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domingo, 31 de julho de 2016

S.O.T.O. - DIVAK



               Jeff Scott Soto é um músico incansável. Tendo participado de inúmeras bandas e projetos, além de seu projeto solo, o norte americano nascido em 04 de novembro de 1965, chega agora ao segundo álbum da banda S.O.T.O., intitulado DIVAK. Se no primeiro trabalho, Inside The Vertigo (2015), o vocalista resolveu investir em uma sonoridade mais densa e pesada, aqui, neste segundo álbum, a tendência é a mesma, sem abrir mão das melodias, dos excelentes músicos que o acompanham e de seu inegável talento. Lançado por aqui em mais uma iniciativa da Shinigami Records, o cd traz 13 composições que primam pela versatilidade, técnica e bom gosto. Algo que, se tratando do vocalista, é redundante.

              Composta pelo próprio Jeff Scott Soto (vocal), BJ (guitarra e teclados), Jorge Salan (guitarra), David Z. (baixo) e Edu Cominato (bateria), a banda tem em sua formação dois brasileiro (BJ e Edu), que há algum tempo vem trabalhando com o vocalista. Tanto é que a produção do álbum ficou por conta do próprio Soto e de Edu Cominato. E ficou excelente, pois além de manter a melodia que sempre permeou os trabalhos do americano (seja em seus trabalhos solo, seja em seus projetos ou até mesmo nas inúmeras bandas as quais passou - Malmsteen, Talisman, WET, o projeto Rock Star, entre tantos outros), também acrescentou uma sonoridade mais densa, pesada e porque não dizer, suja. Já a mixagem e masterização ficaram sob a responsabilidade de John Ellis. A capa e toda a arte gráfica ficaram por conta do renomado Gustavo Sazes. Ou seja, Soto mostra que confia no que os brasileiros tem a oferecer. E ele está totalmente certo!

              Iniciando com a introdução muito bem arranjada, Divak, o álbum ganha seqüência com a pesada Weight of the World, onde já percebemos qiue o trabalho desenvolvido no cd anterior manteve a mesma pegada por aqui. Excelentes riffs e um grande trabalho de baixo/bateria, deixam Soto á vontade ara desfilar seu incontestável talento. Linhas fortes e arrojadas dão á faixa uma dose extra de peso. Aqui, temos a participação especial de Leo Mancini na guitarra. A também pesada Freakshow vem em seguida e mantém o clima da faixa anterior. Com um Soto bastante agressivo em alguns momentos, Aqui temos a participação de Tony Dickinson no baixo, guitarra e teclados. Com uma pegada mais "moderna" a composição mostra o talento dos músicos, pois é muito bem trabalhada e arranjada. Paranoia tem riffs bem construídos, enquanto a base proporcionada pela dupla baixo/bateria faz em excelente trabalho. O vocalista explora linhas mais diretas, sem perder sua vocação melódica, principalmente no momento do refrão. Em Unblame, temos uma harmonia que navega forte pela melodia. Com alguns toques mais atuais, a banda consegue transpassar os limites entre o "novo" e o peso de antigamente com extrema categoria. Cyber Masquerade é uma faixa bem pesada e intensa. As guitarras de BJ e Jorge vem carregadas de riffs fortes e o vocalista segue sua jornada pela variação entre melodia e agressividade. Já In My Darkest Hour é uma "power ballad", daquelas que o vocalista acostumou-se a interpretar de forma sublime. Linhas muito bem arranjadas, fazem que sua voz acabe soando mais natural aqui, sem que com isso acabe perdendo sua intensidade.

             O peso volta aos alto falantes com Forgotten. Aqui, novamente vemos que as guitarras acabam guiando a faixa (como em quase todo o trabalho), de forma que as linhas de baixo e bateria formam uma base consistente. O começo de Suckerpunch tem algo de industrial, mas logo em seguida volta a ter seu ritmo ditado pelas excelentes guitarras da dupla BJ e Jorge. E Edu Cominato se mostra extremamente eficiente, pois as linhas de bateria ganham destaque aqui. E os solos também se destacam pela complexidade com que se apresentam. Time tem o peso guiado por uma melodia bem interessante. A versatilidade de Soto se mostra novamente. Que técnica incrível que o vocalista tem e sabe o momento certo de usá-la. A variação presente em Misfired é digna de nota, pois a faixa consegue ser "suave" e agressiva de uma forma bem consistente. E temos aqui algumas participações especiais, com destaque para Al Pitrelli (Alice Cooper, Savatage, Megadeth,entre outros). Da mesma forma, Fall From Grace segue o ritmo. Podemos dizer que as faixas tem em comum a sonoridade moderna, mas sem se tornarem chatas. Vejam bem, quando digo modernas quero dizer atuais, intensas e não "modernosas" e cheias de barulhinhos... O álbum se encerra com mais peso. Awakened traz linha bem interessantes de teclados, mas o peso das guitarras acaba por "sufocar" isso, mas de forma sutil, sem que comprometa a qualidade dos arranjos e da composição. Belo encerramento de um grande trabalho!

             Com DIVAK, Jeff Scott Soto dá seqüência ao que vinha fazendo anteriormente com o S.O.T.O..Ou seja, um trabalho pesado, intenso e de muita qualidade. Os fãs do vocalista continuarão admirando seu trabalho, sendo que aqueles que não conhecem ou que , de certa forma, não gostavam do que o vocalista vinha fazendo, podem ter aqui uma nova visão do talento e categoria do músico americano. Basta deixar o preconceito de lado e curtir este grande álbum!



            Sergiomar Menezes

sexta-feira, 29 de julho de 2016

SUNRUNNER - HELIODROMUS



            Uma das coisas mais legais, quando escrevemos sobre rock/heavy metal, é a surpresa que temos quando recebemos um material que se torna um desafio para resenhar. Mas não no sentido ruim, obviamente. Me refiro ao desafio de tentar classificar a sonoridade de uma banda que traz em seu som uma gama grande de influências e que caba dosando tudo de forma tão homogênea que cria sua identidade de forma pessoal. E esse é o caso do trio norte americano SUNRUNNER. Lançando seu terceiro trabalho, HELIODROMUS (2015), o grupo chega ao Brasil agora em agosto para uma pequena turnê e promete mostra ao vivo para os brasileiros, que essa mistura de sonoridades é a marca da personalidade da banda.

            David Joy (vocal e baixo), Joe Martignatti (guitarra e vocal) e Ted MacInnes (bateria e vocal) já estão na estrada desde 2008. Durante este período o grupo já lançou anteriormente, dois trabalhos, Eyes of The Master (2011) e Time in Stone (2013), que já traziam consigo essa linha prog/heavy/hard/jazz que o trio pratica em suas composições. E conforme o próprio grupo, a sonoridade desenvolvida por eles traz Yes, Black Sabbath e Iron Maiden e ainda uma pitada de Jazz e Fusion que torna tudo mais interessante. O trabalho teve como engenheiro de som Todd Hutchisen, enquanto a mixagem ficou por conta de Jimmy Martignetti e a masterização sob a responsabilidade de Pat Keane. E essa junção de forças deixou a sonoridade boa, um pouco "suja", sem grandes arroubos, mas consegue passar a mensagem do grupo de forma correta. A capa em um primeiro momento nos remete aos grupos de rock progressivo, mas como dito anteriormente, há muito mais do que isso no som da banda.

           A breve introdução Dies Natalis Soli Invicti antecede Keepers of the Rite, uma faixa bem heavy metal, onde as influências da NWOBHM ficam bem evidentes. As linhas adotadas pela banda aqui deixam claro que o trio soube assimilar aquilo que os trouxe ao mundo da música e entregar como parte do seu conhecimento musical. Já Corax, a terceira faixa deixa traz o lado mais progressivo da banda. Variações e passagens mais "viajantes" criam o clima que era referência pras bandas que criaram o estilo, principalmente nos anos 70. The Horizon Speaks vem com guitarras pesadas, mas possui um ritmo variado, alternando passagens mais introspectivas e outras mais densas e pesadas. As guitarras seguem naquela linha mais heavy tradicional, mas com uma atmosfera bem 70's. Star Messenger também apresenta guitarras pesadas, mas alternando com momentos mais suaves, até mesmo psicodélico em algumas passagens. A banda se mostra versátil, pois seus arranjos não caem no lugar comum ao qual muitas bandas que optam por uma linha mais prog acabam deixando se levar.

          Então, de repente, a gente se pega á frente de uma fogueira escutando The Plummet. Que bela faixa! daquelas que a gente percebe o bom nível de composição do grupo. Refrão fácil e que grudam na mente. Uma faixa diferente das demais, com referências ao folk que agradará aos apreciadores desse estilo. Technology's Luster, apesar da base votada ao heavy tradicional, tem guitarras com uma pegada hard, o que dá um tempero especial á composição. Outra coisa que podemos destacar é a qualidade dos músicos que compõem a banda. O baterista Ted tem boa técnica, pois alia uma pegada mais heavy com viradas e conduções mais progressivas. O baixista Joe cria boas bases enquanto o guitarrista David conduz a guitarra com riffs e solos muito bem estruturados. Passage é uma curta faixa instrumental que nos leva á faixa título, Heliodromus. Com seus mais de 21 minutos, a faixa viaja por vários estilos, com uma complexidade  e ao mesmo tempo simplicidade que nos prova a categoria do grupo ao escolher os arranjos. E aqui encontramos jazz, fusion, heaavy e prog em doses generosas. Um afaixa que deve ser escutada coma  devida atenção.

         Um bom trabalho apresentado pelo tri norte americano, que antecipa as apresentações que a banda fará por aqui agora no mês de agosto. Se você gostou de HELIODROMUS, os shows são uma boa pedida para conferir in loco a boa qualidade do SUNRUNNER.



         Sergiomar Menezes

quarta-feira, 27 de julho de 2016

DEEP PURPLE - LIVE IN LONG BEACH 1976



                 Se tem uma banda que os fãs não podem se queixar por falta de material ao vivo, essa banda é o DEEP PURPLE. Seja da época que for, o grupo sempre dá um jeito de soltar algum show, e na maioria das vezes (grande maioria), o trabalho apresentado é de extrema qualidade. E isso não é muito difícil, basta analisarmos os músicos que já integraram esse grande patrimônio do rock/heavy metal mundial. Aqui, a história não é diferente. Integrando a série The Official Deep Purple (Overseas) Live Series, temos LIVE IN LONG BEACH 1976, que sai por aqui através de mais uma bela iniciativa da Shinigami Records. Trazendo uma grande performance do MK IV, o cd duplo é indispensável aos fãs tanto da banda, quanto aos apreciadores da música de qualidade.

                  David Coverdale (vocal), Tommy Bolin (guitarra), Glenn Hughes (baixo), Jon Lord (teclados) e Ian Paice (bateria) á época divulgavam Come Taste the Band, de 1975 (um dos grandes álbuns do grupo, na opinião deste que vos escreve). O show foi gravado, como o próprio nome entrega, na Long Beach Arena, na Califórnia no dia 27 de fevereiro de 1976. O trabalho foi remasterizado por Nick Watson e ficou excelente. Além disso, o cd vem com uma bela arte gráfica, recheada de informações e belas fotos do grupo.

                  Falar da qualidade dos músicos é "chover" no molhado, mas não há como destacar o grande talento de Tommy Bolin. O músico que infelizmente, nos deixou muito cedo, era dono de uma técnica invejável, além de ter muita personalidade. Afinal, ele estava substituindo um dos maiores guitarristas da história, e tocava como se sempre tivesse sido o guitarrista da banda. Coverdale esbanjava categoria e recebia de Glenn Hughes um "complemento" que fazia com que as músicas se tornassem ainda mais especiais. E a dupla Lord/Paice... já eram referência há 40 anos atrás. Não precisa dizer mais nada, não é mesmo? Músicas como Burn, Lady Luck, Getting Tigher, Love Child, Lazy (com mais de 20 minutos de duração aqui),Smoke on the Water, Stormbringer e Highway Star mostram o poderio do quinteto. Se por um lado as músicas "novas" reproduziam aquilo que o grupo fez no estúdio, as canções "antigas" ganharam "cara nova", seja pelos vocais de Coverdale/Hughes, seja pela guitarra de Bolin. Como era de praxe, a maioria das músicas acabava excedendo seu tempo normal, devido ás improvisações perpetradas pela banda.

                  O cd traz ainda três faixas gravadas em Springfield, em janeiro do mesmo ano e entre elas temos Going Down, que não consta no show de Long Beach. Além de ser um resgate histórico, esse LIVE IN LONG BEACH 1976, traz uma das melhores formações do grupo em uma apresentação praticamente perfeita. Imperdível.


                Sergiomar Menezes

terça-feira, 26 de julho de 2016

ENTREVISTA - DIO BRITTO (WESTFIELD MASSACRE)



           Dionatan Brito (ex-Distraught, In Torment, entre outros), ou Dio, como é mais conhecido, nasceu em 12 de maio de 1987, em Porto Alegre, e despertou sua paixão por música e bateria cedo. Aos treze anos de idade começou a aprender a tocar o instrumento que definiria o rumo da sua vida. Em poucos anos Dio Britto se destacou na cena musical local, fazendo parte de diversas bandas e projetos musicais. Sua ambição o levou além, tendo gravado pelo menos sete álbuns e diversos EP'S, demos e videoclipes, e tendo tocado centenas de shows, no Brasil, América do Sul e Europa. Logo, chegou a hora de dar um passo mais um passo rumo ao seu maior sonho, explorar o maior mercado da música no mundo, os Estados Unidos. 

           Não é preciso falar sobre o quão difícil e desafiador pode ser para um brasileiro basicamente deixar tudo para trás e reconstruir toda sua carreira praticamente do zero em um país estrangeiro, especialmente em Los Angeles, onde a concorrência é enorme. 
          Uma vez em Los Angeles, determinado e ciente do trabalho duro que seria, Dio Britto começou uma nova empreitada. Toda sua experiência ajudou muito, porém, em suas próprias palavras: "Não há segredo, tudo pode acontecer, o principal é manter-se forte e focado, e não desistir nunca." Em poucos meses de trabalho, Dio Britto já estava sendo visado por grandes nomes do Heavy Metal. O convite para ser o baterista do WESTFIELD MASSACRE foi aceito com orgulho, pois o baterista anterior era um grande nome na cena, e Dio Britto foi visto como o único capaz de manter o posto. Sem delongas, Dio lançou um álbum e um videoclipe com a banda e logo saiu em turnê pelos Estados Unidos, junto com o nomeado ao Grammy, SEVENDUST e TRIVIUM. A turnê foi um sucesso e o nome do Westfield Massacre e Dio Britto está na ponta da língua de muita gente. O músico também é constantemente convidado a participar de eventos musicais em Hollywood, onde outros grandes músicos estão presentes, como a famosa "ULTIMATE JAM NIGHT", tendo tocado junto a músicos consagrados, como Monte Pittman (guitarrista da rainha do POP, Madonna).
            Com relação ao Westfield Massacre, a banda lançou o vídeo Build Your Thrones, e saiu em turnê com os já citados Sevendust e Trivium pelos EUA, e na primeira semana em tour o CD foi lançado.  Uma semana depois, o grupo apareceu como #3 album mais baixado no iTUNES metal chart e #13 mais vendidos no BILLBOARD HEATSEEKERS CHART. De volta da tour que, a banda lançou mais um vídeo, Darkness Divides, e tem dois festivais agendados em Agosto com bandas como Killswitch Engage, Volbeat, Hatebreed, etc. E o plano é fazer outra Tour pelos EUA até o fim do ano e no início do ano que vem Europa e lançar novo material.
           Batemos um papo com Dio em um dos intervalos da turnê que o grupo vem fazendo pelos EUA, e isso você confere logo abaixo...

   WESTFIELD MASSACRE

Rebel Rock - Dio, na última vez que te entrevistei, há dois anos atrás, para o portal da Agência Yaih, você estava em turnê com a  Distraught e lançando o mais recente trabalho da In Torment. Mas no final daquele ano você resolveu se mudar pros EUA. Quando surgiu essa idéia e qual era teu objetivo com essa mudança?

Dio Britto - Fala, tchê! Então, eu sempre tive uma vontade enorme de viver aqui, estar mais perto de onde as coisas parecem ser mais justas para artistas e em contato com essa cultura misturada e sempre atualizada. Sempre soube que esse lugar teria muito a me oferecer se bem explorado. Chegou um momento na minha vida em que apenas decidi que era hora de "ver no que ia dar". Não fazia ideia do que poderia acontecer ou não, mas estava ciente de que de qualquer maneira seria um experiência incrível. E aqui estou, metendo bronca! Hehe...

Rebel Rock -  Obviamente que uma mudança, ainda mais de país, acaba trazendo consigo um processo de readaptação. Como foi esse processo?

Dio Britto - O processo de adaptação é bem difícil no começo. Acho que depende de cada um como ele se dá, porém é necessário muita força de vontade e perseverança se você quer realmente fazer algo de valor e não apenas se divertir e voltar pra casa. 


Rebel Rock -  E quanto aos americanos? A receptividade foi de acordo com o que você esperava?


Dio Britto - A receptividade foi ótima! Em pouco tempo fiz muitas amizades novas de grande valor pra mim. Gente de todo o mundo e de toda parte dos EUA se solidarizando e me apoiando nessa empreitada. Eu não poderia estar mais agradecido. 



Rebel Rock - Como surgiu o convite para integrar o Westfield Massacre?

Dio Britto - O convite para entrar na WFM foi fruto dessas novas amizades aliadas à minha força de vontade, experiência e talento. Conheci o Bill Hudson e o Max Georgiev no primeiro mês em que eu estava aqui. Max e eu nos tornamos bons amigos e fomos morar juntos, e ainda estamos! Ele hoje em dia faz parte do Escape The Fate e o Bill Hudson do Transiberian Orchestra, mas na época eram do WFM. Eles mostraram meu trabalho para o vocalista, Tommy Vext, que adorou e depois de me conhecer me disse que precisaria dos meus serviços em breve, mas eu não sabia para que banda. Então um dia o convite veio por telefone. Essas foram as palavras de Tommy: "você estaria interessado em gravar dois clipes em Las Vegas, e fazer turnê com uma banda de metal?". Aceitei na hora e desde então muita coisa incrível aconteceu. Isso foi há menos de um ano! 


Rebel Rock - Mesmo sendo um músico experiente, como foi o processo de gravação do álbum? Há muito diferença entre o modo de trabalhar em estúdio dos americanos e o dos brasileiros?

Dio BrittoO processo de gravação foi bem interessante, pois apesar de eu ter bastante experiência com isso, aqui as coisas costumam ser mais rápidas e diretas, devido à prazos para entrega do material, gravadora, etc. trabalhamos com o produtor Joseph Mcqueen, que já produziu muitos discos de metal que adoro. Ele é rápido e talentoso, e fez o processo todo soar melhor do que pensávamos que ia! Porém mais da metade do álbum já estava escrito quando entrei na banda, e ajudei a terminar algumas baterias apenas. Já estamos escrevendo um álbum novo inteiro para o ano que vem, no entanto. 





Rebel Rock - Recentemente, você divulgou alguns vídeos de algumas JAMS das quais você participou. Como surgem esses convites e com quais músicos você teve a oportunidade de dividir o palco?



Dio Britto - Eu estou morando em Hollywood, e nesse bairro é onde a concentração de músicos e eventos de rock estão. Toda terça feira existe uma noite chamada Ultimate Jam Night, onde músicos que tocam ou tocaram em diversas bandas famosas são convidados a participar, tocando covers. É muito legal e eu já tive o prazer de participar algumas vezes, tocando ao lado de nomes como Monte Pittman (guitarrista da Madonna), Jerry Montano (ex Danzig e Hellyeah), etc. 



Rebel Rock - E os brasileiros que moram por aí? Como é o relacionamento entre todos?


Dio Britto - Conheci vários brasileiros aqui, e quase todos são muito legais. Temos um jeito nosso de ser solidário pois entendemos a "luta" do outro. Mas tem um pessoal de Curitiba que são praticamente uma família pra mim aqui. Eles são de uma banda chamada Livin Garden (que está mudando de nome agora para Red Devil Vórtex). Eles são muito talentosos e pessoas incríveis, vale a pena conferir o trampo deles! 


Rebel Rock -  Dio, e os planos para o futuro? O Westfield Massacre está agendado para alguns festivais, não é mesmo?



Dio BrittoNós estamos saindo em turnê novamente agora em Agosto com datas espalhadas pelos EUA. Incluindo festivais onde tocaremos ao lado de bandas como Killswitch Engage e Hatebreed. A meta é fazer mais uma turnê nacional até o final do ano e terminar o disco novo. Também temos uma turnê agendada no Reino Unido em janeiro junto com a Banda do ex vocalista do Killswitch Engage (Howard Jones), o Devil You Know. Mal posso esperar! 



Rebel Rock - Cara, obrigado pela entrevista e  deixo o espaço aberto aqui para você, até mesmo se você quiser revelar seu time de futebol (risos)...



Dio Britto - Agradeço demais o espaço e a oportunidade de falar um pouco sobre minha experiência como músico no Brasil e fora dele. Meu time de futebol é o Grêmio de 1996!! Hahaha... Aos meus amigos, fãs, ex- companheiros de banda e músicos em geral no Brasil, vocês são todos fodas pra caralho! Vamos juntos manter acesa a chama do Heavy Metal no Brasil!! (isso soou muito "Massacration" hahaha). Valeu!!!!! Getcha Pull!! 







             Sergiomar Menezes






domingo, 24 de julho de 2016

BESTIAL - HELLFUCKDOMINIUM XXI




              E uma das bandas mais "bestiais" do metal gaúcho está de volta! Mais de dez anos após o petardo Phalanx of Genocide (2005), o quarteto BESTIAL volta á carga com toda a fúria e brutalidade do seu death/black metal insanamente profano. HELLFUCKDOMINIUM XXI contém cinco faixas (contando com uma introdução) onde o grupo prova que este tempo longe dos estúdios, não foi o suficiente para parar a máquina destruidora e brutal de riffs e blasfêmias. Se nos dois primeiros trabalhos, o já citado Phalanx of Genocide e o álbum de estréia Final Presage (2004), a banda já apresentava músicas cheias de ódio e agressividade, o que encontramos neste avassalador EP não é diferente. Guitarras ríspidas, baixo/bateria velozes e brutais e um vocal extremamente insano, recolocam o grupo no cenário.

              Chuckill (vocal e baixo), Ed Storm (guitarra), V. Alex (guitarra) e Jeferson Pereira (bateria), despejam todo o ódio contido em suas mentes em composições cheias de riffs que se encontram entre o que de melhor há no death/black metal. Gravado em agosto de 2015 e produzido por Fábio Lentino, que deixou a sonoridade do grupo no ponto certo. Após a saída do baterista Márcio Jameson e algumas trocas na posição, o grupo se estabilizou com a presença de Jeferson Pereira (Sky in Flames) e segue firme em sua batalha, empunhando a bandeira do estilo profano que resolveu seguir.

              Bestial Introduction é, como o próprio nome diz, uma introdução que nos deixa preparados para Atomic Blazing Ejaculation, uma porrada ao estilo da banda. Um death/black metal pútrido e cheio de guitarras agressivas. A faixa apresenta bons solos, enquanto a cozinha manda ver num misto de velocidade e brutalidade que são marca registrada da banda. O vocal de Chuckill se destaca e também podemos dizer que é uma das características do grupo, pois foge um pouco do que as bandas doe stilo se propõem a fazer. Lascivious Possession tem guitarras extremas, pois os riffs possuem uma intensidade brutal. As linhas  aqui assumem uma postura mais voltada ao black metal. Por sua vez, o vocal destila doses de fúria que acaba por se misturas a um solo ríspido e direto.  Riffs fortes e densos comandam o ritmo de Rising Vengeance Flag. A velocidade e peso que a dupla Chuckill e Jeferson imprimem á faixa são impressionantes. Ed Storm e V. Alex tem um entrosamento que apenas anos de blasfêmia e cumplicidade podem oferecer. Variada, a música tem passagens mais cadenciadas e alterna momentos mais velozes. Um dos destaques deste trabalho! Infelizmente, o EP se encerra com Warm And Swollen Raw Leather. Infelizmente pois fica aquela sensação de poderíamos ter u trabalho com mais faixas, tamanha a qualidade do que é apresentado aqui (e que já tinha sido demonstrado nos dois primeiros trabalhos do grupo).

             O tempo longe do estúdio não afetou o poder que a banda tem a oferecer aos metalheads ao redor do mundo. Letras profanas, riffs mortais e brutalidade/agressividade que saltam dos alto-falantes comprovam que o grupo tem muito o que oferecer aos bangers. Hail to the BESTIAL!

           


              Sergiomar Menezes

sexta-feira, 22 de julho de 2016

HATEBREED - THE CONCRETE CONFESSIONAL




                 Com 23 anos de atividades e lançando seu 8° trabalho de estúdio, o HATEBREED nos entrega aquilo que sempre foi uma de suas marcas: porradaria de alta qualidade. Fazendo um som que mescla de forma direta o Hardcore NY e o peso do Thrash Metal, o grupo apresenta THE CONCRETE CONFESSIONAL, que chega ao Brasil via Shinigami Records/Nuclear Blast, e que na opinião deste que vos escreve, pode ser considerado um dos melhores trabalhos da carreira do grupo norte americano. Toda a fúria presente em seus trabalhos anteriores segue intacta, afinal, a experiência do grupo conta, e muito, ao fazermos essa análise.

                Jamey Jasta (vocal), Frank Novinec (guitarra), Wayne Lozinak (guitarra), Chris Beattie (baixo) e Matt Byrne (bateria) trazem em 13 músicas toda a fúria do hardcore NY, do thrash metal, do punk e porquê não dizer, do groove, com uma pegada bem atual. Produzido e masterizado por Zeuss, o trabalho foi mixado por Josh Wilburn e essa dupla deixou a sonoridade perfeita, pois as guitarras ficaram muito pesadas, enquanto baixo/bateria tiveram seu destaque. Tudo no lugar mas com uma dose extra de peso e "sujeira". A capa é mais um belo trabalho do brasileiro Marcelo Vasco, que vem sendo requisitado por grandes nomes do cenário mundial. Tudo isso só vem a corroborar que o Hatebreed tem em mãos mais um grande álbum!

                 Abrindo com a porrada A.D., o grupo já demonstra que veio com tudo. Velocidade alucinante com bases agressivas e brutais, onde as guitarras despejam riffs diretos. O vocal de Jamey Jasta segue a mesma linha de sempre, ou seja, intenso e agressivo. A variação com partes mais cadenciadas mostra o bom nível de composição da banda. Looking Down the Barrel of Today vem na seqüência e já começa com riffs fortes. O vocal nos remete diretamente á cena de Nova Iorque, pois traz aquele linha carregada de groove em algumas passagens. Mas os momentos velozes acabam se sobressaindo. Seven Enemies, pesada e cadenciada, é cheia de intensidade. Baixo e bateria ditam o ritmo, enquanto o vocal segue a linha HC/NY. As guitarras ganham destaque em In The Walls, pois os riffs são pesados e brutais. Mais uma vez, temos uma boa dose de velocidade por aqui. Em From Grace We've Fallen temos um andamento mais cadenciado, com as guitarras em destaque novamente. a dupla Frank Novinec e Wayne Lozinack está entrosada e coesa e isso fica evidente no que eles desenvolvem durante todo o álbum. Já Us Against Us, mesmo rápida e direta, mostra  atécnica e pegada do baterista Matt Byrne., que ao lado de Chris Bettie forma um acozinha pesada e agressiva.

                Something's Off inicia com um groove forte e as guitarras carregam uma doe extra de peso. Jamey Jasta varia um pouco seu vocal, mostrando que nem só de brutalidade se faz um vocal thrash/hardcore. Em Remember When a cozinha senta a mão. Que faixa pesada e insana! Alternando momentos velozes e outros mais cadenciados, a faixa é um dos destaques do álbum e tem as características que sempre permearam a carreira da banda. Slaughtered in Their Dreams tem linhas mais "melódicas" e traz solos muito legais, que alternam com os riffs mais diretos da faixa. The Apex Within traz backing vocals que logo de cara grudam na sua mente. Veloz e tipicamente hardcore, a faixa é envolvente. Escute e entenderá o que quero dizer. Walking the Knife traz guitarras mais amenas, mas o baixo e bateria se encarregam de pôr tudo no lugar, enquanto Jasta se dedica a entregar a fúria de sempre ás suas linhas vocais. Dissonance é mais uma daquelas faixas com forte ligação com o hardcore. E o encerramento com Serve Your Masters fecha de forma brilhante o trabalho, pois é uma faixa bem variada e muito intensa.

               O HATEBREED sempre foi um grupo que despertou interesse da maioria dos bangers por trazer uma mistura muito bem feita entre a agressividade do hardcore e o peso do thrash. neste excelente THE CONCRETE CONFESSIONAL, o grupo traz um ótimo trabalho de guitarras, uma dupla baixo/bateria pesados e brutais e o vocal de James Jasta que segue despejando fúria e intensidade. Sem dúvidas, um dos melhores trabalhos da banda!




             Sergiomar Menezes

quinta-feira, 21 de julho de 2016

BUSINESS WEEKEND - [P]ARADOX



                  A banda carioca BUSINESS WEEKEND surgiu em 2014, sendo uma sucessão da banda BWS85. Praticando um hardcore melódico, mas com uma pegada por vezes mais agressiva e em outras adotando uma linha um pouco mais progressiva, o grupo lança [P]ARADOX, de forma independente. Buscando novas perspectivas, o grupo acaba se diferenciando pelos vocais que alternam entre linhas limpas e outras quase guturais. Se em um primeiro momento isso soa um pouco estranho, acaba por dar ao quinteto uma identidade bastante forte, mostrando além da boa técnica dos músicos, composições que alternam entre a melodia e  a agressividade.

                  Composta hoje por Ray Phill (vocal), Júnior Ventura (guitarra), Nicholas Negreiro (guitarra), Fábio Kallel (baixo) e Thiago Gomes (bateria), a banda traz neste trabalho 12 músicas (contando com uma introdução) que mostram que a banda consegue dosar bem a agressividade e a melodia de suas composições sem se tornar confusa ou cansativa. Produzido pelo baterista Thiago Gomes, o álbum ficou com uma boa sonoridade, onde pode-se ouvir os instrumentos bem definidos e manteve o peso que acaba dando destaque ao trabalho.

                 A introdução Parmena antecede Nossos Ideais, faixa que de cara entrega aquilo que o grupo se propõe a fazer: muito peso e agressividade aliados a doses fortes de melodia. E o contraste dos vocais guturais e limpos, que são feitos pelo vocalista Ray Phill é algo bem interessante. As guitarras bem timbradas também se destacam. Nada Muda tem uma veia mais metal, com uma pegada forte da dupla Fábio e Thiago (baixo e bateria). Já a faixa título, [P]aradox, traz um belo trabalho de guitarras, onde a melodia se sobressai de forma eficiente, mas sem perder a agressividade, que é uma das marcas do trabalho do grupo. A faixa apresenta ainda uma linha mais atual, com toques "suaves" de metalcore. Haverá um Amanhecer Pt. 2 traz mais um excelente trabalho da cozinha, entrosada e coesa, enquanto as guitarras seguem despejando bons riffs. O contraste entre os vocais guturais e limpos feito por Ray Phill, por vezes soa um pouco estranho. Se por um lado traz mais agressividade ao som  quando o gutural entra em ação, por outro destoa um pouco nas partes mais melódicas. Ações e Palavras tem boa melodia, ficando num meio termo entre o que tem sido feito atualmente no cenário e o passado da banda.

                  Preço á Pagar é uma música mais intensa, com um clima mais denso e introspectivo. A faixa traz a participação de Caio César e opta por manter  em sua maior parte, os vocais limpos, o que acaba soando mais natural, ainda mais por tratar-se de uma faixa mais calma. Um belo solo se destaca aqui. Interlúdio nos deixa preparados para Me Escute, uma baixa pesada e com riffs variados. Palavras Ditas, na seqüência, é uma das melhores músicas do álbum. onde podemos ver que a banda possui versatilidade. Se os riffs alternam momentos agressivos e melódicos, a cozinha pega pesado e faz um excelente trabalho. Sua Visão segue a mesma linha, onde o vocal gutural aqui, funciona melhor. A faixa tem uma pegada mais hardcore, sendo que o grupo não nega suas raízes. O encerramento vem com Recomeço. Com bases bem estruturadas, a música fecha o trabalho fazendo um apanhado de tudo que o grupo apresentou neste bom álbum.

                  O BUSINESS WEEKEND é mais um bom nome no cenário nacional. Tendo por base o hardcore melódico, mas com uma pegada mais pesada e progressiva, o grupo mostra em [P]ARADOX que tem futuro.




                Sergiomar Menezes

quarta-feira, 20 de julho de 2016

KING BIRD - GOT NEWZ




                   Um Hard Rock cheio de peso, melodia e com muita classe. Bebendo direto na fonte dos anos 70 mas com uma roupagem bem atual. Dessa forma, o KING BIRD chega ao seu terceiro trabalho, o excelente GOT NEWZ. Na ativa desde 2002, o grupo já lançou dois álbuns ( Jaywalker - 2005 e Sunshine - 2008, além de dois EPs, The Gods Train - 2002 e Beyond the Rainbow - 2012), sempre explorando o que de melhor o clássico hard rock pode nos oferecer. após a saída do vocalista João Luiz, o grupo ficou um bom tempo sem gravar. Mas a espera valeu a pena. E muito! Got Newz talvez seja o melhor trabalho do grupo. Maduro e repleto de grandes composições, o álbum já pode ser considerado, um dos grandes discos deste ano. E vejam bem, a "concorrência" é grande...

                   O grupo formado por Ton Cremon (vocal), Silvio Lopes (guitarra), Fabio Cesar (baixo) e Marcelo Ladwig (bateria) traz neste trabalho, onze musicas onde o bom gosto e técnica dos músicos ficam evidentes.A produção ficou sob a responsabilidade de Henrique Baboom, que soube deixar os instrumentos nítidos, com uma timbragem adequada, mas sem fugir daquela atmosfera do Classic Rock 70's. As influências do grupo sempre foram bandas desta década, mas em nenhum momento a sonoridade da banda soa datada. Muito pelo contrário. Com uma pegada bem atual, isso acaba diferenciando o grupo neste disputado mercado. A capa do cd criada por Emerson Russo, ficou muito legal, pois informa que "tem novidade", trazendo uma foto do grupo em destaque.

                  O álbum abre com Immortal Rider. E de cara já percebemos que a entrada de Ton Cremon foi acertada, pois o vocalista esbanja técnica e muito feeling em sua interpretação. Silvio Lopes manda ver em riffs muito bem construídos, enquanto a cozinha composta por Fabio Cesar e Marcelo Ladwig capricham em bases pesadas e certeiras. E os backing vocals ficaram muito bem encaixados. Música perfeita para a abertura do álbum. Uma levada mais cadenciada e mais atual é o que temos em Break Away. Pesada e intensa, a música mostra uma bela variação na linha de composição da banda. E mais uma vez, o vocalista se destaca, pois sua voz atinge tons mais altos. E que belo solo! Years Gone By é uma daquelas típicas baladas que começam de forma amena, mas que ganham intensidade durante sua execução. Com um refrão cheio de melodia, a guitarra mostra que nem só de peso vive uma banda de hard rock. Back in Time tem uma roupagem mais anos 90, mas sem perder a identidade do grupo. Baixo/bateria pesados e marcados, além de riffs mais diretos e mais uma grande interpretação de Ton Cremon. Então temos aquele Rock n' Roll vigoroso e cheio de malícia em Gonna Rock You. Com destaque para o baixo, a composição prima pela melodia, enquanto os riffs de Silvio esbanjam categoria.

                  Freeze Frame My Life é uma balada que nos remete ao bom e velho blues. Um belo arranjo e mais um excelente solo. Daquelas de acender o isqueiro nos shows... (sim, sou dessa saudosa época...). Daybreak começa com aquele baixo pesado, enquanto a guitarra chega com riffs fortes. Com um dos melhores refrãos do álbum, a faixa gruda na mente. Isso prova que o grupo não se acomoda, criando linhas que apesar de técnicas, são de fácil assimilação. The Road You Ride tem guitarras fortes, enquanto o vocalista tem mais uma grande interpretação. E aqui, fica uma constatação. Por vezes, troca de integrantes em uma banda, podem causar mudanças, sejam elas boas ou más. Se esse integrante for o vocalista, sempre há esse receio. Mas o King Bird foi muito feliz nesta troca. Não que João Luiz ficasse aquém do esperado, mas Ton Cremon acaba explorando novos horizontes e com isso a banda ganha mais possibilidades. Doomsday é a faixa mais "metal" do cd, com uma levada pesada e cadenciada, a faixa ainda explora um pouco do hard rock dos anos 80. Em Smoke Signals, Marcelo Ladwig explora inhas mais variadas na bateria, enquanto a melodia traz uma atmosfera mais clássica. E o encerramento vem com Last Page, onde a banda mostra toda sua versatilidade. Uma faixa com variações, numa linha mais "natural", onde o vocal varia os tons de forma eficiente, buscando linhas mais altas.

                 Com o lançamento de GOT NEWZ, o grupo mostra que é um dos melhores do cenário nacional. Criatividade, técnica e qualidade em composições cheias de feeling. E é como a própria banda diz: " ...fique á vontade, aumente o volume de GOT NEWZ e tome uma gelada com o KING BIRD."




                Sergiomar Menezes
         
                 

terça-feira, 19 de julho de 2016

BLACKNING - ALIENATION



                 Difícil começar essa resenha sem fugir da obviedade. Então, sem muita enrolação: ALIENATION, segundo trabalho do trio BLACKNING, sem nenhuma dúvida, estará em todas as listas de melhores álbuns de 2016. Não há a menor possibilidade disso não acontecer. Se em seu primeiro petardo, Order of Chaos (2014), o grupo já mostrou que não estava para brincadeira, neste segundo, comprova que em matéria de Thrash Metal, a banda está no topo do cenário nacional. Riffs agressivos, ríspidos e mortais, baixo/bateria despejando doses cavalares de peso e muito bem trabalhados e um vocal que busca inspiração na escola alemã, mas que tem sua personalidade, fazem deste trabalho, algo que todo banger deve ter em sua coleção.

                 Cleber Orsioli (vocal e guitarra), Francisco Stanich (baixo e backing vocal) e Elvis Santos (bateria e backing vocal) gravaram o trabalho entre fevereiro e abril deste ano. O álbum foi produzido e mixado por Fabiano Penna (Rebaelliun) no El Diablo em São Paulo. Já a masterização ficou por conta de Neto Grous do Absolute Master. Ou seja, garantia total de qualidade. A sonoridade do trabalho ficou perfeita. Suja, pesada e intensa, mas ao mesmo tempo, clara e "limpa". O grupo ainda teve um cuidado especial na apresentação do álbum. Um belo digipack, sendo que a arte gráfica foi feita por Marcus Zerma, da Black Blague Design de Curitiba. Tudo realizado no Brasil. E o resultado, o conjunto da obra, ficou espetacular! Não bastasse todos esses detalhes, temos ainda  aparticipação de Lohy Silveira (Rebaelliun) nos vocais de uma faixa e de André Alves (Statues On Fire/Musica Diablo/Nitrominds) em outra.

                  Street Justice abre o trabalho como um soco na boca do estômago! Riffs fortes, base pesada e muita garra. Isso já nos mostra que o grupo segue aqui o que havia feito em seu trabalho de estréia. Thrash Metal sem nenhum tipo de invencionice. Daqueles pra quebrar o pescoço sem receio. A faixa possui um aboa variação em sua estrutura, sendo que o solo ficou muito bem encaixado. Brutalidade e agressivida é oq ue temos na segunda faixa, a velos Thru The Eyes. O vocal de Cleber apesar da influência do thrash alemão (mais cru e rasgado), tem personalidade e consegue transpassar á música toda a fúria que ela necessita. Mais um belo solo e bases cheias de "melodia" (leia-se melodia no que tange ao thrash). Mechanical Minds é daquelas faixas mais cadenciadas, pesadas e cheias de feeling, onde os músicos conseguem mostrar sua habilidade de forma direta. Grande trabalho da dupla Francisco e Elvis, que emprestam muito peso á composição. Dark Days segue essa linha, com ótimos riffs e muita agressividade nos vocais. Mesclando passagens mais velozes e outras mais marcadas, a faia acaba sendo um dos destaques do trabalho. A rifferama comanda Weapons of Intolerance. Que grande trabalho de guitarra! Além disso, a variação na composição, que alterna momentos mais trabalhados e outros onde a velocidade impera faz com que a banda mostre toda sua versatilidade.

                  Dyed in Blood inicia arrastada, com o baixo ditando o ritmo, mas logo em seguida ganha velocidade e intensidade. Um refrão forte e pesado, com guitarras que buscam variar entre a agressividade e a melodia, ganham um maior destaque nesta faixa. Devil's Child tem a participação de Lohy Silveira (Rebaelliun) e é uma típica faixa com a pegada thrash metal que nos remete ao que se fazia quando o estilo surgiu. Outro grande solo e muito bom gosto no encaixe dos backing vocals que não soam forçados. E Lohy traz consigo aquela veia mais brutal em seu vocal. The Rotten Institution traz riffs bem diretos e um trabalho de baixo e bateria que nos remete ao atual momento do estilo, que por vezes flerta com o hardcore. A guitarra novamente capricha em um solo inspirado e Elvis massacra a bateria de forma impiedosa. Em Two-Faced Liar o vocal de Cleber ganha contornos mais brutais, por vezes quase na linha death metal, enquanto os riffs seguem a escola thrash metal old school. O encerramento vem com Corporation, que conta coma  participação de André Alves (Statues On Fire), que também compôs a letra. E aqui, temos uma interessante incursão pelo Crossover, sem perder a característica central do grupo. Grande faixa de encerramento!

                  Com o trabalho de estréia, Order of Chaos, o BLACKNING dava mostras que tinha muito mais ainda a apresentar. E pode-se dizer que conseguiu seu intento com esse excelente ALIENATION. E, eu espero, que muito mais ainda esteja por vir. Fortíssimo candidato á um dos melhores álbuns do ano!



           Sergiomar Menezes

segunda-feira, 18 de julho de 2016

DEATH ANGEL - THE EVIL DIVIDE



                    Desde que o DEATH ANGEL voltou a lançar álbuns, com o bom The Art of Dying em 2004, os "prodígios" da Bay Area chegam ao seu quinto trabalho de estúdio. THE EVIL DIVIDE chega por aqui em mais uma bela iniciativa da Shinigami Records e fará a alegria dos amantes do thrash metal. Sem perder suas características, a banda soa bastante atual, mas isso não significa que o grupo resolveu amenizar e pasteurizar seu som. Pelo contrário. Os riffs mortais estão intactos, os vocais que são uma das marcas da banda também. E a cozinha segue dando aula de velocidade, brutalidade e peso. Enquanto maioria das bandas da cena lançam trabalhos até certo ponto acomodados, o Death Angel segue firme levando adiante a bandeira do Thrash Bay Area.

                    Formado hoje por Mark Osegueda (vocal), Rob Cavestany (guitarra e vocais), Ted Aguilar (guitarra), Damien Sisson (baixo) e Will Carroll (bateria), o grupo mostra nas dez faixas regulares do trabalho (a versão nacional conta ainda com um bônus track) que segue fazendo aquilo que sempre fez em sua carreira. Se alguns podem achar que não há aquela aura mágica que existia nos três primeiros e clássicos álbuns do grupo (The Ultra Violence - 1987, Frolic Through the Park - 1988 e Act III - 1990), o que eu particularmente, não acho, o mesmo não se pode dizer da qualidade e agressividade apresentada em todos os trabalhos lançados pós retorno. A banda conseguiu nestes cinco álbuns manter um excelente nível técnico e de qualidade nas composições. Produzido e mixado por Jason Suecof e por Rob Cavestany e masterizado por Ted Jensen que fizeram um grande trabalho. Tudo está no lugar certo, o que faz a audição, que jé seria essencial, se tornar obrigatória!

                   O início se dá com The Moth, uma paulada digna de faixa de abertura, com as guitarras de Rob Cavestany e Ted Aguilar despejando riffs certeiros, enquanto a dupla Damien Sisson e Will Carroll (baixo e bateria, respectivamente) capricham na velocidade  e no peso. Já Mark Osegueda... Bom, podemos dizer que o cara criou um estilo próprio e que quando abre a boca, já sabemos quem está cantando. Cause for Alarm possui uma urgência em seus riffs, que nos remetem aos áureos tempos do grupo. Uma verdadeira porrada na orelha! Solos muito bons se desenvolvem durante a  execução da faixa, o que nos mostra a diferença que faz um guitarrista que sabe o que está fazendo. O começo de Lost é pesado e cadenciado, daquelas faixas típicas do Death Angel ( me lembrou um pouco The Evil Incarnate do The Art of Dying - 2004, pela levada, não pelo arranjo) que sempre estão nos trabalhos do grupo. Father of Lies traz mais um excelente trabalho de guitarra. Agressivas e por vezes melódicas, a faia tem a cara do thrash metal que consagrou o grupo. E o pé na porta chega com a porrada Hell to Pay. Uma das mais velozes do trabalho, essa faixa tem que estar no set dos shows do grupo!

                  O baixo dá as cartas em It Can't Be This. Mais arrastada, mas detentora de riffs mortais, a faixa se destaca mostrando que em matéria de criatividade, o grupo segue sendo referência, pois mescla sua experiencia e versatilidade de forma sublime. Em Hatred United/United Hate temos a participação de Andreas Kisser. O brasileiro manda ver em um solo muto bom. E além disso, a música tem uma pegada mais atual, trazendo guitarras á frete, enquanto Mark Osegueda novamente mostra sua técnica, criando linhas vocais mais rasgadas e que "preenchem" a música de forma perfeita. Breakaway novamente tem em sua velocidade o destaque e mais uma vez, resgata a agressividade quase "juvenil" do início da carreira do grupo. Pra quem não lembra, quando foi formado, o integrante mais velho do grupo tinha 15 anos (!?). The Electric Cell tem um grande trabalho da dupla baixo/bateria, o que deixa o caminho pronto ara as guitarras seguirem despejando riffs e mais riffs e judiando de nosso pescoço. As faixas regulares se encerram com a ótima Let The Pieces Fall, onde mais uma vez, o grupo nos prova que o thrash corre nas veias dessa excelente banda! como bônus, temos um agrande versão para Wasteland, do grupo The Mission, que ficou com a cra do grupo e mesmo assim, manteve a característica original.

                 O Thrash Metal, aquele da Bay Area, é muito difícil de de ser encontrado hoje em dia. Muitas das bandas daquela época mudaram ou adaptaram o estilo aos tempos atuais. Já o DEATH ANGEL consegui atualizar sua sonoridade sem perder sua características. Guitarras cheias de riffs mortais, muito peso e vocais agressivos e diretos. Uma das melhores bandas daquela cena. É isso que temos em THE EVIL DIVIDE. Um dos grandes lançamentos de 2016!



         
           Sergiomar Menezes

               


APOKATHILOSIS - WHERE ANGELS FEAR TO TREAD




               Black Metal. Se formos aprofundar mais, poderíamos colocar "á moda antiga". Dessa forma, podemos classificar o som praticado peo grupo APOKATHILOSIS. Na realidade, o duo formado por dois brasileiros, foi formado em 2013 e está estabelecido na Irlanda, mas precisamente em Dublin e em 2015 lançou WHERE THE ANGELS FEAR TO TREAD, onde o resgate áquele black metal mais ríspido, cru e direto se mostra bastante evidente. Para os apreciadores desta vertente, temos aqui, algo que irá agradar em cheio.

              Formado por Felipe Roquini (vocal, guitarra, baixo) e Marttjn Rvbjn (guitarra) e tendo uma bateria programada (mas que passa batido, pois quase não dá para perceber isso), a dupla capricha num metal negro, denso, pesado e totalmente obscuro. Gravado e produzido por Felipe Rosquini no Advaita Studio em Dublin, o trabalho ficou com uma sonoridade perfeita para a proposta do grupo. Se por um lado não temos orquestrações, corais e "camas" de teclado, por outro temos toda a morbidez e agressividade do black metal clássico. Além disso, o álbum vem em um belo digipack e com uma bela rate gráfica.

            Contendo seis faixas, o álbum abre com Awaken Thee. Com uma linha bem tradicional, a música transpassa um clima de agonia e agressividade, trazendo riffs típicos do black metal, mas com variações bem estruturadas em sua composição. O vocal de Felipe é "rasgado", o que deixa a sonoridade mais ríspida. A faixa título, Where Angels Fear To Tread, tem um baixo bem destacado, Nada de passagens orquestradas, melódicas e sinfônicas. Apenas aquilo que consagrou o black metal como um estilo reto, duro e intenso. Ashes, a terceira faixa, é uma das melhores. Com guitarras que trazem certa influência do thrash metal, a faixa possui boas variações em sua estrutura, culminando com uma dose extra de brutalidade, principalmente nos vocais, que são carregados de ódio e fúria.

           E tome black metal cru é direto em To Die a Thousand Deaths. Apesar do estilo por vezes se tornar repetitivo, aqui, a  banda não deixa isso acontecer. Os riffs não se mostram cansativos e as linhas da bateria (mesmo que programada) tem qualidade. The Untameable Human Spirit possui uma atmosfera que em certos momentos, nos remetem ao death metal, mas não perdem o "jeito de ser" black metal do grupo. E com isso, se torna um dos destaques do trabalho. O encerramento vem com Synchronicity. Uma das faixas mais trabalhadas e bem arranjadas do trabalho. Guitarras á frente e muita agressividade encerram o álbum de forma eficiente.

          Como dito anteriormente, este trabalho vai agradar em cheio os apreciadores do metal negro. Um álbum guiado por guitarras sombrias e climas obscuros merece o reconhecido dentro da cena. Que mais trabalhos como esse possam vir do grupo APOKATHILOSIS.




    Sergiomar Menezes

GRAND MAGUS - SWORD SONGS



                   Os suecos do GRAND MAGUS vêm mantendo uma regularidade impressionante em seus último trabalhos. Em 2012, o grupo lançou o excelente The Hunt. Já em 2014, fomos apresentados ao espetacular Triumph and Power. E agora em 2016, nos chega, via Shinigami Records, esse fantástico SWORD SONGS. Se você pensou que o grupo se acomodaria com a repercussão de seus álbuns anteriores, esqueça. Forjando sua sonoridade no mais puro heavy metal, o grupo criou uma forte personalidade pois, se tornou fácil identificar sua sonoridade. E isso, poucas bandas conseguem.

                   Com uma pegada bem atual mas fortemente influenciado pelo heavy metal praticado na década de ouro do estilo, o grupo formado por JB Christoffersson (vocal e guitarra), Mats "Fox" Skinner (baixo e backing vocal) e Ludwig "Ludde" Witt (bateria) nos apresenta 9 faixas (a versão nacional possui ainda dois excelentes bônus tracks) cheias de excelentes riffs, bateria e baixo marcados e pesados, melodias muito bem estruturadas e um dos pontos fortes e de destaque nos trabalhos do grupo que são os refrãos. Impossível escutar qualquer uma das faixas e não ficar com um refrão na cabeça. O álbum foi produzido por Nico Elgstrand, mixado por Roberto Laghi e Masterizado por Svante Forsbäck. E esse trio deixou o trabalho com uma sonoridade perfeita. Pesada, intensa e dentro do padrão que o grupo já vem apresentando.

                  Os riffs pesados dão início á Freja's Choice, faixa de abertura. Muito bem trabalhada, a composição já mostra que o grupo veio com "sangue no zóio" e disposto a seguir sua jornada em prol do verdadeiro heavy metal. A melodia se alia ao peso e deixa a faixa com uma pegada direta. Já a segunda, Varangian, é daquelas que a gente escuta uma única vez e não esquece. Cadenciada, pesada e com um refrão fantástico (escute e me diga se não tenho razão), a faixa deve ser figura constante nos shows do grupo. Forged in Iron/Crowned in Steel (título bem sugestivo), começa suave mas logo me seguida vira um heavy metal de respeito. Rápida e contagiante, a faixa mantém a linha de ótimos refrãos que o grupo se tornou especialista em criar. Na seqüência, a épica Born for Battle (Black Dog of Brocéliande), mostra a versatilidade e capacidade criativa do grupo. Com variações e cheia de peso, a faixa acaba se destacando por sua levada mais cadenciada e pelos backing vocals muito bem encaixados. Aliás, esse também é um dos pontos fortes do Grand Magus, pois se formos ouvir com atenção, os backing vocals sempre estão no lugar certo na música, sem exageros.

                 Master of the Land tem linhas mais lentas, mas mostram o potencial de JB Christoffersson. Se por um lado, o guitarrista/vocalista despeja riffs totalmente heavy, sua voz foge da linha tão comum aos vocalistas do estilo. A cozinha da banda não fica atrás. Coesa e muito bem entrosada, a dupla Mats e Ludwig sentam a mão e dão ao grupo, uma base sólida e  consistente. Em Last One to Fall, temos novamente uma pegada mais rápida e bem composta, seguindo uma linha mais tradicional. Frost and Fire tem uma levada mais cadenciada e ótimas linhas de bateria. A instrumental Hugr é bastante introspectiva e curta e nos prepara para a intensa Every Day There's a Battle To Fight, que nos remete (mesmo que de forma simples), ao passado sonoro do grupo. As duas bônus presentes aqui são In For The Kill e Stormbringer. Enquanto a primeira tem a cara do grupo, com linhas bem tradicionais e uma guitarra cheia de feeling, a segunda é um cover personalíssimo dos mestres do Deep Purple, que ficou muito bacana, pois o grupo imprimiu sua personalidade sem deixar a música com uma outra cara.

                SWORD SONGS mantém  alinha que o GRAND MAGUS vem praticando em seus mais recentes trabalhos. Ou seja, excelentes músicas, riffs puramente heavy metal e muita quaidade! Que a siga destes suecos siga firme e forte na batalha diária de empunhar a bandeira do metal tradicional!



      Sergiomar Menezes
                 

terça-feira, 12 de julho de 2016

GAMMA RAY - LUST FOR LIVE (ANNIVERSARY EDITION)



             Dando seqüência ás comemorações de 25 anos de sua criação, o GAMMA RAY, segue recolocando no mercado edições especiais de seus primeiros trabalhos. Dessa vez, temos a edição especial de aniversário do ao vivo LUST FOR LIVE que chega por aqui, mais uma vez, via Shinigami Records. Na realidade, este ao vivo, originalmente havia sido lançado apenas em VHS e DVD, sendo que esta é a primeira ve que o trabalho surge no formato de cd. E podemos dizer que em boa hora, pois os fãs sempre aguardaram por este momento. Mesmo já tendo lançado outros trabalhos ao vivo, aqui temos os primórdios da banda.

            Formada á época por Ralph Scheepers (vocal), Kai Hansen (guitarra), Dirk Schlächter (guitarra e teclados), Jan Rubach (baixo) e Thomas Nack (bateria), a banda gravou o show realizado no Docks, em Hamburgo (Alemanha) em setembro de 1993. Após seus três primeiros álbuns ( Heading for Tomorrow - 1990, Sigh No More - 1991 e Insanity and Genius -1993), a banda resolveu que era o momento de registrar sua performance ao vivo. E o trabalhou serviu também como despedida do vocalista Ralph Scheepers, que pouco tempo depois formaria junto ao baixista Matt Sinner, outro grande nome do heavy metal alemão, o Primal Fear. A remasterização ficou por conta de Eike Freese e deixou tudo com uma sonoridade bem atual.

            Em mais de 80 minutos, temos o mais puro heavy metal, daqueles que só "insanos e gênios" como Kai Hansen sabem e podem fazer. Contendo clássicos do nível de Tribute to the Past, Space Eater (que grande música!), Insanity and Genius, The Storm e o fantástico medley com músicas do Helloween, I Want Out/Future World/Ride the Sky, o álbum traz dois bônus tracks: Dream Healer/Heading For Tomorrow e Gamma Ray. Uma banda afiada e que já vinha consolidando uma posição de destaque. É isso que podemos ouvir neste belo registro ao vivo.

           Com o lançamento de LUST FOR LIVE, o GAMMA RAY encerrava sua primeira fase em grande estilo. Se na época, só tínhamos a oportunidade de assistir, hoje podemos ouvir o trabalho com uma qualidade melhor, mas que mantém toda a aura daquela fase áurea do grupo alemão. Indicado á todo apreciador do bom e velho heavy metal!



       Sergiomar Menezes
           

segunda-feira, 11 de julho de 2016

ROADIE METAL - VOL.7



               E a coletânea ROADIE METAL chega ao seu sétimo volume. E apesar de todas as dificuldades, a Roadie Metal, na pessoa de um dos batalhadores do underground nacional, o brother Gleison Júnior, segue firme e forte, com seu intuito de divulgar grandes bandas do nosso underground, fazendo chegar a nação headbanger muitas bandas que não são ainda tão conhecidas no meio. De forma gratuita, nunca é demais ressaltar. Um trabalho de qualidade, duplo, com um encarte trazendo informações de todas as bandas participantes. E, não é nenhuma pretensão dizer que a coletânea é hoje, um dos principais projetos de divulgação do nosso underground!

               Desta vez, o trabalho traz nada mais nada menos do que 35 bandas que mantém um alto nível de qualidade. Claro que, por se tratar de uma compilação, algumas vezes a produção entre uma e outra faixa acaba tendo diferença, mas nada que possa vir a causar algum demérito ao cd. Como dito anteriormente, as bandas estão divididas em dois cds, sendo que temos 17 no primeiro e 8 no segundo. E na minha opinião, este é o melhor volume da coletânea (não desmerecendo os anteriores), pois os estilos estão muito bem distribuídos e de forma que prendem o ouvinte.

               Mesmo tendo uma regularidade entre as bandas, algumas acabam se destacando. E uma das coisas bacanas aqui e que sempre, além de bandas até certo ponto desconhecidas ou iniciantes, temos também bandas já conhecidas e de renome na cena. E isto mostra o nivelamento do nosso cenário de forma positiva.
           
               No primeiro cd, podemos destacar alguns nomes. Assim temos o grupo carioca SYREN, que pratica um heavy metal atual, numa linha da carreira solo de Bruce Dickinson, os paulistas do TROPA DE SHOCK e seu metal tradicional, os também paulistas do VÁLVERA com seu rock/heavy metal cantado em português, os catarinenses do HERYN DAE que praticam um heavy com características bem anos 80, o rock vigoroso dos paulistas do OVERHEAD, os baianos do BLESSED IN FIRE e seu power metal, o metal/hardcore dos cariocas do S.I.F., o metal moderno do cearense GRAVIS eo guitarrista carioca EDUARDO LIRA.

               No segundo cd, temos o grande VOODOOPRIEST, que dispensa apresentações, o thrash muito bem executado pelos cariocas do MONSTRACTOR, os também cariocas do FORKILL que também praticam um thrash agressivo, os paulistas do KRYOUR e seu death melódico com influências de metalcore, o death metal brutal dos cariocas do HANDSAW, a mistura de thrash/death/hardcore dos paulistas do DYING SILENCE, os mineiros do DEMOLITION e seu crossover na linha Suicidal Tendencies, o eficiente thrash dos também mineiros do DEADLINESS, o metal bem trabalhado dos sul matogressenses do HELLMOTZ, o rock "inclassificável" dos paulistas da MELANIE KLAIN, a pancadaria thrash/hardcore dos paulistas da DIOXINA, e a mistura interessante entre o thrash, o tradicional e um pouco de black metal dos gaúchos da SOUTH HAMMER (pena  aprodução não ajudar muito).

               Mais uma vez, é importante saudar esse projeto, seja pela forma gratuita de  distribuição seja pela divulgação do nosso underground, ou seja pela "simples" paixão pelo que se faz. Que muitas mais edições dessa fundamental coletânea possam vir pela frente trazendo o que de melhor o cenário do metal (e de seus subestilos) tem a oferecer. Longa vida á ROADIE METAL!




              Sergiomar Menezes

domingo, 10 de julho de 2016

GREY WOLF - GLORIOUS DEATH

 



             Sabe aquele heavy metal tradicional, com uma pegada bem típica dos anos 80? Se é isso que você procura, vai encontrar de forma bastante consistente no trabalho do grupo mineiro GREY WOLF. Fortemente influenciada por aquela cena mágica da década de ouro do heavy metal tradicional, o grupo traz em sua sonoridade muito do que bandas da NWOBHM praticavam, mas sem esquecer da cena alemã (mais acentuada em alguns momentos) o que por si só, já nos garante bons momentos no que tange ao estilo escolhido pela banda. GLORIOUS DEATH é o terceiro trabalho do grupo que iniciou as atividades em 2012. E que, mesmo com pouco tempo de estrada, mostra grande qualidade e competência em suas composições.

              O grupo é formado por Fabio "Grey Wolf" Paulinelli (vocal e baixo), Chris Maia (guitarra) e Weslley Victor (bateria) e resgata aquela aura que bandas como Iron Maiden, Grave Digger, Running Wild, Judas Priest e Omen perpetuaram em seus anos de glória. Com uma temática épica, voltada á guerreiros como Conan, o Bárbaro e a guerreira Sonja (quem não se lembra das memoráveis HQs?), o trabalho foi masterizado e mixado por Arthur Migotto, que fez um belo trabalho, deixando a sonoridade da banda perfeita. Se por um lado pode soar um tanto quanto datada, por outro nos revela a vontade e anseio do grupo em manter viva a chama do true heavy metal. A capa, que retrata um batalha sangrenta é obra de Nicolas Bournay. Cabe ressaltar a participação nos teclados de Yuri Fulone. Outro ponto importante é que a bateria foi gravada por Fabio Paulinelli, pois Wessley Victor juntou-se ao grupo após as gravações do álbum.

               A introdução Wrath of the Gods nos prepara para The Eyes of Medusa, uma faixa perfeita para a bertura do álbum. cadenciada, com guitarras cortantes e baixo e bateria bem marcados, a música mostra que o grupo respira o bom e velho heavy metal tradicional. A faixa título, Glorious Death, nos remete em um primeiro momento aos hinos grandiosos que o Running Wild compunha com maestria em anos anteriores, mas ganha intensidade e personalidade própria, principalmente quando os vocais de Fabio entram em ação. Na seqüência, uma das melhores faixas do cd. Metal Avenger tem bons riffs, além de um trabalho eficiente de baixo e bateria. Os solos também se destacam, pois aliam o lado mais cru do grupo com a melodia necessária ao andamento da composição. Um power metal vigoroso é o que temos em The Axe Will Rule the Kingdom (King Kull pt. 2). Aqui, mais um bom trabalho de guitarra, onde fica evidente o bom gosto na forma de composição da banda.

               The Barbarian é aquela faixa pra empunhar nossa "air guitar" ou então erguer o punho e cantar junto com a banda. Faixa perfeita pra pôs o torcicolo em dia. Em Conan, The Liberator temos uma pegada mais NWOBHM, onde a guitarra nos remete ao que Adrian Smith e Dave Murray sempre fizeram com perfeição na Donzela de Ferro. Uma das faixas de destaque, sem dúvidas. Warrior mantém essa linha, mas possui mais peso e intensidade que a faixa anterior. Red Sonja, homenagem á guerreira ruiva que mexia (e ainda mexe com a cabeça de muito "guerreiro" por aí...), também se  destaca, devido a garra que os músicos imprimem á música. E aqui fica uma constatação: fazer heavy metal tradicional, sem nenhum tipo de invencionice ou modernidade é só pra quem tem conhecimento de causa. E o GREY WOLF tem. O álbum se encerra com Cimmeria, que mostra a versatilidade do grupo, principalmente no arranjo da faixa.

              Os mineiros do GREY WOLF mostram que quando o assunto é o bom, velho e tradicional Heavy Metal, o Brasil também é celeiro de grandes nomes. Com pouco tempo de atividade, o grupo apresenta um trabalho forte e  consistente, dando mostra de que pode evoluir ainda mais, praticando esse estilo que é tão apreciado, não só pelos saudosistas, mas por todos fãs de heavy metal!



      Sergiomar Menezes

DYSNOMIA - PROSELYTE



   
                 O metal nacional nunca pára de me surpreender. É imensamente gratificante quando, por mais que a gente conheça a capacidade técnica e criativa das bandas brasileiras, recebemos trabalhos tão cheios de qualidade quanto este excelente PROSELYTE, primeiro full lenght do quarteto paulista DYSNOMIA. Praticando uma fusão brutal e agressiva entre o mais ríspido thrash metal e o mais mortal death metal, o grupo apresenta um trabalho primoroso nas oito faixas presentes aqui. Não apenas musicalmente, mas no conjunto da obra, pois a arte gráfica e o acabamento ficarm muito acima da média.

                 João Jorge (vocal e guitarra), Julio Cambi (guitarra), Denilson Sarvo (baixo) e Érik Robert (bateria) já haviam lançado em 2013 o EP As Chaos Descends e pode-se dizer sem medo de errar que a evolução do grupo foi bastante acentuada. Não que antes o grupo não mostrasse sua qualidade, mas aqui, podemos perceber toda a capacidade e versatilidade da banda. Arranjos muito bem executados, solos variados e técnicos, mas sem perder a aura agressiva presente no som do quarteto, uma cozinha muito, mas muito pesada (grandes responsáveis pelo peso absurdo que ouvimos no trabalho) e um vocal que dosa de maneira correta o feeling do thrash e a brutalidade do death. Produzido, mixado e masterizado por Gabriel do Vale no Nova Estúdio, o trabalho traz uma sonoridade limpa e ao mesmo tempo "suja", se é que me faço entender. Pode-se ouvir claramente todos os instrumentos sem que os mesmos soem "cristalinos", algo que poderia comprometer a brutalidade do som do grupo. A arte de capa ficou sob a responsabilidade do renomado Gustavo Sazes (Arch Enemy, Morbid Angel, entre outros).

                 Ascension dá início ao massacre sonoro. João Jorge transpassa em seu vocal toda a fúria que o estilo do grupo pede, enquanto as guitarras se encarregam de traduzir sua agressividade em riffs mortais. O duo baixo/bateria se encarrega de sentar a mão sem piedade, caprichando no peso. Palingenesis deixa isso ainda mais claro, pois os riffs tipicamente death encontram nas levadas thrash da cozinha um "contraste" que dá uma personalidade forte á banda. A faixa título, Proselyte motsra toda a influência do thrash metal no som do grupo. Se por um lado o peso da cozinha tem as características masi brutais do death, os vocais e guitarras aqui, mostram que a banda bebeu na mesma fonte que Kreator, Sepultura e outras também beberam. Spiralling Into Oblivion segue mostrando toda a versatilidade do grupo, pois alterna momentos mais "suaves" (detalhe para a perfeita execução dos solos) e passagens cheia s de agressividade.

              E por falar em versatilidade, o que dizer de Sisyphus? Uma faixa que começa "limpa" e vai ganhando peso em seu desenvolvimento, até descambar para a porradaria total, sem dó nem piedade do nosso pobre pescoço. Muito peso e densidade nesta faixa! Já em Begotten a linha mais tradicional do death metal se faz presente, principalmente pelas guitarras ( a dupla João Jorge e Júlio Cambi demonstram grande entrosamento). The Storm Arrives mantém essa liha, mesmo que os solos, por vezes mais melódicos, fujam um pouco da proposta mais brutal da faixa. O encerramento vem com Obsolete Humachinery. Uma faixa que condensa todas as características da banda, pois temos desde aquelas "paradinhas" mortais e típicas do estilo consagrado pela Bay Area como a velocidade que marca de forma direta a escola alemã. E sem esquecer do estilo mortal do início dos anos 90 na Florida.

             O grupo mostra que além da evolução apresentada em PROSELYTE, tem tudo para gravar seu nome no cenário do metal nacional. Se pensarmos que algumas bandas acabam por conquistar seu lugar ao sol apenas no esquema "tapinha nas costas", veremos que o DYSNOMIA não precisa disso. Capacidade técnica, criativa e muita energia sobram no trabalho do grupo. Forte candidato a estar entre os melhores trabalhos deste ano.
               



    Sergiomar Menezes

sábado, 9 de julho de 2016

DISCHARGE - END OF DAYS



               E a lenda do Punk/Hardcore está de volta! Após oito anos, os ingleses do DISCHARGE voltam á carga com END OF DAYS, petardo que sai por aqui via Shinigami Records. E tudo aquilo que esperamos da banda está lá. velocidade alucinante, guitarras pesadas (que influenciaram muita banda de metal mundo á fora) e um vocal furioso e ríspido como reza a cartilha do Hardcore. Se no início da carreira o grupo fez fama por criar um estilo, o D-Beat, com o passar do tempo, foi de certa forma, moldando sua sonoridade, Influências de heavy metal, thrash (que com toda certeza foi influenciado pelo estilo da banda e que hoje acaba por trazer seus traços ao grupo), crossover acabaram por se juntar ao estilo único do grupo, criando uma identidade única que, aos primeiros acordes, fica fácil perceber que é  abanda tocando.

               Atualmente formada por Jeff "J.J." Janiak (vocal, ex-Broken Bones), Anthony "Bones" Roberts (guitarra), Terence "Tezz" Roberts (guitarra, mas que já foi vocalista e baterista da banda em seus primórdios), Royston "Rainy" Wainwright (baixo) e David "Proper" Caution (bateria), a banda apresenta neste trabalho 15 faixas com a marca do seu hardcore característico. O álbum foi produzido por Dan Rowley e contando a mixagem realizada no The Abyss sob o comando do renomado Peter Tägtgren (Hypocrisy, Pain) e mixado por Jonas Kjellgren. Esse time deixou o trabalho perfeito, pois a sonoridade está crua, suja, pesada e agressiva. E para quem, como eu, cresceu ouvindo punk rock (tenho até hoje guardadas as fitas K7 contendo o clássico Hear Nothing See Nothing Say Nothing -1982 e a coletânea Protest and Survive -1992) é muito legal ouvir o grupo destruindo tudo neste novo trabalho.

               Os riffs nervosos de cara logo na primeira faixa já mostram o que teremos pela frente. New World Order é veloz, ríspida e brutal, sem nenhum tipo de enrolação. J.J. se mostra um vocalista adequado pra banda pois sua voz é bastante agressiva, sem deixar margem para críticas. Raped and Pillaged é totalmente hardcore, onde percebemos que as guitarras, apesar do estilo, estão muito bem entrosadas. A faixa título, End of Days, começa com uma pequena narrativa e logo em seguida, a velocidade toma de assalto nossos ouvidos enquanto nos deixamos contagiar pela energia contida nela. The Broken Law tem uma veia mais punk rock, como nos velhos tempos. E um dos diferenciais do Discharge são as guitarras que mais uma vez merecem destaque. Já em False Flag Entertainment a velha escola do hardcore "tosco" se faz presente. E de forma sensacional! é daquelas faixas pra arredar os móveis da sala e sair chutando tudo! Meet Your Maker mantém essa linha, sempre com o pé no acelerador. Hatebomb segue o massacre sonoro, sem nenhuma pausa para respirar.

              It Can't Happen Here tem um início que nos leva a crer que ouviremos uma das faixas mais cadenciadas e carregadas de peso, mas não é isso que acontece. Apesar do peso, a velocidade impera de forma violenta pelo restante da faixa. Já Infected tem mais essa característica, com uma levada de baixo e bateria que deixa  a faixa marcada, com solos de guitarra muito bem encaixados. Killing Yourself to Live traz novamente a pegada do punk rock old school sem abrir mão do peso das guitarras. Looking at Pictures of Genocide mantém essa pegada e aposta em muita "sujeira" nas bases. Hung Drawn and Quartered é agressiva e brutal, lembrando por vezes aquele hardcore NY, fazendo da faixa um dos destaques do trabalho. Population Control também tem essa linha de execução, enquanto The Terror Alert volta suas atenções ao que o cenário thrash metal aprendeu com esses ingleses. Accessories By Molotov (pt. 2) encerra a aula de violência e brutalidade do quinteto de forma grandiosa.

              END OF DAYS vem para comprovar, não apenas a importância histórica do DISCHARGE para o cenário punk/hardcore ( e pro heavy metal também, porquê não?), como também para mostrar que o grupo segue sendo relevante e muito influente para o momento atual do estilo, Esse álbum mostra também que o grupo tem ainda muito a oferecer. Que venham mais petardos nessa linha!



             
       Sergiomar Menezes