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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

DRAGONFORCE - IN THE LINE OF FIRE... LARGER THAN LIVE (CD/DVD)



                 E eis que o DRAGONFORCE lança seu primeiro trabalho ao vivo. Após seis álbuns de estúdio, o grupo nos apresenta IN THE LINE OF FIRE... LARGER THAN LIVE, que chega ao Brasil através da Shinigami Records em CD/DVD. Gravado em outubro de 2014 no festival japonês Loud Park, o trabalho traz uma banda extremamente técnica e competente em cima palco, mas nem por isso, burocrática. Dá pra perceber que os músicos estão ali, acima de tudo, se divertindo. Com performances bastante extrovertidas e músicas rápidas (uma das principais características do grupo), a banda inglesa dá ao público seu melhor.

                O DRAGONFORCE nunca foi unanimidade entre a turma do metal melódico. Apesar de seus três primeiros trabalhos manterem um padrão acima da média - a saber, Valley of the Damned (2003), Sonic Firestorm (2004) e Inhuman Rampage (2006) - a banda não conseguiu manter essa boa seqüência e deixou um pouco a desejar nos dois trabalhos seguintes - Ultra Beatdown (2010) e que foi o último trabalho com o vocalista ZP Theart, que possuía características que fugiam um pouco da linha adotada pela maioria dos vocalistas de metal melódico, e The Power Within (2012) que foi o primeiro trabalho com o vocalista Marc Hudson, que adota a veia mais aguda dos vocalistas desse seguimento. Já com Maximum Overload (2014), o grupo parece ter se reencontrado e resolveu nesta turnê, registrar seu primeiro CD/DVD ao vivo.

                E, como dito anteriormente, a performance do grupo é muito boa. Herman Li e Sam Totman, são exímios guitarristas e mandam ver em bases e solos extremamente rápidos. O baixista Frédéric Leclerco não fica atrás, além de auxiliar nos backing vocals. O tecladistacVadim Pruzhanov  tem uma performance bastante peculiar, mas nem por isso destoa do restante. E o batera Gee Anzalone exibe boa técnica e controle. Já Marc Hudson... Bem, apesar de ser um vocalista bem diferente de ZP Theart, ele dá conta do recado ao vivo com desenvoltura, pois como disse antes, ele tem mais características vocais que se encaixam na sonoridade metal melódica da banda.

              Com um repertório que traz desde músicas mais novas como Three Hammers e Tomorrow's Kings, com clássicos do grupo como Fury of The Storm, Black Winters Night, Valley of The Damned e a "indefectível" Through The Fire and Flames, além do cover de Ring of Fire (Johnny Cash), intercalado por depoimentos dos músicos, cenas de backstage, dia a dia dos músicos, dando uma cara diferente ao andamento do vídeo. No CD, temos, além das músicas do DVD, uma faixa bônus, intitulada Defenders.

              IN THE LINE OF FIRE... mostra que o DRAGONFORCE tem muito potencial ainda e que pode, como comprovado em seu mais recente trabalho de estúdio, voltar aos grande momentos de seus primeiros álbuns. Entrosamento e coesão ao vivo, um vocalista com boa técnica e com a "cara" do metal melódico e uma perfeita interação com o público. Tudo que um show do estilo precisa para funcionar. E aqui, funciona muito bem!
               



 Sergiomar Menezes

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

DEEP PURPLE - FROM THE SETTING SUN... IN WACKEN



                  Uma das maiores bandas de todos os tempos no palco de um dos maiores festivais de rock/metal do mundo. Não tinha como dar errado, não é mesmo? E não deu. FROM THE SETTING SUN... IN WACKEN, gravado pelo DEEP PURPLE no dia 1° de Agosto de 2013, no Wacken Open Air, traz a apresentação do grupo no famoso e grandioso festival alemão. O lançamento, em CD duplo, com um encarte recheado de belas fotos, chega  no Brasil chega via Shinigami Records. Há também há versão em DVD deste lançamento.

                 Com um repertório de 15 músicas, abrangendo boa parte da carreira da banda, e divulgando seu mais recente trabalho, Now What?! (2013), o grupo fez uma bela apresentação. Com o público na mão e uma produção de altíssimo nível, podemos perceber a total entrega desses "senhores" em cima do palco. Poderiam estar tranquilos, curtindo a aposentadoria, mas não... Estão aí, firmes, lançando bons discos e fazendo turnês extensas, entregando aos fãs aquilo que sempre fizeram: música de qualidade.

                 Ian Paice continua sendo um monstro da bateria. Steve Morse definitivamente não é Ritchie Blackmore. E nem precisa. Há mais de 20 anos no grupo, o excepcional guitarrista mostra que tem talento de sobra pra empunhar as seis cordas da banda. Roger Glover, correto como sempre. Don Airey honra com maestria o posto do saudoso e inesquecível Jon Lord. E Ian Gillan... Bem, não é novidade pra ninguém que o Silver Voice não é mais o mesmo. E exigir isso dele seria covardia. Mas ele está cantando mal? Desafinado? Não, não está. Mas, apesar da boa performance, não dá pra negar que ele deixa um pouco a desejar. Afinal, estamos falando de um senhor de 70 anos...

               Highway Star, Strange Kind of Woman, Into The Fire, Perfect Strangers (que música sensacional), Space Truckin', Smoke on the Water (que contou com a participação de Uli Jon Roth), Hush e Black Night se misturaram ás novas Vincent Price (que belo riff pesado), Hell to Pay e Above And Beyond e fizeram a alegria do público, que ao julgar pelo que ouvimos, interagiu de forma animada com a banda.

               FROM THE SETTING SUN... terá seu complemento com o lançamento de ...TO THE RISING SUN, que foi gravado no Japão, no mítico Budokan e que também será lançado aqui no Brasil pela Shinigami Records. O DEEP PURPLE mostra que é uma banda que soube envelhecer com sabedoria. E que ainda tem muito a nos oferecer. E esse lançamento só vem a comprovar isso...


   Sergiomar Menezes

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

LYNYRD SKYNYRD - ONE MORE FOR THE FANS (CD)



                  Uma verdadeira celebração ao Southern Rock. Não havia como ser diferente, afinal estamos falando de um tributo á uma das maiores, senão a maior, bandas de Southern Rock (ou simplesmente Rock n' Roll) de todos os tempos. Um verdadeiro quem é quem do estilo, além do Blues, Country e Classic Rock se reuniu na noite de 12 de Novembro de 2014 para celebrar a música do LYNYRD SKYNYRD. E o resultado não poderia ser outro. Espetacular! ONE MORE FOR THE FANS chega por aqui através da Shinigami Records em CD duplo (há uma versão com o show em DVD também).

                  Realizado no Fox Theatre, em Atlanta, onde o LYNYRD gravou seu clássico álbum ao vivo ONE MORE FROM THE ROAD em 1976, o show trouxe uma verdadeira constelação, além do próprio grupo que executa três clássicos no encerramento. Nomes como Randy Houser, Robert Randolph & Jimmy Hall, Aaron Lewis, a sensacional banda Blackberry Smoke, O.A.R., Cheap Trick, moe. & John Hiatt, Gov't Mule, Warren Haynes, Jamey Johnson, Jason Isbell, Peter Frampton, Trace Adkins, Charlie Daniels & Donnie Van Zant, Alabama e Gregg Allman. Todos, sem exceções, mandaram excelentes versões e interpretações dos clássicos da banda.

                 Mas não há como não destacar algumas versões. No primeiro CD, You Got That Right com Robert Randolph & Jimmy Hall, Saturday Night Special com Aaron Lewis , Working For MCA, interpretada pela Blackberry Smoke, uma das mais legítimas herdeiras da sonoridade do LYNYRD, Gimme Back My Bullets, que o Cheap Trick deixou mais pesada, Simple Man, numa emocionante versão do Gov't Mule e That Smell com Warren Haynes se destacam. Já no segundo CD, I Know A Little com Jason Isbell, Call Me the Breeze com o magistral Peter Frampton, Tuesday's Gone, que ganhou uma bela interpretaçao de Gregg Allman e a participação da própria banda. Travelin' Man, que contou com a participação especial de Ronnie Van Zant, fazendo um belo dueto com seu irmão Johnny Van Zant em uma dessas maravilhas proporcionadas pela tecnologia, Free Bird em uma grande performance ( na boa, tem como essa música ficar ruim?) e o encerramento com Sweet Home Alabama, que contou com a participação de todos os artistas.

               Uma excelente produção, repertório fantástico, grandes artistas e uma das maiores bandas de todos os tempos. Não há muito o que se dizer. IMPERDÍVEL. Sei que hoje em dia, com a crise, as coisas estão difíceis. Mas aqui, o investimento vale cada centavo. O retorno é mais que garantido!



  Sergiomar Menezes

DESDOMINUS - UNCREATION



                   Um metal extremo brutal, agressivo, técnico e muito, mas muito bom! Não existem outras palavras que possam descrever com melhor precisão a sonoridade da banda DESDOMINUS, de Americana (SP). Praticando um som que vai do Death ao Black com grande desenvoltura, mas sem se prender a estes estilos, o grupo nos entrega em UNCREATION um dos melhores álbuns do ano que se passou. Com grande versatilidade e excelentes composições, o grupo mostra que a experiência adquirida nestes 22 anos (23 agora em 2016), fazem a diferença, seja ao trazer influências variadas ao seu som, seja na qualidade e precisão com que as executa.

                   A banda é compota por Paulo Bruno (vocal e guitarra), Wilian Gonsalves (vocais limpos e guitarra), Rafael Faria (baixo) e Ney Paulino (bateria). O trabalho apresenta uma banda extremamente entrosada e coesa, com guitarras que conseguem soar agressivas e por vezes melódicas sem perder sua essência. Os vocais rasgados se encaixam perfeitamente, deixando a veia black metal do grupo mais evidente. Já o trabalho da cozinha é sensacional, pois o peso que baixo e bateria proporcionam, dão a sustentação perfeita aos arranjos de cada faixa. O álbum foi produzido por Ricardo Biancarelli e pela própria banda. Já a gravação, mixagem e masterização ficou por conta unicamente de Ricardo e foram feitos no Estúdio FUZZA, entre Junho e Agosto de 2015. E a bela capa é obra de Rafael Tavares.

                  Certo e Convicto inicia o álbum de forma estupenda. Bastante agressiva e única faixa cantada em português, traz uma letra forte. "O pecado é fruto da sua ignorância" reflete de forma consciente muito do momento que vivemos. Guitarras pesadas e afiadas e uma base forte de baixo e bateria mostram logo de cara que o grupo não está pra brincadeira. Erase The God Within traz as guitarras é frente, dando a dose de brutalidade que a música demanda. Com variações no andamento, as melodias se fundem á agressividade do grupo de forma coesa. A faixa título, Uncreation, vem na seqüência e mantém a dose de peso elevada. Os vocais de Paulo Bruno aqui, ganham mais volume, enquanto os riffs da dupla composta pelo próprio Paulo e por Wilian soam diretos e violentos. E que belo solo! Sacred Scrolls of Holy Lies inicia de forma mais amena, suave. Mas em seguida ganha corpo com o andamento mais cadenciado. Uma faixa bem variada que mostra a capacidade do grupo em relação ás composições. Cathedra tem uma levada thrash, tanto nas guitarras como no baixo e bateria. E as guitarras... Novamente, a dupla mostra competência de sobra!

                  A instrumental Instrospection, traz arranjos simples e serve como uma espécie de introdução para a longa e trabalhada Inner Elevation. Agressiva, ríspida e brutal, a faixa traz variações muito interessantes e apesar de longa, não soa em nenhum momento cansativa, tamanha a criatividade da banda em seus arranjos. Sem dúvida, um dos destaques do trabalho. Waves Collide é mais cadenciada e tem bons riffs. E nesse tipo de faixa, podemos perceber o bom entrosamento da dupla Rafael e Ney, que carregam a mão. Beyond The Allowed traz um inicio com guitarras que remetem ao metal tradicional, que logo são "encorpadas" pelo peso da cozinha. Mais riffs que despejam a adrenalina que a faixa pede. E o encerramento do cd se dá com Sublimation. Uma faixa instrumental, digamos, limpa e introspectiva que fecha  aula de pancadaria de forma amena.

                UNCREATION é, sem nenhuma dúvida, um trabalho sensacional. Não fica devendo nada á trabalhos de bandas internacionais que acabam ganhando "os louros da fama" apenas por serem de fora. Um trabalho como esse do DESDOMINUS, com toda a certeza, lá fora será cultuado. Como sempre, nossas bandas passam dificuldade por aqui, enquanto lá fora, acabam por se destacar. Tá na hora desse placar virar, não é mesmo???



Sergiomar Menezes






quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

D'HANKS - VEREDICTO



                  Chamar a música praticada pela banda carioca D'HANKS de Pop Rock seria uma grande injustiça. Afinal, ouvimos muito mais do que isso em VEREDICTO, terceiro trabalho do grupo, e que foi lançado de forma independente. Uma sonoridade com influências de Pop sim, mas podemos perceber toques de hard, e porque não dizer, algo de metal também. Guitarras muito bem timbradas e que garantem o "peso" ao som da banda, um baixo muito bem trabalhado e em perfeita sintonia com a bateria e os vocais que se encaixam de forma correta no som da banda, transformam o álbum em um trabalho bastante coeso e bem composto.

                  O grupo é formado por Angélica (vocal), Rogério (guitarra/vocal), Renan (guitarra), Roberto (baixo) e Felipe (bateria) e está completando 12 anos de estrada agora em 2016. A gravação e a mixagem ficaram sob a responsabilidade de Lucas Macedo "Tuta" e foi realizada no EME Estudio (RJ). Já a masterização foi feita por Dave McNair em New jersey (USA). E tudo ficou muito bem feito, pois os instrumentos ficaram nítidos, pesados quando necessários mas sem perder a clareza. E as composições ajudaram bastante, pois trouxeram á tona a qualidade dos músicos e além disso, souberam dar cara própria ao grupo. E isso, no terreno ao qual eles estão inseridos, faz a diferença.

                 Matá-lo ou Morrer abre o play, destacando o trabalho do baixo de Roberto. Pesada (dentro da proposta da banda), a música tem uma pegada certeira. As variações na execução dão um toque especial, além do belo vocal de Angélica, que de forma correta, não comete os exageros que algumas de suas colegas cometem ao tentar fazer aquilo que não sabem. Deixa Fingir tem uma levada mais Pop Rock, onde as guitarras de Rogério e Renan ganham destaque. A terceira faixa, Depois de Tudo, tem um andamento mais cadenciado. Uma melodia mais intensa, cortesia das guitarras. E a bateria de Felipe aparece de formar a dar uma sustentação mais pesada e densa á faixa. Ressurgir vem na seqüência e aqui podemos perceber uma certa influência de hard rock no som do grupo. Mais um bom trabalho de guitarras. Me levar, a quinta faixa, tem uma melodia mais suave. Uma faixa com algumas variações bem interessantes nas linhas vocais.

                 Despedaçar, inicia com os vocais suaves e melódicos de Angélica e um andamento bem mais calmo. Até que as guitarras trazem boas bases aliadas ao trabalho pesado da cozinha (e novamente, entenda-se por "pesado" com relação á proposta da banda). Nova Solidão pode ser considerada uma balada. O belo solo é um dos destaques. Melódico e cheio de feeling, dá á música uma cara própria. Invisível tem os vocais de Rogério e é uma faixa com um andamento mais cadenciado e possui uma boa dose de peso e traz uma letra bastante introspectiva. Em seguida, Corra, uma faixa bastante Pop e que traz os vocais divididos entre Rogério e Angélica e que ficou muito boa. Veredicto, que encerra o track list regular, vem com velocidade e guitarras que chegam a soar punk rock. Os vocais aqui também ficaram mais diretos. Uma bela faixa, cheia de garra e energia.

                 O cd possui duas faixas bônus. Utopia e Silêncio. A primeira é uma balada carregada de sentimento. Já a segunda possui um andamento variado, com as guitarras bem colocadas e baixo/bateria sintonizados.

                 Com este terceiro trabalho, o D'HANKS mostra uma boa evolução e mostra que o cenário pode e deve se renovar e não ficar preso aos mesmos  (e saturados) nomes. Seu diferencial está na boa dose de peso das guitarras e do instrumental muito bem trabalhado. Mais um bom nome no Rock n' Roll nacional!


               

Sergiomar Menezes

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

ROADIE METAL - VOL.5



                E eis que o 5° volume da coletânea ROADIE METAL chega para fazer aquilo a que se propõe. Divulgar o Metal Nacional. E o faz de forma sublime! Idealizado  por Gleison Júnior, um dos guerreiros do underground, o projeto tem por objetivo levar ao conhecimento dos bangers bandas nacionais de vários estilos, sem se prender á rótulos. E esse tipo de iniciativa deve ser saudado, pois além de divulgar bandas que muitas vezes, não tem a oportunidade de mostrar seu trabalho, é distribuído de forma gratuita.

                São dois cds, embalados em uma belo digipack, contendo encarte com informações sobre todas as bandas. No total, 31 bandas participam deste volume. Variando entre o extremo e estilos mais amenos, acontece o que é bastante comum em coletâneas desse tipo. Algumas produções não ficaram tão boas, mas não causam ao trabalho nenhum tipo de demérito. E num geral, pode-se dizer que as bandas estão niveladas por cima. E com isso, podemos chegar á seguinte conclusão: por mais que se fale, o metal brasileiro está muito bem, obrigado. Excelentes bandas, não tão conhecidas do público (e aqui entra o papel fundamental deste projeto) podem ter seu trabalho divulgado.

               No primeiro cd, 16 bandas mostram seu trabalho. Apesar de bom nível de todas, podemos destacar SHALLRISE (que garnde banda!), TELLUS TERROR, SUNROAD, CAVERA,  MAGNÉTICA, THE GOTHS, ROOTTEN PIECES. Já no segundo cd, 15 bandas se apresentam e se destacam KRUCIPHA, HOLLOW, MÁQUINÁRIOS, BALBA, VÔMITOS & NÁUSEAS, HALF BRIDGE, INDIVIDUAL, VALFENDA. Algumas bandas já possuem trabalhos lançados, mas nunca é demais a divulgação, ainda mais quando a qualidade dos grupos é muito acima da média.

              Como dito anteriormente, independente do resultado final, este tipo de projeto dese ser louvado. Só que aqui, além desta grande iniciativa, a qualidade das bandas é muito boa. O ROADIE METAL é um programa de rádio que vai ao ar pelo www.canalfelicidade.com todas as quintas das 20:30 hs ás 23:00 hs e aos sábados das 14:45 hs ás 16:30 hs. Mais uma vez, parabéns ao Gleison Júnior e lembrando que o Vol.06 deste grande projeto já se encontra á caminho!




Sergiomar Menezes


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

IT'S ALL RED - LEAD BY THE BLIND



                 Um Thrash Metal moderno, trazendo consigo uma boa dose de metalcore. Uma música agressiva, pesada mas que não esquece da melodia. Aliás, as melodias são o tempero que dá uma cara própria ao som do grupo gaúcho IT'S ALL RED. Um metal muito técnico e bem trabalhado é o que encontramos em LEAD BY THE BLIND,  O terceiro trabalho do quinteto chega após mudanças na formação e que normalmente causam certa instabilidade. Mas aqui, pelo que podemos constatar, as trocas foram benéficas e mostram um entrosamento que parece que os músicos estão juntos á bastante tempo. E isso se refletiu no grande trabalho apresentado neste cd.

                A banda é composta por Tom Zynski (vocal), Juliano Ângelo (guitarra), Rafael Siqueira (guitarra), Gabriel Siqueira (baixo) e Renato Siqueira (bateria) e caprichou nas composições. Arranjos muito bem estruturados, guitarras pesadas e melódicas (sem soarem chatas) e que soltam riffs sempre pesados, a dupla baixo e bateria além de técnica, carrega a mão na agressividade e os vocais que usam da versatilidade, pois vai do limpo ao mais agressivo e que conta com backings bem encaixados, tudo isso aliado a produção que ficou sob a responsabilidade de Rafael Siqueira e da própria banda, que soube valorizar a proposta musical a qual o grupo se propõe a fazer, fazem deste trabalho, o melhor da carreira do grupo até aqui. A masterização e mixagem ficaram á cargo de Tiago Suminski, Vini Bancke e Henrique Lopes. Os vocais foram produzidos por Iuri Sanson (Hibria). A arte gráfica é simples, porém adequada ao contexto do trabalho.

              O álbum inicia com a pesada e moderna Integrate Forever. A faixa, que virou clipe e foi a primeira a ser divulgada, vem carregada de peso e muitas mudanças de andamento. As guitarras, como dito anteriormente, possuem uma pegada agressiva, mas que dão a melodia necessária ao som do grupo. Baixo e bateria alinhados em pesar a mão e os vocais certeiros mostram o poderio musical do grupo. Na seqüência, a faixa título, Lead By The Blind, mantém o peso e agressividade em alta, com riffs certeiros. As variações durante a execução mostram a capacidade de composição do grupo. Destaque para o solo bem construído. Plavalaguna é um dos destaques. Com uma cara bem moderna, os vocais se destacam pois vão do limpo ao mais rasgado sem perder a harmonia. Além disso, as guitarras trazem melodias que contrastam com o peso da cozinha. Mritak possui um clima pesado e denso, mas que nem por isso deixa de ser agressivo. Novamente, podemos perceber o cuidado da banda com os arranjos, pois a faixa tem mudanças de andamento mas mantém a mesma pegada. Em Steps of Ancient Elephants, a banda procura mesclar bem as características do thrash metal atual com algumas passagens do metalcore, principalmente pelos vocais de Tom Zinski. Mai um belo trabalho de guitarras, que tem a sustentação perfeita da dupla Gabriel e Renato (baixo e bateria).

              Killing a Dead Tree tem uma certa atmosfera que nos remete ao death melódico, mas sem perder suas características. Com um refrão "fácil", deve ser presença nos shows da banda. Propagates The Rage, ganhou um vídeo recentemente e é uma as faixas mais pesadas do álbum. A bateria ganha destaque, ao mesclar técnica e brutalidade de forma homogênea. E mais uma vez, Juliano e Rafael fazem um grande trabalho nas guitarras que sabem ir da agressividade dos riffs á melodia. Já Last Day of The Sun tem um início mais suave, introspectivo até, mas em seguida ganha peso e um ritmo mais cadenciado. O que comprova mais uma vez a versatilidade do grupo nas composições. Victoria Needs To Lose, na minha opinião, uma das melhores faixas do cd. Peso e melodia na medida, harmonias corretas e um refrão melódico, direto e com backing certeiros. Birth of Liquid Desires também tem aquele ar de "modernidade", pois mescla vocais rasgados e limpos. Power To Let power Go tem a participação de Iuri Sanson (Hibria) que contrastou seu vocal mais tradicional, na linha power metal com os de Tom Zynski, criando um clima diferente. Musicalmente, a faixa possui um andamento mais cadenciado com toques de metal tradicional. A agressividade volta á tona com What Is Blood If Not For Shedding?. Vocais mais extremos, e muito peso proporcionado pela duo baixo/bateria. O trabalho se encerra com a bonus track I'm Your Superhero, uma faixa, digamos, mais acessível, onde as guitarras conduzem a melodia, enquanto o vocal, mais limpo em determinadas passagens, dá lugar ao mais rasgado em outras. Um belo encerramento.


           LEAD BY THE BLIND pode ser considerado o melhor trabalho do IT'S ALL RED até o momento. Faixas muito bem estruturadas e bem executadas, composições onde a agressividade e brutalidade do thrash se aliam á melodias bem encaixadas. E, podemos afirmar, com a mais absoluta certeza, ao manter esse nível, o grupo se firmará entre os grandes do cenário nacional. 


                 
 Sergiomar Menezes

domingo, 10 de janeiro de 2016

PROJECT BLACK PANTERA - PROJECT BLACK PANTERA



               Um soco na boca do estômago. Um pontapé certeiro na porta. Chame da forma que quiser. Mas não dá pra passar incólume ao petardo do trio mineiro PROJECT BLACK PANTERA que estréia em cd de forma independente, com um álbum de mesmo nome.. Fazendo um mix perfeito entre o punk/hardcore, com pitadas thrash, mas com um groove cheio de malícia e pegada, o grupo de Uberaba consegue criar um estilo próprio, Personalidade, letras ácidas e sem nenhum tipo de concessão, e muita, mas muita garra e raiva. A intensidade do som do grupo soa suja e ao mesmo tempo, bastante técnica e bem trabalhada.

                O grupo é formado por Charles Gama (vocal e guitarra), Chaene Gama (baixo) e Rodrigo (Pancho) (bateria). O cd foi Gravado, mixado e masterizado por Ricardo Barbosa no 106 Studio. O próprio Ricardo se encarregou da produção juntamente com a banda. E soube deixar a sonoridade bem adequada. Os timbres de guitarra ficaram sujos na medida, enquanto o duo baixo/bateria ficou pesado o suficiente, tendo uma perfeita variação entre a velocidade do hardcore e o groove ( o baixo é um dos grandes destaques do trabalho). Os vocais raivosos e rasgados de Charles Gama despejam toda a fúria que as músicas pedem. Esse conjunto, dá ao grupo uma brutalidade e agressividade única. E uma arte gráfica simples mas eficiente fecham o pacote.

               A sintomética Boto Pra Fuder abre o play e já mostra á que veio o grupo. Pesada, suja e veloz, a faixa vem com riffs insanos e uma pegada bem hardcore. Sem papas na língua, o grupo manda ver com uma letra politicamente incorreta. E ficou um arregaço! Ratatatá tem um baixo recheado de groove, mas sem esquecer da velocidade. Aqui o trabalho da cozinha merece destaque, pois enquanto o baixo vem na pegada citada, a bateria faz um excelente trabalho, com variações. Godzila vem na seqüência. Com riffs bem elaborados, a pancadaria corre solta enquanto o nome do famoso monstro é vociferado pelo vocalista. Com um começo meio introspectivo, Eu Sei é um tapa na cara da sociedade hipócrita em que vivemos. Nessa faixa, podemos perceber um pouco da influência do punk na sonoridade da banda. Rede Social é mais cadenciada e possui uma levada mais moderna. Mas que descamba pra pancadaria em seu refrão.

             Abre a Roda e Senta o Pé tem riffs instigantes, enquanto a escola do crossover se mostra grande influência pro grupo. Mesmo com passagens mais trabalhadas ( por vezes os ritmos brasileiros podem ser percebidos), a faixa tem grande destaque no baixo bem "funk" de Chaene Gama. O pau come solto em Execução na Av.38. Hardcore puro! Mas o peso também dá as caras, principalmente, na mudança de ritmo perto do final da faixa. A próxima música, Manifestação, segue o "baile" hardcore do grupo, com vocais variando entre o rasgado e o mais limpo. Uma faixa mais cadenciada é o que encontramos Ressureição. Riffs mais pesados e baixo e bateria sintonizados, mostram o perfeito entrosamento do trio. Escravos, encerra o tracklist regular do álbum. Iniciando com uma narrativa que relata mais um dos tristes fatos que envolvem parte da população brasileira, o hardcore segue como referência, com uma guitarra bastante afiada. O cd possui ainda duas faixas extras. Uma versão de Manifestação, agora cantada em inglês (Manifestation), mas que manteve a mesma pegada e arranjo. E uma versão bem diferente de Execução na Av.38. 

              Um trabalho muito bom e interessante. Uma banda que foge da mesmice e aposta em suas influências pra criar um bom crossover hardcore/thrash, com passagens cheias de groove. Sem se importar com que os outros pensam (principalmente em relação á suas letras), a banda mostra forte personalidade. O PROJECT BLACK PANTERA é mais um bom nome vindo de Minas Gerais pra enriquecer o cenário do metal nacional!




  Sergiomar Menezes
             

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

METALIZER - YOUR NIGHTMARE



                Nem sempre é necessário inovar para mostrar talento ou ser reconhecido. Existem inúmeras bandas que buscam alguma "inovação" e acabam por se mostrarem sem condições e também aquelas que tentam criar algo e soam extremamente confusas. Mas existem bandas que, mesmo praticando algo que não traz nenhum tipo de novidade (no sentido de inovação) demonstram talento muito acima da média. E esse é o caso da banda paulista METALIZER, de Nova Odessa (SP). Em seu segundo trabalho, intitulado YOUR NIGHTMARE, o grupo mostra uma boa evolução, praticando um Thrash Metal na linha old school mas, sem soar datado nem forçado, Seu primeiro cd, THE THRASHING FORCE é de 2013.

                O grupo é formado por Sandro Mauês (vocal), Douglas Lima (guitarra), Nilão Pavão (baixo) e Thiago Cruz (bateria e backing vocal) e mostra que tem conhecimento de causa. A guitarra de Douglas solta riifs fortes e pesados, a cozinha formada por Nilão e Thiago capricha no peso e o vocal de Sandro se destaca pelo timbre e pela variação entre o rasgado e o "normal". O álbum foi gravado e mixado no Mix Music Studio em Amparo (SP). A produção ficou sob a responsabilidade de Fábio Ferreira e ficou boa, mesmo que tenha faltado um pouco de peso. Mas não compromete o resultado final. Músicas rápidas, nervosas e cheias do felling thrash é o que temos aqui.

              O álbum inicia com a poderosa Weapons of Metalization, onde riffs bem característicos se juntam á uma cozinha pesada e eficiente, enquanto o vocal mescla sua linha numa mistura que num primeiro momento me lembrou uma mistura entre Tom Araya (mais no começo da faixa) e Steve Zetro Souza. My Cage tem um belo trabalho de guitarras e vem com extrema velocidade, variando entre o famoso "bate estaca" e passagens mais trabalhadas. Street Dog, segue a mesma linha, com uma pegada hardcore e com solos bastante criativos. A Bridge Across Time and Space é o grande destaque. Bem estruturada e com grande variação na composição, a música expõe a boa técnica dos músicos além de possuir um arranjo bem interessante. A versatilidade do vocal de Sandro se mostra bem evidente, indo do limpo ao rasgado com facilidade. E o peso da cozinha novamente se destaca. A velocidade insana de Still Alive vem na seqüência com solos rápidos e riffs diretos.

             A instrumental Cause And Effect tem boas bases e mostra o bom entrosamento da dupla Nilão/Thiago. Uma faixa tipicamente thrash e que do meio pro fim, dá uma quebrada no ritmo com passagens mais amenas e melódicas. A bateria cavalgada dá início á Zombified Generation. Com aquelas paradinhas e backing vocals muito legais no refrão, a faixa possui um riff simples e eficiente. Wake Up é aquela faixa mais cadenciada que não pode faltar em um bom disco de thrash. Numa linha vocal com bastante variações e guitarras á frente, a música tem um solo rápido e melódico que se encaixou de maneira correta. Preacher of Hate é bem direta e carregada de peso. O cd tem fechamento com Life is Your Nightmare, uma faixa bem trabalhada, com variedade de andamentos e que encerra YOUR NIGHTMARE com um belo solo.

            É bom saber que algumas bandas seguem apostando em estilos consagrados, mas que possuem características e personalidade própria. Felizmente, o METALIZER faz parte deste time, pois alia suas influências de forma que expõe sua identidade sem soar como uma cópia ou clone. Uma banda que merece mais atenção no nosso cenário.


Sergiomar Menezes

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

DISTRAUGHT - LOCKED FOREVER




            Brutal. Pesado. E simplesmente, SENSACIONAL! Não consigo encontrar outros adjetivos que possam descrever com precisão o que é este petardo intitulado LOCKED FOREVER da banda gaúcha DISTRAUGHT. Em um cenário que, por vezes, se mostra desfavorável, o grupo vem lançando um trabalho melhor que o outro. Mantendo sempre um elevado nível de qualidade, mas que, na minha opinião, vem se superando desde Unnatural Display of Art (2009), e teve seqüência em The Human Negligence is Repugnant (2012), com este mais recente trabalho, o grupo mostra que as dificuldades de se fazer metal no Brasil não são empecilho quando a garra, vontade e determinação em fazer aquilo que vem da alma são maiores.

            André Meyer (vocal), Ricardo Silveira (guitarra), Everton Acosta (guitarra), Nelson Casagrande (baixo) e Maurício Weimar (bateria) nos entregam um dos melhores álbuns lançados em 2015. Tudo que se espera de uma grande banda de thrash metal está aqui. Um vocalista que despeja raiva e fúria em cada palavra, em total sintonia com o que a música pede. Guitarras afiadas onde os riffs e as bases pesadas mostram o talento dos guitarristas com uma pegada thrash bem característica. O peso descomunal da cozinha, que se traduz em bases poderosas que vão da velocidade á uma pegada mais cadenciada. E além de tudo isso, composições que transbordam a energia que o estilo tem por definição. 

            A produção ficou á cargo de Renato Osório (Hibria) e ficou muito boa, pois os instrumentos ficaram nítidos e limpos, mas sem perder o peso e a sujeira que a música da banda pede, soando moderna e ao mesmo tempo, agressiva na linha mais "old school". A mixagem foi feita por Benhur Lima e a masterização por Adair Daufembach. A capa é mais um belo trabalho de Marcelo Vasco. E o grupo contou ainda, com a participação de Eduardo Baldo (Hibria) na bateria da faixa Dehumanized. E cabe salientar, o trabalho foi baseado no livro "Holocausto Brasileiro" da autora Daniela Aurbex, que relata como funcionava o manicômio Colônia, na cidade de Barbacena (MG).

            O cd abre com Between The Walls of Colônia. Após uma breve introdução, a banda entra com os dois pés na porta, despejando a fúria do thrash metal. Bateria e baixo á frente, as guitarras nos trazem riffs insanos. E o vocal, na mesma intensidade, transpassa toda a raiva contida na faixa. Lost vem na seqüência, com um grande trabalho nas guitarras e um refrão forte. Com uma variação entre velocidade e partes mais cadenciadas, a faixa deve figurara nas apresentações ao vivo do grupo. Locked Forever, a faixa título, ganhou um video clipe bem legal e com certeza é uma das grandes músicas do trabalho. Sabe aquela faixa que você ouve apenas uma vez e fica com os riffs e o refrão na cabeça? Além disso os solos dessa faixa merecem destaque, variando entre a agressividade e melodia. Dehumanized teve a bateria gravada por Eduardo Baldo (Hibria) e é uma faixa mais cadenciada. Destaque ao peso proporcionado pelo baixo e pela variação na composição, com um arranjo destruidor. Brazilian Holocaust já começa com a bateria e riffs carregados de peso. Aqui a banda contou com a participação de Ezequiel Catalano, do grupo Witchour, que compôs e gravou a referida faixa. Uma música com variações, que mostra a categoria do grupo e sua versatilidade.

            Shortcut to Escape é uma das melhores faixas do cd! Grande trabalho da cozinha composta por Nelson e Maurício, onde o vocal de André soa agressivo e por vezes mais rasgado, principalmente no excelente refrão, onde as guitarras de Everton e Ricardo mostram perfeito entrosamento. Baita música! Blacktrade não fica atrás! Que dupla de guitarristas! Riffs e solos perfeitos, velocidade e peso na cozinha e muita, muita fúria! Refrão daqueles "pra cantar junto". Em seguida, The Blind Vision of The Enemy vem com um início mais cadenciado, pra ganhar peso e velocidade de forma avassaladora. E mais uma vez, a banda se supera, pois os riffs e o peso da cozinha são destruidores. E o cd se encerra com The Last Trip. E que forma de se encerrar um trabalho. Outra cacetada, brutal, agressiva e com vocais beirando a insanidade. 

           Não tenho nenhuma dúvida que esse álbum é um dos melhores trabalhos de 2015. Tudo o que se procura e se espera em um cd de uma grande banda de thrash metal se encontra aqui. E há algum tempo, eu já considero a DISTRAUGHT TOP 5 do metal nacional. As outras quatro, ficam a critério do leitor. WELCOME TO THE WALL OF DEATH!!!!!!!!



            

      Sergiomar Menezes