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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

DARK AVENGER - ALIVE IN THE DARK



                   E eis que uma das melhores bandas brasileiras lança seu registro ao vivo. E que registro! Numa bela embalagem, com uma capa espetacular, ALIVE IN THE DARK, cd duplo ao vivo do DARK AVENGER, chega ao mercado via Shinigami Records ( que colocou no mercado os dois melhores discos ao vivo desde ano - a saber, MASTERPLAN - KEEP YOUR DREAM aLIVE e este do DARK AVENGER). Com mais de 20 anos de carreira, o grupo liderado pelo excepcional vocalista Mario Linhares, tem em seu currículo três álbuns - Dark Avenger (95), Tales of Avalon - The Terror (2001) e Tales of Avalon - The Lament (2013) - e um EP - X Dark Years (2003). E agora, com esse grande trabalho ao vivo, consagra uma carreira que, em minha opinião, deveria ter um maior reconhecimento. Não que o grupo não o possua, mas quando vemos algumas bandas com qualidade muito abaixo da média, com status acima do Dark Avenger, percebemos que algo está errado...

                  O álbum foi gravado em dezembro de 2003, em São Paulo, na Led Slay e houve o cuidado de captar a banda de forma fiel. Não se percebe aquelas famosas "mexidinhas" no estúdio. A produção, que ficou sobre a responsabilidade de Richard Navarro e do próprio Mario Linhares, soube transportar para o cd toda a energia e qualidade da banda de forma cristalina. Na época da gravação do trabalho, a banda era formada por Mário Linhares (vocal), Hugo Santiago (guitarra), Marcus Valls (guitarra), Gustavo Magalhães (baixo), Rafael Dantas (bateria) e Tomas Vital (teclado e piano) e estava muito entrosada. Aliás, nota-se também, uma perfeita interação entre banda e público.

                   
                  Difícil apontar destaques em um trabalho tão homogêneo, onde todas as faixas, além de excelentes, foram executadas com maestria, com o popular "sangue no zóio". Mas não há como não falar da performance de Mário Linhares. Sem nenhuma dúvida, um dos maiores vocalistas da história do Metal Nacional, ele transforma passagens complicadas em fáceis, tamanho o talento e versatilidade de sua voz. As guitarras de Hugo e Marcus também se destacam, trabalhando em perfeita sintonia, enquanto  o baixo de Gustavo e a abateria de Rafael, carregam no peso que o metal tradicional pede e precisa. Tomas capricha nos teclados também, harmonizando de forma correta as melodias certeiras do grupo. Mas algumas faixas acabam se sobressaindo. No primeiro cd, Dark Avenger 2003, Crown of Thorns, Die Mermaid, Tales of Avalon, Armageddon são músicas seminais na história do heavy metal brasileiro. Já no segundo cd, as versões sinfônicas e acústicas de As The Rain e The Lament (respectivamente) se destacam. Ainda no cd 2, temos o EP X Dark Years.


               Sem nenhuma sombra de dúvida, um dos melhores trabalhos ao vivo já lançados por uma banda de heavy metal brasileira. Talento, energia e garra, saltam aos ouvidos a cada música e a cada nova audição. Uma das melhores bandas brasileiras de todos os tempos merecia um trabalho desse nível! Parabéns  a Shinigami Records por disponibilizar este marco do Metal Nacional!




          Sergiomar Menezes
                   


MELHORES DO ANO - NACIONAL

                  2015 foi um ano repleto de bons lançamentos. e as bandas nacionais, não deixaram nada a dever ás bandas internacionais. Algo que, há muito tempo vem acontecendo. Mesmo sem grande exposição na mídia (grande mídia, diga-se), as bandas vem caprichando. Seja na produção, na arte gráfica, mas principalmente, na qualidade das composições apresentadas. E aqui, no REBEL ROCK, selecionamos os dez melhores cds lançados por aqui, na nossa opinião.



SPARTACUS - IMPERIUM LEGIS




DISTRAUGHT - LOCKED FOREVER




HIGHER - HIGHER




KRISIUN - FORGED IN FURY




HEAVIEST - NOWHERE




GODZORDER - OBEY




LOSNA - ANOTHER OPHIDIAN EXTRAVAGANZA




METALMORPHOSE - FÚRIA DOS ELEMENTOS




DIRTY GLORY - MIND THE GAP




FURIA LOUCA - ON THE CROUP OF THE SINNER PT.II



                      Sergiomar Menezes

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

MELHORES DO ANO - INTERNACIONAL

                   2015 está chegando ao fim. Um ano bastante complicado em todos os aspectos. Economicamente, politicamente e porque não dizer, musicalmente. Mas no quesito musical, diferentemente do restante, o saldo foi bastante positivo (exceto as perdas de nomes inesquecíveis na cena). Aqui, a lista com os melhores lançamentos do ano, na opinião do REBEL ROCK. Não é uma ordem de preferência, apenas, listamos os dez melhores lançamentos internacionais na nossa visão.


                           SLAYER - REPENTLESS                     


                                           IRON MAIDEN - THE BOOK OF SOULS





W.A.S.P. - GOLGOTHA



REVOLUTION SAINTS - REVOLUTION SAINTS



THE DEAD DAISIES - REVOLUCIÓN



GHOST - MELIORA



CRADLE OF FILTH - HAMMER OF THE WITCHES



SAXON - BATTERING RAM



PARADISE LOST - THE PLAGUE WITHIN



METAL ALLEGIANCE - METAL ALLEGIANCE




    Sergiomar Menezes

domingo, 20 de dezembro de 2015

MASTERPLAN - KEEP YOUR DREAM ALIVE (CD/DVD)


                 A história todos sabem... Quando Roland Grapow e Uli Kusch foram, digamos, "saídos" do Helloween em 2001, resolveram montar uma banda onde pudessem exercer sua criatividade sem se prender aos limites que o grupo em questão lhes impunha. Pois bem... De lá pra cá, muita coisa aconteceu com o MASTERPLAN. Excelentes trabalhos, outros nem tanto, trocas de integrantes, idas e vindas... Até que o grupo resolve soltar este excelente show em CD e DVD, que chega ao Brasil via Shinigami Records. E não poderia ser em melhor hora. KEEP YOUR DREAM ALIVE traz a apresentação completa do grupo no Festival Masters of Rock, realizado na República Tcheca em 2013 no CD, e no DVD, além deste show completo, vários extras , como a apresentação no Wacken (Alemanha) em 2014 e também algumas músicas apresentadas na Ásia ( na China)e em Atlanta (EUA), além de todos os vídeos oficiais lançados pelo grupo.

               Contando hoje com uma nova formação, o grupo hoje é composto por Rick Altzi (vocal, At Vance), Roland Grapow (guitarra, líder e fundador), Axel Mackenrot (teclados), Jari Kainulainen (baixo, ex- Stratovarius) e Martin "Marthus"Skaroupka (bateria, ex-Cradle of Filth). E como já podíamos perceber no mais recente trabalho de estúdio, Novo Initium (2013), Rick Altzi substitui bem Jorn Lande. Mas veja bem, estamos falando de um dos melhores vocalistas da cena atual, ou seja, a tarefa de Rick não é fácil. Mas ele dá conta do recado com sobras. A produção, mixagem e masterização ficou por conta do próprio Roland Grapow em seu estúdio e ficou muito boa. O setlist foi muito bem escolhido, ainda mais por tratar-se de um festival, a banda teve o cuidado de preparar um best of de sua carreira. dando maior ênfase ao primeiro trabalho, Masterplan (2003).

               A performance da banda é excelente. Afinal, estamos falando músicos tarimbados, com vasta experiência na cena. Grapow continua esbanjando classe e técnica, Axel segue com suas linhas de teclado certeiras. Jari Kainulanem é um exímio baixista. Marthus possui muita pegada e também é um baterista bastante técnico. Mas um dos grandes destaques do show é a performance de Rick Altzi. Músicas como Enlighten Me, Spirit Never Die, Crimson Rider, Back For My Life, Time To Be King, Heroes, Soulburn, Kind Hearted Light ficaram tão boas que parecem ter sido gravadas por ele, tamanha sua interação e personalidade na interpretação. Uma banda entrosada e bastante pesada, mostrando que as trocas de integrantes não afetaram sua qualidade, até pelo contrário, pois vemos (e ouvimos) uma banda cheia de garra e vontade em cima do palco.

              Um álbum ao vivo como todo ao vivo deveria soar. Pesado, cru e nítido. Nos passa a sensação de estarmos presentes durante a apresentação da banda. Se fosse lançado apenas em CD, já valeria o investimento. Por tratar-se de um belo pacote, o CD/DVD, que vem recheado de extras, vale cada centavo investido. Longa vida ao Masterplan!




   Sergiomar Menezes

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

W.A.S.P. - GOLGOTHA



                    E o incansável Blackie Lawless segue sua jornada pelo caminho do Hard n' Heavy com o lançamento de GOLGOTHA, que chega ao Brasil, num belo digipack,  via Shinigami Records.  Mantendo a mesma linha adotada em Dominator (2007) e Babylon (2009), o W.A.S.P. mostra que ainda tem muita lenha pra queimar. Se o grupo não atrai para si mais os holofotes da grande mídia como antigamente, com este trabalho, dá provas de que continua relevante e que os fãs podem conferir sem medo. Composições com  aquela pegada característica do grupo, mesclando linhas mais hard e passagens bem heavy, os vocais, que apesar da passagem do tempo, seguem sendo um dos destaques, pois Lawless mantém timbres bem próximos da fase áurea da banda, e um excelente guitarrista, garantem um ótimo nível ao álbum.

                  Formada hoje por Blackie Lawless (vocal, guitarra e teclados - único integrante da formação original e clássica da banda), Douglas Blair (guitarra solo e backing vocal) e Mike Duda (baixo), a banda contou na gravação do trabalho com as baquetas de Michael Dupke. O álbum foi gravado no Fort Apache Studios e a produção ficou á cargo de Michael Dupke, Mark Zavon e Jun Murakawa, enquanto que a  mixagem ficou sob a responsabilidade de Logan Mader ( ex-Soulfly e Machine Head). Com grandes composições e um guitarrista extremamente talentoso, Lawless mostra que quem foi rei, nunca perde a majestade (soa clichê, mas é a mais pura verdade...).

                 O álbum inicia com uma grande faixa. Scream é uma faixa forte, que reflete a personalidade da banda. Uma pegada bem típica, vocais muito bem encaixados e solos bem elaborados fazem da música um dos grandes destaques do trabalho. Uma carta de boas vindas excelente! Last Runaway possui linhas melódicas sobre uma base estruturada no hard n' heavy próprio do grupo. Vocais dobrados e backing vocals na medida certa, além do belo trabalho executado por Douglas Blair (que, ressalto novamente, é um dos grandes destaques do álbum) mantém a seqüência em grande estilo. Shotgun, a terceira faixa, nos remete á trabalhos anteriores do grupo, principalmente pelo vocal um pouco mais rasgado de Lawless. Belo refrão, uma melodia simples, mas contagiante, e uma levada bem rock n' roll ditam o ritmo. Miss You é uma faixa carregada de sentimento. Uma balada onde o solo de Douglas Blair se destaca, esbanjando o felling que a música pede. Fallen Under tem uma pegada mais cadenciada e ao mesmo tempo melódica e a cozinha composta por Mike Duda e Michael Dupke aparece de forma mais destacada, deixando a faixa mais pesada.

                 Slaves of The New World Order, com uma base bem heavy e uma melodia marcante, tem um certo ar de "já ouvi isso antes", mas nem por isso merece algum demérito. Pelo contrário, essa linha utilizada pelo grupo sempre foi um dos pontos fortes do seu trabalho. Na seqüência, Eyes of My Maker, traz uma pegada mais cadenciada e por vezes introspectiva. Uma boa faixa. Já Hero of The World é um dos grandes destaques do álbum. Uma bela introdução e aquela cara "W.A.S.P." se revelam de forma latente, enquanto mais uma vez, Douglas Blair ganha destaque. O guitarrista tem uma veia melódica sem soar forçada e garante momentos dignos do passado glorioso do grupo. Golgotha, a faixa título, encerra o trabalho de forma épica. Grande interpretação de Lawless, Carregada de sentimento, a música mostra a qualidade dos arranjos além de expôr momentos de pura inspiração.

                 Estamos em 2015. Com mais de 30 anos de carreira. o W.A.S.P. mostra que ainda se mantém relevante na cena. Mesmo que, durante certo período, alguns trabalhos tenham ficado um pouco abaixo daquilo que se espera do grupo, desde Dominator (2007), os álbuns vem mantendo um bom nível e este GOLGOTHA pode ser considerado o melhor desta nova fase. Belas composições e um grande guitarrista, além do talento inegável de Blackie Lawless, fazem deste, um dos melhores trabalhos lançados em 2015. 


               
 Sergiomar Menezes

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

DARK SLUMBER - DEAD INSIDE


                  Black Metal com um forte acento Dark. Ou Dark Metal com uma pegada Black. A denominação fica a seu critério. O que não pode é deixar de se conferir esse grande trabalho! A banda carioca DARK SLUMBER chega ao seu primeiro cd, intitulado DEAD INSIDE praticando um black metal soturno e pesado, nos remetendo a nomes como o Rotting Christ, mas com identidade. Músicas densas, pesadas e muito bem estruturadas é o que encontramos, e analisando tratar-se de um trabalho de estréia, pode-se dizer que o grupo tem muito futuro pela frente.

                  DEAD INSIDE foi gravado entre 2012 e 2013 e a produção ficou boa, pois manteve o clima carregado e sombrio das composições sem esquecer do peso e da sujeira, uma das principais características do estilo. Além disso o trabalho foi gravado e mixado no LM Studio em Volta Redonda (RJ) A masterização foi dividida entre o Morbid Mastering (Arizona/EUA) e o Sun Room Audio (Nova Iorque/EUA). A banda é composta por Guilherme Corvo (guitarra e vocal), Sandro Leite (guitarra), Heyder Fonseca (baixo) e Jorge Zamluti (bateria) e mostra nas sete faixas que compõem o trabalho que tem bala na agulha para se firmar com convicção neste difícil cenário da música extrema nacional.

                 A introdução Reverberating Emptiness dá início ao trabalho, com um clima denso, sombrio, carregado por teclados bastante soturnos, criando um algo bastante "pesado" para o que vem a seguir. Sorrowful Winter Breeze tem passagens muito bem elaboradas, com arranjos criados de forma correta, encaixando-se no clima pesado da música. As guitarras de Guilherme Corvo e Sandro Leite estão com uma timbragem correta, sujas, porém audíveis. Como todo bom black metal deve ser. Um andamento mais cadenciado, algo comum durante a execução do trabalho, mostra uma variedade, pois os solos tem uma certa veia melódica, o que entrega a versatilidade da banda. Vomiting Upon the Cross possui uma variedade no andamento, alternando passagens mais lentas, arrastadas e momentos mais rápidos (mas sem exageros), deixando o baixo e a bateria encarregados da responsabilidade de manter o peso e a densidade da música do grupo intactos. 

                  A bateria veloz e riffs tipicamente black metal ditam o ritmo de Dying Inside. A agressividade das guitarras e o vocal cheio de fúria de Guilherme deixam o clima pesado. Na metade da música, o andamento se torna lento, arrastado, mas no final, volta  ao black metal em sua forma mais recorrente. Dark Slumber traz riffs mórbidos mas mesmo assim, consegue imprimir uma rispidez ao som da banda de forma correta. Vocais limpos em determinados momentos dão um clima diferente a música. Bateria e baixo são os destaques de Lucifer. Bumbos rápidos, muito bem inseridos (sem sorem forçados), guitarras que carregam riffs  e solos que se confrontam em momentos agressivos, mostrando a boa técnica dos músicos. All The Lights Fade Away encerra o trabalho. Com um início suave e até mesmo simples, a faixa vai ganhando intensidade, principalmente pelo vocal. As guitarras , com peso e uma pegada bastante suja e agressiva, fazem a diferença novamente.

                 O DARK SLUMBER estréia em seu primeiro trabalho muito bem. DEAD INSIDE é um álbum que pode agradar á todos que curtem o black metal ( e até mesmos outros estilos, por que não?), sem se prender á rótulos e radicalismos. Os cimas pesados e densos, as guitarras sujas, agressivas e ao mesmo tempo bem estruturadas e a cozinha que dá uma base forte ao som bem característico do grupo, fazem do DARK SLUMBER mais um bom nome na cena do metal extremo brasileiro.



Sergiomar Menezes

PRIMATOR - INVOLUTION


                  Praticando um Heavy Metal Tradicional, a banda PRIMATOR de São Paulo, lança seu primeiro trabalho. INVOLUTION chega trazendo um grupo que, com seis anos de estrada, capricha em composições que resgatam aquela velha pegada oitentista de bandas como Judas Priest (nas partes mais pesadas) e características que mesclam de forma correta a modernidade do heavy metal com nuances old school. Só que mesmo com essas definições, o grupo possui uma identidade própria, pois dosa de forma correta suas influências imprimindo personalidade em seu som. Melodia e peso podem ser encontrados nas faixas que compõem este belo trabalho.

                  A banda é composta por Rodrigo Sinopoli (vocal), Márcio Dassié (guitarra), Diego Lima (guitarra), André dos Anjos (baixo) e Alexandre Birão (bateria) e no cd, contou com a produção, mixagem e masterização de Daniel Sá. Gravado no Estúdio GR em São Paulo (SP), INVOLUTION traz 10 músicas que trazem um conceito inspirado em " A Origem das Espécies" de Charles Darwin e também em outros pensadores da filosofia e psicanálise. Algumas faixas já estavam prontas enquanto outras foram compostas e finalizadas durante o período de gravação. A capa, desenhada pelo próprio Rodrigo Sinopoli, sintetiza diretamente o tema do álbum, ou seja, o atual momento de "involução" á que estamos submetidos. Um dos grandes destaques do grupo é o trabalho das guitarras. Márcio Dassié e Diego Lima mostram um bom entrosamento. As seis cordas acabam soando pesadas quando necessário e melódicas no momento certo, e trazem ao grupo uma forte sonoridade. A cozinha não fica atrás,  pois André dos Anjos e Alexandre Birão moldam de forma perfeita a base pesada necessária ao desenvolvimento das composições. E o vocal de Rodrigo se destaca, pois possui um belo timbre.

                 O álbum abre com Primator, onde os riffs de guitarra  demostram a pegada tradicional do grupo. A dupla de guitarristas já mostra a que veio, enquanto Rodrigo manda ver em agudos potentes. Dead Land, mais pesada e cadenciada, possui vocais que alternam momentos mais agudos com passagens mais rasgadas. Um refrão forte e solos inspirados se fazem presentes e dão destaque á faixa. Flames of Hades possui um base bem pesada e aquele baixo "galopado", além de riffs diretos. O solo que tem uma pegada melódica se contrapõe de forma correta ao tom mais agressivo da faixa. Caroline começa de forma mais introspoectiva, mas o peso vem na seqüência, de forma mais cadenciada. Black Tormentor pode ser considerada a melhor faixa do trabalho! Pesada, belos riffs, com um refrão contagiante, pra cantar junto com o punho cerrado. Mais um belo trabalho da dupla Márcio e Diego. Os solos alternam momentos agressivos e melódicos sem prejuízo de ambos. Baita música!

                Let Me Live Again, pode ser considerada uma balada (ou como diriam, uma "power ballad") e tem uma bela melodia. Os vocais de Rodrigo mostram grande desenvoltura, pois em momentos mais suaves se percebe seu grande potencial, algo que já se mostrava nas demais composições. Face The Death traz o metal tradicional de volta, com riffs tipicamente NWOBHM e baixo e bateria sintonizados em carregar no peso. Backing vocals bem agressivos contrastam com os agudos de Rodrigo dando uma personalidade única a faixa. Erase The Rainbow tem um inicio suave, com dedilhados, mas logo em seguida ganha ritmo, e alterna vocais por vezes agressivos e por vezes mais agudos. Praying For Nothing tem um andamento mais arrastado com bons riffs. E o trabalho se encerra com a faixa título. Involution sintetiza todo o trabalho do grupo pois temos aqui os vocais que alternam momentos, mostrando grande versatilidade, o belo trabalho das guitarras e a cozinha que pesa a mão. Um belo arranjo, variedade de andamento e a dosagem correta entre peso e melodia, dão ao trabalho um encerramento em grande estilo.

              INVOLUTION, mesmo sendo o trabalho de estréia do PRIMATOR, traz uma banda com belas composições, personalidade e muita vontade. Algo raro, ainda mais, se analisarmos o estilo que a banda desenvolve. O grupo tem grande potencial e nesse primeiro álbum, mostra que pode (e deve) ser reconhecido como uma das boas promessas que metal nacional apresentou neste 2015!



                  
Sergiomar Menezes

domingo, 13 de dezembro de 2015

ASTAFIX - INTERNAL SABOTEUR


            
            Um Thrash Metal vigoroso, carregado de groove e recheado de riffs pesados, com uma pegada moderna e bastante agressiva. Essa seria uma boa definição para o que encontramos no petardo INTERNAL SABOTEUR, da banda ASTAFIX. Se em 2009, quando o grupo lançou END EVER, já tínhamos um trabalho que nos mostrava uma banda que buscava um lugar na difícil cena do metal nacional, com um álbum bem interessante, aqui podemos dizer que essa busca chegou ao fim. As guitarras timbradas de forma insana, nos remetem ao peso de bandas como Sepultura, Pantera e Machine Head, e se fundem ao peso da cozinha que parece nos transportar á uma dimensão onde a variação e técnica se tornam uma muralha que dá sustentação ao Thrash praticado pela banda.

            A banda é formada por Wally (vocal e guitarra), Cassio Vianna (guitarra), Ayka (baixo) e Thiago Caurio (bateria) e contou com a produção, masterização e mixagem de Brendan Duffay, que deixou tudo na dosagem certa, ou seja, o peso e agressividade ecoam nos alto falantes, mas a sonoridade é "limpa", sem perder as características do som do grupo. Gravado no Norcal Estúdios, em São Paulo, INTERNAL SABOTEUR traz uma banda que dá continuidade ao bom trabalho que que foi desenvolvido anteriormente. Só que, de certa forma, o grupo soa mais agressivo em determinadas passagens, flertando por vezes com o hardcore, sem esquecer da melodia, mas de forma moderada, o que não causa perda de peso, muito menos da brutalidade apresentada pela banda. A capa, muito bem elaborada, é mais um grande trabalho de Marcelo Vasco, que recentemente, assinou a arte de ninguém mais, ninguém menos que do Slayer! O cd conta ainda, com as guitarras do falecido Paulo Schroeber, o que traz um brilho extra ao trabalho. Nas faixas Karma Kill, The Scourge, Blood Sun, Ghosts e Unknown (esta conta também com um belo solo do músico), percebemos o grande talento que se foi de forma precoce e que ainda tinha muito o que nos proporcionar. A banda, inclusive, dedica o trabalho ao músico.

           Iniciando com a poderosa Karma Kill, a banda já mostra a que veio. Riffs poderosos, vocais agressivos, cozinha pesada e segura, mostram aquilo que é recorrente em todo o trabalho. Dedicação e conhecimento de causa fazem toda a diferença e mostram a potencialidade da banda. The Scourge  começa com a velocidade do hardcore aliada a brutalidade do thrash, e tem um refrão pesado, carregado de fúria, principalmente no vocal de Wally, que se encarrega de transpor uma energia cheia de agressividade. Bases cheias de groove ditam o ritmo de Blood Sun. Com uma pegada mais cadenciada, fica evidente a versatilidade da banda em suas composições, pois a variação entre a velocidade e andamentos mais cadenciados acontecem de forma natural. Doomsday Device traz a porradaria de volta, com o pé no acelerador. As bases bem executadas são um dos diferenciais da banda, pois o peso e melodia se encaixam de forma correta e a cozinha mantém a boa sustentação. O início arrastado de Bad Blood dá seqüência ao trabalho e segue durante a execução da faixa. Mais cadenciada, faz com que o peso com aquele toque com mais groove, se destaque. Os vocais ficaram muito bons, pois os arranjos deixaram a música com aquela cara de banda moderna, mas com uma pegada que nos remete á alguns nomes dos anos 70 (Black Sabbath á frente), principalmente nos riffs. E falando em riffs, Disfigured Conscience traz aqueles tipicamente thrash, pois em alguns momentos valorizam a velocidade e em outros, aqueles mais cadenciados, cheios de felling. Ghosts mantém essa linha, onde os vocais mais rasgados, contrastam com os riffs mais densos (grande trabalho de Paulo Schroeber aqui). Mais uma vez, a variação na composição é um dos destaques.

           A faixa título, Internal Saboteur, traz o groove que deixa a música com uma cara moderna, sem esquecer da brutalidade, cortesia da cozinha capitaneada por Ayka (baixo ) e Thiago Caurio (bateria). A dupla, aliás, é um dos grandes destaques do trabalho, sem desmerecer o excelente trabalho de guitarras. Say No!, é a típica faixa arrasa quarteirão, pois já chega com o pé na porta! Um solo cortante e uma pegada hardcore fazem da faixa, um dos destaques. Help Us All, carregada de peso, possui uma energia onde as guitarras se destacam. Riffs pesados, bem estruturados e uma perfeita sintonia entre Wally e Cassio Vianna mostram que essa parceria vai render muitos frutos daqui pra frente. Unknown, a próxima faixa, conta com as bases e solos de Paulo Schroeber. A faixa, que possui uma boa variação, mantendo um pique cheio de groove em suas bases, é um dos destaques do trabalho. E que belo solo! The Dome, com um andamento por vezes veloz, por vezes cadenciado, traz de volta o destaque as bases, sempre carregadas de peso. Traitor encerra o trabalho. Com um início bastante introspectivo, mas que na seqüência, traz ótimos riffs, fecha o álbum de forma bastante convincente e nos faz pensar o que o ASTAFIX nos reserva para o futuro.

          A intensidade, a energia, brutalidade e agressividade, aliadas á melodia que a banda nos proporciona em INTERNAL SABOTEUR, fazem deste trabalho, um dos grandes destaques de 2015. Que não se passe tanto tempo entre esse cd e o próximo, pois a qualidade encontrada aqui não pode ficar tanto tempo sem ser apreciada. O público headbanger precisa de bandas como a ASTAFIX, que sabem dosar o groove mais moderno com o peso do thrash metal tradicional. Um álbum pra ser ouvido no volume máximo!



Sergiomar Menezes