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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

SOILWORK - DEATH RESONANCE (2016)



              O SOILWORK é, sem dúvidas, uma das melhores bandas da atualidade. Sendo muitas vezes comparada ao In Flames, os suecos se mantiveram muito mais constantes em sua carreira, sem fugir do estilo que os consagrou, o amado por muitos e odiado por outros, death metal melódico. Eu, particularmente, não gosto muito de deixar que o rótulo "prenda" a capacidade criativa das bandas, ainda mais aqui, visto que o grupo não se limita aos clichês do estilo. E DEATH RESONANCE, uma compilação de faixas que foram lançadas como bônus, além de duas inéditas, e que chega aqui via Shinigami Records, é prova incontestável disso.

                   O grupo hoje é formado por Björn "Speed" Strid (vocal), David Andersson (guitarra), Sylvain Coudret (guitarra), Markus Wibom (baixo), Sven Karlsson (teclados) e Dirk Verbeuren (bateria, e atual Megadeth). Mas aqui, temos participações de outros músicos que integraram a banda, pois trata-se de uma compilação de faixas extras lançadas em EPs, álbuns, algumas com novas remixagens e, como citado anteriormente, duas faixas inéditas. Temos aqui a participação de Ola Frenning, Peter Wichers e Daniel Antonsson (guitarras) e Ola Flink (baixo) E se muitos podem considerar esse tipo de lançamento um caça-níquel, ainda mais em tempos de download (onde se consegue discografias inteiras de bandas de forma "gratuita"), aqui, o trabalho serve como um presente aos fãs que podem ter todo esse material comilado em um único cd. E podem ter certeza, vale muito á pena! 

                     O cd abre com as duas faixas inéditas. Helsinki e Death Resonance. A primeira traz consigo as características que são a marca registrada do grupo. Agressividade e melodia aliadas ao peso brutal das guitarras. O vocal de Björn "Speed" segue intacto, pois o talentoso vocalista incorpora como poucos a linha rasgada e ao mesmo tempo melódica sem se tornar cansativo. Já a segunda tem um andamento mais cadenciado e é bastante intensa, colocado o teclado em posição de destaque, sem que a banda perca sua veia mais pesada. Algo que o grupo sabe fazer muito bem, diga-se de passagem. The End Begins Below The Surface foi lançada como bônus da versão japonesa de The Ride Majestic (2015) e é uma faixa bem agressiva, principalmente pelo trabalho executado pela dupla baixo/bateria. As faixas My Nerves, Your Everyday Tool, These Absent Eyes, Resisting The Current, When Sound Collides e Forever Lost in Vain compõem o EP Beyond The Infinite (2014), lançado anteriormente apenas na Asia. E pode-s e dizer aqui que o nível da banda alto. Músicas cheias de felling, adrenalina fluindo e muito bom gosto nos arranjos, mostram que até mesmo em lançamentos "menores" o grupo acerta em cheio.

                         Sweet Demise foi lançada na versão limitada (boxset) de The Panic Broadcast (2010) e tem seu destaque na bela junção dos teclados com as guitarras, ao passo que baixo e bateria executam um trabalho primoroso no que lhes compete. E cabe dizer que, os músicos que integram o gruo (e os que já integraram) são de extrema competência, pois as músicas demandam um alto nível técnico. Sadistic Lullabye 2010 foi bônus da versão japonesa do mesmo álbum e é bastante agressiva. O contrate fica por conta do solo bem melódico inserido de forma correta na execução da faixa.  Overclocled, Martyr e Sovereign fizeram parte de versões diferentes de Sworn To A Great Divide (2007). Enquanto as duas primeira receberam nova mixagem e integraram a versão 7" do referido trabalho, a terceira está presente na versão japonesa do mesmo lançamento e também recebeu nova mixagem. E destaque para essa ultima, que possui uma "certa" violência em sua linha de guitarras que eu acabo me perguntando como faixas assim não entram na versão regular dos trabalhos. Wherever Thorns May Grow também recebeu nova mixagem e faz parte da versão limitada de Stabbing the Drama (2005), enquanto que Killed By Ignition, que foi mixada novamente em nova roupagem, fez parte da versão japonesa do mesmo álbum. 

                         Muito mais do que apenas uma compilação, DEATH RESONANCE é uma oportunidade para os fãs conseguirem material da banda que antes não estava disponível. E não é qualquer material, pois o que temos aqui é de alta qualidade. As guitarras agressivas e melódicas, linhas de teclado muito bem elaboradas e executadas, cozinha extremamente pesada e técnica e um excelente vocalista, garantem muito mais do que apenas faixas bônus. Quem conhece o trabalho do SOILWORK sabe exatamente o que estou falando! 




                          

                 Sergiomar Menezes

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

DEATH CHAOS - PROLOGUE IN DEATH & CHAOS (2016)




                    O metal extremo é um dos estilos que mais gera bandas de qualidade no Brasil. Não precisa ser um exímio conhecedor da cena nacional para que se constate isso. E, mais uma vez, a regra se confirma. O DEATH CHAOS, formado em 2014 em Curitiba, é um grupo que pratica um death metal muito bem elaborado, técnico e brutal. Com apenas dois anos de atividades, a banda mostra que não é acomodada e nem fica com aquele discurso de que "precisamos de apoio" (obviamente que todos precisam, mas se não fizer por merecer, como conseguir isso?), etc. Isso fica provado em PROLOGUE IN DEATH & CHAOS, seu primeiro EP. Inspirado, o trabalho deixa claro que em termos de agressividade, o metal brasileiro segue sendo referência.

                         O grupo é formado por Denir Deathdealer (vocal/baixo), Júlio Bona (guitarra), David Oliver (guitarra) e Ueda (bateria) e mostra em apenas 5 faixas um enorme potencial. Apostando num death metal direto, pesado e agressivo, o grupo ficou encarregado da gravação, produção, mixagem e masterização do trabalho. Dessa forma, a sonoridade ficou de acordo com a proposta apresentada por eles. Suja, brutal e totalmente "old school" ( mas com uma cara bem atual). Com isso, o grupo mostra personalidade e demonstra claramente que sabe o que quer. O quê, nos dias de hoje, conta e muito, á favor da banda.

                       Uma introdução densa, introspectiva e bastante sombria abre You Die I Smile. Riffs agressivos e uma cozinha que não vê concessões na hora de sentar a mão, fazem da faixa um cartão de visitas, pois deixa nítida a real intenção do grupo: fazer death metal, como o death metal deve ser! Preste atenção nas guitarras de Júlio Bona e David Oliver. A sujeira e peso que ouvimos mostra que o estilo corre na veia dos músicos. Death Division é mais brutal e direta. Aqui, os solos se destacam por fugir um pouco da linha mais tradicional, o que não atrapalha em nada a execução da faixa. Muito pelo contrário! Mostra que o grupo busca incorporar elementos mas sem perder sua identidade. House of Madness é uma faixa mais cadenciada, explorando a técnica dos músicos. Um grande trabalho da dupla Denir e Ueda (baixo e bateria, respectivamente). Denir também capricha nos vocais, com versatlidade. Erased Sky é uma faixa sombria, arrastada. As guitarras aqui criam um clima bem denso,"carregado", o que deixa tudo mais pesado. O encerramento vem com apedrada You Are Not You, onde mais uma vez, a dupla Júlio e David mostram grande entrosamento nas seis cordas. 

                     O DEATH CHAOS apresenta um nível muito bom neste seu EP de estréia. PROLOGUE IN DEATH & CHAOS é um trabalho que não apenas serve para introduzir o grupo no cenário, como também para mostrar o potencial destruidor que a músico do grupo curitibano possui. Se com apenas dois anos de carreira já fomos "presenteados" com músicas assim, imaginem o que virá pela frente? Death Metal para quem gosta de Death Metal!
               





             Sergiomar Menezes

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

D.I.E. - II (2016)



                 Peso! Muito peso! É o que encontramos no EP II, da banda D.I.E. de Botucatu, interior de SP. Fazendo um crossover que mistura de forma bem dosada o tharsh metal e o hardcore, o grupo formado em 2010 não nega influências de nomes como Pantera, Machine Head, Hatebreed, Superjoint Ritual, Sepultura, Ratos de Porão, entre outros. Só que ao compor, deixa claro que influência não significa "copiar", pois a banda tem uma forte personalidade, o que fica comprovado nestas quatro faixas disponibilizadas neste EP de forma independente.

                Charles Guerreiro (vocal), Hell Hound (guitarra), Roger Vorhees (baixo) e Mortiz Carrasco (bateria) já dividiram o palco com grandes nomes do metal/crossover nacional. Torture Squad, Korzus e RDP são alguns desses nomes. E a experiência foi muito produtiva para o grupo pois o que ouvimos é uma música agressiva, pesada, brutal e direta, sem concessões ou modernismos. O EP foi produzido em conjunto pela própria banda, por Fabiano Gil e Umberto Buldrini e ficou muito boa. Suja mas plenamente audível, ela ressalta bem as características do grupo e expõe de forma clara sua proposta.

                Truth Like Youself abre o trabalho despejando uma fúria thrash/hardcore com riffs perfeitos pro estilo proposto. Um vocal forte e potente, com uma pegada que nos lembra os grandes vocalistas do thrash metal. Além disso, a cozinha carrega no peso sem se furtar de sentar a mão. Religion tem uma veia bem HC, daqueles típicos de NY. Mais uma vez, a guitarra se impõe de forma pesada, deixando a faixa carregada de adrenalina. Já a terceira faixa, Space to Destroy, apesar de seu início bastante introspectivo, ganha velocidade e tem em seu destaque a bateria de Mortiz Carrasco que acompanhado da vocalização rasgada de Charles Guerreiro, criam um clima apocalíptico. A última faixa, Lost, faz um apanhado das influências do grupo, mostrando a boa qualidade técnica dos seus integrantes.

               O único senão ao trabalho, fica por conta da curta duração. Se em 4 faixas o grupo apresentou uma fúria e agressividade latentes, o que fará em um full lenght? Ficamos no aguardo pois a banda tem um enorme potencial! 



           Sergiomar Menezes

sábado, 22 de outubro de 2016

MAESTRICK - UNPUZZLE! (2011)




            Muito difícil classificar a sonoridade de um grupo como o MAESTRICK. E isso, de forma alguma deve soar depreciativo, pois o que escutamos em UNPUZZLE!, lançado em 2011 pelo (á época) quinteto de São José do Rio Preto (interior de SP) é um trabalho espetacular! O grupo não tem medo de ousar, buscando incorporar elementos das mais variadas vertentes da música, criando algo único e genial! Percebemos influências diversas na sonoridade do grupo. Desde heavy metal (bastante pesado em alguns momentos), mas também Jazz, Música Folclórica Regional. Prog Metal, Música Popular Brasileira e mais uma gama de ritmos e estilos que, se num primeiro momento podem soar totalmente desconexos, ou ouvirmos com atenção, perceberemos que o talento com que o grupo executa suas composições transforma isso em algo bastante raro de encontrar.

             Fábio Caldeira (vocal e teclados), Danilo Augusto (guitarra), Mauricio Figueiredo (guitarra), Renato "Montanha" Somera (baixo e vocal gutural) e Heitor Matos (bateria) gravaram um trabalho rico em arranjos complexos e bem elaborados, mas sem que isso soe entediante. Se você acha que o que escrevi lá começo do texto é confuso, imagine bandas como Yes, Dream Theater, Rush, Jethro Tull e até mesmo Beatles, incorporando á sua sonoridade ritmos como o folk, o ja citado jazz e até mesmo o samba. Sim, samba! E quer saber? Ficou muito bom! Gravado por Gustavo Carmo e Ricardo Carmo e produzido, mixado e masterizado pelo próprio Gustavo, o trabalho ficou como deveria ficar: evidenciando a qualidade dos músicos e com uma produção perfeita á proposta apresentada pela banda. E a capa... Que belo trabalho de Ricardo Chucky! 
               
              O álbum inicia com H.U.C. uma faixa bem trabalhada e pesada, com uma veia bem "heavy", ms que mostra bem que o prog metal é a praia que o grupo tem por preferência. Variada e com um grande trabalho de bateria, a composição apresenta linhas complexas, vocais certeiros e backings muito bem encaixados. Já a faixa seguinte, Aquarela, possui uma levada mais próxima do hard, mas que durante sua execução, navega por outras vertentes sem que isso a coloque fora de contexto. Guitarras melódicas e cheias de felling, que contam com backing Vocals que, guardadas a s devidas proporções, lembram o Queen. Pescador, cantada em português é um dos destaques do trabalho. E a mistura de baião e música brasileira, com guitarras (algo que o Angra SABIA fazer com maestria) ficou muito boa! Escute com atenção que você perceberá a riqueza de detalhes. Sir Kus tem pouco mais de um minuto e meio e acaba sendo uma breve introdução para Puzzler, uma faixa pesada em seu início mas que ganha contornos ricos em detalhes e que têm no Jazz seu norte. Os teclados aqui ganham um destaque maior, mas também podemos faar sobre a interpretação de Fábio Caldeira, pois seu timbre vocal cai muito bem, seja cantando em português ou em inglês.

            Disturbia, começa com um teclado que me lembrou as "viagens" proporcionadas pelo saudoso Ray Manzarek (The Doors), mas a faixa é bem mais do que isso. Aliás, essa lembrança só se dá no início da faixa, pois no restante temos uma certa dose de peso nas guitarras e um grande trabalho da cozinha composta por Renato Montanha e Heitor Matos. Treasures of the World, por sua vez, em seu início, me trouxe a memória o grande Jon Oliva do Savatage. E aqui, novamente cabe ressaltar a qualide de Fabio no vocal. Uma faixa mais "normal", sem grandes variações e que acaba por confirmar que nem só com suas experimentações o grupo atinge grandes resultados. Que bela faixa! Baixo e bateria comandam Radio Active, que tem uma veia prog bem acentuada. As guitarras de Danilo Augusto e Maurício Figueiredo se completam e mostram um belo entrosamento. SmileSnif traz uma melodia bem interessante, e um teclado que cria um clima um pouco introspectivo, e que a meu ver, dá uma certa quebrada no ritmo intenso e bem variado do trabalho. Em Yellow of the Ebrium temos a criatividade e talento do gruo explorados de forma eficiente. Aqui, toques de blues, jazz e samba (?!) se harmonizam de forma certa, sem que se crie um "samba do crioulo doido". E pra que isso aconteça, o talento tem que estar presente. E isso tem de sobra aqui. E pra encerrar esse grande álbum, uma faixa bastante extensa. Lake of Emotions, com seus 21 minutos faz um belo apanhado de todo o trabalho do grupo e fecha em grade estilo essa estréia do quinteto.

          Sem medo de arriscar e dono de sua identidade, o MAESTRICK faz de sua estréia um trabalho imperdível para os amantes da boa música, sejam eles fãs de heavy metal ou não. UNPUZZLE! serve, além de apresentar o grupo ao mundo, também para provar que a música feita com paixão e sentimento não tem limites. Cabe lembrar que agora em 2016, foi lançado o The Trick Side Of The Some Songs, um álbum de covers, onde o grupo homenageia grandes nomes que serviram e ainda servem de refrência ao seu trabalho. Que o segundo cd chegue logo para que possamos apreciar sua musicalidade ímpar!

       


                   Sergiomar Menezes

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

GAMMA RAY - SIGH NO MORE - ANNIVERSARY EDITION (2015)


                 
              E a série de relançamentos de aniversários do GAMMA RAY chega agora ao seu segundo álbum. Originalmente lançado em 1991, SIGH NO MORE ganha, nessa reedição, que chega por aqui através da Shinigami Records,  o mesmo que vem acontecendo nos outros álbuns dessa série. Além da remasterização, um belo encarte com fotos, depoimentos e um cd bônus que fazem valer o investimento. E mesmo que não houvessem esses "detalhes", o álbum por si só, já valeria, pois o que temos aqui é uma banda fugindo dos padrões do melódico e buscando inspiração em uma das maiores influências do mestre Kai Hansen, o Judas Priest.

             Formada na época de seu lançamento por Ralph Scheepers (vocal), Kai Hansen (guitarra), Dirk Schlächter (guitarra), Uwe Wessel (baixo) e Uli Kusch (bateria), o Gamma Ray trazia em line up músicos de extrema categoria. Algo que sempre se manteve constante na carreira do grupo. Dessa forma, toda a genialidade de Kai Hansen podia ( e ainda pode) ser colocada em prática sem problemas. A produção do trabalho ficou sob a responsabilidade de Tommy Newton, mas para essa reedição, o álbum foi "requintadamente" remasterizado por Eike Freese, que vem se encarregando de todos os volumes dessa série e que deixa tudo ainda melhor.

                Changes abre o cd de forma pouco convencional, pois normalmente, cds de metal melódico iniciam com faixas rápidas, mas aqui, o negócio mudou de figura. Mais cadenciada e bem pesada, a faixa mostra um grupo disposto a inovar sem medo. E as guitarras da dupla Kai e Dirk se destacam. Rich and Famous traz uma mistura entre o metal mais tradicional e o melódico, algo que o grupo sempre fez com maestria. Ralph Scheepers é um excelente vocalista e isso comprova-se aqui. Em As Time Goes By o grupo mostra uma faixa rápida, melódica, intensa e com um refrão típicos da banda. E Scheepers se destaca pela interpretação cheia de felling. (We Won't) Stop The War é uma faixa um pouco diferente. Pesada, com uma linha mais moderna e que foge bem da estrutura de composição do grupo. Uma faixa mais introspectiva é o que temos em Father And Son. Totalmente diferente do que se apresenta em One With The World. Também com uma pegada "moderna", mas mantendo o peso do metal alemão, a faixa é um dos destaques do trabalho. Kai HAnsen e Dirk Schlächter formavam uma bela dupla de guitarristas.

             Start Running tem uma levada mais power metal, com linhas que se tornariam características marcantes para a banda. Countdown se difere um pouco, pois apresenta uma influência de hard rock e que mostram a criatividade e versatilidade de Hansen. E não é novidade pra ninguém o músico sempre foi fã desse estilo. Na seqüência, uma as grandes composições da carreira do grupo. Dream Healer, onde a veia do metal tradicional se faz presente de forma latente. Basta ouvir com atenção os riffs, melodias e peso das guitarras e você entenderá o que quero dizer. The Spirit, melódica e que também traz algo de tradicional e encerra o track list regular. Temos ainda, duas faixas bônus ao vivo, A primeira é Sail On, que havia sido lançada como bônus apenas no lançamento japonês e também a faixa Changes.

          O cd que vem como bônus é um presente aos fãs do grupo. Desde faixas bônus, versões demo, versões alternativas e faixas ao vivo, o cd é muito mais do que apenas um "extra", e como dito lá no começo, valoriza ainda mais esse relançamento.

               SIGH NO MORE trouxe um GAMMA RAY que estava disposto a não ser apenas mais uma banda de metal melódico de um ex-integrante do Helloween. O álbum mostrou uma banda com identidade e que queria consolidar seu nome seu se prender ao passado. E hoje, passados 25 anos de seu lançamento, podemos afirmar que o objetivo foi atingido.

           

                


             Sergiomar Menezes

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

MELANIE KLAIN - ANÁLISE DO CAOS (2016)



                   A banda MELANIE KLAIN, formada em 2007, chega ao seu primeiro trabalho. Pesado, intenso e com uma pegada bem atual, o grupo de Mococa (SP), traz em sua sonoridade uma vasta gama de influências. Numa primeira audição, percebemos que a banda não se prende a nenhum tipo de rótulo ou estereótipo, o que lhes garante credibilidade e personalidade. Thrash, New Metal, Groove, Metal tradicional e muito mais é o que encontramos em ANÁLISE DO CAOS, lançado de forma independente e que nos mostra que o quinteto procura em suas letras, passar toda a indignação com a atual situação pela que passamos. E não poderia ser diferente. Um país como o Brasil serve de inspiração para esse tipo de temática, não é mesmo?

                Formada por Duzinho (vocal), Violla (guitarra), Chapolim (guitarra/vocal), Vic Escudero (baixista) e Pedro Bertti (bateria), a banda traz em sua estréia 12 faixas que deixam nítidas as influências do grupo. Podemos ouvir ecos de System of a Down, Slayer, Slipknot, Korn, Sepultura, entre outros. E essa salada deu ao grupo uma cara própria, algo raro nos dias de hoje. O álbum foi gravado no Sete Studio em Guaxupé (MG) e foi produzido pela própria banda em conjunto com Fábio Dias. E o resultado ficou de acordo com a proposta, pois a sujeira das guitarras dão aquele peso extra ás composições. A capa, que reflete bem uma situação diária das grandes ( e por que não dizer, das pequenas também) cidades brasileiras e foi um trabalho de Carol Melo Navarro. 

              A Intro (Desrespeitável Público) faz uma rápida "análise do caos" e nos prepara para a paulada Abençoados por Deus. Pesada, carregada de intensidade e com uma pegada bem atual, a faixa mostra a criatividade do grupo, trazendo um pouco daquilo que System of a Down trouxe para o Metal. O vocal de Duzinho aqui nos remete ao de Serj Tankian, mas é mais agressivo. As guitarras trazem uma sujeira explícita, enquanto a cozinha composta por Vic e Pedro Bertti (baixo e bateria, respectivamente), se encarrega de caprichar no peso. Diálogo traz uma interessante divisão nos vocais entre Duzinho e Chapolim, o que dá uma mostra da versatilidade do grupo na hora de estruturar suas composições. Fé Cega, com uma letra forte, é mais cadenciada e traz a veia mais metal tradicional do grupo, mesmo com passagens mais introspectivas. Guerra possui riffs diretos, cortesia dos guitarristas Chapolim e Violla, que mostram afinidade e entrosamento. Uma coisa que é comum nas músicas do grupo é que ao lado de passagens pesadas e mais rápidas, sempre há momentos mais amenos, por vezes até mesmo sombrios, o que cria um clima denso. Marcas do Abandono é uma prova disso. A faixa é guiada por linha praticamente acústica e ganha peso  do meio pro fim.

                  Lavagem Cerebral tem na bateria seu destaque. Bem trabalhada, a faixa também tem um ótimo trabalho de guitarras, que não deixa dúvidas sobre a qualidade técnica dos músicos do grupo. Peso, velocidade e uma dose extra de agressividade fazem desta, um dos destaques do álbum. Já Cartas de um Suicida traz uma letra, de certa forma triste, expondo a realidade do pensamento de quem pretende tomar este tipo de atitude e que escancara um problema que é bastante comum mas que não é levado muito á sério pela maioria das pessoas. Cólera/Nação tem um clima intimista e me fez lembrar um pouco das bandas de "rock alternativo" do início dos anos 90. Rede Social é uma faixa que, sem medo de dizer, poderia estar em qualquer disco do SOAD, pois as linhas adotadas pela banda aqui tem todas as características do quarteto comandado por Serj Tankian e Daron Malakian. E uma das frases da ácida letra é sensacional: Me adicione e confie em mim! A faixa título é bem direta e possui algo de hardcore em sua estrutura. O encerramento vem com Reflexão, uma espécie de Outro que dá um fechamento bacana ao trabalho.

          Neste seu primeiro trabalho, o quinteto MELANIE KLAIN mostra personalidade e composições fortes, cheias de variações e muito peso. ANÁLISE DO CAOS tem tudo para estabelecer o nome do grupo no disputado cenário do metal nacional, pois traz uma banda que sabe o que quer e busca isso de forma correta. Sem se prender á rótulos, o grupo deve trilhar um caminho onde o reconhecimento virá de forma certeira!





                  
                  
                    Sergiomar Menezes


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

GAMMA RAY - HEADING FOR THE EAST ANNIVERSARY EDITION (2015)



                  E a série de relançamentos do GAMMA RAY chega agora á mais um trabalho ao vivo. Agora é a vez de HEADING FOR THE EAST, originalmente lançado apenas em VHS e DVD e que chega por aqui através de mais uma grande iniciativa da Shinigami Records. E como todo trabalho dessa categoria, temos não apenas um resgate histórico, mas também uma chance de quem não teve a oportunidade de assistir a essa apresentação no formato original, poder agora ouvi-la e de certa forma, com uma sonoridade melhor.

                   Na época de seu lançamento, a formação do Gamma Ray era um verdadeiro Dream Team do Power Metal. Ralph Scheepers (vocal), Kai Hansen (guitarra e vocal), Dirk Schlächter (guitarra), Uwe Wessel (baixo) e Uli Kusch (bateria). É u não um time espetacular? Divulgando á epoca o lançamento de Heading For Tomorrow, o show foi gravado em Tóquio em novembro de 1990 e aqui recebeu uma excelente remasterização, que como nos trabalhos anteriores dessa série de relançamentos, ficou sob a responsabilidade de Eike Freese. 

                 Duplo, o álbum traz um repertório que dá maio ênfase ao já citado Heading For Tomorrow. Com isso músicas como Lust For Life, Heaven Can Wait, Space Eater, Free Time, The Silence, Hold Your Ground, Money e Heading For Tomorrow ganham a companhia de clássicos imortais do Helloween, como Save Us, Ride The Sky e I Want Out. Ou seja, uma verdadeira aula de heavy/power metal. Não fosse o excelente repertório, o encarte do trabalho é muito bem feito. Fotos da época, informações detalhadas e tudo aquilo que esse tipo de relançamento deve ter. O que não é nenhuma novidade, tendo em vista o que já foi relançado neste formato.

             HEADING FOR TOMORROW é um trabalho essencial para todo fã, não apenas do GAMMA RAY, mas para todo fã de heavy metal. Uma banda afiada, um público na mão e um faixas espetaculares. Resumindo tudo isso em uma única palavra: ESSENCIAL!



  

                      
                    Sergiomar Menezes

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

NAILS - YOU WILL NEVER BE ONE OF US (2016)



                O trio norte-americano NAILS chega ao seu terceiro álbum, intitulado YOU WILL NEVER BE ONE OF US de forma destruidora! Que porrada! Praticando um som extremamente violento e brutal, o grupo despeja doses cavalares de peso e agressividade num grindcore cheio de personalidade e que incorpora elementos de hardcore e death metal em sua sonoridade. Lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, o trabalho vem como um soco seco e direto na boca do estômago, em dez faixas diretas e sem concessões.  

                  O grupo é formado por Todd Jones (vocal e guitarra), John Gianelli (baixo) e Taylor Young (bateria) e foi formado em 2009. Nesse intervalo de tempo, dois álbuns e um EP foram lançados de forma independente e que chamaram a atenção da Nuclear Blast, que assinou com a banda em 2014. E a gravadora estava com toda a razão! As composições do grupo transbordam raiva e ódio, mas de forma técnica, sem perder o sentido. Gravado, produzido e mixado por Kurt Ballou, o álbum recebeu a masterização de Brad Boatright, e essa dupla, deixou a sujeira na medida certa. 

                        A faixa título, You Will Never Be One Of Us, dá início á porradaria. Rachando a cabeça em mil pedaços, a guitarra de Todd Jones carrega em riffs pesados enquanto a cozinha senta a mão sem piedade. Na seqüência, sem tempo para respirar, Friend To All, tem o baixo de John Gianelli se destacando, mas dentro da proposta, sem  nenhum tipo de gratuidade. Made To Make You Fail, tem um começo mais cadenciado, mas ganha velocidade e um solo afiado e é um dos destaques do cd. Life Is a Death Sentence segue a mesma linha, buscando transformar nosso cérebro em uma espécie de sopa de neurônios, tamanha a intensidade e violência que saltam aos nossos ouvidos. E o que dizer de Violence is Forever? Com uma pegada thrash, a faixa tem uma linha de guitarra que nos remete aos grandes nomes da Bay Area, mas que também incorpora elementos da cena alemã.

                   Savage Intolerance segue a aula de pancadaria. O vocal, que foge daquele padrão pré concebido e adotado por grande parte das bandas do estilo, acaba se situando entre o death e o thrash. In Pain carrega consigo uma atmosfera própria do hardcore. Preste atenção no solo que você vai entender o que quero dizer. além, é claro, da velocidade e curta duração da faixa. Parasite não deixa pedra sobre pedra. Ou melhor, tímpano sobre tímpano. Into Quietus possui passagens mais "arrastadas", com a guitarra sendo o destaque, pois guia a faixa de uma forma bem interessante. O encerramento vem com They Coming Crawling Back, uma faixa bem trabalhada, com passagens mais lentas e que envolvem o ouvinte do início ao fim.

                       Neste terceiro trabalho, o NAILS prova que merece um maior reconheciemnto no cenário. Talento e capacidade o gruo possui. E de sobra. Basta conferir YOU WILL NEVER BE ONE OF US e isso ficara claro para quem ouvir. Agora, se seu ouvido não suportar...





                      Sergiomar Menezes

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

TARJA - THE BRIGHTEST VOID (2016)



                     Nunca fui um grande fã de TARJA TURUNEN. Isso não quer dizer que não reconhecia nela, uma excepcional vocalista. O problema é que nunca a vi/ouvi como uma vocalista de rock/metal. Podem até mesmo discordar de mim, mas a saída dela do Nightwish foi benéfica para a banda. Assim como acabou sendo benéfica para ela também. Mais solta e livre do estigma "metal" que a perseguia, a finlandesa chega agora ao seu sexto trabalho solo (contando como primeiro, My Winter Storm, lançado em 2007) e surpreende pela variedade apresentada aqui. THE BRIGHTEST VOID, que chega por aqui via Shinigami Records, traz nove composições que mostram toda a versatilidade da cantora, sem se prender a rótulos. E diga-se, com resultados mais que positivos.

                      Tarja se cercou de diversos e excelentes músicos para a gravação deste trabalho. Nomes como Chad Smith, Mike Terrana, Fernano Scarcella e Nicolas Polo (bateria), Alex Scholpp, Tim Palmer, Julian Barret e Michael Monroe (guitarras), Doug Wimbish, Kevin Chown, Peter Barret e Julian Barret (baixo), além de muitos outros músicos e participações mais que especiais como o próprio Michael Monroe (ex vocal da lenda Hanoi Rocks e colega de bancada de jurados no The Voice finlandês da vocalista, em uma faixa), Toni Turunen, e uma música em parceria com a banda Within Temptation. De um modo geral, podemos dizer que THE BRIGHTEST VOID é um misto de músicas inéditas e algumas versões. Mas que de forma alguma diminui o brilho presente aqui.

              O trabalho inicia com uma versão mais pesada para a já conhecida No Bitter End, apresentada aqui como a versão do video clip. Com guitarras com uma pegada mais hard, a faixa é muito boa e se destaca pela linha vocal adotada por Tarja. Uma voz bem suave sem soar "melosa", algo que só o talento consegue fazer sem soar piegas. Na seqüência, temos Your Heaven And Your Hell, que conta com a participação da lenda Michael Monroe, e que na opinião deste que vos escreve, é o grande destaque do álbum. Uma faixa com a cara do vocalista e que fez Tarja explorar linhas mais diretas e com uma veia bem hard, como manda a cartilha do estilo. Apesar das variações na composição, o arranjo final ficou muito bom! Eagle Eye, a terceira faixa, traz Toni Turunen, irmão de Tarja, e também merece destaque. Seguindo a linha adotada pela vocalista em sua carreira solo, a composição possui uma bela melodia, além do contraponto entre os vocais dos "irmãos Turunen". An Empty Dream, presente na trilha sonora do filme "Corazon Muerto" dá uma quebrada no bom ritmo apresentado no início. Assim como Witch Hunt, faixa bastante introspectiva, presente no álbum que Tarja gravou com o baterista Mike Terrana (Beauty and the Beat, 2014).

                       Shameless vem na seqüência e eleva a dose de peso. Uma faixa com uma pegada bem atual e até mesmo "moderna", fugindo dos padrões aos quais a vocalista estava acostumada. Mais uma bela interpretação vocal e um grande trabalho de guitarras, á cargo de Julian Barret. Depois disso, temos o cover de House of Wax, de Paul McCartney que ficou muito bem arranjada e também Goldfinger, presente na trilha sonora de "007 contra Goldfinger" que ganhou uma interpretação cheia de personalidade de Tarja. No encerramento, Paradise (What About Us), faixa que a vocalista gravou com o Within Temptation e que está presente no álbum Hydra, lançado pelo grupo em 2014 e que traz um belo dueto entre Tarja e Sharon den Adel. 

                       Se não é um álbum "novo", THE BRIGHTEST VOID traz em seu conteúdo, o talento inigualável de TARJA. Apesar de trazer versões, covers e algumas faixas inéditas, o trabalho possui qualidade e nos mantém na expectativa do que teremos em THE SHADOW SELF. 






 
             Sergiomar Menezes