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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

RAGE - THE DEVIL STRIKES AGAIN



                    E o RAGE chega ao seu 22° trabalho de estúdio. Com mais de 30 anos de carreira (no início, o grupo se chamava Avenger, mas teve que trocar de nome) e com muitas mudanças de formação ao longo dessas três décadas, o grupo parece incansável e solta agora em 2016, seu mais recente trabalho. THE DEVIL STRIKES AGAIN, lançado por aqui via Shinigami Records/Nuclear Blast, traz uma banda mais pesada e agressiva, focando suas composições em linhas mais próximas daquele power metal que o grupo fazia em seus primórdios. E com isso, os alemães apresentam aqui um de seus melhores cds nos últimos anos.

               Peter "Peavy" Wagner (vocal e baixo - fundador e único remanescente da formação original), Marcos Rodriguez (guitarra/backing vocal) e Vassilios "Lucky" Maniatopoulos (bateria/backing vocal) trazem neste álbum, 10 composições fortes e impactantes e ainda, um cd bônus com 6 faixas, sendo elas três autorais e três covers. Muito bem produzido pelo guitarrista Marcos Rodriguez, a sonoridade ficou pesada e atual, sem invencionices, o que aliás, sempre foi uma das características do grupo. Já a mixagem e masterização ficaram por conta de Dan Swanö, o que também, é garantia de qualidade. Com tudo isso, o grupo mostra que, apesar da instabilidade de sua formação ao longo da carreira, segue sendo relevante dentro do Heavy Metal. 

                    O álbum abre com a faixa-título, a pesada e agressiva The Devil Strikes Again. Cantando de uma forma mais ríspida, Peavy mostra que o passagem do tempo fez bem ao músico, pois ele consegue atingir linhas mais raivosas sem perder o ritmo. As guitarras de Marcos também soam mais fortes. Enquanto isso, o baterista Lucky senta a mão. My Way, na seqüência, apresenta linha variadas, indo de passagens ais limpas e suaves até encontrar riffs bem estruturados. E o refrão, que também sempre foi um dos pontos fortes do grupo, está lá e fica fácil de guardá-lo, pois apesar de simples, consegue transmitir o feeling da música. Já em Back on Track temos aquela cara "speed/power" que fez fama junto aos grupos alem~es da década de 80. E mesmo assim, percebemos a melodia que acompanha a faixa, criando uma atmosfera que nos remete áquela década. Riffs intensos dão início á The Final Curtain, onde Peavy volta  a usar seu vocal típico. E apesar do andamento pesado, a faixa possui um refrão onde a melodia acaba se destacando. O baterista Lucky se destaca em War. E a faixa possui grande variação, pois alterna passagens bem melódicas, indo do metal tradicional ao mais introspectivo, com outras que soam brutais (pro estilo da banda, que fique claro).

                    Ocean Full of Tears segue a linha mais pesada que alterna com momentos mais amenos. Seus riffs merecem menção, pois apesar de simples, acabam se destacando pela capacidade de se encaixar dentro da complexidade da faixa. Em Deaf, Dumb and Blind, temos uma das faixas mais agressivas do trabalho. Mais rápida e intensa, o bom trabalho da dupla baixo/bateria se destaca. O refrão, simples, tem uma linha marcante. E os riffs, por vezes nos remetem á uma pegada mais "thrash", algo já feito pela banda em outros momentos de sua carreira. E a guitarra de Marcos Rodriguez segue ditando o ritmo na excelente Spirits of the Night. Honrando a tradição do metal alemão, a faixa é puro power metal, na linha que consagrou o grupo em seu passado. Times of Darkness, com seu início mais obscuro, tem uma pegada hard, um pouco fora daquele padrão do trio, mas que não fica deslocando, tamanha a capacidade do grupo em fazer arranjos perfeitos. O primeiro cd encerra com a "brutal" The Dark Side of the Sun. Rápida, pesada e com linhas vocais bem agressivas, a faixa encerra o trabalho mostrando um RAGE forte e intenso, que não parou no tempo.

                   Temos no cd bônus, três faixas do grupo e três covers. Bring Me Down, Requiem e Into the Fire seguem a mesma linha adotada no primeiro cd, com destaque para a primeira que tem a "cara" da banda. Já os covers, ficaram bem legais. Slave to Grind (Skid Row), Bravado (Rush) e Open Fire (Y&T) foram as escolhidas e mostram queo grupo não busca apenas influências do passado. Se Rush e Y&T podem ser influências, o cover Skid Row mostra que o grupo sabe absorver o que há de melhor no mundo da música sem radicalismos.

                    Com este trabalho, o RAGE prova mais uma vez que se reinventar após as trocas de formação que ocorrem em sua carreira, é uma forma de renascer. THE DEVIL STRIKES AGAIN mostra uma banda forte, agressiva e focada no estilo que a consagrou: o Heavy Metal.







            Sergiomar Menezes

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