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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

DARK AVENGER - ALIVE IN THE DARK



                   E eis que uma das melhores bandas brasileiras lança seu registro ao vivo. E que registro! Numa bela embalagem, com uma capa espetacular, ALIVE IN THE DARK, cd duplo ao vivo do DARK AVENGER, chega ao mercado via Shinigami Records ( que colocou no mercado os dois melhores discos ao vivo desde ano - a saber, MASTERPLAN - KEEP YOUR DREAM aLIVE e este do DARK AVENGER). Com mais de 20 anos de carreira, o grupo liderado pelo excepcional vocalista Mario Linhares, tem em seu currículo três álbuns - Dark Avenger (95), Tales of Avalon - The Terror (2001) e Tales of Avalon - The Lament (2013) - e um EP - X Dark Years (2003). E agora, com esse grande trabalho ao vivo, consagra uma carreira que, em minha opinião, deveria ter um maior reconhecimento. Não que o grupo não o possua, mas quando vemos algumas bandas com qualidade muito abaixo da média, com status acima do Dark Avenger, percebemos que algo está errado...

                  O álbum foi gravado em dezembro de 2003, em São Paulo, na Led Slay e houve o cuidado de captar a banda de forma fiel. Não se percebe aquelas famosas "mexidinhas" no estúdio. A produção, que ficou sobre a responsabilidade de Richard Navarro e do próprio Mario Linhares, soube transportar para o cd toda a energia e qualidade da banda de forma cristalina. Na época da gravação do trabalho, a banda era formada por Mário Linhares (vocal), Hugo Santiago (guitarra), Marcus Valls (guitarra), Gustavo Magalhães (baixo), Rafael Dantas (bateria) e Tomas Vital (teclado e piano) e estava muito entrosada. Aliás, nota-se também, uma perfeita interação entre banda e público.

                   
                  Difícil apontar destaques em um trabalho tão homogêneo, onde todas as faixas, além de excelentes, foram executadas com maestria, com o popular "sangue no zóio". Mas não há como não falar da performance de Mário Linhares. Sem nenhuma dúvida, um dos maiores vocalistas da história do Metal Nacional, ele transforma passagens complicadas em fáceis, tamanho o talento e versatilidade de sua voz. As guitarras de Hugo e Marcus também se destacam, trabalhando em perfeita sintonia, enquanto  o baixo de Gustavo e a abateria de Rafael, carregam no peso que o metal tradicional pede e precisa. Tomas capricha nos teclados também, harmonizando de forma correta as melodias certeiras do grupo. Mas algumas faixas acabam se sobressaindo. No primeiro cd, Dark Avenger 2003, Crown of Thorns, Die Mermaid, Tales of Avalon, Armageddon são músicas seminais na história do heavy metal brasileiro. Já no segundo cd, as versões sinfônicas e acústicas de As The Rain e The Lament (respectivamente) se destacam. Ainda no cd 2, temos o EP X Dark Years.


               Sem nenhuma sombra de dúvida, um dos melhores trabalhos ao vivo já lançados por uma banda de heavy metal brasileira. Talento, energia e garra, saltam aos ouvidos a cada música e a cada nova audição. Uma das melhores bandas brasileiras de todos os tempos merecia um trabalho desse nível! Parabéns  a Shinigami Records por disponibilizar este marco do Metal Nacional!




          Sergiomar Menezes
                   


MELHORES DO ANO - NACIONAL

                  2015 foi um ano repleto de bons lançamentos. e as bandas nacionais, não deixaram nada a dever ás bandas internacionais. Algo que, há muito tempo vem acontecendo. Mesmo sem grande exposição na mídia (grande mídia, diga-se), as bandas vem caprichando. Seja na produção, na arte gráfica, mas principalmente, na qualidade das composições apresentadas. E aqui, no REBEL ROCK, selecionamos os dez melhores cds lançados por aqui, na nossa opinião.



SPARTACUS - IMPERIUM LEGIS




DISTRAUGHT - LOCKED FOREVER




HIGHER - HIGHER




KRISIUN - FORGED IN FURY




HEAVIEST - NOWHERE




GODZORDER - OBEY




LOSNA - ANOTHER OPHIDIAN EXTRAVAGANZA




METALMORPHOSE - FÚRIA DOS ELEMENTOS




DIRTY GLORY - MIND THE GAP




FURIA LOUCA - ON THE CROUP OF THE SINNER PT.II



                      Sergiomar Menezes

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

MELHORES DO ANO - INTERNACIONAL

                   2015 está chegando ao fim. Um ano bastante complicado em todos os aspectos. Economicamente, politicamente e porque não dizer, musicalmente. Mas no quesito musical, diferentemente do restante, o saldo foi bastante positivo (exceto as perdas de nomes inesquecíveis na cena). Aqui, a lista com os melhores lançamentos do ano, na opinião do REBEL ROCK. Não é uma ordem de preferência, apenas, listamos os dez melhores lançamentos internacionais na nossa visão.


                           SLAYER - REPENTLESS                     


                                           IRON MAIDEN - THE BOOK OF SOULS





W.A.S.P. - GOLGOTHA



REVOLUTION SAINTS - REVOLUTION SAINTS



THE DEAD DAISIES - REVOLUCIÓN



GHOST - MELIORA



CRADLE OF FILTH - HAMMER OF THE WITCHES



SAXON - BATTERING RAM



PARADISE LOST - THE PLAGUE WITHIN



METAL ALLEGIANCE - METAL ALLEGIANCE




    Sergiomar Menezes

domingo, 20 de dezembro de 2015

MASTERPLAN - KEEP YOUR DREAM ALIVE (CD/DVD)


                 A história todos sabem... Quando Roland Grapow e Uli Kusch foram, digamos, "saídos" do Helloween em 2001, resolveram montar uma banda onde pudessem exercer sua criatividade sem se prender aos limites que o grupo em questão lhes impunha. Pois bem... De lá pra cá, muita coisa aconteceu com o MASTERPLAN. Excelentes trabalhos, outros nem tanto, trocas de integrantes, idas e vindas... Até que o grupo resolve soltar este excelente show em CD e DVD, que chega ao Brasil via Shinigami Records. E não poderia ser em melhor hora. KEEP YOUR DREAM ALIVE traz a apresentação completa do grupo no Festival Masters of Rock, realizado na República Tcheca em 2013 no CD, e no DVD, além deste show completo, vários extras , como a apresentação no Wacken (Alemanha) em 2014 e também algumas músicas apresentadas na Ásia ( na China)e em Atlanta (EUA), além de todos os vídeos oficiais lançados pelo grupo.

               Contando hoje com uma nova formação, o grupo hoje é composto por Rick Altzi (vocal, At Vance), Roland Grapow (guitarra, líder e fundador), Axel Mackenrot (teclados), Jari Kainulainen (baixo, ex- Stratovarius) e Martin "Marthus"Skaroupka (bateria, ex-Cradle of Filth). E como já podíamos perceber no mais recente trabalho de estúdio, Novo Initium (2013), Rick Altzi substitui bem Jorn Lande. Mas veja bem, estamos falando de um dos melhores vocalistas da cena atual, ou seja, a tarefa de Rick não é fácil. Mas ele dá conta do recado com sobras. A produção, mixagem e masterização ficou por conta do próprio Roland Grapow em seu estúdio e ficou muito boa. O setlist foi muito bem escolhido, ainda mais por tratar-se de um festival, a banda teve o cuidado de preparar um best of de sua carreira. dando maior ênfase ao primeiro trabalho, Masterplan (2003).

               A performance da banda é excelente. Afinal, estamos falando músicos tarimbados, com vasta experiência na cena. Grapow continua esbanjando classe e técnica, Axel segue com suas linhas de teclado certeiras. Jari Kainulanem é um exímio baixista. Marthus possui muita pegada e também é um baterista bastante técnico. Mas um dos grandes destaques do show é a performance de Rick Altzi. Músicas como Enlighten Me, Spirit Never Die, Crimson Rider, Back For My Life, Time To Be King, Heroes, Soulburn, Kind Hearted Light ficaram tão boas que parecem ter sido gravadas por ele, tamanha sua interação e personalidade na interpretação. Uma banda entrosada e bastante pesada, mostrando que as trocas de integrantes não afetaram sua qualidade, até pelo contrário, pois vemos (e ouvimos) uma banda cheia de garra e vontade em cima do palco.

              Um álbum ao vivo como todo ao vivo deveria soar. Pesado, cru e nítido. Nos passa a sensação de estarmos presentes durante a apresentação da banda. Se fosse lançado apenas em CD, já valeria o investimento. Por tratar-se de um belo pacote, o CD/DVD, que vem recheado de extras, vale cada centavo investido. Longa vida ao Masterplan!




   Sergiomar Menezes

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

W.A.S.P. - GOLGOTHA



                    E o incansável Blackie Lawless segue sua jornada pelo caminho do Hard n' Heavy com o lançamento de GOLGOTHA, que chega ao Brasil, num belo digipack,  via Shinigami Records.  Mantendo a mesma linha adotada em Dominator (2007) e Babylon (2009), o W.A.S.P. mostra que ainda tem muita lenha pra queimar. Se o grupo não atrai para si mais os holofotes da grande mídia como antigamente, com este trabalho, dá provas de que continua relevante e que os fãs podem conferir sem medo. Composições com  aquela pegada característica do grupo, mesclando linhas mais hard e passagens bem heavy, os vocais, que apesar da passagem do tempo, seguem sendo um dos destaques, pois Lawless mantém timbres bem próximos da fase áurea da banda, e um excelente guitarrista, garantem um ótimo nível ao álbum.

                  Formada hoje por Blackie Lawless (vocal, guitarra e teclados - único integrante da formação original e clássica da banda), Douglas Blair (guitarra solo e backing vocal) e Mike Duda (baixo), a banda contou na gravação do trabalho com as baquetas de Michael Dupke. O álbum foi gravado no Fort Apache Studios e a produção ficou á cargo de Michael Dupke, Mark Zavon e Jun Murakawa, enquanto que a  mixagem ficou sob a responsabilidade de Logan Mader ( ex-Soulfly e Machine Head). Com grandes composições e um guitarrista extremamente talentoso, Lawless mostra que quem foi rei, nunca perde a majestade (soa clichê, mas é a mais pura verdade...).

                 O álbum inicia com uma grande faixa. Scream é uma faixa forte, que reflete a personalidade da banda. Uma pegada bem típica, vocais muito bem encaixados e solos bem elaborados fazem da música um dos grandes destaques do trabalho. Uma carta de boas vindas excelente! Last Runaway possui linhas melódicas sobre uma base estruturada no hard n' heavy próprio do grupo. Vocais dobrados e backing vocals na medida certa, além do belo trabalho executado por Douglas Blair (que, ressalto novamente, é um dos grandes destaques do álbum) mantém a seqüência em grande estilo. Shotgun, a terceira faixa, nos remete á trabalhos anteriores do grupo, principalmente pelo vocal um pouco mais rasgado de Lawless. Belo refrão, uma melodia simples, mas contagiante, e uma levada bem rock n' roll ditam o ritmo. Miss You é uma faixa carregada de sentimento. Uma balada onde o solo de Douglas Blair se destaca, esbanjando o felling que a música pede. Fallen Under tem uma pegada mais cadenciada e ao mesmo tempo melódica e a cozinha composta por Mike Duda e Michael Dupke aparece de forma mais destacada, deixando a faixa mais pesada.

                 Slaves of The New World Order, com uma base bem heavy e uma melodia marcante, tem um certo ar de "já ouvi isso antes", mas nem por isso merece algum demérito. Pelo contrário, essa linha utilizada pelo grupo sempre foi um dos pontos fortes do seu trabalho. Na seqüência, Eyes of My Maker, traz uma pegada mais cadenciada e por vezes introspectiva. Uma boa faixa. Já Hero of The World é um dos grandes destaques do álbum. Uma bela introdução e aquela cara "W.A.S.P." se revelam de forma latente, enquanto mais uma vez, Douglas Blair ganha destaque. O guitarrista tem uma veia melódica sem soar forçada e garante momentos dignos do passado glorioso do grupo. Golgotha, a faixa título, encerra o trabalho de forma épica. Grande interpretação de Lawless, Carregada de sentimento, a música mostra a qualidade dos arranjos além de expôr momentos de pura inspiração.

                 Estamos em 2015. Com mais de 30 anos de carreira. o W.A.S.P. mostra que ainda se mantém relevante na cena. Mesmo que, durante certo período, alguns trabalhos tenham ficado um pouco abaixo daquilo que se espera do grupo, desde Dominator (2007), os álbuns vem mantendo um bom nível e este GOLGOTHA pode ser considerado o melhor desta nova fase. Belas composições e um grande guitarrista, além do talento inegável de Blackie Lawless, fazem deste, um dos melhores trabalhos lançados em 2015. 


               
 Sergiomar Menezes

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

DARK SLUMBER - DEAD INSIDE


                  Black Metal com um forte acento Dark. Ou Dark Metal com uma pegada Black. A denominação fica a seu critério. O que não pode é deixar de se conferir esse grande trabalho! A banda carioca DARK SLUMBER chega ao seu primeiro cd, intitulado DEAD INSIDE praticando um black metal soturno e pesado, nos remetendo a nomes como o Rotting Christ, mas com identidade. Músicas densas, pesadas e muito bem estruturadas é o que encontramos, e analisando tratar-se de um trabalho de estréia, pode-se dizer que o grupo tem muito futuro pela frente.

                  DEAD INSIDE foi gravado entre 2012 e 2013 e a produção ficou boa, pois manteve o clima carregado e sombrio das composições sem esquecer do peso e da sujeira, uma das principais características do estilo. Além disso o trabalho foi gravado e mixado no LM Studio em Volta Redonda (RJ) A masterização foi dividida entre o Morbid Mastering (Arizona/EUA) e o Sun Room Audio (Nova Iorque/EUA). A banda é composta por Guilherme Corvo (guitarra e vocal), Sandro Leite (guitarra), Heyder Fonseca (baixo) e Jorge Zamluti (bateria) e mostra nas sete faixas que compõem o trabalho que tem bala na agulha para se firmar com convicção neste difícil cenário da música extrema nacional.

                 A introdução Reverberating Emptiness dá início ao trabalho, com um clima denso, sombrio, carregado por teclados bastante soturnos, criando um algo bastante "pesado" para o que vem a seguir. Sorrowful Winter Breeze tem passagens muito bem elaboradas, com arranjos criados de forma correta, encaixando-se no clima pesado da música. As guitarras de Guilherme Corvo e Sandro Leite estão com uma timbragem correta, sujas, porém audíveis. Como todo bom black metal deve ser. Um andamento mais cadenciado, algo comum durante a execução do trabalho, mostra uma variedade, pois os solos tem uma certa veia melódica, o que entrega a versatilidade da banda. Vomiting Upon the Cross possui uma variedade no andamento, alternando passagens mais lentas, arrastadas e momentos mais rápidos (mas sem exageros), deixando o baixo e a bateria encarregados da responsabilidade de manter o peso e a densidade da música do grupo intactos. 

                  A bateria veloz e riffs tipicamente black metal ditam o ritmo de Dying Inside. A agressividade das guitarras e o vocal cheio de fúria de Guilherme deixam o clima pesado. Na metade da música, o andamento se torna lento, arrastado, mas no final, volta  ao black metal em sua forma mais recorrente. Dark Slumber traz riffs mórbidos mas mesmo assim, consegue imprimir uma rispidez ao som da banda de forma correta. Vocais limpos em determinados momentos dão um clima diferente a música. Bateria e baixo são os destaques de Lucifer. Bumbos rápidos, muito bem inseridos (sem sorem forçados), guitarras que carregam riffs  e solos que se confrontam em momentos agressivos, mostrando a boa técnica dos músicos. All The Lights Fade Away encerra o trabalho. Com um início suave e até mesmo simples, a faixa vai ganhando intensidade, principalmente pelo vocal. As guitarras , com peso e uma pegada bastante suja e agressiva, fazem a diferença novamente.

                 O DARK SLUMBER estréia em seu primeiro trabalho muito bem. DEAD INSIDE é um álbum que pode agradar á todos que curtem o black metal ( e até mesmos outros estilos, por que não?), sem se prender á rótulos e radicalismos. Os cimas pesados e densos, as guitarras sujas, agressivas e ao mesmo tempo bem estruturadas e a cozinha que dá uma base forte ao som bem característico do grupo, fazem do DARK SLUMBER mais um bom nome na cena do metal extremo brasileiro.



Sergiomar Menezes

PRIMATOR - INVOLUTION


                  Praticando um Heavy Metal Tradicional, a banda PRIMATOR de São Paulo, lança seu primeiro trabalho. INVOLUTION chega trazendo um grupo que, com seis anos de estrada, capricha em composições que resgatam aquela velha pegada oitentista de bandas como Judas Priest (nas partes mais pesadas) e características que mesclam de forma correta a modernidade do heavy metal com nuances old school. Só que mesmo com essas definições, o grupo possui uma identidade própria, pois dosa de forma correta suas influências imprimindo personalidade em seu som. Melodia e peso podem ser encontrados nas faixas que compõem este belo trabalho.

                  A banda é composta por Rodrigo Sinopoli (vocal), Márcio Dassié (guitarra), Diego Lima (guitarra), André dos Anjos (baixo) e Alexandre Birão (bateria) e no cd, contou com a produção, mixagem e masterização de Daniel Sá. Gravado no Estúdio GR em São Paulo (SP), INVOLUTION traz 10 músicas que trazem um conceito inspirado em " A Origem das Espécies" de Charles Darwin e também em outros pensadores da filosofia e psicanálise. Algumas faixas já estavam prontas enquanto outras foram compostas e finalizadas durante o período de gravação. A capa, desenhada pelo próprio Rodrigo Sinopoli, sintetiza diretamente o tema do álbum, ou seja, o atual momento de "involução" á que estamos submetidos. Um dos grandes destaques do grupo é o trabalho das guitarras. Márcio Dassié e Diego Lima mostram um bom entrosamento. As seis cordas acabam soando pesadas quando necessário e melódicas no momento certo, e trazem ao grupo uma forte sonoridade. A cozinha não fica atrás,  pois André dos Anjos e Alexandre Birão moldam de forma perfeita a base pesada necessária ao desenvolvimento das composições. E o vocal de Rodrigo se destaca, pois possui um belo timbre.

                 O álbum abre com Primator, onde os riffs de guitarra  demostram a pegada tradicional do grupo. A dupla de guitarristas já mostra a que veio, enquanto Rodrigo manda ver em agudos potentes. Dead Land, mais pesada e cadenciada, possui vocais que alternam momentos mais agudos com passagens mais rasgadas. Um refrão forte e solos inspirados se fazem presentes e dão destaque á faixa. Flames of Hades possui um base bem pesada e aquele baixo "galopado", além de riffs diretos. O solo que tem uma pegada melódica se contrapõe de forma correta ao tom mais agressivo da faixa. Caroline começa de forma mais introspoectiva, mas o peso vem na seqüência, de forma mais cadenciada. Black Tormentor pode ser considerada a melhor faixa do trabalho! Pesada, belos riffs, com um refrão contagiante, pra cantar junto com o punho cerrado. Mais um belo trabalho da dupla Márcio e Diego. Os solos alternam momentos agressivos e melódicos sem prejuízo de ambos. Baita música!

                Let Me Live Again, pode ser considerada uma balada (ou como diriam, uma "power ballad") e tem uma bela melodia. Os vocais de Rodrigo mostram grande desenvoltura, pois em momentos mais suaves se percebe seu grande potencial, algo que já se mostrava nas demais composições. Face The Death traz o metal tradicional de volta, com riffs tipicamente NWOBHM e baixo e bateria sintonizados em carregar no peso. Backing vocals bem agressivos contrastam com os agudos de Rodrigo dando uma personalidade única a faixa. Erase The Rainbow tem um inicio suave, com dedilhados, mas logo em seguida ganha ritmo, e alterna vocais por vezes agressivos e por vezes mais agudos. Praying For Nothing tem um andamento mais arrastado com bons riffs. E o trabalho se encerra com a faixa título. Involution sintetiza todo o trabalho do grupo pois temos aqui os vocais que alternam momentos, mostrando grande versatilidade, o belo trabalho das guitarras e a cozinha que pesa a mão. Um belo arranjo, variedade de andamento e a dosagem correta entre peso e melodia, dão ao trabalho um encerramento em grande estilo.

              INVOLUTION, mesmo sendo o trabalho de estréia do PRIMATOR, traz uma banda com belas composições, personalidade e muita vontade. Algo raro, ainda mais, se analisarmos o estilo que a banda desenvolve. O grupo tem grande potencial e nesse primeiro álbum, mostra que pode (e deve) ser reconhecido como uma das boas promessas que metal nacional apresentou neste 2015!



                  
Sergiomar Menezes

domingo, 13 de dezembro de 2015

ASTAFIX - INTERNAL SABOTEUR


            
            Um Thrash Metal vigoroso, carregado de groove e recheado de riffs pesados, com uma pegada moderna e bastante agressiva. Essa seria uma boa definição para o que encontramos no petardo INTERNAL SABOTEUR, da banda ASTAFIX. Se em 2009, quando o grupo lançou END EVER, já tínhamos um trabalho que nos mostrava uma banda que buscava um lugar na difícil cena do metal nacional, com um álbum bem interessante, aqui podemos dizer que essa busca chegou ao fim. As guitarras timbradas de forma insana, nos remetem ao peso de bandas como Sepultura, Pantera e Machine Head, e se fundem ao peso da cozinha que parece nos transportar á uma dimensão onde a variação e técnica se tornam uma muralha que dá sustentação ao Thrash praticado pela banda.

            A banda é formada por Wally (vocal e guitarra), Cassio Vianna (guitarra), Ayka (baixo) e Thiago Caurio (bateria) e contou com a produção, masterização e mixagem de Brendan Duffay, que deixou tudo na dosagem certa, ou seja, o peso e agressividade ecoam nos alto falantes, mas a sonoridade é "limpa", sem perder as características do som do grupo. Gravado no Norcal Estúdios, em São Paulo, INTERNAL SABOTEUR traz uma banda que dá continuidade ao bom trabalho que que foi desenvolvido anteriormente. Só que, de certa forma, o grupo soa mais agressivo em determinadas passagens, flertando por vezes com o hardcore, sem esquecer da melodia, mas de forma moderada, o que não causa perda de peso, muito menos da brutalidade apresentada pela banda. A capa, muito bem elaborada, é mais um grande trabalho de Marcelo Vasco, que recentemente, assinou a arte de ninguém mais, ninguém menos que do Slayer! O cd conta ainda, com as guitarras do falecido Paulo Schroeber, o que traz um brilho extra ao trabalho. Nas faixas Karma Kill, The Scourge, Blood Sun, Ghosts e Unknown (esta conta também com um belo solo do músico), percebemos o grande talento que se foi de forma precoce e que ainda tinha muito o que nos proporcionar. A banda, inclusive, dedica o trabalho ao músico.

           Iniciando com a poderosa Karma Kill, a banda já mostra a que veio. Riffs poderosos, vocais agressivos, cozinha pesada e segura, mostram aquilo que é recorrente em todo o trabalho. Dedicação e conhecimento de causa fazem toda a diferença e mostram a potencialidade da banda. The Scourge  começa com a velocidade do hardcore aliada a brutalidade do thrash, e tem um refrão pesado, carregado de fúria, principalmente no vocal de Wally, que se encarrega de transpor uma energia cheia de agressividade. Bases cheias de groove ditam o ritmo de Blood Sun. Com uma pegada mais cadenciada, fica evidente a versatilidade da banda em suas composições, pois a variação entre a velocidade e andamentos mais cadenciados acontecem de forma natural. Doomsday Device traz a porradaria de volta, com o pé no acelerador. As bases bem executadas são um dos diferenciais da banda, pois o peso e melodia se encaixam de forma correta e a cozinha mantém a boa sustentação. O início arrastado de Bad Blood dá seqüência ao trabalho e segue durante a execução da faixa. Mais cadenciada, faz com que o peso com aquele toque com mais groove, se destaque. Os vocais ficaram muito bons, pois os arranjos deixaram a música com aquela cara de banda moderna, mas com uma pegada que nos remete á alguns nomes dos anos 70 (Black Sabbath á frente), principalmente nos riffs. E falando em riffs, Disfigured Conscience traz aqueles tipicamente thrash, pois em alguns momentos valorizam a velocidade e em outros, aqueles mais cadenciados, cheios de felling. Ghosts mantém essa linha, onde os vocais mais rasgados, contrastam com os riffs mais densos (grande trabalho de Paulo Schroeber aqui). Mais uma vez, a variação na composição é um dos destaques.

           A faixa título, Internal Saboteur, traz o groove que deixa a música com uma cara moderna, sem esquecer da brutalidade, cortesia da cozinha capitaneada por Ayka (baixo ) e Thiago Caurio (bateria). A dupla, aliás, é um dos grandes destaques do trabalho, sem desmerecer o excelente trabalho de guitarras. Say No!, é a típica faixa arrasa quarteirão, pois já chega com o pé na porta! Um solo cortante e uma pegada hardcore fazem da faixa, um dos destaques. Help Us All, carregada de peso, possui uma energia onde as guitarras se destacam. Riffs pesados, bem estruturados e uma perfeita sintonia entre Wally e Cassio Vianna mostram que essa parceria vai render muitos frutos daqui pra frente. Unknown, a próxima faixa, conta com as bases e solos de Paulo Schroeber. A faixa, que possui uma boa variação, mantendo um pique cheio de groove em suas bases, é um dos destaques do trabalho. E que belo solo! The Dome, com um andamento por vezes veloz, por vezes cadenciado, traz de volta o destaque as bases, sempre carregadas de peso. Traitor encerra o trabalho. Com um início bastante introspectivo, mas que na seqüência, traz ótimos riffs, fecha o álbum de forma bastante convincente e nos faz pensar o que o ASTAFIX nos reserva para o futuro.

          A intensidade, a energia, brutalidade e agressividade, aliadas á melodia que a banda nos proporciona em INTERNAL SABOTEUR, fazem deste trabalho, um dos grandes destaques de 2015. Que não se passe tanto tempo entre esse cd e o próximo, pois a qualidade encontrada aqui não pode ficar tanto tempo sem ser apreciada. O público headbanger precisa de bandas como a ASTAFIX, que sabem dosar o groove mais moderno com o peso do thrash metal tradicional. Um álbum pra ser ouvido no volume máximo!



Sergiomar Menezes

       



            

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Documentário: O MAL QUE NOS FAZ - Heavy Metal OnLine

       



                     Em mais uma grande iniciativa, o Heavy Metal OnLine disponibiliza esse excelente documentário, debatendo entre músicos, fãs e pessoas que trabalham ou tem envolvimento direto com o Heavy Metal o seguinte tema: O MAL QUE NOS FAZ, onde os assuntos Cristianismo, Covers e Redes Sociais são discutidos de forma aberta, sem censura de opiniões. Muito interessante! Parabéns ao brother Clinger Carlos Teixeira por mais esse grande serviço á favor da Heavy Metal! Assistam e pensem a respeito!


https://www.youtube.com/watch?v=yz6azD7loJY




Sergiomar Menezes

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

DEF LEPPARD - DEF LEPPARD


            Falar do DEF LEPPARD é uma tarefa fácil e complicada ao mesmo tempo. Fácil, pois falar de sua história, da qualidade de seus músicos e de seus grandes álbuns é bastante simples. Complicada, pois o grupo, um dos ícones do ínicio da NWOBHM, acabou por se distanciar da sonoridade dos demais grupos do movimento, e teve sua carreira permeada por grandes sucessos mas também, por sérios problemas. Acidentes, doenças e trabalhos fracos puseram á prova a continuidade da banda. Mas ela se manteve firme e, agora, em 2015, nos entrega seu auto intulado álbum, DEF LEPPARD, que chega ao Brasil via Shinigami Records.

           Com quase 4 décadas (o grupo foi formado em 1977), e após sete anos de seu último trabalho, o fraco Songs From The Sparkle Lounge (2008), a banda resgata um pouco da sonoridade "clássica" que a consagrou, ou seja, aquele hard rock com um acento pop que há tempos se faz presente em suas composições. Joe Elliot (vocal), Phil Collen (guitarra), Vivian Campbell (guitarra), Rick Savage (baixo) e Rick Allen (bateria), trazem nas 14 faixas que compõem o trabalho, uma boa variação, pois vão desde as músicas guiadas pelas guitarras afiadas de Phil Collen e de Vivian Campbell, até as já consagradas baladas. Produzido pela própria banda e com uma bela capa, que remete aos áureos tempos, DEF LEPPARD pode agradar ao fã que não se apega apenas ao passado da banda. Afinal, pode se perceber que o grupo está fazendo a música que quer, sem grande pretensões de agradar a gregos ou troianos, a não ser ele próprio. E isso nos garante bons momentos de diversão.

            O álbum com a boa Let's Go, que nos remete á Pour Some Sugar On Me (de Hysteria - 1987), pois vem com as guitarras bem timbradas, emprestando peso ao ritmo mais cadenciado da faixa. Com refrão fácil, e backing bem encaixados, os solos também se destacam. Um belo começo! Dangerous traz um belo trabalho de guitarras e tem uma sonoridade mais hard. Vivian Campbell e Phil Collen formam uma grande dupla. E a cozinha, simples , mas eficiente, permite o bom desempenho dos guitarristas. Man Enough, a terceira faixa, tem uma base, digamos, dançante, até certo ponto funkeada, o que pode causar surpresa. Uma bela canção é o que encontramos em We Belong. Uma semi-balada, com as características do Leppard, pois traz aquele vocal bem típico de Joe Elliot, enquanto as melodias proporcionadas pelas guitarras, deixam a faixa com uma cara Pop de muito bom gosto. Invincible, traz o baixo de Rick Savage como destaque. Uma faixa simples, com forte acento Pop, vide o refrão, que traz um bom trabalho de backing vocal. Sea of Love, na minha opinião, uma das melhores faixas. Com uma pegada mais á moda antiga ( anos 70 á frente), com bases de guitarras bem construídas, backing muito bem encaixados, a faixa traz a mente os bons momentos do passado do grupo. Energizer, talvez seja a composição mais fraca. Poucas guitarras, arranjo comum. A banda pode mais que isso. Se fosse melhor arranjada, poderia ficar melhor.

          O clima hard/rocker volta á tona com All Time High. Belo trabalho vocal e refrão pra cantar junto. As guitarras comandam com belas bases e solos muito legais. Um dos grandes destaques do disco. Battle Of My Own, tem uma pegada acústica até perto de seu final, e me trouxe a mente aquele clima de faroeste, pois tem uma levada country. Broke'n'Brokenhearted vem com belos riffs, é um daqueles "rockões" de respeito. As guitarras deixam fluir riffs e solos na medida, enquanto a base bem estruturada pela cozinha deixa a música entre as melhores do trabalho. Joe Elliot usa um pouco daquela "despretensão" que dá á música um clima bem"rocker". Mais uma bela base sustentada pela cozinha de Rick Savage e Rick Allen se faz presente em Forever Young, que possui uma sonoridade mais moderna, semelhante aos trabalhos mais recentes da banda. E como estamos falando em Def Leppard, temos em Last Dance, uma bela balada. Com um belo arranjo, a faixa mantém a tradição do grupo em compor belas canções nesse estilo. Wings Of An Angel é uma faixa mais pesada e direta, onde Elliot mostra que, ainda pode cantar de forma mais variada sem comprometer. Guitarras com uma pegada mais moderna ditam o ritmo da faixa. O trabalho se encerra com Blind Faith. Uma balada mais introspectiva, com climas diferentes do normal, onde o grupo mostra sua espontaneidade de forma direta.

         O DEF LEPPARD mostra neste álbum, grandes composições que resgatam, de certa forma, a sonoridade que o grupo praticava em outros tempos. Pode ser considerado, o melhor trabalho do grupo, desde Euphoria (1999). Grande trabalho de guitarras, qualidade nas composições e a vontade de seguir fazendo música, fazem deste cd, uma certeza de que o velho Leopardo Surdo ainda pode nos oferecer grandes trabalhos!



Sergiomar Menezes

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A RED NIGHTMARE - A RED NIGHTMARE


            Uma sonoridade única, onde a agressividade e a brutalidade são a regra. Death Metal com uma pegada Thrash e moderna é o que encontramos no auto intitulado primeiro trabalho do grupo paraense A RED NIGHTMARE. O petardo, no melhor e mais pesado sentido da palavra, traz consigo uma banda inspirada e criativa, que com apenas com 4 anos de formação (o grupo foi formado em 2010 e o CD é de 2014), mostra uma grande capacidade técnica e uma garra proporcional ao estrago que faz em nosso pescoço a cada audição. A intensidade e energia das guitarras aliadas ao peso e pegada do baixo e bateria, além do vocal carregado de fúria, fazem desse trabalho um item obrigatório na coleção de um headbanger que se preze.

           O álbum foi gravado nos estúdios The Coven e Ná Music em Belém do Pará e a produção ficou sob a responsabilidade da própria banda e de Adair Daufembach, e que ficou perfeita para a sonoridade do grupo. Mesmo soando limpa, vem carregada de peso e sujeira. Ficou confuso? Ouvindo o trabalho você entenderá. A bela capa é mais um grande trabalho do renomado Gustavo Sazes ( Morbid Angel, Kamelot, Manowar, entre tantos outros). O álbum foi lançado em uma parceria com o CCAA como premiação pela vitória no CCAA Fest de 2012. A banda é formada por Leonan Ferreira (vocal), Vinicius Carvalho (guitarra), Marcos Saraiva (baixo) e Luciano Câmara (bateria). Na gravação do cd, o grupo contava com o guitarrista Igor Sampaio

           Sem muita cerimônia, Demigod inicia o massacre, com riffs fortes, velocidade e peso na cozinha e um vocal que beira a insanidade de forma genial! Uma faixa com variações bem trabalhadas, onde a intensidade e violência apresentadas pelo grupo nos mostram que, se com 4 anos de estrada, já chegam dessa forma, imaginem em 10 anos! Hedonist é um chute na boca do estômago, onde o peso das guitarras se funde a uma dinâmica bem conduzida pela dupla Marcos e Luciano (baixo e bateria, respectivamente). Um solo cortante deixa a faixa com mais intensidade. Lobotomedia é uma música muito bem trabalhada, nervosa e com um pique agressivo. Seus riffs violentos parecem que tomarão forma e saíram dos auto falantes, tamanha a energia contida ali. Sem dúvida, um dos grandes destaques do álbum! Riffs e mais riffs ditam o ritmo da, por vezes mais cadenciada, Bane. O vocal urrado de Leonan se apresenta mais rasgado nessa faixa, mostrando a versatilidade do vocalista e dando prova da grande capacidade técnica dos músicos. Enemy vem na seqüência e mantém o ritmo alucinante do trabalho, metendo o pé na porta sem piedade. Mais um belo trabalho de guitarras. Velocidade lado a lado com a brutalidade são a tônica da faixa.

        A faixa título se divide em três partes. A Red Nightmare Pt. I é mais cadenciada e evidencia uma veia mais "melódica" do grupo. Os arranjos foram muito bem executados, uma vez que a complexidade da composição é bastante latente. A Red Nightmare Pt. II também possui bons arranjos, mas aqui o peso volta á carga. Com um começo também mais cadenciado, as guitarras capricham em riffs inspirados e Leonan faz um grande trabalho. A cozinha do grupo mantém o peso numa constante durante toda a execução. A Red Nightmare Pt. III segue a dinâmica das partes anteriores, com passagens bem variadas e uma base forte, formando uma parede sonora brutal. Na metade da música, uma pequena pausa, onde os músicos mostram uma certa inspiração no Jazz, para logo em seguida, voltarem ao peso avassalador novamente.

        O álbum conta ainda com três faixas bônus. Earth's Revenge, onde o peso das guitarras comanda o massacre, com a cozinha imprimindo velocidade e peso na medida certa, Koloniale Raubwirtschaft, com uma velocidade alucinante e uma pegada mais thrash metal em algumas passagens e While Someone Has Drowsiness, agressiva e brutal com riffs bem diretos.

        A banda estréia em grande estilo. Podemos dizer que o grupo possui uma identidade única, até certo ponto inovadora, pois não consegui relacionar sua sonoridade com nenhum grupo que faça algo nessa linha. Criatividade que encontra na brutalidade, intensidade e energia da música da banda, uma união perfeita entre estilos, com uma cara própria. Sem muito o que dizer. A RED NIGHTMARE é um trabalho recomendadíssimo!



      
Sergiomar Menezes

          

PYOGENESIS - A CENTURY IN THE CURSE OF TIME


              Confesso que ainda não conhecia a fundo o trabalho dos alemães do PYOGENESIS. Mas sabia que tratava-se de uma banda que praticava um Doom Metal que, com o passar do tempo, foi modificando seu som, adicionando elementos mais "alternativos" e com nuances Pop á sua sonoridade. A banda foi formada em 1991 e manteve-se  ativa até 2005. E 10 anos após sua separação, voltam ao mercado com A CENTURY IN THE CURSE OF TIME, que chega por aqui, via Shinigami Records. Um álbum, que num primeiro momento, não tem uma fácil assimilação, visto que a banda nos apresenta uma grande variação em suas músicas. Desde passagens que remetem ao metal mais pesado praticado em seus primórdios, até toques de metal mais recente, como os já citados acentos de música alternativa e Pop.

             A banda atualmente é formada por Flo V. Schwarz (vocal e guitarra), Gizz Butt (guitarra e backing vocal), Malte Brauer (baixo e backing vocal) e Jan Räthje (bateria). Todas as músicas foram compostas por Flo V. Schwarz, único membro da formação original do grupo, que também ficou encarregado da produção do trabalho, que pode-se dizer, ficou muito boa, tendo em vista a grande variedade de estilos apresentada pela banda, e que manteve uma boa dose de peso (sem pender para o exagero), um pouco de sujeira e melodia, sem comprometer essa interação. O belo trabalho gráfico também se destaca, com uma capa rica em detalhes, cuja responsabilidade ficou á cargo de Stanis-W Decker. Como dito anteriormente, o som do Pyogenesis, não tem uma fácil assimilação logo de cara. Mas a cada audição, pode-se perceber a proposta do grupo, e assim, apreciá-lo. Até certo ponto mais acessível, mas sem esquecer de suas raízes, o resultado vai agradar aos que não se apegam á conceitos pré-concebitos.

            O álbum inicia com Steam Paves Its Way (The Machine), uma faixa que já entrega a proposta sonora da banda, aliando o peso das guitarras, que carregam consigo uma boa dose de melodia, com elementos mais variados. Vocais que vão do urrado ao mais limpo, com uma estrutura bem trabalhada (algo que se mostra durante todo o trabalho) e uma pegada por vezes agressiva. A Love Once New Has Now Grown Old começa mais rápida e traz guitarras agressivas, mas que durante sua execução, se tornam mais simples, com passagens que nos remetem ás bandas de Pop Rock. A veia melódica do grupo se mostra latente em This Won't Last Forever. O vocal de Flo V. Schwarz se encaixa de forma correta na melodia apresentada, fazendo com que as guitarras, transitem entre o peso (em menor quantidade) e a suavidade. Uma bela faixa. The Best Is Yet To Come vem na seqüência e talvez seja a faixa mais acessível do cd. Mais cadenciada, possui um belo arranjo, onde o baixo e bateria, apesar de ser uma música mais calma, acabam se destacando. Destaque também para o bom trabalho de backing vocal.

           Lifeless traz uma bela melodia. Com um forte acento Pop, as guitarras aparecem de forma tímida, mas com belos solos. Os variações nos vocais me lembraram um pouco a fase mais acessível do Paradise Lost. The Swan King inicia com a bateria marcada, e em seguida bons riffs de guitarra, são "interrompidos" por passagens mais simples. Uma faixa bem variada, com a cara da banda. Flesh and Hair é outra faixa bem variada, pois o grupo vai de arranjos mais "metal" á passagens mais suaves com desenvoltura, e por que não dizer, sem medo de ousar. E esse talvez seja um dos grandes méritos do grupo. Praticar o som que querem, sem preocupação. Algo arriscado comercialmente, mas que deve trazer a satisfação pessoal para os músicos. A longa, muito bem trabalhada e estruturada A Century In The Curse Of Time encerra o trabalho e sintetiza a sonoridade da banda. Peso, melodia, arranjos corretos, guitarras bem timbradas, grande variação de andamentos, baixo e bateria alinhados, belos vocais e a ousadia na composição, fazem da faixa uma bela composição.

          Um álbum que pode soar estranho numa primeira audição, afinal, a grande variação de estilos proposta pela banda, nem sempre agrada ao fã mais radical. E convenhamos, nem sempre o fã de heavy metal tem a mente aberta á inovações, sejam elas quais forem. Mas se ao ouvir esse trabalho, o ouvinte se despir de preconceitos, encontrará uma banda ousada, sem medo de inovar, com guitarras pesadas e melódicas, intensas e que dosam de forma correta essa variação, além de músicos de extrema qualidade. Dê uma chance á banda e curta esse grande trabalho!



           
Sergiomar Menezes

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

GASOLINE SPECIAL - RCK 'N' RLL



                 Rock n' Roll direto, pegado e sujo. Adrenalina correndo nas veias, energia, atitude, intensidade e guitarras "elétricas". Dessa maneira, o quarteto de Jundiaí (SP) estréia de forma grandiosa com RCK 'N' RLL. Um trabalho repleto de riffs diretos, contagiantes e letras bem humoradas, composto sem aquele compromisso de querer agradar. E que dessa forma, agrada e muito aos apreciadores do estilo. Afinal, quantas bandas hoje em dia podem ser vistas assim? E o Rock n' Roll não está aí pra isso? Pra diversão? E se você concorda com que escrevi, pode ir sem medo, pois o primeiro cd do GASOLINE SPECIAL se torna cativante desde os primeiros acordes.

                 Formado em 2007, o grupo é composto por André Bode (vocal/guitarra), Victor Zeh (guitarra), Junior Costa (baixo) e Júnior Scalav (bateria). E como escrito anteriormente, pratica um som empolgante, despojado, de forma direta e por vezes crua e  suja, mas sem soar forçado ou mal produzido.Aliás, a produção, que ficou por conta de de Bruno e Paulo Fornazza, merece destaque, pois deixou o som do grupo com essa cara "suja" mas sem causar alguma perda de qualidade. Muito pelo contrário. O que temos são instrumentos bem timbrados e pode-se perceber, a total liberdade da banda nas composições. E a arte da capa, transpassa a energia e adrenalina do som do grupo.

                A empolgante e direta Volume 11 abre o álbum e já manda o recado: "Soca o volume no talo!".  Riffs nervosos e cheios de malícia, uma cozinha correta e um vocal que cai como uma luva na proposta, Faixa perfeita pra abertura. Cefolane traz uma bateria pegada, com mais riffs crus e diretos, mantendo em alta a adrenalina. A bem humorada Tesão Fodido Em Você tem um ritmo bem rock n' roll, onde o baixo e a bateria fazem um belo trabalho. Kharma Ae dá uma quebrada no ritmo, pois é uma cura e calma faixa instrumental. Holywood, a faixa seguinte, tem uma pegada mais tranquila, com um clima meio anos 70. Tranqüila, mas não sem a pegada característica do grupo, ou seja, guitarras e mais guitarras!

               Gasoline Special, a única faixa cantada em inglês, traz a adrenalina de volta, com uma pegada que me lembrou o Nashville Pussy, pois tem uma veia mais hard rock. Refrão grudento que fica um bom tempo na cabeça! A pesada e bem trabalhada Praia mostra o bom entrosamento da banda, com uma base pesada, mas que tem uma melodia que deixa a faixa mais "leve". Hallbar chega chutando o balde, mantendo o pique do cd na mesma batida. A nervosa e suja 2000 e Foda-se encerra o trabalho, com um vocal mais irado e rasgado.

              RCK 'N' RLL é um trabalho feito com honestidade, garra e energia contagiantes. Logo que termina, o "aperte o play" é automático. Perfeito pra quem curte um rock n' roll sujo e direto. Pegue uma gelada, coloque o cd e "Soca o volume no talo!"

             


   Sergiomar Menezes

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

MAVERICK - THE MOTOR BECOMES MY VOICE


   
                   Thrash metal com uma pegada bem na linha dos anos 90. Assim o quarteto paulista MAVERICK estréia em cd. Peso e vigor se alinham á garra, com riffs viscerais, baixo e bateria que não economizam na hora de sentar a mão e um vocal raivoso e por vezes rasgado definem de forma objetiva o que encontramos em THE MOTOR BECOMES MY VOICE, que chega ao mercado via Shinigami Records. O grupo é formado por Gabriel Semaglia (vocal e guitarra), Caio Henrique (guitarra), Lucas Silva (baixo) e Gustavo Polississo (bateria) mostra em seu debut, que o heavy metal não precisa se prender a estilos e traz influências de bandas como Pantera, Machine Head e Lamb of God. Mas o grupo imprime sua personalidade, dando um toque pessoal ás composições.

                  Uma produção muito boa, limpa, mas que manteve  a "sujeira" da sonoridade da banda adequada ao thrash vigoroso e intenso do grupo, combinada com composições que transpiram uma fúria cheia de groove, fazem que os alto falantes sintam a energia contagiante das guitarras bem timbradas e seus riffs cortantes, o peso da cozinha e seus arranjos que, se não soam inovadores, transmitem a sinceridade e honestidade do som do grupo. 

                  A introdução V8, nos prepara para Upsidown, um faixa pesada e intensa, com vocais rasgados e que nos entrega riffs caprichados. Guitarras na cara e uma pegada por vezes mais cadenciada mostram a personalidade da banda. Motor Becomes My Voice tem um início mais cadenciado e uma parede de guitarras bem estruturada. Os vocais nos remetem aos bons tempos de Phil Anselmo (Pantera). Baixo e bateria intensos e cheios de groove dão destaque á faixa. Shadows Inc. tem uma boa variedade na estrutura, o que nos mostra que a banda tem a preocupação de não soar repetitiva em suas composições. Com passagens mais cadenciadas, as guitarras ganham em peso e intensidade. Disorder tem uma forte pegada de bateria, algo que é recorrente durante a execução do trabalho. As guitarras proporcionam uma energia vital á faixa. Aliás, a boa técnica dos músicos também merece destaque. 

                 Karma Extinction vem carregadas de bons riffs que encontram no groove proporcionado pela cozinha um encaixe que nos mostra a personalidade do grupo. Um toque de hardcore dá um tempero extra á faixa. As guitarras, sempre á frente, ganham destaque, com riffs e solos bem elaborados. Dehumanized, a sétima faixa, começa com a bateria ditando o ritmo, para em seguida, riffs e mais riffs estourarem nossos tímpanos. Um dos grandes destaques do álbum, o vocal cheio de fúria ganha ares perturbadores e intensos. O cd se encerra com Scarecrow, uma porrada que faz com que o álbum termine da forma como começou: intenso, furioso e cheio de energia.

               O trabalho de estréia do MAVERICK nos mostra uma banda que capricha nos riffs, peso e intensidade. O grupo dá sinais de que pode ser um dos nomes de destaque no cenário, pois potencial tem de sobra. Basta manter a personalidade e a garra. O futuro tende a ser promissor para a banda. 



Sergiomar Menezes

terça-feira, 27 de outubro de 2015

LEAVES' EYES - KING OF KINGS



                 Grandiosidade e excelência nas composições. Belos arranjos e interpretação vocal sublime. O sexto álbum de estúdio do grupo LEAVES' EYES chega ao mercado via Shinigami Records e traz, além das características citadas anteriormente, uma boa variação entre o Symphonic Metal e o Folk, sem esquecer do Gothic Metal, terreno de onde a vocalista Liv Kristine conquistou fãs quando integrou o Theatre of Tragedy. Com mais de dez anos de carreira, o Leaves' Eyes se consolida cada vez mais, onde os músicos, capitaneados por Alexander Krull (ex- Atrocity), marido de Liv, esbanjam categoria em um trabalho, que como escrito anteriormente, possui grandes composições.

                A produção, que ficou á cargo de Alexander, soube evidenciar as melodias bem elaboradas do grupo, mas sem esquecer de destacar as guitarras, que por vezes, carregam no peso se contrapondo a suavidade e beleza da voz de Liv Kristine. E aqui, o contraste muito bem arranjado entre Liv e os vocais de Alexander formam um diferencial, pois fogem um pouco da fórmula "Beauty and the Beast", que é característico ao estilo. Uma bela arte gráfica também se destaca, dando um brilho ainda maior ao trabalho. Algumas participações especiais merecem citação, como as belas participações de Simone Simmons (Epica) e Lindy-FayHella (Wardruna). Além disso, a participação do London Voices Choir, criou um clima mais sofisticado e deu mais classe ao álbum.

               Sweven abre o trabalho, como uma introdução bastante épica e que prepara o ouvinte para a segunda faixa, que dá nome ao álbum. King of Kings expõe a grandiosidade da música do grupo, com arranjos que nos remetem a trilhas sonoras, recheadas por batalhas medievais. As guitarras alternam momentos com os teclados, variando entre a melodia e a agressividade. Liv cantando de forma mais suave e um refrão forte, fazem desta, um dos destaques. Aqui, há a participação do já citado London Voice Choir. Halvdan The Black, a terceira faixa já tem uma pegada mais rápida, onde os vocais de Liv se destacam. Os arranjos ficaram muito bons, pois a variação entre o peso e a melodia, que se mantém durante toda a execução do álbum, mostram a capacidade de composição do grupo. A bela The Waking Eye, com sua melodia mais calma, mas que não dispensa o bom trabalho das guitarras, também se destaca, evidenciando a dinâmica e versatilidade da banda. Os vocais de Alexander soam bastante agressivos e contrastam com a suavidade da faixa. Feast of The Year é uma pequena introdução folk, que antecede Vengeance Venom. Uma faixa com grande variações, onde as guitarras soam mais uniformes.

              Sacred Vow é outro dos grandes destaques. Uma das faixas mais pesadas (no que se refere ao estilo proposto pela banda), com os vocais de Liv perfeitos, mostrando grande técnica e emoção. Edge of Steel conta com a participação de Simone Simmons. E o dueto formado por duas mais belas vozes do symphonic metal ficou sensacional! A faixa tem um andamento mais moderado, marcado, e conta com incursões de Alexander dando um clima mais pesado á música. Uma composição muito bem executado onde os instrumentos foram executados de forma perfeita, fazendo dela, na minha opinião, a melhor música do álbum. Haraldskvaeoi é uma faixa bem calma, introspectiva, que dá uma amenizada no andamento do álbum. Mais uma bela interpretação de Liv Kristine. Blazing Waters, a décima faixa, tem a participação de Lindy-Fay Hella e é a mais longa do álbum. Uma grande variação de andamentos, com destaque para o trabalho de guitarras. O vocal de Alexander se opõe aos de Liv e Lindy-Fay, e os corais acabam criando um clima épico em algumas passagens, que também possui momentos ligados ao folk. A faixa onde mais aparece essa nuance é a última da edição regular do trabalho. Swords in Rock, tem uma cara mais alegre, com uma pegada folk, daqueles de cantar junto com o caneco na mão. A edição nacional, tem duas faixas bônus (ponto para a Shinigami por colocá-las na nossa versão). A primeira, é Spellbound. Uma música mais calma e por vezes densa. E o encerramento se dá com Trail of Blood, onde o clima pesado e épico de todo o trabalho se mantém, mostrando um Alexander mais cru em seus vocais e Liv desfilando sua bela voz.

            Um álbum indicado aos apreciadores do estilo, mas que pode, e deve, também ser indicado a quem curte heavy metal sem se prender a estilos. Composições muito bem estruturadas e arranjadas, além de interpretações primorosas, fazem de King of Kings um dos melhores trabalhos do Leaves' Eyes. Classe e bom gosto acima da média.



       
Sergiomar Menezes


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

HEAVIEST - NOWHERE



                    
                 Muito peso aliado á uma sonoridade moderna, mas sem perder em nenhum momento as caracteríticas do Heavy Metal. Dessa forma podemos definir o som apresentado pelo HEAVIEST, quinteto paulista, em seu debut, o excelente NOWHERE. Qualidade técnica e muita pegada é o que temos aqui. Mas se formos analisar, não poderíamos esperar outra coisa do grupo capitaneado por um dos melhores vocalistas do metal nacional, o experiente Mário Pastore. Guitarras muito bem timbradas que se completam com riffs pesados e solos afiados, baixo e bateria que não economizam na hora de sentar a mão em doses cavalares de peso. Esses fatores fazem do álbum de estréia, um trabalho imperdível!

                O grupo é formado por Mario Pastore (vocal), Guto Mantesso (guitarra), Marcio Eidt (guitarra), Renato Dias (baixo) e Vito Montanaro (bateria) - sendo que as gravações de bateria foram feitas por Felipe Perini, exceção á faixa Finding A Way, que foi gravada por Vito, A produção ficou á cargo da dupla de guitarristas que soube deixar o som do grupo muito bem equilibrado, fazendo com que o peso tivesse amparo em bases melódicas e vice versa, sem soar em nenhum momento cansativo. Um som encorpado, com passagens que nos remetem ao thrash metal de bandas como o Pantera, por exemplo, mas com personalidade própria, imprimindo suas características de forma contundente.

                Logo em Buried Alive, faixa que abre o trabalho, percebemos que o grupo não está pra brincadeira. Guitarras pesadas, riffs potentes, cozinha pesada e precisa e Pastore mandando ver em vocais agressivos, revelando uma nova faceta, pois esse talvez seja seu trabalho vocal mais diferente, bastante agressivo, mas com a mesma técnica e qualidade que estamos acostumados a ouvir.
Decisions, a próxima faixa, é mais cadenciada e possui riffs mais diretos, mas com muito peso. Solos bem encaixados e um refrão forte se destacam aqui. Nowhere, a faixa título, tem um grande trabalho de baixo e bateria, que capricham no peso, enquanto os guitarristas formam uma camada sólida de riffs e bases fortes, com variações de andamento que mostram o belo entrosamento da banda. Betrayed, com um andamento marcado, traz bastante peso e Pastore mandando ver em vocais agressivos e rasgados, mas variando em passagens mais melódicas. Um solo bem melódico no meio da faixa faz o balanço entre peso e melodia. Crawling Back, tem uma linha mais trabalhada, mas em fugir da proposta, com um andamento cadenciado e bases bem arranjadas.

                Torment alinha o peso com uma pegada mais moderna. Aqui, o vocal de Pastore volta ás raízes e nos remete ao mestre Bruce Dickinson em algumas passagens, mas sem soar forçado ou parecer uma cópia. Quem conhece a carreira do vocalista sabe disso. A pesada Time  tem um andamento mais cadenciado e segue a linha com riffs na escola mais moderna do heavy metal. As guitarras são o destaque em Ressurrection. Bases bem compostas e executadas norteiam a  música que também mostra a versatilidade do vocalista. A cozinha composta por Renato (baixo) e Felipe (bateria), novamente mostra que este "setor" da banda é fundamental para que o peso seja constante. Finding A Way é uma bela balada, uma composição onde percebemos a capacidade criativa do grupo. Land of Sin encerra o trabalho com baixo e bateria sentando mão no peso, enquanto as guitarras de Guto e Marcio se encarregam de despejar riffs certeiros. Um belo encerramento, com um vocal bastante inspirado.

              NOWHERE apesar de ser o trabalho de estréia do HEAVIEST, tem todos os elementos que agradarão ao exigente público headbanger, Não apenas aqui no Brasil, mas também lá fora. Peso, modernidade e qualidade. Músicos técnicos, mas que sabem que não basta isso para se fazer um grande trabalho. Garra, vontade e entrega e dedicação fazem desse álbum um dos grandes discos do metal nacional em 2015. Se a estréia foi nesse ritmo, fico imaginando como serão os próximos trabalhos. Mais uma grande banda no cenário nacional!




Sergiomar Menezes

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

POP JAVALI - THE GAME OF FATE



             THE GAME OF FATE é o segundo trabalho do trio paulista POP JAVALI. E o sucessor de No Reason To Be Lonely (2011), se mostra espetacular! Classe, bom gosto e músicos de alto nível, além de excelência nas composições, fazem do segundo cd da banda, um álbum que pode e deve, figurar na estante dos apreciadores de música feita com qualidade. Formado por Marcelo Frizzo (Vocal/baixo), Jaeder Menossi (Guitarra) e Loks Rasmunssen (bateria), o power trio contou com a produção dos irmãos Busic, Andria e Ivan, do Dr. Sin, o que abrilhantou ainda mais o trabalho. Praticando um Hard n' Heavy, com toques sutis que nos rementem aos anos 70, mas soando sempre atual, o grupo capricha nos arranjos e nos entrega uma música carregada de feeling. E isso, com toda certeza, é um grande diferencial.

           O grupo foi formado em 1992 e mantém até os dias de hoje a mesma formação. O que faz com que o entrosamento dos músicos seja perfeito. E a produção de Andria e Ivan soube valorizar isso, deixando o trabalho com a cara da banda. O bom vocal de Marcelo, o peso que a cozinha formada pela bateria de Loks e pelo baixo do próprio Marcelo, aliados aos riffs certeiros e aos belos e elaborados solos de Jaeder, fazem de The Game of Fate um cd muito bem composto, gravado e produzido.

           O cd abre com a pesada Lie To Me. Com uma bateria marcada e um riff pesado, a nervosa faixa de abertura já entrega a categoria dos músicos. Os solos de Jaeder soam melódicos mas com uma pegada mais pesada, enquanto a cozinha se encarrega de caprichar nessa mesma linha. Os vocais de Marcelo se encaixam muito bem, mostrando uma bela interpretação. Na seqüência, Healing No More, com uma pegada mais hard e melódica, nos traz as influências dos anos 70 no som da banda. Destaque para o belo solo e o refrão bem acessível e de fácil assimilação. A versatilidade do vocal de Marcelo Frizzo é um dos destaques de Mindset. Uma composição muito bem arranjada, com riffs numa pegada mais simples, mas nem por isso "menores", deixam a faixa com uma cara mais rock. Road To Nowhere, a quarta faixa, traz belos riffs e um trabalho de baixo e bateria bem interessante, onde a pegada do baterista Loks Rasmunssen tem seu destaque. A pesada Free Men vem na seqüência. Carregada de riffs e com uma pegada bem heavy, os vocais também mostram versatilidade e fazem da faixa o grande destaque do trabalho. Além dos riffs, Jaeder manda ver em solos carregados de feeling.

            Time Allowed é uma faixa com mais variações e mostra a capacidade de composição do grupo. Com arranjos muito bem encaixados, a faixa transita em passagens por vezes mais pesadas, por vezes mais melódicas e simples. Mais peso é o que temos em A Friend That I've Lost. Com passagens que remetem as mais pesadas bandas de prog metal, a faixa se mostra novamente o belo entrosamento da cozinha, carregando numa pegada bem heavy. A seqüência pesada do álbum se mantém com a porrada Wrath Of The Soul. Riffs e solos cortantes são o destaque. Enjoy Your Life mostra a técnica e versatilidade dos músicos e me trouxe a mente a banda dos produtores do álbum. Semelhança com o som do Dr. Sin, mas que não traz nenhum demérito á banda, pois sua identidade e personalidade não sofrem nenhuma alteração. I Wanna Choose, traz uma pegada mais rock n' roll e antecede a longa faixa título. The Game of Fate, começa introspectiva e se torna mais pesada durante sua execução. Uma bela faixa de encerramento de um belo trabalho.

           O POP JAVALI mostra em seu segundo trabalho classe, bom gosto e uma qualidade acima da média do que se faz no cenário nacional. Músicos gabaritados, belas composições, arranjos muito bem elaborados, energia e vibração. Mas além de tudo, muito feeling. Uma música feita com alma. Isso faz de THE GAME OF FATE um dos melhores cds nacionais do estilo!



              
Sergiomar Menezes