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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

MAVERICK - THE MOTOR BECOMES MY VOICE


   
                   Thrash metal com uma pegada bem na linha dos anos 90. Assim o quarteto paulista MAVERICK estréia em cd. Peso e vigor se alinham á garra, com riffs viscerais, baixo e bateria que não economizam na hora de sentar a mão e um vocal raivoso e por vezes rasgado definem de forma objetiva o que encontramos em THE MOTOR BECOMES MY VOICE, que chega ao mercado via Shinigami Records. O grupo é formado por Gabriel Semaglia (vocal e guitarra), Caio Henrique (guitarra), Lucas Silva (baixo) e Gustavo Polississo (bateria) mostra em seu debut, que o heavy metal não precisa se prender a estilos e traz influências de bandas como Pantera, Machine Head e Lamb of God. Mas o grupo imprime sua personalidade, dando um toque pessoal ás composições.

                  Uma produção muito boa, limpa, mas que manteve  a "sujeira" da sonoridade da banda adequada ao thrash vigoroso e intenso do grupo, combinada com composições que transpiram uma fúria cheia de groove, fazem que os alto falantes sintam a energia contagiante das guitarras bem timbradas e seus riffs cortantes, o peso da cozinha e seus arranjos que, se não soam inovadores, transmitem a sinceridade e honestidade do som do grupo. 

                  A introdução V8, nos prepara para Upsidown, um faixa pesada e intensa, com vocais rasgados e que nos entrega riffs caprichados. Guitarras na cara e uma pegada por vezes mais cadenciada mostram a personalidade da banda. Motor Becomes My Voice tem um início mais cadenciado e uma parede de guitarras bem estruturada. Os vocais nos remetem aos bons tempos de Phil Anselmo (Pantera). Baixo e bateria intensos e cheios de groove dão destaque á faixa. Shadows Inc. tem uma boa variedade na estrutura, o que nos mostra que a banda tem a preocupação de não soar repetitiva em suas composições. Com passagens mais cadenciadas, as guitarras ganham em peso e intensidade. Disorder tem uma forte pegada de bateria, algo que é recorrente durante a execução do trabalho. As guitarras proporcionam uma energia vital á faixa. Aliás, a boa técnica dos músicos também merece destaque. 

                 Karma Extinction vem carregadas de bons riffs que encontram no groove proporcionado pela cozinha um encaixe que nos mostra a personalidade do grupo. Um toque de hardcore dá um tempero extra á faixa. As guitarras, sempre á frente, ganham destaque, com riffs e solos bem elaborados. Dehumanized, a sétima faixa, começa com a bateria ditando o ritmo, para em seguida, riffs e mais riffs estourarem nossos tímpanos. Um dos grandes destaques do álbum, o vocal cheio de fúria ganha ares perturbadores e intensos. O cd se encerra com Scarecrow, uma porrada que faz com que o álbum termine da forma como começou: intenso, furioso e cheio de energia.

               O trabalho de estréia do MAVERICK nos mostra uma banda que capricha nos riffs, peso e intensidade. O grupo dá sinais de que pode ser um dos nomes de destaque no cenário, pois potencial tem de sobra. Basta manter a personalidade e a garra. O futuro tende a ser promissor para a banda. 



Sergiomar Menezes

terça-feira, 27 de outubro de 2015

LEAVES' EYES - KING OF KINGS



                 Grandiosidade e excelência nas composições. Belos arranjos e interpretação vocal sublime. O sexto álbum de estúdio do grupo LEAVES' EYES chega ao mercado via Shinigami Records e traz, além das características citadas anteriormente, uma boa variação entre o Symphonic Metal e o Folk, sem esquecer do Gothic Metal, terreno de onde a vocalista Liv Kristine conquistou fãs quando integrou o Theatre of Tragedy. Com mais de dez anos de carreira, o Leaves' Eyes se consolida cada vez mais, onde os músicos, capitaneados por Alexander Krull (ex- Atrocity), marido de Liv, esbanjam categoria em um trabalho, que como escrito anteriormente, possui grandes composições.

                A produção, que ficou á cargo de Alexander, soube evidenciar as melodias bem elaboradas do grupo, mas sem esquecer de destacar as guitarras, que por vezes, carregam no peso se contrapondo a suavidade e beleza da voz de Liv Kristine. E aqui, o contraste muito bem arranjado entre Liv e os vocais de Alexander formam um diferencial, pois fogem um pouco da fórmula "Beauty and the Beast", que é característico ao estilo. Uma bela arte gráfica também se destaca, dando um brilho ainda maior ao trabalho. Algumas participações especiais merecem citação, como as belas participações de Simone Simmons (Epica) e Lindy-FayHella (Wardruna). Além disso, a participação do London Voices Choir, criou um clima mais sofisticado e deu mais classe ao álbum.

               Sweven abre o trabalho, como uma introdução bastante épica e que prepara o ouvinte para a segunda faixa, que dá nome ao álbum. King of Kings expõe a grandiosidade da música do grupo, com arranjos que nos remetem a trilhas sonoras, recheadas por batalhas medievais. As guitarras alternam momentos com os teclados, variando entre a melodia e a agressividade. Liv cantando de forma mais suave e um refrão forte, fazem desta, um dos destaques. Aqui, há a participação do já citado London Voice Choir. Halvdan The Black, a terceira faixa já tem uma pegada mais rápida, onde os vocais de Liv se destacam. Os arranjos ficaram muito bons, pois a variação entre o peso e a melodia, que se mantém durante toda a execução do álbum, mostram a capacidade de composição do grupo. A bela The Waking Eye, com sua melodia mais calma, mas que não dispensa o bom trabalho das guitarras, também se destaca, evidenciando a dinâmica e versatilidade da banda. Os vocais de Alexander soam bastante agressivos e contrastam com a suavidade da faixa. Feast of The Year é uma pequena introdução folk, que antecede Vengeance Venom. Uma faixa com grande variações, onde as guitarras soam mais uniformes.

              Sacred Vow é outro dos grandes destaques. Uma das faixas mais pesadas (no que se refere ao estilo proposto pela banda), com os vocais de Liv perfeitos, mostrando grande técnica e emoção. Edge of Steel conta com a participação de Simone Simmons. E o dueto formado por duas mais belas vozes do symphonic metal ficou sensacional! A faixa tem um andamento mais moderado, marcado, e conta com incursões de Alexander dando um clima mais pesado á música. Uma composição muito bem executado onde os instrumentos foram executados de forma perfeita, fazendo dela, na minha opinião, a melhor música do álbum. Haraldskvaeoi é uma faixa bem calma, introspectiva, que dá uma amenizada no andamento do álbum. Mais uma bela interpretação de Liv Kristine. Blazing Waters, a décima faixa, tem a participação de Lindy-Fay Hella e é a mais longa do álbum. Uma grande variação de andamentos, com destaque para o trabalho de guitarras. O vocal de Alexander se opõe aos de Liv e Lindy-Fay, e os corais acabam criando um clima épico em algumas passagens, que também possui momentos ligados ao folk. A faixa onde mais aparece essa nuance é a última da edição regular do trabalho. Swords in Rock, tem uma cara mais alegre, com uma pegada folk, daqueles de cantar junto com o caneco na mão. A edição nacional, tem duas faixas bônus (ponto para a Shinigami por colocá-las na nossa versão). A primeira, é Spellbound. Uma música mais calma e por vezes densa. E o encerramento se dá com Trail of Blood, onde o clima pesado e épico de todo o trabalho se mantém, mostrando um Alexander mais cru em seus vocais e Liv desfilando sua bela voz.

            Um álbum indicado aos apreciadores do estilo, mas que pode, e deve, também ser indicado a quem curte heavy metal sem se prender a estilos. Composições muito bem estruturadas e arranjadas, além de interpretações primorosas, fazem de King of Kings um dos melhores trabalhos do Leaves' Eyes. Classe e bom gosto acima da média.



       
Sergiomar Menezes


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

HEAVIEST - NOWHERE



                    
                 Muito peso aliado á uma sonoridade moderna, mas sem perder em nenhum momento as caracteríticas do Heavy Metal. Dessa forma podemos definir o som apresentado pelo HEAVIEST, quinteto paulista, em seu debut, o excelente NOWHERE. Qualidade técnica e muita pegada é o que temos aqui. Mas se formos analisar, não poderíamos esperar outra coisa do grupo capitaneado por um dos melhores vocalistas do metal nacional, o experiente Mário Pastore. Guitarras muito bem timbradas que se completam com riffs pesados e solos afiados, baixo e bateria que não economizam na hora de sentar a mão em doses cavalares de peso. Esses fatores fazem do álbum de estréia, um trabalho imperdível!

                O grupo é formado por Mario Pastore (vocal), Guto Mantesso (guitarra), Marcio Eidt (guitarra), Renato Dias (baixo) e Vito Montanaro (bateria) - sendo que as gravações de bateria foram feitas por Felipe Perini, exceção á faixa Finding A Way, que foi gravada por Vito, A produção ficou á cargo da dupla de guitarristas que soube deixar o som do grupo muito bem equilibrado, fazendo com que o peso tivesse amparo em bases melódicas e vice versa, sem soar em nenhum momento cansativo. Um som encorpado, com passagens que nos remetem ao thrash metal de bandas como o Pantera, por exemplo, mas com personalidade própria, imprimindo suas características de forma contundente.

                Logo em Buried Alive, faixa que abre o trabalho, percebemos que o grupo não está pra brincadeira. Guitarras pesadas, riffs potentes, cozinha pesada e precisa e Pastore mandando ver em vocais agressivos, revelando uma nova faceta, pois esse talvez seja seu trabalho vocal mais diferente, bastante agressivo, mas com a mesma técnica e qualidade que estamos acostumados a ouvir.
Decisions, a próxima faixa, é mais cadenciada e possui riffs mais diretos, mas com muito peso. Solos bem encaixados e um refrão forte se destacam aqui. Nowhere, a faixa título, tem um grande trabalho de baixo e bateria, que capricham no peso, enquanto os guitarristas formam uma camada sólida de riffs e bases fortes, com variações de andamento que mostram o belo entrosamento da banda. Betrayed, com um andamento marcado, traz bastante peso e Pastore mandando ver em vocais agressivos e rasgados, mas variando em passagens mais melódicas. Um solo bem melódico no meio da faixa faz o balanço entre peso e melodia. Crawling Back, tem uma linha mais trabalhada, mas em fugir da proposta, com um andamento cadenciado e bases bem arranjadas.

                Torment alinha o peso com uma pegada mais moderna. Aqui, o vocal de Pastore volta ás raízes e nos remete ao mestre Bruce Dickinson em algumas passagens, mas sem soar forçado ou parecer uma cópia. Quem conhece a carreira do vocalista sabe disso. A pesada Time  tem um andamento mais cadenciado e segue a linha com riffs na escola mais moderna do heavy metal. As guitarras são o destaque em Ressurrection. Bases bem compostas e executadas norteiam a  música que também mostra a versatilidade do vocalista. A cozinha composta por Renato (baixo) e Felipe (bateria), novamente mostra que este "setor" da banda é fundamental para que o peso seja constante. Finding A Way é uma bela balada, uma composição onde percebemos a capacidade criativa do grupo. Land of Sin encerra o trabalho com baixo e bateria sentando mão no peso, enquanto as guitarras de Guto e Marcio se encarregam de despejar riffs certeiros. Um belo encerramento, com um vocal bastante inspirado.

              NOWHERE apesar de ser o trabalho de estréia do HEAVIEST, tem todos os elementos que agradarão ao exigente público headbanger, Não apenas aqui no Brasil, mas também lá fora. Peso, modernidade e qualidade. Músicos técnicos, mas que sabem que não basta isso para se fazer um grande trabalho. Garra, vontade e entrega e dedicação fazem desse álbum um dos grandes discos do metal nacional em 2015. Se a estréia foi nesse ritmo, fico imaginando como serão os próximos trabalhos. Mais uma grande banda no cenário nacional!




Sergiomar Menezes

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

POP JAVALI - THE GAME OF FATE



             THE GAME OF FATE é o segundo trabalho do trio paulista POP JAVALI. E o sucessor de No Reason To Be Lonely (2011), se mostra espetacular! Classe, bom gosto e músicos de alto nível, além de excelência nas composições, fazem do segundo cd da banda, um álbum que pode e deve, figurar na estante dos apreciadores de música feita com qualidade. Formado por Marcelo Frizzo (Vocal/baixo), Jaeder Menossi (Guitarra) e Loks Rasmunssen (bateria), o power trio contou com a produção dos irmãos Busic, Andria e Ivan, do Dr. Sin, o que abrilhantou ainda mais o trabalho. Praticando um Hard n' Heavy, com toques sutis que nos rementem aos anos 70, mas soando sempre atual, o grupo capricha nos arranjos e nos entrega uma música carregada de feeling. E isso, com toda certeza, é um grande diferencial.

           O grupo foi formado em 1992 e mantém até os dias de hoje a mesma formação. O que faz com que o entrosamento dos músicos seja perfeito. E a produção de Andria e Ivan soube valorizar isso, deixando o trabalho com a cara da banda. O bom vocal de Marcelo, o peso que a cozinha formada pela bateria de Loks e pelo baixo do próprio Marcelo, aliados aos riffs certeiros e aos belos e elaborados solos de Jaeder, fazem de The Game of Fate um cd muito bem composto, gravado e produzido.

           O cd abre com a pesada Lie To Me. Com uma bateria marcada e um riff pesado, a nervosa faixa de abertura já entrega a categoria dos músicos. Os solos de Jaeder soam melódicos mas com uma pegada mais pesada, enquanto a cozinha se encarrega de caprichar nessa mesma linha. Os vocais de Marcelo se encaixam muito bem, mostrando uma bela interpretação. Na seqüência, Healing No More, com uma pegada mais hard e melódica, nos traz as influências dos anos 70 no som da banda. Destaque para o belo solo e o refrão bem acessível e de fácil assimilação. A versatilidade do vocal de Marcelo Frizzo é um dos destaques de Mindset. Uma composição muito bem arranjada, com riffs numa pegada mais simples, mas nem por isso "menores", deixam a faixa com uma cara mais rock. Road To Nowhere, a quarta faixa, traz belos riffs e um trabalho de baixo e bateria bem interessante, onde a pegada do baterista Loks Rasmunssen tem seu destaque. A pesada Free Men vem na seqüência. Carregada de riffs e com uma pegada bem heavy, os vocais também mostram versatilidade e fazem da faixa o grande destaque do trabalho. Além dos riffs, Jaeder manda ver em solos carregados de feeling.

            Time Allowed é uma faixa com mais variações e mostra a capacidade de composição do grupo. Com arranjos muito bem encaixados, a faixa transita em passagens por vezes mais pesadas, por vezes mais melódicas e simples. Mais peso é o que temos em A Friend That I've Lost. Com passagens que remetem as mais pesadas bandas de prog metal, a faixa se mostra novamente o belo entrosamento da cozinha, carregando numa pegada bem heavy. A seqüência pesada do álbum se mantém com a porrada Wrath Of The Soul. Riffs e solos cortantes são o destaque. Enjoy Your Life mostra a técnica e versatilidade dos músicos e me trouxe a mente a banda dos produtores do álbum. Semelhança com o som do Dr. Sin, mas que não traz nenhum demérito á banda, pois sua identidade e personalidade não sofrem nenhuma alteração. I Wanna Choose, traz uma pegada mais rock n' roll e antecede a longa faixa título. The Game of Fate, começa introspectiva e se torna mais pesada durante sua execução. Uma bela faixa de encerramento de um belo trabalho.

           O POP JAVALI mostra em seu segundo trabalho classe, bom gosto e uma qualidade acima da média do que se faz no cenário nacional. Músicos gabaritados, belas composições, arranjos muito bem elaborados, energia e vibração. Mas além de tudo, muito feeling. Uma música feita com alma. Isso faz de THE GAME OF FATE um dos melhores cds nacionais do estilo!



              
Sergiomar Menezes

           

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

HIGHER - HIGHER



                        A paixão pelo Heavy Metal, por mais que se diga o contrário, é algo que está no sangue. O tempo passa, os caminhos tomam outras direções, mas quando esse sentimento se mantém, cedo ou tarde ele volta a aflorar. Cezar Girardi e Gustavo Scaranelo são músicos profissionais. Bastante experientes e respeitados, principalmente nos meios do jazz e da música instrumental. Mas que nutrem essa paixão pelo metal. Em 1995, fundaram a banda Second Heaven, mas que foi desativada dois anos depois, sem deixar nenhum registro. Os músicos acabaram por seguir por outros caminhos, como dito anteriormente. Se tornaram reconhecidos em outros estilos, mas continuaram com aquele sentimento. E, após uma telefonema, resolveram se encontrar e formar uma nova banda. E que banda, meus amigos!

                        O HIGHER vem com a proposta de fazer Heavy Metal livre de pretensões comerciais e mercadológicas. E isso se revela quando ouvimos o auto-intitulado trabalho de estréia da banda. HIGHER (2014) traz um grupo envolvente em suas composições, onde é perceptível o grande talento dos músicos. Não apenas de Cezar Girardi (vocal) e Gustavo Scaranelo (guitarra), mas também do baixista chileno Andrés Zúñiga (baixo - ex-professor do EM&T e colunista da revista Bass Player) e de Pedro Rezende (bateria). Após a gravação, a banda recrutou o jovem Felipe Martins para a segunda guitarra. Produzido por Thiago Bianchi (Noturnall), o trabalho mostra uma banda que apesar de "nova", entrega a experiência de seus integrantes em grandes composições, belos arranjos e um capricho em todos os detalhes. A começar bela bela arte gráfica, que segundo Gustavo, se encaixa no conceito tanto das letras quando da ideologia dos integrantes do grupo. Fica difícil rotular o trabalho da banda, pois as características e personalidade impressas ao trabalho, deixam o grupo com uma cara própria. Prefiro chamar apenas de Heavy Metal.

                        O álbum (lançado de forma independente) inicia com a pesada Lie. Com riffs com aquela pegada heavy e um vocal caprichado, a faixa já nos mostra a versatilidade da banda, pois Cezar vai de uma linha mais pesada e raivosa até uma linha um pouco mais melódica e limpa, enquanto o baixo e a bateria se encarregam de despejar boas doses de peso. Um belo solo também se faz presente aqui. O baixo bem pesado de Andrés dita o ritmo de Illusion, onde as guitarras trafegam com tranquilidade em passagem ora pesadas, ora mais suaves. Uma faixa bem variada e com belos arranjos vocais. Keep Me High, tem um ótimo trabalho instrumental e Cesar se destaca, pois varia seu vocal na mesma forma que o grupo varia o andamento da canção, mostrando que a experiência pode e faz a diferença. A cozinha mantém o peso sem deixar o ritmo cair. Climb The Hill, tem seu início com um belo dedilhado, e mostra a técnica de seus integrantes, pois aqui, podemos perceber a influência dos outros estilos que os músicos dominam com perfeição. A quinta faixa, Like The Wind, é mais rápida e inicia com belos riffs. Um grande trabalho do baixista Andrés e uma linha que se volta um pouco ao prog metal permeiam a música.

                        Break The Wall é uma faixa que tem seu início um tanto quanto introspectiva, mas que mostra uma balada bem estruturada e um solo bem melódico. Time to Change traz o peso de volta, com mudanças de andamento e riffs bastante pesados. Vocais bem variados aliados a backing vocals bem encaixados, tornam a faixa mais envolvente. As influências jazzísticas da banda se misturam ao peso e modernidade e ditam o ritmo de Make it Worth. Aqui cabe um destaque ao batera Pedro Rezende, que imprime em sua bateria peso sem esquecer da técnica, com viradas e quebradas que mostram a complexidade da música do Higher, sem se tornar cansativa. Com uma pegada mais power, The Sign encerra o trabalho a forma como iniciou. Cheia de garra e feeling onde a paixão pelo heavy metal flui e nos entrega uma composição pesada, rápida e variada. Um belo encerramento.

                       Em seu trabalho de estréia, o HIGHER mostra que quando o sentimento fala mais alto, a música que ele nos entrega vem do coração. Se o grupo diz não ter pretensões comerciais com o trabalho, ele está certo. O que temos visto no mercado não é digno de figurar ao lado deste trabalho. Que essa faceta "anti-mercado" se mantenha e a banda siga nos proporcionando álbuns com qualidade ímpar como esse. O HEAVY METAL agradece!


                       

Sergiomar Menezes

terça-feira, 6 de outubro de 2015

RATTLE- TALES OF THE DARK CULT


     
                         Eis que o debut do RATTLE chega ao mercado via Shinigami Records. Vencedor da promoção que envolvia as bandas que participaram da coletânea Hellstouch, lançada em 2012 pela gravadora, por meio de voto popular, o que lhe deu o direito a gravar um full lenght, o grupo soube aproveitar a oportunidade, Praticando um death metal com uma forte influência do thrash metal dos anos 80 e 90, aliando peso e brutalidade, bateria e baixo na escola mais direta e um tanto quanto reta, vocais guturais e letras que se encaixam no contexto do título do álbum, a banda acerta a mão e presenteia os apreciadores do metal da morte com um grande trabalho.

                         O grupo baiano, composto por Val Oliveira (vocal), Henrique Coqueiro (guitarra), Daniel Iannini (baixo) e Eric Dias (bateria), lança TALES OF THE DARK CULT, que foi produzido por Marcos Franco e possui uma sonoridade bastante peculiar e de acordo com a proposta que sua sonoridade necessita. Guitarras carregadas de fúria e bem timbradas, cruas e ditando o rumo das composições. E a arte gráfica, principalmente a capa, ficou muito legal, lembrando as velhas HQ's de horror que fizeram, e ainda fazem, a alegria de muitos. O trabalho contou com algumas participações especiais. Anton Naberius (Eternal Sacrifice), Lord Vlad (Malefactor) e Julio "Nikkury" Cesar (Metropolis/The Endless Fall) trouxeram suas contribuições ao trabalho.

                         The Embodiment of Evil, abre o trabalho e traz uma narração do mestre do horror Zé do Caixão que dá um toque de classe á faixa. Classe no sentido de horror, é claro. Veloz, densa e com um instrumental bem trabalhado e pesado, a música já entrega as características do som do grupo, num mix entre o death e o thrash. The End inicia pesada, com riffs típicos do thrash americano e que se diferencia pelo vocal mais gutural de Val Oliveira. A terceira faixa, Semper Fi, já tem uma pegada com riffs death metal, mas com passagens que nos remetem aos grandes nomes do thrash alemão. E isso acaba sendo um dos grandes diferenciais da banda, pois consegue passar essa versatilidade sem soar embolado ou desconexo. The Call of Duty também se destaca. Vocal urrado e pegada forte nas guitarras, aliados a um solo cheio de veneno, fazem da faixa um dos grandes destaques do trabalho! Destaque também para o entrosamento do baixo/bateria, onde Daniel Iannini e Eric Dias mostram boa técnica. Operation: Exterminate inicia com os dois pés na porta, imprimindo velocidade. Um solo na medida, mostra que Henrique Coqueiro sabe dosar bem suas influências entre os dois estilos.

                        Whispers é uma faixa bastante direta. Pesada e veloz, talvez seja a faixa mais death metal do trabalho. Last Standing Man volta a trazer uma pegada mais thrash, com riffs dessa escola. Os vocais de Val Oliveira merecem destaque, pois mostram variações interessantes. Mais um belo solo bem old school. Na seqüência, Pay to Enter, Pray to Exit, na minha opinião, a melhor faixa do cd. Como esquecer, ao ler esse título, do filme "Pague para entrar, Reze para sair"? Com guitarras que mostram uma influência de metal tradicional, e com uma pegada, porque não dizer, rock n' roll, a faixa mostra que o grupo, além da capacidade técnica, possui uma variedade nas composições. Refrão "fácil" e solo bem estruturado dão á faixa uma cara diferente. Hell of The Living Dead inicia com uma narração, seguida de um riff acelerado. Com passagens mais cadenciadas e alternando com outras mais rápidas, a faixa mantém a boa seqüência do álbum. InSomnia: The Sleep of Reason Produces Monsters é instrumental e antecede o final com a longa The Dark Cult. Com grande variação na sua execução, onde o peso do baixo e bateria se destacam, a música mostra que o grupo tem grande futuro.

                       O RATTLE mostra em debut que sabe dosar corretamente suas influências que vão do thrash ao death metal. E que não se restringe somente á elas, pois podemos perceber ecos de metal tradicional em sua sonoridade. Um álbum de estréia que dá indícios de grande futuro. Que os próximos lançamentos venham a confirmar essa expectativa!



Sergiomar Menezes
                         

                       

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

POWERWOLF - BLESSED & POSSESSED



                       Em doze anos de carreira, o POWERWOLF vem crescendo no mercado musical. Com 6 álbuns lançados, mantendo uma média de um lançamento a cada dois anos, o grupo segue apostando em um power metal vigoroso e criativo. E o resultado atingido em BLESSED & POSSESSED, lançado por aqui via Shinigami Records, é muito bom! O grupo alemão traz em seu som as características básicas da maioria dos grupos oriundos de seu país, mas tem um cuidado maior na questão da melodia. Com teclados que se encaixam perfeitamente nos arranjos de suas canções, dando por vezes um cima bastante soturno ás composições, o grupo vem consolidando uma carreira, que, me arrisco a dizer, tem, por enquanto, seu ápice neste trabalho.

                      Attila Dorn (vocal), Matthew Greywolf (guitarra), Charles Greywolf (guitarra e baixo), Roel van Helden (bateria) e Falk Maria Schlegel (teclados) investem em guitarras variando entre o peso e melodia (com referência ao seu estilo), vocais mais graves que fogem da mesmice, baixo e bateria corretos e precisos e corais que fazem o diferencial num cenário que pede por inovações. Produzido por Fredrik Nordström, que deixou a grandiosidade da música do grupo com uma sonoridade bastante limpa, mas nem por isso sem peso, e com uma bela arte gráfica, os alemães devem subir mais degraus na difícil escada do metal.

                      O álbum abre com a poderosa faixa título. Blessed & Possessed tem belos riffs e um instrumental bastante inspirado, aliados ao um refrão que fica na cabeça por dias. Daqueles de cantar de punho cerrado nos shows. Solos melódicos encontram riffs agressivos e já mostram o poderio criativo da banda. Dead Until Dark, já tem mais a cara do power metal das bandas germânicas. Um belo solo enquanto baixo e bateria fazem sua parte, imprimindo velocidade. Mais um belo refrão (característica que se mantém ao longo do trabalho). A melodia dita o ritmo de Army of the Night, mas nem por isso o grupo esquece do peso, Agressiva em algumas passagens, melódicas em outra, os vocais de Attila ganham destaque aqui. Armata Strigoi apresenta uma interessante variação com teclados bem encaixados. O vocal grave de Attila cria uma atmosfera mais pesada na interpretação.
Na seqüência, We Are The Wild, mais cadenciada e com belos riffs, também possui um refrão pra cantar junto!

                    Higher Than Heaven, com corais quase operísticos, possui uma pegada bem heavy, onde a bateria ganha destaque. A faixa possui uma variedade em sua execução que mostra a técnica apurada dos músicos. A vigorosa Christ & Combat continua com o belo trampo de guitarras que em algumas passagens, remete as guitarras gêmeas do metal britânico, principalmente no início. Sanctus Dominus, com passagens bem melódicas, principalmente nos solos, possui uma particularidade, pois é cantada em latim. Não que outras bandas já não tenham feito isso antes ( a primeira que me veio á mente é o Helloween com Laudate Dominun, de Better Than Raw), mas ela dá uma certa dramaticidade á interpretação. Sacramental Sister tem um andamento mais lento e tem destaque o teclado. All You Can Bleed com belos arranjos e grande trabalho de baixo e bateria, tem em sua melodia o andamento perfeito ao vocal de Attila. Mais um refrão pra cantar junto. E o encerramento vem com Let There Be Night, onde o vocalista dá um show de interpretação. Uma composição com um capricho nos arranjos e com o peso das guitarras que dão ao cd, um final grandioso, como fora durante toda a sua execução.

                 O POWERWOLF consegui ser inovador e criativo mesmo sem grandes mudanças em sua sonoridade. A prática de  um Power metal cheio de garra e energia, pesado e melódico, e principalmente, sem soar repetitivo, é o trunfo que o grupo possui. Isso tudo aliado ao talento e criatividade fazem de BLESSED & POSSESSED um grande trabalho, que deve fazer da banda um nome mais reconhecido no cenário. Afinal, não é isso que procuramos nas grandes bandas?



Sergiomar Menezes

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

VETOR - CHAOS BEFORE THE END


           
                   Um cd que não deve nada ás bandas internacionais. Tanto nas composições, como na excelente produção. Praticando um Heavy Metal com forte acento Thrash, mas bastante atual, o quinteto santista VETOR, estréia com CHAOS BEFORE THE END, que chega ao mercado via Shinigami Records. O grupo existe desde 2001, mas só agora lança seu primeiro trabalho. E se você pensa que foi muito tempo, você está certo. Mas essa demora faz valer a pena cada música que consta nesse excelente trabalho. Guitarras pesadas, riffs sujos e agressivos, baixo e bateria modernos (e não mudérnos) e vocais que se encaixam muito bem na proposta do grupo. Produzido por Anibal Pontes, os instrumentos ficarm bem nítidos e pesados. A mixagem e masterização ficaram á cargo do renomado Fredrik Nordström no Fredman Studio, na Suécia e completou de forma grandiosa o trabalho.

                  O grupo composto por Eduardo Júnior (vocal), Ricardo Lima (guitarra), Pedro Bueno (guitarra), Luiz Meles (baixo) e Afonso Palmieri (bateria) - as guitarras base foram gravadas pelo ex-guitarrista Luciano Gavioli - Capricha no peso/agressividade em todas as faixas, mas nem por isso esquece da melodia. A sonoridade, por vezes remete ao Nevermore, mas com personalidade própria. O vocal de Eduardo Júnior lembra um pouco o de Matthew Barlow (ex- Iced Earth), mas tem mais variação, indo do melódico ao mais agressivo com desenvoltura. Além de tudo isso, o cd vem com um belo trabalho gráfico. Tudo isso, em conjunta com a técnica dos músicos, fazem do trabalho, algo imperdível!

                 Intro/Religious Falsehood abrem o cd de forma brilhante. Guitarras pesadas com variações bem executadas vão de encontro a agressividade da cozinha, onde a bateria de Afonso Palmieri se destaca. Solos agressivos e melódicos na medida, fazem da faixa um dos destaques do trabalho. Strike Command, a segunda faixa, traz bateria e baixo muito bem entrosados, enquanto as guitarras aliam peso e melodia de forma muito interessante. Eduardo Júnior mostra versatilidade com seu vocal por ora agressivo, ora mais melódico. A faixa título Chaos Before the End dá seqüência e mantém o alto nível do cd, onde os riffs pesados se mantém, mostrando uma variedade no andamento que engrandece a composição. My Torment inicia com uma marcação de bateria e riffs mais acessíveis, mas nem por isso "leves". Toques mais "heavy" se apresentam, deixando a agressividade mais amena.

                 New Limits Within Procreation traz as guitarras á frente, mas encontram um excelente trabalho da cozinha, com destaque para o baixista Luiz Meles. Vocais bem variados e doses cavalares de agressividade ditam o ritmo aqui. In The Sound of The Wind mantém a agressividade e o trabalho das guitarras mostra uma complexidade nos riffs que são muito bem executados. Vetor, inicia com guitarras que lembram as bandas de metal dos anos 80, mas em seguida, adentram o período atual e trazem belos solos. Os vocais de Eduardo soam bastante agressivos em certas passagens. Endangered Species encerra o trabalho trazendo vocais agressivos, paredes de guitarra, cozinha pesada e dá ao álbum, um fechamento em grande estilo.

                 Peso e agressividade se encontram de forma perfeita com a melodia no som do grupo. Mas quando escrevo melodia, não leia "suavidade", pois a banda imprime doses generosas de agressividade em seus riffs, e o trabalho de baixo e bateria não dá descanso em nenhum momento. Um vocal com variações muito bem executadas e muita qualidade nas composições. Uma produção que deixou tudo de forma clara e suja ao mesmo. Esse conjunto de virtudes fazem de Chaos Before the End um dos melhores lançamentos nacionais do ano! Ouça no volume 10!




Sergiomar Menezes

UGANGA - OPRESSOR


               Thrash Metal com pegada Hardcore. Ou, se preferir, Hardcore com o peso do Thrash Metal. Fico com a definição do próprio grupo: THRASHCORE. Com um estilo já consolidado em seus 20 anos de carreira, o UGANGA lança seu 4° álbum de estúdio (em 2013, a banda lançou o ao vivo Eurochaos Ao Vivo). Com uma música forte, pegada, e principalmente, verdadeira, o grupo formado por Manu "Joker" Henriques (vocal), Christian Franco (guitarra), Thiago Soraggi (guitarra), Raphael "Ras" Franco (baixo e vocal) e Marco Henriques (bateria e vocal), traz em OPRESSOR, as características marcantes que permeiam a história da banda.

               Com a produção de Gustavo Vazquez e da própria banda, que deixou a sonoridade bem agressiva, dando á musica do grupo uma personalidade bem peculiar, o trabalho é bastante homogêneo. Os vocais de Manu soam raivosos e perfeitos ao estilo, assim como o excelente entrosamento das guitarras. A cozinha da banda também merece destaque, afinal, a mistura entre o hardcore e o thrash, com passagens recheadas de groove, exige boa técnica de quem a executa. E isso, aliada a honestidade musical do grupo, são o diferencial da banda.

               O álbum abre com a porrada Guerra. A faixa, de cara, já dá mostra do que teremos pela frente. A pegada bem hardcore e guitarras com as levadas do thrash metal, se fundem ao vocal bem característico de Manu. Riffs no melhor estilo da escola "metal mineira". O Campo, que fala sobre os campos de concentração em Auschwitz ( que a banda visitou em sua primeira turnê européia em 2010), inicia com um certo groove, e tem o peso das guitarras como destaque. A vinheta Veredas, antecede a faixa título. Opressor, intensa e pesada, é um dos destaques do trabalho. O hardcore é a tônica em Moleque de Pedra. Contando com os vocais guturais de Juarez "Tibanha" (Scourge), a faixa tem uma letra de forte crítica social. Casa, a sexta faixa, mostra bem o estilo do grupo, pois aqui, a pegada hardcore encontra as guitarras bem "metal", além do baixo e bateria que variam entre a velocidade e um trabalho mais cadenciado. Os solos, ficaram muito bem inseridos aqui.

             L.F.T, outra vinheta, introduz o peso de Modus Vivendi. Uma faixa bem Heavy Metal, que mostra bem a versatilidade do grupo nas composições. Mais cadenciada e com vocais mais rasgados, a música tem uma pegada diferenciada. Nas Entranhas do Sol possui um riff nervoso e tem uma pegada que nos remetem ás bandas thrash, com aquela levada mais na manha, que instantaneamente nos leva ao headbanging. Já Aos Pés da Grande Árvore, tem um riff que nos remete a cena black metal, principalmente á mineira. cabe lembrar que Manu Joker foi baterista de uma das maiores (se não, a maior) referência do estilo (o vocalista tocou no Sarcófago). Mas logo em seguida, os grooves e o hardcore pesado do grupo ditam o ritmo. Noite é mais uma vinheta. Na seqüência, Who Are The True?, cover do grande Vulcano e que contou com as participações de Murillo Leite (Genocídio) e Ralf Klein (Macbeth) e que ficou muito boa! O trabalho se encerra com Guerreiro, uma faixa bem introspectiva.

           A musicalidade da banda é honesta e verdadeira. Uma mistura perfeita entre a agressividade do hardcore e o peso do thrash metal. Cantar em português também é um diferencial, pois as mensagens que a banda passa de forma clara soam melhores dentro do estilo proposto. Um grande lançamento de uma grande banda. Experiência e honestidade musical não se compram em lojas de instrumentos musicais. E o UGANGA, traz isso do berço!


              
 Sergiomar Menezes