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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

ANTHRAX - FOR ALL KINGS



                    E eis que depois de 5 anos de seu último trabalho de inéditas de estúdio ( em 2013 o grupo soltou o EP de covers ANTHEMS), os norte americanos do ANTHRAX soltam esse belo trabalho. Intitulado FOR ALL KINGS, o cd traz o bom e velho Thrash Metal praticado pelo grupo, com algumas influências mais modernas em sua sonoridade. Em WORSHIP MUSIC (2011), o retorno de Joey Belladona ao grupo, mostrou uma banda cheia de garra e energia e disposta a continuar o bom trabalho que vinha sendo feito com John Bush, principalmente no excelente WE'VE COME FOR YOU ALL (2003).

                    Com uma sonoridade pesada, agressiva e porque não dizer, mais atual, sem esquecer da pegada bem típica da banda, o grupo formado por Joey Belladona (vocal), Scott Ian (guitarra), Jonathan Donais (guitarra - ex- Shadows Fall, que substitui Rob Caggiano), Frank Bello (baixo) e Charlie Benante (bateria), traz aquilo que sempre esperamos em trabalho do ANTHRAX: riffs e mais riffs de guitarra, um baixo marcante e pesado, bateria extremamente pesada e agressiva, além de muito técnica (Charlie Benante é um monstro das baquetas) e o vocal de Belladona, que em algumas músicas soa um pouco diferente, por vezes mais agressivo que de costume. Em outra palavras: heavy metal da mais alta qualidade. Ótima produção, uma timbragem moderna sem soar artificial. E a arte de capa, mais uma vez foi feita pelo excelente Alex Ross, que vem fazendo ótimos trabalhos com o grupo.

                   Após uma breve introdução, que nos remete á uma marcha de soldados rumo ao campo de batalha, You Gotta Believe chega despejando riffs e mais riffs, com aquele jeito típico do Anthrax de fazer Thrash Metal. A dupla Frank Bello e Charlie Benante se destacam, pois imprimem um peso absurdo em determinadas passagens. Alguma mudanças de andamento deixam aflorar os "toques modernos" na sonoridade da banda. Monster At The End é mais cadenciada com riffs fortes. Uma faixa que nos remete aos tempos de Jonh Bush no grupo, pois tem aquela veia anos 90 (que muitos não gostam) e que ficaria perfeita na voz do ex-vocalista. Mas Belladona mandou muito bem! A faixa título, For All Kings, é um dos destaques do álbum. Com uma pegada que nos remete aos áureos tempos da banda ( ah... os anos 80), mas sem esquecer do peso atual, os riffs de Scott Ian parecem ser inesgotáveis. Breathing Lightning possui uma levada e melodia que, se estivesse inserida em We've Come For You All (2003), com certeza seria um dos destaques daquele poderoso álbum. A rifferama THRASH comanda Suzerain, onde o vocal de Belladona adota uma variação entre o mais melódico e agressivo. E mais uma vez, a cozinha ganha destaque! Que peso! Evil Twin, a faixa que foi previamente divulgada, é daquelas onde se sabe que é o Anthrax em poucos segundos. Todas as características do grupo estão ali. Convite irrecusável ao banging...

                A longa Blood Eagle Wings, apesar do bom trabalho de guitarras, soa arrastada demais.  Mesmo com algumas passagens mais intensas, a faixa ficou cansativa. Defend Avenge traz a rifferama e o peso de volta. A cozinha mais uma vez se destaca. E aqui é preciso dizer: este talvez seja o trabalho mais pesado do grupo. Uma música que gruda, seja pelos riffs, seja pelo refrão. E que guitarra é essa em  All Of Them Thives? Com um andamento mais cadenciado, o peso das guitarras aqui é demais! A dupla Scott e Jonathan capricharam. Mesmo sendo uma faixa um tanto quanto diferente, não soa tão "morosa". E o pau corre solto lá pelo meio da faixa, quebrando tudo que estiver pela volta. This Battle Chose Us tem um riff arrastado, mas uma levada mais marcada. A melodia é um pouco mais "acessível" mas nem por isso descartável. O final vem com Zero Tolerance. É o velho e bom ANTHRAX, mostrando, pra quem ainda não sabe, o porque de fazer parte do famigerado BIG 4. Riffs e mais riffs, velozes, pesados, agressivos diretos.O Tracklist regular se encerra por aqui. Em algumas edições, o álbum vem com quatro faixas bônus ao vivo: Fight'em 'til You Can't, A.I.R., Caught in A Mosh e Madhouse.

               FOR ALL KINGS não é melhor trabalho da discografia do ANTHRAX. E não precisa. O grupo não precisa provar nada á ninguém sobre sua capacidade. E mesmo assim, mostra que continua sendo um dos gigantes do Thrash Metal Mundial. Com um trabalho desse nível, podemos apostar que mais álbuns excelentes seguirão vindo por aí. E que assim seja!



      Sergiomar Menezes

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

SKELETOON - THE CURSE OF THE AVENGER



               Uma banda tributo ao Helloween (fase Michael Kiske). Assim surgiu o SkeleToon, sob o comando do vocalista italiano Tomi Fooler. Anteriormente chamado "Jack o' Lantern", o grupo fez diversos shows pelo país e teve durante esse período, várias mudanças de formação. Tendo tocado com vários músicos de renome, Tomi decidiu fazer sua própria música, mas manteve aquela idéia de continuar tendo a clássica banda alemã como principal fonte de inspiração. Assim, THE CURSE OF THE AVENGER surgiu em 2015, sendo lançado agora, em fevereiro de 2016, via Revalve Records.

               Trazendo uma mistura entre o Power Metal alemão "clássico", e as melodias e bom humor da fase Kiske do Helloween, o grupo aposta em músicas rápidas e melódicas e um vocal com linhas que, se não trazem nada de novo, não comprometem. Além de Tomi Fooler (vocal), o trabalho contou com Roland Grapow (ex-Helloween, Masterplan - guitarra solo), Dimitri Meloni (Ensight - guitarra base e solo), Charlie Dho (The Fallen Angel - baixo) e Henry Sidoti (bateria). A produção, mixagem e masterização ficaram com Dennis Ward (Unisonic, Pink Cream 69), o que já por si, é garantia de qualidade. Com letras bem humoradas, baseadas no dia a dia de um garoto "nerd", em filmes de super heróis, seriados de TV (Doctor Who), e até mesmo clássicos do video game dos anos 80 ( a faixa título é dedicada ao jogo The Curse of The Monkey Island), o grupo mostra que é mais uma boa opção no quase saturado cenário do metal melódico.

             Após uma breve Intro, Timelord vem com as características que agradam em cheio aos fãs do estilo. Vocal melódico, guitarras fortes e um belo trabalho de baixo e bateria. Impossível não lembrar da outra banda de Roland Grapow aqui. As linhas de guitarra nos remetem ao primeiro trabalho do Masterplan, mas com uma pegada mais rápida e não tão clássica. What I Want vem na seqüência e nos mostra uma boa composição, principalmente no que diz respeito aos vocais. Algumas bandas, ou ate mesmo, alguns vocalistas cometem o pecado de exagerar em suas performances e colocam de lado o andamento da música. Felizmente, isso não acontece como o SkeleToon. Tomi Fooler sabe de sua capacidade e a usa de forma correta. Belas melodias na guitarra e um solo inspirado completam a faixa. Em Heroes Don't Complain temos as guitarras mais á frente, onde os agudos de Tomi mostram boa variação, alternando momentos mais simples. Dosando de forma correta a velocidade, podemos perceber que a dupla Charlie e Henry (baixo e bateria), são ótimos tecnicamente. Hymn To The Moon é uma bela balada, com uma suave melodia. Acústica, a faixa quebra o ritmo, que vinha intenso, e nos apresenta um lado mais "sério" do grupo.

              The Curse of The Avenger nos traz de volta o power metal alemão em seu melhor. Boas guitarras, pesadas e com riffs diretos, vocais bem arranjados (gostaria muito de assistir essa faixa ao vivo), fazem da música um dos destaques do trabalho. Além de contar com um belo refrão (daqueles pra cantar junto nos shows), e um solo que busca o meio termo entre a melodia e a agressividade (com relação ao estilo). Em seguida Bad Lover, tem um início mais suave, mas que ganha um ritmo mais cadenciado e pesado, transformando-se em uma "power ballad". E aqui podemos constatar a capacidade criativa do grupo, pois mesmo tendo como referência o metal melódico, consegue criar músicas que fogem ao lado mais clichê do estilo. Joker's Turn inicia num ritmo forte de baixo e bateria com as guitarras entrando pesadas logo em seguida. Mais cadenciada, a faixa tem um pouco do que o Gamma Ray costuma fazer. Nada de errado, afinal, Kai Hansen também fez parte da história do Helloween, e por conseqüência, também influencia o trabalho do SkeleToon. O álbum se encerra com a mais "happy happy Heloween" de todas. Heavy Metal Dreamers nos lembra os bons tempos da fase Kiske. Veloz, guitarras fortes e vocais agudos, como toda boa composição do estilo precisa ser.

             THE CURSE OF THE AVENGER é apenas o trabalho de estréia dos italianos do SKELETOON. Mas a julgar pelo capricho e qualidade nas composições, muito mais vem por aí. Uma nova e boa opção para fãs de Heloween, Gamma Ray, Edguy e bandas do estilo. Uma banda que deverá figurar entre os bons nomes do power metal europeu.



   Sergiomar Menezes

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

W.A.S.P. - DOMINATOR (RELANÇAMENTO - 2007)



                   
                Ultimamente, muitos relançamentos vem sendo colocados no mercado. E a Shinigami Records vem prestando um grande favor á nação headbanger ao trazer de volta alguns belos trabalhos. E DOMINATOR, lançado em 2007 pelo W.A.S.P. se encontra neste pacote. Após The Neon God Pt.1 e Pt.2 ( que apesar de não serem trabalhos ruins, não traziam aquela boa e velha sonoridade que se espera de Blackie Lawlees), esse álbum traz uma espécie de ressurgimento daquela sonoridade mais característica do grupo.

                Trazendo aquele Hard n' Heavy que tanto agrada aos fãs, mas ainda com pequenas passagens que nos remetem aos trabalhos anteriores, Blackie Lawless (Vocal, guitarra  teclados), Doug Blair (guitarra), Mike Duda (baixo e vocais) e Mike Dupke (bateria), voltam a investir em melodias que sempre caracterizaram o trabalho da banda. A produção ficou sob a responsabilidade do próprio Lawless, afinal, ninguém melhor do que ele sabe como o grupo deve soar, não é mesmo?

                O início se dá com a excelente Mercy. Com riffs bem típicos, a faixa resgata a linha Hard n' Heavy do grupo, com um pouco mais de peso. A guitarra de Doug Blair mostra que veio a acrescentar, pois o músico mostra muito feeling além de boa técnica. A rápida Long, Long Way To Go vem na seqüência e mantém o ritmo iniciado na faixa anterior. Mike Duda e Mike Dupke fazem um grande trabalho na cozinha, enquanto, novamente, Doug Blair se mostra uma escolha acertada (o que seria ainda mais afirmado nos próximos trabalhos). Take Me Up tem um início mais suave, melodioso, e logo ganha um ritmo mais cadenciado. Aqui, Blackie Lawless tem um de seus melhores momentos no álbum. Uma interpretação carregada de sentimento onde podemos sentir aquela veia mais melódica da banda. Burning Man mostra que as composições com aquela veia anos 80 estão definitivamente de volta. Uma mistura entre o peso do heavy e a malícia do hard. Como só o W.A.S.P. sabe fazer. A introspectiva Heeaven's Hung in Black é uma faixa bem interessante, pois além de ser uma balada, traz aquela forma de composição que Blackie Lawless é especialista. Sentimento e uma interpretação bastante forte são a tônica aqui.

                 Heaven's Blessed tem uma pegada bem hard, com mais um grande trabalho do guitarrista Doug Blair. Um refrão bem estruturado, além dos vocais de Lawless, que se não são mais aqueles dos anos 80, ainda mantém a força e qualidade, são os pontos fortes da composição. Teacher mantém o hard n' heavy em alta, com uma linha de baixo e bateria bem arranjada, formando uma base perfeita para o belo solo de Doug Blair. Heaven's Hung in Black (Reprise), é uma releitura da própria faixa, executada anteriormente. De forma mais introspectiva ainda e com uma letra diferente, a música é mais curta que a anterior. Deal With The Devil encerra o álbum com a volta do estilo W.A.S.P. de compôr. Aqui, a guitarra solo ficou á cargo de Darrell Roberts (que gravou o trabalho anterior).

                DOMINATOR traz a volta daquele Hard n' Heavy que sempre foi a marca do W.A.S.P. Guitarras marcantes, belos solos, baixo/bateria técnicos e bem estruturados e Lawless mostrando que ainda têm muito a oferecer. Os álbuns que vieram na seqüência - Babylon (2009) e Golgotha (2015) - também lançado por aqui pela Shinigami Records, revelam que essa retomada iniciada aqui, se manteve, colocando novamente a banda em destaque na cena. Se você é fã, pode conferir sem medo. Se não é, está aí mais uma chance de se tornar.


               

  Sergiomar Menezes

domingo, 14 de fevereiro de 2016

5° UNIÃO EXTREMA FEST - IMMINENT ATTACK PELA PRIMEIRA VEZ NO RS




                 E o União Extrema Fest chega a sua quinta edição! Mais uma vez, tendo como palco a Embaixada do Rock em São Leopoldo, o já consagrado festival organizado de forma conjunta entre a Heavy And Hell Press e o All That Metal,  nesta edição, que ocorrerá no dia 20/02, trará ao RS, pela primeira vez a banda revelação do Crossover nacional, a paulista IMMINENT ATTACK que está lançando seu mais recente trabalho, Welcome To My Funeral.

                O evento traz ainda em seu cast, duas grandes bandas da cena gaúcha: Yell The Truth e Eu Acuso!, que, como celebra o nome do festival, farão a união entre os diversos estilos, com shows vibrantes e cheios de energia. Tendo como característica a pontualidade em seus horários, o festival tem seu início marcado para ás 18:00 e término previsto para ás 22:30 hs, o que facilita aos usuários do transporte coletivo. Então, não fique de bobeira, compre seu ingresso e participe de mais essa celebração do underground!

Serviço:

5° UNIÃO EXTREMA FEST
Local: Embaixada do Rock
Rua Presidente Roosevelt, 806
São Leopoldo - RS

Ingressos:

R$12,00 (NOS PONTOS DE VENDA)
R$10,00 (COM AS BANDAS CONVIDADAS)
R$15,00 (NA HORA)

Pontos de venda:

Planeta Records (Av. Guilherme Shell, 6750 - loja 143, Canoas Shopping)

Aplace (Rua Voluntários da Patria, 294 - loja 154c, Centro Shopping, Porto Alegre)


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

AZORRAGUE - BRINGER OF TERROR



                  É apostando em uma sonoridade baseada nas vertentes old school do death metal, que o trio curitibano AZORRAGUE chega ao seu segundo full lenght. BRINGER OF TERROR traz também, forte influência de thrash metal, principalmente aquele mais cru e direto. Em 2012 o grupo lançou Die With Us, seu primeiro trabalho. Já em 2014, é lançado o EP Fall By Pride, que antecedeu o lançamento deste mais recente trabalho. Sem nenhum tipo de concessões em seu som, o trio despeja muito peso e energia no seu mix death/thrash com uma pegada que por vezes nos remete aos bons tempos do Mortification.

                 O grupo é formado por Fernando Frogel (baixo e vocal, ex- Evilwar e Doomsday Hymn), Roney Lopes Simões (guitarra, ex- Vestigium Dei, Silver Blade, Motorbreath e Doomsday Hymn) e Jarlisson Batista "Macarrão"(bateria e vocal, ex- Mediator). Gravado entre novembro de 2014 e março de 2015 no Silent Music Studio em Curitiba, teve na produção Karim Serri (Doomsday Hymn), o mesmo produtor do debut do grupo. As guitarras afiadas e pesadas, o bom trabalho de baixo e bateria que garantem a pegada característica e os bons vocais, transformam o cd em uma boa pedida pra quem não tem pena do seu pescoço!

                A rifferama tem início com Bloody Hands. Uma faixa cheia de fúria e velocidade, com a cara do death metal anos 90! Algumas mudanças de andamento, alternando entre velocidade e momentos mais cadenciados, com um solo que pode-se dizer, traz um pouco de melodia á composição. Bringer of Terror inicia com um riff direto e já entra com os dois pés na porta, mostrando o bom entrosamento da dupla baixo/bateria. A Voodoo Journey possui riffs bem thrash, assim como o andamento da faixa. Talvez seja a faixa mais thrash do trabalho, mas sem perder aquela pegada death metal. Vocais envenenados são o destaque na acelerada Devil's Army Destruction, que além de manter a porradaria em alta, tem um solo bem interessante. Funeral Invitation alterna momentos rápidos e cadenciados criando uma atmosfera perfeita para aquela dor no pescoço.

                O Ciclo Maldito da Perversão, como o nome entrega, é cantada em português e soa mais forte! Com uma letra agressiva e instigante, a velocidade impera e apesar de manter as características do grupo, percebi alguma influência de hardcore aqui. The Voice of Who Cries é uma porrada direta. Agressiva e com passagens bem na linha do thrash metal alemão. Riffs e mais riffs logo no início ditam o ritmo de Catapulted to the Void, com destaque para o bom entrosamento do grupo. O refrão é daqueles "pra cantar junto". E tome mais porrada em Strident, que em algumas passagens traz toques mais atuais ao som do grupo. Mas nada que possa interferir na sua maneira de tocar ou compôr. For All Believe é a faixa mais "diferente" do cd. Cadenciada, com variações e partes mais limpas, incluindo um suave vocal feminino que cria um contraste bem interessante, criando um momento único na execução do trabalho. A última faixa é Fall By Pride em uma versão remasterizada do EP de mesmo nome que saiu em 2014.

               Fazendo um som direto, agressivo e com muita influência da cena thrash/death de antigamente, o AZORRAGUE se mostra uma banda que não segue tendências e acredita naquilo que faz. BRINGER OF TERROR é a prova disso. Uma grande pedida pra quem curte o estilo sem invencionices ou modernidades.



       Sergiomar Menezes
                 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

ENCÉFALO - DIE TO KILL



                       O Nordeste brasileiro sempre apresentou inúmeros bons nomes na cena do metal nacional. Ficar citando alguns por aqui seria injusto, pois sempre acabamos esquecendo um ou outro e também, porque a cena acaba se renovando e mostrando novos grupos. Um deles, não tão novo, mas que pode e deve ser citado nesta lista, é o trio cearense ENCÉFALO. Praticando um Thrash Metal bastante influenciado pela cena alemã, mas com toques que por vezes nos remetem ao Death Metal, o grupo lançou em 2015 o álbum DIE TO KILL, sucessor de Slave of Pain (2012). 

                      Na época da gravação do trabalho, o grupo era formado por Alex Maramaldo (vocal e guitarra, que deixou o grupo), Lailton Souza (guitarra), Luiz Henrique Muniz (baixo) e Rodrigo Falconieri (bateria). Após a saída de Alex, Luiz Henrique assumiu os vocais do grupo. 
A produção ficou sob a responsabilidade da própria banda e teve a co-produção de Alex Maramaldo. E ficou boa, pois pode-se ouvir claramente todos os instrumentos e manteve a brutalidade do som do grupo intacta. A arte da capa foi feita por Tiago Oliveira. E como dito antes, a sonoridade se não traz inovações (e quem disso que isso é sempre necessário?), mostra uma agressividade e peso que se alinham com a versatilidade do grupo, pois a variação dos vocais, que por vezes se mostram mais fortes, urrados, e em outras se mostram mais rasgados, as guitarras muito bem timbradas que despejam ótimos riffs e solos (alguns com uma pegada bem death metal) e a dupla baixo/bateria, que sentam a mão mostrando grande entrosamento e coesão entre peso e técnica, fazem deste trabalho, algo que todo headbanger deve ouvir.

                     Após a introdução Alive or Dead?, Age of Darkness chegam enfiando o pé na porta! Riffs afiados, vocais variados, muita velocidade (a bateria de Rodrigo se destaca) e peso e brutalidade. Faixa perfeita para a abertura do cd. Com algumas variações no andamento, o grupo mostra personalidade. Endless Suffering mantém a velocidade em alta com mais riffs agressivos e diretos, mas em seguida possui uma mudança de andamento e fica mais cadenciada. Essa alternância acaba dando um toque diferente á composição. Em seguida, Psywar é outra faixa que possui andamento mais cadenciado e traz as guitarras de Alex e Lailton a frente com bases bem sólidas e estruturadas e solos cortantes, enquanto a dupla Luiz Henrique/Rodrigo dão aula de brutalidade e peso na cozinha. Os vocais de Alex mostram boa variação. A pesada Assassin traz dose extra de peso e mais uma vez, a bateria de Rodrigo ganha destaque.

                    Battle of Blood é instrumental e mostra o bom entrosamento da banda, além de destacar o baixo de Luiz Henrique. E  aqui cabe uma nota: todos os músicos possuem excelente técnica e isso se percebe em faixas instrumentais como essa. Não que os vocais "atrapalhem", mas é nesses momentos que prestamos uma atenção maior á estes detalhes. Suicide Dreams tem guitarras em sua introdução que me remeteram ao Sentenced, mas que logo se transformam na porradaria thrash old school do grupo cearense. Apocalypse já inicia na velocidade da luz, com um solo rápido e cortante. Em The Bounty Hunter a brutalidade e agressividade seguem em alta, com os vocais mais raivosos do trabalho. O encerramento vem com Night of the Dead, mais direta e com riffs bem thrash.

                   O grupo mostra em DIE TO KILL uma boa variação entre andamentos, alternando momentos mais rápidos com passagens mais cadenciadas, onde as guitarras ditam o ritmo e possuem uma base pesada vinda da dupla baixo e bateria. Aliás, preciso retificar o disse no começo da resenha, quando escrevi que o ENCÉFALO era mais um bom nome vindo da cena nordestina. o grupo é mais um bom nome d acena NACIONAL!



   Sergiomar Menezes

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

INSANE DEVOTION - INFIDEL



                         Muito mais que Black Metal. O que temos aqui não pode, simplesmente, ser resumido dessa maneira. Claro que a brutalidade, agressividade e aquele toque seco e cru que o estilo necessita se fazem presentes. Mas elementos sinfônicos, além de influências de outras vertentes do heavy metal dão ao trio paranaense INSANE DEVOTION uma personalidade ímpar. E o resultado de 20 anos de carreira se apresenta aqui, no excelente INFIDEL, lançado em 2015. Tendo lançado em 2005 seu primeiro trabalho, Slaves Will Serve, o grupo esteve ausente da cena por alguns anos, mas retornou e, pelo que se ouve neste lançamento, veio pra ficar!

                         O grupo é composto por Moloch (vocal), A. Maurício Laube (guitarra, baixo, programação da bateria e vocais) e Fernando Nahtaivel (sintetizadores, programação de bateria e vocais). Interessante é que mesma sem um a"bateria", o grupo faz um som tão intenso e forte, que isso passa despercebido, tamanha a criatividade e personalidade do trio. Com uma produção bem direta e seca, perfeita dentro da proposta da banda. Sob o comando de Maurício e Fernando, o peso e sujeira do som do grupo encontraram o equilíbrio de forma "cristalina", pois podemos ouvir todos os instrumentos de forma nítida. A guitarra com um timbre perfeito, o baixo pesado e denso, sintetizadores criando um clima sombrio e  a bateria que, como disse antes, mesmo programada, transborda agressividade. A capa é de Chris Cold, enquanto a arte do encarte ficou sob a responsabilidade de Maurício e Fernando.

                        O CD tem início com a densa e sombria Son of Hate. Um clima pesado permeia a composição, onde as guitarras despejam riffs bastante pesados. Os vocais de Moloch vem carregados de fúria e, ao mesmo tempo, lamento. Uma variedade no andamento da música, mostra o talento dos músicos na composição e reforça a qualidade dos arranjos. Obscure Blackened Night inicia com riffs mortais e um vocal rasgado. veloz e técnica, a faixa também possui variação em seu andamento, As passagens sinfônicas dão uma atmosfera bastante "carregada". Bad Machine também vem com riffs bastante agressivos, enquanto os sintetizadores criam o clima soturno que  a faixa demanda. Os vocais cortam a faixa de forma instigante, gerando um dos melhores momentos do trabalho.

                        The Rite of Winter tem um andamento mais cadenciado. Não tão agressiva e brutal e um pouco mais "melódica", a faixa tem belos riffs e um solo muito bem elaborado. Essa variação entre as composições é um dos pontos fortes do grupo, pois mostra que não se prende a um determinado estilo nem forma de composição. Criatividade e originalidade. E isso faz a diferença. Standard Operating Procedure é rápida, "direta" e possui riffs matadores. Uma faixa curta, mas marcante. Mass Murderer encerra de forma grandiosa o trabalho, pois aqui, temos uma faixa que resume perfeitamente a proposta do grupo. Arranjos muito bem elaborados, variações de andamento, a versatilidade dos vocais, riffs pesados, baixo marcante, orquestração muito bem encaixada.

                      INFIDEL ainda traz uma bela surpresa. O primeiro trabalho do grupo, Slaves Will Serve, lançado em 2005, vem como bônus, o que engrandece ainda mais o lançamento. Que o grupo não demore tanto para lançar o próximo trabalho. Um black metal criativo, sem amarras. Personalidade e dedicação. Essa combinação, faz do INSANE DEVOTION uma grande banda!



    Sergiomar Menezes