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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

KATAKLYSM - OF GHOSTS AND GODS



                Formada em 1991, a banda canadense KATAKLYSM chega ao seu décimo segundo trabalho de estúdio. Lançado em 2015 mas chegando por aqui agora, em mais uma parceria da Shinigami Records e Nuclear Blast Brasil, OF GHOSTS AND GODS traz uma banda que segue sua linha tradicional, não arriscando mas, ao mesmo tempo, apostando em alguns momentos em passagens mais melódicas, sem que isso deixe o seu death metal perder toda a brutalidade que sempre permeou sua carreira.

                       Maurizio Iacono (vocal), J-F Dagenais (guitarras), Stephanie Barbe (baixo) e Oli Beaudoin (bateria) completam em 2016, 25 anos de carreira. Em 1995, o lançamento de "Sorcerer" (seu primeiro trabalho já pela Nuclear Blast), apresentou ao mundo uma banda que apostava num metal extremo e técnico. OF GHOSTS AND GODS foi produzido pela própria banda e contou a mixagem e masterização do mestre Andy Sneap, o que manteve o alto nível de qualidade técnica sempre presente nos trabalhos do grupo. No que tange ás composições, o álbum não se diferencia muito dos últimos trabalhos do grupo. Mesmo seguindo um padrão mais próximo do death metal, o KATAKLYSM se diferencia dos demais grupos pois traz muito de thrash metal em seus riffs, cortesia do excelente guitarrista J-F Dagenais. Além disso, o vocal de Maurizio Iacono também foge daquele mais convencional, explorando linhas mais agressivas e  rasgadas, que fogem do lugar comum. Essa versão nacional, traz dez faixas e regulares e como bônus, 4 faixas ao vivo, gravadas na Cidade do Cabo, na África do Sul em 2014.

                       O álbum abre com a poderosa Breaching the Asylum. Riffs intensos dão início á faixa, que ganha velocidade mostrando que o potencial do grupo continua intacto. Agressiva, a composição prima pela técnica apurada dos músicos, com linhas variadas em sua execução, o que indica que a  acomodação não é uma das características da banda. The Black Sheep é outra faixa que carrega peso e intensidade em seus arranjos. O baterista Oli Beaudoin se destaca, pois seu trabalho aqui é bem variado, mostrando o excelente nível do músico. Os riffs seguem ditando o ritmo, alternando momentos mais brutais com outros mais introspectivos. Um massacre sonoro é o que temos em Marching Through Graveyards. Buscando inovar em alguns momentos, algumas passagens soam mais "modernas", mas os blast beats colocam tudo em seu devido lugar. E o baixista Stephanie Barbe prova sua qualidade ao criar linhas que se encaixam com maestria ao trabalho do baterista Oli. Thy Serpents Tongue é outra arrasa quarteirão. Pesada e brutal, a faixa tem no vocal de Maurizio Iacono uma agressividade que salta dos alto-falantes. E as passagens mais cadenciadas criam um clima bastante denso e sombrio. Vindication é uma faixa mais "tradicional", tendo aquele death metal mais clássico como seu guia.

                        Soul Destroyer entra com os dois pés na porta. A bateria forte e pulsante garante a brutalidade da composição, enquanto o refrão acaba se diferenciando por ser de fácil assimilação. A guitarra aqui, deixa o thrash metal (que acaba sendo forte influência do grupo) bem evidente. Carrying Crosses tem uma levada mais cadenciada, com mais uma grande performance do baterista Oli. As mudanças de andamento, trazem riffs tipicamente death e deixam a faixa muito interessante. E tome guitarras nervosas em Shattered! J-F Dagenais tem uma criatividade ímpar para criar riffs e bases sólidas dentro de um estilo que, pros mais radicais, não pode fugir daquilo que vem pré-estabelecido. Momentos mais melódicos se fazem presentes sem que com isso a banda perca sua identidade.  Já em Hate Spirit temos o KATAKLYSM puramente death metal, sendo essa, uma das melhores faixas do trabalho. Mesmo explorando as nuances do estilo, a faixa tem linhas mais trabalhadas, o que a fazem se destacar, principalmente pelo peso da dupla Stephanie/Oli. E o vocal de Maurizio, mais rasgado, ganha contornos insanos aqui. The World is a Dying Insect (que título genial!) encerra o trabalho regular com riffs intrincados. cadenciada, a faixa mostra que o grupo tem uma fonte de inspiração inesgotável.

                       As quatro faixas bônus presentes aqui, foram gravadas ao vivo na África do Sul. Fire, Push the Venom, Elevate e Blood in Heaven mostram todo o poderio do grupo em cima do palco, com destaque para a agressiva e insana Push the Venom.  

                        Em OF GHOSTS AND GODS, o KATAKLYSM mostra que segue sendo uma das potenciais mundiais no que chamamos de metal extremo. Brutalidade, riffs mortais e agressividade aliada á técnica fazem deste um dos grandes trabalhos da carreira do grupo canadense!







                   

             Sergiomar Menezes

terça-feira, 6 de setembro de 2016

BLACK TRIAD - GENESIS



                 Um rock n' roll forte e visceral! Dessa forma podemos classificar a sonoridade apresentada pelo trio gaúcho BLACK TRIAD. Formado em 2014, o grupo lança seu primeiro trabalho, intitulado GENESIS, e apesar do pouco tempo de carreira, a banda conta com músicos experientes, o que garante a qualidade tanto técnica quanto no nível das composições apresentadas aqui. Podemos perceber influências de nomes como Motörhead, mas nada que possa interferir na personalidade da banda, que demonstra identidade e que busca seu lugar ao sol neste concorrido cenário.

                  Formada por Ricardo "Malcolm" Aronne (vocal e guitarra - e um dos nomes sempre lembrados quando se fala em Rock no Rio Grande do Sul), Marcelo Pithan (baixo) e Zico Cavinatto (bateria) trazem neste álbum de estréia 10 faixas muito bem gravadas e produzidas. Aliás, o trabalho foi gravado no Estúdio Hurricane e  a produção ficou sob a responsabilidade de Sebastian Carsin, o que já significa uma excelente qualidade neste quesito. Mas o nível de excelência não se restringe apenas a parte técnica, pois os três músicos capricharam em faixas que não se prendem a nenhum tipo d e clichê, buscando variações sem perder a essência desafiadora do Rock n' Roll. E se não fosse pra ser assim, qual seria o motivo pra banda existir, não é mesmo?

                     Abrindo com Go On, a faixa tem início com a bateria pesada e intensa de Zico Cavinatto que recebe o "apoio" preciso do baixo de Marcelo Pithan. Já Ricardo Aronne, despeja riffs fortes enquanto seu vocal, bem característico, nos lembra um pouco o bom e saudoso Lemmy. O solo da faixa merece destaque pois tem uma perfeita sintonia ao que a composição pede. Uma guitarra cheia de malícia guia R.I.P., com uma pegada mais hard rock. O que faz do Black Triad uma banda até certo ponto despojada, pois não se limita a nenhum tipo de imposição na sua sonoridade. E isso se comprova em Fallen Masks, uma faixa que chega a lembrar um pouco o que as bandas mais alternativas dos anos 90 faziam, sem abrir mão do peso e da veia rocker. E a cozinha se destaca com linhas bem intensas. The Duke é uma faixa mais "heavy", com passagens mais sombrias, tendo na guitarra seu fio condutor. O refrão acaba por levar o ouvinte á uma atmosfera que nos remete aos anos 70. Já a faixa título, Genesis, é puro Rock n' Roll, sem concessões. Direta e simples, a faixa contagia pleo clima cheio de energia que ela transpassa.

                     Carnage é mais cadenciada e também possui um clima mais pesado, enquanto o solo se destaca por adotar uma linha mais incisiva. E a versatilidade dos músicos fica muito evidente pois aqui, percebemos as variações que a composição impõe, ocasionando momentos bem interessantes. Into the Void é a próxima e, se o título nos remete ao Black Sabbath, a atmosfera aqui é outra. Com toques mais hard, a faixa possui um andamento bem trabalhado, com destaque para a bateria de Zico Cavinatto. Zeigeist vem na seqüência e é mais acelerada, com uma cara bem Motorhead, não apenas pelo vocal de Ricardo mas também pela linha adotada. Evil Lady possui um riff "moderno" e um solo muito legal, além de apresentar um grande trabalho do baixista Marcelo, o que dispensa comentários. O encerramento vem com a faixa Sandero, que possui riffs que nos lembram, dessa vez em sua sonoridade, os pais do heavy metal. A guitarra de Ricardo mostra que tem em Iommi uma forte inspiração e coloca a faixa como um dos destaques do trabalho, que de forma geral, soa bem regular.

                     Em seu trabalho de estréia, o BLACK TRIAD mostra que não é necessário se prender á estilos para ter personalidade. Fazendo a música que quer, sendo original em sua proposta e o mais importante, apresentando qualidade muito acima da média, GENESIS é mais um grande trabalho vindo das bandas do sul do Brasil. O que já e quase uma redundância, diga-se de passagem. Que o grupo mantenha essa pegada e nos presenteie com mais trabalhos de alto nível como esse!





                  

             Sergiomar Menezes

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

SMOKEY FINGERS - PROMISED LAND



           Formada em 2008, a banda italiana SMOKEY FINGERS pratica um som calcado no Southern dos anos 70 e com forte influência do Classic Rock. Tendo lançado seu auto-intitulado EP de estréia em 2009, e dois anos após, seu primeiro full lenght, intitulado "Columbus Way", que foi muito bem recebido na Europa, com elogios em diversas publicações especializadas, o grupo coloca no mercado, agora em 2016, seu mais recente trabalho. PROMISED LAND mantém o bom nível de seu antecessor, com climas e passagens clássicas que nos remetem aos anos dourados do Classic Rock.

             Gianluca "Luke" Paterniti (vocal), Diego "Blef" Dragoni (guitarras e backing vocal), Fabrizio Costa (baixo) e Daniele Vachinni (bateria) nos mostram nas doze faixas que compõem o trabalho que beberam e muito nas melhores fontes do Southern Rock. E se você gosta do estilo que consagrou nomes como Lynyrd Skynyrd, Allman Brothers e nomes mais recentes como o sensacional Blackberry Smoke, vai gostar também do trabalho do quarteto italiano. E o grupo tem conhecimento de causa, afinal, seus integrantes participaram anteriormente de outras bandas do seguimento, incluindo uma banda tributo ao próprio Lynyrd Skynyrd. O álbum, foi, também como no primeiro trabalho, produzido por Mario Percudani, amigo do grupo e dono do Tanzan Studio, onde foi gravado o material. 

             Black Madame abre o trabalho e logo nos primeiros momentos já percebemos a qualidade do grupo. Melodias bem estruturadas e um ótimo trabalho vocal já deixam transparecer que a Itália não é apenas berço de grandes bandas de power metal, mas de muitos outros estilos. Belos riffs e solos cheios de feeling nos transportam para uma época onde a música falava mais alto. Aquele cheiro de beira de estrada acompanha Rattlesnake Trail. Com forte influência de country music, temos aqui mais uma bela interpretação de Gianluca Paterniti, que encana o espírito do southern de forma perfeita. Há também linhas que nos remetem ao hard 70's, mas muito bem dosado na execução da faixa. The Road is My Home, o primeiro single do trabalho, foi a escolha perfeita para isso. Percebe-se o cuidado do grupo com os arranjos, que se você não soubesse tratar-se de uma banda italiana e atual, diria estar ouvindo um velho LP de uma grande banda antiga. Já Damage is Done tem uma pegada bem rock n' roll, onde o baixo e bateria acabam se destacando por imprimirem uma linha um pouco mais pesada. E o guitarrista Diego Dragoni possui classe e bom gosto, e mantém uma timbragem perfeita em sua guitarra. A "moderna" The Basement, tem uma levada mas atual, mas não foge daquele clima de pub esfumaçado onde o whisky é a bebida favorita de seus frequentadores. Em Last Train, temos linhas country novamente presentes, que se misturam a atmosfera southern, muito bem criada pela banda.

               Floorwashing Machine Man tem um certo swing em sua melodia, mas as guitarras encaixas riffs certeiros e criam linhas bem inseridas dentro da composição. As guitarras também guiam a "pesada" Stage que possui solos muito bons, enquanto a dupla Fabrizio e Daniele (baixo e bateria respectivamente), criam uma base sólida e técnica, onde o talento dos músicos se mostra evidente. Aquele hard rock esperto com um clima bem festivo aparece em Turn it Up, uma faixa bem alto astral, cheio de malícia e aquela pegada bem "setenteira", que só quem conhece, sabe  e pode fazer. A acelerada Thunderstorm é daquelas faixas perfeitas pra se dirigir por uma estrada deserta sem preocupações com radares, polícia, ou o que for. Pé no acelerador e espírito rock n' roll! Já Proud & Rebel pisa no freio, mas apenas no quesito velocidade, pois em termos de qualidade, continuamos seguindo  firmes, tendo nas guitarras de Diego Dragoni o guia. Mais cadenciada e cheia de momentos mais amenos, a faixa é um dos destaques do trabalho. O encerramento vem com No More, aquela balada cheia de feeling que nunca pode faltar em um trabalho do estilo. Com mais uma grande interpretação de Gianluca, qu se mostra um grande vocalista.

                Esse segundo trabalho dos italianos do SMOKEY FINGERS é indicado aos apreciadores do Southern Rock, mas também áqueles que curtem uma música honesta e de qualidade. Se você se encaixa em algum destes quesitos, PROMISED LAND é perfeito para você!







             Sergiomar Menezes

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

RAGE - THE DEVIL STRIKES AGAIN



                    E o RAGE chega ao seu 22° trabalho de estúdio. Com mais de 30 anos de carreira (no início, o grupo se chamava Avenger, mas teve que trocar de nome) e com muitas mudanças de formação ao longo dessas três décadas, o grupo parece incansável e solta agora em 2016, seu mais recente trabalho. THE DEVIL STRIKES AGAIN, lançado por aqui via Shinigami Records/Nuclear Blast, traz uma banda mais pesada e agressiva, focando suas composições em linhas mais próximas daquele power metal que o grupo fazia em seus primórdios. E com isso, os alemães apresentam aqui um de seus melhores cds nos últimos anos.

               Peter "Peavy" Wagner (vocal e baixo - fundador e único remanescente da formação original), Marcos Rodriguez (guitarra/backing vocal) e Vassilios "Lucky" Maniatopoulos (bateria/backing vocal) trazem neste álbum, 10 composições fortes e impactantes e ainda, um cd bônus com 6 faixas, sendo elas três autorais e três covers. Muito bem produzido pelo guitarrista Marcos Rodriguez, a sonoridade ficou pesada e atual, sem invencionices, o que aliás, sempre foi uma das características do grupo. Já a mixagem e masterização ficaram por conta de Dan Swanö, o que também, é garantia de qualidade. Com tudo isso, o grupo mostra que, apesar da instabilidade de sua formação ao longo da carreira, segue sendo relevante dentro do Heavy Metal. 

                    O álbum abre com a faixa-título, a pesada e agressiva The Devil Strikes Again. Cantando de uma forma mais ríspida, Peavy mostra que o passagem do tempo fez bem ao músico, pois ele consegue atingir linhas mais raivosas sem perder o ritmo. As guitarras de Marcos também soam mais fortes. Enquanto isso, o baterista Lucky senta a mão. My Way, na seqüência, apresenta linha variadas, indo de passagens ais limpas e suaves até encontrar riffs bem estruturados. E o refrão, que também sempre foi um dos pontos fortes do grupo, está lá e fica fácil de guardá-lo, pois apesar de simples, consegue transmitir o feeling da música. Já em Back on Track temos aquela cara "speed/power" que fez fama junto aos grupos alem~es da década de 80. E mesmo assim, percebemos a melodia que acompanha a faixa, criando uma atmosfera que nos remete áquela década. Riffs intensos dão início á The Final Curtain, onde Peavy volta  a usar seu vocal típico. E apesar do andamento pesado, a faixa possui um refrão onde a melodia acaba se destacando. O baterista Lucky se destaca em War. E a faixa possui grande variação, pois alterna passagens bem melódicas, indo do metal tradicional ao mais introspectivo, com outras que soam brutais (pro estilo da banda, que fique claro).

                    Ocean Full of Tears segue a linha mais pesada que alterna com momentos mais amenos. Seus riffs merecem menção, pois apesar de simples, acabam se destacando pela capacidade de se encaixar dentro da complexidade da faixa. Em Deaf, Dumb and Blind, temos uma das faixas mais agressivas do trabalho. Mais rápida e intensa, o bom trabalho da dupla baixo/bateria se destaca. O refrão, simples, tem uma linha marcante. E os riffs, por vezes nos remetem á uma pegada mais "thrash", algo já feito pela banda em outros momentos de sua carreira. E a guitarra de Marcos Rodriguez segue ditando o ritmo na excelente Spirits of the Night. Honrando a tradição do metal alemão, a faixa é puro power metal, na linha que consagrou o grupo em seu passado. Times of Darkness, com seu início mais obscuro, tem uma pegada hard, um pouco fora daquele padrão do trio, mas que não fica deslocando, tamanha a capacidade do grupo em fazer arranjos perfeitos. O primeiro cd encerra com a "brutal" The Dark Side of the Sun. Rápida, pesada e com linhas vocais bem agressivas, a faixa encerra o trabalho mostrando um RAGE forte e intenso, que não parou no tempo.

                   Temos no cd bônus, três faixas do grupo e três covers. Bring Me Down, Requiem e Into the Fire seguem a mesma linha adotada no primeiro cd, com destaque para a primeira que tem a "cara" da banda. Já os covers, ficaram bem legais. Slave to Grind (Skid Row), Bravado (Rush) e Open Fire (Y&T) foram as escolhidas e mostram queo grupo não busca apenas influências do passado. Se Rush e Y&T podem ser influências, o cover Skid Row mostra que o grupo sabe absorver o que há de melhor no mundo da música sem radicalismos.

                    Com este trabalho, o RAGE prova mais uma vez que se reinventar após as trocas de formação que ocorrem em sua carreira, é uma forma de renascer. THE DEVIL STRIKES AGAIN mostra uma banda forte, agressiva e focada no estilo que a consagrou: o Heavy Metal.







            Sergiomar Menezes