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domingo, 13 de dezembro de 2015

ASTAFIX - INTERNAL SABOTEUR


            
            Um Thrash Metal vigoroso, carregado de groove e recheado de riffs pesados, com uma pegada moderna e bastante agressiva. Essa seria uma boa definição para o que encontramos no petardo INTERNAL SABOTEUR, da banda ASTAFIX. Se em 2009, quando o grupo lançou END EVER, já tínhamos um trabalho que nos mostrava uma banda que buscava um lugar na difícil cena do metal nacional, com um álbum bem interessante, aqui podemos dizer que essa busca chegou ao fim. As guitarras timbradas de forma insana, nos remetem ao peso de bandas como Sepultura, Pantera e Machine Head, e se fundem ao peso da cozinha que parece nos transportar á uma dimensão onde a variação e técnica se tornam uma muralha que dá sustentação ao Thrash praticado pela banda.

            A banda é formada por Wally (vocal e guitarra), Cassio Vianna (guitarra), Ayka (baixo) e Thiago Caurio (bateria) e contou com a produção, masterização e mixagem de Brendan Duffay, que deixou tudo na dosagem certa, ou seja, o peso e agressividade ecoam nos alto falantes, mas a sonoridade é "limpa", sem perder as características do som do grupo. Gravado no Norcal Estúdios, em São Paulo, INTERNAL SABOTEUR traz uma banda que dá continuidade ao bom trabalho que que foi desenvolvido anteriormente. Só que, de certa forma, o grupo soa mais agressivo em determinadas passagens, flertando por vezes com o hardcore, sem esquecer da melodia, mas de forma moderada, o que não causa perda de peso, muito menos da brutalidade apresentada pela banda. A capa, muito bem elaborada, é mais um grande trabalho de Marcelo Vasco, que recentemente, assinou a arte de ninguém mais, ninguém menos que do Slayer! O cd conta ainda, com as guitarras do falecido Paulo Schroeber, o que traz um brilho extra ao trabalho. Nas faixas Karma Kill, The Scourge, Blood Sun, Ghosts e Unknown (esta conta também com um belo solo do músico), percebemos o grande talento que se foi de forma precoce e que ainda tinha muito o que nos proporcionar. A banda, inclusive, dedica o trabalho ao músico.

           Iniciando com a poderosa Karma Kill, a banda já mostra a que veio. Riffs poderosos, vocais agressivos, cozinha pesada e segura, mostram aquilo que é recorrente em todo o trabalho. Dedicação e conhecimento de causa fazem toda a diferença e mostram a potencialidade da banda. The Scourge  começa com a velocidade do hardcore aliada a brutalidade do thrash, e tem um refrão pesado, carregado de fúria, principalmente no vocal de Wally, que se encarrega de transpor uma energia cheia de agressividade. Bases cheias de groove ditam o ritmo de Blood Sun. Com uma pegada mais cadenciada, fica evidente a versatilidade da banda em suas composições, pois a variação entre a velocidade e andamentos mais cadenciados acontecem de forma natural. Doomsday Device traz a porradaria de volta, com o pé no acelerador. As bases bem executadas são um dos diferenciais da banda, pois o peso e melodia se encaixam de forma correta e a cozinha mantém a boa sustentação. O início arrastado de Bad Blood dá seqüência ao trabalho e segue durante a execução da faixa. Mais cadenciada, faz com que o peso com aquele toque com mais groove, se destaque. Os vocais ficaram muito bons, pois os arranjos deixaram a música com aquela cara de banda moderna, mas com uma pegada que nos remete á alguns nomes dos anos 70 (Black Sabbath á frente), principalmente nos riffs. E falando em riffs, Disfigured Conscience traz aqueles tipicamente thrash, pois em alguns momentos valorizam a velocidade e em outros, aqueles mais cadenciados, cheios de felling. Ghosts mantém essa linha, onde os vocais mais rasgados, contrastam com os riffs mais densos (grande trabalho de Paulo Schroeber aqui). Mais uma vez, a variação na composição é um dos destaques.

           A faixa título, Internal Saboteur, traz o groove que deixa a música com uma cara moderna, sem esquecer da brutalidade, cortesia da cozinha capitaneada por Ayka (baixo ) e Thiago Caurio (bateria). A dupla, aliás, é um dos grandes destaques do trabalho, sem desmerecer o excelente trabalho de guitarras. Say No!, é a típica faixa arrasa quarteirão, pois já chega com o pé na porta! Um solo cortante e uma pegada hardcore fazem da faixa, um dos destaques. Help Us All, carregada de peso, possui uma energia onde as guitarras se destacam. Riffs pesados, bem estruturados e uma perfeita sintonia entre Wally e Cassio Vianna mostram que essa parceria vai render muitos frutos daqui pra frente. Unknown, a próxima faixa, conta com as bases e solos de Paulo Schroeber. A faixa, que possui uma boa variação, mantendo um pique cheio de groove em suas bases, é um dos destaques do trabalho. E que belo solo! The Dome, com um andamento por vezes veloz, por vezes cadenciado, traz de volta o destaque as bases, sempre carregadas de peso. Traitor encerra o trabalho. Com um início bastante introspectivo, mas que na seqüência, traz ótimos riffs, fecha o álbum de forma bastante convincente e nos faz pensar o que o ASTAFIX nos reserva para o futuro.

          A intensidade, a energia, brutalidade e agressividade, aliadas á melodia que a banda nos proporciona em INTERNAL SABOTEUR, fazem deste trabalho, um dos grandes destaques de 2015. Que não se passe tanto tempo entre esse cd e o próximo, pois a qualidade encontrada aqui não pode ficar tanto tempo sem ser apreciada. O público headbanger precisa de bandas como a ASTAFIX, que sabem dosar o groove mais moderno com o peso do thrash metal tradicional. Um álbum pra ser ouvido no volume máximo!



Sergiomar Menezes

       



            

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