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quinta-feira, 15 de junho de 2017

BASTTARDOS - O ÚLTIMO EXPRESSO (2015)



               O Brasil é um país muito estranho. E isso fica ainda mais comprovado quando a gente se depara com um trabalho como O ÚLTIMO EXPRESSO, EP lançado em 2015 pelo grupo carioca BASTTARDOS. Fosse um país sério ou que valorizasse realmente a música feita por aqui, a banda certamente, mesmo tendo lançado apenas dois EPs, seria muito mais conhecida. Praticando uma mistura muito interessante ente o hard rock, o southern e um pouco de heavy metal, o trio apresenta uma música enérgica, inteligente e visceral. Rock n' Roll no "melhor" sentido da palavra! guitarras bem timbradas, baixo e bateria que mandam ver no peso na medida certa e um vocal que se encaixa perfeitamente na proposta apresentada, fazem deste, um trabalho que peca apenas pela quantidade de músicas.

               Formado por Alex Campos (vocal e guitarra), Terceiro Elemento (baixo) e Bernardo Martins (bateria), o grupo surgiu em 2010 e em 2013 lançou seu primeiro trabalho, o EP "Dois Contra o Mundo", onde já apresentava as características que se tornariam sua marca registrada: guitarras pesadas, base forte e pegada e vocais rasgados e limpos, criando uma atmosfera que unia o hard e o southern. Aqui, em O Último Expresso, podemos dizer que isso se manteve, mas que o peso acabou ganhando um pouco mais de força, incorporando o lado mais "heavy" no som do trio. Produzido pelo guitarrista e vocalista Alex Campos e mixado e masterizado por Fil Buc, o EP tem uma sonoridade perfeita, onde os instrumentos estão nítidos, sem que com isso, o grupo abra mão do peso. A bela capa é obra de Alexandre Ferreira.

                       Composto por 5 faixas, o EP abre com a faixa Basttardos, que começa com um dedilhado que nos leva a uma atmosfera de filmes Western", ganhando peso e mostrando logo na primeira música que o grupo conseguiu melhorar ainda mais o que já tinha apresentado no trabalho anterior. Com um refrão que agrega melodia a sonoridade "suja" do grupo, a faixa já havia sido lançado no formato "single especial" em 2014, dando uma prévia do teríamos aqui. Licor de Cereja é daquelas faixas pra curtir bebendo uma cerveja gelada! com uma levada mais cadenciada, a guitarra se mostra mais próxima do hard, deixando esse lado das influências do grupo mais explícito. Já Despertar do Parto é uma espécie de "power ballad", onde percebe-se uma forte emoção na interpretação de Alex Campos. A letra fala sobre as nuances que envolvem a paternidade, de ambos os lados, seja pelo lado pai, seja pelo lado filho. Um belo solo completa uma das melhores faixas já compostas pelo grupo! Exilados traz uma pegada mais moderna, com elementos amis atuais, mas sem abrir mão das características do grupo. Bem variada, a faixa alterna momentos mais rápidos com outros mais amenos, inclusive usando em sua execução passagens melódicas, criando um contraste bem interessante entre a "sujeira" e o lado mais "limpo" do trio. E encerramento vem com Terceiro Elemento, uma faixa pesada e até mesmo, um pouco mais sombria (no que tange à musicalidade da banda). E isso mostra que o grupo não s eprende a estereótipos na hora de compor. Algo mais que positivo, tendo em vista a enxurrada de bandas que usam e abusam de vários clichês em sua música.

                          Como dito lá no começo, O ÚLTIMO EXPRESSO tem apenas um pequeno defeito: ser muito curto. A música do BASTTARDOS é daquelas que nunca cansam, pois além de energia, transborda originalidade e personalidade. Que o grupo lance logo um full lenght. É o que os fãs esperam com ansiedade!





             Sergiomar Menezes


sábado, 10 de junho de 2017

PRONG - X - NO ABSOLUTES (2016)



             Formado em 1986 por Tommy Victor (guitarra e vocal) e Mike Kirkland (baixo), o PRONG teve um início bastante promissor, lançando álbuns que agradaram aos fãs de metal por incorporarem peso, agressividade e elementos pouco utilizados pelas bandas do estilo naquele momento. Beg To Differ (1990), o excelente Prove You Wrong (1991) e Cleasing (1994) deram ao grupo boa credibilidade e fixaram o seu nome entre as principais bandas da cena naquele momento. Mas a década de 90, a partir de sua metade não foi muito boa para a banda, que após Rude Awakening (1996), encerrou as atividades. Em 2002, Tommy Victor resolveu colocar a máquina novamente na estrada e de lá pra cá, o grupo vem numa crescente de bons lançamentos, tendo em 2016 lançado X - NO ABSOLUTES, que sai por aqui via Shinigami Records/SPV Steamhammer. E o sexto álbum, desde a "volta" do grupo, mantém a qualidade apresentada nos trabalhos anteriores.

            A banda hoje é formada pelo já citado líder e principal compositor do grupo Tommy Victor (guitarra e vocal), Jason Christopher (baixo) e pelo baterista Art Cruz. E o trio caprichou em 12 faixas (13 na versão nacional, que inclui uma bônus track), onde a versatilidade do grupo, que sempre o caracterizou se mostra mais uma vez de forma explícita. Riffs excelentes, peso na medida certa e aquela velha mistura entre o thrash metal, o crossover e algumas pitadas (muito de leve) de industrial aliadas à uma excelente produção (à cargo do próprio Tommy Victor e de Chris Collier, que foi responsável também pela mixagem e masterização) fazem deste, um dos melhores trabalhos do grupo desde seu "retorno".

             X - NO ABSOLUTES equilibra bem a fase passada e o momento atual do grupo. E isso já pode ser noatdo logo na faixa de abertura, Ultimate Authority. Carregada de peso (baixo e bateria mostram ótimo entrosamento e coesão, criando uma base sólida e densa), a faixa traz consigo todas as características que marcaram a carreira da banda. Além disso, o vocal de Tommy Victor continua o mesmo, pois o vocalista canta de forma limpa e agressiva sem perder a entonação. Da mesma maneira, Sense of Ease, resgata o lado mais crossover do grupo, abusando da velocidade e trazendo a urgência do hardcore à música do Prong. A guitarra, por sua vez, comanda de forma nervosa o andamento de Without Words, que contrasta com um refrão melódico, criando um diferencial. Cut and Dry tem um pouco de Prove You Wrong (91) e Cleasing (94) em suas linhas, mas recebe uma sonoridade mais atual. No Absolutes também tem essas características, muito mais pelo nadamento e pelo peso que a base empresta à composição do que pelas linhas de guitarra e é uma das melhores faixas do trabalho. Do Nothing tem um começo mais introspectivo, ganhando peso e energia durante sua execução, mas que ao meu ver, acaba pecando pela melodia "excessiva", que acaba por não funcionar com a música do grupo.

               O peso retorno junto com uma dose generosa de groove me Belief System. A guitarra de Tommy encontra seu complemento no baixo de Jason, criando uma perfeita sintonia entre ambos. Soul Sickness apesar do peso, tem um certo apelo para o lado mais comercial (não que isso seja algo ruim ou pejorativo, que fique claro), principalmente no que tange à melodia. Já In Spite Of Hindrances a velocidade volta à tona, auxiliada por riffs tipicamente hardcore, enquanto o baterista Art Cruz cria linhas que mesmo rápidas, carregam no peso em vários momentos. O baixo comanda Ice Ruins Through My Veins, uma composição bem interessante, pois é bem variada e tem momentos pesados e outros mais melódicos, mostrando a categoria de Tommy como compositor, deixando a música com uma forte personalidade. E tome riffs em Worth Pursuing, uma faixa bem "metal" , daquelas pra bater cabeça e tocar a famosa "air guitar". Essa música deve ficar excelente ao vivo! O encerramento do tracklist regular vem com With Dignity e é o momento mais fraco do álbum. Sem muita inspiração, a faixa foge totalmente daquilo que o Prong está acostumado a fazer. O que não se pode dizer de Universal Law, a bonus track que acompanha a versão nacional do álbum. Pesada, com ótimos riffs e andamento moderado, a faixa resgata o clima mais pesado e metal do álbum.

                   X - NO ABSOLUTES mostra um PRONG atual e pesado, que busca soar moderno sem que com isso renegue o que fazia no passado. Muito pelo contrário. O grupo consegue resgatar sua sonoridade, adaptando-a ao momento de hoje. Peso, energia e qualidade fazem deste trabalho, um dos melhores álbuns da banda após a retomada das atividades. Que continuem nesse ritmo!




                    Sergiomar Menezes
            

COLETÂNEA - O SUBSOLO VOLUME 2



           E eis que chega por aqui o segundo volume da coletânea organizada pelo site O SUBSOLO (www.osubsolo.com), que tem por objetivo, divulgar as bandas do nosso underground. Mais uma vez, o REBEL ROCK recebe com muita satisfação a missão de resenhar mais essa iniciativa  de levar ao grande público as bandas que lutam dia a dia na nossa cena para que o rock, em todas as vertentes, continue firme e forte. Dessa forma, a Coletânea O SUBSOLO VOLUME 2 atinge seu objetivo com louvor, trazendo 20 bandas dos mais variados estilos.

            De uma forma geral, este segundo volume, apresenta um resultado um pouco melhor que o primeiro, uma vez que as bandas aqui presentes capricharam nas faixas que disponibilizaram à coletânea. Obviamente que, como todo projeto dessa espécie, alguns grupos acabam se destacando, mas, como dito anteriormente o resultado final é muito acima da média. 

              O CD inicia com o Basttardos, que faz uma mistura interessante entre o rock mais agressivo e o southern dosando ainda algo de hard em sua sonoridade com a faixa que dá nome ao grupo. Em seguida temos o Melanie Klain (que lançou um dos melhores cds do ano de 2016) com a faixa "Abençoados por Deus", com uma letra que, infelizmente, está a cada dia mais atual. A máquina thrash Monstractor vem na sequência com a ótima "Corrosive Envy", mostrando que o estilo segue gerando ótimas bandas. Já o grupo Cherry Ramona, apresenta um rock daqueles feitos pra tocar no rádio (e não há nenhum demérito nisso, que fique claro), e conta com a participação de Mano Changes, vocalista da banda Comunidade Nin-Jitsu, na faixa "Mulher Gato". Luciano Granja nos apresenta um correto pop rock, simples mas eficiente e muito bem gravado em "Vontade de Voar", assim como Kike Oliveira, que na faixa "Estou Tão Cansado" mostra uma composição muito bem estruturada para a linha adotada. Mais pesado, o grupo Defina traz a faixa "Cobaia Viva", mas a produção acabou por deixar o som um pouco confuso. A produção também acabou atrapalhando a performance dos gaúchos punk rockers do Pinhead, que mostram aquela pegada típica e certeira em "Eu sou Bebum e a Carne é Fraca". Já o Boca Braba HC mete o pé na porta com um hardcore a lá NY em "Farda Verde Oliva", um convite ao quebra-quebra generalizado. Sem dúvida, um dos grandes destaques do trabalho! O Peltstrock pratica um rock pesado e bem trabalhado na faixa " O Que o Mundo precisa Ouvir", cantado em português e navega pela temática cristã, o que , se por um lado mostra personalidade, por outro pode vir a limitar o público (o que é uma grande bobagem, mas infelizmente á assim que a coisa funciona...).

              "Ardor", faixa do grupo Redutto, tem boas guitarras e uma veia que nos remete à cena alternativa, lembrando um pouco do que se fazia lá pela metade dos anos 90. A banda Decolle participou também do primeiro volume da coletânea e faz uma música bacana em "Utopia Reversa", mas que peca pela produção. Parece faltar alguma coisa na execução da música, um pouco mais de peso ou um melhor acabamento no vocal poderiam ajudar. A banda Vate Cabral pratica um rock básico, mas pesado, como pode ser conferido na faixa "Bravo Mundo Novo". O Hardcore volta  à tona com o grupo Turn Off com a faixa " Opressor de Idéias", uma boa composição, mas que, como já dito em casos anteriores, acabe sendo prejudicado pela produção. Já o Liferika apresenta um rock visceral e direto na faixa "Rua Augusta". Sabe aquelas bandas que te fazem querer abrir uma cerveja e sair chutando tudo? Essa é uma delas! Rock como o rock deve ser! A banda Stone Head é mais uma que canta em português e apresenta um som por vezes psicodélico, mostrando versatilidade na sua execução de "Luxúria". Mais um pouco de punk/Hc é o que temos em "Sangue na Marreta" do grupo Hellio Costa, que tem uma boa estrutura, mas precisa melhorar a produção. Já o Maverick dispensa apresentações. O grupo paulista mostra excelente qualidade com seu thrash  pesado, rápido e mortal na faixa "Upsidown". A produção volta a ser um ponto negativo e, dessa vez, é com a faixa "Beaten By Demons" do grupo Ember of Renewal, que apresenta uma pegada intensa e pesada, mas perde potencial pelo já citado problema com a produção. O encerramento do trabalho vem com "Massacrados" do grupo Tumulto, que pratica um punk/metal (?!) muito bem estruturado, mas que poderia ter um produção um pouco mais caprichada.

                 Fica aqui o registro e os parabéns a mais essa bela iniciativa do site O SUBSOLO em lançar o segundo volume da coletânea. Atitudes como essa só vêm a reforçar o underground unindo bandas dos mais variados estilos em prol de um único objetivo: fortalecer a cena! Que venham mais e mais volumes!



                  Sergiomar Menezes


domingo, 4 de junho de 2017

OVERKILL - THE GRINDING WHEEL (2017)



                Vamos ser honestos. Se tem uma banda que NUNCA decepciona, essa banda é o OVERKILL! Prestes a completar 40 anos de carreira ( a banda foi formada em 1980), o grupo capitaneado pelos incansáveis Bobby "Blitz" Ellsworth (vocal) e D.D. Verni (baixo), chega agora ao seu 18º álbum de estúdio mantendo cada vez mais viva a chama do THRASH METAL. E sendo sincero, não tem banda no mundo que encarne de forma tão verdadeira o espírito do estilo. Talvez o Exodus chegue próximo disso, mas o Overkill durante todo esse período lançou álbuns de forma regular, e sempre com um nível de qualidade acima da média. E THE GRINDING WHEEL, que chega ao Brasil na parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, só vem a comprovar isso.

                          Formada atualmente pelos já citados Bobby "Blitz" Ellsworth (vocal, e um dos maiores frontman do estilo - quem já teve o privilégio de assistir a um show do quinteto sabe do que estou falando), e o "monstro" D. D. Verni (baixo, dono de uma performnace tão insana quanto Blitz), a banda tem nas guitarras Dave Link e Derek "The Skull" Tailer. Quanto á bateria, o álbum foi gravado por Ron Lipnicki, mas agora, quem segura as baquetas é Jason Bittner. O álbum foi produzido pelo próprio grupo enquanto que a mixagem e masterização ficaram sob o comando do mestre Andy Sneap, o que já é garantia de uma sonoridade perfeita. Como dito anteriormente, o trabalho é uma aula de como o thrash metal deve ser: direto, pesado, com riffs mortais e com a adrenalina á mil. E estamos falando de Overkill. E isso, meus amigos, é algo presente em todos seus trabalhos!

                         O petardo abre com a porrada Mean, Green, Killing Machine, uma verdadeira pedrada, onde s riffs da dupla Dave e Derek despejam doses generosas de peso, enquanto a base rítmica não fica atrás caprichando na mesma intensidade. Blitz segue sendo um dos melhores vocalistas do estilo, mostrando uma entrega e paixão pelo que faz que é impossível não nos questionarmos como o Overkill não goza do mesmo prestígio de bandas como Anthrax e Megadeth, por exemlo. A segunda faixa, Goddamn Trouble, é daquelas arrasa quarteirão. Bateria veloz, riffs fortes, e uma atmosfera totalmente thrash, fazem dessa uma das melhores faixas do trabalho! Se for ouvir num volume mais alto, por favor, arraste os móveis para o lado, pois a probabilidade de acontecer algum "acidente" é grande... Que música foda! Our Finest Hour é outra cacetada! Incrível como o tempo passa e o grupo não "suaviza" na pegada, criando verdadeiros hinos do estilo. Essa é daquelas faixas que não podem faltar nos shows, e que devem causar uma verdadeira "batalha" entre o público. Shine On tem uma veia mais atual (não que as anteriores soem datadas, muito pelo contrário), pois traz consigo um pouco daquela pegada de álbuns como Necroshine (1999), enquanto que o refrão acaba "grudando" na cabeça. The Long Road, intensa e bastante enérgica, possui um pouco da influência da NWOBHM que o grupo sempre apresentou em sua hsitória. E cabe lembrar que poucas bandas conseguiram dosar de forma correta o lado metal e punk no thrash metal como o grupo fez (e faz até hoje!).

                            Let's All Go To Hades tem um começo mais arrastado, com uma atmosfera meio Sabbath, mas logo ganha a cara do grupo, com riffs certeiros, enquanto Blitz dá mais uma aula de interpretação. D.D. Verni (responsável pelas composições ao lado de Blitz), cria ótimas bases de baixo, o que sempre foi uma das marcas da carreira da banda. Assim como Come Heavy, que possui características semelhantes, mas tem uma linha mais próxima do metal tradicional. O pau volta a comer em Red, White And Blue. Veloz, intensa, pesada e cheia de boas variações, a faixa sintetiza bem o que o grupo vem praticando ao longo desses 37 anos de atividades: um thrash metal direto, sem concessões e com aquela veia oitentista (sem que com isso soe datado). Isso acaba se "repetindo" em The Wheel, uma composição onde a base é o thrash, mas que deixa à mostra o metal tradicional e o punk rock unidos com uma urgência ímpar, algo que é uma das principais características dessa verdadeira instituição do metal mundial. A faixa título, The Grinding Wheel, encerra o tracklist regular do álbum, e é uma composição mais trabalhada, cadenciada, com mudanças de andamento. A versão nacional, disponbilizada pela Shinigami Records tem ainda uma ótima bônus track: Emerald, do não menos essencial Thin Lizzy, que ganhou uma versão digna  bem pessoal por parte do grupo.

                             Depois de ouvir por completo THE GRINDING WHEEL, aquela certeza que eu tinha antes, acabou ficando mais forte ainda. O OVERKILL é uma das bandas que mais tem ainda a oferecer ao metal neste tempos difíceis. Enquanto muitas bandas ficam de choradeira pelas redes sociais e lançam álbuns a cada dez anos, o grupo mostra que foi, é e sempre será referência quando o assunto é THRASH METAL! E afirmo aqui, sem nenhum tipo de receio: THE GRINDING WHEEL estará em todas as listas de melhores álbuns de 2017!






           Sergiomar Menezes


domingo, 14 de maio de 2017

IMMOLATION - ATONEMENT (2017)



                        Alguns grupos, depois de algum tempo, acabam deixando se ser considerados como tal e passam a ser uma verdadeira instituição. E se falarmos em death metal, uma dessas mais clássicas e importantes instituições atende pelo nome de IMMOLATION. Dono de uma carreira bastante regular, com álbuns sempre acima da média, o grupo norte americano chega agora ao seu décimo álbum de estúdio. E a regularidade segue intacta, pois ATONEMENT, lançado por aqui pela Shinigami Records/Nuclear Blast, é um álbum forte, intenso e que alia peso e brutalidade à doses generosas de técnica e muita qualidade. 

                           Ross Dolan (vocal/baixo), Robert Vigna (guitarra), Alex Bouks (guitarra) e Steve Shalaty (bateria) apresentam neste trabalho, faixas bem características, o que transforma o death metal praticado pelo grupo em algo único. Juntos desde o início da banda, Ross dolan e Robert Vigna sabem exatamente o direcionamento que a banda deve tomar e contam com a presença de Alex Bouks (substituto de Bill Taylor) , que entrou na banda no ano passado, para despejar ainda mais fúria e ódio nas outras seis cordas do grupo. A produção mais uma vez ficou à cargo de Paul Orofino enquanto  a mixagem e masterização ficaram sob a responsabilidade de Zack Ohren. E mais uma vez, o nível ficou excelente, primando pela agressividade e peso, sem abrir mão de uma sonoridade bastante "limpa". Já a bela capa é obra de Pär Olofsson.

                             Já na abertura com The Distorting Light, percebemos que a banda segue sua saga em favor do death metal brutal e agressivo. Riffs ríspidos e uma certa aura mais obscura em certos momentos, mostram que nem sempre velocidade significa brutalidade. Obviamente que temos isso na música, mas o grupo sabe explorar seus limites de forma correta. When The Jackals Come é mais uma aula do estilo! Bem trabalhada e alternando momentos rápidos e insanos com passagens mais trabalhadas, a faixa é um dos grandes destaques do álbum. Fostering The Divide traz um ótimo trabalho do baterista Steve Shalaty (na banda desde 2003), garantindo o peso necessário para que o baixista/vocalista Ross destile seu ódio em um vocal denso e sombrio. Rise The Heretics é death metal em sua essência mais brutal. Preste atenção nos riffs da dupla Robert e Alex, e ouça uma das melhores duplas do estilo em ação! Outra aula é Thrown To The Fire, onde a velocidade dá lugar á um peso descomunal, em um andamento mais cadenciado, mas onde os riffs emprestam agressividade e técnica à faixa. Em determinado momento, a velocidade volta a imperar, transformando a faixa em um pequeno exemplo do que é o inferno.

                                Destructive Currents segue mostrando muita brutalidade em cada segundo de sua execução, resgatando um pouco do Immolation de outros tempos (quando o grupo fazia um uso bem maior da velocidade). Lower tem um inicio bem introspectivo que logo descamba para um momento de pura insanidade e peso. O vocal de Ross merece destaque pois durante toda a execução do álbum se mantém bastante regular (sim, em estúdio isso é fácil, mas quem conhece  abanda sabe do que estou falando). Atonement tem uma pegada mais atual, mesclando o passado e o presente da banda, assim como Above All (que traz algo de thrash em seus riffs). The Power of Gods traz peso e brutalidade em um andamento mais cadenciado. O encerramento vem com Epiphany, onde os riffs merecem destaque assim como a bateria, criando um entrosamento perfeito entre todos os músicos. Uma das melhores faixas, com toda a certeza!

                              No seu décimo álbum de estúdio, o IMMOLATION prova que segue sendo uma das maiores e melhores bandas de death metal da atualidade. Sem invencionices ou qualquer tipo de modernidades em seu som, o grupo mostra em ATONEMENT que pra fazer death metal, não basta apenas querer. Ele tem que estar no sangue. E isso é fato mais que comprovado quando se fala na banda!





                 Sergiomar Menezes

BLACK STAR RIDERS - HEAVY FIRE (2017)



              Sabe aqueles discos que você já sabe o que vai ouvir, mas mesmo assim, acaba se surpreendendo com o que ouve? Com os cds do BLACK STAR RIDERS é assim que  a coisa funciona. Todos sabemos que a banda é uma espécie de continuação do legado do Thin Lizzy. Obviamente que não podemos compará-los ao saudoso grupo irlandês, uma vez que a alma e carisma de Phil Lynott não estão presentes. Mas ficarmos apenas nesta constatação seria uma imensa injustiça. O BSR é sim uma banda com identidade própria, mesmo que sempre acabemos por lembrar do já referido Thin Lizzy. Seus dois primeiros trabalhos ( All Hells Break Loose -2013- e The Killer Instinct -2015), foram muito bem recebidos pela crítica e pelos fãs. E não será diferente, pois HEAVY FIRE, lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, é ainda melhor, pois traz uma banda mais encorpada e com uma maior personalidade. E ao escutarmos as dez faixas presentes aqui (onze na versão nacional), temos a mais absoluta certeza disso.

                     Formado por Ricky Warwick (vocal/guitarra), Damon Johnson (guitarra), Scott Gorham (guitarra), Robert Crane (baixo) e Jimmy DeGrasso (bateria), o grupo, cuja história remonta ao retorno e encerramento das atividades do Thin Lizzy (o guitarrista Scott Gorham integrou o grupo de 1974 até o encerramento das atividades, sendo também o responsável pelo "retorno" do grupo em 2004) chega agora ao seu terceiro trabalho, cada vez mais com cara de banda "própria". Tendo as composições, em sua maioria sendo compostas pela dupla Warwick/Johnson (no restante, os músicos participam também como co-autores) um forte acento hard rock, com toda a atmosfera resgatando a sonoridade dos anos 70, mas sem em nenhum momento soarem datadas, as linhas de guitarra são o grande destaque do álbum. Mas também, não podemos esquecer o excelente trabalho vocal de Warwick (The Almighty), dono de um timbre perfeito para o estilo. Jimmy DeGrasso deixou a banda ano passado e hoje foi substituído por Chad Szeliga. 

                 A produção do álbum é excelente tendo ficado sob a responsabilidade de Nick Raskulinecz, tendo como engenheiros de som Nathan Yarborough e Jordan Longue. A mixagem foi feita por John Douglass enquanto que  a masterização ficou com Paul Logus. Um trabalho em equipe que resultou em algo de nível excepcional. 

                         Heavy Fire, a faixa título, abre o trabalho com aquela pegada hard tipicamente na linha do Lizzy, mas com uma cara mais pesada e moderna. As guitarras de Gorham e Damon Johnson (Alice Cooper) estão bem entrosadas e sincronizadas, mostrando que a dupla tem muito a oferecer. E tome guitarras em When The Night Comes In. Aqui, o trabalho da dupla Robert Crane e DeGrasso também se destaca, pois aliam peso e técnica em uma faixa que navega pela saguás do hard. Em Dancing With The Wrong Girl, o espírito de Lynott apareceu e transformou a faixa em uma celebração á música do saudoso grupo. A acelerada Who Rides The Tiger vem na sequência e recebe boas doses de peso, cortesia da dupla Gorham/Johnson. A melódica e "suave" Cold War Love mostra  a faceta mais próxima do pop que o grupo pode chegar, mas sem se tornar chato ou descartável. Faixa que tocaria fácil em qualquer rádio que tocasse música de qualidade no Brasil. Mas infelizmente...

                          O hard volta com intensidade em Testify or Say Goodbye. e mais uma vez, Warwick se sobressai, pois o vocalista consegue variar sua voz de acordo com o desenvolvimento de cada composição com extrema facilidade. Robert Crane comanda o peso inicial de Thinking About You Could Get Me Killed. Assim como DeGrasso que usa e abusa de sua técnica em favor da estrutura da faixa. As guitarras aqui, capricham em riffs mais pesados do que o habitual, remetendo á uma sonoridade mais atual. Em True Blue Kid, temos uma estrutura bem variada, mas com uma dose maior de groove, contrastando com momentos mais amenos. Temos mais peso em Ticket to Rise, que possui um "jeitao" Thin Lizzy e melodias de fácil assimilação. O tracklist regular se encerra com a ótima Letting Go Of Me, com riffs hard/heacy e um refrão daqueles que grudam e não saem mais da cabeça. A melodia também é um dos pontos fortes da faixa. Como bônus na versão nacional, temos a faixa Fade, uma bela balada, carregada de sentimento em sua interpretação e execução.

                        Com HEAVY FIRE o BLACK STAR RIDERS busca se estabelecer, não apenas como "aquela banda que era pra ser o Thin Lizzy sem Phil Lynott". E pode-se dizer sem medo que a banda conseguiu seu intento. Um álbum forte, intenso, tocado com alma e sentimento. Claro que existem similaridades com o grupo citado. E não teria como ser diferente. Mas a banda parece ter encontrado seu caminho. E estamos falando de seu terceiro trabalho. Prova irrefutável da qualidade e capacidade criativa do quinteto. Um dos grandes álbuns lançados em 2017.




                         
                Sergiomar Menezes
                          

segunda-feira, 1 de maio de 2017

CONCEPT OF HATE - BLACK STRIPE POISON (2015)



                    Formado em 2009 o quarteto CONCEPT OF HATE lançou seu primeiro trabalho, o EP BLACK STRIPE POISON em 2015, contendo 4 faixas onde o grupo mostrava muita garra e peso em sua música. Tendo por base o thrash metal, mas com uma maior ênfase no momento dos anos 90 (onde podemos perceber influências de Sepultura - fase Chaos AD - e Pantera), o grupo mostra muito mais do que isso, pois também é perceptível uma certa dose ( bem pequena, diga-se de passagem) de hardcore em sua sonoridade.

                  Flávio Giraldelli (vocal), Daniel Pereira (guitarra), Rafael Biebrach (baixo) e Takashi Maruyama (bateria) apresentam um trabalho curto, porém direto e bastante consistente neste EP. produzido por Sebastian Ortornol no estúdio Chile, em São Paulo ( o grupo é de Santo André/SP), o trabalho apresenta uma boa sonoridade, condizente à proposta musical apresentada pela banda. Pesado, com uma certa dose de groove (nada exagerado) e focado nas guitarras, o EP ve para anteceder o trabalho de estréia do do grupo (full lenght) que encontra-se em processo de gravação.

                        Black Stripe Poison abre o EP e nos remete àquela fase do Sepultura que a maioria dos fãs considera a melhor e mais produtiva da carreira do grupo: a dos irmãos Cavalera. Só que o Concept of Hate insere doses generosas de Pantera por aqui, principalmente naquelas "paradinhas", o que deixa a faixa um tanto mais pesada. A segunda música, In Human Nature, começa da mesma forma. Temos aquela introdução que se fazia presente em álbuns como Arise e Chaos AD, só que aqui o grupo incorpora alguns momentos mais próximos do hardcore. O vocal de Flávio se aproxima muito de nomes como Phil Anselmo e Robb Flynn (Machine Head). Chaospiracy (título bem sacado, hein?), tem um ritmo mais cadenciado, onde a guitarra manda ver com riffs pesados e ríspidos. Além disso, vale ressaltar o bom trabalho do batera Takashi Maruyama. Sanity Is Not An Option encerra o EP de forma veloz e pesada.

                           BLACK STRIPE POISON apresenta uma banda que, mesmo procurando sua identidade já apresenta características bem pessoais. O CONCEPT OF HATE tem tudo para apresentar um bom trabalho em seu álbum de estréia. Este EP lançado em 2015, nos deixa com essa sensação. Que não demore a chegar!




                   Sergiomar Menezes