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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

LACERATED AND CARBONIZED - NARCOHELL (2016)



                 Cada vez mais eu me certifico de uma coisa: o metal brasileiro não deve nada ao metal lá de fora. NADA. E não estou forçando a barra. Basta dar uma pesquisada em muitos blogs, sites e revistas especializadas que você verá que muitos corroboram da mesma opinião que eu. Exemplos não faltam para que essa afirmação seja verdadeira. E um deles se chama NARCOHELL, novo trabalho do grupo carioca LACERATED AND CARBONIZED. Completando 10 anos de atividades, o grupo lança um álbum onde o seu death metal brutal, agressivo e técnico, se mostra mais uma vez eficiente, além de demonstrar que a banda não parou no tempo, buscando uma constante evolução.

                   O grupo é formado por Jonathan Cruz (vocal), Caio Mendonça (guitarra), Paulo Doc (baixo/backing vocal) e Victor Mendonça (bateria) e traz nesse novo petardo, 13 composições fortes e intensas onde a guitarra possui um papel fundamental, pois muito do peso que é apresentado aqui é de sua responsabilidade. Mas, obviamente, que a cozinha também merece destaque pois além de muito bem trabalhada e técnica, explora outras influências, criando variações que fogem ao lugar comum. Produzido por Felipe Eregion e pela própria banda, o álbum teve sua mixagem e masterização realizada por Andy Classen, o que por si só, já é garantia de extrema qualidade e peso. Com uma temática voltada ao que acontece no dia a dia da Cidade Maravilhosa, o grupo de certa forma escancara a realidade da situação atual do Rio de Janeiro, o que para muitos não é novidade. Mas que muitas vezes, acaba sendo vendido como não é. E a capa deixa isso bem claro.

                         Spawned In Rage abre o álbum deixando explícito o que teremos pela frente: death metal brutal, agressivo e técnico, carregado de peso e rispidez. Uma banda coesa e entrosada, despejando riffs brutais e um solo que se encaixa perfeito na execução da faixa. Grande trabalho de baixo/bateria, aliados ao vocal de Jonathan que possui uma agressividade natural, sem soar forçado. Narcohell, a faixa título é outra amostra de agressividade. Aqui, podemos destacar o baixista Paulo Doc, pois as linhas de baixo "crescem" de forma intensa e se completam com uma execução cheia de peso do batera Victor. Em Bangu 3 temos a participação de Marcus D'Angelo (Claustrofobia) e tem uma letra que mistura o inglês e o português, criando um diferencial, além de possuir um instrumental bem trabalhado. Severed Nation tem guitarras mais diretas, mas possui uma estrutura interessante, principalmente no solo bem técnico e "melódico" que ficou bem encaixado. The Urge traz influências do thrash, principalmente nos riffs, enquanto o gutural de Jonathan não deixa dúvidas sobre a agressividade do death metal da banda. Broken traz a participação de Mike Hrubovcak (Monstrosity) e faz um contraste interessante nos vocais com Jonathan. Além disso, a estrutura da faixa apresenta variações que dão um clima diferente à composição. 

                          Terminal Greed mantém o clima brutal e pesado, com guitarras mais típicas do death metal. A bateria também ganha esse contorno pois aposta em alguns momentos em blast beats, o que ajuda nessa dinâmica. Condition Red é mais cadenciada, perfeita para bangear. Riffs fortes e uma levada de bateria mais simples são os destaques da faixa. Ruinous Breed é outra faixa que tem uma pegada mais death em alguns momentos mas possui um andamento diferenciado, onde a bateria mostra versatilidade e o vocal apresenta-se de forma mais gutural. Decree Of Violence me chamou a atenção por deixar bem nítidas as influências do thrash no som do grupo. E mesclar o death e o thrash de forma correta não é tarefa das mais fáceis. Mas o Lacerated and Carbonized faz parecer simples. Grande faixa! Parallel State é uma faixa instrumental e traz ritmos brasileiros em sua execução. não há aqui, como não lembrar do Sepultura dos bons tempos, principalmente do álbum Chaos A.D. E isso não é demérito, muito pelo contrário. Já em Hell de Janeiro, a banda traz uma letra em português rteratando de forma real o que acontece na Cidade Maravilhosa. Intensa e pesada, a faixa deixa a brasilidade da banda mais latente. O fechamento do trabalho vem com Mass Social Suicide, uma porrada na orelha, death metal pesado e sem concessões!

                           NARCOHELL coloca o LACERATED AND CARBONIZED de vez no rol das grandes bandas do metal nacional. Ou melhor, reafirma essa posição. Um álbum repleto de peso, agressividade e brutalidade, mas ao mesmo tempo técnico e bem trabalhado é prova mais do que cabal disso. Minha lista de melhores do ano já estava pronta. Depois dessa audição tive que refazer...



         


               Sergiomar Menezes

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