmosfera ue cresce em intensidade durante  a execução da faixa. Ritmo mais variados se fazem presentes na ótima I Am Shankar, onde as guitarras mostram excelente desenvoltura, buscando contrastar o peso do metal com as melodias orientais que norteiam a composição. Cabe ressaltar também o trabalho muito bem executado pelo baterista Diogo, que cria variações que se encaixam perfeitamente na faixa. As melodias orientais seguem fortemente em Lamashtu, outro bom momento do álbum. O clima indiano no início de Ghost of Ganheesha dá luar ao peso da guitarra, que traz riffs bem agressivos. E os riffs agressivos continuam sua saga em Unleash The Kraken, fortemente influenciada pelo Thrash Metal, mas que possui passagens climáticas.

                       Sensual Sickness tem sua base em um trabalho de guitarra que encontra um meio termo entre a agressividade e a melodia. Alguns corais ao fundo criam um clima denso, enquanto alguns "gemidos" mostram novamente  a coragem do grupo em arriscar. Sonoro possui um trabalho de percussão bem interessante, influenciado pelo clima oriental que dita o ritmo da composição. Assim como Solaris, com o diferencial que esta, tem uma sonoridade bem pesada, enquanto a anterior era acústica. Temos ainda, Solitude, cover do Black Sabbath que caiu como uma luva aqui, pois a banda soube inserir sua personalidade na faixa, sem descaracterizá-la. O fechamento vem com The Hedonist, que condensa todas as influências do grupo em uma única faixa. 

                          LEITOURGIA traz uma banda que não tem medo de arriscar. Com personalidade, o grupo mostra forte disposição em não se deixar levar por modismos, muito menos faz concessões em sua sonoridade, que é bastante peculiar. o HERETIC tem aquilo que muitas bandas procuram e outras tantas esquecem de ter: identidade. E isso faz a diferença!




                   Sergiomar Menezes

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

THE DEAD DAISIES - LIVE & LOUDER (2017)



                     Tem resenha que é muito fácil de fazer. Se não, vejamos: pegue uma banda que o redator gosta pra caramba. Junte à isso, um trabalho ao vivo, contendo músicas autorais e incrementado com  covers de bandas clássicas. É isso que temos em LIVE & LOUDER, que como o nome entrega é o álbum ao vivo lançado pelo THE DEAD DAISIES, e que chega ao Brasil pela parceria Shinigami Records/SPV SteamHammer. Tendo lançado três álbuns, sendo que os dois últimos, Revolución (2015) e Make Some Noise (2016) são ótimos trabalhos, que mostram uma banda praticando um hard rock de altíssima qualidade. E não é pra menos, pois experiência é o que não falta aos integrantes do grupo.

                 John Corabi (vocal), Doug Aldrich (guitarra, backing vocal), David Lowy (guitarra), Marco Mendoza (baixo, backing vocal) e Brian Tichy (bateria) formam um dos grupos mais legais surgidos recentemente. Aquele Hard Rock com um jeitão de Classic Rock que só quem tem a manha sabe fazer. E isso a band tem de sobra. Não cabe aqui trazer o histórico de cada integrante, uma vez que se você lê esse blog, ou qualquer outro referente ao rock/metal, já deve estar cansado de saber. Em LIVE & LOUDER temos 16 faixas, onde a presença de alguns covers vem para engrandecer ainda mais o álbum, cuja a aquisição por parte do fã de Hard é indispensável! Produzido pelo guitarrista Dough Aldrich, que soube captar a energia do grupo em cima do palco, o CD foi mixado por Anthony Focx e masterizado por Howie Weinberg. O livreto traz ótimas imagens do grupo em turnê, o que mostra que o quinteto tem se divertido muito na estrada.

                      Mesmo com apenas três álbuns, o grupo resolveu lançar esse ao vivo. e se num primeiro momento isso pode soar meio estranho, quando escutamos o trabalho, entendemos o porquê desse lançamento. A energia e garra que o grupo entrega no palco é contagiante! Faixas incríveis como Long Way To Go, a sensacional Mexico (presente em Revolución), Make Some Noise (que música lega! Mesmo se utilizando de alguns clichês, a banda conseguiu criar uma faixa que, em sua história, já pode ser considerada clássica), Song And a Prayer (acessível na medida certa), We All Fall Down (com aquela pegada maliciosa que só o Hard proporciona), Lock n' Load (que foi co-escrita por Slash), Something I Said (aquela balada esperta), Last Time I Saw The Sun (que mostra a veia mais pesada do grupo), With You and I (outra faixa de Revolución) e Mainline (aquela porrada que sempre está presente), mostram todo o poderio de fogo da banda. Agora... na hora de escolher os covers, o grupo também caprichou: Fortunate Son (Creedence Clearwater Revival), Join Togheter (The Who), Helter Skelter (Beatles, e a propósito, o primeiro heavy metal da história), American Band (que na verdade é We're An American Band do Grand Funk Railroad) e Midnight Moses (The Sensational Alex HArvey Band). 

                     Resumindo: LIVE & LOUDER é um álbum obrigatório para todo fã de Hard Rock, pois traz uma das melhores bandas da atualidade em performances matadoras ao vivo. Se você procura uma banda que una o hard ao clássico, e não abra mão do peso, da classe e do bom gosto, a THE DEAD DAISIES é a banda! Vale cada centavo investido!



                    
                     Sergiomar Menezes


INDISCIPLINE - SANGUÍNEA (2017)



                       Tem muitos momentos em que a gente, na condição de quem escreve sobre rock/metal, acaba sendo surpreendido. Na maioria das vezes, no meu caso, recebo materiais de bandas das quais nunca havia ouvido falar. E muitas vezes isso se mostra uma falha gritante. Claro que também, algumas vezes, trata-se  de trabalhos de estréia, o que ameniza um pouco essa falta de conhecimento. E esse é o caso do grupo carioca INDISCIPLINE que nos brinda com seu primeiro trabalho, SANGUÍNEA, lançado pela Shinigami Records. E quando eu escrevo "nos brinda", escrevo no melhor sentido da palavra! Um Heavy Rock vigoroso, com pitadas de Hard, Punk e do Rock em seu estado mais puro (mas também sujo e agressivo). 

                        O trio é formado por Alice D'Moura (baixo e vocal), Maria Cals (guitarra) e Ale De La Vega (bateria) e mostra em seu debut, uma garra e energia em favor da música que poucas bandas, algumas até mesmo já veteranas, têm. Mesclando os estilos citados no início do texto, o trio cria uma identidade própria, com faixas repletas de riffs sujos, baixo e bateria diretos, sem concessões, o que mostra personalidade. A guitarrista Maria sabe dosar peso e agressividade (no que diz respeito ao estilo adotado pela banda, que fique bem claro) de forma consistente. Aliado à isso, o vocal de Alice possui um timbre bem peculiar, navegando com facilidade pelo heavy, hard e punk sem receios. A produção do álbum ficou por conta de Felipe Eregion (Unearthly) e deixou tudo no lugar. Ou seja, sujo, pesado e equilibrado.

                         A faixa de abertura, Fear In Your Eyes, é um rockão daqueles! Pesado, com guitarras à frente, numa pegada bem próxima do hard/heavy. Ótima escolha para abrir um trabalho que prima por aliar esses estilos de forma eficiente. Assim como Take It Or Leave It, onde os riffs nos deixam hipnotizados, tamanha a pegada do trio. Mesmo caprichando no peso, o Hard é a linha que guia a faixa. Nasty Roar é mais intensa, com um andamento mais cadenciado, o que serve para deixar a pegada da baterista Ale mais evidente. Burning Bridges começa com o baixo de Alice um tanto quanto introspectivo, o que se mostra ao longo da execução da faixa. Cadenciada e dona de ótimos riffs, a composição é um dos destaques do trabalho. Degrees of Shade foge um pouco do que vinha sendo apresentado até o momento, apresentando uma sonoridade mais "alternativa".

                         Losing My Mind também apresenta essas características, com o diferencial de possuir mais peso na guitarra, ganhando uma aura um pouco mais próxima do metal. Born Dead segue dentro dessa perspectiva, enquanto que Higher me trouxe a mente o Nashville Pussy, ainda mais pelas guitarras de Maria, pois o andamento tem ótimas linhas. Miss Daniel tem como destaque Ale, que criou passagens bem estruturadas, enquanto o solo de Maria se destaca por aliar melodia e agressividade. Essa faixa lembrou o que o L7 fazia em seus bons tempos. e o encerramento vem em grande estilo com a faixa Poison. Rock da melhor qualidade pra fechar um trabalho de ótimo nível.

                         O grupo  INDISCIPLINE estréia em grande estilo com SANGUÍNEA. Um trabalho com ótimos riffs, que traz uma banda pronta pra se destacar no cenário. Falta apenas o público conhecer e apreciar o que o trio feminino faz aqui. 




                  Sergiomar Menezes

ONCE HUMAN - EVOLUTION (2017)



                  O grupo ONCE HUMAN chega, agora em 2017, ao seu segundo álbum. Intitulado EVOLUTION, o álbum mostra, com o perdão do trocadilho, uma evolução em relação ao primeiro (The Life I Remember - 2015). Mais apurado, este mais recente CD traz composições onde a técnica dos músicos acaba prevalecendo. Buscando incorporar elementos mais atuais em sua sonoridade, podemos classificar o som do grupo como um death metal melódico, mas que não se prende muito às amarras do estilo. Se tivéssemos que citar alguma banda como referência, poderíamos colocar o Arch Enemy no centro. Mas o Once Human procura ser mais "americano" em sua música. Se é que me fiz entender... O álbum chega aqui através da Shinigami Records em parceria com a EAR Music.

                        Lauren Hart (vocal), Logan Mader (guitarra, ex-Machine Head, ex-Soulfly, e também produtor), Max Karon (guitarra), Skylar Howren (guitarra), Damien Rainaud (baixo) e Dillon Trollope (bateria) formam o grupo, que é liderado pelo guitarrista Logan, que produziu e mixou o trabalho. Já a masterização ficou à cargo de Jens Bogran. A banda mostra aqui, 09 faixas repletas de bons riffs de guitarra, mas que não apresentam muita novidade. Cabe ressaltar que temos três guitarristas, o que ao vivo, pode significar uma dose extra de peso. Em alguns momentos, o grupo encarna uma atitude mais voltada ao metal europeu (no que diz respeito ao Gothemburg Sound), já em outros, apresenta resquícios do "falecido" new metal (ou alterna metal, nu metal, chame como quiser). O que acaba sendo algo até natural, tendo em vista o passado  de Logan Mader.

                      A faixa de abertura, Flock of Flesh, se apresenta violenta, com guitarras ditando o ritmo. A vocalista Lauren possui uma característica mais direta e agressiva, o que deixa tudo mais pesado. Há momentos melódicos durante a execução da faixa, o que deixa a composição mais centrada. Eye of Chaos ganhou um vídeo e aqui, temos aquelas passagens que nos remetem ao metal americano. Preste atenção tanto no andamento quanto nas mudanças que se apresentam na faixa. Gravity possui bons momentos, mais trabalhados e intensos. Dark Matter tem seu destaque na dupla Damien e Dillon (baixo e bateria, respectivamente). Paragon tem uma melodia mais acentuada, e mostra que a vocalista Lauren consegue variar bem sua voz, não ficando presa apenas aos guturais, Aliás, isso pode ser um ponto a ser melhor explorado pelo grupo. Killer For The Cure tem linhas mais agressivas, já o encerramento com Passenger traz as características do grupo de forma mais acentuada. A busca pelo peso e melodia de forma conjunta.

                             EVOLUTION mostra que o ONCE HUMAN ainda procura uma maior identidade. Não é um trabalho ruim, longe disso. Mas se o grupo quer se tornar maior, precisa repensar algumas passagens presentes aqui. E talvez explorar mais a versatilidade apresentada pela vocalista Lauren Hart. Se unir essas duas ações, teremos um grupo com maior personalidade. 




                   Sergiomar Menezes

EDENBRIDGE - THE GREAT MOMENTUM (2017)



                   Confesso que há muito não tenho acompanhado a carreira do EDENBRIDGE. Pra ser mais exato, desde The Great Design (2006) que a banda da talentosa vocalista Sabine Edelsbacher e do multi instrumentista e dono de inegável técnica Lanvall, não tem me chamado a atenção. Até por que, o álbum citado era ótimo e o que veio na sequência, My Earth Dream, deixou a desejar. Mas agora, eis que através da Shinigami Records/ SPV Steamhammer, THE GREAT MOMENTUM chega até mim e, para minha surpresa, as composições voltaram a apresentar aquela classe e brilho que só músicos com gabarito como Lanvall, tem a qualidade e capacidade de oferecer ao ouvinte. Se o metal sinfônico, de certa forma, não oferece nada de novo, uma das mais respeitadas bandas surgidas  dentro do estilo vem para colocar as coisas em seus devidos no lugares.

                     Formada pelos já citados Lanvall (guitarra, baixo, piano e teclados), Sabine (vocal) além de Dominik Sebastian (guitarra) e Johannes Jungreithmeir (bateria), a banda apresenta neste mais recente trabalho, 09 faixas bem estruturadas, onde a qualidade dos arranjos se mostra em destaque. A produção, bem como todas as orquestrações e melodias presentes aqui, ficaram, como de praxe, sob a responsabilidade de Lanvall. E o músico caprichou, pois tudo aqui nos remete aos bons momentos vividos pelo grupo anteriormente. Arranjos técnicos e muito bem executados, passagens orquestradas cheias de melodia e muito bem variadas, onde a versatilidade da banda é posta à prova (como na maioria das vezes) e passa sempre om louvor, além de corais encaixados à perfeição, fazem deste novo álbum, o melhor do grupo desde o já citado The Great Design.

                     A faixa de abertura, Shiantara, já mostra que os músicos capricharam. Pesada, sinfônica e com uma interpretação cheia de técnica de Sabine, deixam claro que estamos diante de um grande trabalho. destaque para os ótimos riffs presentes, o que deixa tudo mais intenso. The Die Is Not Cast, que segue essa mesma linha, mas um pouco mais pesada, principalmente, ao analisarmos as guitarras, que estão à frente. Os corais também merecem menção, uma vez que ficaram bem encaixados dentro da composição. Outras faixas que merecem destaque são The Moment Is Now (com mais um grande trabalho de guitarras, mas que também apresenta melodias mais "amenas"), o peso presente em Visitor (sem dúvidas, a mais pesada de todo o álbum), Return To Grace (que traz em sua estrutura uma certa melodia oriental, mas sem abrir mão do peso), Only A Whiff Of Live (suave e singela) e A Turnaround In Art, que mostra novamente a disposição do grupo em não abrir mão do peso em suas composições, mesmo que as orquestrações façam um contraponto à essa linha em alguns momentos. O álbum se encerra com a grandiosa The Greatest Gift of All, com seus mais de 12 minutos, repleta de variações e arranjos muito bem elaborados.

                      Se eu havia parado de acompanhar o EDENBRIDGE, THE GREAT MOMENTUM me fez voltar a ter atenção ao trabalho da banda. Ótimas composições, arranjos belíssimos, guitarras pesadas e bem timbradas, além dos já consagrados vocais de Sabine, fazem deste trabalho o melhor do rupo nos últimos dez anos. E isso não é pouca coisa!





                Sergiomar Menezes

HAVOK - CONFORMICIDE (2017)



                      Se tem um estilo que cada vez mais vem se "fortalecendo", esse estilo é o Thrash Metal! E não falo apenas com relação aos medalhões, mas também à inúmeras e excelentes bandas que, mesmo não sendo tão novas assim no cenário, injetam um sopro revigorante a cada novo lançamento. e dentre essas bandas, podemos, com a mais absoluta certeza, citar os norte americanos da HAVOK. Na estrada desde 2004, o grupo traz em sua bagagem dois EPs e três full lenghts. E agora em 2017, lançam esse petardo intitulado CONFORMICIDE, que chega por aqui na parceria Shinigami Records/Century Media. E, não tenho nenhum receio em afirmar que, independente do que você vier a escutar dentro do estilo, este CD estará em sua lista de melhores do ano.

                Formada por David Sanchez (vocal e guitarra), Reece Scruggs (guitarra), Nick Schendzielos (baixo) e Peter Webber (bateria), o quarteto traz toda a energia e fúria que consagrou as bandas do estilo. Tendo suas raízes na Bay Area, o grupo consegue de forma extremamente eficiente, agregar algo do Thrash alemão, principalmente tendo o Destruction como ponto de referência. E o resultado disso é um thrash metal atual, mas que tem toda sua base nos anos de ouro do estilo. o HAVOK consegue soar moderno sem ser chato, pois acaba entrando naquilo que se convencionou chamar de Retro-Thrash". O álbum foi produzido e mixado por Steve Evetts, enquanto a masterização ficou sob a responsabilidade de Alan douches. E a dupla deixou tudo no ponto. Guitarras bem timbradas, baixo e bateria pesados e insanos (o trabalho do baixista Nick merece ser destacado) e o vocal, que fica num meio termo entre Zetro Souza (Exodus) e Schmier (Destruction), criam músicas empolgantes e cheias do espírito característico do Thrash Metal.

                           Riffs agressivos e uma pegada que nos remete aos clássicos dos anos 80 (vejam bem, não disse aqui que o álbum é clássico como aqueles, ok?) aliados à uma execução cheia de garra fazem de músicas como F.P.C. (daquelas aberturas que mostram que o grupo sabe bem o que está fazendo e que escancara a qualidade do baixista Nick), Hang 'Em High, que possui riffs rasgados e certeiros, Dogmaniacal, outra paulada carregada de riffs mortais, Masterplan, a melhor do trabalho, cheia de variações, onde as guitarras mostram excelente desenvoltura, com um entrosamento digno de nota, Peace is in Peaces, que além do belo título, traz toda a versatilidade do grupo na hora de compôr e Claiming Certainty, que parece ter sido gravada nos anos 80 e trazida para o momento atual depois de ter sido encontrada em alguma demo perdida. A versão nacional conta ainda com duas faixas bônus: String Break e Slaughtered, duas pauladas que mantém a adrenalina presente no versão regular do trabalho.

                          Sem muito mais o que acrescentar. CONFORMICIDE é um álbum para ser apreciado por todo fã de Thrash Metal. Seja ela mais "simpático" à Bay Area, seja ele mais adepto ao Thrash alemão. O HAVOK consegue unir essas duas vertentes com maestria e com este lançamento, crava seu nome entre os grandes nomes da cena atual. vai figurar fácil em muitas listas de melhores do ano...





                      Sergiomar Menezes

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

FIRE STRIKE - SLAVES OF FATE (2017)



                          E eis que, após, 12 anos, a FIRE STRIKE lança seu primeiro full lenght. Se, quando do lançamento do EP "Lion and Tiger", lançado em 2013, já podíamos perceber a qualidade do grupo, aqui, em SLAVES OF FATE, que chega ao mercado pela Shinigami Records, temos uma boa evolução. A NWOBHM continua sendo o norte da banda, mas a personalidade que o quinteto imprime às suas composições se mostra de forma mais consistente. Guitarras pesadas e melódicas, riffs com uma pegada oitentista, mas sem soarem datados, baixo/bateria "marcados" e uma vocalista que sabe usar sua voz em favor da música. temos aqui, mais uma grande banda do cenário nacional!

                          Aline Nunes (vocal), Helyad Amaro (guitarra), Henrique Schuindt (guitarra), Edivan Diamond (baixo) e Alan Caçador (bateria) apresentam 09 faixas recheadas de boas melodias, mas que em nenhum momento abrem mão do peso característico do heavy metal. Afinal, estamos falando de um estilo que alia peso e melodia em sua estrutura, e o grupo mostra que sabe muito bem o que está fazendo. Buscando referências, podemos citar nomes como Iron Maiden, Saxon, Accept, King Diamond, Judas Priest, entre outros. Mas como citado anteriormente, a banda injeta suas características, criando composições que nos remetem à momentos clássicos do estilo. A produção ficou sob a responsabilidade de Andria Busic, que deixou tudo no lugar, pesado e ao mesmo tempo, cristalino, deixando que o grupo expressasse sua identidade, sem comprometer.

                          Reach For Your Life abre o álbum e já coloca tudo em seu devido lugar! As guitarras da dupla Helyad e Henrique fazem uma bela parceria, com as grandes bandas do estilo. Cumplicidade e coesão, criando melodias bem encaixadas, o que deixa Aline muito à vontade para cantar de forma forte e cheia de garra. Se o que você procura é heavy metal, direto, sem nenhum tipo de concessão ou invencionice, a FIRE STRIKE é a banda! Na sequência, Master of The Seas traz os anos 80 de volta, com uma pegada bem típica. Aqui, Aline em alguns momentos, procura notas mais altas, mostrando grande capacidade vocal. Slave of Your Fate traz a vocalista em momentos mais "suaves" e limpos, o que mais uma vez, comprova sua versatilidade. A faixa, apresenta algo de hard rock em sua estrutura, o que acaba criando uma ótima atmosfera. Em Electric Sun, aquele bom e velho metal tradicional dita as regras, principalmente na linha adotada pela cozinha da banda. 

                           The Wolves Don't Cry traz riffs certeiros, cavalgados, como manda a cartilha. Além disso, os solos são eficientes, pois estão encaixados no contexto da composição, e não jogados à esmo, como algumas bandas costumam fazer, apenas para mostrar  atécnica de seus integrantes. o que é um terrível engano, uma vez que na música, o feeling deve SEMPRE falar mais alto. Depois de um início mais introspectivo, Losing Control traz o metal tradicional de volta à pauta. Assim como Streets of Fire, uma das melhores faixas do álbum! Melodia, riffs, pegada... Tudo aqui soa perfeito, com a adrenalina à mil! faixa ótima para aquela air guitar! Lust é outro ótimo momento. O álbum se encerra com a sintomática Our Shout Is Heavy Metal, "We're making... singing... playing... living... HEAVY METAL!" Um encerramento cheio de sentimento pelo estilo!

                        A FIRE STRIKE, depois de bastante tempo, chega ao seu primeiro trabalho completo, esbanjando classe e categoria em favor do metal tradicional. Se a inspiração vem dos anos 80, a sonoridade do grupo ganha características próprias ao mesclar uma pegada mais atual em suas composições. SLAVES OF FATE é indicado á todo fã do estilo. principalmente para aquele que cai naquela velha ladainha de que o metal nacional anda mal das pernas...



                
                         Sergiomar Menezes

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

CANÁBICOS - INTENSO (2017)



                O título do quarto álbum da banda mineira CANÁBICOS não poderia ter sido melhor escolhido. INTENSO define de forma clara, aquilo a que o grupo formado em 2013 se propõe a fazer: Rock n'Roll direto, forte e, perdoem a redundância, intenso! desde a criação do grupo, já foram lançados três álbuns em uma interessante sequência. "La Bomba" (2013), "Reféns da Pátria" (2014) e "Alienígenas" (2015), vieram na sequência de um ano de diferença. Já este mais recente trabalho, "passou" um pouco do tempo, mas mostra-se um trabalho mais forte e variado que os anteriores. 

                   Clandestino (vocal), Murcego González (guitarra - UGANGA), Marcelo Maluco (baixo) e Mestre Mustafá (bateria) apresentam uma sonoridade bastante rica em influências, que se encaixam de forma bem uniforme dentro da sonoridade do grupo. Beatles, Rolling Stones, Black Sabbath, Led Zeppelin, The Doors, Jimi Hendrix, Raul Seixas, Mutantes, Steppenwolf... Consegue imaginar todas essas bandas "juntas"? E ainda por cima, cantado em português? Pois o Canábicos conseguiu agrupar essas influências, criando uma música cativante. Principalmente pelo excelente trabalho de guitarra, que consegue soar suja e pesada, mas na medida, usando uma timbragem muito bem escolhida. O álbum foi gravado, produzido, mixado e masterizado por Gustavo Vazquez (Uganga, Black Drawing Chalks, Hellbenders), no estúdio RockLab em Goiânia (GO), e ficou na medida. 

                   Planeta Estranho abre o play e já entrega que as guitarras conduzirão o álbum. Um rockão que traz, além das influências citadas anteriormente, algo de AC/DC e Motorhead, o que dá um tempero ainda melhor ao rock n'  roll cheio de atitude do grupo. O vocal de Clandestino se mostra bem encaixado no estilo. E o fato de ser cantado em português, cria uma certa nostalgia que acaba se contrastando ante o som despojado da banda. Fora da Lei possui um andamento mais cadenciado, ms que com o andamento da faixa, ganha velocidade em determinados momentos. Os riffs de guitarra fazem a diferença, pois não soam monótonos. A cozinha também se destaca, pois o entrosamento da dupla MM e Mestre Mustafá (baixo e bateria, respectivamente) é consistente. Já a faixa título,fala sobre a morte, imprevisível e inevitável. Com passagens introspectivas, a composição possui um arranjo bem elaborado. A levada mais cadenciada e "viajante" de Não Faz Sentido, acaba destoando um pouco da "intensidade" das três primeiras faixas. Mesmo assim, a composição apresenta bons momentos.

                    Lei do Cão possui uma levada groove e bons riffs. O refrão se torna sintomático, ainda mais do jeito que as coisas se apresentam em nosso país nos dias de hoje: "Você tem que mentir pra sobreviver"... Viagem Espacial é um rock à moda antiga. Guitarra, baixo e bateria diretos, sem firulas, reto, vigoroso. Sem dúvidas, uma faixa que deve e precisa ser executada ao vivo pela banda. Rotina tem um quê do mestre Iommi nos seus riffs... A faixa tem um andamento bem trabalhado, e mostra a criatividade e versatilidade do grupo na hora de compôr. A última faixa não foge muito que se apresenta durante todo o álbum, mas tem um pequeno diferencial: sua letra retrata a viagem completa que as drogas proporcionam. A curiosidade inicial, a euforia da primeira sensação, a "bad trip" e, no final, a exaustão. Eu Não Sei o Que Vai Ser de Mim, acaba, no fim do álbum, remetendo sua letra ao nome do grupo. Mas segundo a própria banda, o grupo não faz apologia, mas sim, propõe um debate mais sério sobre o assunto.

                      INTENSO foi lançado pela Monstro Discos, que nas palavras do sócio-fundador e diretor executivo da gravadora "apresenta uma banda que faz um power rock vigoroso. Como o rock tem que ser". Intensidade e criatividade. assim é o CANÁBICOS. Que o grupo siga fazendo música "intensa" e cheia de energia!



                       

                           Sergiomar Menezes

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

THE CHARM THE FURY - THE SICK, DUMB & HAPPY (2017)



                 A banda holandesa THE CHARM THE FURY chega ao seu segundo álbum. Fundado em 2010, o grupo apresenta uma continuação da sonoridade apresentada em eu trabalho de estréia, "A Shade of My Former Self", lançado em 2013, mas mostrando uma boa evolução, principalmente no que diz respeito às composições. Guitarras bem timbradas e pesadas, aliadas a um vocal que sabe ser intenso e agressivo, fazem de THE SICK, DUMB & HAPPY, que chega por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, um trabalho mais elaborado e forte que o anterior. Além disso, o grupo se encaixa naquela categoria de difícil enquadramento, uma vez que mesmo tendo uma pegada bem próxima do metalcore, ainda agrega um peso característico do thrash metal moderno.  

                Formada por Caroline Westendorp (vocal), Rolf Perdok (guitarra), Martijn Slegtenhorst (guitarra), Lucas Arnoldussen (baixo) e Mathijs Tieken (bateria), a banda vem buscando seu espaço, tendo participado de alguns festivais europeus, agregando dessa forma, experiência. E isso pode ser percebido neste novo trabalho. A sonoridade apresentada aqui, soa mais direta e orgânica. E isso se deve ao excelente trabalho das guitarras, que como dito anteriormente, estão pesadas e muito bem timbradas. A dupla Rolf e Martijn mostra ótimo entrosamento, deixando que a cozinha composta pela dupla Lucas e Mathijs (baixo e bateria, respectivamente), mandem ver em bases sólidas e bem densas. Já a vocalista Caroline possui uma garra vocal que merece destaque, uma vez que não fica a dever em nada se comparada á algumas vocalistas atuais. A produção ficou por conta do baterista, que soube deixar tudo no devido lugar. Já a capa, chama a atenção pelas cores "exageradas", mas que se torna impossível de passar despercebida.

                    Composto por 11 faixas, THE SICK, DUMB & HAPPY possui momentos bem pesados. A faixa de abertura, Down on the Hopes, traz uma pegada de bateria cheia de intensidade e varição, enquanto os riffs proporcionados pelas guitarras, trazem momentos que podem, mesmo que remotamente, nos trazer à mente o saudoso Pantera. Echoes por sua vez tem uma roupagem bem mais atual, principalmente pelos vocais, que acabam revelando a versatilidade de Caroline, pois a  moça vai da agressividade à melodia com facilidade. Weaponized mostra um pouco de groove, mas não esquece suas raízes advindas do hardcore/metal. O baterista Mathijs quebra tudo na pesada No End In Sight. Blood and Salt tem um andamento mais moderado, o que dá uma "acalmada" no clima  mais agressivo que vinha se apresentando. E dessa forma, a faixa pouco acrescenta à pegada mais metal do grupo. 

                    Corner Office Maniacs é uma "faixa" que só traz barulhos irritantes, mas que nos prepara para uma das faixas mais interessantes do álbum. The Future Need Us Not mostra a capacidade criativa do grupo, pois traz consigo as influências e nomes como Machine Head e, porque não dizer, Slipknot. A "acústica" Silent War traz uma bela interpretação de Caroline. e mais uma vez a vocalista se mostra extremamente competente, ao cantar de forma limpa, sem destoar em nenhum momento. The Hell in Me acaba ficando um pouco atrás do restante, pois se mostra um tanto quanto confusa em sua execução. O que não acontece em Songs of Obscenity, que incorpora a modernidade do metal americano, com doses generosas do metalcore praticado por bandas como The Agonist. Break and Dominate fecha o bom trabalho lançado pelos holandeses, deixando claro que o grupo quer ser mais do que já é, ou seja, pretende crescer mais dentro do cenário. E potencial tem para isso.

                     THE SICK, DUMB & HAPPY, o segundo álbum do THE CHARM THE FURY apresenta uma boa evolução em relação ao trabalho anterior. Se o grupo continuar nesse crescente e manter o nível das composições, poderá ganhar ainda mais destaque dentro do concorrido mundo do metal. Seja ele qual for.





                     Sergiomar Menezes

domingo, 1 de outubro de 2017

DVD ROADIE METAL VOL. 01 (2017)



                      E um dos veículos especializados que mais crescem atualmente, mais uma vez apresenta uma ótima iniciativa! Trata-se da primeira coletânea em DVD envolvendo bandas do nosso underground, em um projeto da ROADIE METAL, capitaneada pelo incansável batalhador do underground brasileiro, o brother Gleison Júnior! Aqui, temos um DVD duplo, contando com 32 bandas dos mais variados estilos, algo que já bem característicos dos projetos envolvendo a Roadie, visto as coletâneas em CD que já se encontra em vias de lançamento de sua 10º edição! Então, sem muito papo, vamos a que interessa: DVD ROADIE METAL VOL.I.

                              Como dito anteriormente, trata-se de um DVD duplo contando com  a participação de 32 bandas. E como acaba por acontecer nas coletâneas em CD, algumas bandas acabam sempre se destacando. Mas aqui, isso é uma das coisas que menos importa, uma vez que a idéia central do projeto é levar ao conhecimento dos bangers brasileiros (e do mundo todo) a qualidade e variedade que o rock/metal nacional apresenta dentro do underground. Assim, muitas bandas tem a oportunidade de mostrar seu trabalho pra uma galera que talvez não tenha acesso, ou até mesmo, que não se liga no que vem acontecendo no cenário brasileiro. Envolto em uma bela embalagem, o trabalho merece o digno reconhecimento, e por que não dizer, ser saudado como pioneiro neste tipo de lançamento.
       
                        O primeiro DVD apresenta 16 bandas, que vão desde o metal mais extremo até o Hard/Heavy sem soar maçante. Aliás, esse tipo de escolha deixa o tracklist bem atrativo, uma vez que mostra uma variação que prende a atenção de quem assiste. Podemos destacar entre as 16 bandas, o metal forte e vigoroso do VoodooPriest, do mestre Vítor Rodrigues, com a faixa Juggernaut, a técnica e variedade dentro do metal extremo da banda carioca Tellus Terror, co a faixa Blood Vision (com um vídeo muito bem produzido), a pegada brutal e extrema do Death Chaos com a faixa House of Madness, o thrash metal com influência de death metal da banda paranaense Krucipha, com a faixa Reason Lost, a ótima variação entre o thrash, o death e até mesmo o black metal dos também paranaenses do Division Hell, na faixa Bleeding Hate, o metalcore bem executado pelo No Trauma na faixa Fuga, o thrash metal violento e agressivo do Monstractor  que apresenta Immortal Blood, uma faixa muito bem executada, o Vorgok, que traz uma ótima mistura entre o thrash metal e death metal (com maior enfase para o estilo consagrado pela Bay Area) na faixa Hunger, o Heavenless, do Rio Grande do Norte, que agrega o thrash, death e hardcore de forma perfeita na faixa Hatred, os catarinenses do Matricidium que apostam num thrash/death cheio de peso na faixa The Beating Never Stops e o Forkill, com a faixa Vendetta, resgatando de forma brilhante o thrash old school.

                          No segundo DVD, temos também 16 bandas e aqui podemos destacar o excelente Hard/Prog da banda Elephant Casino, com a ótima faixa Believe, a interessante mistura de southern, heavy, hard e thrash da banda gaúcha SuperSonic Brewer, que comparece aqui com a faixa Blood Washed Hands, mais voltada para o lado southern, o som inspirado no Motorhead do Jäilbäit, na faixa Take It Easy, o heavy tradicional, mas ao mesmo tempo moderno do grupo mineiro Apple Sin com a faixa homônima, que traz influências latentes do trabalho solo do mestre Bruce Dickinson, o thrash cantado em português da banda Cervical, com a faixa Arquétipo (com destaque para o bom trabalho da guitarra, pesada e timbrada corretamente), o instrumental com ótima pegada da banda maranhense Gallo Azhuu na faixa Bruxa ( apenas o vocal que poderia mudar a entonação, mas nada que venha  a comprometer o bom trabalho feito pelo grupo), o heavy metal oitentista dos mineiros da Exxordium, que deixa tudo ainda mais nostálgico ao cantar em português, com a faixa Heavy Metal (com um refrão grudento!), a pegada rock n' roll da banda Magnética com a faixa Super Aquecendo, o grupo carioca Basttardos, que capricha em um mix de southern rock e heavy metal, mas que aqui comparece com a ótima faixa Despertar do Parto (que bela composição!), o mix de heavy metal e country bem pesado do grupo Hellmotz, com a faixa Wielding the Axe, o thrash metal cantado em português dos mineiros da BurnKill, que nos transporta aos bons tempos do metal mineiro da década de 80, com a faixa Cadáver do Brasil, o doom envolto na levada mais heavy do Fallen Idol com a faixa The Boy and the Sea e o stoner cheio de personalidade dos gaúchos da Dust Commando, com a faixa P.O.T.U.S.

                         O trabalho, além dos DVDs, traz um livreto contendo informações detalhadas de todas as bandas participantes, o que mostra o apuro que a ROADIE METAL apresenta com seus projetos. Fica aqui meus parabéns a mais essa bela iniciativa. Que tanto as coletâneas em CD como esta em DVD, continuem apresentando aos apreciadores de rock/metal mundo à fora o que de melhor o underground brasileiro tem a oferecer. 



                     Sergiomar Menezes

sábado, 30 de setembro de 2017

TERROR EMPIRE - OBSCURITY RISING (2017)



                 
                    E eis que após "The Empire Strikes Black", lançado em 2015, os thrashers portugueses do TERROR EMPIRE estão de volta. Praticando um thrash mais pesado e com influências um pouco mais latentes de detah metal, OBSCURITY RISING chega ao mercado através da Mosher Records. Se no álbum anterior o quinteto já dava mostras de que, ao agregar a pegada mais próxima da Bay Area com toques do metal da morte, vinha moldando seu estilo com personalidade, aqui o grupo confirma isso de forma satisfatória, pois demonstra personalidade em composições pesadas e intensas.

                     Formada em 2009, na cidade de Coimbra em Portugal, a banda é formada por Ricardo Martins (vocal), Rui Alexandre (guitarra), Nuno Oliveira (guitarra), Rui Puga (baixo) e João Dourado (bateria). E nestes 8 anos de estrada, o grupo adquiriu muita experiência, ao realizar turnês e participar de festivais. Prova disso é que neste novo trabalho, a produção está bem mais pesada. Não que no trabalho anterior não estivesse. mas aqui, o trabalho de guitarras se mostra bem mais trabalhado, onde a dupla Rui e Nuno mostra bom entrosamento e coesão. Já a cozinha composta por rui Puga e João Dourado, cria bases bem pesadas e variadas, mostrando ótima técnica. Já o vocal de Ricardo consegue ficar em um meio termo entre o thrash e o death, deixando tudo com uma identidade própria. 

                      Após a intro Obscurity Rising, temos a porrada You Never See Us Coming, onde as influências da Bay Area se mostram latentes (Slayer e Exodus à frente). Mas o grupo consegue mostrar personalidade, pois em vários momentos, a bateria mostra uma pegada death metal, sem comprometer  o thrash já característico da banda. Aliás, as guitarras se destacam, pois os solos se mostram não apenas eficientes, mas ríspidos e mortais. Burn The Flags é outro belo exemplo de agressividade. Riffs certeiros e um vocal beirando gutural, fazem com que a faixa fuja do lugar comum, se tornando um dos destaques do álbum. Já Times of War é uma típica faixa "thrash". desde a levada das guitarras ao ritmo frenético da bateria, tudo aqui vai agradar aos amantes do bom e velho "bate-cabeça". Meaning in Darkness é uma faixa instrumental e bastante introspectiva, quebrando um pouco o clima agressivo e brutal que vinha sendo executado.

                          Holy Greed traz de volta a velocidade e os solos inspirados, que fazem a diferença no som do grupo. Alguns momentos podem remeter aos bons tempos do Sepultura e do Pantera, mas a banda procura não se deixar levar unicamente por isso. Mais uma vez, a cozinha composta por Puga  e Dourado mostra ótima técnica. Lust é daquelas faixas que se você não cuidar, sai quebrando tudo à sua volta. Fico imaginando o estrago que essa faixa deverá fazer ao vivo. Aliás, um show do grupo deve ser bem interessante, visto a garra apresentada em seus trabalhos de estúdio. Na sequência,  amehor faixa do álbum (ao menos na opinião deste humilde redator): Death Wish! Que música foda! Riffs perfeitos, bateria na velocidade da luz, mas com momentos mais trabalhados e um vocal beirando  a insanidade. Perfeita! faixa obrigatória nos shows da banda! Feast of the Wretched possui momentos bem brutais, principalmente no que diz respeito ao trabalho de bateria. Os solos aqui, buscam inspiração na melodia (vejam bem, não melódico) e contrastam com toda a agressividade da composição. Soldiers of Nothing mantém a  sequência  mais pesada do play. O encerramento vem com New Dictators, outra faixa que prima bela velocidade e  brutalidade.

                       O TERROR EMPIRE mostra em  OBSCURITY RISING que é uma banda mais do que pronta para o reconhecimento dos thrashers, não apenas da Europa, mas de todo o mundo. Riffs agressivos e violentos, bateria e baixos extremamente pesados e trabalhados e um vocal bem peculiar, fazem do grupo um nome  a ser lembrado. Este novo álbum, não apenas mantém a boa sequência iniciada com "The Empire Strikes Black", mas também dá um passo adiante na carreira do quinteto. THRASH 'TILL DEATH!







                  Sergiomar Menezes

domingo, 6 de agosto de 2017

ANVIL - ANVIL IS ANVIL (2016)




               E o ANVIL está de volta! Desde 2013, quando o grupo lançou "Hope is Hell", os fãs esperavam ansiosos por um novo trabalho do, agora, trio canadense. Uma das mais verdadeiras e reais instituições do heavy metal, o grupo, no ano passado, soltou no mercado ANVIL IS ANVIL, seu 16º álbum de estúdio, mostrando que aquela banda surgida no longínquo 1978 está ainda mandando ver, seja pela sua incomparável presença de palco, seja pelas composições recheadas de bons riffs e com aquela interpretação bem pessoal e peculiar de seu líder e mentor Steve "Lips" Kudlow. Se não traz nada de inovador, o trio aposta suas fichas naquele Hard n' Heavy que se tornou a marca registrada de um grupo que teve sua história devidamente registrada no documentário "Anvil: The Story of Anvil"  ( e que de certa forma, acabou mostrando a banda pra galera dos dias de hoje). E que chega ao nosso mercado numa grande iniciativa da Shinigami Records, em uma parceria com a SPV/Steamhammer.

                    Ao adentrar sua 4ª década, o trio hoje composto por Steve "Lips" Kudlow (vocal e guitarras), Christopher "Christ" Robertson (Baixo e backing vocal) e pelo mestre Robb Reinner (bateria), o ANVIL mostra-se ainda, extremamente relevante. Com músicas fortes e as características que fizeram do grupo uma verdadeira referência quando o assunto é heavy metal, o grupo contou com a produção de Martin "Mattes" Pfeiffer, que também ficou encarregado da mixagem. Já a masterização ficou sob a responsabilidade de Jacob Hansen. E esse conjunto, foi responsável de dar ao trabalho a sonoridade característica que acompanha a banda desde seus primórdios. Se o documentário acabou por "revelar" o grupo á uma nova geração, os novos fãs não têm do que reclamar, afinal, a essência que sempre se fez presente, permanece intacta.

                          Mesmo que o grupo siga a fórmula que vem desde seu início, algumas faixas acabam se destacando num trabalho bem regular como o que temos aqui. ANVIL IS ANVIL traz doze faixas que mostram que a banda mantêm-se fiel à sua proposta. Sem inovações, modernidades ou invencionices, o hard n' heavy segue sendo a linha adotada pelo grupo. Algumas faixas acabam se destacando como por exemplo a faixa de abertura. "Daggers and Run" traz linhas que se aproximam de uma temática pirata, mas com aquel toque já bem pessoal do grupo. E mostra a habilidade e técnica de Robb Reinner, um dos melhores bateristas do heavy metal. se existir alguma dúvida, procure ouvir  a discografia do grupo. "Up, Down, Sideways" é puro hard n' heavy, com riffs tradicionais. "Gun Control", apesar da boa melodia, torna-se um pouco repetitiva e cansa o ouvinte após um certo tempo de sua execução. Já "Die For a Lie" é Anvil puro! Tudo que sempre caracterizou a banda encontra-se presente. Bons riffs, cozinha alinhada e ajustada e uma dose generosa de Hard ao lado do metal mais tradicional fazem da faixa um dos destaques do álbum. Assim como "Runaway Train", que traz consigo uma "aura" Judas Priest. "Zombie Apocalypse", segue uma linha mais cadenciada, e em determinados momentos, se torna semelhante a "Gun Control", mais pela repetição.

                          "It's Your Move" resgata a veia mais old school do grupo, com riffs de guitarra típicos e um bom trabalho da cozinha composta por Christopher e Robb. "Ambushed" vai pelo mesmo caminho, mas fazendo uso de um andamento mais cadenciado, algo que o grupo também se tornou especialista em fazer ao longo de sua extensa carreira. "Fire in the Highway" é uma das faixas mais pesada e trabalhadas do álbum, exigindo de Robb Reinner um maior nível de performance. Lips acaba se destacando também, pois além dos riffs caprichados, manda ver em solos cheios de inspiração, que caíram como uma luva na composição. Um pouco de "mais do mesmo" é o que temos em "Run Like Hell". Não que isso soe depreciativo, pelo contrário. O que temos é o Anvil sendo aquele bom e velho Anvil de sempre. "Forgive Don't Forget" possui backing vocal que dão uma atmosfera mais densa ao refrão, enquanto a guitarra de Lips despeja riffs mais ríspidos do que de costume. "Never Going To Stop" encerra o álbum num clima bem Hard, algo que dá ao trabalho um clima mais pra "cima".

                              Nessa altura do campeonato, o ANVIL não precisa provar nada pra ninguém. E se precisasse provar, ANVIL IS ANVIL, seria a prova de que dedicação e paixão pelo que se faz é  amostra de que acreditar sempre é a formula a ser usada. Que o grupo siga em frente, passando por cima de todas as dificuldades e nos apresente trabalhos tão bons quanto esse. Se o documentário serviu para apresentar a história do grupo para a nova geração, que os fãs sigam acompanhando o grupo da mesma forma. Afinal, se falarmos de hard n' heavy, estamos falando ANVIL!


   

                         Sergiomar Menezes

terça-feira, 1 de agosto de 2017

AXES CONNECTION - A GLIMPSE OF ILLUMINATION (2017)



                        "O AXES CONNECTION toca Heavy Metal! Pesado e cortante como um machado!" Assim inicia o release trazendo as informações da banda. E de uma maneira direta, ele acerta em cheio! Com um som calcado no heavy metal, mas incorporando influências que vão desde o hard, thrash e também aquele som mais voltado aos anos 70, a banda gaúcha lança seu trabalho de estréia, A GLIMPSE OF ILLUMINATION apresentando dez faixas onde transbordam a inspiração e a honestidade dos músicos envolvidos. E não é pra menos, afinal estamos falando de experiência quando o assunto é música pesada. 

                  Márcio Machado (vocal), Marcos Machado (guitarra, ex- Distraught), Magoo Wise (baixo, ex- The Wise, ex- Distraught e ex- Apocalypse) e Cristiano Hulk (bateria, ex-Vômitos e Náuseas, ex- Grosseria) - o álbum foi gravado pelo baterista Lourenço Gil se encarregou das baquetas na gravação do trabalho -, formam a banda, cuja a história remonta à década de 90, quando os irmãos Vítor e Marcos Machado compuseram algumas músicas juntos para um novo projeto. Mas uma pausa se fez necessária quando Marcos veio a ser convidado para tocar com a Distraught. Tendo permanecido no grupo por 15 anos, durante este período, o projeto continuou ativo, embora de forma informal. Algumas vezes, Márcio Machado, irmão do guitarrista e do baterista, participava fazendo os vocais. Após deixar a Distraught, Marcos foi encorajado por Vitor, em janeiro de 2013, a retomar o projeto. Infelizmente, no mês seguinte, Vitor veio a falecer. Como forma de homenagem e para honrar a memória do irmão, Marcos resolveu dar continuidade ao projeto. E dessa forma surgiu A GLIMPSE OF ILLUMINATION. Gravado e mixado por Felipe Haider e masterizado por Benhur Lima (ex-Hibria), o álbum é muito mais do que uma homenagem e sim, um disco onde o heavy metal surge de forma imponente.

                           The Meaning of Evil abre o álbum de forma direta. Com guitarras inspiradas e uma pegada que por vezes nos remete aos anos 70 ( não apenas pelas guitarras, mas também pelo timbre do vocalista Márcio), a faixa mostra que o grupo não se prende á limites ou a algum tipo de rótulo. Com um refrão de gruda na cabeça, a faixa já deixa clara a potencialidade criativa da banda.  Rearrage Yourself vem na sequência e é uma porrada nos ouvidos. Rápida e com um belo trabalho de  baixo e bateria, temos aqui um pouco da veia thrash do grupo. Wisdom is The Key tem uma pegada na linha do metal tradicional, lembrando a fase áurea dos anos 80. Momentos que resgatam também um pouco de hard aparecem. E cabe aqui uma constatação: as linhas de guitarra ficaram muito boas! Não apenas nessa faixa, mas em todo o álbum. E isso acaba sendo reflexo da experiência dos músicos. O peso vem com força em Use The Reason, onde mais uma vez a cozinha composta por Magoo e Lourenço se encarrega de sentar a mão. Prepare Your Soul faz um resgate dos anos 70, mostrando toda a versatilidade e desenvoltura do grupo. Márcio canta de forma mais direta aqui, criando uma linha que se encaixou bem na levada da composição.

                            The Gates carrega um pouco de influências mais agressivas, mas tem toques mais "modernos" em algumas passagens. Vocais mais rasgados e guitarras "na cara" guiam o andamento da faixa. Já na faixa título, o baixo comanda a pancadaria, que tem um mix entre o lado mais pesado do grupo e o lado mais voltado aos 70's. Journey To Forever dá uma amenizada, com um andamento mais "suave". Mas a guitarra lembra que estamos falando de heavy metal, então... A melodia ganha intensidade, criando um belo contraste com as partes mais pesadas. Skyline mantém esse clima, comprovando que nem só de peso se faz um bom disco de metal. O encerramento vem com The True Connection, onde a guitarra de Marcos se destaca. Com variações e vocais cheios de feeling, temos "escondida" após seu término, um cover para "She Sells Sanctuary" do The Cult que ficou bem bacana, ainda mais pela performance de Márcio, que deu uma interpretação própria ara o clássico do grupo inglês.

                          Com um nome inspirado na conexão entre os irmãos Machado (Axe, em inglês), segundo Marcos, o grupo tem por objetivo honrar a memória do irmão Vitor e também levar música de qualidade para um mundo cada vez menos preocupado com isso. E podem ter certeza. O objetivo foi atingido com louvor! Grande estréia!




                      Sergiomar Menezes

domingo, 30 de julho de 2017

WARBRINGER - WOE TO THE VANQUISHED (2017)



                   Se tem um estilo que, por mais que  novas tendências apareçam, se mantém sempre em alta perante os fãs, esse estilo é o THRASH METAL. E prova irrefutável disso é o número de bandas novas que surgem e que tentam resgatar aquela sonoridade mais "old school". Nem tão nova assim, mas também não tão antiga, a banda norte americana WARBRINGER, formada em 2004, chega agora ao seu 5º álbum de estúdio. Buscando fugir um pouco dos "experimentalismos" que se fizeram presente eu seu último disco (IV: Empires Collpase - 2013), o grupo mostra em WOE TO THE VANQUISHED, que chega por aqui através da Shinigami Records, um Thrash violento, brutal e pesado. 

                   Formado por John Kevill (vocal e único remanescente da formação original do grupo), Chase Becker (guitarra), Adam Carrol (guitarra), Jessie Sanchez (baixo) e Carlos Cruz (bateria), o grupo apresenta 8 violentas faixas, onde as guitarras despejam riffs mortais e ríspidos, e de forma sutil, incorpora ao seu thrash, momentos mais extremos. Produzido e mixado por Mike Plotnikoff, o trabalho foi masterizado por Howie Weinberg. E podemos afirmar que o cd ficou com um peso absurdo, o que acabou realçando ainda mais a fúria contidas nas composições do grupo. A capa é mais uma obra de arte do mestre Andreas Marschall. Um álbum que valoriza e mostra que o Thrash Metal continua sendo um estilo relevante. O que sempre foi, que fique claro.


                    Silhouettes abre o CD mostrando guitarras afiadas! Com uma sonoridade bastante pesada e ate mesmo suja, a dupla Chase Becker e Adam Carrol garante riffs brutais, com um entrosamento digno das grandes duplas da Bay Area. Assim como na faixa título, que tem na velocidade sua força motriz. John Kivell tem uma voz forte, que varia entre momentos de pura garra, beirando o gutural, e outros mais técnicos, sem com que isso faça que a música perca intensidade. Já Remain Violent é o grande destaque do álbum. Com aquele andamento mais cadenciado, perfeito para o headbanging, a faixa tem aquela pegada perfeita, além de um solo que busca inspiração nos grandes nomes do estilo (Slayer e Exodus). Shellfire, que vem na sequência é brutal e veloz, uma porrada sem piedade nos tímpanos menos favorecidos....

                      Descending Blade, que tem as características mais evidentes da Bay Area e mostra que as guitarras do grupo vivem um grande momento. Os solos alternados entre Chase e Adam mostra a afinidade dos músicos. Spectral Asylum é uma faixa que ainda mantém um pouco da fase mais "experimental" do trabalho anterior, mas possui muito mais envolvimento com o thrash característico da banda. Mesmo com seu potencial, acaba saindo um pouco do rumo que o trabalho apresenta. As guitarras voltam a ser o destaque em Divinity of Flesh, que traz toques sutis ( se é que existem toques sutis) de detah metal em alguns momentos. Isso gera uma maior dose de peso e  agressividade à faixa, mesmo que os solos estejam completamente ligados ao thrash. O encerramento vem para comprovar a versatilidade e competência dos músicos. When The Guns Fell Silent é uma faixa de 11 minutos. Praticamente um "épico", mostrando a criatividade do grupo na hora de compôr. Um belo encerramento para um grande trabalho.

                        WOE TO THE VANQUISHED vem pra resgatar a sonoridade mais brutal e agressiva do WARBRINGER. Sem experimentos ou inovações, o grupo mostra sua força e segue sendo um dos bons nomes do estilo. Que mantenha essa pegada para os próximos trabalhos!







                   Sergiomar Menezes