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segunda-feira, 23 de maio de 2016

W.A.S.P. - BABYLON



            Após a "volta ás origens" iniciada no trabalho anterior ( Dominator - 2007), o W.A.S.P. seguiu pelo mesmo caminho e em 2009, colocou no mercado BABYLON, que tem seu relançamento feito por aqui via Shinigami Records. Mantendo a mesma formação, o grupo manteve a mesma pegada e conseguiu superar o belo trabalho que já havia realizado no álbum anterior. Aquele hard n' heavy tão característico do grupo, estava de volta e em uma grande fase novamente!

           Blackie Lawless (vocal, guitarra e teclados), Doug Blair (guitarra), Mike Duda (baixo) e Mike Dupke (bateria), mantiveram a linha que fez que o grupo voltasse a ser visto novamente com outros olhos em Dominator. E para isso, algo que no trabalho anterior já podia ser notado e que aqui se mostra mais ainda, a presença de Doug Blair na guitarra trouxe novo ânimo ao velho Lawless. Dono de boa técnica e muito feeling, o guitarrista fez com que aquela aura que fez do W.A.S.P. um dos principais grupos da cena Hard n' Heavy, voltasse. Com a produção sob o comando de Blackie Lawless e com a mixagem e masterização de Logan Mader, a sonoridade mais uma vez ficou perfeita, pois como no trabalho anterior, quem mais sabe a forma correta que o grupo deve soar? Cabe ressaltar que  todas as faixas foram compostas por Lawless (exceção feita aos dois covers presentes).

           A abertura com Crazy é aquela típica faixa de abertura dos trabalhos do grupo. Guitarras melódicas e bem timbradas, uma levada de baixo e bateria no melhor estilo hard n' heavy e os vocais característicos do mestre Blackie Lawless. O refrão, como sempre, uma das marcas da banda é daqueles que a gente ouve uma vez e já sai cantando! As guitarras predominam em Live To Die Another Day. Linhas melódicas mas com uma pegada mais direta e uma cozinha entrosada e mais uma vez, um grande refrão. Doug Blair mostra classe e bom gosto em um belo solo. Já Babylon's Burning é uma das melhores faixas desta "nova" fase do W.A.S.P. Um vocal mais rasgado, por vezes mais "raivoso", uma estrutura que alinha de forma perfeita o peso do heavy co aquela linha mais melódica do hard. E que solo espetacular! Uma faixa histórica para o grupo! Na seqüência, o primeiro cover do trabalho. Trata-se  de Burn, do Deep Purple. Presente no homônimo álbum do grupo inglês, lançado em 1974. Ficando com a cara do W.A.S.P., a faixa se encaixou bem na proposta do disco.

         A balada Into the Fire vem para dar uma acalmada nos ânimos. Bem estruturada, a faixa tem uma boa linha de guitarra, onde Doug Blair consegue de forma precisa, interpretar as linhas criadas por Lawless. As guitarras voltam a predominar na rápida Thunder Red. O vocal de Lawless se mostra ainda eficiente, pois por vezes, se faz necessário uma forma mais agressiva de cantar nessa faixa, e o "velhinho" segura numa boa. Seas of Fire tem uma cara mais atual. Baixo e bateria pesados e diretos, mas bem trabalhados e  guitarras cheias de melodia. Em Godless Run, Blackie dá um show de interpretação, haja visto a complexidade da faixa. Uma balada que exige por parte do vovalista, muita concentração e talento. Mais uma vez, Doug Blair esbanja categoria em solos técnicos e cheios de feeling. O encerramento vem com mais um cover. Promised Land, de Chuck Berry. Rock n' Roll na veia, direto, sem firulas. Excelente escolha para encerrar um trabalho que mantém um alto nível em suas composições durante toda a sua execução.

       Após Dominator, o W.A.S.P. seguiu a linha adotada anteriormente e conseguiu lançar um trabalho superior ao seu antecessor. BABYLON tem tudo aquilo que um fã do grupo espera encontrar. Músicos gabaritados, talento e músicas com a cara da banda.




         Sergiomar Menezes
           

segunda-feira, 16 de maio de 2016

AXECUTER - ANTHOLOGY



              Antes de mais nada é preciso esclarecer o seguinte: não espere encontrar neste cd, músicas com uma sonoridade moderna, atual. com influências industriais, arranjos pomposos, orquestrações, corais épicos. Não, aqui não tem nada disso. O que encontramos em ANTHOLOGY, lançado pela banda AXECUTER só pode ser definido de uma forma: Heavy Metal! Simples, direto e sem frescuras. Sem fazer nenhum tipo de concessão, o grupo traz uma coletânea de músicas lançadas anteriormente em vários formatos (vinil, k7, entre outros) de forma a completar o que já havia iniciado com seu primeiro trabalho, lançado em 2013 e intitulado Metal Invincible (precisa de mais alguma explicação?)

             Atualmente o grupo é formado por Danmented (guitarra e vocal), Rascal (baixo) e Vigo (bateria). Como aqui, as músicas abrangem várias épocas, algumas foram gravadas por outros integrantes. Surgido nas garagens, entre uma cerveja e outra, amigos decidiram formar uma banda, mas que resgatasse a sonoridade de grupos clássicos, da fase áurea do metal (leia-se anos 80). Por se tratar de uma coletânea, não há uma uniformidade nas gravações, pois como dito anteriormente, trata-se de um compilado de músicas já gravadas pela banda em outros formatos. Mas se a produção não é das mais sofisticadas, a energia e paixão que brota de cada riff, cada batida e cada vocal rasgado, compensa de forma brilhante.

             Bangers Prevail abre o cd já causando forte impacto. Riffs sujos, bateria veloz  ebaixo pulsante. A cara do metal '80. Um speed metal cheio de garra e energia, com um refrão pra bradar junto! The Axecuter tem uma atmosfera mais pesada, lembrando um pouco o que as bandas alemãs faziam naquela época (mas nem pensem em Helloween e adjacentes, o lance aqui é bem mais sujo e veloz). Ritual of Decibels é mais cadenciada, mas mantém o clima "true" sem perder a pegada. Em seguida, o primeiro cover (são quatro no total). Dominios of Death, vem para homenagear um dos grandes nomes do metal nacional, o Vulcano. Imprimindo sua personalidade, o grupo paga um belo tributo, não modificando a faixa em sua essência. Já em Innocence Is Our Excuse, temos de volta aquela veia old school, com forte influência da NWOBHM. Não á toa, o título da faixa. Blades of The Run tem riffs pesados, e uma cozinha que não fica atrás. Perfeita para aquela "air guitar", a faixa é um convite ao headbanging.

            Heavy Metal to The World é um cover do grupo americano Manilla Road e contou com a participação e benção do próprio Mark Shelton, autor da música. E ficou bastante adequada a todo o conceito que envolve o Axecuter. Na seqüência, temos duas faixas que já haviam aparecido. The Axecuter e Ritual of Decibels, mas aqui com uma qualidade de gravação um pouco inferior ás anteriores. E tome mais speed metal em Raise the Axe. Um dos grandes destaques do trabalho, a faixa é daquelas que deixa todo headbanger orgulhoso. Riffs diretos, bateria veloz e baixo "gordo". Sem muito mais á acrescentar. O encerramento vem com mais dois covers. O primeiro para a música Blackened Are The Priests, do Venom e que contou com a participação de Tony Dolan (The Demolition Man) e de Jeff Dunn (Mantas). E a segunda, para a música Blood and Iron, do Cirith Ungol, que ainda não havia sido lançada e aparece de forma inédita aqui.

           Como o Press release da banda diz, o AXECUTER foi criado por headbangers incuráveis que vivem o Heavy Metal diariamente. Sem se prender ás tendências atuais e longe de tudo que envolver a palavra "moda", o grupo mostra honestidade, personalidade e aquilo que falta pra muitos dentro do cenário atual: paixão pelo Heavy Metal!



        Sergiomar Menezes

RHAPSODY OF FIRE - INTO THE LEGEND



            Os quatro primeiros trabalhos dos italianos RHAPSODY OF FIRE ( não sei quanto á vocês, mas eu continuo chamando o grupo apenas de RHAPSODY) consolidaram a carreira do grupo, conquistando fãs ao redor do mundo com seu Power Metal Sinfônico, cheio de referências á trilhas sonoras que nos colocavam, mentalmente, em meio a batalhas épicas e medievais. Mas depois disso, o grupo parece ter meio que perdido o rumo. Não que tenha lançado trabalhos ruins, mas muitos deles, ficaram abaixo do esperado. Muitos creditam isso á saída do guitarrista Luca Turilli, um dos responsáveis pelas composições juntamente com o tecladista Alex Staropoli. Poderia até ser. Mas este INTO THE LEGEND, que chega por aqui via Shinigami Records, faz com que essa teoria caia por terra.

            Fabio Lione (vocal), Roberto De Micheli (guitarra), Alessandro Sala (baixo), Alex Staropoli (teclado) e Alex Holzwarth (bateria) retomam de certa forma, a atmosfera que os primeiros álbuns possuíam. Belas orquestrações, arranjos grandiosos, corais épicos, belas melodias vocais ( Fabio Lione se sai muito, mas muito melhor á frente do Rhapsody of Fire do que no Angra) e depois de muito tempo, linhas de guitarra que soam fortes, não ficam escondidas atrás do teclado de Alex Staropoli. No trabalho anterior, Dark Wings of Steel (2013) , o grupo já ensaiava esse "retorno ás raízes", mas aqui, podemos dizer com clareza que os bons tempos de "Rage of the Winter", "Emerald Sword" e Holy Thunderforce" estão de volta! Podemos perceber que Alex Holzwarth está mais solto, usando novamente de sua técnica, que é bastante apurada. Por outro lado, Roberto De Micheli faz um grande trabalho, pois também é possível afirmar que a saída de Luca Turilli foi benéfica ao grupo. Se analisarmos friamente, os trabalhos que o ex-guitarrista da banda vem apresentando, ficam bem aquém do o Rhapsody of Fire vem fazendo.

         A introdução (na verdade, a faixa é bem mais que uma simples introdução) In Princípio nos prepara para uma das melhores faixas do álbum. Distant Sky traz aquelas harmonias características da banda. E já podemos perceber a participação efetiva do guitarrista Roberto De Micheli que aparece com bases e solos bem estruturados. Lione, não é preciso dizer, continua esbanjando técnica e nesse estilo, é sem dúvida, um dos melhores vocalistas. O refrão resgata os bons momentos do grupo. Grandioso e épico, vem com corais que encaixam perfeitamente. A faixa título, Into The Legend, tem uma grande performance do baterista Alex Holzwarth que encontra em Alessandro Sala ( que se juntou ao grupo em 2015), um companheiro de grande técnica. Os vocais mais "raivosos" de Lione contrastam aos arranjos orquestrado compostos por Alex Staopoli. Mais um grande refrão! Winters Rain tem guitarras que num primeiro momento, surgem com uma sonoridade mais moderna. MAs logo, o teclado de Alex Staropoli volta  anos lembrar que estamos ouvindo uma das melhores bandas de power metal sinfônico. Mais cadenciada, a faixa é uma das mais pesadas do trabalho (pesado em relação ao que o Rhapsody of Fire faz, que fique claro).

        A Voice in The Cold Wind tem belas harmonias, que em certos momentos nos remete ao que o grupo sabe fazer com maestria. Corais épicos, uma bela melodia composta por Staropoli ao teclado e um show de Lione, mais uma vez. Valley of the Shadows tem uma pegada mais metal. As linhas  de guitarra encontram o teclado de forma correta, sem nenhum ter maior destaque. Pesada e densa, a faixa conta com passagens cantadas em italiano, o que cria um clima bem interessante. Já Shinning Star é uma bela composição, onde Lione mostra toda sua versatilidade. Uma "balada" em tons épicos, se é que podemos assim dizer. Realms Of Light traz o power metal do grupo de volta, com uma variação dentro da própria composição, que traz corais líricos. O arranjo desta faixa foi muito bem elaborado e executado com perfeição! Rage of Darkness segue essa mesma direção. Isso prova que o grupo nos últimos tempos parecia perdido, poi aqui, as composições, além de ter um direcionamento definido, possuem ótima qualidade. O encerramento vem com a épica The Kiss of Light, mostrando grandiosidade dos arranjos, variação e versatilidade na composição, e muita inspiração. Um encerramento em grande estilo, como nos bons e velhos tempos.

       Com o lançamento de INTO THE LEGEND, o RHAPSODY OF FIRE volta á velha fórmula e qualidade que conquistou muitos fãs em seus primeiros trabalhos. Trabalhando em composições grandiosas, cheias de melodias épicas e contando com músicos de extrema técnica, o grupo reaproxima aqueles que deixaram o grupo um pouco de lado em seus últimos álbuns. E também, pode angariar novos fãs, o que, tendo por base a ótima aceitação que este trabalho vem tendo, ocorrerá de forma certa.



         Sergiomar Menezes

domingo, 15 de maio de 2016

OMEN - HAMMER DAMAGE



               Formada em 1983, Los Angeles (EUA), pelo guitarrista Kenny Powell, a banda OMEN lançou seu primeiro trabalho em 1984. Battle Cry é considerado, para muitos apreciadores do heavy metal tradicional, um dos clássicos do estilo naquela época. Não diferente, seu sucessor, Warning of Danger (1985) manteve a qualidade e transformou a banda em um dos principais nomes do power/speed metal daquele período. Depois disso, o grupo lançou mais dois trabalhos e se manteve afastado da cena. Em 1996, após algumas mudanças de formação, o grupo retorna e vem lançando trabalhos, mas em uma freqüência um tanto quanto irregular. Mas o que ouvimos em HAMMER DAMAGE, que foi lançado pela Pure Steel Records, é aquele metal bem característico, cheirando á anos 80, mas com uma pegada mais atual.

            Composta hoje por Kevin Goocher (vocal - Phantom X), Kenny Powell (guitarra), Andy Hass (baixo) e Steve Wittig (bateria - membro original que havia deixado o grupo em 1987, mas que retornou ao seu posto em 2012), a banda chega agora em 2016 ao seu sétimo trabalho de estúdio. O vocal de Kevin Goocher lembra um pouco o de Udo Dirkscheneider em certos momentos, mas possui uma veia mais na linha do metal americano. Kenny Powell segue criando bons riffs, enquanto a cozinha trata de imprimir uma boa dose  de peso ao som do grupo. A produção, apesar de tentar resgatar a sonoridade dos gloriosos anos 80, acaba pecando, pois deixa o som um tanto quanto "defasado", mas não impede que as composições repassem sua força e energia. E a  capa, merece destaque! Que belo trabalho, resgatando a atmosfera e clima das capas clássicas do grupo.

           O trabalho tem início com a faixa título. Hammer Damage tem uma pegada típica, buscando trazer aquela sonoridade que é peculiar ao grupo. A guitarra diat o ritmo, despejando bons riffs, enquanto a dupla Andy e Steve (baixo e bateria), se encarregam de criar uma base sólida. O vocal cheio de personalidade de Kevin mostra que a escolha foi acertada. Chaco Canyon (Sun Dagger) tem uma levada mais cadenciada, bem marcada. É daquelas faixas que a "air guitar" surge e que nos faz cerrar os punhos! Apesar disso, a faixa possui momentos mais amenos, que acabam fazendo com que a composição acabe passando um pouco do ponto. Já Cry Havoc é puro Speed/power metal, como só as bandas old school sabem fazer. As guitarras trazem aquelas harmonias cheias de punch, enquanto o vocal imprime sua personalidade. A épica Eulogy for a Warrior poderia ter ficado melhor, pois as linhas e arranjos ficaram bons, mas faltou alguma coisa, Talvez uma maior dose de peso. As "espadas" surgem em Knights, que tem em sua execução o que faltou na faixa interior. Uma composição com a cara do "true" heavy metal americano!

          Hellas mantem a aura épica, se transformando em uma boa faixa que transita pelo speed metal sem esquece da harmonia do power metal. E esse mesmo power metal segue firme e forte em Caligula. Uma faixa cheia de variações e boas melodias, que mostra o nível técnico dos músicos de forma clara. Os backing vocals no refrão também ficaram bem encaixados. Era of Crisis tem belas melodias na guitarra. Com uma pegada bem "heavy", o trabalho do baterista Steve Wiggit se destaca, não sem também citar o bom trabalho do baixista Andy Hass.  O encerramento vem com a pesada e muito bem estruturada A.F.U. Uma faixa instrumental onde os músicos provam toda sua versatilidade em uma linha mais trabalhada. Os solos de Kenny Powell se destacam. Uma pena que a faixa acaba abruptamente.

         Mesmo longe dos holofotes, o grupo lança um trabalho relevante, 13 anos após seu último trabalho de estúdio. HAMMER DAMAGE pode e deve recolocar o OMEN como um dos grandes nomes do heavy/power metal americano. Uma banda que, mesmo resgatando suas características dos áureos tempos, sabe ser atual sem se vender ou perder sua personalidade.



          Sergiomar Menezes

quinta-feira, 12 de maio de 2016

DARKSHIP - WE ARE LOST



             Em um primeiro momento, a impressão que temos é que estamos diante de mais uma banda de metal sinfônico com vocal feminino. Mas a banda gaúcha DARKSHIP apresenta muito mais do que isso em seu trabalho de estréia. WE ARE LOST traz, segundo a própria banda, um Electro Modern Metal. Para situar melhor o leitor, o grupo pratica uma mistura bem interessante de heavy metal tradicional, prog metal, power e gothic metal, mas com toques "modernos", trazendo também a influência do sinfônico com toques de música eletrônica. ficou confuso? Em um primeiro momento, pode parecer. Mas o grupo consegue passar sua mensagem de forma bastante convincente, transformando toda essa "mistura", em uma sonoridade técnica e agradável aos ouvidos.

           Formado por Silvia Cristina Schneider Knob (vocal), Joel Milani (vocal), Ismael Borsoi (guitarra), Rodrigo Schafer (bass), Andrei Kunzler (teclado) e Joel Pagliarini (bateria), o grupo completa 6 anos de existência agora em 2016.  Procurando não se prender á rótulos pré-estabelecidos, tem em suas composições uma gama muito grande de influências, trazendo até mesmo elementos do pop ao seu som. A produção ficou boa, pois se não está extremamente polida, também não ficou suja, deixando os instrumentos com uma sonoridade limpa e direta. A capa também é bonita. Uma pena que no encarte não conste as informações a respeito de ambos.

          O álbum abre com The Universe Conspires, uma introdução narrada que prepara o ouvinte para  a primeira faixa, Black Tears. Uma bela faixa que traz influências do metal tradicional. Os vocais que são divididos entre Joel e Silvia são o destaque, pois além de fugirem daquela linha "beauty and beast", forma um contraste interessante, pois ambos possuem timbres diferenciados. I Can Wait For You também mantém a pegada mais tradicional, mas já traz elementos que se aproximam do gothic. O teclado de Andrei Kunzler aparece de forma mais ampla e dá um toque mais sinfônico á composição. Aquele toque mais eletrônico se faz presente em Different Days. A bonita voz de Silvia se destaca, pois o clima introspectivo do início da faixa proporciona á vocalista desenvolver um belo trabalho. Já Joel acaba trazendo em certos momentos, passagens mais agressivas, quase guturais. A guitarra de Ismael Borsoi surge mais destacada em We Are Lost, que possui um andamento próximo do prog metal. Também cabe ressaltar a performance da dupla Rodrigo Schafer e Joel pagliarini (baixo/bateria), que demonstram um bom entrosamento.

           O power metal surge em Prison of Dreams. Uma levada bem trabalhada e os vocais de Silvia, que não seguem aquela linha extremamente lírica, merecem destaque. Sua voz é suave mas sabe ser forte quando necessário. II Hearts vem na seqüência e traz a atmosfera do gothic metal á tona. Apesar do belo arranjo, falta alguma coisa a faixa. talvez uma guitarra mais pesada. Já You Can Go Back é uma bela balada. O teclado faz uma bela base para a bonita interpretação de Joel Milani. Eternal Pain faz um mix entre o lado mais eletrônico do grupo e o metal tradicional. E com isso, a versatilidade e técnica dos integrantes fica bem latente, pois saber dosar de forma correta esses estilos sem criar um monstro, é pra quem sabe o que está fazendo. E esse é o caso da banda. O álbum se encerra com Frozen Feelings. Uma faixa mais acessível (mas nem por isso de qualidade inferior) e que possui video clipe.

          Sem se prender á rótulos, o DARKSHIP faz sua estréia e mostra que tem muito potencial. Se seguir essa linha, os próximos trabalhos tendem a colocar a banda entre os destaques do cenário nacional. Seja no gothic metal, no metal sinfônico ou no seu Electro Modern Metal, o grupo provou sua qualidade em composições bem arranjadas e muito bem executadas. E isso, só agrega virtudes ao seu trabalho.



        Sergiomar Menezes

WOSLOM - A NEAR LIFE EXPERIENCE



            Impossível que este novo trabalho do WOSLOM não esteja em todas as listas de melhores do ano. Não existe a menor possibilidade disso! Que disco meus amigos! THRASH METAL com letras garrafais mesmo! Tudo aquilo que nós, amantes do thrash esperamos encontrar em um disco do estilo está presente em A NEAR LIFE EXPERIENCE, que chega ás lojas via Shinigami Records. Guitarras pesadas e agressivas, bateria por vezes veloz, por vezes mais cadenciada, baixo potente, vocal sem frescuras e muita, muita inspiração. Sabe aquele cd que quando termina você vai lá e coloca no Repeat? Este é um deles!

           Silvano Aguilera (vocal e guitarra), Rafael Iak (guitarra), André G. Mellado (baixo) e Fernando Oster (bateria) conseguiram de forma sublime superior o trabalho anterior Evolustruction (2013), que já era muito bom. Mas agora o grupo soube adicionar de forma mais direta o seu poderoso thrash metal. Com uma produção (feita pela própria banda) que soube evidenciar essa característica e deixou tudo em seu lugar, o grupo caprichou em composições que possuem muito do que se fez e faz na Bay Area, mas de uma forma totalmente própria. Mixado por Danilo Pozzani e masterizado por Neto Grous no Absolute Master, o nível ficou excelente. A capa também não foge á essa levada, pois se repararmos com atenção, detalhes inseridos de forma sutil aparecem. Dê um a olhada com atenção que você descobre...

           Abrindo o massacre com Underworld of Agression, o grupo faz uma pequena introdução com guitarras "sabbáthicas", que nos preparam para riffs agressivos e uma pegada que mistura uma linha mais old school com uma outra mais voltada aos dias atuais. Bateria massacrante apoiada por um baixo pesado e guitarras cortantes, já dão uma amostra do que teremos pela frente. A faixa título, A Near Life Experience, tem mais de 8 minutos, mas posso garantir que passa tão rápida que quando você perceber, já acabou. Cheia de punch, as guitarras despejam riffs mas também capricham em solos inspirados. O vocal de Silvano se diferencia, pois se não soa tão rasgado e agressivo, também não fica naquela linha mais melódica e limpa, com uma personalidade forte. E o refrão também se destaca. Brokenbones entra com os dois pés na porta! Não á toa, o nome da faixa, é uma porrada sem dó em nossos tímpanos e pescoço! Já Lapses of Sin, traz um grande trabalho da dupla André e Fernando (baixo e bateria, respectivamente), enquanto as guitarras de Silvano e Rafael esbanjam categoria em riffs e solos. E o vocal consegue transpassar a energia que a faixa pede. Um dos grandes destaques do álbum! Com um arranjo bem elaborado, Redemption tem uma levada mais cadenciada. É daquelas faixas que todo grande disco de thrash possui. Com riffs pesados e baixo e bateria muito bem entrosados, a faixa mostra que nem só de velocidade um bom grupo do estilo vive. E diga-se de passagem, tem que ter qualidade pra fazer isso não é mesmo? E aqui, tem de sobra!

          Unleash Your Violence tem aquelas famosas paradinhas... E que riffs! Com variações entre partes mais cadenciadas e outras mais rápidas, a faixa possui um solo muito bem composto e encaixado, o que acaba se destacando. Um início guiado pelas guitarras nos prepara para mais uma faixa matadora. Lords of War tem um vocal que por vezes soa mais pesado (gutural) e um refrão mais "na manha", a faixa mostra a versatilidade do grupo em suas composições. Total Speed Thrash é uma ode ao estilo, com todas as características que vem fazendo a alegria dos thrashers ao redor do mundo ao longo desses anos. E pra encerrar, o grupo mais uma vez homenageia um banda nacional. Dessa vez, o Bywar, com a faixa Thrasher's Return, presente no álbum Invincible War de 2002. E se a faixa já era legal, com a "cara" do Woslom, ela ficou ainda melhor! Imprimindo sua personalidade, o grupo fechou o álbum da mesma forma que iniciou: destruindo tudo!

         Muito se fala que o metal nacional anda mal, que as bandas daqui não tem boa qualidade, entre tantas outras besteiras. Afirmações essas proferidas por quem não conhece nada do que se faz no cenário brasileiro. E o WOSLOM só vem a confirmar o erro cometido por essas pessoas. A NEAR LIFE EXPERIENCE não só é um grande trabalho, como está muito á frente do que grandes "medalhões" do estilo vem apresentando nos últimos anos. Não só estará presente em todas as listas de melhores do ano de 2016, como também é candidatíssimo ao MELHOR álbum deste ano!


   Sergiomar Menezes

terça-feira, 10 de maio de 2016

CAVERA - UNFIT FOR RATIONAL CONSUMPTION



                 Apostando em uma sonoridade repleta de influências atuais, o grupo CAVERA da cidade de Carlos Barbosa (RS), chega com UNFIT FOR RATIONAL CONSUMPTION. Um trabalho onde o thrash metal encontra uma forte dose de groove, além de trazer uma sonoridade moderna. Num primeiro momento, podemos fazer um comparativo com o System of a Down, mas os gaúchos injetam uma maior dose de peso, onde as guitarras usam de uma timbragem mais "suja". Com um instrumental bastante técnico, o grupo mostra boas composições aliadas á arranjos muito bem estruturados.

                Rodrigo Rossi (vocal e guitarra), Catiano Alves da Silva (guitarra, backing vocal), Leandro Mantovani (baixo, backing vocal) e Emerson Luiz dos Santos (bateria) fazem um som que tem groove, peso, velocidade e muita quebradeira. Viradas surgem do nada, mas se encaixam na sonoridade da banda que sabe dosar bem essa virtude. A produção do álbum ficou sob o comando de Ernani Savaris e ficou boa, apesar de que poderia ficar um pouco mais "polida", devido á forte gama de influências do grupo, mas não comprometeu o resultado. A arte gráfica ficou muito bonita, pois traz á tona um pouca da "loucura" que o grupo apresenta em suas composições.

               Collision abre o álbum como se fosse uma introdução e um convite ao que teremos pela frente. Creatures vem pesada e carregada de groove, mostrando a técnica apurada da dupla Leandro e Emerson (baixo e bateria respectivamente). As guitarras trazem o timbre mais sujo, mostrando conexão com o que temos hoje em dia. Já o vocal, por vezes nos lembra o de Serj Tankian (System of a Down), mas possui maior desenvoltura. Em Mental Killer, a quebradeira já começa ditando o ritmo, enquanto as guitarras despejam bons riffs. Variando entre momentos mais "suaves" e a insanidade, a faixa tem bom desempenho. Controlled By The Hands é uma faixa mais brutal, mas que mantém o groove característico que permeia o trabalho. Sem muitas firulas, a faixa é mais direta, mas possui variações interessantes. Little General  é outra que traz muita variação e tem uma bela performance de bateria, e mostra um vocal que por vezes soa gutural causando um contrate interessante. Glistening Lips é mais marcada, com um ritmo mais cadenciado e tem uma "sujeira" que dá um toque mais pesado á composição.

                Seven é conduzida por mais uma grande performance da cozinha. Aliás, o peso que emana do trabalho tem nesse setor seu grande responsável. Em Snuff Box, o baixo cheio de groove se destaca, enquanto as guitarras despejam riffs sujos. Essa talvez seja a faixa que mais guarda semelhança com o que se faz hoje em dia, principalmente se tivermos como referência o System of a Down (uma das grandes influências do grupo). Time To Die apresenta riffs mais diretos, mas sem esquecer das quebradas de ritmo e do baixo "gordo", que dá uma personalidade própria ao grupo. Calhordas, apesar do nome em português, é cantada em inglês e é um soco direto na boca do estômago. Unnamed Pills tem um ar mais caótico, usando de quebradas e levadas um pouco destoantes do que a música pede. More Lies é uma das melhores faixas, pois sintetiza bem a proposta do grupo. Agressiva, pesada, grooveada, numa linha bem moderna. E o encerramento vem com La Strega Rossa/Senza Cura, cantada em italiano e que ganhou uma atmosfera bem diferente em virtude disso.

               Uma das únicas coisas que poderia ter sido melhor utilizada é a duração do CD. São 13 faixas e em certos momentos, a audição pode ficar cansativa. Mas não causa demérito ao trabalho, até porquê a qualidade apresentada aqui é muito boa. UNFIT RATIONAL FOR CONSUMPTION é um álbum que pode mudar o pensamento daqueles que pensam que o momento atual do metal considerado "mais moderno" segue uma certa mesmice. O CAVERA vem provar que não é assim a história e que ele é a prova viva de que o estilo tem muito a oferecer!


      Sergiomar Menezes

domingo, 1 de maio de 2016

FLESHGOD APOCALYPSE - KING



            Grandioso. Com essa palavra, podemos de forma direta, resumir o que os italianos do FLESHGOD APOCALYPSE apresentam no seu quarto e mais recente trabalho, o sensacional KING. Trazendo a brutalidade do metal extremo aliada á classe e sofisticação do metal sinfônico, o grupo mostra muita competência e talento de sobra. Chegando por aqui via Shinigami Records/Nuclear Blast, o álbum mostra que em um cenário que não apresenta muitas inovações e novidades, um novo sopro de criatividade vem com esse grupo que tem entre suas características, a ousadia.

            Com qualidade e muita categoria, o grupo formado por Tommaso Ricardi (vocal e guitarra), Cristiano Trionfera (guitarra), Paolo Rossi (Baixo e vocais limpos), Francesco Paoli (bateria, guitarra e vocal) e Francesco Ferrini (piano e arranjos orquestrais), apresenta um metal extremo brutal mas ao mesmo tempo alinhado com as belas orquestrações elaboradas, criando arranjos que rompem a barreira dos rótulos pré-concebidos. As variações entre os vacais, que vão desde o gutural á vocais limpos e melódicos merecem destaque, pois trazem nesse contexto, a criatividade do grupo. A produção ajudou bastante, pois como a sonoridade do grupo é bastante complexa, deixou os instrumentos limpos e cristalinos. Produção essa que ficou sob a responsabilidade de Marco "Cinghio" Mastrobuono e a mixagem e masterização foi feita por Jens Bogren. Destaque também para a bonita arte gráfica. O grupo conta ainda com os vocais operísticos de Veronica Bordachinni, que aliás, canta muito!

           KING trata-se de um álbum conceitual. Suas faixas possuem ligação, o que torna o trabalho bastante atraente, pois a temática cria uma atmosfera densa e forte. A abertura com Marche Royale, serve de introdução para a espetacular In Aeternum, onde podemos em apenas uma música, perceber a grandiosidade do que o grupo pretende desenvolver durante todo o cd. Muitas variações em sua execução, mas que não soam forçadas nem fora de lugar, aliadas ao peso das guitarras e aos arranjos, tornam a faixa um dos destaques do trabalho. Healing Through War possui um cadncia marcial. Pesada, dando destaque a cozinha do grupo, os guturais de Tommaso Ricardi "rasgam"  a^faixa com energia. O teclado inicial de The Fool pode até enanar os desavisados. Mas temos aqui mais uma aula de brutalidade. A orquestração criada por Francesco Ferrini serve de base para a agressividade proporcionada pelas guitarras de Cristiano e Tommaso. Já os vocais limpos de Paolo Rossi (esse nome não traz boas recordações futebolísticas á nós brasileiros...), apesar de não serem novidade no meio, entram de forma precisa e contrastam aos guturais. Em Cold as Perfection temos riffs mais "suaves", tendo na bateria de Francesco Paoli o destaque. Em Mitra, o metal extremo comanda as ações. A rispidez e agressividade da faixa se sobressai em relação as orquestrações de forma direta, mostrando que o grupo sabe o que faz.

        A bela Paramour (Die Leidenschaft Bringt Leiden), traz uma grande interpretação de Veronica Bordachinni, que dá um brilho especial a faixa, composta ao piano. And The Vulture Beholds, traz a brutalidade de volta, mas não deixa de lados os arranjos orquestrados. Uma composição muito bem estruturada e que tem um clima mais sombrio que é cortado pela voz limpa de Paolo. Já em Gravity, baixo e bateria ganham destaque, tamanho é o peso proporcionado pela competente cozinha do grupo. A Million Deaths conta com belos arranjos  que ganham a companhia de riffs pesados e intensos. Os vocais guturais também merecem destaque, pois soam nítidos sem perder a agressividade. Em Syphilis, Tommaso ganha a companhia de Verônica na divisão dos vocais, o que dá um clima mais sombrio a faixa que por si só já vinha carregada de intensidade e dramaticidade. O encerramento vem com King, uma faixa instrumental, executada ao piano.

        O FLESHGOD APOCALYPSE nos traz uma sonoridade inovadora e ao mesmo tempo difícil de ser assimilada logo num primeiro momento. Aliás, nós que gostamos de heavy metal, não costumamos ter a mente mais aberta do mundo. Mas ao escutarmos um trabalho da qualidade e magnitude apresentadas em KING, com certeza, mudaremos de opinião. Criatividade e talento, aliados a brutalidade e as belas orquestrações sinfônicas, fazem deste álbum, um sopro de renovação no metal extremo. Escute sem preconceito e você entenderá o que estou dizendo!



       Sergiomar Menezes