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quarta-feira, 30 de março de 2016

INNERWISH - INNERWISH

 

                Um heavy metal atual, pesado e técnico. É assim que a banda grega InnerWish se apresenta em seu sexto trabalho, o auto intitulado INNERWISH, lançado agora no início de 2016. Praticando um power metal com uma pegada mais moderna, o grupo formado em 1995, teve que lidar com algumas trocas na formação. As saídas do baterista e do vocalista vieram após seu último trabalho, No Turning Back, que foi lançado em 2010. Com isso, o grupo focou nas composições do novo álbum. Antes disso, a estréia do novo line up se deu em duas covers que o grupo gravou. Uma para um tributo ao Black Sabbath organizada pela Metal Hammer da Grécia e outra para um tributo ao Warlord, lançado nos EUA.

                 Atualmente formado por George Eikosipentakis (vocal), Thimios Krikos (guitarra), Manolis Tsigos (guitarra), Antonis Mazarakis (baixo), Fragiskos Samoilis (bateria) e George Georgius (teclados), o grupo vem com um trabalho forte e intenso, mostrando que  a nova formação está entrosada e pronta para mostrar serviço. Guitarras bem timbradas, uma dupla de baixo/bateria pesada, teclados muito bem encaixados e um vocalista com um timbre que vai do mais agressivo ao melódico sem perder a identidade. O álbum foi produzido pelo guitarrista Thimios Krikos e por Fotis Benardo e soube captar perfeitamente a essência da sonoridade do InnerWish. A mixagem ficou á cargo do renomado Fredrik Nordström e Henrik Ukk (Dimmu Borgir, Hammerfall, In Flames) no famoso Fredman Studio na Suécia, enquanto a masterização ficou sob a responsabilidade de Peter In De Betou (Arch Enemy, Opeth, Amon Amarth) feita também na Suécia. Por aí, podemos ter uma noção da qualidade e profissionalismo do trabalho. Já a bela capa, é um trabalho de Felipe Machado Franco (Rhapsody of Fire, Blind Guardian, Xandria).

                Um álbum bastante homogêneo, onde os bons riffs de guitarra, belos solos e uma grande variedade nas composições acabam se destacando. Abrindo com a poderosa Roll The Dice, a banda mostra a que veio. Um heavy/power bem estruturado, com linhas de guitarra harmônicas e o vocal de George, que sabe dosar sua voz de maneira correta. Na seqüência, Broken, tem um andamento mais cadenciado, destacando o peso da cozinha composta por Antonis e Fragiskos (baixo e bateria respectivamente). Mais peso nas guitarras é o que temos em Modern Babylon. Os riffs certeiros de Thimios e Manolis se completam em solos melódicos. Um refrão de fácil assimilação dá uma cara mais direta á canção. Mais arrastada, Machines of Fear, possui linhas de teclado que se encaixam com maestria nos riffs pesados das guitarras. Belo trabalho do tecladista George Georgius. Um bonito trabalho ao violão dá início á Needles In My Mind. O vocal capricha em linhas mais melódicas sem perder seu tom mais agressivo. A faixa tem uma levada bem metal tradicional, remetendo em alguns momentos, ás clássicas bandas do estilo nos anos 80. O power metal mais atual segue em alta em My World on Fire. Com um refrão onde os backing vocals ficaram bem encaixados, a música é uma prova da versatilidade do grupo em suas composições. A faixa possui um solo cheio de feeling.

                Um pouco de metal sinfônico (especialmente pelos arranjos) é o que temos em Rain of Thousand Years. Uma bonita passagem ao violão antecede aos momentos de corais que recebem a contribuição de guitarras em tons mais melódicos. Serenity tem riffs fortes e possui uma levada mais moderna. Já em Sins of The Past, o power metal tradicional do grupo volta á mostrar sua cara. As guitarras se destacam, principalmente ao percebermos a "troca" entre os solos, que logo após voltam a despejar seus riffs. Through My Eyes tem uma bela interpretação vocal de George Eikosipentakis. O vocalista sabe dosar de maneira correta sua voz, e aqui essa versatilidade fica mais latente. Um começo mais introspectivo é o que temos em Zero Ground. A faixa, ganha peso e velocidade em determinadas passagens. O teclado aparece de forma eficiente. Uma balada acústica é o que temos em Cross The Line. Uma bela melodia e uma interpretação bastante emotiva do vocalista, realçam o nível de composição bem variada que o grupo possui. O final vem com Tame The Seven Seas, que possui linhas que nos remetem ao metal sinfônico, mas que traz consigo a essência do InnerWish. Guitarras pesadas, vocais inspirados e criatividade nos arranjos.

              Após seis anos longe dos estúdios, o InnerWish retorna com um trabalho coeso e bem composto. Consolidando a nova formação, o grupo mostra que o afastamento serviu para, além de entrosar a banda, colocar a prova sua capacidade de se "recriar". E isto fica mais que comprovado com esse trabalho. INNERWISH pode e deve colocar o grupo como um dos nomes de destaque do power metal europeu.



               Sergiomar Menezes

quinta-feira, 24 de março de 2016

DOKTORCLUB - DOKTORCLUB



                 O cenário do hard/heavy brasileiro é muito vasto. O problema é que muitas vezes, até mesmo por nossa própria culpa, acabamos restringindo o raio de alcance e deixamos passar bons nomes. E se não mudarmos um pouco nosso conceito (meio que involuntário, é verdade), bandas como a sul mato-grossense DOKTORCLUB, não receberão a devida atenção. Seu auto intitulado trabalho de estréia, foi lançado em 2012 e nos traz um som calcado no hard rock mas que carrega consigo uma forte influência do metal tradicional.

                Formada por André Koutchin (vocal), Aldo Camine (guitarra e teclado), Carlos Prado (guitarra), Jeferson Taborda (baixo) e Edu Ribeiro (bateria), a banda já se encontra em processo de gravação do próximo trabalho. Enquanto isso, segue a divulgação do homônimo álbum que teve a produção do guitarrista/tecladista Aldo Camine (líder da banda). Apesar de boa, a produção deixou o som da banda pouco encorpado, meio simples até. Pro estilo praticado pelo grupo, uma produção mais esmerada traria um melhor resultado. A bela capa, que nos remete as histórias em quadrinhos, foge um pouco do estilo, o que é bem legal, pois além de diferente, mostra personalidade. E se prestarmos atenção, faz referência aos títulos das faixas do álbum. Grande sacada!

              Composto por dez faixas, o cd abre com Showtime e já se percebe a forte influência do metal tradicional no som do grupo. A voz de André Koutchin soa extremamente limpa, num meio termo entre o hard e o heavy. As guitarras trazem um resgate bem anos 80, principalmente nos timbres. Blind Poet, por sua vez, tem em suas guitarras, uma levada bem NWOBHM, principalmente aquela faze inicial. A cozinha é correte e eficiente, mostrando bom entrosamento da dupla Jeferson e Edu. Em Take a Part of Me, apesar desse acento mais heavy das guitarras a faixa possui as características mais fortes do hard, com uma linha melódica mais suave. Mais hard é o que temos em Never Let Me Down, onde a estrutura favorece ao bom desempenho do vocalista André. The Story, em um primeiro momento, soa como uma balada, mas ganha corpo e peso e se transforma em uma música cheia de variações, demonstrando a versatilidade do grupo. Destaque ara o belo solo de guitarra.

             Bad Girl tem uma cadência voltada ao hard, com guitarras que inserem um punch mais metal á composição. Os backing vocals poderiam ser melhor explorados aqui, tendo em vista o bom refrão da composição. Guitarras á frente em Dog Days seguem ditando o ritmo mais heavy. O vocal de André, apesar de correto, poderia ter mais explosão. Não que isso pese contra o bom vocalista, mais algumas musicas acabam pedindo um pouco mais de vibração e esta é um exemplo. One More Classic traz uma belo arranjo e tem mudanças de andamento que vem a  comprovar a qualidade dos músicos. A dupla de guitarristas Aldo e Carlos mostram entrosamento e despejam bons riffs e solos cheios de feeling. Russian Revolution é a faixa mais pesada do trabalho. Isso devido aos bons riffs de guitarra e ao trabalho da cozinha, que imprime uma dose forte de peso á composição.  O cd se encerra com Tonight I Won't Sleep, uma balada com uma melodia simples, mas bonita.

            Com um som trabalhado e boas composições, o DOKTORCLUB estréia com um trabalho onde suas influências revelam músicos técnicos e criativos. Uma produção mais caprichada (vejam, não estou dizendo que a mesma foi desleixada, apenas que podia ter sido melhor explorada e trabalhada), faraá com que o grupo evolua ainda mais e ofereça ao público, um trabalho de qualidade ainda maior que este álbum de estréia. Talento o grupo tem de sobra.




        Sergiomar Menezes

quarta-feira, 23 de março de 2016

JÄILBÄIT - WHO DA FUCK ARE YOU?



                Um Rock n' Roll sujo, direto e despojado. Desa forma, o grupo alagoano JÄILBÄIT se apresenta em WHO DA FUCK ARE YOU?, lançado em 2014. Tendo em sua sonoridade uma forte influência de uma das mais importantes bandas de todos os tempos, o eterno Motörhead, o grupo segue uma linha bastante forte, com guitarras sujas e cheias de energia, cozinha pesada e por vezes veloz e um vocal que dá uma cara mais metal ao resultado final. Algo que o Chrome Division (ouve-se uma certa influência do grupo em alguns momentos) faz muito bem, e que de certa forma, pode se aplicar também ao grupo brasileiro.

                Zenitilde Neto (vocal), Adailton Júnior (guitarra), Wilson Santos (baixo) e Cleyton Alves (bateria) formam a banda que está na ativa desde 2013. Gravado de forma independente, o trabalho foi produzido por Edu Silva no estúdio Fat Sound, e ficou boa. mas em alguns momentos o som fica um pouco abafado. Fora isso, conseguiu captar a essência da sujeira e energia do som do grupo. Uma forte pegada Rock n' Roll, aliada ao peso do heavy metal (reparem que a dupla Wilson e Cleyton se encarregam de "engordar" de forma direta a sonoridade), garantem pouco mais de meia hora, boas doses de diversão.

                Abrindo com We Are Jäilbäit, uma porrada rocker, agressiva e direta, o grupo mostra sua personalidade forte. Riffs ganchudos, cozinha pesada e um refrão pra cantar junto, são o cartão de visita da banda. Going to Wacken mantém a velocidade em alta, com doses daquilo que o bom e saudoso Lemmy nos ensinou a gostar. O vocal de Zenitilde tem uma timbragem um pouco diferente da proposta, mas que encaixa de forma bem interessante. Em seguida, Take It Easy tem uma marcação mais cadenciada, com solos eficientes. As guitarras comandam Jäilbäit Squad, com riffs e uma pegada simples, mas correta da bateria. Just a Boy tem uma levada que nos remete ao AC/DC (que é uma das influências do grupo). E isso é bacana, pois essa gama de influências acaba por dar uma cara bem própria ao grupo.

                Do You Wanna Be a Rockstar? é rápida e direta. Um dos destaques do trabalho, a faixa também faz parte da coletânea Roadie Metal Vol. 6. Um solo bastante inspirado acaba por se sobressair. Se houver algo que possa quebrar por perto, é melhor retirá-lo antes de Otaro (Sucker). Um surpreendente agudo do vocalista em seu início dá o start á porradaria! Uma faixa que como disse lá no começo, tem um pouco de Chrome Division em sua estrutura. Assim como a próxima faixa, Born to Win. Mais cadenciada, mas com guitarras sujas, ela ganha velocidade na seqüência. E tome Motörhead em Lone Wolf! Sonzera de primeira! O encerramento vem com Bäit Blues, um som carregado de malícia que bebe na fonte blueseira, mas que tem sua própria interpretação para o estilo.

               Uma banda cheia de energia, com um Rock n' Roll simples, direto e empolgante. Essa banda é a JÄILBÄIT e WHO DA FUCK ARE YOU é o cd pra quem curte esse estilo despojado e livre de amarras. Se sua praia é essa (Motörhead, AC/DC, Chrome Division), mergulhe sem medo!



               Sergiomar Menezes

TARJA - LUNA PARK RIDE (CD/DVD)



                     Um belo presente aos fãs é o que temos neste novo lançamento da cantora TARJA. A apresentação da bela vocalista no Luna Park Stadium, gravada no dia 27 de março de 2011, em Buenos Aires, Argentina, chega ao Brasil através da Shinigami Records em formato de DVD e em CD duplo. E o diferencial e que faz deste trabalho algo especial é que as imagens contidas aqui, foram enviadas por fãs! Sim, o show principal traz um apanhado de filmagens realizadas por fãs durante a apresentação e que recebeu uma belo trabalho de produção, deixando com uma cara "amadora profissional" este LUNA PARK RIDE.

                    Falar sobre o talento de Tarja Turunen é chover no molhado. Dona de uma bela voz, a vocalista após ter sido demitida do Nightwish, deu início á uma bem sucedida carreira solo, sempre acompanhada por excelentes músicos. Aqui, a banda era composta por Julian Barret (guitarra), Doug Wimbish (baixo, vocais e backing vocal, ex- Living Colour), o excepcional Mike Terrana (bateria, ex- Rage, ex- Masterplan, entre outros), Christian Kretschmar (teclados e backing vocal) e Max Lilja (cello). A mixagem do show ficou por conta de Tim Palmer, e ficou muito boa. Algo corriqueiro, quando se trata de Tarja Turunen. Outro fato bacana neste lançamento é que, assim como no DVD, que além da apresentação principal na Argentina, o cd duplo traz também as músicas extraídas de apresentações nos festivais Masters of Rock, Summer Breeze, Wacken, entre outros. Ou seja, tanto o cd quanto o dvd  são imperdíveis para os fãs da cantora.

                   Tendo sido gravado em 2011, o show traz em seu repertório, músicas dos primeiros trabalhos solos de Tarja, My Winter Storm (2007) e What Lies Beneath (2010). Alguma faixas acabam se destacando, como por exemplo, I Walk Alone, Falling Awake, Ciaran's Well (bem mais pesada ao vivo). Há também um interessante medley, onde até mesmo Living On a Prayer (Bon Jovi) é tocada e fica bem interessante. Mas os maiores destaques e que mexem de forma mais forte com os argentinos (que aliás, idolatram a cantora, tamanha a interação em todas as músicas), são Stargazers e Wishmaster, de sua ex-banda. Tarja, que após ter iniciado sua carreira solo, melhorou sua performance, tem um forte carisma e sabe muito bem como interagir com a platéia. Aliás, como boa parte dos artistas, no fim do show, a vocalista surge com a camiseta da seleção argentina. Não é preciso dizer o quanto isso levou os "hermanos á loucura...

                  Os extras incluem, como dito anteriormente, várias músicas extraídas de outras apresentações. Entre elas vale destacar as músicas executadas no Tele-Club, na Rússia em 2014 (500 Letters, Damned and Divine e Neverlight), Wacken Open Air de 2014 (Anteroom of Death, onde a vocalista fez uma participação na apresentação do grupo Van Canto) e no Summer Breeze também na Alemanha em 2014 (Never Enough, Die Alive e Victim of Ritual).

                  LUNA RIDE PARK é uma apresentação para ficar na memória dos fãs, seja pela participação direta, seja pela qualidade apresentada. Uma vocalista talentosa, uma sensacional banda de apoio e uma perfeita interação público/artista. Com este lançamento,TARJA lança um trabalho imperdível para seus fãs e, ao mesmo tempo, consolida uma carreira solo mais voltada ao metal.



                Sergiomar Menezes

terça-feira, 22 de março de 2016

DANCING FLAME - CARNIVAL OF FLAMES



               Sejamos sinceros. O Brasil é um país muito estranho. Se não, vejamos: inúmeras bandas com talento muito acima da média acabam sempre deixadas de lado enquanto artistas patéticos  e sem nenhuma categoria, circulam pelos meios de comunicação como se fossem baluartes de capacidade criativa. Falem a verdade. Não é de dar raiva? E a banda carioca DANCING FLAME é uma das tantas que acabam entrando no primeiro time. Fôssemos um país decente, o grupo figuraria com o destaque que merece. CARNIVAL OF FLAMES, o segundo trabalho do grupo, traz um hard rock com forte influência de heavy metal, mostrando que seus mais de 15 anos de carreira, serviram para aprimorar a classe que a banda apresenta em suas composições.

              Formada por Adriano Oliveira (vocal), Emerson Mello (guitarra e backing vocal), Glaydson Moreira (guitarra e backing vocal), Rafael Muniz (baixo) e Bruno Martini (bateria), o gupo lançou em 2009 seu primeiro trabalho, Dancing Flame, que já dava mostras do que a banda tinha a oferecer, tendo recebido críticas positivas fora do país. Neste novo trabalho, sabedor do que queria, o próprio grupo se encarregou da produção, que ficou com um ótimo nível, onde a sonoridade da banda pode ser percebida em seus mínimos detalhes. Mixado por Lucas Macedo, Diogo Macedo e pelo guitarrista Emerson Mello, o trabalho foi masterizado por UE Nastasi. A bela capa é obra do artista Mark Wilkinson, que já trabalhou com nomes como Judas Priest, Iron Maiden, The Darkness, entre outros.

              Após a introdução Carnival of Flames, temos  a faixa Dreamweaver, que começa com a bateria de Bruno Martini abrindo caminho para os solos e bases criativas das guitarras de Emerson e Glaydson.. O vocal de Adriano Oliveira tem um belo timbre, pois cai como uma luva no estilo desenvolvido pelo grupo. O baixo de Rafael se encarrega de, ao lado da bateria, prover o peso necessário. Follow The Sun vem na seqüência e tem a participação do vocalista Mark Boals (ex- Yngwie Malmsteen e atual Ring of Fire) e tem uma pegada mais cadenciada, mais heavy, com um instrumental que remete á algumas bandas clássicas dos anos 80. Um belo refrão e solos precisos dão brilho extra á composição. Uma bela homenagem ao maior vocalista da história do heavy metal, nosso eterno Ronnie James Dio, é o que temos em Ronnie. Uma faixa que com certeza, orgulharia o baixinho. Os riffs de guitarra ficaram muito bons, além da bela performance do vocalista. Higher Place começa de forma mais amena, ganhando corpo logo em seguida. ficando com um clima de "hard europeu". Don't Let Me Down segue essa linha, com belos solos e mais uma interpretação caprichada de Adriano Oliveira.

              Talvez a faixa mais acessível do cd, Runaway Soul, possui uma levada mais cadenciada, deixando que as melodias das guitarras tragam a harmonia á composição. Destaque para os backing vocals que ficaram bem encaixados. Fortress of Belief é acústica e traz a participação de Angelica Hanks (D'Hanks) e Carol Karpezi nos backing vocals. Dry My Tears é uma balada que conta com a participação do vocalista D.C. Cooper (Royal Hunt). Com um belo instrumental, apesar de ser uma balada, a música possui forte intensidade. Já em Warriors Path, as guitarras se destacam e trazem de volta a influência do heavy metal clássico no som do grupo. Com um andamento mais cadenciado, podemos destacar o bom trabalho da cozinha, que possui versatilidade indo de partes mais "leves" até partes mais pesadas. The Highest Hill possui belas melodias. Com uma levada mais marcada, as guitarras dão suporte até o refrão, onde o hard/heavy do grupo entra com tudo. Queen or Clown (Riddles in the Dark) também conta com a particpação das vocalistas Angélica e Carol. Um solo inspirado de Glaydson é o destaque dessa "power ballad". Kalash encerra o track list regular, com destaque para o baixo de Rafael Muniz. As guitaras tem em sua base, alguma coisa de stoner que acabam por criar um contraste aos solos na linha hard inseridos pelos guitarristas.

               Temos ainda duas faixas bônus. Your Heart Must Be Strong e Life Is Like a Wheel. A primeira possui uma levada mais atual (em matéria de hard) enquanto a segunda ganha os ares de uma balada, mas ganha peso e os solos se destacam.

               Bandas como a DANCING FLAME são donos de grande talento e criatividade. Instrumental bem trabalhado, arranjos bem estruturados, composições cheias de feeling e melodias  de fácil assimilação, mas não piegas ou enjoativas. CARNIVAL OF FLAMES é um belo disco, indicado aos apreciadores da boa música. Seja hard ou heavy!

                 


           Sergiomar Menezes

             

           

UNLEASHED - DAWN OF THE NINE



                  Eis que um dos melhores trabalhos lançados em 2015 dentro do death metal chega ao Brasil. A Shinigami Records, mais uma vez, presta um grande serviço ao público headbanger ao lançar por aqui, em mais uma parceria com a Nuclear Blast, DAWN OF THE NINE, o 12° trabalho dos suecos do UNLEASHED. Com mais de 25 anos de carreira ( o grupo foi formado em 1989), o cd traz 10 músicas onde podemos perceber toda a importância e influência da banda, não apenas no death metal sueco, mas também no que de melhor, o metal da morte apresenta ao redor do mundo.

                 O grupo é composto por Johnny Hedlund (vocal e baixo), Tomas Olsson (guitarra base), Fredrik Folkare (guitarra solo) e Anders Schulz (bateria), formação essa que se mantém há quase 20 anos. E isso pesa na hora de mostrar serviço. As guitarras de Tomas e Fredrik se completam de forma perfeita, variando entre bases fortes e pesadas e solos bastante agressivos. Já a bateria é um destaque á parte. Anders Schulz é um monstro, uma máquina death metal de tocar bateria. E  o baixista/vocalista Johnny Hedlund capricha em linhas extremamente viscerais. Aliada á isso, uma produção muito bem executada pelo próprio guitarrista Fredrik, soube deixar tudo claro e sujo ao mesmo tempo, com todos os instrumentos nítidos e pesados. A masterização foi feita por Erik Märtensson e realçou ainda mais o poderio destrutivo do grupo. Já a bela capa, foi elaborada por Pär Olofsson.

                A New Day Will Rise abre o cd trazendo aquele death metal típico do grupo. As guitarras capricham em bases que nos remetem (de maneira sutil) ao metal mais tradicional, enquanto a bateria destrói tudo esbanjado técnica e versatilidade. O solo de Fredrik também merece destaque pois se encaixa de forma correta no andamento da música. They Came to Die vem com riffs rápidos acompanhados da pegada brutal da bateria. Com um refrão mais cadenciado e direto a faixa é um convite ao "headbanging". Em Defenders of Midgard, a mitologia nórdica ganha espaço. Uma das grandes faixas do trabalho. Marcada, com passagens no melhor estilo thrash, a música possui variações que a dão uma personalidade e não a deixam cansativa. Mais um solo inspirado do guitarrista Fredrik (que aliás, compôs todas as faixas do trabalho, deixando as letras á cargo do vocalista). Where is Your God Now? (título muito atual, não é mesmo?0, a banda traz seu death metal característico. Rápido, brutal e direto. A quinta faixa, The Bolt Thrower, também merece destaque. Com riffs na escola do thrash metal, o grupo mostra que a experiência não serve apenas para ganhar respeito e sim, para mostrar excelência em suas composições.

                 Let The Hammer Fly traz mais death metal á moda Unleashed. Rápida e direta, a faixa mostra que, se o grupo não tem o mesmo reconhecimento e popularidade que seus conterrâneos do Entombed, não é por falta de talento. Em Where The Churches Once Burned a porradaria come solta. O duo baixo/bateria ostra serviço dando uma sólida e pesada base para os riffs death metal de Tomas Olsson. Land of The Thousand Lakes possui uma interessante variação entre partes mais rápidas e outras mais cadenciadas, e um solo muito bom! A arrastada Dawn of the Nine, faixa título, comprova a capacidade criativa da banda. Além do fato de não se repetir, mostra um cuidado na estrutura, criando um clima que nos remete até mesmo ao doom metal. Destaque para o peso proporcionado pelo baixo. O contraste vem no encerramento com a veloz Welcome The Son of Thor!, mais uma baseada na mitologia nórdica e que fecha o cd em grande estilo.

                Em seus mais de 25 anos, o UNLEASHED teve alguns pormenores em sua discografia. Mas nem por isso deixou de ter importância no cenário. O lançamento de  DAWN OF THE NINE só comprova isso. Death metal simples, sem invencionices, mas cheio de técnica e categoria, com guitarras que despejam riffs no melhor estilo "metal da morte". Indispensável aos death bangers!




     Sergiomar Menezes

ROTTEN PIECES - ROT IN PIECES



               É muito gratificante ver que bandas praticantes de estilos mais extremos do heavy metal, não se acomodam nos clichês do estilo, imprimindo ao seu som, personalidade, o que por si só, já se torna um importante diferencial. Quando isso vem aliado ao talento e disposição, a banda mostra identidade e com isso, demonstra que quer seu lugar ao sol. E ao escutarmos o EP ROT IN PIECES, do grupo paulista ROTTEN PIECES, encontramos isso em profusão. Praticando um thrash metal brutal com muita influência de death metal (ou ao contrário como o ouvinte quiser definir), a banda, que surgiu em 2013, traz 6 faixas onde a técnica dos músicos transmite toda brutalidade e agressividade que o estilo propõe.

              Formada por Leonardo Morales (vocal/baixo), Lucas Bertagia (guitarra) e Davi Menezes (bateria), a banda tem pouco tempo de estrada, mas que ao ouvir o trabalho, não deixa transparecer isso. Uma pegada forte e coesa, um entrosamento que faz com que o som, por mais brutal que seja, não embole em nenhum momento. A produção ficou boa, os instrumentos estão nítidos e bem timbrados, podendo se escutar todos de forma bem clara. E a mixagem, feita por Fábio Golfetti, no Seven Keys Studios em São Paulo, soube deixar  a"sujeira" do som na medida certa. E a capa, simples, deixa bem clara  a proposta do grupo.

              Rot In Pieces, a faixa título, dá início á porradaria. Uma introdução bem típica antecede riffs destruidores que se completam com uma bateria veloz e direta, enquanto o baixo ganha destaque. O vocal de Leo Morales tem uma linha mais voltada ao death, enquanto as guitarras despejam riffs com forte influência do thrash. Hell Soldier  possui riffs violentos, enquanto baixo e bateria se encarregam de pesar a mão. Veloz e mais direta, a faixa possui um solo que se encaixa de forma correta, pois mesmo teno certa melodia, não destoa da composição. The Refugee of Suicidals mantém a agressividade em alta, com destaque para o trabalho do baterista Davi Menezes. Uma bela estrutura acompanhada de mais um belo solo proporcionado por Lucas Bertagia. E o baixo de Leo Morales não faz apenas  número. Além de cantar, o músico mostra grande desenvoltura em notas que completam a cozinha.

             Blood for Freedom traz o vocal um pouco mais gutural, mais próximo daquele death clássico. A guitarra manda ver em riffs e bases insanas, além de caprichar no solo. Pure Words tem uma pegada bem mais thrash, tanto nas guitarras (prestem atenção nos riffs), quando em seu andamento. A faixa também mostra o bom nível técnico dos músicos, que conseguem essa boa variação entre os estilos com versatilidade. O EP fecha com Colony. Uma faixa onde as guitarras ditam o ritmo. Com um andamento mais cadenciado, encerra o trabalho de forma que fica aquela sensação de que ficou faltando alguma coisa...  Mais músicas!

            O ROTTEN PIECES demonstra, mesmo com pouco tempo de existência, que tem grande potencial (eu diria que já é uma realidade) e que pode se tornar um grande nome no cenário nacional. Uma pegada death/thrash com boa técnica e vontade de vencer. E, pode ter certeza, já começou a ganhar o jogo...



         Sergiomar Menezes

segunda-feira, 21 de março de 2016

PSYCHOTIC EYES - I ONLY SMILE BEHIND THE MASK



                      Um death metal violento e agressivo mas que também encontra fortes doses de rock progressivo e jazz (atente á complexidade de algumas passagens) e até mesmo, doses sutis de música brasileira. Complicado de imaginar? Pois bem. Basta colocar pra rodar o álbum I ONLY SMILE BEHIND THE MASK do grupo paulista PSYCHOTIC EYES. Na ativa desde 1999, o segundo trabalho da banda, lançado em 2011, veio a consolidar o que já havia sido feito em PSYCHOTIC EYES (2007), primeiro full lenght do grupo. Passando por algumas mudanças de formação em sua trajetória, o segundo trabalho é considerado pelo próprio grupo como seu sua grande obra.

                      Na gravação do cd, o grupo era formado por Dimitri Brandi (vocal e guitarra), Douglas Gatuso (baixo) e Alexandre Tamarossi (bateria). Hoje o grupo e composto apenas por Dimitri e Douglas e está prestes a lançar seu primeiro álbum de death metal acústico, intitulado OLHOS VERMELHOS. Com uma bela capa, obra do renomado Gustavo Sazes, o cd foi mixado e masterizado por Jean François Dagenais (guitarrista do Kataklism) e a produção foi feita pela própria banda, deixou o som pesado, direto e bastante brutal.Com uma temática um tanto quanto diferente, fugindo dos clichês do etilo, o grupo apresenta letra variadas com um flerte bem interessante com a literatura.

                      Throwing Into Chaos dá ínicio ao death metal técnico e brutal do grupo. Uma música bastante agressiva onde os riffs do guitarrista/vocalista Dimitri encontram-se com flertes de progressivo durante sua execução. Uma amostra do que está por vir, esbanjando brutalidade e técnica. Na seqüência, Welcome Fatality mostra todo talento do baterista Alexandre que forma, juntamente com o baixista Douglas, uma cozinha pesada e virtuose. Destaque também para os riffs forte e diretos de guitarra. Dying Grief, traz um clima denso e peado, aliado a linhas por vezes mais melódicas e até mesmo mais soturnas em certos momentos. A letra narra os sentimentos do vocalista quando do falecimento de  seu pai. Ja Life tem um andamento mais cadenciado, trazendo um pouco de influências do thrash ao som do grupo. Com algumas mudanças de andamento e com um arranjo muito bem trabalhado, a faixa é um dos destaques do álbum.

                      Uma base extremamente técnica e brutal é o que temos na faixa título. I Only Smile Behind the Mask, possui interessantes traços melódicos em sua execução, mas não esquece da agressividade que é expressada em cada nota da composição. A complexidade dita o andamento da faixa seguinte. The Humachine pode resumir, de certa forma, o conceito em torno do Psychotic Eyes. Agressividade e técnica lado a lado em favor do death metal. E o encerramento (uma pena que o cd contenha apenas sete faixas), se dá com The Girl. Desconstruindo uma das mais famosas músicas de Chico Buarque de Hollanda, o grupo consegue transpôr á musica, uma gama muito grande de estilos, variando de forma concisa e coesa sua capacidade.

                      Apesar de concentrar força e basear sua sonoridade na brutalidade e rispidez do death metal, não dá pra resumir o excelente trabalho do PSYCHOTIC EYES apenas dessa forma. I ONLY SMILE BEHIND THE MASK traz muito mais do que isso. Traz uma forte gama de influências, passando com desenvoltura pelo prog, pelo jazz, pelo thrash e como dito lá no início, por pequenos toques de música brasileira. Sem medo de ousar e acreditando naquilo que faz, o grupo nos entrega um grande trabalho e que nos mostra, mais uma vez, que a boa música não enxerga fronteiras em seu horizonte.




     Sergiomar Menezes


DUST COMMANDO - CHAOS LIVES IN FUR





                  Com apenas três anos de existência, o grupo DUST COMMANDO (Taquari/RS), estréia com seu primeiro trabalho. CHAOS LIVES IN FUR, lançado internacionalmente pelo selo XMetal EmpireX. Praticando um stoner metal, mas com influência de southern metal e até mesmo do thrash (vide o peso das guitarras), o grupo vem pra mostrar que no RS, todos os estilos dentro do metal possuem grandes representantes. E com pouco tempo de estrada, a banda já pode se firmar entre os bons  nomes da cena.

                  A banda é formada por Thiago Rabuske (vocal e baixo), Gabriel Alexandre (guitarra), João Vitor Martins (guitarra) e Felipe Silva (bateria). Guitarras pesadas, baixo e bateria com uma pegada bem atual e um vocalista que sabe dosar a energia de sua voz entre passagens mais rasgadas e agressivas e outras, mais limpas. Assim, de certa forma, podemos resumir a sonoridade do grupo. São dez faixas, onde a intensidade das guitarras se destacam. O Stoner metal do grupo recebe influências, como dito anteriormente, mais nitidamente do southern metal e do thrash, mas em algumas faixas pode-se ouvir alguma coisa das bandas dos anos 90, mais precisamente, de Seattle. O único senão do trabalho, fica por conta da produção. Não que esteja ruim ou prejudique a audição, mas poderia ser melhorada sem perder a "sujeira" de sua sonoridade.

                 Iniciando com This is Passion, o cd nos mostra uma banda bem entrosada e cheia de punch. As guitarras de Gabriel e João Vitor despejam riffs, enquanto o peso proporcionado pela cozinha comandada por Thiago e Felipe se encarrega de dar o tempero stoner á faixa. O vocal também se mostra bastante versátil, indo da voz mais limpa até uma mudança de tom, mais rasgado. Heavyweight Dinosaurs inicia mais arrastada, bem típica, co riffs característicos. Percebe-se um pouco da influência de Tonny Iommi e cia aqui. Um solo muito bem elaborado se destaca na composição. Morale tem uma levada mais heavy, com aquele som mais "galopado", dando destaque a cozinha. O duo baixo/bateria garantem o peso (constante no trabalho) de forma direta. She's a Saint, com uma levada mais cadenciada, e um solo técnico, mostra a pegada do baterista Felipe. Uma faixa com uma levada "groove", mostrando a boa desenvoltura do grupo na estrutura de suas composições. A quinta faixa, Nero, é o grande destaque do cd. Com uma bateria marcada e seu início, a faixa ganha peso em seu andamento, com mais passagens mais amenas, com destaque para o arranjo. Uma bela variação entre a "calmaria" e a "tempestade". Muita raiva no vocal de Thiago que expressa de forma legítima o que a música pede.

                 Holy Roller Skeptic Fella Blues, como o título entrega, é um blues, onde voz e violão, deixam transpirar as emoções, trazendo á tona as emoções do velho Mississipi e aquelas generosas doses de whisky servidos nos bares dedicados ao estilo. Narc  expõe as influências citadas antes sobre as bandas de Seattle. Alice in Chain e Soundgarden podem ser percebidos como inspiração, principalmente nas guitarras. Já a próxima faixa, Viking, põe de volta  a atmosfera stoner do grupo. Pesada e densa, a música possui uma estrutura bem interessante. Madcap, é instrumental, executada apenas ao violão. E o encerramento, com Hold On, me trouxe á mente o grande Stone Temple Pilots, um dos melhores grupos daquela safra "alternativa" dos anos 90. Aqui, o Dust Commando, imprimiu sua personalidade, principalmente no vocal de Thiago, que da uma identidade bem peculiar ao som do grupo.

               O DUST COMMANDO faz de CHAOS LIVES IN FUR uma boa estréia. Boas composições, uma banda entrosada e muita garra e vontade de mostrar seu trabalho. Apenas a produção,poderia ter sido melhor tratada. Mas não prejudica o bom desempenho do grupo neste debut. O futuro do grupo tende a ser promissor. Talento já vimos que o grupo possui para isso!


   
       Sergiomar Menezes

domingo, 20 de março de 2016

HELLLIGHT - JOURNEY THROUGH ENDLESS STORMS



                 O Doom Metal é um dos estilos mais intensos e densos dentro do Heavy Metal. Por isso, bandas que o praticam, precisam, além de técnica, ter conhecimento de causa. Afinal, a melancolia, o peso, os climas soturnos e arrastados, e a forte personalidade, não são fáceis de encontrar em muitas bandas do cenário. Mas felizmente, o HellLight traz todas essas características em sua sonoridade. Com quase duas décadas de estrada ( o grupo completa 20 anos agora em 2016), a banda lança JOURNEY THROUGH ENDLESS STORMS, seu quinto full lenght.

                Jogando neste caldeirão Doom influências de nomes como Black Sabbath, Therion, Candlemass, Danzig, Green Carnation, Bathory, entre outros, o grupo formado por Fábio de Paula (vocal e guitarra), Alexandre Vida (baixo) e Rafael Sade (teclados e backing vocal) nos entrega neste excelente álbum, um particular "funeral doom metal" (como o próprio rupo se denomina). Melodias arrastadas  e cheias de melancolias, peso descomunal na guitarras, e uma grande capacidade técnica. Talento em composições muito bem estruturadas e arranjadas que se alinham a garra com que são executadas. Gravado entre outubro de 2014 e abril de 2015, o álbum foi mixado por Fabio de Paula, enquanto a masterização ficou por conta de Roberto Toledo. E a capa, idealizada por Rodrigo Bueno,  ficou muito boa, encaixada perfeitamente na proposta do grupo, materializando a "jornada pelas tempestades sem fim".

                O álbum tem início com a introspectiva e arrastada faixa título. Journey Through Endless Storms nos mostra que não é á toa que o grupo tem todo esse tempo de estrada. Uma melodia fúnebre, carregada de melancolia em linhas depressivas. O vocal expressa a angústia e tristeza que a harmonia pede. Dive in the Dark, a segunda faixa, carrega consigo um clima extremamente soturno.  Uma bela melodia, ao mesmo tempo sinistra e melancólica, além de linhas de teclado que fazem a "cama" perfeita para o desespero expresso na voz de Fabio de Paula. Na seqüência, Distant Light That Fades, causa uma sensação de forte angústia, devido ao sentimento transmitido pelo grupo nesta sombria canção. Por vezes, pode-se perceber alguma coisa de black metal no som do grupo, o que corrobora ainda mais esse clima denso em sua música. Time, tem uma bela introdução. A guitarra aparece com destaque, com um solo cheio de melodia, mas sem fugir da proposta. Uma faixa pesada, um pouco mais "alegre", onde as linhas de baixo e teclado encontram-se criando um clima bastante intenso.

              Cemetherapy, inicia com um riff bem doom, arrastado, e em seguida recebe o acompanhamento certeiro do teclado de Rafael Sade. Uma das faixas de destaque do trabalho. Além, de um nome muito bem pensado, o vocal de Fabio está um pouco mais contido aqui, causando uma sensação de ansiedade no ouvinte. Beyond the Stars começa de forma simples, com um dedilhado que logo recebe a adição de peso arrastado e climas repletos de variações. Shapeless Forms of Emptiness, mantém a atmosfera sorumbática criada pelo grupo. O final dessa jornada, vem com a "curta" End of Pain. traz um encerramento perfeito para todo o clima trazido pela banda durante a execução do cd. Uma faixa introspectiva, soturna e melancólica, que encerra o trabalho de forma correta.

               O grupo tem muito talento e tempo de estrada que os credencia entre os grades nomes do cenário doom nacional. Um álbum indicado aos fãs do estilo, pois ão é aquele tipo de música que você chega em casa, abre uma cerveja e se prepara pra ouvir. Aliás, em um primeiro momento, não é um trabalho de fácil compreensão. Mas se você tem a mente aberta e procura uma banda que entende, e muito, o que está fazendo, A HellLight é a banda e JOURNEY THROUGH ENDLESS STOTRMS o álbum a ser ouvido. Excelência no Doom Metal nacional!



   Sergiomar Menezes

SOILWORK - THE RIDE MAJESTIC


     
                     Seguir apostando em uma fórmula que vem dando certo. Evoluir dentro dos eu estilo sem perder personalidade. Assim os suecos do SOILWORK nos apresentam seu décimo trabalho de estúdio. THE RIDE MAJESTIC chega ao Brasil fruto da parceria entre a Nuclear Blast e a Shinigami Records (parceria essa que possibilita o lançamento de outros trabalhos do selo e que são de grande valia aos bangers brasileiros). Mantendo uma surpreendente regularidade em seus álbuns, o grupo mantém a pegada característica do seu death metal melódico com maestria, dosando de forma sublime o peso da parte mais agressiva e brutal de seu som com a melodia que vem fazer a diferença com relação a alguns grupos da mesma cena.

                    Formado pelo excepcional vocalista Björn "Speed" Strid (que consegue uma variação entre o mais rasgado e brutal e o mais limpo e suave tom de voz), David Andersson (guitarras), Sylvain Couldret (guitarras), Ola Flink (baixo - que deixou o grupo e já foi substituído por Markus Wibom), Dirk Verbeuren (bateria) e Sven Karlsson (teclados), o grupo apresenta em THE RIDE MAJESTIC aquilo que seus fãs estão acostumados a ouvir: guitarras poderosas, melodias eficientes, bateria e baixo muito bem explorados e executados e, como dito anteriormente, um vocal extremamente talentoso e cativante. Tendo a produção sob a responsabilidade de David Castillo e da própria banda (que manteve a sonoridade no mesmo nível dos trabalhos anteriores), o álbum teve a mixagem e masterização feita por Jens Bogren no Fascination Street Studios 2. A arte da capa, que fecha com o conceito proposto pelo grupo, foi idealizada por Robert Borbás.

                  A faixa título, The Ride Majestic, abre o cd. Com um início simples, a faixa ganha peso e melodia na seqüência, mostrando o poderio do grupo. Seguindo a fórmula estruturada, as guitarras ditam o ritmo, enquanto os teclados trazem a melodia que casa perfeitamente com o desempenho do vocalista Björn "Speed". Poucos vocalistas tem essa capacidade de alternar momentos brutais e limpos com tanta desenvoltura quanto o sueco. A brutalidade e velocidade são a marca de Alight in the Aftermath. Buscando o equilíbrio entre dois extremos, o grupo aqui, deixa que a agressividade se sobressaia de forma mais sutil, tendo no vocalista sua referência. As guitarras merecem destaque também, pois o bom trabalho efetuado por David Andersson e Sylvain Couldret é meuito bem executado. Mais porradaria melódica é o que temos em Death in General. Riffs marcantes, encontram uma cozinha pesada e cheia de punch. A linha vocal adotada aqui chama a atenção pelas passagens limpas de muito bom gosto. Enemies in Fidelity traz uma variação de arranjos muito boa, pois consegue mesclar "blast beats" com melodias simples e diretas. Algo inusitado, mas que nas mãos do SOILWORK tornou-se fácil. Petrichor by Sulfhur, a quinta faixa, é um dos grandes destaques do álbum. Muito bem trabalhada, com arranjos bem elaborados, a música é uma aula de variação e versatilidade dentro do estilo. A agressiva e veloz The Phantom imprime um ritmo mais acelerado e carrega no peso dos riffs. O bom trabalho de baixo ( que no cd foi gravado pelos guitarristas), encontra no baterista Dirk Verbeuren, um belo entrosamento.

                  The Ride Majestic (Aspic Angelic) traz em suas linhas, uma tendência mais moderna, com certas passagens que nos remetem o que vem sendo feito na cena metalcore. Mas que não causa deméritos ao trabalho, pois a identidade do grupo segue sendo bem representada. Uma certa dose de melancolia permeia Whirl of Pain. Aqui, as melodias se sobressaem enquanto as guitarras acabam despejando doses mais sutis de peso. All Along Echoing Paths recoloca a brutalidade em primeiro plano, mesmo com suas passagens mais amenas. O início "pop" de Shining Lights, quase engana. Mas temos o bom mix de brutalidade e melodia do grupo mais uma vez bem colocado, de forma correta. As guitarras comandam as linhas melódicas acompanhadas do trabalho bem executado de Sven Karlsson. A versão regular do cd se encerra com Father and Son, Watching. Uma faixa bem arranjada, com teclados inseridos num contexto onde a agressividade e melodia se encontram. Um clima bastante denso em algumas passagens e mais direto e reto em outras, fazem da faixa um bom exemplo do que o SOILWORK vem nos oferecendo nessas duas décadas de existência.

                  A versão nacional possui ainda duas faixas bônus. Of Hollow Dreams, uma música veloz e com um direcionamento mais agressivo, mesmo com as linhas melódicas que o vocalista "Speed" imprime á faixa, e Ghosts and Thunder, que possui um andamento mais suave e harmonioso em seu início, e ganha peso no desenrolar de sua execução.

                 Mantendo sua essência, o SOILWORK repete a fórmula que vem dando certo há algum tempo. Mas isso depõe contra a banda? Não, muito pelo contrário. Mostrar evolução sem tomar caminhos distintos é uma boa indicação de personalidade e identidade. Algo que o grupo só vem a comprovar com o lançamento de THE RIDE MAJESTIC. Peso e melodia cercados por composições bem arranjadas e produzidas, aliados de muita técnica e talento, fazem deste trabalho, mais um importante marco em sua já vitoriosa carreira.


                 
              Sergiomar Menezes

domingo, 13 de março de 2016

ROADIE METAL VOL. 6



                  Fazer Heavy Metal no Brasil não é fácil. No underground então, é uma tarefa árdua. A sorte é que as bandas podem contar com projetos como a coletânea ROADIE METAL, que chega agora á sua sexta edição. Esse já tradicional trabalho, fruto do empenho e dedicação do batalhador Gleison Júnior, vem se consolidando como um dos mais importantes dentro da cena underground, pois além de divulgar muitas bandas, tem sua distribuição de forma gratuita, o que carrega consigo, esse forte apelo de união e força do cenário nacional.

                  Neste sexto volume, temos nada mais nada menos do que 34 bandas que comprovam a qualidade e competência do que se faz aqui, na terra "do carnaval". Estilos dos mais variados, e como sempre acontece, alguma pequenas oscilações neste tipo de trabalho, mas que em nenhum momento causa algum tipo de demérito á iniciativa. E a coletânea cumpre e bem seu papel, pois leva á muitos apreciadores do metal, algumas bandas que por outros meios não chegariam ao público. Bandas conhecidas e outras nem tanto, mostram aquilo que tem a oferecer de forma direta.

                  Apesar de ser bastante homogênea, alguns grupos acabam se destacando. No primeiro CD, podemos citar as bandas DRAMMA ( com um heavy metal cantado em português, mas que soa moderno e atual), M-19 (com um thrash pesado e muito bem trabalhado), SHALLRISE (que já havia participado com destaque na coletânea anterior), SUPERSONIC BREWER (pesada e com uma pegada moderna), CEIFFADOR (faltou apenas uma produção melhor), FIREGUN (com um andamento cadenciado e bastante pesada) e a banda RISING (com uma veia setentista). Já o segundo CD começa com uma das grandes bandas do cenário nacional. O TORTURE SQUAD, antes da reformulação do line-up com a porrada "No Escape From Hell", MAVERICK (uma das bandas que mais se destacaram no ano que passou, que aposta em uma sonoridade pesada e moderna, sem esquecer das raízes old scholl do thrash metal), THE GOTHS (com um heavy metal correto e bem composto), PROJECT BLACK PANTERA (que chega quebrando tudo com a porrada "Boto pra Fuder"), AIR TRAIN (com uma mistura contagiante de heavy metal e hard rock), BLOODFIRE (com um metal simples, mas eficiente) e a JÄILBÄIT (com seu rock n' roll sujo e  despojado á la Motorhead).

                  Mais uma vez, fica aqui os parabéns pelo projeto e iniciativa. Que mais e mais coletâneas venham pra divulgar o prolífico cenário underground que o Brasil possui. Longa vida ao ROADIE METAL!




    Sergiomar Menezes

sexta-feira, 4 de março de 2016

SEU JUVENAL - ROCK ERRADO



              ROCK ERRADO. SEU JUVENAL. A primeira impressão é que, tanto o nome do álbum (lançado exclusivamente em vinil), quanto o nome da banda, não são atrativos que nos façam ter interesse pelo trabalho do grupo. E, felizmente, essa impressão cai por terra quando ouvimos esse grande disco lançado pelo quarteto de Uberaba (MG). Não dá pra classificar o som do grupo de forma simples. Há influências de muitos gêneros musicais aqui. Claro que a predominância é mais "visível" daquilo que convencionamos chamar de rock clássico. Mas pode se ouvir algo de punk, metal, grunge, indie, stoner, além é claro, do bom e velho rock n' roll eu seu estado mais bruto.

             Formado em 1997, o grupo formado por Bruno Bastos (vocal), Edson Zacca (guitarra/violão), Alexandre Tito (baixo) e Renato Zaca (bateria), possui mais dois trabalhos em sua discografia. Guitarra de Pau Seco (2004) e Caixa Preta (2008). Sem se prender á rótulos e tendências impostas pelo mercado, o SEU JUVENAL explora seus limites trazendo uma sonoridade bastante peculiar, que os torna donos de uma identidade única. A produção do trabalho ficou sob a responsabilidade de Ronaldo Gino (guitarrista do grupo Virna Lisi) e que já havia trabalhado com a banda no álbum de 2004. Ou seja, já conhecia as características do grupo e como desenvolvê-las de forma correta. Fazendo "um rock errado para os padrões do politicamente corretos", segundo o baterista Renato Zaca, a banda consegue colocar em seu caldeirão musical Free, Butthole Surfers, New York Dolls, Jards Macalé, Titãs e Pixies. Duvida?

            Homem Analógico abre o disco de forma forte e intensa. Mas é preciso que se diga, se você procura algo na linha mais metal, esqueça. O grupo explora de forma correta sua influência num mix que traz sons que remetem aos anos 70 ( principalmente pela cozinha composta por Alexandre e Renato) e sons mais alternativos. Free Ordinária tem uma levada mais pesada, com um baixo encorpado. O vocal de Bruno Bastos possui uma característica bem natural, sem efeitos. Com uma levada bem punk rock, Antropofagia Disfarçada traz um som sujo e cheio de distorção. Asfalto, que possui um belo video clipe, é uma faixa mais "cabeça", que nos lembram os trabalhos das bandas de rock brasileiras dos anos 80. A pesada, Louva A Deus encerra o lado A. Com guitarras á la Soundgarden, a faixa nos remete aos grupos que fizeram a abeça de muitos nos anos 90.

            Um Dia de Fúria traz sujeira e distorção. A guitarra se destaca com uma timbragem que se encaixa na direção seguida pela faixa. Baixo e bateria sintonizados em proporcionar o peso necessário. A faixa título, Rock Errado, é mais simples e direta, bem rock n'roll. Sem abrir mão da "sujeira" na guitarra, a veia mais rocker do grupo dá as caras. Refrão simples, direto e empolgante! Moleque Dissonante tem aquela atmosfera bem típica ao que os  Pixies faziam de forma sublime. Já em A Chuva Não Cai, podemos perceber a importância e relevância da música brasileira na formação musical do Seu Juvenal. Cheia de mudanças de ritmo e variações no seu andamento, um dos mais belos arranjos do disco. Burca, encerra o trabalho . Essa faixa também ganhou um video e possui um andamento mais introspectivo. Com uma letra bem interessante, a música mostra bem a variação de composições que o grupo explora em seu trabalho. Do meio pro final, a bateria entra metralhando de forma hardcore enquanto a guitarra de Edson Zacca deixa a distorção tomar conta.

            Personalidade. Se fôssemos definir a principal característica do SEU JUVENAL neste ROCK ERRADO, seria a palavra que melhor se encaixaria. Mas também, não poderíamos deixar de citar qualidade, espontaneidade e principalmente, liberdade. Sim, liberdade de fazer o som que lhe convém se se preocupar com o mercado. Música é arte. E arte não se fabrica. Se cria. E o grupo, tem, e muita, criatividade!


 

         
       Sergiomar Menezes