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terça-feira, 19 de julho de 2016

BLACKNING - ALIENATION



                 Difícil começar essa resenha sem fugir da obviedade. Então, sem muita enrolação: ALIENATION, segundo trabalho do trio BLACKNING, sem nenhuma dúvida, estará em todas as listas de melhores álbuns de 2016. Não há a menor possibilidade disso não acontecer. Se em seu primeiro petardo, Order of Chaos (2014), o grupo já mostrou que não estava para brincadeira, neste segundo, comprova que em matéria de Thrash Metal, a banda está no topo do cenário nacional. Riffs agressivos, ríspidos e mortais, baixo/bateria despejando doses cavalares de peso e muito bem trabalhados e um vocal que busca inspiração na escola alemã, mas que tem sua personalidade, fazem deste trabalho, algo que todo banger deve ter em sua coleção.

                 Cleber Orsioli (vocal e guitarra), Francisco Stanich (baixo e backing vocal) e Elvis Santos (bateria e backing vocal) gravaram o trabalho entre fevereiro e abril deste ano. O álbum foi produzido e mixado por Fabiano Penna (Rebaelliun) no El Diablo em São Paulo. Já a masterização ficou por conta de Neto Grous do Absolute Master. Ou seja, garantia total de qualidade. A sonoridade do trabalho ficou perfeita. Suja, pesada e intensa, mas ao mesmo tempo, clara e "limpa". O grupo ainda teve um cuidado especial na apresentação do álbum. Um belo digipack, sendo que a arte gráfica foi feita por Marcus Zerma, da Black Blague Design de Curitiba. Tudo realizado no Brasil. E o resultado, o conjunto da obra, ficou espetacular! Não bastasse todos esses detalhes, temos ainda  aparticipação de Lohy Silveira (Rebaelliun) nos vocais de uma faixa e de André Alves (Statues On Fire/Musica Diablo/Nitrominds) em outra.

                  Street Justice abre o trabalho como um soco na boca do estômago! Riffs fortes, base pesada e muita garra. Isso já nos mostra que o grupo segue aqui o que havia feito em seu trabalho de estréia. Thrash Metal sem nenhum tipo de invencionice. Daqueles pra quebrar o pescoço sem receio. A faixa possui um aboa variação em sua estrutura, sendo que o solo ficou muito bem encaixado. Brutalidade e agressivida é oq ue temos na segunda faixa, a velos Thru The Eyes. O vocal de Cleber apesar da influência do thrash alemão (mais cru e rasgado), tem personalidade e consegue transpassar á música toda a fúria que ela necessita. Mais um belo solo e bases cheias de "melodia" (leia-se melodia no que tange ao thrash). Mechanical Minds é daquelas faixas mais cadenciadas, pesadas e cheias de feeling, onde os músicos conseguem mostrar sua habilidade de forma direta. Grande trabalho da dupla Francisco e Elvis, que emprestam muito peso á composição. Dark Days segue essa linha, com ótimos riffs e muita agressividade nos vocais. Mesclando passagens mais velozes e outras mais marcadas, a faia acaba sendo um dos destaques do trabalho. A rifferama comanda Weapons of Intolerance. Que grande trabalho de guitarra! Além disso, a variação na composição, que alterna momentos mais trabalhados e outros onde a velocidade impera faz com que a banda mostre toda sua versatilidade.

                  Dyed in Blood inicia arrastada, com o baixo ditando o ritmo, mas logo em seguida ganha velocidade e intensidade. Um refrão forte e pesado, com guitarras que buscam variar entre a agressividade e a melodia, ganham um maior destaque nesta faixa. Devil's Child tem a participação de Lohy Silveira (Rebaelliun) e é uma típica faixa com a pegada thrash metal que nos remete ao que se fazia quando o estilo surgiu. Outro grande solo e muito bom gosto no encaixe dos backing vocals que não soam forçados. E Lohy traz consigo aquela veia mais brutal em seu vocal. The Rotten Institution traz riffs bem diretos e um trabalho de baixo e bateria que nos remete ao atual momento do estilo, que por vezes flerta com o hardcore. A guitarra novamente capricha em um solo inspirado e Elvis massacra a bateria de forma impiedosa. Em Two-Faced Liar o vocal de Cleber ganha contornos mais brutais, por vezes quase na linha death metal, enquanto os riffs seguem a escola thrash metal old school. O encerramento vem com Corporation, que conta coma  participação de André Alves (Statues On Fire), que também compôs a letra. E aqui, temos uma interessante incursão pelo Crossover, sem perder a característica central do grupo. Grande faixa de encerramento!

                  Com o trabalho de estréia, Order of Chaos, o BLACKNING dava mostras que tinha muito mais ainda a apresentar. E pode-se dizer que conseguiu seu intento com esse excelente ALIENATION. E, eu espero, que muito mais ainda esteja por vir. Fortíssimo candidato á um dos melhores álbuns do ano!



           Sergiomar Menezes

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