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sexta-feira, 29 de julho de 2016

SUNRUNNER - HELIODROMUS



            Uma das coisas mais legais, quando escrevemos sobre rock/heavy metal, é a surpresa que temos quando recebemos um material que se torna um desafio para resenhar. Mas não no sentido ruim, obviamente. Me refiro ao desafio de tentar classificar a sonoridade de uma banda que traz em seu som uma gama grande de influências e que caba dosando tudo de forma tão homogênea que cria sua identidade de forma pessoal. E esse é o caso do trio norte americano SUNRUNNER. Lançando seu terceiro trabalho, HELIODROMUS (2015), o grupo chega ao Brasil agora em agosto para uma pequena turnê e promete mostra ao vivo para os brasileiros, que essa mistura de sonoridades é a marca da personalidade da banda.

            David Joy (vocal e baixo), Joe Martignatti (guitarra e vocal) e Ted MacInnes (bateria e vocal) já estão na estrada desde 2008. Durante este período o grupo já lançou anteriormente, dois trabalhos, Eyes of The Master (2011) e Time in Stone (2013), que já traziam consigo essa linha prog/heavy/hard/jazz que o trio pratica em suas composições. E conforme o próprio grupo, a sonoridade desenvolvida por eles traz Yes, Black Sabbath e Iron Maiden e ainda uma pitada de Jazz e Fusion que torna tudo mais interessante. O trabalho teve como engenheiro de som Todd Hutchisen, enquanto a mixagem ficou por conta de Jimmy Martignetti e a masterização sob a responsabilidade de Pat Keane. E essa junção de forças deixou a sonoridade boa, um pouco "suja", sem grandes arroubos, mas consegue passar a mensagem do grupo de forma correta. A capa em um primeiro momento nos remete aos grupos de rock progressivo, mas como dito anteriormente, há muito mais do que isso no som da banda.

           A breve introdução Dies Natalis Soli Invicti antecede Keepers of the Rite, uma faixa bem heavy metal, onde as influências da NWOBHM ficam bem evidentes. As linhas adotadas pela banda aqui deixam claro que o trio soube assimilar aquilo que os trouxe ao mundo da música e entregar como parte do seu conhecimento musical. Já Corax, a terceira faixa deixa traz o lado mais progressivo da banda. Variações e passagens mais "viajantes" criam o clima que era referência pras bandas que criaram o estilo, principalmente nos anos 70. The Horizon Speaks vem com guitarras pesadas, mas possui um ritmo variado, alternando passagens mais introspectivas e outras mais densas e pesadas. As guitarras seguem naquela linha mais heavy tradicional, mas com uma atmosfera bem 70's. Star Messenger também apresenta guitarras pesadas, mas alternando com momentos mais suaves, até mesmo psicodélico em algumas passagens. A banda se mostra versátil, pois seus arranjos não caem no lugar comum ao qual muitas bandas que optam por uma linha mais prog acabam deixando se levar.

          Então, de repente, a gente se pega á frente de uma fogueira escutando The Plummet. Que bela faixa! daquelas que a gente percebe o bom nível de composição do grupo. Refrão fácil e que grudam na mente. Uma faixa diferente das demais, com referências ao folk que agradará aos apreciadores desse estilo. Technology's Luster, apesar da base votada ao heavy tradicional, tem guitarras com uma pegada hard, o que dá um tempero especial á composição. Outra coisa que podemos destacar é a qualidade dos músicos que compõem a banda. O baterista Ted tem boa técnica, pois alia uma pegada mais heavy com viradas e conduções mais progressivas. O baixista Joe cria boas bases enquanto o guitarrista David conduz a guitarra com riffs e solos muito bem estruturados. Passage é uma curta faixa instrumental que nos leva á faixa título, Heliodromus. Com seus mais de 21 minutos, a faixa viaja por vários estilos, com uma complexidade  e ao mesmo tempo simplicidade que nos prova a categoria do grupo ao escolher os arranjos. E aqui encontramos jazz, fusion, heaavy e prog em doses generosas. Um afaixa que deve ser escutada coma  devida atenção.

         Um bom trabalho apresentado pelo tri norte americano, que antecipa as apresentações que a banda fará por aqui agora no mês de agosto. Se você gostou de HELIODROMUS, os shows são uma boa pedida para conferir in loco a boa qualidade do SUNRUNNER.



         Sergiomar Menezes

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