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sexta-feira, 15 de abril de 2016

CIRCLE II CIRCLE - REIGN OF DARKNESS



              Zak Stevens é um grande vocalista. Não bastasse o excelente trabalho realizado por ele quando estava á frente do Savatage, o músico mostrou que após a dissolução da banda, ele ainda tinha muito o que oferecer. E o sétimo álbum do CIRCLE II CIRCLE vem a comprovar (se é que ainda é preciso) tal fato. REIGN OF DARKNESS chega ao Brasil via Shinigami Records e traz a sonoridade característica do grupo, ou seja, muito do Zak fazia no Savatage mas com uma pegada mais moderna. Um pouco mais sombrio do que os trabalhos anteriores do grupo, o CD traz os vocais sempre eficientes, guitarras que alinham a melodia e o peso sem perder a identidade, baixo e bateria muito bem entrosados e pesados.

             Além de Zak, o grupo hoje conta com Christian Wentz (guitarra/backing vocal), o brasileiro Bill Hudson (guitarra), Mitch Stewart (baixo/backing vocal), Henning Wanner (teclados/backing vocal) e o também brasileiro Marcelo Moreira (bateria). Um excelente time de músicos que demonstram coesão e muita técnica. Este álbum é o trabalho mais pesado lançado pelo grupo. Uma atmosfera densa e sombria, uma ligação direta ao título do trabalho, é o que temos em praticamente todas as composições. Produzido pelo guitarrista Christian Wentz, o CD foi mixado por Ron Keeler e masterizado por ninguém mais, ninguém menos do que James Murphy. E esse trio deixou o som muito bom, além de ter um cuidado nos arranjos, que ficaram bem interessantes. A arte gráfica ficou sob a responsabilidade do brasileiro João Duarte que vem fazendo muitos (e bons) trabalhos recentemente.

            Over-Underture inicia o trabalho é não é apenas uma introdução. A faixa instrumental, que possui uma bela melodia conduzida pelo teclado, já dá mostra do teremos pela frente, com as guitarras pesadas. Victim of The Night, na seqüência, tem um início que nos remete aos saudosos tempos do Savatage, mas ganha contornos mais atuais, nos riffs de guitarra. A bateria se destaca pela levada pesada. Zak está antando como sempre. Sem cometer exageros, o vocalista sabe como poucos utilizar sua voz de forma correta. Untold Dreams possui linhas interessantes e um refrão simples, mas eficiente. As guitarras tem uma participação direta aqui, ois guiam a faia com riffs e solos muito bem estruturados. O heavy metal vem forte em It's All Over. Pesada, a faixa traz uma excelente performance da dupla baixo/bateria. As guitarras seguem despejando riffs pesados. Mais peso é o que encontramos em One More Day. Um prog/power consistente, com um belo solo. Os backing vocals no refrão ficaram bem encaixados.

            Ghost of The Devil tem um clima denso. Sombria, a faixa carrega consigo uma atmosfera introspectiva. As guitarras se encarregam de demonstrar isso, enquanto o teclado cria linhas que conduzem a melodia. Em seguida, Somewhere, uma faixa bem "moderna", com uma sonoridade bem atual, mas que traz consigo, a pegada heavy metal do grupo. Já Deep Within tem um começo mais suave, calmo, mas em seguida, as guitarras tratam de colocar o peso em destaque. A dupla Christian Wentz e Bill Hudson tem uma sintonia perfeita, seja nas bases, seja nos solos. Taken Away segue essa inha, com mais um grande trabalho do baterista Marcelo Moreira que encontra no baixista Mitch Stewart um parceiro habilidoso e técnico. E o tecladista Henning Wanner, executa suas linhas muito bem! Sinister Love também possui uma roupagem mais atual, principalmente nos timbres das guitarras que, novamente, soam bastante pesadas. Solitary Rain encerra o trabalho. Uma balada com uma bela melodia, termina o álbum de forma suave, contrastando com o peso que permeou a execução de todo o trabalho.

         Neste sétimo trabalho, o CIRCLE II CIRCLE segue mostrando que sua música serve não apenas para saciar a sede dos fãs de Savatage. Uma sonoridade mais atual, com guitarras pesadas, baixo e bateria entrosadas e técnicos, melodias bem elaboradas e executadas pelos teclados e um excelente vocalista comprovam isso mais uma vez. REIGN OF DARKNESS é mais um belo trabalho na vitoriosa carreira do grupo.




           Sergiomar Menezes


quinta-feira, 14 de abril de 2016

THE GOTHS - THE DEATH

 

                 Uma das maiores dificuldades que a gente que escreve sobre rock, e mais precisamente sobre heavy metal, tem, é "encaixar" a sonoridade de algumas bandas em determinado estilo. Só que isso também acaba sendo uma das coisas mais legais, pois assim, percebemos que as bandas investem em sua própria personalidade. Claro, não há nada de errado em se focar em um estilo determinado. Muito pelo contrário. Mas é bacana quando nos deparamos com trabalhos como THE DEATH, álbum de estréia da banda THE GOTHS, de Campinas (SP). O grupo traz heavy, thrash, hard e até mesmo passagens mais pop em seu som, mas seu perder sua personalidade.

                 Formada por Felipe Disselli (vocal e guitarra), Felipe Hervoso (guitarra), Will Costa (baixo) e Lucas Disselli (bateria), a banda, nas gravações do álbum, contou com os trabalhos de Fabio Ferrucio no baixo e de Bruno Gusman nas guitarras. Investindo numa sonoridade que traz influências de várias vertentes, mas com uma maior intensidade do metal tradicional, o grupo traz neste seu debut, 8 composições, onde podemos perceber algumas coisas. As guitarras tem muito de Metallica, baixo e bateria possuem a pegada que é comum ás bandas de metal, enquanto muitas melodias encontram no hard rock forte embasamento. O vocal tem bom alcance e consegue transitar entre essa "mistura" sem ficar perdido. Ponto para a banda! Gravado, mixado e masterizado no Soul Mix Studios e com produção de Renato Napty, THE DEATH mostra uma boa banda entrosada e coesa e que pode alçar vôos mais altos.

                Iniciando com a faixa título, The Death, já percebemos a pegada pesada da cozinha, fortemente influenciada pela NWOBHM (Iron Maiden á frente). Um heavy com um ritmo marcado e guitarras com a timbragem correta são a tônica da composição. O vocal de Felipe mostra versatilidade, enquanto o solo, bem estruturado, merece destaque. A pesada Killing Your Fate e traz bons riffs. Seguindo a linha do metal tradicional, pesada e com solos inspirados. Já Kingdom of Sorrow retrata a veia hard do grupo. Tanto na levada da cozinha quanto na "malícia", a faixa tem em sua estrutura aquela cara hard, mas tendendo pro que é praticado na Europa. Exceção feita ás guitarras, que tem no hard americano sua levada. Waiting For Changes é uma balada ( mais uma vez, o grupo mostra a variação em suas composições) que também nos remete ao hard, mas que em seu refrão, ganha um contorno mais pesado, principalmente pelas guitarras.

                Me... My Own Enemy também enverada pelos lados do hard. E o grupo tem a manha, pois a faixa não soa repetitiva, fazendo dentro dela própria uma linha melódica e pesada ao mesmo tempo. E esse peso deve ser creditado as guitarras "metallicas"(!?) que criam bases e solos muito bem estruturados. Strange Way of Living tem um início suave, introspetivo, mas ganha peso nos riffs de guitarra e na dupla de baixo/bateria que, cabe ressaltar, fez um belo trabalho no álbum. Em Nightmares In Your Head, temos uma sonoridade mais atual, moderno, caprichando no peso, mas ao mesmo tempo, utilizando a melodia como aliada durante sua execução. O encerramento vem com Too Late. Pesada, a faixa me lembrou o Metallica pós Black Album (Load/Reload para ser mais preciso). Por ser tratar de uma faixa mais "agressiva", achei o que vocal poderia ter acompanhado essa proposta, mas da forma como ficou, não trouxe demérito algum.

                O THE GOTHS trouxe em seu trabalho de estréia, boas composições. E principalmente, soube dosar e usar de forma correta suas influências. Assim, deu a sua sonoridade uma personalidade própria, com características que passeiam por vários estilos sem se prender á nenhum. THE DEATH é um CD que merece reconhecimento e além disso, respeito!



      Sergiomar Menezes

terça-feira, 12 de abril de 2016

RADIOACTIVE MURDER - VIOLENT FORCE (EP)



               Na maioria da vezes, a capa de um álbum, nos entrega o estilo adotado pela banda em questão. Claro que existem exceções. Mas geralmente, isso acaba acontecendo. E, confirmando a regra, o RADIOCTIVE MURDER, de Florianópolis, Santa Catarina, lançou em 2014 o EP VIOLENT FORCE, que vem a corroborar isso. Impossível ver essa capa e não associar á um thrash metal old school, violento e com algumas pitadas de death metal. Com forte influência da cena alemã (Kreator e destruction á frente),  mas também de bandas que praticam um thrash mais atual (Toxic Holocaust, Municipal Waste, entre outros), a banda passa seu recado de forma consistente.

               Formada em 2012,  a banda é composta por Lucas Alucinatör (vocal), Adrain Arruda (guitarra), André Barreto (baixo) e Anderson Vieira (bateria). Com uma produção correta, que soube manter o peso e sujeira necessários ao estilo (mas que poderia ser um pouquinho mais caprichada), o grupo traz neste EP de estréia, 5 composições onde podemos notar que o thrash corre na veia dos integrantes. Guitarras sujas e pesadas, um baixo forte (com aquela sonoridade "gorda") e bateria alucinada, caracterizam o som praticado pelo bom grupo catarinense.

               Only Death abre o trabalho com uma pegada pesada e suja. O vocal de Lucas se destaca pois ele consegue cantar de forma mais rasgada e por vezes, de forma gutural. Um misto de thrash/death. A guitarra de Adrian solta riffs sujos, enquanto o baixo de André carrega no peso, deixando a baterista de Anderson sentar a mão em passagens mais trabalhadas. Além da brutalidade, vale destacar a boa técnica dos músicos. Violent Force é mais direta e mostra um Lucas "alucinado"! Por vezes lembrando o vocal do velho Schmier (Destruction), o vocalista transpassa muita fúria nesta faixa. A guitarra novamente imprime uma dose de riffs pesados e agressivos. O baixo comanda Bringer of Hate. Com uma pegada que tem muito do thrash mais old school, a faixa possui um instrumental mais trabalhado. Aqui o vocal de Lucas ganha entornos de death metal, principalmente pelo gutural do refrão. Beer, sintomática faixa, possui uma levada que nos remete as bandas de hoje, mas que mantêm a aura oitentista em seu som. Curta e direta, o refrão, apesar de simples, gruda na mente! A última música do trabalho, Thrash, Beer and Destruction, não só pelo título, me lembrou um pouco o que o Tankard faz com maestria. e pode resumir bem o ue faz o grupo. Um thrash agressivo, direto e eficiente!

              Pelas informações que pesquisei, o RADIOACTIVE MURDER dedicou o ano de 2015 á novas composições e em breve, agora em 2016 deve lançar um novo trabalho, dessa vez, um full lenght. Que mantenham essa pegada!



    Sergiomar Menezes

segunda-feira, 11 de abril de 2016

DEEP PURPLE - ... TO THE RISING SUN IN TOKYO (CD/DVD)



               Eis que o "complemento" do trabalho anterior da lenda DEEP PURPLE chega ao mercado. Intitulado ...TO THE RISING SUN IN TOKYO, este novo álbum é uma espécie de continuação do ao vivo anterior, FROM THE SETTING SUN... IN WACKEN. Contando com praticamente o mesmo setlist, a apresentações e deu no lendário Budokan em Tóquio, onde foram gravadas algumas partes do também lendário Made In Japan. Lançado por aqui pela Shinigami Records, o trabalho pode ser encontrado em CD duplo ou em DVD. Ambos, com excelente qualidade, assim como foi o lançamento anterior. Gravado no dia 12 de Abril de 2014, o show tem tudo aquilo que o fã da banda e amante do rock clássico do grupo esperam: música de qualidade!

              Como dito anteriormente, um setlist muito parecido ao do trabalho anterior é o que temos aqui. Ainda em divulgação do seu último álbum, o excelente Now What?!, de 2013, o grupo esbanja técnico e bom gosto, dosando de forma correto o set, trazendo clássicos que se misturam á músicas mais recentes. Tudo isso, amparados pela receptividade do público japonês, que, se não é um dos mais empolgados no quesito interação, demostra respeito e veneração pela banda.

             Falar o quê sobre esses "jovens" senhores, que continuam levando sua música aos quatro cantos do mundo (daí a sacada dos títulos, From The Setting Sun  ...To The Rising Sun), e seguem lançando bons trabalhos? Músicos excepcionais, importantíssimos na história do rock. Mas o mestre Ian Gillan... Se no trabalho anterior, Gillan já não estava 100%, neste gravado um ano depois, o vocalista dá mais uma vez, mostras de que sua brilhante carreira está se aproximando do fim. Detentor de uma das vozes mais marcantes e inspiradoras do mundo do rock/hard/heavy, Ian Gillan se mostra por vezes cansado. Mas nem por isso, deixa que o nível da apresentação caia. Afinal, estamos falando do Silver Voice, e mesmo nestas condições, Gillan coloca certos vocalistas no bolso.

            Aprés Vous, faixa de Now What?!, abre o show, que segue com o desfile habitual de clássicos. Strange kind of Woman, The Mule, Lazy, Perfect Strangers, Space Truckin', Smoke on the Water, Hush, Black Night... Grandes músicas que se mesclam a canções mais novas, como a excelente Vincent Price, Uncommon Man, Above and Beyond e Hell To Pay, todas do mais recente disco. Todas executadas com maestria! No DVD podemos perceber o quanto a banda está alegre em estar tocando, mesmo depois de tanto tempo de carreira. Quando pensamos que algumas bandas, que com muito menos estrada, ficam colocando empecilhos para tocar em alguns locais, vemos que o mundo realmente mudou...

           ... TO THE RISING SUN IN TOKYO, mostra mais uma vez que, classe, bom gosto e técnica sempre andaram lado a lado quando o assunto é DEEP PURPLE. Assim, como o trabalho anterior, obrigatório ao fã da boa música!



          Sergiomar Menezes

quinta-feira, 7 de abril de 2016

PHORNAX - SILENT WAR (EP)



                  Um Heavy Metal bastante técnico e pesado. Assim podemos, de forma objetiva, definir a sonoridade do grupo gaúcho PHORNAX. Formada em 2009, a banda surgiu com o intuito de não ser apenas mais uma banda de metal, e sim, de proporcionar ao público, um som pesado, moderno e trabalhado. Com influências de nomes consagrados mas com uma veia mais atual, o grupo consegue passar essa sensação ao ouvirmos o EP SILENT WAR. São cinco faixas (incluindo uma introdução) que comprovam a qualidade do heavy metal praticado no Rio Grande do Sul e por extensão, no nosso tão mal tratado Brasil.

                 Formada por Cristiano Poschi (vocal), Thiago Prandini (guitarra), Ederson Prado (baixo - que não está mais no grupo) e Mauricio Dariva (bateria), a banda tem como destaque  e diferencial, o peso, que em alguns momentos, me lembrou um pouco a fase de Ripper Owens no Judas Priest (instrumentalmente falando). A produção foi feita pelo guitarrista Thiago e pela própria banda. Gravado no ADG Studios e no Hurricane Studios em Porto Alegre, o trabalho foi mixado e masterizado por Sebastian Carsin, o que já é garantia de qualidade. A capa bem como toda a arte gráfica foi trabalho de João Duarte. Guitarras bem timbradas e uma cozinha coesa e generosamente pesada encontram no vocal de Cristiano, que possui um timbre não tão comum ao que vemos na maioria das bandas, um equilíbrio correto.

                 Após a introdução Smell Of Death, Silent War começa com um trabalho de baixo/bateria bem intenso, onde a guitarra vem com riffs pesados, além de solos que, mesmo possuindo melodia, não atrapalham a agressividade da composição. O vocal, como dito anteriormente, tem uma boa variação, usando seu timbre diferenciado á seu favor. Agressividade, uma atmosfera densa e pesada e ao mesmo tempo, técnica e melódica, Dare Of Destruction vem na seqüência e mantém a pegada metal mais atual em alta. Nesta faixa, podemos perceber certa influência de thrash metal no som do grupo, principalmente na guitarra de Thiago. A base estrutural da cozinha também revela uma veia mais moderna. Ghosts From The Past  segue essa mesma linha, com um refrão mais melódico, sem perder o nexo de brutalidade (dentro do metal tradicional) que o grupo apresenta em todo o EP. O encerramento vem com Final Beat. Mais uma faixa bem explorada pela banda, pois a técnica dos músicos fica evidente, haja visto que o arranjo mostra bem a versatilidade na linha de composição da banda, mas mantém a tradição do metal tradicional como centro.

                  Ficamos no aguardo do que o PHORNAX nos apresentará, pois a julgar pela qualidade apresentada nesta estréia em SILENT WAR, podemos esperar mais heavy metal de qualidade. Mais uma boa banda que o Rio Grande do Sul nos apresenta.



              Sergiomar Menezes

LOST SOCIETY - BRAINDEAD



                Com apenas seis anos de atividades, os finlandeses do LOST SOCIETY chegam de forma bastante rápida ao seu terceiro trabalho. BRAINDEAD chega ao Brasil via Shinigami Records e mostra uma banda que, de certa forma, resolve mexer no "time que estava ganhando". Se nos álbuns Fast Loud Death (2013) e Terror Hungry (2014) o thrash metal focado na escola antiga predominava, aqui temos músicas mais variadas, fugindo um pouco da fórmula que vinha dando certo. Isso prova que a banda não se acomoda ou se prende ás limitações que por vezes acabam sendo impostas, seja pelo estilo praticado, seja pela pressão dos fãs. Mas também, significa que ela resolveu correr riscos, ao "amadurecer" musicalmente. Antes de mais nada, ponto para a banda. Afinal, ninguém melhor do que ela mesma para saber que direção seguir não é mesmo? E BRAINDEAD é um álbum que, se não tem o brilho dos anteriores, não fica muito atrás não.

               Sammy Elbana (vocal), Arttu Lesonen (guitarra), Mirko Lehtinen (baixo) e Ossi Paananen (bateria), apesar da pouca idade, já excursionaram com grandes nomes do cenário. Slayer, Anthrax, Overkill. Nomes fundamentais. Com isso, podemos comprovar o bom nome que a banda goza entre os bangers. O Quarteto finlandês entrou no Sonic Pump Studios, em Helsinque na Finlândia sob o comando do produtor Nino Laurenne (guitarrista do Thunderstone), Tuomas Yli-Jaskari, Miiro Varjus e do próprio baixista Mirko Lehtinen. A mixagem foi feita também por Nino Laurene. Já a masterização, recebeu o trabalho de Svante Forsbäck. Esse time soube dão ao álbum uma boa sonoridade, evidenciando a qualidade dos músicos, com timbragens corretas e uma cara mais atual, sem esquecer o clima "old school".

               Abrindo o trabalho, I Am The Antidote. Uma faixa que de cara, já foge do que comumente é adotado pelas bandas do estilo. Fora do speed metal característico do grupo, a faia possui peso e tem uma levada arrastada cadenciada. A guitarra ganha destaque, pois além dos riffs pesados, manda ver no solo que ficou muito bem encaixado. Sem dúvida, um dos grandes destaques do trabalho. A música também ganhou um video clipe. Na seqüência, Riot, com bons riffs, tem uma levada mais moderna. Os vocais de Sammy aqui, mesmo despejando sua fúria, recebem ares que nos remetem ao hip hop (!?), mas se encaixam bem na levada da música. Cabe ressaltar que o peso continua a ditar o ritmo. Mad Torture tem um belo solo e tem mais  a cara "antiga da banda", com as guitarras é frente. Curta e direta, é um convite ao mosh! Hollow Eyes traz novamente um ritmo mais marcado, cadenciado. Os riffs seguem se destacando, mas o baixista Mirko merece destaque nessa faixa, demonstrando um bom entrosamento com a bateria de Ossi Paananen.

              O thrash metal volta a comer solto em Rage Me Up. Bem como em Hangover Activator. São faixas que resgatam um pouco da sonoridade dos primeiros trabalhos. Enquanto na primeira temos bons riffs e peso, na segunda, a "correria" entra com tudo. Em Only (My) Death is Certainly tem guitarras melódicas. Sim, melodias mais "limpas" são a tônica da faixa. Mesmo com o vocal de Sammy sendo bastante ríspido em sua execução, a faixa possui um refrão com linhas melódicas (para o som da banda, logicamente). A banda encerra o track list regular com P.S.T. 88, cover do Pantera, presente em Power Metal, lançado em 1988. se nao ficou de grande destaque, pelo menos serviu como homenagem ao grande grupo norte americano. Como bônus na versão lançada por aqui, temos Terror Hungry (Californian Easy Listening Version), numa versão competamente diferente, irreconhecível até. E também uma faixa ao vivo, Overdosed Brain, presente em Terror Hungry, segundo trabalho do grupo.

             Mesmo com um novo direcionamento (mas que mantém a essência do som da banda), o LOST SOCIETY fez um bom trabalho em BRAINDEAD. A fúria das guitarras, os vocais irados, a eficiente cozinha, continuam lá, apenas lapidadas. Cabe aos fãs aprovar ou não esta nova fase. Eu, particularmente, curti. Seja pela inovação, seja pela coragem de buscar novos caminhos. Mais um bom trabalhos desses moleques finlandeses.


     Sergiomar Menezes

quarta-feira, 6 de abril de 2016

REBAELLIUN - THE HELL'S DECREES



            Um dos maiores nomes do Death Metal brasileiro está de volta! E esse retorno não poderia se dar de melhor forma. A máquina de destruição REBAELLIUN, retorna ás atividades com um petardo carregado de fúria e disposta a retomar seu lugar entre os grandes nomes do estilo. Após Burn the Promised Land (1998) e Annihilation (2001) - dois álbuns que fizeram da banda, um nome reconhecido tanto aqui quanto lá fora -, problemas internos acabaram por colocar fim ao grupo. Em 2015, veio o anúncio do retorno e, com ele, a expectativa de que o grupo pudesse voltar no tempo e recuperar esse espaço que ficou pra trás. E THE HELL'S DECREES chega agora, em 2016, para não apenas confirmar essa retomada, mas para mostrar que o grupo evoluiu dentro daquele que se propôs.

           Lohy Fabiano (vocal/baixo), Ronaldo Lima (guitarra), Fabiano Penna (guitarra) e Sandro Moreira (bateria) formam um line up extremamente técnico e brutal. A perfeita combinação das guitarras de Ronaldo e Fabiano que despejam riffs mortais e solos afiados e ríspidoz se completam com a agressividade e pedo da dupla Lohy (que manda ver num gutural bastante peculiar) e Sandro (baixo e bateria, respectivamente). Sandro Moreira também é baterista de outra grande banda gaúcha, o Exterminate. E cria, de forma clara, linhas que se diferem entre ambas as bandas, mas que mantém uma pegada visceral. Death Metal brutal e com uma excelente produção, que soube evidenciar a sonoridade extrema do grupo. Produção essa que ficou sob o comando do guitarrista Fabiano Penna. Experiente, o músico/produtor deixou tudo bem atual, mas se perder a identidade da banda. Já a masterização foi feita por Neto no Absolute Master Studio. A capa é mais uma obra criada por Marcelo Vasco e ficou perfeita. THE HELL'S DECREES pode ser considerado uma seqüência natural de Annihilation (2001), mas possui momentos mais cadenciados, mudanças de andamento e muita técnica aliada a agressividade.



           O massacre inicia com a poderosa Affronting The Gods. Um grande trabalho de baixo e bateria, que alternam entre momentos mais rápidos e outros mais cadenciados, encontra nos riffs mortais das guitarras seu complemento. Solos inspirados e velozes dão uma pegada ainda mais mortal á excelente faixa. Legion, que possui um clipe de divulgação (um lyric vídeo), é outra paulada. Com um impacto forte, a música possui variação em sua condução, trazendo novamente grandes riffs. Outra vez, o baterista Sandro Moreira faz um trabalho primoroso. Além disso, a faixa possui um refrão intenso. Na seqüência, The Path of The Wolf tem uma pegada mais "old school", com linhas de guitarra bem interessantes. Com passagens mais cadenciadas, a faixa chama a atenção pela brutalidade e peso extremo que ela expressa. Mais "arrastada", Fire And Brimstone traz a banda apostando em passagens mais densas e tirando o pé do acelerador, mas sem esquecer do peso. Destaque para o entrosamento da dupla Ronaldo e Fabiano nas guitarras.

           Dawn of Mayhem tem vocais intensos. Os solos aqui possuem uma veia mais atual (do death metal atual, entenda-se). Baixo e bateria brutais, coesos e dinâmicos. Praticamente, uma aula de como praticar death metal sem soar clichê. E tome mais peso e brutalidade em Rebaelliun! Mais cadenciada, privilegiando passagens de guitarra mais intensas, a faixa mostra toda a capacidade criativa e técnica da banda. E mais um solo matador, o que se mantém por todo o álbum. Crush The Cross tem um começo mais arrastado mas logo ganha velocidade e riffs diretos e mortais. Mais uma vez, as mudanças de andamento comprovam que a banda não se limita aos clichês do estilo, variando de forma agressiva e visceral suas composições. O encerramento se dá com Anarchy (The Hell's Decrees Manifesto). Uma faixa que resume bem esse retorno, onde os riffs, as bases, a estrutura brutal e o peso da cozinha transformam a música em um massacre aos tímpanos menos iniciados!

           O REBAELLIUN volta á ativa e lança um trabalho primoroso em THE HELL'S DECREES. Um death metal brutal, extremo e agressivo, que aprimora ainda mais o que a banda vinha fazendo antes de sua separação. Bem vindos de volta! Aliás, bem vindos ao lugar ao qual a banda nunca deveria ter saído! Com certeza, um dos melhores trabalhos lançados em 2016!

                                         

         Fotos: Synara Rocha
         
         Sergiomar Menezes